LIVE: O percurso criminoso das barragens de rejeitos da mineração: de MG ao Centro Norte da Bahia

rejeitos

Com:

Amelia Silva Alves Marques (Comunidade de Canavieiras, Jacobina-BA);

Pedro José de Souza (Comunidade de Canavieiras, Jacobina-BA);

Marcela Rodrigues (Movimento das Águas e Serras de Casa Branca, vitimada pelo crime da Vale em Brumadinho-MG);

Edinei Soares (Angico dos Dias, Campo Alegre de Lourdes-BA);

Almacks Luiz Silva (CPT Ampliada, Centro Norte, Diocese de Bonfim);

Radiação: Adalton Marques (Krisis/UNIVASF)

Transmissão pelo YouTube:

Confiscações e Lutas Anti-Confiscatórias:

Uberização, trabalho digital e indústria 4.0

Um livro importante para entendermos a realidade atual da exploração dos trabalhadores.

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Organizada por Ricardo Antunes, a obra Uberização, trabalho digital e indústria 4.0 traz dezenove artigos de importantes pesquisadores e pesquisadoras, brasileiros e estrangeiros, que investigam, em diferentes setores, os impactos sociais decorrentes da expansão do universo maquínico-informacional-digital.

A uberização, conceito abordado, definido e expandido na obra, é um processo de individualização e invisibilização das relações de trabalho, que assumem a aparência de “prestação de serviços”, obliterando relações de assalariamento e de exploração. O livro investiga como a introdução das tecnologias de informação e comunicação (TIC) no mundo produtivo funciona para aumentar o cenário de precarização do trabalho – prescindindo de salários e reduzindo pagamentos, ampliando o controle sobre e a competição entre os trabalhadores – por meio de análises de diferentes setores produtivos impactados pelo trabalho digital e pela Indústria 4.0, como o trabalho de entregadores de aplicativos, a indústria automobilística, o setor bancário e os setores de telemarketing e…

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Habemus prefeito eleito, que comece a transição de governo

wladimir

Em um resultado que eu julgava previsível, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deferiu a candidatura do empresário Frederico Paes (MDB) e, por consequência, a chapa na qual ele concorreu na companhia do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD).

TSE julga chapa de Wladimir Garotinho e Frederico Paes, mais votados no 2º turno em Campos dos Goytacazes — Foto: Reprodução/YouTube

Aliás, esse julgamento só ocorreu por causa do estranho entendimento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que revogou o deferimento dado em primeira instância e fora do prazo legal para que Frederico Paes fosse substituído por outro nome.

A minha avaliação é que a posição do TRE interferiu diretamente no andamento das eleições municipais ao dar munição para outros candidatos que rapidamente se mobilizaram para realizar um esforço de judicialização. É possível que sem a interferência do TRE, Wladimir Garotinho já tivesse sido eleito em primeiro turno, uma demonstração de que a interferência judicial não necessariamente conduz ao fortalecimento da democracia.

Essa decisão unânime do plenário do TSE também mostra que não há nada pior do que maus perdedores que, em vez de reconhecer a derrota clara, se põe a realizar reuniões de agitação de apoiadores, e isso tudo em meio a uma pandemia letal como é a da COVID-19.  Falo aqui do candidato Caio Vianna (PDT) que agora, passado o julgamento do TSE, deveria vir a público reconhecer o prefeito eleito.

O resultado do julgamento do TSE também deixa, digamos, de calças na mão o jovem prefeito Rafael Diniz que atrasou o processo de transição sob a alegação espúria de que a eleição da chapa formada Wladimir Garotinho/ Frederico Paes estaria sob judice.  O que todos devemos cobrar agora é que o processo de transição seja iniciado o mais rapidamente, de modo a não prejudicar um início de governo que já  promete ser caótico, em parte por causa da gestão desastrosa que Rafael Diniz e seus menudos neoliberais realizaram.

Por último, devo dizer que não tenho grandes expectativas em relação ao futuro governo de Wladimir Garotinho. Mas não há como se julgar algo que não se iniciou e, por isso, vou aguardar os atos do novo governo para eventualmente emitir opiniões.  Aliás, eu gostaria de ter podido ter podido exercitar esse distanciamento crítico em relação ao governo comandado pelos menudos neoliberais que Rafael Diniz colocou dentro da sua gestão. Mas ao exterminar as políticas sociais herdadas de outros governos, Rafael Diniz me privou disso.

Do futuro prefeito, espero algo muito simples no início do seu governo: a reabertura do restaurante popular. É que quem tem fome, tem pressa. Simples assim!

A necessidade da luta, a urgência por justiça: uma nota para Cícero Guedes

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Por Luciane Soares da Silva*

Hoje completamos um ano e dois dias do julgamento do assassinato de Cícero Guedes. Me dirijo especialmente aqueles que não conhecem a história de Cícero, alagoano, trabalhador da terra e mais um brasileiro negro a experienciar os horrores da condição de trabalho análogo a escravidão.

O julgamento de Cícero em 2019 foi importante para pensar o Brasil. Principalmente a ação do Judiciário. O resultado não diferiu de tantos outros. E a justiça não foi feita. Mas o que esperar de uma cidade marcada pelo braço de latifúndio e da cana, das relações desiguais e do racismo? A capacidade de organização e resistência de Cícero em Cambaíba nos servem de exemplo e dever. Exemplo de como é possível repensar o direito à terra e à justiça social. Dever de prática cotidiana com uma luta que seja capaz de alimentar os corpos e principalmente, libertar as consciências das formas de subalternização impostas pelas elites brasileiras no saudosismo autoritário que sentem da escravidão.

Cabe lembrar ainda do significado histórico de Cambaíba. Para a Comissão Nacional da Verdade, a usina pode ter sido utilizada para incineração de corpos sob o regime ditatorial em 1974. De lá para cá o local foi desfigurado em uma tentativa de apagamento da memória e das lutas populares. De lá para cá muita terra improdutiva permaneceu assim por obra e ação do Estado.

Temos como dever pela morte de Cícero e de tantos outros ativistas dos direitos humanos no Brasil, exigir a justiça e a partilha da terra. A forma de resolução de conflitos faz com que o Brasil ocupe desde 2019 o vergonhoso lugar de terceiro país que mais mata ativistas. Ficando atrás da Colômbia e das Filipinas. Particularmente ativistas ligados a luta pela terra e o meio ambiente.

O governo Bolsonaro intensificou estes ataques. Em 2019 foram ao menos 24 mortes, segundo reportagem do El País de julho deste ano. Chama atenção a morte de lideranças indígenas enquanto a Amazônia queima ao longo de meses sob a pasta de Ricardo Sales.

Cícero, conhecido de todos nós na cidade, dos movimentos sociais, estudantes, professores, população, significa a dignidade que nos falta nos momentos em que arrefecemos e acreditamos ser possível viver sem que se faça justiça aos mortos pelo Estado. Frequentemente a mando do capital que aqui tem a cara dos donos de terra. Proprietários  que enviaram jagunços para nos intimidar em agosto de 2019, quando visitamos Cambaíba[1] após declaração do presidente sobre a morte de Felipe Santa Cruz, torturado cruelmente nas mãos da ditadura civil militar brasileira.

No Dia Internacional dos Direitos Humanos faremos a necessária discussão sobre memória e justiça. Um ciclo que se fechou, dando esperanças de um futuro democrático, abre-se como uma roda nefasta girando sobre a cabeça daqueles que ousam opor-se a um governo recheado de militares. Um governo negacionista.

Ao voltar para o Mapa da Fome durante uma pandemia e sofrer o descaso do presidente, caberá a nós a tarefa de zelar e seguir exigindo saúde para famílias negras vivendo em miséria. E justiça para aqueles que tombaram sob o peso de um Estado que segue tratando a bala aqueles que ousaram exigir de volta à terra que lhes é devida. Porque a lavraram, a fizeram florir e alimentaram este país com seus braços.

Justiça para Cícero Guedes e para todos os mortos pelo Estado no Brasil.

[1] https://blogdopedlowski.com/2019/08/01/o-caso-riocentro-cambahyba-e-a-luta-pelo-direito-a-verdade/

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Luciane Soares da Silva é docente da Universidade Estadual do Norte Fluminense  (Uenf), onde atua como chefe Laboratório de Estudos da Sociedade Civil e do Estado (Lesce), e também participa da diretoria da Associação de Docentes da Uenf (Aduenf).

Cresce pressão para adoção de frete de emissão zero na Europa

Entidade do setor apresenta proposta para acelerar transição da frota

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Será lançada nesta quarta-feira (9/12) uma proposta que busca redefinir mais rapidamente o futuro do transporte rodoviário na União Europeia. A ação cobra medidas de financiamento para uma transição antecipada para caminhões com emissão zero, e pede incentivos regulatórios para a implantação de infraestrutura privada e pública para esses novos veículos – ou seja, tudo que envolve hidrogênio, veículos elétricos a bateria e sistemas rodoviários elétricos.

O documento foi elaborado pela Aliança Europeia de Caminhões Limpos (European Clean Trucking Alliance ). Ela reúne participantes-chave no setor de transporte rodoviário de mercadorias, incluindo associações de mobilidade, ONGs como Transport & Environment, e grandes empresas dos setores de transporte, manufatura e varejo. Entre os membros empresariais estão IKEA, Deutsche Post DHL Group, Anheuser-Busch InBev, Nestlé, Michelin.

A ação pressiona o bloco europeu de duas formas: em primeiro lugar buscar elevar a ambição da Estratégia de Mobilidade Sustentável e Inteligente (SSMS), que começa a ser implementada em dezembro deste ano na União Europeia. A estratégia já prevê reduzir as emissões do transporte em pelo menos 90% até 2050, em comparação com os níveis de 1990. Ao mesmo tempo, a Aliança quer sensibilizar o Conselho Europeu, e por isso a proposta foi apresentada às vésperas da reunião da entidade (10-11 de dezembro), quando será discutida uma meta mais ambiciosa de redução de emissões do bloco já para 2030.

A descarbonização do setor de frete rodoviário é crucial para que a Europa alcance suas metas de redução de emissões e a neutralidade de carbono estabelecida para 2050. Embora representem apenas 2% dos veículos rodoviários na União Europeia, os caminhões são responsáveis por 22% das emissões de CO2 do transporte rodoviário.

A Aliança argumenta que o SSMS “é a oportunidade para a Europa estabelecer um caminho claro para a descarbonização do setor de frete rodoviário”. A proposta da entidade pede medidas claras e apoio financeiro para aumentar a aceitação e a oferta de caminhões com emissão zero, dando ao setor automotivo e logístico certeza de investimento em tecnologias com emissão zero, especialmente pelo fato de que a Europa planeja uma reconstrução verde após a crise econômica da COVID-19.

Espiral inflacionária de Bolsonaro e Guedes prejudica os mais pobres

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A inflação dos alimentos, que recai sobre os mais pobres, está explodindo no Brasil em 2020. De janeiro a dezembro, óleos e gorduras subiram 55,22%; cereais, 54,84%; legumes, 51,28%. Óleo de soja saltou 94,1%; tomates, 76,5%. Inflação dos alimentos já está em 15,7% desde o início do ano. Os números, com base no  IPCA do IBGE foram consolidados pelo NAPP Agrícola, da Fundação Perseu Abramo.

Os números são expressivos: óleo de soja, 94,1%; tomates, 76,5%; arroz, 69,5%; feijão fradinho, 60%; batata 55.9%. Por grupos alimentares, a inflação está acima de 50% em três deles: óleos e gorduras; cereais, leguminosas e oleaginosas; e tubérculos, raízes e legumes. Seguem-se os grupos de hortaliças e verduras (17,68%), frutas (17,49%), leites e derivados (15,62%) e carnes (13,9%).

Veja o quadro elaborado pelo NAPP Agrícola, da Fundação Perseu Abramo.

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Este texto foi inicialmente publicado pelo Brasil 247 [Aqui!].

Revelado: Mark Zuckerberg ameaçou retirar investimentos do Reino Unido em reunião secreta

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Por  Matthew Chapman para o  O Bureau of Investigative Journalism

O Bureau of Investigative Journalism acaba de revelar Mark Zuckerberg ameaçou retirar o investimento do Facebook do Reino Unido em uma reunião privada com Matt Hancock.

A ata da reunião, de maio de 2018, mostra que um obsequioso Hancock estava ansioso para agradar Zuckerberg, oferecendo “um novo começo” para o relacionamento do governo com as plataformas de mídia social. Ele se ofereceu para mudar a abordagem do governo de “ameaçar a regulamentação para encorajar o trabalho colaborativo para garantir que a legislação seja proporcional e favorável à inovação”.

Hancock procurou “aumentar o diálogo” com Zuckerberg, “para que ele possa transmitir a mensagem de que tem o apoio do Facebook ao mais alto nível”.

A reunião aconteceu na conferência VivaTech em Paris. Parece ter sido arranjado “após vários dias de disputa” por Matthew Gould, ex-funcionário do departamento de cultura que Hancock mais tarde fez executivo-chefe da NHS X .

Zuckerberg compareceu à reunião apenas alguns dias depois de Hancock – então secretário de estado do digital, cultura, mídia e esporte (DCMS) – tê-lo criticado publicamente por evitar uma reunião com parlamentares. Os funcionários públicos tiveram que dar a Zuckerberg garantia explícita de que a reunião seria positiva e Hancock não iria simplesmente exigir que ele participasse do comitê, e observou que a reunião começou com um ambiente de “hostilidade cautelosa”.

Esses detalhes podem finalmente ser tornados públicos após uma batalha de dois anos que culminou com o Gabinete do Comissário de Informação ordenando que o departamento divulgasse as atas. As notas recém-lançadas representam a primeira exibição pública das opiniões de Mark Zuckerberg em relação à legislação proposta do Reino Unido sobre segurança e regulamentação na Internet.

Zuckerberg falou de um “governo anti-tecnologia do Reino Unido”, brincando sobre fazer do Reino Unido um dos dois países que ele não visitaria. (O segundo país foi redigido nas notas liberadas para o Bureau. O tamanho da redação corresponde ao comprimento das palavras “exceto China”.)

As notas da reunião concluem: “Se realmente houver uma percepção generalizada no vale de que o governo do Reino Unido é anti-tecnologia, então mudar o tom é vital. A London Tech Week é uma grande oportunidade e não poderia ter chegado em melhor hora. ”

No mês seguinte, Hancock teve uma reunião de acompanhamento com Elliot Schrage, principal lobista do Facebook que mais tarde anunciou sua renúncia depois de contratar uma empresa de relações públicas para fazer uma campanha difamatória contra George Soros, um crítico vocal do Facebook. Mais tarde, Schrage escreveu a Hancock agradecendo-lhe por apresentar seu pensamento sobre “como podemos trabalhar juntos na construção de um modelo de co-regulação sensata em questões de segurança online”.

A carta também revela que Hancock deveria visitar o Facebook em setembro de 2018. (Hancock se tornou secretário de saúde antes que essa visita pudesse acontecer). Schrage escreveu que os “desafios da segurança online” devem ser “alcançados de forma construtiva e colaborativa”, antes de assinar, dizendo que o Facebook está perto de fornecer uma atualização sobre seu “compromisso com Londres”.

Batalha de dois anos

O governo lutou por dois anos para impedir a divulgação das atas da reunião entre Zuckerberg e Hancock depois que os detalhes foram solicitados pelo Bureau em novembro de 2018. Em agosto, os advogados do DCMS fizeram uma última tentativa de reter as notas após serem ordenados a divulgá-los pelo Information Commissioner’s Office (ICO).

Após trabalho pro bono dos advogados do Bureau, Leigh Day e Conor McCarthy em Monckton Chambers, o governo agora concordou em divulgar as notas da reunião, redigindo uma pequena parte que descreveu como a “opinião subjetiva” do tomador das notas. Entende-se que o material redigido é incidental para a discussão política.

A OIC repreendeu o DCMS por violar a lei de liberdade de informação depois que demorou um ano para reconhecer que mantinha anotações sobre a reunião entre Zuckerberg e Hancock. Também criticou o departamento por alegar que tornar as notas públicas levaria a futuras discussões “ocorrendo ‘off the record’ e não registradas por medo de uma possível divulgação”.

Acrescentou: “O acesso aos direitos de informação depende de autoridades públicas documentarem suas principais atividades e decisões. Não fazer isso pode minar a responsabilidade pública, o registro histórico e a confiança pública. ”

O ICO decidiu que divulgar as informações era de interesse público, declarando: “Como plataforma de mídia social dominante no mundo, o Facebook tem uma posição incomparável e capacidade de influenciar as políticas e regulamentações governamentais.

“Na opinião do comissário, a exigência de transparência e abertura é particularmente aguda no caso presente, dada a ausência do Sr. Zuckerberg no domínio público do Reino Unido … Em vista do alto nível de controle pessoal que o fundador e CEO do Facebook possui sobre alguns dos as plataformas de mídia social mais influentes e poderosas no Reino Unido, o Comissário considera que a demanda por tal transparência é correspondentemente alta. ”

Influência global

Os críticos afirmam que a falta de regulamentação do conteúdo do Facebook em suas plataformas – incluindo Facebook, Instagram e WhatsApp – contribuiu para eventos trágicos em todo o mundo. Alguns dizem que as plataformas foram usadas por outros para incitar o genocídio da minoria muçulmana Rohingya em Mianmar, organizando um evento da milícia em Kenosha que levou à morte de duas pessoas, na transmissão ao vivo de um massacre de muçulmanos na Nova Zelândia, e contribuindo para o suicídio da adolescente britânica Molly Russell.

O comitê de seleção digital, cultural, de mídia e de esportes está atualmente examinando o papel do Facebook na disseminação de desinformação antivacinação em suas plataformas.

No Reino Unido, o governo está considerando como regulamentar o Facebook e outras plataformas para proteger as pessoas de “danos online”, incluindo desinformação, exploração sexual infantil, conteúdo terrorista, crime de ódio, incitação à violência, assédio e conteúdo que incentiva o suicídio. A legislação proposta envolverá efetivamente um regulador garantindo que as empresas de tecnologia cumpram seus próprios termos e condições.

No entanto, o comitê DCMS já expressou preocupação sobre essa regulamentação de toque suave. Em um relatório, disse: “O governo deve estabelecer uma lista abrangente de danos no escopo da legislação de danos on-line, em vez de permitir que as empresas o façam elas mesmas ou estabeleçam o que consideram aceitável por meio de seus termos e condições. O regulador deve ter o poder de julgar onde essas políticas são inadequadas e fazer recomendações adequadas contra esses danos. ”

O governo deve publicar sua resposta a uma consulta sobre propostas para regulamentar as empresas de mídia social nas próximas duas semanas.

Evitando escrutínio

Parece que Zuckerberg evita o escrutínio aberto pelos parlamentos onde pode. Em vez disso, ele parece favorecer as discussões políticas a portas fechadas.

Quando ele se recusou a comparecer perante um grande comitê internacional de notícias falsas em novembro de 2018, composto por membros de nove parlamentos nacionais, os legisladores colocaram uma cadeira vazia para ele em protesto. Sua decisão de não comparecer ao comitê DCMS atraiu a ira de Damian Collins, presidente do comitê.

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Collins disse ao Bureau: “Estas atas mostram que Mark Zuckerberg estava com medo do inquérito do comitê do DCMS, ele sabia tudo sobre isso e estava determinado a não aparecer na frente dele – e você precisa se perguntar por que isso acontece.”

Em um artigo para o Financial Times em fevereiro, Zuckerberg pediu “mais supervisão e responsabilidade” nas decisões sobre moderação de conteúdo nas mídias sociais, mas não comentou sobre as regulamentações propostas pelo Reino Unido.

Em um documento de política do Facebook publicado durante a viagem de Zuckerberg à Europa no início deste ano, a empresa argumentou contra as empresas de mídia social serem legalmente responsáveis ​​pelo conteúdo de suas plataformas, incluindo material ilegal ou prejudicial. Em vez disso, propôs “relatórios públicos periódicos” de quão bem fez cumprir suas próprias regras e políticas, e a empresa estabeleceu um conselho de supervisão independente com base nessas linhas.

O Facebook disse à BBC: “O Facebook há muito diz que precisamos de novos regulamentos para definir padrões elevados em toda a Internet”.

Imagem do cabeçalho: uma imagem composta de Matt Hancock e Mark Zuckerberg. Crédito: Peter Summers / Getty Images e Andrew Caballero-Reynolds / AFP via Getty Images

Este relatório foi financiado por fundos centrais do Bureau . Nosso relatório sobre Decision Machines é financiado pela Open Society Foundations, fundada por George Soros. Nenhum de nossos financiadores tem qualquer influência sobre as decisões editoriais ou resultados do Bureau.

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Este artigo foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo Bureau of Investigative Journalism [Aqui!].

Garimpo e outras atividades ilegais põem quase 1/3 da Amazônia sob risco

Extração de madeira, mineração e plantios ilegais compõe uma rede de atividades que devastam a floresta ao mesmo tempo que movimentam milhões de dólares por ano

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Garimpo ilegal na Terra Indígena Munduruku, município de Jacareacanga. (Foto: Marizilda Cruppe/Amazônia Real)

Por Lisandra Paraguassu para a agência Reuters

BRASÍLIA (Reuters) – Nos últimos oito anos, as atividades ilegais na região Amazônica –não apenas no Brasil, mas também nos países vizinhos– cresceram e aumentaram a pressão sobre a floresta, mostra o Atlas Amazônia Sob Pressão, feito pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg), consórcio de entidades ambientais dos países amazônicos.

De acordo com dados levantados pelo Atlas, 27% da floresta sul-americana –além do Brasil, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana, e o território da Guiana Francesa, compõem o território amazônico– estão sob alta pressão de atividades que levam ao desmatamento. Em outros 7%, a pressão é muito alta.

desmatamentoTrecho da Amazônia atingido por queimada é derrubado por madeireiros perto de Mirante da Serra, em Rondônia 20/08/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino

No Brasil, 29% da Amazônia estaria sob alta pressão.

“São três das atividades econômicas que, recrutando milhares de pessoas, proliferam na floresta tropical sustentadas pela demanda de seus produtos finais em mercados internacionais”, diz o estudo. Entre eles a madeira, a cocaína, o ouro e outros metais preciosos.

Apenas este ano, a rede levantou 4.472 pontos de mineração ilegal na Amazônia, a maioria no Brasil e na Venezuela, onde a extração irregular de pedras e preciosos vem numa curva ascendente. O Brasil concentra 53,8% desses pontos de mineração ilegal detectados pelo Atlas –2.576– e 95% deles estão em atividade no momento.

“Brasil tem visto uma expansão do setor ilegal. Entre as regiões mais afetadas pelo avanço da mineração ilegal estão a bacia do rio Tapajós, terra dos indígenas mundukuru, e a terra indígena Ianomâmi, onde se estima que estejam 20 mil garimpeiros. E também, ao norte, a terra indígena Raposa Serra do Sol, que sofreu em 2020 a primeira invasão de garimpeiros ilegais em larga escala desde sua demarcação, há 11 anos”, diz o Atlas.

Apesar de identificar que as áreas de proteção e as terras indígenas ainda são fatores que conseguem conter o aumento da exploração ilegal e do desmatamento, o estudo mostra que o garimpo ilegal avança também nessas áreas, em toda a região Amazônica. Foi identificado que 17,3% das áreas de proteção e 10% das áreas indígenas hoje sofrem com invasão e garimpo ilegal.

Em junho, um análise de imagens de satélite feito pela Reuters já mostrava um aumento de 20 vezes da mineração ilegal nos últimos cinco anos na terra Ianomâmi, principalmente ao longo de dois rios, o Uraricoera e o Mucajaí. Somadas, as áreas de mineração cobriam oito quilômetros quadrados –o equivalente a 1.000 campos de futebol.

Em meio à pandemia de Covid-19, os garimpeiros levam a doença para dentro das aldeias –relatório recente produzido pela Rede Pró-Yanomami e Ye’kwana apontou um aumento de 259% nos casos entre agosto e outubro– e tiram o ouro que, se sempre foi valioso, neste 2020 bateu recordes históricos no preço internacional.

Economia Legal

Apesar do avanço das atividades ilegais, a perda de cobertura florestal ao longo das últimas décadas se deve, também, a atividades legais, especialmente a pecuária. Desde 2000, em toda a região, a área usada para pecuária aumentou 81,5% –ou seja, mais 647.411 km² dedicados a pastagens. Mais de 70% dessas novas áreas surgidas entre 2001 e 2020 eram, ainda em 2000, cobertas por florestas.

“A atividade agropecuária é responsável por 84% do desmatamento da Amazônia, segundo análise da Raisg e do MapBiomas”, aponta o Atlas.

Com crescimento até 2003, o desmatamento e a abertura de pastagens passou a cair em toda a região até chegar ao ponto mais baixo em 2012. Desde então, voltou a subir.

O desmatamento para produção agrícola aconteceu com força em áreas de proteção ambiental, com crescimento de 220% de pastagens em reservas florestais e 160% em terras indígenas, especialmente em países como Bolívia e Equador.

“Políticas nacionais impulsionaram a atividade agropecuária na região sem considerar o impacto negativo para o ecossistema”, aponta o Atlas.

No Brasil, o mapa mostra o avanço das áreas de agropecuária nos últimos 20 anos concentrados principalmente no Pará, norte do Tocantins e Mato Grosso.

Procurado pela Reuters para comentar as informações do Atlas, o Ministério do Meio Ambiente não respondeu.

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Este artigo foi originalmente publicado pela agência Reuters [Aqui!].

Santa ironia! Governo Bolsonaro desconstrói o legado de Lula no agronegócio

bolso chapeu

Uma das áreas em que o governo Bolsonaro tem sido para lá de eficiente na desconstrução do “legado” dos governos do PT, principalmente os comandados pelo ex-presidente Lula, é curiosamente a do agronegócio. Quando se lembra que o primeiro ministro da Agricultura do PT foi o agrônomo Roberto Rodrigues, considerado então e agora uma espécie de porta-voz do agronegócio, e que ele passou quase toda a sua gestão abrindo novos caminhos e desbloqueando outros que já existiam, o que está acontecendo agora beira um completo desastre para o setor que vive de exportar commodities agrícolas.

roberto lulaO ex-presidente Lula com o seu ministro pró-agronegócio, o agrônomo Roberto Rodrigues

Às confusões ideológicas com a China somam-se as navalhadas no sistema de proteção ambiental, cuja imagem foi lapidarmente construída por Lula e Roberto Rodrigues. A combinação dessas ações já está podendo ser sentida tanto na busca chinesa por novas frentes de fornecimento, tanto na América Latina como na África, mas também a criação de dificuldades descomunais para a ratificação do acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia. Aliás, o acordo com a EU pode em breve sofrer o mesmo destino das relações bilaterais com a China, pois nada impede que o governo de Alberto Fernandez também passe a circunavegar o Mercosul para apostar em relações bilaterais com a EU ou, pelo menos, com a França e a Alemanha que são de longe as principais economias do bloco europeu.

Eu fico imaginando o que determinados figurões do agronegócio (aliás, melhor chamar pelo nome certo que é latifúndio agro-exportador) estão pensando com as consequências das ações destrutivas realizadas pelo governo Bolsonaro e que impactam os latifundiários no único lugar que dói que é o bolso deles.

Há que se ressaltar que a postura anti-ambiental do governo Bolsonaro já serviu para que surgissem uma série de boicotes às commodities agrícolas brasileiras que levaram a várias cadeias importantes de supermercados na Europa a exigir que seus governos nacionais pressionem o Brasil para que o curso anti-ambiental seja revertido, sob pena de verem seus consumidores se insurgindo contra a compra de produtos brasileiros.

Como 2021 promete ser um ano marcado por um processo de retração da atividade econômica em escala global, a postura anti-chinesa e anti-ambiental do governo Bolsonaro poderá trazer uma desconstrução ainda maior do legado do ex-presidente Lula na área das exportações de commodities.  Que ninguém se surpreenda se primeiro setor importante a efetivamente desertar o governo Bolsonaro seja o do agronegócio. Se isso ocorrer seria uma daquelas supremas ironias, já que foi o barões do agronegócio estiveram desde o início com a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro e a bancada ruralista foi uma das mais eficientes em coletar votos pelo impeachment de Dilma Rousseff.

Eu diria que o agronegócio está agora colhendo o que plantou quando se alinhou com Bolsonaro. Uma triste e acabada ironia que os atuais tempos tempestuosos nos trazem.

Atacada pelo governo Bolsonaro, China faz super acordo para comprar soja argentina

soya

A disposição de diferentes membros do governo Bolsonaro, a começar pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, de provocar a China, principal parceira comercial do Brasil neste momento, é antes de tudo uma irracionalidade econômica. É que o Brasil depende da China para vender parte significativa da produção nacional de soja e de outras commodities agrícolas e minerais. 

Pois bem, o site especializado em fornecer informações sobre o agronegócio, o Agrolink, publicou hoje a informação indicando que o “Grupo Syngenta anunciou na Argentina um acordo de grandes proporções com a Sinograin – empresa responsável pela exploração da reserva de grãos e óleo da China. A iniciativa Agri Value Chain visa melhorar as condições das operações de barter, exportar diretamente os grãos e seus derivados para o mercado chinês e promover a cooperação de toda a cadeia agroindustrial“.

Esse acordo de “grandes proporções” confirma o fato de que após todas as declarações provocativas, o governo chinês começou a fazer o que já tinha advertido que faria, qual seja, dar preferência para fazer negócios com parceiros que tratem respeitavelmente a China, em que pese as eventuais diferenças ideológicas entre os governos.

Todas as ações provocativas que têm sido feitas contra a China parecem ter como base o pressuposto de que a China precisa mais das commodities brasileiras do que o Brasil precisa dos bilhões de dólares geradas pelas importações chinesas. Obviamente essa é uma crença sem base na realidade. 

Assim, ao provocar o principal parceiro comercial do Brasil se baseando em um falso pressuposto, o que o governo Bolsonaro pode ter garantido é a perda da preferência chinesa por nossas commodities. Se isso se confirmar, a situação da economia brasileira que já anda ruim, deverá piorar ainda mais em 2021.

Há que se lembrar ainda que mesmo que a China passa a optar pela Argentina para comprar soja, o Brasil continuará dependendo dos fabricantes chineses de insumos agrícolas para tocar as grandes áreas de monoculturas, a começar pelos agrotóxicos. Resta saber onde vão arrumar os dólares para comprar os insumos chineses.

E isso tudo para quê? Para agradar o governo comandado por Donald Trump?