Enquanto Bolsonaro e Pazuello brincam com a saúde dos brasileiros, governo Trump já assegurou controle de 1 bilhão de vacinas para os EUA

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A politização da validação e comprade vacinas contra a COVID-19 pelo governo Bolsonaro representa jogar uma “roleta russa” com a saúde de mais de 211 milhões de brasileiros. Seja pelas declarações negacionistas do presidente Jair Bolsonaro ou pela omissão concordante do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, o fato é que o Brasil, que possui um dos mais amplos sistemas de saúde do planeta, está neste momento completamente à deriva no tocante a ter um efetivo plano massivo de vacinação que garanta um recuo sustentado da pandemia no nosso país.

Enquanto isso, o governo Trump, que também possui uma clara responsabilidade por tornar os EUA no principal epicentro da pandemia da COVID-19 no mundo, já assegurou o controle sobre inacreditáveis 1,01 bilhão de vacinas (isso mesmo, eu disse 1 bilhão de vacinas!) que serão utilizadas em um país que possui uma população de 328 milhões de pessoas, o equivalente a 3 vacinas por habitante (ver figura abaixo).

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Como o Reino Unido se tornou o primeiro país ocidental a autorizar o uso da vacina BTN12b2, produzida pelas empresas Pfizer e Biontech, o que acontecerá a partir de agora é uma corrida pela compra desta vacina em todos os países centrais, gerando uma espécie de corrida pela vida.

Enquanto isso, o Brasil periga ficar prisioneiro dos caprichos do seu presidente e da inação do seu ministro da Saúde. Em tempo: já se sabe que corremos o risco de ficarmos de fora de esforços de vacinação em massa por um mísero detalhe: o Brasil passa por um forte escassez de seringas neste momento crucial da nossa história. Seria engraçado se não fosse tão trágico.

Organizações da sociedade civil exigem aumento no orçamento de 2021 para o meio ambiente

De acordo com as organizações, se a proposta orçamentária do governo for aprovada como está pelo Congresso Nacional, não haverá recursos para combate ao desmatamento e queimadas no país

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• Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) do Governo Federal para 2021 prevê cortes severos no orçamento de combate ao desmatamento e fogo.

• Se aprovado como está, o ICMBio teria R﹩0,45 por hectare para cuidar de 165 milhões de hectares de Unidades de Conservação.

• A área desmatada da Amazônia, entre agosto de 2019 e julho de 2020, alcançou 11.088 km2, um aumento de 9,5% (Prodes) em relação ao período anterior e equivalente a 7,2 vezes o território da cidade de São Paulo. Trata-se do maior número desde 2008.

• Organizações da sociedade civil se unem para exigir que o Congresso Nacional altere o PL através de emendas, garantindo a recomposição do orçamento de meio ambiente.

• A PLOA 2021 prevê redução de 29% no orçamento do Ibama, de 40,4% para o ICMBio e de 39,4% para a administração direta do MMA – para despesas discricionárias, em relação a PLOA 2019.

PLOA O desmatamento continua a crescer no Brasil. Mas o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA para 2021), enviado pelo Executivo para votação no Congresso Nacional, não reflete o tamanho do problema e prevê cortes severos no orçamento dos órgãos ambientais, responsáveis, por exemplo, pelo combate ao fogo. Em resposta a isso, o Greenpeace Brasil e 23 organizações da sociedade civil lançam, nesta quarta-feira, a campanha  Floresta sem Cortes”, para exigir que deputados e senadores alterem o projeto.

A redução e o represamento de orçamento têm sido uma das ferramentas usadas na política antiambiental do atual governo com objetivo de reduzir a proteção ambiental no Brasil. De 2019 para 2020 a redução no orçamento das despesas discricionárias do Ibama foi de R﹩112 milhões (30,4%), de R﹩97 milhões no ICMBio (32,7%) e de R﹩33 milhões (32,7%) para o MMA – administração direta. O PLOA de 2021 prevê cortes ainda mais acentuados, que podem comprometer ainda mais a capacidade do país de combater o desmatamento e as queimadas, enquanto enfrentamos mudanças no clima e aumento da destruição florestal.

No momento em que o Congresso Nacional debate a PLOA 2021, antes da votação, o objetivo da campanha é mobilizar a sociedade brasileira e pressionar deputados e senadores pela aprovação de um orçamento robusto, que seja capaz de financiar todas as ações necessárias para frear o desmatamento, queimadas e punir severamente os criminosos que agem na Amazônia e em outros biomas. Nesta fase, os parlamentares podem fazer alterações, por meio de emendas.

“É importante que o Congresso Nacional não compactue com a política antidemocrática e antiambiental do governo Bolsonaro, que está gerando um prejuízo incalculável para toda a sociedade brasileira. O Congresso pode, e deve, remanejar parte dos recursos para aqueles que têm a competência legal e a expertise técnica para combater o desmatamento e as queimadas: o Ibama e o ICMBio”, afirma Cristiane Mazzetti, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil.

“Não existe crise fiscal que justifique tamanho desmonte do orçamento do meio ambiente. Os cortes expressam, na verdade, a decisão política do atual governo de estrangular os órgãos ambientais e sucatear ainda mais a política ambiental brasileira. É uma irresponsabilidade que precisa ser revertida pelo Congresso Nacional por meio de emendas orçamentárias que assegurem recursos essenciais para que os órgãos possam atuar e cumprir seu papel”, diz Alessandra Cardoso, assessora política do INESC.

“O orçamento é um espelho fidedigno de opções políticas. Os valores reduzidos da proposta orçamentária para 2021 para os órgãos ambientais explicitam a não priorização do tema pelo governo Bolsonaro. Não adianta o Vice-Presidente da República prometer uma atuação mais forte no controle do desmatamento e de outros ilícitos ambientais, e na prevenção e enfrentamento dos incêndios florestais, se isso estiver dissonante da lei orçamentária nas ações afetas ao Ibama e ao Instituto Chico Mendes. Em relação ao ICMBio, o quadro é extremamente complicado: os recursos previstos para a gestão de áreas protegidas em 2021 vão inviabilizar a atuação da autarquia, matando-a por inanição. Recursos há, basta deslocar uma pequena parte do previsto para o Ministério da Defesa”, diz Suely Araujo, especialista sênior em Políticas Públicas do Observatório do Clima.

Para fazer parte deste movimento, todos podem acessar a página FlorestaSemCortes.org.br e pedir ao Congresso a aprovação imediata de um orçamento adequado para frear o desmatamento nos biomas brasileiros e garantir a proteção de nossa biodiversidade. A campanha está aberta para adesão de organizações da sociedade civil.

Participam e assinam a campanha: 350 Brasil, Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Apremavi, Associação Civil Projeto Hospitais Saudáveis, Cidades afetivas, ClimaInfo, Fundação Avina, Greenpeace Brasil, Hivos, Idesam, Imaflora, Imazon, Inesc, Instituto Alana, Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto Ethos, Ipam, ISA, ISPN, Mater Natura, Observatório do Clima (OC), Projeto saúde e alegria, Rede Grupo de trabalho Amazônico (GTA) e Transparência Internacional.

Moradores de áreas próximas à mina que ameaça romper em Nova Lima (MG) reclamam das imposições da Vale

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A mineradora Vale está circulando o panfleto abaixo para, em tese, alertar sobre os eventuais efeitos do rompimento da barragem (ou barragens) da mina Mar Azul sobre a região de São Sebastião das Águas Claras (Macacos), município de Nova Lima (MG), no que se convenciona chamar de “nova hipotética de inundação”, a qual já teria sido validada no dia 16 de Novembro pela empresa que faz a auditagem do caso para o Ministério Público de Minas Gerais (ver imagem abaixo).

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O que a imagem disponibilizada pela Vale não mostra é sobre os fortes impactos ambientais e econômicas que o rompimento de uma de suas barragens (lembremos que a Vale é parte diretamente responsável pelos rompimentos ocorridos em Mariana e Brumadinho) em Minas Gerais. 

Esses impactos, no entanto, ficam mais claros na imagem abaixo retirada do Earth Google onde se pode ver todos as áreas habitacionais e estabelecimentos comerciais que estão no caminho potencial dos rejeitos que ameaçam escapar da mina Mar Azul desde o início de 2019.

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A situação criada em Macacos já foi objeto de diversas postagens neste blog onde mostrei que muitos moradores da região se ressentem das imposições da Vale, as quais muitos vêem como meros artifícios adotados pela mineradora para aumentar o seu já forte controle sobre o território, sem que haja o devido respeito aos direitos dos moradores que estão sob risco de perda total de seus propriedades e estabelecimentos em função de uma forma pouco responsável de armazenar os rejeitos gerados pela atividades de mineração.

Juiz determina que reitor da UENF comprove hipossuficiência financeira para conceder gratuidade de justiça em processo movido contra jornalista

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Ainda por conta de querelas ocorridas durante a eleição para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense em setembro de 2019, o reitor eleito, professor Raul Palácio, está movendo um processo (No 0031389-92.2019.8.19.0014) por supostos danos morais contra o editor do Portal Viu, jornalista Roberto Barbosa.

Provavelmente para surpreso do reitor da Uenf, o juiz encarregado do caso julgou improcedente as alegações contra o jornalista Roberto Barbosa por não visualizar os danos alegados na peça inicial pelos advogados que representam Raul Palácio.

Insatisfeito com a decisão de primeira instância, o reitor da Uenf recorreu da sentença no dia 05 de Novembro, momento esse em que solicitou que o processo continuasse com a concessão da gratuidade de justiça, pedido que só é possível de ser atendido em casos em que as partes envolvidas possam comprovar a sua condição de hipossuficiência financeira (em outras palavras são pessoas financeiramente carentes ao ponto de não poderem arcar com as custas processuais.

Em um desdobramento singular, o juiz encarregado do caso resolveu cobrar do reitor da Uenf que envie comprovantes de rendimentos, declaração de imposto de renda, os três últimos extratos bancários mensais, faturas de cartão de crédito e o que mais julgar necessário para comprovação de sua hipossuficiência (ver imagem abaixo). 

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O juiz ainda deu ao reitor da Uenf duas possibilidades de ação caso não consiga comprovar sua hipossufiência financeira: pagar as custas ou desertar o processo (em outras palavras, desistir).

Tendo lido a sentença em que o juiz do caso julgou improcedentes as demandas apresentadas contra Roberto Barbosa, eu diria que o caminho mais prudente e financeiramente coerente para o reitor da Uenf seria o da deserção. 

Finalmente, em casos como esse é que me vem à memória o conto “Le meunier de Sans-Souci (O moleiro de Sans-Souci) de François Andrieux, em que é narrada uma situação em que Frederico II, então Kaiser da Prússia, pretendia ampliar seu palácio de verão em Sans-Souci, mas encontrou resistência por parte de um moleiro, proprietário de um moinho que ocupava terras necessárias para a ampliação.  O Kaiser, após inúmeras propostas recusadas, teria chamado o moleiro à sua presença e, do alto de sua soberba, afirmara que poderia expropriar o moinho contra a vontade do moleiro se assim entendesse, ao que o moleiro respondera “Vous!… de prendre mon moulin? Oui, si nous n’avions pas des juges à Berlin” (Vós… tomardes meu moinho? Sim, se não houvesse juízes em Berlim).

E que bom que ainda ainda existem juízes em Campos dos Goytacazes que garantem a cada vez mais elusiva liberdade de expressão.

UFRJ alerta sobre ondas da pandemia de COVID-19 se sobrepondo

O Grupo de Trabalho para Enfrentamento da COVID-19 emitiu Nota Técnica que fala da necessidade de medidas urgentes

mascaraFoto: Artur Moês (CoordCom/UFRJ)

Por Assessoria de Imprensa da Reitoria

O Grupo de Trabalho para Enfrentamento da COVID-19 da UFRJ emitiu nesta segunda-feira, 30/11, nova Nota Técnica alertando para o aumento acelerado de casos da doença sem ter ocorrido o término da primeira onda. Os dados sugerem que há uma nova onda se sobrepondo à primeira, fato que torna o problema ainda mais grave e complexo, principalmente em virtude de aglomerações desnecessárias e declarações públicas de autoridades governamentais afirmando que não retrocederão nas medidas de flexibilização.

A Nota Técnica conclama os entes municipal, estadual e federal para uma ação unificada e a adoção de diversas medidas. Leia a íntegra do documento no arquivo abaixo.

Quem desejar ler a íntegra da Nota Técnica emitida pela UFRJ, basta clicar [Aqui!].

The Guardian: desmatamento na Amazônia atinge o máximo de 12 anos sob Bolsonaro

Uma área sete vezes maior que a Grande Londres foi perdida no que um ativista chamou de destruição ‘humilhante e vergonhosa’

1200Mais de 11.000 quilômetros quadrados de floresta tropical foram destruídos no Brasil entre agosto de 2019 e julho de 2020, mostram os números oficiais. Fotografia: Christian Braga / Greenpeace

Por Tom Phillips no Rio de Janeiro para o “The Guardian”

Uma vasta extensão da floresta tropical amazônica sete vezes maior do que a Grande Londres foi destruída no ano passado quando o desmatamento atingiu seu pico em 12 anos sob o presidente de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro.

Números divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostraram nesta segunda-feira que pelo menos 11.088 km2 de floresta tropical foram arrasados ​​entre agosto de 2019 e julho de 2020 – o maior número desde 2008.

Carlos Rittl, ambientalista brasileiro que trabalha no Instituto de Estudos Avançados de Sustentabilidade da Alemanha, disse que os números foram “humilhantes, vergonhosos e ultrajantes” – e um claro sinal dos danos ao meio ambiente desde que Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro de 2019.

“Esta é uma área com um terço do tamanho da Bélgica – áreas gigantescas de floresta que estão sendo perdidas simplesmente porque sob o governo de Bolsonaro aqueles que estão destruindo não sentem medo de serem punidos”, disse Rittl.

“A grande conquista de Bolsonaro no que diz respeito ao meio ambiente foi essa trágica destruição de florestas que tornou o Brasil talvez um dos maiores inimigos do meio ambiente global e também um pária internacional.”

O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, tentou dar um toque positivo aos números desanimadores ao visitar a sede do Inpe na cidade de São José dos Campos na segunda-feira. Mourão afirmou que o aumento anual de 9,5% foi menos da metade do valor previsto de cerca de 20%.

“Não estamos aqui para comemorar nada disso, porque não é nada para comemorar. Mas significa que os esforços que estão sendo lançados [contra o desmatamento da Amazônia] estão começando a dar frutos ”, afirmou Mourão.

Ambientalistas, que culpam o enfraquecimento deliberado de Bolsonaro dos esforços de fiscalização pelo aumento, zombaram dessa leitura. “Este número é um ultraje – não nos diz nada de positivo sobre o governo Bolsonaro. Pelo contrário, mostra que, apesar da quarentena  imposta pela COVID-19, o crime ambiental aumentou ”, disse Rittl.

O comentário de Mourão sobre o aumento menor do que o esperado foi “como dizer que esperávamos 300.000 mortes causadas pela COVID-19 e  tivemos ‘apenas’  200.000”, acrescentou Rittl.

Cristiane Mazzetti, porta-voz do Greenpeace para a Amazônia, disse: “Este é um número ainda pior do que 2019 e um reflexo direto das políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro que enfraqueceram os órgãos de monitoramento e usaram estratégias equivocadas de combate ao desmatamento, como o desmatamento as forças armadas ao invés de agentes de proteção ambiental. ”

“Esses números nos mostram que continuamos a caminhar na direção errada do que a necessária para lidar com a emergência climática e a crise da biodiversidade.”

O grupo Observatório do Clima disse que a destruição crescente não foi uma surpresa para aqueles “após o desmantelamento da política ambiental que está em andamento no Brasil desde janeiro de 2019”.

“Os números mostram simplesmente que o plano de Jair Bolsonaro funcionou. Eles são o resultado de um projeto bem-sucedido de aniquilar a capacidade do Estado brasileiro e de seus órgãos de monitoramento de cuidar de nossas florestas e combater o crime na Amazônia ”, afirmou em nota.

Mourão disse que os números, produzidos com informações do sistema de satélite do Prodes, mostram que a maior parte da devastação está ocorrendo em quatro regiões: Estado do Pará, norte do Mato Grosso, sul do Amazonas e Rondônia.

O Pará, um antigo hotspot de desmatamento, foi de longe o estado mais afetado, respondendo por quase 47% do desmatamento total.

“Graças ao trabalho do Inpe, agora temos uma noção perfeita de onde devemos focar nossas ações para evitar a ocorrência de atividades ilegais”, disse Mourão aos jornalistas, elogiando seus “brilhantes cientistas” por seus esforços.

Mas, apesar da crescente campanha de propaganda do governo “verde” – que recentemente viu Mourão levar embaixadores estrangeiros para um passeio pela região amazônica – ambientalistas e investidores estrangeiros estão céticos sobre seus esforços para proteger a maior floresta tropical do mundo.

Durante a excursão de três dias, embaixadores não foram levados a nenhum dos focos de desmatamento detalhados por Mourão na segunda-feira – e os ativistas consideraram a visita uma “farsa”.

Em maio, milhares de soldados brasileiros foram enviados à Amazônia, supostamente para combater crimes ambientais, embora alguns acreditem que eles estão apenas piorando as coisas .

Rittl disse que um raio de luz foi a recente derrota do principal aliado internacional do Bolsonaro, Donald Trump. “Sem o apoio de Trump nos EUA, a pressão internacional [no Bolsonaro sobre o meio ambiente] vai aumentar e vai aumentar muito”, previu.

Bolsonaro é membro de um de um pequeno grupo de líderes mundiais que ainda não reconheceu a vitória de Joe Biden e no domingo afirmou , sem provas, que “fontes” não identificadas o convenceram de que as eleições nos EUA foram infestadas de fraudes.

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

No governo Bolsonaro, números do desmatamento na Amazônia voltam aos níveis de 2008

deforestationMedidas feitas pelo Inpe a partir de imagens de satélite mostram que o desmatamento da floresta tropical atingiu um pico de 11 anos na Amazônia brasileira no primeiro ano do governo Bolsonaro. João Laet / AFP / Getty Images

Dados que acabam de ser divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o primeiro ano de medidas de desmatamento na Amazônia relativos ao governo Bolsonaro mostram que voltamos aos níveis de 2008, pois o total do desmatamento para 2019-2020 chegou a 11.088 km² (para comparação ver tabela abaixo criado pelo site “Direto da Ciência“).

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O Pará é o estado com a maior área desmatada na estimativa (5.192 km²), depois Mato Grosso (1.767 km²), Amazonas (1.521 km²), Rondônia (1.259 km²), Acre (652 km²), Roraima (300 km²), Maranhão (290 km²), Amapá (81 km²) e Tocantins (26 km²).

Os responsáveis diretos por esse resultado desastroso nos valores de corte raso das florestas amazônicas são o presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão, bem como o ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles. 

É que cada um deles agiu dentro das capacidades que o seus cargos permitem para desmontar a governança ambiental e os mecanismos de comando e controle que impediam o saque descontrolado das riquezas naturais amazônicas. Com a ação combinada dessas autoridades foi possível a ação desenfreada de garimpeiros, madeireiros e grileiros de terras que se serviram da ausência das agências de fiscalização e proteção para avançar sobre terras públicas, principalmente unidades de conservação e terras indígenas.

Com  toda certeza a partir de hoje assistiremos a uma série de movimentos para obscurecer a devastação que está em curso na Amazônia brasileira neste momento. Provavelmente veremos mais ataques às organizações não-governamentais e aos povos indígenas que serão pintadas como os responsáveis pela destruição acelerada da Amazônia. Também não será nenhuma surpresa se novamente houver questionamentos sobre a validade científica dos dados que estão sendo divulgados pelo Inpe.

Acesso público a dados de desmatamento impossibilita manipulação, diz Inpe  | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 05.07.2019

Chamo ainda a atenção para o fato de que em recente artigo publicado na revista Science, eu e um grupo de colegas demonstramos que para toda ação de desmatamento há também a ocorrência de um processo que corre de forma paralela e/ou combinado que é a degradação florestal.  Em outras palavras, o desmatamento também alimenta a degradação, e a combinação desses dois agentes amplifica os danos causados pela situação de descontrole ambiental que o governo Bolsonaro criou, muitas vezes agindo em combinação com os governadores, na Amazônia.

A minha expectativa é que esses resultados sejam amplamente divulgados e forcem os nossos principais parceiros comerciais, a começar pela União Europeia, a cessarem as ações teatrais para partir para a demanda de ações efetivas para que a destruição da Amazônia seja devidamente combatida pelo Brasil, sob pena de sanções comerciais, que é a única linguagem que parece será entendia pelo governo Bolsonaro.

 

Na Campos dos Goytacazes pós-eleição, exemplos do bom vencedor, do mau e do bom perdedor

Campos-Wladimir-Caio-e-Bruno-scaledEm Campos dos Goytacazes pós-eleição, exemplos do bom vencedor, do mau e do bom perdedor

Após um segundo turno mais apertado do que eu mesmo previa, temos na manhã da segunda-feira duas situações opostas. Enquanto, o vencedor do segundo turno, Wladimir Garotinho se manifestou em prol da unidade das forças políticas do município para trabalharem para a construção de saídas para a grave crise em que nos encontramos, o perdedor, Caio Vianna, deu uma de Donald Trump dos trópicos, e não só se recusou o cumprimentar o vencedor, como também acenou seus lenços molhados pelas lágrimas da derrota em direção ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Como não sou eleitor nem do vencedor nem do perdedor, posso tecer a consideração de que havendo novas eleições o resultado final será o mesmo. É que Caio Vianna, mesmo tendo usado de todas as táticas possíveis para agitar o espectro do anti-garotismo, acabou derrotado. O que faria ele para mudar seu destino trágico? Passaria a repentinamente a se concentrar em apresentar apenas projetos de governo como forma de convencer os eleitores que não votaram nele nesse segundo turno? Aparentemente não, pois se fosse para fazer isso, já teria feito agora.

Muito melhor fez o médico Bruno Calil que, em vez de pedir outra chance imediata para derrotar Wladimir Garotinho, se manifestou no sentido de desejar ao vencedor um bom governo, além de colocar seus projetos à disposição para os esforços que serão necessários para começar os esforços para nos tirar do buraco em que estamos.

Em síntese, nessas eleições vimos na prática quem se sabe se comportar dignamente como vencedor e como perdedor. De minha parte, espero o TSE chancele o resultado das urnas e nos poupe de mais um ciclo eleitoral, e que tenhamos a devida oportunidade para realizar uma transição que permita ao futuro prefeito começar a tirar seus projetos do papel.  Meus que a primeira coisa a ser feita seja a reabertura do restaurante popular, pois quem tem fome, tem pressa. 

Graças ao governo desastroso de Rafael Diniz, a família Garotinho retoma no voto a prefeitura de Campos dos Goytacazes

De virada, Wladimir Garotinho vence eleição e é o novo prefeito de Campos

Em setembro de 2017 (ou seja com menos um de governo) indiquei que as ações do jovem prefeito Rafael Diniz iriam servir para que o grupo político do ex-governador, tal como um Fênix, pudesse ressurgir das cinzas no cenário municipal. Hoje, pouco mais de 3 anos após aquela postagem, eis que o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) venceu Caio Vianna (PDT) por uma margem até mais apertada do que esperava (ver abaixo o gráfico com a margem da apuração).

resultado segundo turno

Agora resta esperar o que vai acontecer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto à chancela da candidatura a vice-prefeito de Frederico Paes (MDB) e de que possíveis efeitos isso poderá ter sobre a homologação da vitória de Wladimir Garotinho.

A lição que parece ficar é que a influência de Anthony Garotinho e seu grupo na política municipal ainda vai perdurar por muito tempo, e que não serão derrotas eventuais que vão mudar isso.  A questão é que enquanto perdurarem as profundas desigualdades sociais que existem em Campos dos Goytacazes sempre haverá apelo para aqueles que se disponham a manter, ainda que precariamente, os pobres no orçamento municipal. 

O ex-governador Anthony Garotinho saúda populares que se aglomeram em frente da sua casa para festejar a eleição de seu filho Wladimir para ser o próximo prefeito de Campos dos Goytacazes

E diga o que se disser de Anthony Garotinho, ele claramente inocolou em pelo menos dois dos seus filhos o gosto pela disputa política. Assim, mesmo que ele esteja alijado das disputas como participante direta, isso não significante que não será influente.

Quanto ao ainda prefeito Rafael Diniz, quem desejar culpá-lo pela volta da família Garotinho à chefia do executivo municipal o fará com toda razão. Afinal, com um governo desastroso como o dele, a volta da família Garotinho à prefeitura de Campos dos Goytacazes se tornou praticamente uma certeza.

COVID-19: as redes sociais são chaves para localizar “super-contaminadores”

Enquanto 10 a 20% dos casos são responsáveis ​​por 80 a 90% das infecções secundárias, as simulações destacam o papel da rede de contatos dos indivíduos na identificação de “superpropagadores” e na quebra das cadeias de contaminação.

superpropagadoresUm mapa mostra a extensão da contaminação no condado de Genebra (Suíça) em 29 de outubro. DENIS BALIBOUSE / REUTERS

Por David Larousserie 

Quando a chegada das vacinas levanta a questão das estratégias ideais a serem seguidas, ou quando a queda no número de casos torna possível o rastreamento de contato eficaz, um conceito-chave na propagação da epidemia de COVID-19 ressurge: os “super-propagadores” ou “super-contaminadores”.

Essa noção se refere à capacidade de alguns indivíduos de infectar outros, muito mais do que a média. De acordo com vários estudos, 10 a 20% dos casos de COVID-19 são responsáveis ​​por 80 a 90% das infecções secundárias. Exemplos em que uma pessoa infectou várias dezenas não são incomuns, enquanto a média é inferior a três, ou mesmo um, em fase de declínio.

“Em isolamento”

O termo “superpropagador” abrange várias descrições, dependendo se essa característica é considerada propriedade da pessoa (carga viral maior) ou relacionada ao contexto (evento que aproxima muitas pessoas). As simulações numéricas, publicadas em 31 de outubro no Journal of Artificial Societies and Social Simulation , fornecem uma terceira forma de descrever essa particularidade. Acima de tudo, eles ilustram estratégias eficazes para combater a pandemia, concentrando-se nesses “superpropagadores”.

Em seu artigo, Gianluca Manzo (CNRS e Sorbonne University) e Arnout van de Rijt (European University Institute of Florence) insistem, depois de outros, na importância da estrutura real da rede de contatos dos indivíduos, ou seja, a rede social. Quantas pessoas vemos todos os dias, em casa, no trabalho? Quantos desses contatos também estão relacionados entre si, ou seja, quais são as densidades dos vários círculos de “amigos”? Essas respostas são extremamente variáveis ​​entre os indivíduos, pois alguns têm muitos contatos, enquanto outros, poucos. Alguns vivem “isolados”, enquanto outros têm vínculos em vários círculos.

No entanto, já se sabe há vinte anos que essas heterogeneidades influenciam a dinâmica e a intensidade da propagação por contato. A dupla de pesquisadores primeiro confirmou isso simulando a epidemia em vários tipos de redes de cerca de 2.000 indivíduos com as mesmas propriedades “médias”. Entre uma rede homogênea (onde todos têm um número aproximadamente equivalente de contatos) e uma mais heterogênea (com um punhado de indivíduos ricos em contatos), o pico da pandemia pode ser deslocado em dez dias para três vezes menos que caso.

Uma das novidades é que uma das redes simuladas é tirada de um estudo de 2012 de contatos reais na França; o mesmo que é usado em modelos de previsão para distinguir interações entre grupos de idade.

O “paradoxo da amizade”

Os pesquisadores então confirmaram que proteger (vacinando ou isolando) os “super-contaminadores” é particularmente eficaz para conter a epidemia, em termos de intensidade e momento. Melhor ainda, eles também testaram uma estratégia para quebrar essas “supertransmissões” sem conhecê-las com antecedência (exceto para monitorar o número de interações sociais de cada uma).

A ideia é baseada em uma propriedade matemática conhecida como “paradoxo da amizade”: em média, nossos amigos têm mais contatos do que nós. Portanto, há mais chance de encontrar “super-propagadores” lá. Na prática, por exemplo para a vacinação, é sorteada uma amostra ao acaso, a partir da qual é solicitada uma lista de alguns contatos, na qual é feito um novo sorteio, que dará as pessoas a serem vacinadas.

Nas simulações, esse método faz a epidemia regredir, muito mais rápido do que o direcionamento aleatório, e um pouco mais lento do que a estratégia onisciente, que reconheceria os “super contaminadores” e os isolaria. Uma limitação dessas simulações é a falta de dados sobre o conhecimento da rede social real subjacente.

“Nossas simulações não competem com os modelos preditivos usados. Mas nenhum desses modelos leva em conta a estrutura da rede social real ou dos “ super-contaminadores ” . Estamos propondo uma mudança de ponto de vista que sugere explorar novas estratégias ” , insiste Gianluca Manzo, que também evoca a possibilidade de se concentrar em profissões que por natureza têm muitos contatos e que também tendem a conectar partes distantes da rede. social global.

fecho

Este artigo foi escrito inicialmente em francês e publicado pelo jornal Le Monde [Aqui!].