Cargos secretos: na contramão do prometido, UERJ aumenta sigilo sobre gastos com “projetos especiais”

Em uma indicação de que há realmente algo de podre no reino da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) em relação ao envolvimento da instituição no escândalo dos cargos secretos promovido pelo governo acidental de Cláudio Castro. É que mostra a mais nova reportagem assinada pelos jornalistas Igor Mello e Ruben Berta mostra que, ao contrário do prometido, a reitoria da Uerj aumentou o nível de sigilo sobre os nomes dos ocupantes de cargos relativos aos “projetos especiais” do governo Castro que estão sendo executados pela universidade.

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Essa negação da transparência pode ser apenas o produto de um zelo extra com os que receberam legitimamente pagamentos por trabalharem nos diversos projetos especiais que estão sendo realizados na Uerj pela “bagatela” de quase R$ 600 milhões (com parte substancial dos recursos vinda da privatização da CEDAE).  Mas negar o acesso aos nomes dos beneficiários também pode ter razões outras, o que agrava a crise de imagem que este evento vem provocando contra a Uerj, na medida em que a mesma foi pega em cheio com evidências de que diversos beneficiários dos pagamentos “na boca do caixa” estão ligados a políticos da base de apoio do governador acidental Cláudio Castro.

Como tudo indica que Igor Mello e Ruben Berta têm “mais bala na agulha” , o problema da reitoria da Uerj é ver revelações ainda mais desairosas contra a universidade, o que agravaria as pressões pela liberação completa dos nomes dos beneficiários da lista de pagamentos dos “projetos especiais”.

Em suma, um problemão sem tamanhos, mas que pode ficar ainda maior. É que enquanto o dinheiro fluia fácil nos projetos especiais, a maioria das unidades da Uerj vivia e continua vivendo em grandes dificuldades. E essa realidade pode criar mais problemas dentro do que fora dos muros da universidade. Mas é o que eu digo, repetindo um velho chavão, “passarinho que anda com morcego, acorda com a cabeça para baixo”.

Relatório técnico documento processo de contaminação por agrotóxicos nas águas do Pantanal

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O estado de Mato Grosso registrou o uso de 142.738,855 kg de princípios ativos de agrotóxicos e é o estado brasileiro que mais utiliza substâncias tóxicas na agropecuária. Os municípios de Poconé, Cáceres e Mirassol D’Oeste foram afetados com importante quantidade de substâncias que contaminam o solo e principalmente os recursos hídricos levando assim doença e destruição dos bens comuns.

Essas e outras conclusões alarmantes estão reunidas no Relatório Técnico: “Agrotóxicos no Pantanal”, realizado pela educadora da FASE, mestre em Saúde Pública, Fran Paula; com a colaboração da professora Marcia Montanari, do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT; Naiara Andreoli Bittencourt, advogada da Terra de Direitos e Lucinéia Freitas do MST e com revisão de Maria Emília Pacheco, assessora do Grupo Nacional da FASE.

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Para baixar a íntegra do relatório, basta clicar [Aqui!]

Amazônia e Pampa lideram queimadas de janeiro a julho de 2022

Dados do Monitor do Fogo do MapBiomas mostram que queimadas cresceram 7% na Amazônia e 3.372% no Pampa nos sete primeiros meses do ano

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O Brasil queima no Norte e no Sul de seu território. Dados do MapBiomas mostram que 2.932.972 hectares foram consumidos por queimadas nos primeiros sete meses do ano. Embora maior que o estado de Alagoas, essa área é 2% menor do que a que foi consumida pelo fogo no ano passado. Porém na Amazônia e no Pampa a situação é diferente: esses são os únicos biomas com aumento na área afetada pelo fogo. Na Amazônia o fogo atingiu uma área de 1.479.739 hectares, enquanto que no Pampa foram 28.610 hectares queimados entre janeiro e julho de 2022. Nesse período, foi registrado um aumento de 7% (ou mais de 107 mil hectares) na Amazônia e de 3372% no Pampa (27.780 ha).

Esses dados fazem parte da nova versão do Monitor do Fogo, que o MapBiomas lança hoje (18/08) em sua plataforma. Ela passará a fazer uso de imagens do satélite europeu Sentinel 2, que tem duas importantes características para esse tipo de mapeamento: ele passa a cada cinco dias sobre o mesmo ponto, aumentando a possibilidade de observação de queimadas e incêndios florestais; além disso, tem resolução espacial de 10 metros. Isso acrescenta cerca de 20% a mais na área queimada em relação aos dados do Mapbiomas Fogo coleção 1, que traz o histórico de fogo anualmente desde 1985. Também permite que a partir de agora os dados sejam divulgados mensalmente.

O Monitor do Fogo do MapBiomas difere e complementa o monitoramento do INPE porque avalia as cicatrizes do fogo, e não os focos de calor. O motivo é simples: dados de focos de calor representam a ocorrência de fogo (e potencialmente contribuem para seu combate) mas não permitem avaliar a área queimada. O Monitor de Fogo, por sua vez, revela em tempo quase real (diferença de um mês) a localização e extensão das áreas queimadas, facilitando assim a contabilidade da destruição que é apontada pelos focos de calor da plataforma do INPE.

“Este produto é o único nessa frequência e resolução a fornecer esses dados mensalmente, o que facilitará muito a prevenção e combate aos incêndios, indicando áreas onde o fogo tem se adensado”, explica Ane Alencar, coordenadora do Monitor do Fogo do MapBiomas. “Além do poder público, é uma ferramenta de grande utilidade para a iniciativa privada, como o setor de seguros, por exemplo”, completa.

Os dados dos sete primeiros meses de 2022 mostram que três em cada quatro hectares queimados foram de vegetação nativa, sendo a maioria em campos naturais. Porém, um quinto de tudo que foi queimado no período foi em florestas. Metade das cicatrizes deixadas pelo fogo localizam-se no bioma Amazônia, onde 16% da área queimada corresponderam a incêndios florestais, ou seja, áreas de floresta que não deveriam queimar.

O Mato Grosso foi o estado que mais queimou nos sete primeiros meses de 2022 (771.827 hectares), seguido por Tocantins (593.888 hectares) e Roraima (529.404 hectares). Esses três estados representaram 64% da área queimada afetada no período.

No Cerrado, a área queimada entre janeiro e julho de 2022 (1.250.373 hectares) foi 9% menor que no mesmo período do ano passado, porém 5% acima do registrado em 2019 e 39% maior que em 2020. O mesmo padrão foi identificado na Mata Atlântica, onde houve uma queda de 16% em relação a 2021 (ou 14.281 hectares), porém um crescimento de 11% em relação a 2019 e 8% na comparação com 2020. O Pantanal, por sua vez, apresentou a menor área queimada nos últimos quatro anos (75.999 hectares), com 19% de redução de 2022 para 2021 em relação a área queimada de janeiro a julho.

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O Cerrado sofre com as queimadas neste período de estiagem, a baixa umidade no DF no fim de semana levou a Defesa Civil a declarar estado de emergência na capital(Jose Cruz/Agência Brasil)

Dentro os tipos de uso agropecuário das áreas afetadas pelo fogo, as pastagens se destacaram com 14% da área queimada nos sete primeiros meses de 2022.

O primeiro e o segundo lugar da lista de municípios que mais queimaram entre janeiro e julho de 2022 são ocupados por Normandia e Pacaraima, ambas em Roraima. Em julho de 2022, os municípios de Formosa do Araguaia e Lagoa da Confusão, no Tocantins, foram os que tiveram maior área queimada. Neste último, fica parte do Parque Nacional do Araguaia.

Sobre MapBiomas

Iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, para buscar a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais, como forma de combate às mudanças climáticas. Esta plataforma é hoje a mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Todos os dados, mapas, método e códigos do MapBiomas são disponibilizados de forma pública e gratuita no site da iniciativa. O Prêmio MapBiomas, realizado em parceria com o Instituto Ciência, visa estimular e valorizar trabalhos que utilizem dados de qualquer iniciativa do MapBiomas.

Estudo mostra que zonas húmidas estão sendo altamente afetadas pela “pegada humana”

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A interação humana gera mudanças ambientais e impactos socioeconômicos nas comunidades ribeirinhas que veem sua oferta pesqueira reduzida. Crédito da imagem: Cortesia de Janet Higuti/Universidade Estadual de Maringá Grupo de Pesquisa em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura, para SciDev.Net

Isso é demonstrado por um estudo publicado na Nature Ecology & Evolution, à luz de cujos resultados os autores recomendam abordar urgentemente a redução da pressão humana nas zonas úmidas . Segundo os autores, essa interação gera mudanças ambientais e também impactos socioeconômicos, uma vez que a oferta de pescado para as comunidades ribeirinhas é reduzida.

As zonas úmidas estão entre os ecossistemas mais diversos e produtivos do mundo.

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores coletaram dados ao longo de dois anos de 1.465 plantas, animais e microrganismos diferentes de 72 lagos que cobrem quatro grandes áreas úmidas neotropicais no Brasil (Amazônia, Araguaia, Pantanal e Paraná).

Juntos, eles compreendem 3,7 milhões de quilômetros quadrados nos quais são realizadas diferentes intervenções humanas, que foram medidas em sete diferentes manifestações: edificações, lavouras, pastagens, densidade humana, iluminação noturna, ferrovias, estradas e cursos d’água navegáveis.

Os resultados mostraram que há uma diminuição na riqueza de espécies e na variedade de funções ecológicas (ou diversidade funcional) desses ecossistemas à medida que a “pegada” humana aumenta.

“É a primeira evidência, com dados empíricos para ambientes aquáticos, de que o que acontece no terreno ao redor realmente tem um efeito muito importante sobre o que vive na água nesses sistemas”.

Roger Mormul, Universidade Estadual de Maringá, Brasil

A chamada multifuncionalidade das zonas úmidas – ou seja, a capacidade de fornecer múltiplas funções e serviços – foi quantificada por meio de 11 variáveis, incluindo concentração de nutrientes (nitrogênio e fósforo), metabolismo, biomassa de diferentes níveis tróficos, densidade de células bacterianas, disponibilidade de luz , e variação na complexidade do habitat subaquático.

Os resultados sugerem que a capacidade de organismos menores de promover a multifuncionalidade foi afetada negativamente pela pressão humana, enquanto organismos maiores, menos impactados, são importantes para manter a função do ecossistema em um mundo dominado pelo homem.

Das quatro áreas analisadas, o pantanal paranaense, que sofre a maior pressão antrópica, também foi o mais afetado com perda de biodiversidade e multifuncionalidade. São 150 barragens construídas no rio Paraná, e entre seus afluentes está o rio Tietê, que corta a região de São Paulo, onde vivem 21 milhões de pessoas.

“É a primeira evidência, com dados empíricos para ambientes aquáticos, de que, de fato, o que acontece no terreno circundante tem um efeito muito importante sobre o que vive na água nesses sistemas”, diz o biólogo Roger Mormul, da Universidade Estadual de Maringá, Brasil, um dos autores do artigo.

Pesquisadores no processo de coleta de dados de sete grupos taxonômicos em 72 lagos em quatro planícies de inundação no Brasil: Amazônia, Araguaia, Pantanal e Paraná. Crédito da imagem: Cortesia de Roger Paulo Mormul para SciDev.Net

Segundo o pesquisador, estudos como esse, embora já sugerissem a mesma conclusão, haviam sido realizados principalmente em ambientes terrestres e em níveis experimentais.

Para o geógrafo Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Brasil, que não participou do estudo, contribui para o debate sobre a importância da biodiversidade no funcionamento dos ecossistemas, adotando uma nova abordagem.

“Eles conseguiram trabalhar a questão da diversidade e dos serviços prestados ao sistema numa perspectiva intra e interespécies. Essa é uma discussão importante porque estamos vivenciando uma série de processos e mudanças drásticas na cobertura do solo em escala global, como escassez de água e mudanças climáticas ”, afirma.

Segundo Mormul, a equipe agora trabalha na investigação do impacto da pressão humana sobre a biodiversidade e a multifuncionalidade de outros tipos de ecossistemas. Em breve será publicado um estudo com riachos da Amazônia e dos pampas uruguaios.

“A conclusão é basicamente a mesma: a perda de biodiversidade está afetando o funcionamento dos ecossistemas e existe um mecanismo relacionado às atividades humanas”, diz.

 Link para artigo na Nature Ecology & Evolution


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Este texto escrito originalmente em espanho foi publicado pela SciDev [Aqui!].

Estudo inédito com seres humanos encontra ligação entre ‘produtos químicos eternos’ usados em panelas antiaderentes e câncer de fígado

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Tecido de fígado humano sob um microscópio. Sebastian Condrea/Getty Images

Por Andrea Michelson para o “Insider”

A exposição a produtos químicos usados ​​em panelas antiaderentes e maquiagem de longa duração tem sido associada a um risco elevado de câncer de fígado, descobriram pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia.

Os cientistas teorizaram que os “produtos químicos eternos” feitos pelo homem, também conhecidos como PFAS, eram prejudiciais ao fígado , com base em extensos estudos em animais e algumas análises envolvendo humanos.

Mas estudar o risco de câncer em humanos provou ser complicado. Ele vem com um conjunto único de desafios, pois muitos fatores podem afetar o risco geral e seria antiético expor as pessoas a potenciais agentes cancerígenos.

O novo estudo da Keck School of Medicine da USC, publicado na segunda-feira no JHEP Reports , é o primeiro a usar amostras humanas para confirmar uma ligação entre a exposição ao PFAS e o risco de câncer de fígado.

A equipe do Keck teve acesso a amostras de sangue e tecidos de mais de 200.000 pessoas que vivem em Los Angeles e no Havaí, graças a uma colaboração anterior entre a faculdade de medicina e a Universidade do Havaí.

Dentro dessa população, a equipe de pesquisa encontrou 50 participantes que eventualmente desenvolveram câncer de fígado, disse um comunicado de Keck. A análise de amostras de sangue colhidas antes do diagnóstico de câncer dessas pessoas mostrou níveis relativamente altos de certos produtos químicos PFAS.

Existem diferentes tipos de PFAS, ou substâncias per e polifluoroalquil. PFOA e PFOS são alguns dos tipos mais antigos e bem estudados. PFOS teve a associação mais forte com o risco de câncer de fígado neste estudo em particular.

As pessoas no top 10% de exposição ao PFOS eram 41/2 vezes mais propensas a desenvolver câncer de fígado em comparação com pessoas com os níveis mais baixos de PFOS no sangue, descobriram os pesquisadores. Para provar a associação, a equipe de pesquisa comparou as 50 pessoas que desenvolveram câncer de fígado com uma amostra semelhante de 50 pessoas que não desenvolveram a doença.

A equipe disse que é possível que o PFOS interfira na função hepática normal, o que causa um acúmulo de gordura que pode progredir para a doença hepática gordurosa não alcoólica, ou DHGNA. Mais pesquisas são necessárias para determinar exatamente como é essa interrupção e quando ela acontece.

As taxas de NAFLD têm aumentado globalmente nos últimos anos, e espera-se que a doença afete 30% de todos os adultos nos EUA até 2030, de acordo com um estudo de 2018 publicado na revista Hepatology . Até então, os cientistas prevêem que a NAFLD se tornará a principal razão para transplantes de fígado, informou o Insider anteriormente.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo ‘Insider” [Aqui!].

O enredo dos cargos secretos se adensa na UERJ com nova reportagem do UOL

Em mais uma primorosa reportagem assinada pela dupla de jornalistas Igor Mello e Ruben Berta fica evidente que o esquema dos cargos secretos que foi inicialmente detectado na Fundação Ceperj está mais entranhado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) do que inicialmente parecia. É que, como mostram Mello e Berta, até o ex-vereador Daniel Marcos Barbiratto de Almeida , preso na chamada Operação Furna da Onça, estava na lista de pagamentos do Observatório Social da  Operação Segurança Presente, realizado na Uerj com recursos da Segov (Secretaria Estadual de Governo).  E com um detalhe bastante peculiar: recebendo salários generosos (i.e, R$ 16 mil mensais) que a maioria dos servidores públicos concursados nem sonha receber.

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Um detalhe interessante é que o ex-vereador é enteado do deputado estadual Luiz Martins (União Brasil-RJ), também preso na Furna da Onça. A reportagem aponta que Barbiratto ficou nove meses preso preventivamente sob a acusação de corrupção passiva, e que o processo deixou a esfera criminal e corre na Justiça Eleitoral, onde ainda aguarda denúncia.

Este caso em específico demonstra que os “programas especiais” do governo acidental de Cláudio Castro estavam sendo usados para alocar apadrinhados políticos a salários vultosos. O problema é que agora está ficando mais do que evidente que a Uerj estava servindo, ao que tudo indica, como uma espécie de barriga de aluguel desse esquema de apadrinhamento político.

Em tempo: em nota a reitoria da Uerj prometeu dar a devida transparência às folhas de pagamento executadas pela instituição para remunear os participantes dos projetos especiais do governo Castro que estavam sendo executados pela instituição. Vamos esperar que isto realmente ocorra, pois, se não ocorrer, vai meio dar vida à famosa frase “Há algo de podre no reino da Dinamarca” que foi imortalizada pelo personagem Marcelo na peça “Hamlet” de Willian Shakespeare. Só que no caso, o reino é a Uerj.

 

Agenda Social faz chamada para dossiê com artigos sobre “Políticas Sociais e a pandemia”

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A revista “Agenda Social”, uma publicação do Programa de Pós Graduação em Políticas Sociais (PGPS) da Universidade Estadual do Norte Fluminense acaba de lançar uma chamada para a publicação de um dossiê que versará sobre as “Políticas Sociais e a pandemia da COVID-19” que terá os professores Carlos Abraão Valpassos e Renata Maldonado da Silva como os editores responsáveis. O período de submissão dos artigos é de 15 de agosto a 15 de outubro de 2022.

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Para eventuais interessados em submeter artigos científicos para este dossiê, segue abaixo uma descrição completa dos termos da convocatória:

Em 11 de março de 2020 a Organização Mundial de Saúde decretou a existência da pandemia de Covid-19. A partir desse momento, o mundo passou a enfrentar a primeira grande crise sanitária do século XXI, responsável pela imposição de significativos desafios relativos a todas as esferas da vida. Diante da crise que se instaurou, inúmeras estratégias de enfrentamento foram estabelecidas pelos atores sociais, no afã de reduzir os efeitos perniciosos do coronavírus.

Neste dossiê, pretendemos reunir trabalhos que abordem os impactos da pandemia de covid-19 sobre as políticas sociais, abordando as transformações acarretadas e as respostas oferecidas ao novo contexto que abruptamente se impôs. Nos interessa a crise instaurada pela covid-19 sobre as políticas sociais e também a forma como estas tiveram que se adaptar, ou não, na persecução de seus objetivos. Seja na esfera educacional, habitacional, ambiental, da saúde, da segurança pública ou da segurança alimentar, mudanças foram impostas pela pandemia, rearticulando objetivos e atores. Os movimentos sociais, os grupos de interesse, as elites econômicas e intelectuais foram envolvidas na crise pandêmica, o que alterou o escopo e os desafios das políticas sociais existentes até então.

Quais alterações, paralisias e respostas foram apresentadas nesse contexto? Qual o papel e os desafios das políticas sociais frente ao quadro de mudança apresentado pela emergência pandêmica? Essas são algumas das questões que surgem quando correlacionamos o advento da covid-19 e a formulação e implementação das políticas sociais enquanto ações da esfera pública, envolvendo a participação do Estado e das diferentes instituições de governo, bem como de movimentos sociais organizados e o contexto econômico e político do país.

Nesse sentido, a Revista Agenda Social, do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense – Darcy Ribeiro, convida autoras e autores de diferentes áreas de formação, dedicados à reflexão sistemática sobre políticas sociais, a contribuírem com artigos originais para seu dossiê temático intitulado “As Políticas Sociais e a Pandemia de Covid-19 – Ações e reações em um mundo colapsado”.

Dissertação de aluno na UnB sobre agricultura familiar ganha prêmio nacional

Trabalho de aluno da UnB Planaltina (PPG-Mader) fica em 1° lugar no SOBER

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A dissertação de mestrado do estudante Rafael de Freitas Cabral, defendida no Programa de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural (PPGMADER) foi a grande vencedora do Prêmio Sober Dissertação Sociologia Rural: concedido à Melhor Dissertação de Mestrado em Sociologia Rural no ano de 2021.

O anúncio da premiação ocorreu no 60º Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER) realizado entre os dias 08 e 11 de agosto de 2022, presencialmente, na cidade de Natal – RN.

O tema geral do Congresso foi “Agricultura Familiar, Sistemas Agroalimentares e Mudanças Climáticas: Desafios Rumo aos ODS”. 

dissertação analisa os programas de comercialização de produtos da agricultura familiar instituídos pelos governos estaduais, com ênfase nas ideias e nos atores sociais presentes no processo de discussão, construção e institucionalização de tais políticas públicas.

No âmbito dos mercados institucionais foram instituídos o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) atualmente chamado de Programa Alimenta Brasil (PAB); a determinação de utilização de, pelo menos, 30% dos recursos federais para a compra de alimentos da agricultura familiar no Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e a Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio). Tais políticas foram responsáveis pela abertura de um importante mercado para os agricultores familiares, ao mesmo tempo que atuavam para garantia da Segurança Alimentar e Nutricional. No entanto, nos últimos anos os recursos orçamentários destinados ao PAA foram sendo sistematicamente reduzidos, provocando reação dos movimentos sociais para a recomposição dos orçamentos em nível federal, bem como a construção de alternativas de mercados institucionais em outros níveis de governo. Nesse movimento, a dissertação realizou amplo levantamento das iniciativas estaduais que se constituíram como alternativas ao desmantelamento de políticas públicas federais para a agricultura familiar e pela segurança alimentar e nutricional.

Rafael é servidor público do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento e foi orientado pelo professor Mario Avila. Atualmente é estudante de doutorado no Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS-UnB) e pesquisador do CEGAFI/UnB – Centro de Gestão e Inovação para a Agricultura Familiar.

A dissertação pode ser acessada aqui

Marketing acadêmico do livro “Racionalidade Coreográfica, o dilema da gestão do risco social”

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Breve descrição da obra:

A reestruturação do capital ao longo dos anos traz em si um questionamento sobre a dinâmica da relação entre o engajamento para o capitalismo e as demandas sociais. Nesta dinâmica, tudo o que se refere ao social tende a incorporar o espírito capitalista. Na busca pela conciliação entre a maximização do lucro e as exigências sociais, a responsabilidade social corporativa passa a tratar do risco social, isto é, um modo de articular ações que, ao mesmo tempo, maximizem o investimento econômico e reduzam o risco social que possa comprometer o negócio.

Os indicadores sociais se tornam instrumentos de desempenho econômico, medindo a reputação por meio de um envolvimento retórico das demandas sociais, afastando-se dos reais impactos no público-alvo. Por meio de um estudo da dimensão social do ISE-B3 de quatro organizações do setor bancário brasileiro, em um período de quatro anos, a Racionalidade Coreográfica se apresenta nesta obra como um conceito que representa o cálculo deliberado da conformidade social aos interesses econômicos do mercado. São movimentos harmônicos que buscam promover um engajamento político das empresas em detrimento de uma responsabilidade social efetiva.

Para os interessados em adquirir, esta interessante obra,  basta clicar [Aqui!].