Cheia do Paraíba do Sul de 2022: por que o dilema “abrir” ou “fechar” comportas é falso?

cheia 2022 1
Cheia de 2022 do Rio Paraíba do Sul expõe situação de completo abandono do sistema de diques e canais no Norte Fluminense
A enorme cheia de 2022 do Rio Paraíba do Sul está levantando um debate até interessante sobre o papel que o sistema de comportas criado pelo antigo DNOS para regular a direção e a intensidade do fluxo da água na Baixada Campista (no tocante a isso sugiro a leitura da obra de Arthur Soffiati “As lagoas do Norte Fluminense: contribuição à história de uma luta” de 2013). É que diante da urgência da situação houve quem sugerisse a abertura das comportas para baixar um pouco o nível do Paraíba do Sul, apenas para se ouvir a palavra de “especialistas” no sentido de que tal ação acabaria causando inundações em determinados bairros.
Eu não vou entrar nesse dilema, pois o acho falso e explico a razão. É que há décadas esse complexo sistema de comportas está em sua maioria relegado ao completo abandono. Por isso, tenho dúvidas sobre se seria possível abrir e fechar as comportas da forma organizada, de modo a contribuir para diminuir o problema, e não aumentá-lo.
Assim, de que vale a visita do governador acidental Cláudio Castro e sua teatral entrada nas águas vazando do Rio Paraíba do Sul para prometer minguados R$ 20 milhões para o Instituto Estadual do Ambiental (Inea) minimizar os impactos do rompimento do dique de São Bento em São João da Barra. Como bem falou a prefeita de São João da Barra, Carla Machado, “são 25 km de malha de canais e diques sem conservação há décadas“, acrescentando que existem outros diques que estão sob risco de romper. O interessante é que estando como prefeita por mais de 3 gestões, a própria Carla Machado não tenha desenvolvido um projeto que garantisse uma gestão mais moderno dessa mesma malha de canais e diques. E olhe que, ao contrário de Campos dos Goytacazes, São João da Barra possui uma secretaria municipal de meio ambiente.

cheia 2022

Cheia de 2022 do Rio Paraíba ameaça a região central da cidade de Campos dos Goytacazes
A questão é que a fatura do abandono do vasto complexo sistema de diques e canais que foram construídos na baixada campista chegou mais claramente na cheia de 2022, mostrando a fragilidade não apenas de áreas rurais frente a eventos meteorológicos extremos, mas também as áreas urbanas de Campos dos Goytacazes e São João da Barra. Assim, se me permitem os prefeitos Wladimir Garotinho e Carla Machado, sugiro que parem de esperar por soluções providenciadas pelo sobrenatural e comecem a investir e demandar investimentos na modernização do sistema de comportas, de forma a permitir que as futuras cheias (e elas virão cada vez mais frequentemente) sejam enfrentadas de forma organizada.
Ah sim, não custa lembrar que um dos primeiros atos do prefeito Wladimir Garotinho foi extinguir a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), reforçando o que a dissertação do mestre em Políticas Sociais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), André Moraes Barcellos Martins Vasconcellos, já havia diagnosticado de forma precisa, qual seja, o desprezo pela pauta ambiental no plano de governo do jovem alcaide campista. O que se espera, pelo menos eu espero, é que diante da gravidade do cenário, Wladimir reveja sua postura equivocada e recrie a Sema, e com o orçamento necessário para que se proceda a um amplo diagnóstico dos problemas existentes no sistema de diques e canais do município. Mas se desprezar essa humilde sugestão, que depois não vai adiantar pedir pela intervenção divina.

A França e seu padrão duplo no uso de agrotóxicos: o caso do Clordecona nas Antilhas Francesas

A França finalmente reconhece o risco de câncer como uma doença ocupacional entre os trabalhadores das plantações nas Antilhas

clordecona 1Em muitas regiões do mundo, agrotóxicos altamente tóxicos ainda são pulverizados do ar. Foto: Alamy Stock Photo

Por Ralf Klingsieck, Paris para o Neues Deutschland

No departamento ultramarino francês de Guadalupe, a pequena reportagem foi celebrada como uma grande vitória de palco na mídia: no diário oficial “Journal officiel”, por decreto, câncer de pessoas que trabalharam durante anos nas plantações de banana e entraram em contato com o agrotóxico altamente tóxico Clordecona foi finalmente reconhecido como uma doença ocupacional. O Ministério da Agricultura ainda não anunciou qual é o valor das compensações e quantas pessoas têm direito a elas.

A Clordecona foi amplamente utilizada como inseticida nos territórios ultramarinos franceses das Antilhas entre 1972 e 1993 . De acordo com o presente decreto, no entanto, apenas os trabalhadores agrícolas que trabalharam nas plantações de banana por pelo menos dez anos e que tenham passado pelo menos 40 anos entre o último contato com o inseticida e o diagnóstico de câncer de próstata têm direito ao reconhecimento e à pensão . Para as associações de vítimas que estão litigando no estado desde 2006 por causa de “riscos à saúde com risco de vida”, este é apenas um sucesso inicial. Eles continuarão lutando até que as condições restritivas sejam relaxadas e o círculo de vítimas que podem reivindicar reparação financeira seja muito mais amplo.

O  “Atlas dos Agrotóxicos de 2022” apresentado em Berlim ontem (12/01) mostra que a quantidade de agrotóxicos usados ​​em todo o mundo aumentou 80% desde 1990, em algumas regiões como a América do Sul em quase 150%. O atlas foi publicado pela Federação para o Meio Ambiente e Conservação da Natureza, a Fundação Heinrich Böll e a Pesticide Action Network (PAN Alemanha). De acordo com isso, o uso de cerca de 350.000 toneladas na UE ainda está em um nível alto. Na Alemanha, as maçãs são pulverizadas cerca de 30 vezes por estação, as vinhas até 17 vezes e as batatas até 11 vezes.

A Clordecona é um desregulador endócrino, ou seja, um produto químico que pode interromper o modo bioquímico natural de ação dos hormônios e, assim, causar efeitos nocivos – por exemplo, a interrupção do crescimento e desenvolvimento. O agrotóxico, cuja natureza questionável era conhecida desde a década de 1960, foi colocado na lista de substâncias potencialmente cancerígenas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) da ONU em 1979.

Nas regiões das Antilhas Francesas de Guadalupe e Martinica, o número de casos de câncer de próstata per capita é o mais alto do mundo. Embora a Clordecona não tenha sido usada na França continental desde 1990, durou até ser proibida nas áreas das Antilhas Francesas até 1993, pois os proprietários das plantações obtiveram uma autorização especial. Os trabalhadores agrícolas preocupados foram acalmados pelas autoridades de saúde locais. Os riscos para a saúde só foram revelados anos depois por meio de pesquisas de associações ambientalistas e grupos de cidadãos. Cientistas a quem pediram ajuda descobriram que mais de 90% da população das Antilhas é afetada, o que pode ser atribuído ao fato de que o uso de clordecona não se limitou às plantações de banana. As áreas de cultivo de frutas e hortaliças provavelmente serão poluídas por séculos pelo envenenamento das águas subterrâneas.

As mentiras oficiais na questão da Clordecona levaram a uma profunda desconfiança das instituições estatais, especialmente em Guadalupe. Este é um terreno fértil para notícias falsas e teorias da conspiração espalhadas na Internet. Portanto, não é de surpreender que, na atual pandemia de corona , a taxa de vacinação seja a mais baixa de todos os departamentos franceses . Isso é perigoso para a saúde da população e arriscado para os hospitais, onde as unidades de terapia intensiva não têm capacidade suficiente.

Um conflito aberto surgiu quando o governo de Paris impôs exigências de vacinação para todos os profissionais de saúde meses atrás. Enquanto na França continental apenas algumas centenas dos mais de 200.000 médicos e enfermeiros se opuseram à vacinação, em Guadalupe o mesmo se aplica à maioria dos funcionários. Eles lutam há semanas com ações às vezes violentas para garantir que a vacinação obrigatória para as Antilhas seja suspensa. As sedes sindicais de Paris estão extremamente envergonhadas que os sindicatos locais estejam liderando essa luta.

Enquanto isso, as ações aumentam. Depois que os hospitais foram ocupados e bloqueados por dias, o departamento de saúde de Guadalupe foi sitiado na semana passada e seu conselho de administração foi sequestrado como refém e só liberado depois do expediente. As ações atingiram seu pico por enquanto no início desta semana, quando um membro do parlamento foi agredido do lado de fora de sua casa por manifestantes com os quais ele queria discutir. Ele havia votado anteriormente na Assembleia Nacional de Paris pelo certificado de vacinação, que será condição para acesso a instituições gastronômicas ou culturais ou viagens a partir de meados de janeiro.

color compass

Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Em um país em que governantes desprezam a ciência, o custo sempre será alto

morro da forca
Deslizamento de terra, previsto em estudo de 2016, destruiu hoje prédios históricos no centro da cidade de Ouro Petro (MG)
A persistência das chuvas e o inevitável impacto que elas trazem sobre a estabilidade geológica está trazendo uma série de prejuízos para muitas cidades em Minas Gerais, incluindo as históricas. O último acontecimento que está dando o que falar foi o deslizamento de terras no Morro da Forca na manhã desta quinta-feira (13), em Ouro Preto/MG, cujo resultado foi a completa destruição de casarões no centro histórico da cidade (ver vídeo abaixo).

Para que se tenha ideia da perda que ocorreu hoje em Ouro Preto é só notar que um dos prédios destruídos, o Solar Baeta Neves, era a primeira construção de estilo neocolonial do município. Mas o que a maioria das pessoas que está assistindo chocada à destruição do patrimônio histórico em Ouro Preto é que um estudo de 2016, realizado por pesquisadores da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), vinculada ao Serviço Geológico Brasileiro, já havia previsto o “alto risco de movimento de massa” no local que desmoronou no dia de hoje (ver imagem abaixo).

wp-1642101129377
Este estudo, segundo me foi informado, foi entregue às autoridades locais que, obviamente, optaram por desprezar o prognóstico científico que cerca de 6 anos depois se provou muito preciso. Esse desprezo pela ciência custou um valor incalculável para não apenas para os proprietários dos imóveis destruídos pelo deslizamento de terras, mas principalmente para o patrimônio arquitetônico nacional.
Mas está mais do que claro que a rejeição ao conhecimento científico não está restrito aos governantes de Ouro Preto, mas é a regra entre a maioria dos mandatários brasileiros, e em todas as esferas de governo. Assistindo de longe as cenas de destruição que estão ocorrendo no Norte Fluminense, principalmente em Campos dos Goytacazes e São João da Barra, fica óbvio que estamos diante de governantes que não levam em conta o conhecimento científico existente, seja para responder aos problemas imediatos, seja para preparar seus municípios para o “novo normal” climático que será a ocorrência de eventos meteorológicos extremos em curtos períodos de tempo. Essa postura é quase que uma garantia de que continuaremos expostos à repetição de eventos trágicos, seja em termos de perdas materiais ou de vidas humanas.
A questão da persistência de padrões ultrapassados de governança só será alterada se houver uma clara tomada de posição da população para exigir que a ciência seja internalizada na gestão pública. Também caberá aos cientistas saírem de sua posição majoritariamente passiva frente ao que ocorre na sociedade em que vivem para que o seu conhecimento seja colocado adiante de formas arcaicas de governo que tendem a privilegiar o patrimonialismo e, não raramente, os interesses privados de quem ocupa as cadeiras de poder.

Estudo aponta que Coronavac neutraliza a ômicron

omicron coronavac

Um trabalho publicado na última segunda (10) na plataforma de preprints Research Square mostrou que pessoas que completaram o esquema vacinal de duas doses com CoronaVac, vacina do Butantan e da Sinovac, e depois foram infectados pela variante delta do vírus SARS-CoV-2 estão protegidas contra a cepa ômicron – o que não acontece com quem teve a doença mas não tomou a vacina. Pesquisadores da Universidade Médica Hebei, em Shijiazhuang, e do Beijing Instituto de Microbiologia e Epidemiologia, ambos da China, descobriram que, nessas condições, a efetividade de neutralização da vacina é 14 vezes maior na comparação com quem não recebeu a imunização.

Os cientistas avaliaram a atividade neutralizante de soros coletados de dois grupos de pacientes previamente infectados pela variante delta: o primeiro grupo, de 18 a 77 anos, havia sido vacinado com duas doses da CoronaVac, e o segundo grupo, de nove a 17 anos, não havia sido vacinado. Todos foram infectados durante um surto da delta entre outubro e novembro de 2021 na cidade de Shijiazhuang. Todas as amostras analisadas na pesquisa foram coletadas entre 47 e 53 dias após o aparecimento dos primeiros sintomas. As avaliações foram feitas em relação à cepa original de Wuhan e às variantes beta, delta e ômicron.

“Descobrimos que os níveis de anticorpos contra a cepa original de Wuhan e contra a variante ômicron no grupo vacinado foi significativamente maior do que o observado no grupo não imunizado”, apontaram os pesquisadores. “É importante ressaltar que, após a vacinação, os pacientes com a infecção delta induziram efetivamente um aumento substancial na neutralização do soro contra o vírus de Wuhan e a variante ômicron.”

No grupo vacinado com CoronaVac, formado por 31 convalescentes, foi observado que a infecção com delta após a vacinação aumentou a resposta de anticorpos contra a cepa de Wuhan para 3.942 (títulos), sete vezes mais do que o observado no grupo não-imunizado. Já a resposta de anticorpos contra a variante delta foi de 1.160 (títulos). Com relação à ômicron, a efetividade de neutralização foi avaliada em 269 títulos de neutralização, ou seja, 14 vezes maior do que o resultado do grupo convalescente não-vacinado.

O grupo não vacinado, que serviu de base de comparação, era formado por 28 convalescentes, sendo 26 deles jovens com idades entre nove e 17 anos. Ao realizar o ensaio de neutralização do soro deste grupo, os pesquisadores verificaram um grau de neutralização contra a cepa de Wuhan muito menor do que o do grupo vacinado (média de 563 títulos de neutralização) e praticamente igual em relação à variante delta (1.245 títulos), que havia causado a infecção e contra a qual haviam ganhado imunidade. No entanto, a atividade neutralizante contra a variante beta mostrou-se bem menor (38,5 títulos) e apenas seis amostras de soro exibiram atividade neutralizante detectável contra a ômicron, com média de 19,2 títulos de neutralização.

De acordo com os pesquisadores, a neutralização aprimorada para variantes entre os vacinados com CoronaVac pode ser devido à ampla e potente atividade neutralizante de anticorpos produzidos pelas células B de memória. “Nossos dados sugerem que a infecção por delta após a vacinação pode gerar uma forte resposta de anticorpos para indivíduos previamente vacinados, não apenas ao considerar os níveis de anticorpos, mas também ao examinar os resultados da atividade neutralizante para as variantes”, apontaram os pesquisadores.

Os ensaios foram realizados com pseudovírus da cepa original de Wuhan e das variantes beta, delta e ômicron. Pseudovírus são elementos que podem ser produzidos naturalmente durante uma infecção ou artificialmente em laboratório. Comparado a um vírus vivo, um pseudovírus contém fragmentos de DNA da célula humana infectada pelo SARS-CoV-2 sem conter componentes genéticos do vírus, o que torna sua manipulação muito mais segura.

Coalizão Brasil adverte que desmonte do monitoramento do Cerrado atenta contra biodiversidade e produção agrícola

Desmatamento-no-CerradoFalta de verba ameaça monitoramento contra desmatamento no Cerrado

Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento multissetorial composto por mais de 300 empresas, organizações da sociedade civil, setor financeiro e academia, vê com preocupação o anúncio da descontinuidade do monitoramento do Cerrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O bioma, que ocupa aproximadamente 24% do território do país, abrange nascentes da maior parte das bacias hidrográficas cruciais para o abastecimento de água e energia do Brasil. É, também, o celeiro da produção agropecuária, abrigando o cultivo de commodities, como soja, milho e algodão.

Além de sua importância econômica, cabe destacar que o Cerrado é reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade e encontra-se em franco processo de degradação. No último dia 31 de dezembro, o Inpe divulgou que o bioma perdeu 8.531,4 km² de vegetação nativa em um ano, entre agosto de 2020 e julho de 2021. Trata-se de um aumento de 7,9% em relação ao índice constatado nos 12 meses anteriores.

É, portanto, momento de investir em monitoramento e pesquisa, e não desmobilizar equipes e recursos. O possível “apagão de dados” sobre o desmatamento do Cerrado é um reflexo do sucateamento do Inpe, cujo orçamento em 2021 foi de R$ 75,8 milhões, uma redução de 85% ante o recebido em 2010 (R$ 487,6 milhões).

Há verbas para manutenção do monitoramento do Cerrado somente até abril. O país, portanto, entra em contagem regressiva para garantir a sobrevivência do trabalho do Inpe, cujos dados são necessários para a vitalidade da fiscalização ambiental, do agronegócio e de estudos científicos.

Vale destacar que o gasto com o sustento do projeto ameaçado é irrisório. O monitoramento do Cerrado custa apenas R$ 2,5 milhões por ano. Para se ter uma noção, a multa por desmate ilegal de 1 hectare vale R$ 1.500. Ou seja, as infrações relacionadas à devastação de 1.700 hectares já pagam todo o sistema.

Ao assinar um acordo florestal durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 26), há exatos 70 dias, ao lado de 140 países, o Brasil assumiu o compromisso, perante sua população e a comunidade internacional, de proteger ecossistemas críticos como o Cerrado. Diversos países, como os Estados Unidos, além da União Europeia, já indicaram que o cuidado socioambiental é um tema central para a agenda diplomática e as transações comerciais. O Brasil, ao não cumprir os seus deveres, opta pelo isolacionismo e pelo atraso. Tampouco conseguirá controlar a narrativa. Outras iniciativas, envolvendo governos e a sociedade civil, podem assumir por conta própria o monitoramento de biomas.

As ações serão sempre mais fortes que as palavras. Portanto, mais uma vez a reputação do país está em jogo, ao demonstrar incoerência e desalinhamento entre os compromissos que assumiu — tanto para o enfrentamento da crise climática quanto para a perda de biodiversidade — e as ações que implementa — sejam elas ligadas a pesquisa, monitoramento e inteligência, que deveriam promover boas políticas públicas.

Coalizão Brasil solicita que o governo federal assegure os recursos necessários para a continuidade do programa de monitoramento do Cerrado e de todos os biomas brasileiros. É uma questão de legalidade, transparência e credibilidade.

Moradores do Distrito de Macacos convivem com tensão causada pela instabilidade das estruturas de contenção da mina Mar Azul

Mar Azul 1

Mina Mar, operada pela mineradora Vale em Nova Lima (MG), onde barragem de rejeitos vive situação de forte instabilidade desde 2019

Venho acompanhando desde meados de 2019 os problemas causados pela instabilidade do sistema de barragens da mina Mar Azul que a mineradora Vale opera em Nova Lima (MG). Uma área especialmente afetada pelos problemas de instabilidade das barragens da Mar Azul é o distrito de Macacos que fica em distância relativamente pequena das estruturas.  Como mostrado recentemente a situação teve uma piora com a construção de um muro de contenção que evitaria a movimentação da mancha de rejeitos que poderá escapar em caso de rompimento da barragem da Mar Azul. No entanto, na manhã desta 3a. feira, o rompimento de um talude da mina lançou grande quantidade de rejeitos em um dos corpos hídricos da região de Macacos (ver vídeo abaixo).

Pois bem, hoje recebi uma imagem do que seria uma deslizamento de terra na área lateral da barragem B3/B4 que estaria no nível 3 (aquele em que há risco imediato de rompimento da estrutura) (ver imagem abaixo).

b3b4

A mineradora Vale já agiu rapidamente para colocar panos quentes na situação e lançou um informe em que procura minimizar o risco de que as estruturas de retenção dos rejeitos da Mar Azul estejam prestes a colapsar (ver imagem abaixo),

nota vale macacos

Mas em que pese os desmentidos da Vale, a situação causa forte preocupação não apenas entre os moradores do Distrito de Macacos, mas também nos habitantes dos municípios que ficam à jusante da Mar Azul.  O fato é que a situação de risco na Mar Azul também está ocorrendo em outros municípios de Minas Gerais que convivem neste momento com a possibilidade de que outros incidentes de alto teor destrutivo como os de Brumadinho e Mariana se repitam em escala ainda maior. De toda forma, os próximos dias serão de alta tensão no Distrito de Macacos.

Analistas-Tributários aprovam AGNU permanente, entrega de cargos/funções e Operações-Padrão nacional

Receita1

Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (RFB), reunidos em Assembleia Geral Nacional Unificada (AGNU) ocorrida dos dias 3 a 7 de janeiro, aprovaram os indicativos de mobilização encaminhados pela Diretoria Executiva Nacional (DEN) do Sindireceita. Em conformidade com os indicativos, a categoria deliberou pelo estado permanente de AGNU; pela realização de Operações-Padrão nas áreas de tributos internos, gestão corporativa e aduana; pela entrega de cargos em comissão, funções de confiança ou encargos; e pela não participação dos servidores do cargo em treinamentos, convocações e metas. Veja aqui o relatório com os resultados das votações da AGNU [Aqui!].  . 

A partir desta terça-feira, dia 11, os Analistas-Tributários encontram-se em regime permanente de AGNU. A medida, aprovada por 93% dos participantes da assembleia, se justifica pela eventual necessidade de convocação de AGNU imediata, face à gravidade do caso do descumprimento, pelo Poder Executivo, do Termo de Acordo nº 03/2016.

Além desta iniciativa, os ATRFBs também aprovaram os indicativos que preveem a realização de Operações-Padrão nas atividades de fiscalização e controle aduaneiro nos portos, aeroportos e pontos de fronteira (aprovado por 87% dos votos), bem como nas atividades relacionadas às áreas de tributos internos e processos (aprovado por 89% dos votos). Durante a AGNU, os Analistas-Tributários também deliberaram pela suspensão da participação dos servidores do cargo em treinamentos, viagens e no incremento de metas (aprovado por 85% dos votos).

Cabe frisar que as Operações-Padrão não serão aplicadas no controle de bagagens. Além disso, a medida também não será adotada nas atividades de fiscalização e controle aduaneiro relacionadas a medicamentos e insumos médicos e hospitalares, cargas vivas e perecíveis.

Outro indicativo aprovado pela categoria durante a AGNU trata da entrega ostensiva de todos os cargos em comissão, funções de chefia e encargos em todos os níveis hierárquicos na Receita Federal (aprovado por 83% dos votos). Os Analistas-Tributários que aderirem a esta medida devem entrar em contato com os representantes locais de suas respectivas Delegacia Sindicais (DS), que fornecerão instruções sobre os procedimentos a serem adotados para o pedido de exoneração ou de dispensa. Por sua vez, os representantes locais encaminharão à DEN a relação de Analistas-Tributários demissionários para fins de tabulação nacional e acompanhamento.

Conforme deliberado na AGNU, os ATRFBs também assumiram o compromisso de não ocupar nenhum desses cargos em comissão, funções de confiança ou encargos, em decorrência dos pedidos de desligamento durante esta mobilização, até que seja publicado o decreto de regulamentação do Bônus de Eficiência e Produtividade.

Além das medidas acima destacadas, que estão detalhadas no documento disponível na Área Restrita, os colegas Analistas-Tributários também podem encaminhar à DEN suas sugestões de atualização das orientações. As propostas devem ser enviadas para o e-mail atribuicoes@sindireceita.org.br.

A Diretoria Executiva Nacional do Sindireceita agradece pela participação e engajamento da categoria durante a AGNU. Reiteramos o nosso compromisso histórico de luta em defesa dos diretos dos ATRFBs, do fortalecimento da Receita Federal e do respeito ao serviço público brasileiro. A nossa luta é pela construção de um país justo e de uma sociedade próspera. Unidos, venceremos mais este desafio e construiremos um novo e vitorioso capítulo em nossa história.

Vamos à luta!

Diretoria Executiva Nacional (DEN)

Sindireceita

Fracasso climático e crise social lideram Riscos Globais 2022

teaser-global-risks-report-2022-social

Genebra, Suiça, 11 de Janeiro de 2022 – Os riscos climáticos dominam as preocupações globais à medida que o mundo entra no terceiro ano da pandemia. De acordo com o Global Risks Report 2022, enquanto os principais riscos de longo prazo se relacionam ao clima, as principais preocupações globais de curto prazo incluem divisões sociais, crises de subsistência e deterioração da saúde mental.

Além disso, a maioria dos especialistas acredita que uma recuperação econômica global será volátil e desigual nos próximos três anos.

Agora, em sua 17ª edição, o relatório encoraja os líderes a pensarem fora do ciclo de relatórios trimestrais e a criar políticas que gerenciem riscos e moldem a agenda para os próximos anos. Ele explora quatro áreas de riscos emergentes: cibersegurança; competição no espaço; uma transição climática desordenada; e pressões migratórias, cada uma exigindo coordenação global para uma gestão bem-sucedida.

“As disrupções econômicas e de saúde estão agravando as divisões sociais. Isso está criando tensões em um momento em que a colaboração dentro das sociedades e entre a comunidade internacional será fundamental para garantir uma recuperação global mais uniforme e rápida. Os líderes globais devem se unir e adotar uma abordagem coordenada de múltiplas partes interessadas para enfrentar os desafios globais implacáveis ​​e construir resiliência antes da próxima crise”, disse Saadia Zahidi, Managing Director do Fórum Econômico Mundial.

Carolina Klint, Risk Management Leader, Continental Europe da Marsh, disse: “À medida que as empresas se recuperam da pandemia, elas estão aprimorando o foco na resiliência organizacional e nas credenciais ESG. Com as ameaças cibernéticas agora crescendo mais rápido do que nossa capacidade de erradicá-las permanentemente, está claro que nem a resiliência nem a governança são possíveis sem planos de gerenciamento de risco cibernético sofisticados e confiáveis. Da mesma forma, as organizações precisam começar a entender seus riscos espaciais, especialmente o risco para os satélites, dos quais nos tornamos cada vez mais dependentes, dado o aumento das ambições e tensões geopolíticas”.

Peter Giger, Group Chief Risk Officer do Zurich Insurance Group, disse: “A crise climática continua sendo a maior ameaça de longo prazo que a humanidade enfrenta. A omissão de ação sobre as mudanças climáticas pode reduzir o PIB global em um sexto e os compromissos assumidos na COP26 ainda não são suficientes para atingir a meta de 1,5 C. Não é tarde demais para governos e empresas agirem sobre os riscos que enfrentam e conduzirem uma transição inovadora, determinada e inclusiva que proteja as economias e as pessoas”.

O relatório se encerra com reflexões sobre o segundo ano da pandemia de COVID-19, produzindo novos insights sobre a resiliência a nível nacional. O capítulo também se baseia nas comunidades de especialistas em risco do Fórum Econômico Mundial — a Chief Risk Officers Community and Global Future Council on Frontier Risks — para oferecer conselhos práticos na implementação da resiliência para as organizações.

O Global Risk Report 2022 foi desenvolvido com o apoio inestimável do Global Risks Advisory Board do Fórum Econômico Mundial. Ele também se beneficia da colaboração contínua com seus parceiros estratégicos, Marsh McLennan, SK Group e Zurich Insurance Group, e seus consultores acadêmicos na Oxford Martin School (Universidade de Oxford), na National University of Singapore e no Wharton Risk Management and Decision Processes Center (Universidade da Pensilvânia).

 

Sobre a Agenda de Davos – o estado do mundo em 2022

Global Risk Report 2022 vem a frente da Agenda de Davos, que mobilizará chefes de estado e governo, líderes empresariais, organizações internacionais e sociedade civil para compartilhar suas perspectivas, percepções e planos relacionados às questões globais mais urgentes. A reunião será através de uma plataforma de conexão, permitindo ao público assistir e interagir por meio de sessões transmitidas ao vivo, pesquisas de mídia social e conexões virtuais.

A Constituição da China e o Conceito de Civilização Ecológica

ecological china

Por Douglas de Castro, Siyi Zhang e Chen Daoshan*

Se a racionalidade, conforme construída pelo projeto modernista, nos levou à beira da destruição (p.ex., Segunda Guerra Mundial, degradação ambiental e violação de direitos humanos), o movimento pós-modernista nos diz para desconstruir nossas experiências, porém, não fornece uma opção para substituí-las. Esta é a condição de fundo do precário estado da natureza devido à intervenção humana e uso insustentável dos recursos naturais vis-à-vis a (in) eficiência regulatória do Direito Internacional do Ambiente.

Desde o início do período das grandes navegações europeias, há um movimento sistemático para separar o mundo natural do mundo social.

O uso do termo “natureza”, que inclui a espécie humana, foi substituído por “meio ambiente”, o que implica nas coisas que circundam a humanidade. Mesmo o uso do termo natureza, hoje em dia, implica em posicionar o homem como um observador externo de um objeto de estudo e regulação. Este movimento foi notado por Raymond Willian em sua obra seminal Ideias da Natureza: “Um toque da natureza pode tornar todo o mundo familiar, mas geralmente, quando dizemos natureza, queremos nos incluir?”

Como causa direta da separação dos mundos natural e social, temos o paradoxo existência do Direito Ambiental Internacional. As altas pressões que o atual modelo desenvolvimentista aplica sobre a natureza, os crescentes fenômenos naturais extremos representam uma ameaça existencial para a humanidade. Neste contexto, o Direito Internacional do Meio Ambiente surge e é sustentado marginalmente pelas regulamentações do comércio ou excessos ou abusos dos direitos de propriedade. Nesse sentido, uma representação empírica desse argumento é a Convenção Internacional para a Conservação de Animais Selvagens, Aves e Peixes na África (1900), que foi elaborada por caçadores interessados ​​na “sustentabilidade” dos recursos de caça, juntamente com a sua sucessora, a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção (CITES-1973), na qual o comércio é o negócio principal.

Nosso argumento neste artigo é que o conceito de civilização ecológica introduzido pela Constituição chinesa reduz o significado interpretativo dos conceitos de natureza e meio ambiente, proporcionando, assim, uma importante contribuição ontológica ao Direito Internacional do Meio Ambiente.

O presidente Xi Jinping foi eleito secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC) e presidente da China em 2012, assumindo os cargos em Marco 14 de 2013. Na 18ª sessão do Comitê Político PCC em 24 de maio de 2013, ele proferiu: “Devemos aumentar a consciência sobre a necessidade de respeitar, proteger e acomodar-nos à natureza, seguir a política estatal básica de conservação de recursos e proteção ambiental e dar alta prioridade à conservação, proteção do meio ambiente e promoção de sua restauração natural”.

Em março de 2018, a Constituição chinesa foi emendada pela quinta vez desde 1954 para incorporar o conceito do “desenvolvimento de civilização ecológica”. A emenda marca a grande preocupação com as questões ecológicas no nível jurídico fundamental e com o processo de constitucionalização do “Plano Integrado das Cinco Esferas” do socialismo com características chinesas. A civilização ecológica significa que os seres humanos podem não apenas se beneficiar da natureza, mas também benefícios para a natureza, ou seja, os humanos devem proteger a natureza enquanto a transformam em uma interação harmoniosa entre o homem e a natureza. O conceito de civilização ecológica absorve e dá conta das variáveis de estudo da Teoria da Economia Circular, Teoria da Modernização Ecológica e Teoria da Economia de Baixo Carbono.

Esta Emenda Constitucional não adotou o método tradicional dos “direitos ambientais”, mas utilizou a forma de “cláusula objetiva nacional” para garantir o “desenvolvimento da civilização ecológica”, e realizar a proteção ambiental dos cidadãos por meio da imposição de obrigações ao Estado. Ao obter benefícios econômicos no processo de extração de recursos naturais, os as pessoas inevitavelmente causam danos ao meio ambiente, gerando um desequilíbrio economia, recursos naturais e meio ambiente. Neste momento, a “mão visível” do governo é necessária para intervir razoavelmente para equilibrar esses aspectos. Este é o propósito da civilização ecológica.

A Constituição atualmente forma um sistema normativo relativamente completo de “desenvolvimento de civilização ecológica” por meio de regulamentação normativa e substantiva.

1. As frases “novo conceito de desenvolvimento”, “civilização ecológica”, “bela China”, “um grande país socialista moderno” e “realizar o grande rejuvenescimento da nação chinesa” fazem parte do preâmbulo da Constituição. Pertence à parte das tarefas nacionais da China que incorpora os objetivos de valor da China e desempenha um papel de comando nos artigos da Constituição.

2. Os artigos 9, 10 e 26 que tratam dos “Princípios Gerais” da Constituição são disposições gerais para o macrocontrole do ambiente ecológico. Do ponto de vista da estrutura das normas, esses artigos são programáticos no sentido de incentivar o comportamento. O Artigo 9 estabelece como “o Estado deve garantir o uso racional dos recursos naturais e proteger os animais e plantas raras”. A obrigação contida no Artigo 10 incorpora a necessidade de que “todas as organizações e indivíduos que usam a terra devem usá-la de maneira apropriada”. O Artigo 26 prescreve que “o estado deve proteger e melhorar os ambientes de vida e o ambiente ecológico, e prevenir e controlar poluição e outros riscos públicos. O estado deve organizar e encorajar o florestamento e proteger as florestas”. Essas obrigações mostram os recursos naturais, recursos terrestres, qualidade de vida e aspectos ecológicos como centrais para o “desenvolvimento da civilização ecológica” como descrita no preâmbulo da Constituição. Eles fornecem garantias institucionais para a realização da obrigação nacional de “desenvolvimento da civilização ecológica” “e contém seu objetivo normativo.

3. O artigo 89 está localizado na parte das “Instituições do Estado” da Constituição, consubstanciando uma norma obrigatória para as funções e atribuições do Conselho de Estado na forma de uma enumeração positiva. É a forma específica nas instituições estatais da obrigação do Estado de “desenvolvimento da civilização ecológica”, refletindo formas concretas de promover o desenvolvimento da civilização ecológica.

A emenda da Constituição de 2018 inclui o “Plano Integrado das Cinco Esferas”, caracterizando o desenvolvimento do socialismo com características chinesas que abrange o desenvolvimento econômico, político, cultural, social e ecológico, assim, elevando o Plano ao status constitucional. O Plano foi proposto no 18º Congresso Nacional do PCC em 2012 e concluído no 19º Congresso Nacional do PCC em 2017. E aproxima os valores tradicionais e os entendimentos modernos da China, por exemplo, na “Antiga Filosofia Ecológica Chinesa”, “Harmonia entre o Homem e a Natureza”, “Xi Jinping Pensamento sobre a Civilização Ecológica”, “Uma Abordagem Socialista à Civilização Ecológica”.

O Plano Integrado das Cinco Esferas é um roteiro para a construção do socialismo chinês e a promoção do desenvolvimento humano completo e do progresso social. Espera-se que os esforços tragam novos patamares em todas as dimensões do progresso material, político, cultural e ético, social e ecológico, e tornem a China um grande país socialista moderno que é próspero, forte, democrático, culturalmente avançado, harmonioso e lindo. O Plano Integrado das Cinco Esferas reflete a compreensão mais profunda do Partido Comunista e da China acerca dos princípios básicos para o progresso coordenado em todos os setores e o socialismo com características chinesas, encampando os interesses fundamentais e as aspirações compartilhadas do povo chinês.

De uma postura programática para uma mais prática, o governo central chinês emitiu em 2017 um documento conhecido como Linha Vermelha Ecológica, que contém disposições para fazer cumprir as linhas de proteção dos ecossistemas, para gerir todos os principais espaços ambientais a partir de padrões consistentes. As Linhas Vermelhas Ecológicas que estavam em construção desde 2017 foram concluídas em 2020.

As regiões protegidas representam mais de 25 por cento do território terrestre nacional e incluem zonas ecológicas funcionais essenciais, regiões ecologicamente frágeis e vulneráveis ​​e locais-chave de diversidade biológica, que inclui a conservação das fontes de água, manutenção da biodiversidade, conservação da água e do solo e estabilidade ecológica costeira em regiões ecologicamente frágeis que são propensas à erosão do solo, desertificação e salinização.

As Linhas Vermelhas são os pilares da segurança biológica do estado, sendo importantes para o planejamento do espaço. Desenhá-los e aplicá-los são movimentos importantes para implementar os sistemas de zoneamento funcional e controle de uso do espaço ecológico, que são eficazes para ajudar a expandir a capacidade de fornecer eco produtos e prestar serviços aos ecossistemas enquanto constroem a segurança biológica da China. É uma inovação institucional que também pode impulsionar a construção de uma Eco civilização na China e promover seu desenvolvimento verde, um componente importante do sistema de instituições para a construção de uma civilização ecológica por uma medida eficaz para cumprir os direitos e responsabilidades de proteção ecológica, para mobilizar todas as partes participem na proteção ecológica e no avanço do ritmo da China.

Os compromissos assumidos pela China no cenário internacional refletem o impulso interno do país para a construção de uma civilização ecológica como um novo modelo de desenvolvimento, que vê a natureza, não como um objeto dominado pelo homem, mas um mundo do qual o homem faz parte, portanto, responsável pelos processos de adaptação e transformação. Além disso, a construção da civilização ecológica aponta para um novo tipo de relações internacionais, que busca compartilhar resultados de desenvolvimento no nível econômico, salvaguardar os valores comuns da humanidade no nível cultural, buscar a segurança universal no nível social, e buscar a segurança global no nível ecológico.

A China está se tornando um país que define a agenda no sistema internacional. Embora esse fato traga algum desconforto para outras nações, especialmente os Estados Unidos e seus aliados, a China está fazendo contribuições significativas para a governança global sobre o meio ambiente, que de alguma forma tem um forte potencial para aumentar a eficiência regulatória do Direito Internacional do Meio Ambiente ao incorporar visões de mundo alternativas e valores que até agora estão sendo excluídos pelo Direito Internacional tradicional, um produto iminentemente eurocêntrico.

Douglas de Castro é  Professor de Direito Internacional – Faculdade de Direito da Universidade de Lanzhou.  Siyi Zhang é Doutoranda – Faculdade de Direito da Universidade de Lanzhou, e Chen Daoshan é  Mestrando – Faculdade de Direito da Universidade de Lanzhou

Brasil para de rastrear desmatamento do Cerrado apesar do aumento da destruição

FILE PHOTO: Scientists from the State University of Mato Grosso identify signs of climate change on the border between Amazonia and CerradoUma vista aérea mostra o desmatamento perto de uma floresta na fronteira entre a Amazônia e o Cerrado em Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil, em 28 de julho. | REUTERS

Por Jake Springs para a Reuters

 Brasil vai parar de monitorar o desmatamento no Cerrado, a savana mais rica em espécies do mundo, disse um pesquisador do governo nesta quinta-feira citando falta de fundos, dias depois de dados mostrarem que a destruição atingiu uma alta de 6 anos em 2021.

O Cerrado, que faz fronteira com a floresta amazônica e se estende por vários estados brasileiros, é um grande baluarte contra as mudanças climáticas devido ao carbono que absorve. Muitas vezes é comparado a uma floresta de cabeça para baixo porque suas plantas afundam as raízes profundamente no solo.

O desmatamento aumentou 8% para 8.531 quilômetros quadrados no Cerrado nos 12 meses até julho, mostraram dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (lnpe) na última sexta-feira.

A decisão de interromper o monitoramento do Cerrado foi tomada por causa de cortes orçamentários, disse Claudio Almeida, pesquisador que coordena o monitoramento por satélite do Inpe.

O Inpe não produzirá mais números anuais para o desmatamento do Cerrado a menos que consiga encontrar uma nova fonte de financiamento, disse Almeida em mensagem escrita.

Uma “equipe mínima” continuará produzindo cifras mensais do desmatamento para o Cerrado, mas ficará sem dinheiro em seis meses ou menos, disse ele.

A assessoria de imprensa do Inpe não respondeu a um pedido de comentário.

A medida para parar de monitorar o Cerrado parece ser outro revés para a proteção ambiental sob o presidente de direita Jair Bolsonaro.

Bolsonaro criticou as proteções ambientais que impedem o crescimento econômico e enfraqueceu a aplicação das leis de conservação.

O gabinete do presidente não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

Marcio Astrini, chefe do Observatório do Clima, disse esperar que o governo encontre financiamento para continuar monitorando um ecossistema tão vital.

“O monitoramento mostra se o desmatamento está avançando e se o desmatamento vai condenar um bioma tão importante para os brasileiros”, disse Astrini.

Mas ele disse que não está otimista devido ao histórico de Jair Bolsonaro. O presidente já atacou o Inpe no passado, em 2019 acusando a agência de mentir sobre os dados que mostram o desmatamento da floresta amazônica.

No início desta semana, pesquisadores expressaram preocupação com a crescente destruição no Cerrado, dizendo que isso resulta em enormes emissões de gases de efeito estufa e ameaça levar espécies à extinção.

“Toda vez que você vai ao Cerrado fazer pesquisa de campo, não é raro descobrir uma nova espécie de planta ou mesmo de animal”, disse Manuel Ferreira, geógrafo da Universidade Federal de Goiás. “Ainda há muitas espécies a serem estudadas.”

color compass

Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “Japan Times” [Aqui!].