Brasil para de rastrear desmatamento do Cerrado apesar do aumento da destruição

FILE PHOTO: Scientists from the State University of Mato Grosso identify signs of climate change on the border between Amazonia and CerradoUma vista aérea mostra o desmatamento perto de uma floresta na fronteira entre a Amazônia e o Cerrado em Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil, em 28 de julho. | REUTERS

Por Jake Springs para a Reuters

 Brasil vai parar de monitorar o desmatamento no Cerrado, a savana mais rica em espécies do mundo, disse um pesquisador do governo nesta quinta-feira citando falta de fundos, dias depois de dados mostrarem que a destruição atingiu uma alta de 6 anos em 2021.

O Cerrado, que faz fronteira com a floresta amazônica e se estende por vários estados brasileiros, é um grande baluarte contra as mudanças climáticas devido ao carbono que absorve. Muitas vezes é comparado a uma floresta de cabeça para baixo porque suas plantas afundam as raízes profundamente no solo.

O desmatamento aumentou 8% para 8.531 quilômetros quadrados no Cerrado nos 12 meses até julho, mostraram dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (lnpe) na última sexta-feira.

A decisão de interromper o monitoramento do Cerrado foi tomada por causa de cortes orçamentários, disse Claudio Almeida, pesquisador que coordena o monitoramento por satélite do Inpe.

O Inpe não produzirá mais números anuais para o desmatamento do Cerrado a menos que consiga encontrar uma nova fonte de financiamento, disse Almeida em mensagem escrita.

Uma “equipe mínima” continuará produzindo cifras mensais do desmatamento para o Cerrado, mas ficará sem dinheiro em seis meses ou menos, disse ele.

A assessoria de imprensa do Inpe não respondeu a um pedido de comentário.

A medida para parar de monitorar o Cerrado parece ser outro revés para a proteção ambiental sob o presidente de direita Jair Bolsonaro.

Bolsonaro criticou as proteções ambientais que impedem o crescimento econômico e enfraqueceu a aplicação das leis de conservação.

O gabinete do presidente não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

Marcio Astrini, chefe do Observatório do Clima, disse esperar que o governo encontre financiamento para continuar monitorando um ecossistema tão vital.

“O monitoramento mostra se o desmatamento está avançando e se o desmatamento vai condenar um bioma tão importante para os brasileiros”, disse Astrini.

Mas ele disse que não está otimista devido ao histórico de Jair Bolsonaro. O presidente já atacou o Inpe no passado, em 2019 acusando a agência de mentir sobre os dados que mostram o desmatamento da floresta amazônica.

No início desta semana, pesquisadores expressaram preocupação com a crescente destruição no Cerrado, dizendo que isso resulta em enormes emissões de gases de efeito estufa e ameaça levar espécies à extinção.

“Toda vez que você vai ao Cerrado fazer pesquisa de campo, não é raro descobrir uma nova espécie de planta ou mesmo de animal”, disse Manuel Ferreira, geógrafo da Universidade Federal de Goiás. “Ainda há muitas espécies a serem estudadas.”

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “Japan Times” [Aqui!].

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