Travessão pergunta: cadê o fumacê, Rafael?

aedes-aegypti-07032018152742469

O mosquito Aedes Aegypti transmite chikungunya, dengue e zika. Pexels

Hoje tive acesso a informações vindas do distrito de Travessão que aquela localidade está severamente impactada por um surto da  febre chikungunya, que é uma doença viral transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Famílias inteiras estão acamadas, sendo que nos casos dos mais sortudos nem todos estão ficando enfermos ao mesmo tempo, o que nem sempre é o caso.

febre-chikungunya

Uma reclamação de quem me deu a notícia desse surto de chikungunya é que, enquanto a população sofre, não há sequer notícia da passagem do tradicional “fumacê” que historicamente é utilizado para diminuir o tamanho das epidemias associadas ao Aedes aegypti. 

Noto ainda que, ao contrário de governos anteriores, não há no site oficial da Prefeitura informações sobre o que está sendo feito para conter o surto de chikungunya, nem quais são as medidas que estão sendo adotadas para facilitar o tratamento dos que já foram infectados pelo vírus.

Aliás, tampouco tenho visto na mídia corporativa local entrevistas ou comunicados do Centro de Controle de Zoonoses e Vigilância Ambiental que nos davam, ao menos, a noção do que estava ocorrendo durante a ocorrência de surtos de doenças transmitidas por mosquitos, e cujos impactos são bastantes diferenciados em partes do município, atingindo de forma mais dura os bairros e localidades cuja população é majoritariamente menos favorecida economicamente, como é o caso do já citado Distrito de Travessão.

Nesse sentido, não me parece demais perguntar: cadê o fumacê, Rafael?

Dois mil casos depois, gestão Rafael Diniz reconhece que “habemus uma epidemia”

Resultado de imagem para three monkeys

Confesso que considero cansativo ficar apontando os erros e limitações da gestão do jovem prefeito Rafael Diniz (PPS), pois eles são tantos e tão bizarros que deveriam desmerecer publicidade. Mas a notícia abaixo, publicada pelo jornal “Folha da Manhã” torna obrigatório reconhecer que no melhor estilo de uma das leis de Murphy, o governo “da mudança” conseguiu piorar algo que já era muito ruim, qual seja, o combate à multiplicação dos casos de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti [1].

mosquitos

Em meio ao que parece ter sido uma tentativa de reconhecimento tardio de que a Prefeitura Municipal Campos dos Goytacazes não fez o trabalho mínimo necessário na área da prevenção de doenças, a diretora de Vigilância em Saúde, Andreya Moreira, declarou de forma quase singela que “estamos preocupados e montamos várias reuniões de comitê para começarmos as ações de combate.” O que não aparece na frase é o reconhecimento tardio do fato que a cidade de Campos dos Goytacazes vive hoje um grave surto de chikungunya 

Resultado de imagem para chikungunya campos dos goytacazes

Ora, bolas, esse reconhecimento explícito de que se comeu mosca (ou melhor, mosquito Aedes Aegypti) deveria vir acompanhado de, pelo menos, um pedido de desculpas públicas do chefe executivo que passou várias semanas em Brasília fazendo sabe-se lá o que, e esqueceu que o importante seria estar na cidade para arregaçar as mangas para tratar de questões inadiáveis como essa.

Outra declaração bisonha foi dada pelo  secretário municipal de Desenvolvimento Ambiental, Leonardo Barreto, que teria destacado o fato de “que as autoridades públicas realizaram planos para evitar a propagação das doenças causadas pelo mosquito”. Eu fico me perguntando porque não apareceu nenhum repórter no local para lembrar ao secretário que se existiram planos, os mesmos fracassaram redondamente.

Abaixo posto o vídeo que mostra as manifestações das autoridades municipais presentes na coletiva de imprensa. Ah, sim, recomendo muita paciência e lembro que o computador é amigo do leitor deste blog.

E finalmente, há que se reclamar com o jovem prefeito Rafael Diniz que ele esqueceu de informar durante sua vitoriosa campanha eleitoral que a mudança que ele prometia trazia na bagagem uma epidemia de “chikungunya”.  Aliás, que baita mudança, Rafael!


[1] http://www.folha1.com.br/_conteudo/2018/06/geral/1235843-com-quase-2-mil-casos-prefeitura-admite-epidemia-de-chikungunya-em-campos.html

Após atrasar entrega de verbas por quase 2 anos, Faperj congela recursos após morte de pesquisador principal de projeto sobre o Aedes Aegypti

dengue

O Professor Mário Alberto Cardoso da Silva Neto era uma autoridade científica nas pesquisas sobre o Aedes Aegypti, e o impacto da sua morte está sendo agravado pelo congelamento de verbas da Faperj.

Existem coisas que só acontecem no Rio de Janeiro do (des) governo Pezão! A notícia baixo que é assinada pelo jornalista Renato Grandelle nos dá conta de uma situação tão esdrúxula que chega difícil de ser entendida. Segundo o que nos informa Grandell,e a direção da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), após atrasar por cerca de 2 anos o desembolso de verbas de um projeto de pesquisa relacionado à dengue (o qual teve seu termo de outorga entregue em Novembro de 2015!), decidiu congelar de vez a entrega de recursos devidos após a morte do investigador principal, o  bioquímico Mário Alberto Cardoso da Silva Neto, professor associado do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ (Aqui).

faperj congelada

Como em tantas instâncias que já acompanhei, a direção da Faperj está apenas seguindo firmemente os protocolos que adota para garantir o estrito controle sobre os recursos desembolsados para a realização do projetos de pesquisa, o que por si só não seria errado. Afinal, ninguém é contra o mal uso de verbas públicos. Entretanto, toda a rigidez que está sendo usada para justificar o congelamento das verbas e a objetiva inviabilização de um projeto de alto interesse científico social não teria sido necessária se a Faperj tivesse entregue as verbas no tempo correto.  O que teria se dado antes do falecimento do pesquisador responsável de recursos que acabaram nunca chegando, é bom se frise.

E o mais alarmante é que dado o corte de verbas estar ocorrendo também em nível federal, o grupo de pesquisa do professor Mário Alberto Cardoso da Silva Neto está sendo objetivamente inviabilizado e junto com isto vem a não continuação de várias pesquisas importantes.

Por outro lado, o (des) governo Pezão continua distribuindo bilhões em isenções fiscais e alocando outros tantos bilhões para alimentar a ciranda financeira em que se envolveu a partir de uma política irresponsável de endividamento público. 

Enquanto isso, a população que se vire no próximo verão quando outras epidemias causadas pelo Aedes Aegypti deverão ocorrer. Simples, porém, trágico. 

Para ler a reportagem completa sobre esse caso lamentável, basta clicar (Aqui!)

Após Michel Temer autorizar aspersão aérea de agrotóxicos em cidades brasileiras, pesquisa da Uenf avança no controle biológico do Aedes Aegypti

Fonte: ASCOM/Uenf

Quatro dias atrás postei aqui neste blog a informação de que o presidente interino Michel Temer, atendendo as demandas dos fabricantes de agrotóxicos e da bancada ruralista, sancionou o Decreto Lei No. 13.301/ 2016 (Aqui!) que autoriza a pulvarerização aérea de agrotóxicos em cidades brasileiras de ampliar o combate ao mosquito Aedes aegypti.

Pois bem, nesta 5a. feira (07/07), a Assessoria de Comunicação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ASCOM/Uenf) noticiou o desenvolvimento de um método natural de controle do mosquito Aedes aegypti, baseado no ataque de um fungo entomopatogênico (que naturalmente parasita insetos), e que foi criado num processo de cooperação internacional entre um grupo de pesquisa liderado pelo professor Richard Ian Samuels, do Laboratório de Entomologia e Fitopatologia (LEF) do Centro Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA) com cientistas da Universidade de Swansea que se localiza no País de Gales  (Aqui!).

No informe da ASCOM/Uenf é oferecida uma informação impressionante sobre as barreiras que tiveram de ser superadas para a pesquisa poder avançar. É que o trabalho de campo, que vinha sendo feito há cinco anos em São João da Barra, teve que ser transferido para Campos por conta da falta de recursos da Uenf!

Essa é uma informação alvissareira por dois motivos. O primeiro é que apesar de toda a política de desmanche que o (des) governo do Rio de Janeiro vem impondo sobre a Uenf, seus professores e estudantes continuam oferecendo avanços significativos no conhecimento científico, incluindo na área crítica que é o controle de vetores de doenças como o mosquito Aedes aegypti. A segunda boa informação é que o controle biológico poderá ser uma ferramenta mais eficiente e segura do que a oferecida pelo uso de agrotóxicos.

Abrasco critica uso de agrotóxicos no combate ao Aedes Aegypti

nota_tecnica_NOT_

Entidade que reúne pesquisadores da saúde coletiva afirma que o uso de agrotóxicos pela Saúde Pública não tem tido efetividade, não diminui a infestação pelo Aedes e provoca danos sérios às pessoas

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) lançou nesta semana uma Nota de Alerta criticando a atuação do Ministério da Saúde frente à epidemia de Zika e Microcefalia. O principal eixo da nota questiona o uso de agrotóxicos no combate ao mosquito, ao invés da implementação de ações de saneamento ambiental e fornecimento regular de água.

Junto à Nota de Alerta, grupos de trabalho (GTs) da Abrasco assinaram uma Nota Técnica onde detalham os erros cometidos há décadas no modelo de combate ao mosquito Aedes Aegypti. A nota explica o contexto de surgimento da atual epidemia, e ressalta que “a distribuição espacial por local de moradia das mães dos recém-nascidos com microcefalia (ou suspeitos) é maior nas áreas mais pobres, com urbanização precária e com saneamento ambiental inadequado, com provimento de água de forma intermitente”.

O armazenamento domiciliar inseguro de água gera condição muito favorável para a reprodução do Aedes aegypti, constituindo-se em “criadouros” que não deveriam existir, e que são passíveis de eliminação mecânica.

Apesar disso, a abordagem tem sido de mais envenenamento da população. De acordo com a nota, “em 2014 foi introduzido na água de beber das populações nos domicílios e nas vias públicas um novo larvicida: o Pyriproxyfen. (…) que age por desregulação endócrina e é teratogênico e inibe a formação do inseto adulto.” De acordo com a legislação brasileira, essas características impediriam um agrotóxicos de uso agrícola de ser registrado. O Ministério da Saúde está preconizando o uso de larvicida diretamente nos carros-pipas que distribuem água nas regiões do Agreste e Sertão do Nordeste.

Os GTs da Abrasco destacam ainda que diversos produtos utilizados no controle vetorial do Aedes aegypty, como o Fenitrothion, Malathion e Temephós vem sendo estudados desde 1998, no Departamento de Química Fundamental da UFPE e mostram ter efeitos potencialmente carcinogênicos para humanos.

Há ainda a denúncia de que os fornecedores deste venenos são os mesmos cartéis de empresas produtoras de agrotóxicos que operam na agricultura.

A nota técnica conclui com 13 reivindicações, sendo a primeira e principal a “Imediata revisão do modelo de controle vetorial. O foco deve ser a ELIMINAÇÃO DO CRIADOURO e não o mosquito como centro da ação; com a suspensão do uso de produtos químicos e adoção de métodos mecânicos de limpeza e de saneamento ambiental. Nos reservatórios de água de beber utilizar medidas de limpeza e proteção da qualidade da água e garantia de sua potabilidade”.

A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida apoia os GTs da Abrasco nesta iniciativa e exige o fim imediato do envenenamento da população pobre do Brasil.

Leia a nota completa: https://www.abrasco.org.br/site/2016/02/nota-tecnica-sobre-microcefalia-e-doencas-vetoriais-relacionadas-ao-aedes-aegypti-os-perigos-das-abordagens-com-larvicidas-e-nebulizacoes-quimicas-fumace/