Sentindo o clima ruim, Jorge Picciani devolve pacote para Pezão e empurra confronto com servidores para 2017

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Segundo o que informou no início da tarde desta 6a. feira a jornalista Berenice Seara, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Jorge Picciani (PMDB), decidiu retornar as medidas mais duras contra os servidores públicos para o (des) governador Luiz Fernando Pezão (Aqui!).

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Quem conhece minimamente a forma de agir de Jorge Picciani já sabe que esta devolução não se deve a nenhum tipo de simpatia com os servidores públicos. É que ao longo de todos os seus diversos mandatos, Picciani só agiu para avançar o processo de privatização do Estado, sendo inclusive um beneficiário indireto da farra fiscal iniciada por Sérgio Cabral e continuada por Pezão.

As razões básicas para este retorno são essencialmente duas. A primeira é que o desgaste do (des) governo Pezão é tamanho que nem sua própria base dentro da Alerj está disposta a arcar com o ônus do desgaste que a aprovação do pacote de Maldades vai acarretar. A segunda e essencial para entendermos o que levou Picciani a devolver o pacote para Pezão é o fato de queo (des) governo do Rio de Janeiro está negociando um alívio da dívida estadual com o governo “de facto” de Michel Temer com regras ainda mais lesivas aos interesses dos servidores públicos. Assim,  Picciani irá deixar todo o ônus político dos inevitáveis conflitos que ocorrerão no colo do (des) governador Pezão.

Há ainda que se lembrar que existe um movimento crescente dentro da Alerj para que se faça o impeachment de Luiz Fernando Pezão. E eu desconfio que esse movimento se tornará irreversível após a assinatura de Pezão no acordo com a União para protelar o pagamento da dívida pública. Depois disso Pezão se tornará descartável, permitindo algum tipo de manobra que o deponha e com ele levando para casa o ônus dos ataques que serão feitos aos servidores estaduais.

Por isso tudo é essencial que os servidores e seus sindicatos e associações não se distraiam com o retorno do pacote para as mãos de Pezão. E, sim, que se preparem bem para os dutos embates que virão em 2017.

 

Sob a batuta de Gustavo Barbosa, (des) governo Pezão transforma servidores e aposentados em meros joguetes

No dia 20 de Julho previ que se o Sr. Gustavo Barbosa repetisse na Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) a performance que teve no RioPrevidência, o Rio de Janeiro iria estar totalmente frito e falido (Aqui!).

Pois bem, passados quase 5 meses da minha previsão, eis que o Sr. Gustavo Barbosa informou ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Jorge Picciani (PMDB), que só concluirá o pagamento do mês de Novembro no dia 20 de Janeiro de 2017 (Aqui!).

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A notícia é tão ruim e potencialmente causadora de forte ebulição no conjunto dos servidores que a Alerj anunciou que vai transferir dos dois projetos que mais atingem o bolso dos servidores para a próxima segunda-feira (19/12).  A intenção dessa transferência é aparentemente causar divisões dentro dos servidores para ganhar fôlego para depois passar literalmente o rodo em salários e pensões.

Agora, uma coisa que está ficando algo como um óbvio ululante é que o (des) governo Pezão transformou os servidores e aposentados em joguetes nas diferentes negociações que está travando para se salvar financeira e politicamente.

O preço dessa política de aprisionamento dos salários  é deixar quase 500 mil servidores (da ativa e aposentados) numa condição de verdadeiros párias sociais, ao mesmo tempo em que aplica um forte arrocho salarial. Em suma, o (des) governo Pezão aposta na política do quanto pior, melhor. Resta ver como vão reagir os servidores e suas famílias.

Semana de protestos na Alerj para barrar pacote de Maldades do (des) governo Pezão

A semana que se inicia promete novos capítulos no enfrentamento que os servidores públicos do Rio de Janeiro estão realizando com o (des) governo e sua base parlamentar na Assembleia Legislativa estadual (Alerj).

É que as duas medidas que mais atingem os salários vão ser votadas na próxima 4a. feira (14/12), mas isto não impediu que um grande ato de protesto tenha sido convocado para esta segunda-feira.

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Um (des) governo tão enrolado em graves denúncias como o comandado por Luiz Fernando Pezão não deveria ter a mínima chance de emplacar medidas tão impopulares. Mas uma base parlamentar dócil e pragmática, e sempre disposta a aprovar o que vem do Palácio Guanabara, acaba dispensando o apoio popular que Pezão não tem. Por isso, a mobilização massiva que os servidores vem fazendo tem sido fundamental para barrar, ainda que parcialmene, o pacote de Maldades de Pezão. Por isso, até agora 11 das 22 medidas enviadas inicialmente já foram rejeitadas ou retornadas para o Palácio Guanabara.

É por saber de seu isolamento político, e que foi agravado pelas denúncias feitas pela Odebrecht de que recebeu vantagens indevidas em contratos públicos, que Pezão enviou hoje um grande contingente policial para cercar a Alerj (ver imagens abaixo).

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A questão será saber se mesmo com toda esse contigente postado na frente da Alerj, os deputados se sentirão inclinados a apoiar um (des) governante que está tão claramente enrolado com a justiça. 

Para colocar ainda mais combustível nessa situação, o (des) governo Pezão não consegue sequer informar quando começará a pagar os salários de quase metade dos servidores do executivo. Já a outra metade, incluindo os policiais militares, talvez (notem que eu disse talvez) apenas na próxima semana.

 

Uma grande família: Picciani nomeou ex-mulher de Sérgio Cabral como sua chefe de gabinete na Alerj

Em tempos de revelações bombásticas sobre como as elites políticas brasileiras tratam as esferas de governo como uma extensão das suas relações familiares, o site UOL publicou hoje (10/12) uma matéria produzida pelo “O ESTADO DE SÃO PAULO” dando conta que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Jorge Picciani (PMDB), nomeou a ex-esposa do ex (des) governador  Sérgio Cabral como sua chefe de gabinete  (Aqui!).

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Suzana Neves Cabral é uma pessoa não apenas bem relacionada como de parentes famosos. Além de ex-esposa de Sérgio Cabral, ela é mãe do secretáro estadual de Esportes, Marco Antonio Cabral,  e prima de Aècio Neves.  Aliás, Suzana Cabral é também prima do atual vice (des) governador do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, de quem foi assessora por oito anos no Senado Federal!

Mas voltando ao que interessa, pelo seu cargo na Alerj,  Suzana Cabral recebe R$ 17.650,51 brutos, o qu lhe rende a bagatela líquida de R$ 13.651,48. Apenas à guisa de comparação, após quase 18 anos como professor com doutorado, e  concursado com regime de Dedicação Exclusiva na Universidade Estadual do Norte Fluminesne (Uenf), estando no topo da carreira de Associado, o meu salário líquido é 30% menor daquele recebido por Suzan Cabral. E ao contrário dela que segundo a reportagem não exerce as funções pelas quais é paga, eu compareço ao meu local de trabalho religiosamente desde que entrei na Uenf. E também ao contrário dela que está com seus salários pagos em dia, eu ainda não sei quando receberei o meu salário de Novembro!

Por último, a reportagem lembra ainda que Suzana Cabral também já foi arrolada como recebedora de propinas obtidas pelo grupo de Sérgio Cabral .

E depois ainda aparecem os representantes do (des) governo Pezão para dizer que os culpados pela quebra do estado do Rio de Janeiro são os servidores públicos e pensionistas e aposentados do RioPrevidência!

O uso de igreja pela PM para bombardear servidores escancara fraqueza do (des) governo Pezão

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Esqueçamos por um minuto a crise institucional instalada em Brasília pela recusa de Renan Calheiros (PMDB/AL) em atender uma decisão liminar do Supremo Tribunal Federal para vacar o cargo de presidente do Senado Federal, e dirijamos nossa atenção ao sofrido estado do Rio de Janeiro, mais precisamente na Assembleia Legislativa e seus arredores. 

É que hoje começaram as votações do chamado Pacote de Maldades do (des) governo Pezão que tenta empurrar para as costas dos servidores e da população o ônus de anos de farra fiscal e apropriação ilegal de recursos públicos.

Pois bem, em meio á grotesca repressão policial que tentou afogar em gás o protesto realizado por servidores públicos, uma cena serviu para escancarar a crise de legitmidade em que se encontra o (des) governador Luiz Fernando Pezão e seu séquito de (des) secretários com super salários. Falo do uso das dependências da Igreja de São José, que fica ao lado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), para de lá atirar balas de borracha e jogar bombas de efeito moral nos manifestantes que se encontravam do outro lado da rua (ver imagens abaixo).

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Tendo frequentado inúmeras manifestações políticas que ocorreram nos anos finais do regime militar de 1964 na mesma área da cidade do Rio de Janeiro, não me recordo de ter presenciado a invasão de uma igreja por forças policiais para dali atirar em manifestantes.

Mas convenhamos, esse show de truculência com o uso de uma igreja é algo que só poderia mesmo acontecer no (des) governo Pezão. É que a crise é tão grande que se está lançando mão das medidas mais absurdas para conter uma oposição que, convenhamos, não chega a ser tão grande assim.

Por isso, eu reafirmo que toda essa violência expressa, ainda que contraditoriamente, o nível de fragilidade em que o (des) governo Pezão se encontra. Isso é tão evidente que mesmo tendo maioria absoluta dentro da Alerj, o (des) governo Pezão foi derrotado na única votação importante do dia que era, pasmemos todos, o fim dos super salários que alguns (des) secretários recebem, ultrapassando o teto constitucional, e queriam continuar recebendo.

A verdade é que a crise política e financeira do Rio de Janeiro tem causas que nada tem a ver com os salários, aposentadorias e pensões dos servidores públicos. E, voltando a Brasília, o Rio de Janeiro parece ter se tornado uma espécie de oráculo sobre o que está por vir no plano nacional. Resta saber quem aqui vai receber o cutelo do STF e quando.

(Des) governo Pezão rima com repressão

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O vídeo abaixo mostra cenas em andamento no início da tarde desta 3a. feira (06/12) na frente da sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro onde começa a ser votado o chamado “Pacote de Maldades” do (des) governo Pezão.

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Este vídeo não existe

E que ninguém se engane com Pezão e sua carona de bonachão. Para impor o sucateamento do Estado e sua política de privatização, ele usará cada vez mais intensamente da repressão para intimidar os servidores e a população.

Tampouco há que se deixar enganar com a maioria dos deputados estaduais que vão votar sim a favor do Pacote de Maldades, pois eles dependem dos diversos tipos de favores, a começar pela nomeação de cargos comissionados, que são garantidos pelo executivo em troca de seus votos.

O único caminho para derrotar esse (des) governo é o que está sendo construído pelos servidores estaduais que estão hoje na Alerj enfrentando a repressão policial.

Com 5 anos de atraso, vem por aí a CPI da farra fiscal

Para se provar que ser minoritário na política implica em ser coadjuvante de malfeitos, a banca do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) conseguiu não apenas arranjar as 27 assinaturas necessárias para a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)  para investigar a farra fiscal promovida pelos (des) governo de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, como também arrancou o compromisso do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Jorge Picciani (PMDB), de que a mesma será instalada (ver nota publicada pela jornalista Berenice Seara sobre o assunto  (Aqui!).

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Mas antes que se ache que a batalha está ganha, vamos a alguns fatos. O primeiro é que o PSOL tenta emplacar essa CPI desde 2011, e só conseguiu agora pelo desmoronamento das estruturas de poder que eram mantidas principalmente por Sérgio Cabral. Mas instalar será diferente de conseguir funcionar. É que até fevereiro poderemos ter uma reorganização da base do (des) governo do Rio de Janeiro, e aí as dificuldades dentro da Alerj voltarão a ser praticamente intransponíveis.

O segundo fato que deverá gerar fortes obstáculos ao funcionamento desta CPI é que os agentes interessados em que a farra fiscal continue são muitos e poderosos, começando pela Federação de Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Mas além da Firjan, várias outras entidades patronais que não querem nem ouvir falar da interrupção do fluxo livre de dinheiro público para as empresas que elas representam. Desta forma, é bem provável que venhamos a assistir uma forte e bem organizada campanha publicitária em prol da continuidade da farra fiscal.

Um terceiro e poderoso fato que joga contra o correto funcionamento desta  CPI tem a ver com a provável concessão do que eu venho chamando de “generosidades” com base no dinheiro dos contribuintes para empresas que não deveriam estar recebendo um centavo sequer, começando pelo fato de serem devedoras ativas. Além disso, como muitas empresas beneficiárias também aparecem como doadoras de campanhas eleitorais dos vários partidos que deram sustentação financeira às campanhas eleitorais de  Sérgio Cabral e Pezão também não será surpresa se pressões ocorrerem para que não se chegue aos beneficiados e aos valores que receberam. 

Porém, todos esses fatos não anulam a importância da instalação e pleno funcionamento de uma CPI tão aguardada pela população do Rio de Janeiro. È que já passou da hora dessa farra com o dinheiro do contribuinte ser passada a limpo.  E, mais ainda, que garantido o seu funcionamento há que se exigir que todos os valores concedidos de forma ilegal sejam retornados aos cofres públicos. Não há nenhuma razão para que aceitemos que empresas sejam inundadas com dinheiro público, enquanto escolas, universidades e hospitais sejam abandonados ao Deus dará.

Agora, que ninguém se iluda, a CPI da Farra Fiscal só funcionará a termo se houver mobilização popular que pressione a Alerj para que isto ocorra. Do contrário, fevereiro vai chegar e tudo voltará a ser como dantes no quartel do Picciani.

Berenice Seara em dois tempos

A jornalista Berenice Seara deu hoje duas notas que refletem aspectos que eu já mostrei hoje no meu blog ( ver reproduções abaixo).

A primeira se refere ao pânico que estaria grassando nos deputados da base governista na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro com a prisão do ex (des) secretário Wilson Carlos, o homem por onde tudo passava nos dois mandatos do agora aprisionado Sérgio Cabral. Já a segunda nota se refere à menção feita pelo juiz que decidiu pela prisão do (des) governador Sérgio Cabral sobre uma suposta lacuna fiscalizatória que existiu nos últimos 10 anos em relação aos atos realizados pelo (des) governo do Rio de Janeiro.

Em relação a Wilson Carlos, o pânico é mais do que compreensível, pois está demonstrado por fatos repetido que no mundo pós-Lava Jato, os delatores cumprem seus processos de expiação de forma relativamente indolor. E Wilson Carlos certamente já sabe disso. No tocante ao puxão de orelhas dado no Ministério Público Estadual, ainda que possa ser compreensível, eu diria que não é todo justo. É que muitos dos supostos malfeitos de Sérgio Cabral estavam também na esfera federal, e tampouco assistimos uma ação rápida e direta sobre os fatos que brotavam como cogumelos surgem em pastagens nos dias de chuva. Em outras palavras, pode ser o roto falando do esfarrapado, e o sujo do mal lavado.

O massacre dos servidores só acentua a fraqueza do (des) governo Pezão

Como era mais do que previsto, as escadarias do Palácio Tiradentes (sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) foram palco no final da manhã  e início da tarde desta 4a. feira (16/11) de uma forte ação repressiva por parte da Polícia Militar contra servidores públicos que foram ali protestar contra o arrocho salarial promovido pelo (des) governo Pezão (ver cenas abaixo).

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Ainda que prevista, essa repressão é acima de tudo mais uma prova de fraqueza do que de força. O próprio (des) governador Pezão mostrou claramente que sua posição é de fraqueza ao anunciar um recuo na proposta de taxar os servidores da ativa e aposentados em 16% e 30%. E é sempre bom lembrar que essa proposta representava 40% do que seria recolhido pelo tesouro estadual! Ao recuar de forma preventiva, o que o (des) governador fez foi explicitar a condição frágil em que seu (des) governo se encontra.

Para piorar, enquanto toda a repressão está sendo praticada na frente da Alerj, o (des) governo Pezão ainda não depositou a primeira das sete parcelas dos salários devidos ainda em relação ao mês de Outubro. Essa demora deverá alimentar ainda mais a revolta que grassa em amplos setores do funcionalismo estadual.

Ah, sim, uma palavra sobre a cerca que teria colocada no entorno da Alerj pela mesma empresa que construiu a Ciclovia Tim Maia. Alguém se surpreende que tenha caído tão fácil? Eu não!