Isto aqui não é o Brasil, nem Rio de Janeiro!

Esquerda argentina barra a reforma da previdência de Macri

Por André Augusto , Natal | @AcierAndy

Depois de uma longa jornada que começou cedo na Argentina, contra a tentativa de votação da reforma da Previdência proposta pelo governo contra os aposentados, os trabalhadores mobilizados conseguiram um triunfo importante pela luta: barraram a votação da reforma da previdência, impondo uma enorme derrota política ao governo de Mauricio Macri.

Com um bloqueio de rua organizado pelo Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) – organização irmã do MRT, e parte da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – e o sindicalismo combativo, assim como ações de luta em todo o país que se enfrentaram contra forte repressão policial, que seguiu pela tarde com uma grande manifestação ao redor do Congresso Nacional militarizado pelo governo (com a mesma polícia que assassinou Santiago Maldonado), o governo Macri foi obrigado a cancelar a sessão que votaria a reforma da Previdência.

A legitimidade eleitoral conquistada pela direita nas eleições – que aconteceram há menos de 2 meses – recebeu um golpe de magnitude pelo caráter reacionário da reforma da previdência e a resistência que provocou.

Na Argentina, como no Brasil, o governo federal busca roubar milhões de trabalhadores atacando a previdência social, especialmente dos aposentados. No Brasil, nos enfrentamos contra a proposta de reforma da Previdência de Temer, e por isso é sumamente importante assimilar os métodos com os quais os trabalhadores argentinos fizeram a direita engolir sua reforma (não em vão, Lênin em 1902 sugeria que os trabalhadores de um determinado país devem assimilar as experiências mais avançadas do movimento operário internacional, para aperfeiçoar sua luta e irmaná-la).


Operativo policial no centro de Buenos Aires

Em primeiro lugar, algumas condições se assemelham: no Brasil como na Argentina, as direções sindicais majoritárias são parte de verdadeiras burocracias operárias – “trincheiras” da burguesia no interior do movimento operário, diria Gramsci – e operam para desorganizar, desmobilizar e desmoralizar a luta independente dos trabalhadores contra a ofensiva dos capitalistas. No Brasil vimos isso no decorrer de 2017, com a traição da Força Sindical, UGT, CUT e CTB à greve geral do 30 de junho, e à greve nacional do 5/12. Na Argentina, a CGT (Confederação Geral do Trabalho) não moveu um dedo para organizar a luta que ontem foi capaz de barrar a votação da reforma da previdência.

Ao contrário do que dizia a Folha de S. Paulo acerca da “mobilização convocada pelas centrais sindicais argentinas”, o certo é que a sessão da Câmara dos Deputados foi cancelada pela mobilização que expressou o repúdio de massas ao ataque aos aposentados, apesar da paralisia completa das centrais sindicais burocráticas.


Capa da Folha sobre os enfrentamentos da esquerda argentina que barraram a reforma da previdência

O que permitiu, então, uma jornada como a de ontem? A existência de uma esquerda revolucionária de combate, com inserção no movimento operário. O PTS e o sindicalismo combativo agrupado no Movimento de Agrupações Classistas (MAC), junto a outras organizações que são parte da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT), estiveram na linha de frente do enfrentamento contra a repressão de Macri aos que denunciavam o roubo da reforma da previdência. Antecipando-se à votação, com mobilizações prévias, e cercando o Congresso Nacional antes da sessão, a esquerda argentina – que tem como grandes referentes o deputado federal Nicolás del Caño (PTS) e a legisladora de Buenos Aires, Myriam Bregman (PTS) – aceitou a batalha e se preparou com antecedência para desafiar nas ruas as intenções do governo ajustador.

Houve enfrentamentos em distintos lugares do país, em diversos estados em que a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores possui importantes posições parlamentares e utiliza essas bancadas a serviço do desenvolvimento da luta extraparlamentar dos trabalhadores – algo quase incompreensível para a esquerda brasileira. Essa intervenção do PTS nas cidades e províncias teve ampla cobertura da mídia nacional (ver aqui)

A esquerda revolucionária na Argentina mostra que não é necessário ficar esperando a suposta “unidade das centrais” para se mobilizar. Exigir um plano de luta dos sindicatos não significa ficar de braços cruzados. É preciso que os partidos de esquerda se coloquem de corpo na luta de classes para impor a mais ampla frente única operária contra as reformas, exigindo assim dos sindicatos um plano de luta sério. A atuação do PTS contrasta com a situação no Brasil, em que a esquerda não busca construir um polo antiburocrático que tenha mais força para fazer esse tipo de exigência de frente única aos sindicatos; ao contrário, praticamente não criticam as grandes centrais sindicais.

Em segundo lugar, uma lição muito importante para o Brasil: essa intervenção da classe trabalhadora argentina, encabeçada pela esquerda, mostrou que o resultado favorável que a direita conseguiu nas urnas não significou uma alteração da relação de forças social. Ou seja, ao contrário dos que acreditavam que os ajustes de Macri teriam “terreno livre” para avançar, a luta de classes mostrou que não, que uma vez organizadas, a raiva popular contra os ajustes poderia ser canalizada em uma força esmagadora contra os capitalistas e seus políticos.

No Brasil de Temer a coisa não é distinta. Existe uma enorme energia represada das massas capaz de, se posta em movimento, destruir as reformas trabalhista, da previdência e todas as medidas antipopulares do governo golpista. As centrais sindicais majoritárias servem de contenção dessa energia, sendo as mais traidoras a Força e a UGT; mas também o PT – que dirige a CUT e influencia a CTB (PCdoB) – alimenta um sentimento de desmoralização nos trabalhadores, para que estes não vislumbrem com audácia a derrubada das reformas através do combate, e ao mesmo tempo assume o papel de “vítima” para projetar-se eleitoralmente.

Aos que estão contra o autoritarismo judiciário e com as reformas reacionárias, restaria resignar-se a votar em Lula ou seu “indicado”, tendo de engolir os ajustes neoliberais que nos farão trabalhar até morrer. Sempre em defesa da estabilidade, da governabilidade e da institucionalidade burguesas, o compromisso do PT em primeiro lugar é com a ordem dessa “democracia dos ricos”.

É preciso superar esta tradição petista e dar passos concretos, imediatos, para a construção de uma alternativa política independente, anticapitalista e socialista dos trabalhadores. Podemos também mostrar no Brasil que a relação de forças social não permite um “cheque em branco” aos ataques da direita e dos capitalistas. Como prova o exemplo argentino – inúmeras vezes, como quando freou a implementação da reforma trabalhista com a enorme luta da fábrica PepsiCo – é que apenas os métodos da luta de classes podem frear as políticas dos fenômenos à direita que atravessam a América Latina.


Movimento de Agrupações Classistas (MAC) às portas do Congresso Nacional

O tempo é essencial na política, e entendemos a política como luta de classes. Temer está buscando votos nos próximos meses para aprovar a “nova previdência”, um ataque brutal contra milhões de trabalhadores. A grande pergunta é: daqui a até o dia 19/02 as centrais sindicais vão organizar um plano de luta efetivo pela base? Ou vai manter a passiva palavra de ordem “se colocar pra votar, o Brasil vai parar” deixando os trabalhadores sem preparação nenhuma pra enfrentar essa verdadeira guerra?

Nicolás del Caño, em rede nacional (C5N)

Myriam Bregman

Essa grande demonstração de forças dos trabalhadores argentinos serve de grande lição para nós no Brasil: não é com manobras e negociação das centrais sindicais traidoras que vamos enfrentar a reforma da Previdência de Temer e Meirelles; é com a força da classe trabalhadora organizada nas ruas, com seus próprios métodos de luta de classes, que pode fazer o governo engolir essa reforma e enterrar a nefasta reforma trabalhista. A esquerda brasileira precisa assimilar a experiência da esquerda argentina, cessar sua coexistência pacífica com a burocracia sindical (contida na fórmula “esperemos a unidade das centrais”) e batalhar para ser um polo anti-burocrático ativo na luta de classes pra impor as centrais uma mobilização e plano de luta de verdade.

FONTE: http://www.esquerdadiario.com.br/Esquerda-argentina-barra-a-reforma-da-previdencia-de-Macri

Don´t cry for me Argentina

O dia de ontem foi de fortíssimos enfrentamentos na cidade de Buenos Aires: de um lado as forças policiais fortemente armadas e de outro trabalhadores e aposentados liderados pela Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT). O motivo da batalha campal do lado de fora do congresso argentino foi a tentativa do governo do presidente Maurício Macri de promover uma tunga semelhantes à pretendida por Michel Temer nas aposentadorias dos trabalhadores brasileiros (ver abaixo reprodução da capa de hoje do Página 12 [1].

argentina reforma

Os duros enfrentamentos dentro e fora do congresso argentino acabaram forçando a postergação da análise das propostas do governo Macri para impor uma espécie de reforma grega ao sistema de aposentadorias da Argentina.

Mas mais do que forçar o recuo do governo Macri, os acontecimentos de ontem em Buenos Aires reforçam algo que os partidos da esquerda parlamentar e a maioria dos centrais sindicais brasileira teimam em negar. É que mesmo em face da mais dura repressão, os trabalhadores argentinos atuaram de forma decisiva para impedir o saque das aposentadorias pretendido pelo governo Macri. 

Essa lição vinda da Argentina é tão poderosa que não há nada sobre os enfrentamentos de ontem nos principais veículos da mídia corporativa brasileira e internacional. Este cobertor de silêncio visa impedir a disseminação do dado exemplo dado pelos trabalhadores argentinos.

O que aconteceu ontem em Buenos Aires tem sim importantes contribuições para o debate em torno do que os trabalhadores brasileiros vão ter de fazer para impedir que a contrarreforma da previdência do governo “de facto” de Michel Temer seja finalmente aprovada em Fevereiro de 2019. E o caminho apontado pelos trabalhadores argentinos é claro: enfrentar de forma organizada quem deseja retirar direitos conquistados a duros penas, ainda que sob forte repressão policial. 

Mas por hoje há que se agradecer à disposição de luta dos trabalhadores argentino.  É que ele nos deram a lição de que em face de ataques violentos contra direitos, o único caminho é a resistência nas ruas.


[1] https://www.pagina12.com.ar/

El País faz matéria que expõe o papel da monocultura da soja nas inundações na América do Sul

Desmatamento para plantio de soja contribui para inundações na América do Sul

O El Niño não explica por si só as enchentes que deixaram mais de 160.000 desabrigados no Paraguai, Argentina, Brasil e Uruguai

ALEJANDRO REBOSSIO

O fenômeno do El Niño trouxe mais chuvas que o habitual ao sul da América Latina, mas por si só não explica as enchentes que deixaram mais de 160.000 desabrigados no Paraguai, Argentina, Brasil e Uruguai. A mudança climática torna mais extremo o fenômeno que causou o transbordamento nos rios Paraguai, Paraná e Uruguai, entre outros, mas há mais razões por trás.

MACRI
O presidente argentino, Mauricio Macri, observa os bairros alagados na cidade de Concórdia. EFE

Diversos especialistas atribuem a gravidade das inundações ao desmatamento ocorrido nos últimos anos no Paraguai, sul do Brasil e norte da Argentina para o cultivo de soja transgênica. O ouro verde geneticamente modificado oferecia alta rentabilidade durante os anos de bonança das matérias-primas, entre 2002 e 2014, além de suportar as elevadas temperaturas da região, antes coberta de matas nativas. “O aumento das precipitações e a significativa perda de cobertura florestal na Argentina, Brasil e Paraguai, que figuram entre os 10 países com maior desmatamento no mundo, não permitiu a absorção natural da água”, alertou o Greenpeace em um documento.

O coordenador da campanha de florestas dessa organização ambientalista na Argentina, Hernán Giardini, explica: “Além de concentrar uma biodiversidade considerável, as matas e selvas desempenham um papel fundamental na regulação climática, na preservação das nascentes e cursos d’água e na conservação dos solos. São nossa esponja natural e nosso guarda-chuva protetor. Quando perdemos matas nos tornamos mais vulneráveis às chuvas intensas e corremos sérios riscos de inundações”. Só restam 7% da superfície original de matas da Mata Paranaense ou Missionária, atravessada pelos rios o Uruguai, Paraná e Iguazú, segundo o Greenpeace. “No Paraguai e no Brasil foi praticamente destruída, a maior parte remanescente se encontra na Argentina”, acrescenta a organização ambientalista.

Efeitos do El Niño

“O El Niño é um fenômeno cíclico, faz parte da natureza, mas seus efeitos podem ser agravados pelo desmatamento”, opina Benjamín Grassi, professor de meteorologia da Universidade Nacional de Assunção. “O desmatamento retira a proteção do solo. O tipo de precipitação que temos é torrencial, e muita água em pouco tempo afeta muito um solo nu, porque permite que a água escorra facilmente e danifique estradas, cultivos”, acrescenta Grassi.

Na Argentina, as inundações atingem a região limítrofe com o Paraguai, Brasil e Uruguai, mas também a província central de Córdoba, onde se reiteram as recriminações à soja. “A problemática não está necessariamente vinculada à precipitação pluvial, mas à ascensão dos lençóis freáticos”, afirma o ministro de Água e Ambiente de Córdoba, Fabián López. “Como consequência de diversas políticas agropecuárias, os cultivos de inverno deixaram de ser desenvolvidos, semeou-se menos milho, trigo e alfafa, e mais soja. Isso gerou um desequilíbrio hídrico, nos últimos anos o lençol freático subiu significativamente e está a poucos centímetros do solo”, descreveu o ministro López. Nesses países que produzem metade da soja de todo o mundo, a oleaginosa não trouxe só bonança.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/28/internacional/1451335126_237090.html?id_externo_rsoc=Fb_CM

Mídia corporativa joga todas as moedas em Aécio Neves. O que querem em troca?

O período que se abriu após o final do primeiro turno das eleições presidenciais trouxe o compromisso escancarado de grandes, médios e pequenos grupos da imprensa corporativa em prol da vitória de Aécio Neves. O que temos visto nos jornalões e jornalecos é de deixar qualquer professor de cursos de comunicação social coçando a cabeça tal a parcialidade e torcida escancarada dos proprietários e asseclas da maioria destes veículos.

Aliás, se não fosse pela blogosfera, Aécio Neves já teria entrado na fila de canonização do Vaticano, enquanto Dilma Rousseff já teria sido encaminhada para a fogueira de Tomás de Torquemada.

Mas há alguma surpresa nisso? Como não conheço nenhum órgão da imprensa corporativa que seja propriedade dos trabalhadores não vejo surpresa alguma. Agora, o problema é que os governos do PT alimentaram a maioria dos que hoje jogam pedras na sua vidraça com bilhões de reais dos contribuintes, de norte a sul do Brasil. Tivessem os governos Lula e Dilma parado de injetar dinheiro nesses supostos órgãos de informação, a maioria já teria falido para o bem da liberdade de expressão no Brasil, diga-se de passagem. 

Melhor fez Cristina Kirchner que impôs a chamada “Lei de Medios”  para quebrar o monopólio da informação, acabando com a mamata do Grupo Clarín. No Brasil, quanto antes tivermos algo assim, melhor será para a nossa claudicante democracia. Mas pelo momento, que se corte as verbas publicitárias dessa gente. Vamos ver como eles se virariam.

Áreas com transgênico e agrotóxico têm maior taxa de câncer, aponta relatório

Pessoas expostas a venenos estão mais propensas a sofrer câncer e danos genéticos

Por Darío Aranda, Do Página/12

O Ministério da Saúde de Córdoba divulgou um extenso relatório sobre o câncer na província. Trata-se da sistematização de cinco anos de informação, entre outros parâmetros, que pôde determinar os casos geograficamente. A particularidade que causou maior alarme é: a maior taxa de falecimentos é produzida na chamada “pampa gringa”, área com maior índice de utilização de transgênicos e agrotóxicos. E onde a taxa de falecimentos duplica em relação a média nacional. “Confirmou-se mais uma vez o que denunciamos há anos e principalmente o que denunciam os médicos dos povoados afetados pela agricultura industrial”, afirmou o médico e integrante da Rede Universitária de Ambiente e Saúde (Reduas), Medardo Avila Vázquez. Exigem-se agora medidas imediatas para proteger a população.

A pesquisa oficial em formato de livro intitulado “Informe sobre o Câncer em Córdoba 2004-2009”, elaborado pelo Registro Provincial de Tumores e pela Direção Geral de Estatística e Censo, foi apresentado na Legislatura pelo ministro da Saúde, Francisco Fortuna, e pelo diretor do Instituto do Câncer Provincial, Martín Alonso.

O parâmetro internacional é calculado pelo número de falecimento em cada 100 mil habitantes. A média provincial é de 158 mortes em cada 100 mil habitantes e, em Córdoba Capital, é de 134,8. Contudo, quatro municípios da província de Córdoba estão muito acima desses índices: Marcos Juárez (229,8), Presidente Roque Sáenz Peña (228,4), Unión (217,4) e San Justo (216,8). É a chamada “pampa gringa”, região emblemática do agronegócio de Córdoba.

De acordo com a Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (parte da Organização Mundial da Saúde), em seu último levantamento de 2012 a mortalidade na Argentina é de 115,13. A metade dos falecimentos que ocorrem em Marcos Juárez (229,8).

Fernando Mañas é doutor em Biologia e faz parte do Grupo Genética e Mutações Genéticas Ambiental da Universidade Nacional do Río Cuarto, que pesquisa o efeito dos agrotóxicos. Mañas não acredita que seja uma coincidência o mapa do câncer justamente nas regiões agrícolas: “Existe a evidência de elevados níveis de danos genéticos em ambientes de Marcos Juárez, que podem ser devidos a uma exposição involuntária a agrotóxicos”.

Os pesquisadores do Río Cuarto estudam há oito anos os povoados de Córdoba e confirmaram, com quinze publicações científicas, que as pessoas expostas a agrotóxicos sofrem com danos genéticos e são mais propensas a sofrer com o câncer. Mañas lembrou que em Marcos Juárez detectou-se glifosato (e seu principal produto de degradação, AMPA) em lagos, solos e inclusive na água da chuva.

A pesquisa do governo de Córdoba orienta o mapa do câncer através de grupos pelo nível de falecimentos. A “pampa gringa” (toda esta província) está em primeiro lugar. O segundo grupo é correspondente aos municípios Río Cuarto, General San Martín, Juárez Celman, Tercero Arriba e General Roca. Os falecimentos vão de 180 a 201 em cada 100 mil habitantes, taxas que superam a média provincial e nacional. Este segundo extrato também tem a particularidade de se dedicar à agricultura industrial.

O governo provincial destacou as estatísticas globais de incidência (novos casos) e as comparou com outros países (em que a província mantém-se na média), também apresentou a estratificação por idade e sexo, e a localizações dos tumores. Deixou em um segundo plano a vinculação entre alta mortalidade e áreas agropecuárias. Em Córdoba existe um grande debate devido à instalação da Monsanto na região das Malvinas Argentinas.

Damián Verzeñassi é médico e docente de Saúde Socioambiental da Faculdade de Ciências Médicas de Rosário. É um dos responsáveis pelo “Acampamento da Saúde”, uma instância educativa que permite com que dezenas de estudantes do último ano do curso de Medicina permaneçam em uma localidade durante uma semana para realizarem um mapeamento sanitário. “O estudo de Córdoba coincide com os dezoito levantamentos que realizamos em localidades da agricultura industrial. O câncer disparou nos últimos quinze anos”, afirmou Verzeñassi.

O docente universitário questionou o discurso governamental e empresarial. “Seguem exigindo estudos sobre algo que já está provado e não tomam medidas urgentes de proteção à população. Há muitas evidências de que o modelo agropecuário tem consequências para a saúde, estamos falando de um modelo de produção que é um enorme problema de saúde pública”, reclamou.

Avila Vázquez, da Rede Universitária de Ambiente e Saúde, detalhou uma dezena de estudos científicos que provam a vinculação entre agrotóxicos e o câncer, e também enumerou três dezenas de povoados onde registros oficiais confirmam o aumento da enfermidade: Brinkmann, Noetinger, Hernando (Córdoba) e San Salvador (Entre Ríos), entre outros. “As empresas de tabaco negavam a vinculação entre o ato de fumar e o câncer, foram necessárias décadas para que reconhecessem a verdade. As corporações de transgênicos e agrotóxicos são iguais às tabacarias, mentem e privilegiam seus negócios em relação à saúde da população”, denunciou Avila Vázquez, e solicitou como medidas iniciais urgentes: proibir as pulverizações aéreas; que não sejam realizadas aplicações terrestres a menos de mil metros das casas e a proibição de depósitos de agrotóxicos e máquinas pulverizadas nas regiões urbanas.

FONTE: http://www.pagina12.com.ar/diario/sociedad/3-249175-2014-06-23.html

Argentina desobedece à FIFA e reclama as Malvinas  

Os jogadores da seleção de futebol da Argentina aproveitaram o último jogo antes do Mundial do Brasil para lembrar ao mundo que o conflito pela posse das ilhas Malvinas continua bem vivo.

Apesar da FIFA proibir mensagens políticas, os jogadores argentinos mostraram ao mundo que as Malvinas são argentinas.

“As Malvinas são argentinas”, dizia a faixa que os jogadores mostraram antes do início do jogo com a Eslovénia este sábado. Apesar da proibição que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) determinou sobre quaisquer mensagens políticas em jogos de futebol, a Argentina não quis deixar de aproveitar a oportunidade para recordar que as ilhas, ocupadas pelos britânicos há quase 180 anos, lhes pertencem.

Esta não é a primeira vez que atletas argentinos fazem passar a mesma mensagem em eventos desportivos internacionais. O portal Los Andes recorda que em 2012, a delegação olímpica preparou uma ação semelhante para os Jogos Olímpicos de Londres, mas foi dissuadida pelo Comité Olímpico Internacional, que também proíbe as mensagens políticas. Quem esteve ausente da cerimónia de abertura das Olimpíadas de Londres foi a presidente Cristina Kirchner, que fez regressar o tema das Malvinas à agenda política, ameaçando as empresas petrolíferas com sanções penais caso operem nas Malvinas sem autorização governamental.

Meses antes dos Jogos Olímpicos de Londres, o  governo de Buenos Aires relançou a polémica com um anúncio de televisão com um atleta olímpico argentino a treinar nas Malvinas e a mensagem final: “Para competir em solo inglês, treinamos em solo argentino”.

FONTE: http://www.esquerda.net/artigo/argentina-desobedece-fifa-e-reclama-malvinas/32977