Relatório do TsuLama: painel de experts chega a respostas desagradáveis para os contratantes

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A Mineradora Samarco e suas proprietárias (as mineradoras Vale e BHP Billiton) acabam de liberar um extenso relatório produzido por um painel de especialistas em reservatórios de rejeitos que foi contratado para elencar as possíveis causas do rompimento do reservatório de Fundão no dia 05 de Novembro de 2017 no município de Mariana (MG).

O documento intitulado “Report on the Immediate Causes of the Failure of the Fundão Dam” (ou em bom em português “Relatório sobre as causas imediatas da ruptura do Reservatório de Fundão”)  é assinado por Norbert R. Morgenstern (Chair), Steven G. Vick
Cássio B. Viotti e Bryan D. Watts.

É importante notar que as mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton contrataram este painel de especialistas com um mandato bastante estrito a partir de questões bastante focados que foram basicamente as seguintes: 1. por que o derramamento de rejeitos ocorreu, 2. por que o derramamento oocorreu no local onde se o evento se deu, e 3. por que o derramament ocorreu no momento e mque se deu?

A partir daí, o que fica claro é que todos os outros aspectos relativos ao pós-TsuLama ficaram de fora da análise desses especialistas todos os aspectos ambientais e sociais que decorreram do evento. Essa é para mim seria uma saída bastante conveniente para quem quer se livrar das responsabilidades por ter causado o maior desastre da área da mineração nos últimos 300 anos em todo o mundo!

Entretanto, mesmo com um mandato tão estreito e restrito ao processo de rompimento do reservatório de Fundão, os especialistas acabaram chegando a um cojunto de conclusões que trazem consequências potencialmente desagradáveis para as mineradoras. É que apesar de terem incluído até o misterioso terremoto que teria ocorrido no mesmo dia do rompimento do reservatório, o máximo que os especialistas puderem dizer foi que o evento sísmico pode ter apenas contribuído para acelerar o inevitável. 

Outro aspecto bastante interessante das conclusões dos especialistas é sobre o que tornou o rompimento de Fundão inevitável. Nesse caso, apesar de apontarem para a boa qualidade do “design” do reservatório, os especialistas apontaram que a forma de uso e manejo do reservatório contribuiu diretamente para o rompimento. Em outras palavras, a culpa das mineradoras está explícita num relatório que elas mesmas encomendaram!

Para quem quiser ter acesso a este relatório, basta clicar Aqui!. E, sim, o texto está disponível apenas em inglês e certamente não por acaso!

BHP Billiton, co-proprietária da Samarco, tem perdas bilionárias

Em um artigo publicado hoje no site World Socialist Web, o articulista Mike Head analisou as causas das perdas de cerca de 6,4 bilhões de dólares da mineradora BHP Billiton para o ano fiscal 2015/2016 (Aqui!). Estas perdas são bastante significativas e colocam a mineradora  no segundo pior posto de perdas econômicas entre as empresas australianas listadas em bolsas de valores.

Este resultado se mostra ainda mais dramático se for comparado com o resultado obtido pela BHP Billiton no ano fiscal 2010/2011 quando a empresa alcançou um lucro astronômico de 21,7 bilhões de dólares!

Entre as causas principais desse resultado desastroso foram arroladas a retração no processo de commodities minerais após 2011 e o desastre da Mineradora Samarco em Novembro de 2015 na cidade de Mariana (MG). O papel do incidente ambiental da Samarco é claramente expressivo na má fortuna que se abateu sobre a BHP Billiton, visto que  7,7 bilhões de dólares tiveram que ser alocados para cobrir, entre coisas, as reparações que terão ser pagas no Brasil. 

Como outras mineradoras, a BHP Billiton se tornou diretamente dependente das demandas oriundas do mercado chinês, o que se provou ser uma grande fragilidade quando o apetite da China por commodities minerais arrefeceu.

Para responder a essa crise, a BHP Billiton está tomando o mesmo rumo que qualquer corporação toma quando tempos difíceis aparecem: venda de ativos, redução de investimentos e demissão de trabalhadores. No caso das demissões, a BHP Billiton está estimando que irá demitir em torno de 17,000 trabalhadores, sendo que apenas na Samarco são esperadas 1,200 demissões.

Diante deste quadro todo, as expectativas de retomada das atividades da Samarco que já estavam complicadas agora certamente vão ficar ainda mais complicadas.

 

Atingidos pela Samarco no Vale do Aço sofrem com descaso da empresa

Doenças, morte de animais e a lentidão para recebimento de direitos são denunciadas durante Mutirão de Trabalho de Base

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Areeiros sem nenhuma proteção retiram areia do Rio Doce

Após nove meses do crime em Mariana, cidades atingidas pela Samarco no Vale do Aço mineiro estão sofrendo com a contaminação do Rio Doce. Em algumas cidades a população está consumindo a água com metais pesados. As denúncias não cessam. São várias as doenças de pele que surgem nas pessoas em contato com a água e animais que estão morrendo por estarem consumindo o recurso hídrico.

Atingidos do distrito de Cachoeira Escura, na cidade de Belo Oriente (MG), continuam dragando a água do Rio Doce para retirar areia, sem nenhuma instrução da empresa ou equipamentos de proteção. Como se não bastasse, pedreiros de cidades vizinhas, que usam dessa areia para trabalho, apresentam manchas e feridas na pele.

Na cidade de Naque (MG), muitos pescadores não foram sequer reconhecidos como atingidos pela Samarco. A empresa proibiu a pesca no rio Santo Antônio, afluente do Rio Doce, e não apresentou medidas paliativas para os atingidos. A proibição seria para a recuperação do rio contaminado com a lama tóxica.

Alergias, coceiras e dores estomacais são comuns depois do contato com a água do Rio Doce

Na zona rural de Naque, animais morreram ou ficaram doentes depois de beberem a água do rio. Antes do Rio Doce ficar impróprio para consumo, criações de porcos, gado e galinhas se alimentavam soltos. Hoje, ficam presos e o gasto com compra de ração aumentou. Os pequenos produtores andam quilômetros para buscar água em um brejo para dar aos animais.

Animais estão doentes e morrem depois de beberem água do Rio Doce

“Não estão nos deixando pescar, não nos dão o cartão com o salário. Nossos animais já estão passando fome, daqui uns dias somos nós”, disse Murilo Silva, atingido que até hoje não recebeu nenhuma “visita” da Samarco.

Atingido perdeu posto de trabalho. 

Em São Lourenço, distrito de Bugre (MG), a maioria das famílias é ribeirinhas, quase todos pescavam e/ou plantavam, seja para comercialização, seja para consumo próprio. Muitos perderam animais que ingeriram água do rio ou se alimentaram dos peixes mortos, que na época do rompimento da barragem, se amontoavam na beira do rio. Outro problema apresentado pelos moradores é que a água que eles consomem é retirada de um poço muito próximo ao rio e não recebe nenhum tipo de tratamento. Eles temem que ele também possa ter sido contaminado.

A Samarco, porém, não reconhece os moradores de São Lourenço como atingidos, menos de dez pessoas da localidade recebem a verba de manutenção. Em reunião realizada pela empresa a mesma se recusou até em fazer a análise da água do poço e ainda faltou com o respeito com os presentes.

Os moradores de São Lourenço também utilizavam o rio como lazer, alternativa de água quando faltava e também para transporte. É que o distrito se encontra muito próximo à Cachoeira Escura, basta atravessar o rio de balsa. Inclusive, a maioria das pessoas estuda e trabalha do outro lado do rio. Porém, com a chegada da lama, a balsa ficou dias parada, causando prejuízo para muitos trabalhadores e estudantes. No dia 11 de agosto a balsa parou novamente: encalhou devido o baixíssimo nível de água no rio Doce.

Homens tentam desatolar balsa no rio

Estas denúncias foram feitas durante o Mutirão de Trabalho de Base que o Movimento dos Atingidos por Barragens realiza em toda a extensão da bacia do Rio Doce. “Eu vim do Paraná ver com meus próprios olhos o resultado do crime da Samarco, pois a mídia não mostra. O que aparece é o problema resolvido. Fiquei surpreendido com a real situação. Estas cidades estão a quilômetros da barragem. São muitas pessoas  sofrendo as consequências da negligência da empresa”, afirma Marcelo militante do Movimento dos Atingidos por Barragens do Paraná. 

FONTE: http://www.mabnacional.org.br/noticia/atingidos-pela-samarco-no-vale-do-sofrem-com-descaso-da-empresa

Ecos do Tsulama: Justiça suspende todas as licenças ambientais da Samarco

Quase 10 meses após a erupção do TsuLama, a justiça de Minas Gerais decidiu suspender todas as licenças ambientais da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton), o que poderá representar um forte obstáculo à retomada das atividades nas minas que a joint venture possui em Mariana (MG).

Essa informação acaba de ser publicada pelo jornal Folha de São Paulo  (Aqui!) que, por sua vez, repercute uma matéria produzida pela agência Reuters (ver reprodução parcial abaixo).

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A decisão da justiça de Minas Gerais implica ainda na necessidade de que a Samarco refaça o processo licenciamento para operar na área onde ocorreu o maior desastre mundial da mineração nos últimos 300 anos. Como continuo recebendo informações de que a situação em Bento Rodrigues está longe de se retornar ao normal já que a Samarco ainda não estabeleceu planos de mitigação e construtoras de estruturas de proteção para evitar novos incidentes como o ocorrido no dia 05 de Novembro de 2015. Em função, os habitantes daquela área estão muito preocupados com a estação chuvosa que se aproxima rapidamente.

Em função desse novo desdobramento, não vou ficar surpreso se a BHP Billiton decidir encerrar sua participação na Samarco, não apenas para diminuir as suas perdas financeiras mas, principalmente, na sua imagem de mineradora preocupada com a boa governança ambiental.

Agora, lamentável mesmo é a demora para que a justiça tome essa medida e outras medidas. A verdade é que até agora os únicos que perderam foram os habitantes da bacia hidrográfica do Rio Doce que tiveram suas vidas reviradas e, em muitos casos, terminadas as suas atividades básicas de sobrevivência como no caso dos pescadores de Regência.

TsuLama: 9 meses de impunidade para a Vale e a BHP Billiton

Coincidência ingrata maior seria impossível. Enquanto hoje é aberto o megaevento bilionário do Comitê Olímpico Internacional (COI) na cidade do Rio de  Janeiro, os moradores das comunidades atingidas pelo TsuLama da Samarco (Vale + BHP Billiton) sofrem com uma inteira gestação de descaso e impunidade dos responsáveis pelo maior incidente ambiental em escala mundial da mineração nos últimos 300 anos!

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Não esquecer desse megadesastre é uma obrigação, especialmente num país onde as corporações mineradoras continuam reinando livremente. Se não for cobrada a devida responsabilidade da Vale e da BHP Billiton, uma coisa é certa: outros tsulamas virão! E o reservatório de Candonga está ai para nos lembrar dos riscos que persistem.

TsuLama: ainda impune pelo incidente de Novembro, Samarco faz planos para voltar a utilizar a barragem de Fundão

O jornal Folha de São Paulo publicou uma matéria assinada pelo jornalista José Marques que tem tudo para transformar numa prova cabal de que a Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) tem completa e total certeza de sua impunidade (Aqui!).

Chamo atenção abaixo, usando imagem da matéria, para mostrar que as mineradoras Vale e BHP Billiton, que são efetivamente as donas da Samarco, vem se valendo de todo tipo de estratégia para não conter o vazamento da barragem rompida em 05 de Novembro de 2015, enquanto fazem planos para voltar a despejar rejeitos de suas atividades de mineração em seu interior. De quebra, ficamos sabendo que o governo de Minas Gerais sabia das obras que resultaram no rompimento da barragem do Fundão.

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A questão que fica evidente a partir da leitura desta reportagem é de que as mineradoras continuam tocando seus negócios como o TsuLama nunca tivesse existido, e fazem planos para lucrar imensamente com a desgraça dos moradores de Bento Rodrigues.

E para quem pensa que a situação da Samarco é uma exceção na situação das barragens de rejeitos de mineração no Brasil, melhor pensar de novo. É que segundo reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico e assinada pelo jornalista pelo jornalista Murillo Camaratoo,  72% das barragens consideradas em condição de maior risco “sequer foram fiscalizadas pelo poder público nos últimos quatro anos“, e que o montante fiscalizado não chega nem a 50% dos reservatórios existentes no território nacional (Aqui!). (ver gráfico abaixo).

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E para piorar todo o prospecto socioambiental em torno das atividade de mineração, temos no congresso uma proposta que precariza ainda mais o chamado “Código de Mineração”, e abra caminho para uma ação ainda mais deletéria das mineradoras. É como se o TsuLama nunca tivesse existido, e o que importa é abrir ainda mais o caminho para suas múltiplas repetições.

Enquanto isso, os rejeitos continuam fluindo para o Rio Doce e a expectativa é de que uma estação chuvosa forte faça o desastre de Novembro parecer apenas um ensaio.  Enquanto isso, a Samarco e a Vale continuam divulgando suas propagandas bonitas para demonstrar um compromisso com a sociedade que não resiste a uma visita a Bento Rodrigues. 

Rede que defende atingidos da Anglo American mostra que moradores de regiões de próximas de barragens de rejeitos da mineradora temem repetição de Mariana

Comunidades rurais não confiam em sistema de alerta de barragem de rejeitos da mineradora Anglo-American

 “Não queremos ser mais uma Bento Rodrigues”   e  “queremos dormir sem precisar sair correndo sem rumo” foi a resposta dos moradores da comunidade e São José do Jassém, município de Alvorada de Minas, à proposta de um sistema de segurança para uma barragem de rejeitos da mineradora Anglo American na reunião ocorrida dia 27 de julho de 2016. O plano visa a instalação de uma sirene e rotas de fuga para facilitar o resgate dos moradores rurais localizados abaixo do empreendimento. O volume desta barragem será de 380 milhões de metros cúbicos, seis vezes maior do que a da Fundão da SAMARCO (Vale, BHP Billiton) no município Mariana, Minas Gerais, que rompeu em novembro de 2015, retirando 19 vidas, deixando centenas famílias desabrigadas e um lastro de destruição ao longo de mais de 600 km no Vale do Rio Doce.

 Um agravante no caso da barragem da Anglo American é o fato que existem, além da Comunidade de Jassém, os povoados Água Quente e Passa Sete, município de Conceição do Mato Dentro,  na área de risco imediato do empreendimento. Desde 2008 , com o início da instalação do empreendimento minerário, estas comunidades sofrem com a degradação e poluição que impossibilitou o consumo da água do Córrego Passa Sete e tornou a comunidade dependente do caminhão pipa. Já em 2014 – antes de finalizado licenciamento ambiental – o vazamento de produtos químicos da barragem de rejeitos provocou a morte de alguns bezerros que tomaram da água contaminada e de todos os peixes do Córrego Passa Sete que atravessa os povoados.

 Na reunião, os moradores também denunciaram outras violações das quais são vítimas nos últimos anos, tais como a intimidação através de seguranças da empresa mineradora que procura criminalizá-los pela retirada de lenha nas imediações do distrito do Jassém e outros usos tradicionais do rio que jamais configuraram uma ameaça ao ecossistema como as atividades devastadoras da mineradora.

Em relação à instalação da sirene pretendida pela Anglo American os representantes da comunidade Jassém criticam a política de informação e a relação com a comunidade adotada pela empresa, já que a mineradora tentou impedir que as outras comunidades supracitadas fossem  convidadas para a reunião ocorrida no dia 27 de julho. Além disso, a comunidade manifestou o seu interesse em conhecer os estudos que indicam o tempo de deslocamento da lama desde a barragem até cada uma das comunidades, em caso de rompimento, dados não informados pela empresa.

A ineficiência da instalação da sirene para garantir a segurança da comunidade que possui distribuição dispersa das moradias e dos estabelecimentos rurais, a presença de escolas, assim como o grande número de idosos e crianças, que, freqüentemente, ficam sozinhas nas suas casas foi apenas um dos argumentos utilizados pela população para repudiar a medida proposta pela mineradora. Indignados, os moradores exclamaram frases como  “sirene não é alternativa de segurança”, “sirene é para bandido” e “não queremos ser tratados como ratos de laboratório”. O único meio para evitar a exposição ao risco de uma catástrofe ainda maior do que em Mariana será o reassentamento da comunidade. Entretanto, esta alternativa foi prontamente rechaçada pela mineradora sob a justificativa vaga de “que esta hipótese não está prevista pela empresa”.

A postura da Anglo American mostra, de acordo com os moradores e seus apoiadores, que as mineradoras ainda não estão dispostas a aprender a lição do desastre tecnológico causado pela SAMARCO, que configura um cenário de crime ambiental e homicídio doloso causado pela negligência calculada na busca de diminuição de custos. Trata-se de uma forma de racismo ambiental em que os lucros dos acionistas valem mais do que as vidas das populações rurais tradicionais. Cabe lembrar que o caso da SAMARCO é apenas o mais grave de uma série de oito rompimentos de barragens em Minas Gerais, causando inúmeros danos ambientais e vítimas fatais.

REAJA- REDE DE ARTICULAÇÃO E JUSTIÇA AMBIENTAL DOS ATINGIDOS PELO PROJETO MINAS-RIO DA ANGLO AMERICAN

 
 

TsuLama e as chances desperdiçadas de evitar o agravamento dos seus danos

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O jornal O Tempo publicou hoje um duro editorial sob o título de “Jogo de empurra” (Aqui!) sobre a situação de extrema gravidade que está se avizinhando com a proximidade do período chuvoso na região de Mariana onde está depositada parte significativa dos rejeitos que escaparam do reservatório do Fundão da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) (ver imagem abaixo).

Editorial O Tempo

Deveria parecer incrível (mas a estas alturas nada que cerca este caso pode ser considerado assim) que após quase 9 meses da erupção do TsuLama ainda não tenham sido estabelecidas estruturas de contenção para o derrame dos rejeitos na calha do Rio Doce. Mas tais estruturas não só não foram construídas, como agora as donas da Samarco (Vale e BHP Billiton) ainda têm o displante de aparecer com uma proposta que implica na transformação do que restou do Distrito de Bento Rodrigues num depósito permanente de rejeitos.

Em outras palavras, a construção de um dique servirá para definitivamente tornar o crime ambiental cometido pelas mineradoras num grande negócio para elas mesmas. Enquanto isso, os moradores de Bento Rodrigues e os proprietários rurais que existem ao longo do caminho dos rejeitos em peões de um jogo de xadrez onde só as corporações podem ganhar.

Samarco quer transformar crime ambiental em grande negócio, mas só para seus donos

Em matéria assinada pelo jornalista José Marques, enviado especial do jornal Folha de São Paulo em Mariana (MG) ficamos sabendo que a Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) que literalmente transformar o crime ambiental de 05 de Novembro de 2015 em um grande negócio (Aqui!).

samarcoÉ que tendo mais de 8 meses para estabelecer mecanismos que contivessem o aporte de seus rejeitos tóxicos nos rios que chegam ao Rio Doce, a Samarco agora quer simplesmente construir um dique cujos resultados serão inundar parte do Distrito de Bento Rodrigues e encobrir um muro histórico construído no Século XVIII.

A matéria mostra que esse dique é, na verdade, a forma mais barata que a Samarco quer impor para não ter que estabelecer estruturas que, apesar de mais caras, poderiam oferecer saídas mais efetivas e sem tanto dano para Bento Rodrigues. E, pasmemos todos, não há garantia de que será efetivo na contenção dos rejeitos que ainda vazam da barragem do Fundão no pico da estação chuvosa que se inicia em Outubro!

Há que se ressaltar que uma das desconfianças que emergiram dos depoimentos dados por moradores de Bento Rodrigues é de que, dado a disposição mostrada ao longo dos anos pela Samarco para comprar as suas terras, o incidente ambiental de 5 de Novembro acabou sendo um grande negócio para as mineradoras Vale e BHP Billiton que são as donas da empresa. Afinal, se livraram de um volume gigantesco de rejeitos sem ter comprar terras ou reassentar os moradores de Bento Rodrigues.

A construção desse dique parece ser a cereja no bolo de lama da Samarco.

Matéria do Wall Street Journal aborda TsuLama e aponta claramente para a culpa das mineradoras

Em uma matéria assinada pelo jornalista Paul Kiernan, o Wall Street Journal tratou de forma bem explícita as descobertas da Polícia Federal sobre as causas do TsuLama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) (Aqui!). E a coisa fica explicita logo no título e subtítulo do artigo  da matéria (ver figura abaixo).

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É que enquanto o título diz “Polícia brasileira afirma que a joint venture da BHP e Vale é culpada pelo desastre do reservatório”, o subtítulo termina o trabalho dizendo que “Investigadores dizem a Mineradora Samarco sabia dos problemas do reservatório por anos antes de sua ruptura”.  Depois disso, são oferecidos parte dos mesmos detalhes já apresentados na mídia brasileira.

Entretanto, uma fala do delegado Roger Lima de Moura  para mim expressa uma ênfase que difere da cobertura dada no Brasil. É que segundo ele, a barragem de Fundão estava “doente, e que seus constantes problemas, obrigavam a realização continua de reparos“. Em outras palavras, o TsuLama sempre foi uma questão de tempo, e que sua ocorrência em 5 de Novembro era esperada pelas responsáveis das mineradoras que informações suficientes para impedir a sua ocorrência, e optaram por não fazê-lo.

Um efeito desta matéria é complicar a situação das três mineradoras no mercado de ações, já que o Wall Street Journal é um daqueles veículos que são acessados por investidores e por operadores de mercado para determinar quais empresas estão em condições saudáveis o suficiente para que tenham suas ações adquiridas.  E essa é para mim uma ironia, pois todo o esforço feito para diminuir custos e aumentar a lucratividade das ações (o que consequentemente atrai mais compradores) agora vai água abaixo com as revelações contidas na matéria assinada por Paul Kienan.