Denúncias diretas de corrupção finalmente alcançam o (des) governador Luiz Fernando Pezão

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A mídia corporativa está estampando notícias que deverão tirar o pouco de sono que ainda restava ao (des) governador Pezão, pois finalmente emergem informações de que ele teria participação direta no grande esquema de corrupção liderado pelo hoje presidiário e seu mentor político, Sérgio Cabral Filho (Aqui!Aqui!Aqui!).

Apesar dessas notícias apenas confirmarem o que já circulava nos corredores do poder e também nas redações da mídia corporativa, a publicação dessas matérias aponta no sentido de que a situação do (des) governador Pezão que era ruim passou para virtualmente insustentável.

O fato é que até agora Pezão fazia cara de paisagem frente à montanha de evidências de que era impossível que ele estivesse “puro” no meio do lamaçal em que o (des) governo do Rio de Janeiro foi transformado a partir da chegada de Sérgio Cabral ao Palácio Guanabara, já tinha experimentado um sério abalo com a condução coercitiva do seu secretário de governo Affonso Monnerat e do presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), para depor na Polícia Federal.

Agora, com as revelações de detalhes da delação do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado, Jonas Lopes Filho que o (des) governador Pezão participou de reuniões para “azeitar”  o esquema de pagamento de propinas,  o enredo se complica (ou como diria William Shakespeare, “the plot tickens”) para o ainda (des) governador Luiz Fernando Pezão.  É que, em função das informações detalhadas prestadas pelo ex-presidente do TCE,  Pezão agora vai ter que se explicar. Só não se sabe se para a imprensa ou para o juiz Marcelo Bretas.

Esta situação toda sinaliza que a condição desesperadora em se encontram quase metade dos servidores estaduais e aposentados ainda vai se agravar antes de melhorar. É que no meio desse caos todo, a “boa vontade”  que o (des) governador Pezão tentou costurar em Brasília simplesmente não vai ocorrer na velocidade em que ele gostaria. Afinal, quem vai querer colocar a assinatura em documentos que ajudariam a tirar um político que acaba de ter a cabeça entregue numa bandeja de prata por um mega delator como Jonas Lopes Filho?

(Des) governador Pezão é o “highlander” da era Cabral?

Quem é mais antigo como eu lembra da estréia em 1986 do filme “Highlander, o guerreiro imortal” que tinha o ator Christopher Lambert no papel do guerreiro escocês imortal Connor Mac Leod. O enredo do filme era simples e sangrento, pois Mac Leod era um imortal que tinha que se digladiar com outros nessa mesma condição, até que no final só sobrasse um.

Pois bem, essa parece ser uma situação que está sendo costurada para o ainda (des) governador Luiz Fernando Pezão que teve mais uma denúncia contra si  com um pedido de arquivamento pela Procuradoria Geral da República por falta de provas (Aqui!). A questão é que essa denúncia já tinha tido um pedido anterior de arquivamento, mas onde também se livraram do processo o ex (des) governador Sérgio Cabral e o ex (des) secretário Régis Fitchner que, dessa vez, não escaparam. 

Em outras palavras, agora temos mais um poderoso membro da trupe de Sérgio Cabral, Régis Fitchner, enrolado com os processos sendo conduzidos pelo juiz Sérgio Moro, pois é para lá que este caso, o da corrupção em contratos relacionados à Construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ), deverá ser enviado.

E assim, se olharmos todos os membros da cúpula do (des) governo Cabral veremos que o (des) governador Pezão ainda é um dos poucos, senão o único, que ainda se encontra incólume na chuva de processos que estão ocorrendo por causa de múltiplos casos de corrupção que já foram comprovados. Ou seja, tal como o “Highlander”, Pezão poderá ser o último a ficar em pé e manter a cabeça sobre o pescoço.  Ou não.

A delação do marqueteiro pode explicar pressa do (des) governo Pezão

O jornalista Lauro Jardim traz hoje a informação de que o marqueteiro Renato Pereira, responsável pelas campanhas eleitorias de Sérgio Cabral, Eduardo Paes, e Luiz Fernando Pezão está em processo de negociação de sua delação premiada com a chamada Operação Lava Jato (Aqui!).

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Essa informação pode explicar toda a pressa com que o (des) governador Luiz Fernando Pezão vinha tratando o fechamento de um acordo de arrocho fiscal com o presidente “de facto” Michel Temer e seu ministro/banqueiro Henrique Meirelles.

É que se essa delação realmente ocorrer é bem provável que os dias do (des) governador Pezão no Palácio Guanbara estarão irremediavelmente contados. É que segundo o site “Btasil 247”, Renato Pereira iria entregar o número da conta usada pelo (des) governador Pezão no exterior (Aqui!).

De qualquer maneira, o simples vazamento desse suposto acordo já criará dificuldades para Luiz Fernando Pezão na Assmbleia Legislativa do Rio de Janeiro, na medida em que os deputados de sua própria base poderão adotar a posição pragmática de cortar laços políticos para minimizar as eventuais consequências dessa delação.

Agora, com a divulgação desta nota de Lauro Jardim, é provável que a pressa seja ainda maior. É que se não conseguir impor o arrocho nos servidores e a privatização da CEDAE, a utilidade do (des) governo Pezão será mínima. Dai que…..

E o título de traíra mór vai para…..

Faz tempo que eu não me deixo levar pelas falas do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Aliás, desde a inexplicável reforma da previdência que ele ordenou e fez aprovar logo no início do seu primeiro mandato. De lá para cá, sempre me mantive distante da adoração que parte da população lhe concede e da adulação que muitos lhe conferiam.

Dito isso, eu fico imaginando como é que o ex-presidente Lula se sente hoje ao lembrar da foto abaixo onde posava todo faceiro em um grupo de amigos que na última década praticamente acabou com o estado do Rio de Janeiro, e fortemente turbinado por recursos federais. 

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É claro que estou falando do quarteto formado por Pezão, Pedro Paulo, Sérgio Cabral e Eduardo Paes. E é claro que o destaque do dia é para a inseparável dupla Eduardo Paes e Pedro Paulo: o primeiro por liberar o seu secretário para ir votar em Brasília pelo impeachment de Dilma Rousseff, e o segundo por ter feito isso. Em suma, o suprassumo da trairagem.

Mas quer saber, a escolha de amigos traíras quem fez foi o  ex-presidente Lula. Ele que se entenda com eles.

 

Os custos irrecuperáveis da destruição da Uenf

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Estou na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) desde janeiro de 1998. Ao longo de 18 anos eu nunca vi uma situação tão calamitosa na instituição. Estamos sob a ameaça de cortes de serviços essenciais como água e eletricidade, e já não temos acesso a serviços telefônicos desde fevereiro.

O custo de colocar as contas da Uenf em dia, R$ 11 milhões, é um pingo de água num orçamento anual de quase R$ 80 bilhões.  Assim, não é o valor das contas que emperra que o (des) governo do Rio de Janeiro faça a liquidação das dívidas acumuladas. 

Então qual é a razão de se colocar um patrimônio inestimável como a Uenf sob risco de fechar? A decisão tem que ser política, e bem calculada.  Uma possibilidade é realizar a privatização parcial da Uenf sob o argumento de que o Estado não possui a necessária capacidade de financiamento.

Esta posição é desmentida pelos bilionárias isenções fiscais que foram concedidas desde a chegada de Sérgio Cabral ao Palácio Guanabara. Em um relatório, técnicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) estimaram que o total dessas benesses chegou a R$ 138 bilhões, sem que se tenha notícia de um retorno mínimo aos cofres estaduais por parte das empresas beneficiadas.

Mas voltando à Uenf,  a instituição vem demonstrando ao longo de seus poucos mais de 22 anos de existência que o dinheiro investido em seu financiamento dá um retorno excelente. Aqui não falo apenas da formação de recursos humanos em nível de graduação e pós-graduação, mas principalmente no desenvolvimento de conhecimento científico que, lamentavelmente, os ocupantes do Palácio Guanabara preferem ignorar.

À luz do caos instalado na Uenf pelo (des) governo comandado por Sérgio Cabral/Pezão/Francisco Dornelles, há que se apontar que os custos do desmantelamento da universidade trará custos irreparáveis para o futuro do Norte Fluminense. Mas ainda há tempo de se reagir.  Mas a reação demorar um pouco demais, a Ampla e a Águas do Paraíba vão cortar os serviços e os danos irreparáveis se tornarão realidade. A ver!

Sob o escudo da crise, Pezão quer congelar salários dos servidores para avançar a terceirização

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Estou entre aqueles que acham que a alardeada crise financeira do estado do Rio de Janeiro é um tanto seletiva. De um lado, temos concessões fiscais bilionárias e gastos vultosos com a terceirização de setores inteiros do serviço público e, de outro, uma dura perseguição aos servidores concursados e a precarização do que ainda de resto de público nos serviços essenciais.

Agora, o (des) governador Luiz Fernando Pezão, sabedor que não poder terceirizar todo o serviço público em seu mandato, achou uma fórmula “genial” para forçar a saída de milhares de servidores, principalmente aqueles com maiores possibilidades de serem atraídos por outros governos ou até mesmo a iniciativa privada. É que no seu “pacote de maldades” recentemente enviado para apreciação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro está, como mostra em sua coluna de hoje o jornalista Fernando Molica, o congelamento dos servidores públicos do Rio de Janeiro.

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Antes que eu me esqueça, quero lembrar que o Rio de Janeiro é o estado que menos gasta percentualmente com salários de servidores públicos, e um dos que mais gasta com a terceirização de serviços.

Pezão e seus secretários sabem muito dessa realidade de pauperização salarial a que os servidores vêm sendo submetidos nas últimas décadas, especialmente após a entrada do PMDB no Palácio Guanabara. Mas a “crise” está oferecendo uma chance de ouro para que a agenda neoliberal de encolhimento do Estado e de ataques aos direitos dos trabalhadores seja efetuada sob a fanfarra da mídia corporativa.

Mas que ninguém deixe se enganar. O problema financeira no Rio de Janeiro existe, e não vai diminuir se esse congelamento vergonhoso de salários for aprovado. É que na raiz da pindaíba que o Rio de Janeiro estão as bilionárias e insustentáveis isenções fiscais, muitas para financiadores da campanha eleitoral da dupla Cabral/Pezão, bem como a tomada de porções inteiras da máquina do Estado.  Em outras palavras, a culpa da pindaíba é da privatização que os recursos públicos estão sofrendo pelas mãos do PMDB sob a batuta de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

Agora se Pezão acha que não haver resistência, ele está enganado. Tanto que uma nova manifestação de servidores públicos já está marcada para o início de março. E lá o foco não vão ser apenas os salários atrasados, mas também,  e principalmente, a tentativa que Pezão esta fazendo de destruir o serviço público do Rio de Janeiro.

Matéria do El País mostra situação crítica do Hospital Universitário da UERJ

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A mídia internacional continua dando um baila de informações na sua contrapartida nacional em termos de oferecer informações detalhadas da pindaíba em que se encontra o Rio de Janeiro por conta do desastroso (des) governo de Luiz Fernando Pezão.

A matéria abaixo mostra a situação de caos que impera no Hospital Universitário Pedro Ernesto  (Hupe) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) que hoje se encontra virtualmente paralisado por faltas de condições básicas de funcionamento.

Mas preciso a jornalista María Martín se dar ao trabalho de comparecer ao Hupe munida provavelmente de papel, caneta e um telefone celular com câmera fotográfica para que saibamos a profundidade do abismo em que um dos maiores hospitais públicos do Rio de Janeiro foi metido.

E frise-se que o Hupe está a uma distância mínima do Estádio do Maracanã que deverá ser utilizado para os jogos de futebol dos Jogos Olímpicos de 2016. Imaginemos então o que anda se passando com outros hospitais públicos – municipais e estaduais- que não ficarão próximos da rota dos jogos!

Enquanto isso, a Cervejaria Petrópolis e a Ambev são beneficiárias de isenções fiscais milionárias. E é essa a cara do (des) governo Pezão que a mídia corporativa do Rio de Janeiro não quer mostrar!

Radiografia de um hospital em crise

Uma volta pelo Hospital Pedro Ernesto mostra a pior face da crise na saúde do Rio

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Corredor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio. M. Martín

Por MARÍA MARTÍN

No dia em que não consegue levar sua própria agulha ao hospital, Jorge Pereira, de 54 anos, sabe que lhe espera um procedimento longo e doloroso. Jorge convive há quatro anos com os rins e o fígado transplantados e hoje depende de um tratamento semanal para retirar líquidos do seu abdômen. “Os hospitais deixaram de comprar agulhas tão grandes porque são mais caras, mas as pequenas, depois de determinada quantidade de líquido, se dobram e tem que trocar. Assim acabo furado até cinco vezes”, lamenta na recepção do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

A crise nos hospitais do Rio chegou a um limite em que os pacientes levam as fraldas e as agulhas de casa. O Pedro Ernesto, referência em radioterapia e quimioterapia, maternidade de alto risco, cirurgia cardíaca, hemodiálises e transplantes, funciona hoje na precariedade. O principal problema é que os serviços de limpeza, lavanderia, manutenção, segurança e cozinha deixaram de funcionar regularmente porque os funcionários terceirizados, que ganham pouco mais que um salário mínimo, não recebem há dois meses. Assim, as lâmpadas que quebram não são trocadas, os aparelhos médicos não são consertados, as pias ficam entupidas, os banheiros, sujos e as lixeiras, cheias.

À falta de pagamento do Estado, que reconhece dever 1,4 bilhão ao sistema de saúde e arrasta uma media de atraso nos pagamentos às empresas de até quatro meses, somam-se os atrasos da Prefeitura, denuncia a diretoria do hospital. Ela é responsável por depositar cerca de 20% do orçamento do centro, repassado a ela pelo SUS, e que corresponde aos procedimentos realizados pelo centro. “A justificativa é que os recursos estão sendo destinados às emergências dos hospitais municipais [sobrecarregadas com as dificuldades dos centros estaduais]”, afirma o diretor Edmar Santos, recém empossado. A Prefeitura, que não informa das datas específicas de quando os repasses devem ser feitos, afirma que os pagamentos estão “dentro do cronograma”.

el pais 2Lixo em uma das enfermarias do hospital.

É com esse dinheiro, cerca 3,5 milhões de reais mensais, que se compram os insumos, hoje em falta na enfermaria de doenças infecciosas, onde não há fraldas, à de pediatria, onde não há gazes esterilizadas para fazer curativos. Uma lista na central de distribuição de material do centro já avisa no balcão: “Não há: fraldas, torneirinhas [que permitem a infusão intravenosa de várias soluções], Transofix [dispositivo para mistura de medicamentos em frascos], Jelco [cateteres], Nasodrem [para o tratamento da sinusites], lâminas de bisturi, coletor fechado [de urina]…” “Sempre vivemos momentos cíclicos em que falta alguma coisa, mas chegar a zerar as gazes é chegarmos a uma situação limite”, explica uma das responsáveis pelo serviço de enfermaria.

Os tapumes para tampar algumas janelas, goteiras, sacos de lixo em algumas esquinas e falta de manutenção geral de paredes e do sistema elétrico e hidráulico revelam que a crise não é de hoje. “Isto já vem acontecendo há anos, mas a situação hoje é crítica”, revela um veterano doutor. “Esse hospital, por ser universitário, tem que ter um tratamento diferente dentro do poder público, e ele, apesar de ser referência da rede, está sendo tratado como mais um centro”, reclama seu diretor.

el pais 3Jorge Pereira, de 54 anos, traz as próprias agulhas de casa.

Nos corredores, a calma se estende enquanto o hospital se esvazia. O centro, que conta com cerca de 480 médicos, 380 enfermeiros e mais de 1.100 técnicos de enfermagem, resolveu suspender no sábado novas internações. As cerca de 25 cirurgias realizadas por dia também foram canceladas na sexta-feira, porque o teto desabou devido à infiltração da chuva. Nenhum aparelho foi danificado, mas, sem faxineiras, a limpeza das salas estava sendo feita só nesta quinta-feira, quase uma semana depois. Os professores e doutores chegaram a discutir a possibilidade de eles limparem para retomar os procedimentos, mas finalmente a empresa responsável pelo serviço enviou funcionários de fora do hospital. “Está todo contaminado, vamos demorar muito mais em acondicionar todo de novo”, lamentavam os técnicos de enfermagem na correria do mutirão de limpeza. Não há previsão para voltar à normalidade e a sala de cirurgias, se for possível funcionar na semana que vem, será apenas para procedimentos de urgência.

Sem receber, a auxiliar de serviços gerais Ana Lucia Alla dos Santos resolveu formar parte da escala de serviços mínimos que atende o hospital, enquanto muitos dos seus colegas, como já fizeram no mês de setembro também por falta de pagamento, estão na entrada de braços cruzados ou com um microfone na mão reclamando seus direitos. Ela faz o básico, recolhe o lixo, passa um paninho, mas não limpa as paredes do banheiro nem lava o chão. Tem 59 anos e recebe 980 reais por mês. “Estou devendo o aluguel, a luz e já cortaram meu celular”, lamenta Ana Lucia, que diz não ter recebido o salário de dezembro, nem metade do décimo terceiro. “Eu tive essa consideração com os pacientes, mas isto não pode continuara assim”.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/21/politica/1453410402_869229.html