Campos dos Goytacazes e a fome que ronda por suas ruas: o terrorismo fiscal não será a resposta

rp-cgO fechamento do restaurante popular  pelo prefeito Rafael Diniz em 09 de junho de 2017 desmantelou uma importante política social, e o principal disso foi o aumento da fome em Campos dos Goytacazes

As estatísticas apontam que o município de Campos dos Goytacazes possui pelo menos 45 mil famílias em condições de pobreza extrema (perfazendo menos de R$ 100 de renda mensalmente). A fome é uma realidade objetiva para algo em torno de 200 mil pessoas, pouco menos do que a metade da sua população total.

Pois bem, enquanto isso prosseguem os esforços para ocultar essa situação inaceitável sob o argumento de que vivemos uma crise econômica sem precedentes, a qual demanda decisões extremas que deverão atingir principalmente os servidores públicos, apontados como uma fonte de sangramento das finanças públicas.

Segundo dados levantados pelo economista Ranulfo Vidigal no Portal da Transparência do governo federal, o problema da fome só não está pior porque temos algo cerca de 180 mil campistas que estão recebendo recursos via o chamado “Auxílio Emergencial” que foi aprovado no valor de R$ 600 pelo congresso nacional, a contragosto do presidente Jair Bolsonaro e seu ministro/banqueiro Paulo Guedes.

Como essa boia de salvação para os mais pobres tem inimigos poderosos na república, a começar pelo presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), a fome que hoje campeia as ruas de Campos dos Goytacazes deverá aumentar exponencialmente a partir de janeiro de 2021, caso os planos de acabar o Auxílio Emergencial sejam concretizados.

fome 1Pessoas pobres em busca de comida no Mosteiro Santa Face (Foto: Carlos Grevi)

Diante desse cenário crítico, me parece que é passada a hora de que os mais ricos sejam instados a abrir de parte de suas fortunas para impedir uma catástrofe social.  O suposto valente prefeito Rafael Diniz alega ter aumentado a renda própria do município em cerca de R$ 100 milhões.  O que ele não diz é que boa parte dessa renda não foi obtida com os mais ricos que desfilam com seus carrões importados (alguns valendo mais que apartamentos construídos em áreas nobres da cidade) pelas mesmas ruas onde uma legião de pobres tenta obter algum dinheiro para assegurar uma micro-renda que os permita comer alguma coisa ao final do dia. Os grandes punidos pela mini derrama fiscal de Rafael Diniz foram os pobres, essa é a verdade.

Desta forma, me parece urgente cobrar dos candidatos que pretendem substituir Rafael Diniz (o próprio já disse que vai manter o que está fazendo, por isso seria inútil perguntar a ele o que mudaria se por alguma surpresa do destino conseguisse se reeleger) propostas claras para aumentar a renda própria do município sem ter que apelar para a tentação de demitir ou reduzir os salários de servidores públicos. Essa cobrança é urgente, pois, do contrário, quem quer que seja eleito ficaria livre para repetir a agenda desastrada que se aplicou no município pelo chamado “governo da mudança”.

Antes que digam que estou com ideias extremadas,  sugiro que se comece a aumentar a renda própria do município, por exemplo, pela cobrança das dívidas milionárias acumuladas pelo chamado Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam) que , segundo um balanço feito em 2017,  amargava um prejuízo que beirava os R$ 450 milhões, em função de dívidas acumuladas por 40 empresas e negócios que pegaram os recursos do fundo e não realizaram os pagamentos devidos.  Apenas com esses valores seria possível reabrir e manter aberto o Restaurante Popular por mais de 100 anos!

Finalmente, tenho que concordar com alguns candidatos a prefeito que são defensores do terrorismo fiscal no sentido de que não se deve fazer promessas incumpríveis. Basta apenas prometer que vai se cobrar o que é devido ao município pelos mesmos ricos que sugerem a demissão de servidores públicos para garantir o equilíbrio das finanças públicas. Parece justo, não?

O que é preciso para ser prefeita ou prefeito de Campos dos Goytacazes?

Uma leitura do processo que antecede as eleições municipais de 2020

campos

Por Carlos Eduardo de Rezende & Marcos Pedlowski

O município de Campos dos Goytacazes possui a maior área territorial do Estado do Rio de Janeiro e uma dimensão populacional (~500 mil habitantes) que a caracteriza como uma cidade de médio porte. A década de 1990 representou um ponto de inflexão na cidade, pois aqui se instalaram novas instituições de ensino superior e as existentes ampliaram suas atuações. Portanto, hoje a cidade é de fato o segundo pólo universitário do estado e uma cidade mais cosmopolita.

A partir do início do Século XXI, vários municípios receberam recursos dos Royalties e participação especial na produção do petróleo, mas desconhecemos qual município tenha criado um fundo que possibilitasse o enfrentamento de problemas futuros. Este assunto foi colocado publicamente em um programa de rádio há muito tempo atrás, logo no início destes repasses oriundos da produção de petróleo. Hoje, um ponto que tem chamado atenção nesta eleição é que durante muitos anos o município recebeu cifras consideráveis de recursos provenientes desta fonte e nos debates este assunto ganha centralidade nos debates políticos devido à previsão de redução para o ano de 2021. Agora, a dependência desta fonte nos parece uma falha dos governos anteriores, e em nenhum momento é informada a população que o orçamento municipal de Campos dos Goytacazes está entre as 50 cidades brasileiras, seja este orçamento de 1,5 ou 1,7 bilhões de reais.

Neste ano com tantas dificuldades apontadas por inúmeras avaliações, temos 11 candidaturas, sendo duas lideradas por mulheres (PSOL e PT). A média de idade das cabeças de chapa é de 44 anos e a mediana de 37 anos, com um intervalo de 31 a 72 anos. Entretanto, a idade da candidata do PSOL é a que vem sendo questionada por alguns órgãos de imprensa, mas se esquecem que ela não é a mais jovem e os candidatos que hoje se reapresentam como alternativas também estão na mesma faixa etária e não possuem o preparo acadêmico e experiência profissional desta candidata. Na realidade este ponto chama atenção por trazer a discussão à questão de gênero ou racial, e tendo como intenção criar dificuldades ou até mesmo uma possível rejeição. Inclusive, cabe recordar aos detratores que a candidata é jovem e experiente, e em Campos dos Goytacazes já tivemos um prefeito que foi eleito com 29 anos.

Entre as 11 candidaturas têm pessoas que já atuaram politicamente em Campos dos Goytacazes, dois estão com mandatos, servidores públicos, setor de saúde, empresários, jornalista e professoras da rede pública e privada. Assim, todos possuem alguma experiência profissional. Entretanto, poucos possuem um preparo e proximidade para lidar com as dificuldades da população com maiores necessidades de assistência social.

Por outro lado, já parece óbvio que a maioria das candidaturas fala principalmente para a classe empresarial, quando se concentram em propostas para enxugar a máquina pública sem um diagnóstico preciso; consideram a retomada dos programas sociais um gasto e não um investimento na saúde e dignidade da população mais pobre.  Esse tipo de visão, pasmem, é a mesma que foi aplicada pelo prefeito Rafael Diniz desde que ele tomou posse. Essa similaridade entre candidatos e o prefeito que pretendem substituir levanta a questão de se eles refletiram objetivamente sobre a necessidade imperiosa de reincluir os pobres do orçamento municipal.

Em um recente artigo escrito pelo Prof. Isaac Roitman (Ex-Diretor do CBB – UENF, Professor Emérito da UNB, membro da Academia Brasileira de Ciências e membro do Movimento 2022-2030 O Brasil e mundo que queremos) ele observa que a educação é repetida como um mantra dos políticos – a cada eleição – como uma solução para o Brasil, mas ao invés de investimentos, a cada dia presenciamos ataques aos professores (ex.: já fomos chamados de vagabundos, maconheiros, entre outros absurdos) e o sucateamento do ensino público.  

Em  2019,  a Secretaria Municipal de Educação de Campos dos Goytacazes não realizou o envio das informações necessárias para saber a posição relativa da nossa rede municipal de educação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica que mede a qualidade do ensino nas escolas públicas. A inviabilização deste índice por parte do governo municipal poderá comprometer o repasse de recursos federais em 2021. Portanto, como professores e vendo duas candidaturas regidas por duas professoras, acreditamos na valorização da educação municipal com salários dignos, carreira atraente e condições adequadas de trabalho. Não menos importante sabemos que Campos dos Goytacazes como segundo polo universitário do Estado do Rio de Janeiro, também precisa de uma política municipal permanente que prestigie a graduação e  a pós-graduação.

*Carlos Eduardo de Rezende é professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), e Marcos Pedlowski é professor associado do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico do Centro de Ciências do Homem (CCH) da Uenf.

Sentindo a derrota no ar, Rafael Diniz, o “Exterminador do Futuro” convida Wladimir Garotinho para debate “solo”

exterminador

No dia 30 de Setembro de 2017, postei uma análise onde eu arriscava dizer que a “guerra aos pobres” que havia sido realizada pelo jovem prefeito Rafael Diniz em seus primeiros meses de governo ultraneoliberal estaria assegurando que o grupo político do ex-governador Anthony Garotinho pudesse rapidamente se recompor e “ressurgir das cinzas” no plano político municipal.

Pouco mais de 3 anos desde aquela postagem, eis que minha análise está mais do que materializada, com amplas chances de que Wladimir, o primogenito de Anthony Garotinho, venha a ser o próximo prefeito de Campos dos Goytacazes. Essas amplas chances não estão vindo de nenhuma pesquisa feita por algum instituto de pesquisa pouco conhecido, mas do que ouço nas ruas e praças da cidade que um dia acreditou que a mudança viria pelas mãos do neto daquele que foi destronado como principal cacique político de Campos dos Goytacazes pelo próprio Anthony Garotinho.

Deixando de lado as idiossincrasias das disputas intra- e inter-oligarquias, me ponho a analisar o vídeo abaixo, produzido pela campanha de reeleição de Rafael Diniz, que representa um misto de desespero e espertice (porque não se trata de esperteza), onde o prefeito em exercício chama para um debate “mano a mano” o candidato que parece estar concentrando as preferências populares neste momento.

Não fosse Rafael Diniz o perpetrador de um dos maiores estelionatos eleitorais da história da política brasileira, eu até sentiria um mínimo de simpatia por sua ação claramente desesperada de tentar criar uma polarização que inexiste neste momento, visto que ao que se sabe o prefeito, que prometeu trazer a mudança e trouxe o extermínio das políticas sociais, não é de perto o candidato com maiores chances de enfrentar Wladimir Garotinho em um eventual segundo turno.

Mas qualquer inclinação à simpatia cessa quando se vê que além de tentar criar uma falsa polarização, Rafael Diniz simplesmente joga na lata do lixo todos os outros candidatos habilitados ao pleito, o que é claramente um gesto antidemocrático que não pode ser tolerado sob o risco de termos outros ainda mais perniciosos ao amadurecimento da nossa frágil democracia. A estas alturas do campeonato e dado o pântano em que ele afundou a gestão municipal, Rafael Diniz deveria ser o primeiro a exigir que todos os candidatos habilitados possam participar de todo e qualquer debate que venha a ocorrer. Seria, considero, pelo menos um gesto de grandeza por parte daquele que até agora só se apequenou na posse de um mandato que lhe foi entregue de forma avassaladora pela imensa maioria da população.

Mas é difícil esperar gestos de grandeza de quem acabou com todas as políticas sociais herdadas de diferentes governos, após ter prometido durante a campanha vitoriosa que não só as manteria, mas que também as aprimoraria. 

Finalmente, estranho esse convite intempestivo de Rafael Diniz, pois lembro que há um debate marcado com todos os 11 candidatos ao cargo de prefeito de Campos dos Goytacazes e que deverá ocorrer no dia 05 de novembro,  sob os auspícios do Fórum Institucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc). Ao lançar seu convite para um “mano a mano” com Wladimir Garotinho, Rafael Diniz parece estar dizendo que esperar o dia 05 de novembro pode ser tarde demais para ele sair do pântano em que se afundou.  De certa forma, sou obrigado a concordar com o jovem prefeito.

Precisa desenhar?

escher

Por José Luis Vianna da Cruz*

Neste período eleitoral, está-se consolidando, em Campos dos Goytacazes, algo muito importante, em termos de cultura política.

Estamos assistindo o amadurecimento da participação de alguns personagens e de alguns instrumentos, em meio a um contexto atípico, que é o de uma campanha eleitoral em meio a uma pandemia que obriga ao afastamento físico e ao recolhimento das pessoas.

A constituição de Campos enquanto Cidade Universitária, com mais de 20 mil estudantes, das mais diferentes partes do Brasil, possibilitado pelo SISU e pela interiorização do ensino superior, vem mudando o cenário da cena política. Entram em cena um número maior de jovens, de coletivos formados em torno das questões de gênero, de orientação sexual, de raça, além de outros, como dos artistas de rua, da dança e da pintura, da poesia do slam e do rap. Fortalecem-se partidos vinculados mais estreitamente a essas manifestações, como o PSOL e o PT.

São iniciativas ainda dispersas, às vezes fragmentadas, não ainda soldadas em uma articulação em torno de convergência e potencialização da ação política voltada para a participação na política institucional, como na Prefeitura e na Câmara. Mas, sem dúvida, adicionam oxigênio ao ar que se respira, oferecendo aberturas, diversidade, criatividade, liberdade, autonomia e ampliação dos horizontes da sociabilidade e de poder. Anunciam um novo horizonte de cidadania e de ação política.

Mas, a Cultura Universitária que se consolida em Campos tem também contribuído para uma profunda transformação, às vezes imperceptível para uma parcela tradicional da população, refém das tradições e vícios da política de favores, clientelismos, coronelismos, elitismos e autoritarismos diversos. O campo popular dos trabalhadores mais afetados pela dominação conservadora, elitista, discriminatória, preconceituosa, exploradora e concentradora, de Campos, cresce, invade a cena política, ganha protagonismo, e ocupa espaço público, penetrando na agenda da universidade, de segmentos da população fora dos espaços estritamente políticos e acadêmicos, e, afortunadamente, de alguns candidatos à Prefeitura e à Câmara e Vereadores!

Trata-se das Trabalhadoras em Recicláveis e dos Produtores da Agricultura Familiar. Falam por si, têm voz própria, são portadoras e portadores de experiência, de conhecimento e construtores de uma economia eficiente; têm projetos e propostas de política pública. São gestores, senhores e condutores das suas atividades. Por serem excluídos, discriminados, invisibilizados, apartados e hostilizados pelos Poderes Públicos Locais, tiveram que buscar seus próprios caminhos. São apoiados e formados nas lutas e nas articulações dos companheiros, nos movimentos e organizações próprias e de apoio, como nos casos aqui analisados, o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis e no MST, mas não somente nessas organizações, que são nacionais, estaduais e municipais.

Eles sistematizaram suas experiências, seus conhecimentos, e construíram atividades sólidas e eficientes, principalmente no que diz respeito aos valores da sociabilidade, da cidadania, da democracia, da justiça social, ambientais e da segurança alimentar. Souberam construir suas alianças com as universidades, com pesquisadores, técnicos, acadêmicos, estudantes, intelectuais, artistas, segmentos da mídia, principalmente.

Sua ação hoje é pública, visível, exigindo reconhecimento e ação social e política de construção e efetivação de políticas públicas que enfrentem questões candentes, que nossas elites teimam em ignorar, hostilizar e invisibilizar.

PRECISA DESENHAR a urgência em elaborar, com o protagonismo dos Produtores Familiares, a POLÍTICA MUNICIPAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR, que fomente a rede de mais de mil famílias, na produção e comercialização de alimentos, em grande parte agroecológicos?

PRECISA DESENHAR a urgência em elaborar, com o Protagonismo das Catadoras e dos Catadores de Recicláveis, o PLANO MUNICIPAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS, previsto em Lei Federal, que contrate as cooperativas, conforme ORDEM JUDICIAL já existente?

O MUNICÍPIO ESTÁ QUEBRADO. Essas e outras Políticas ECONOMIZAM GASTOS DA PREFEITURA com a empresa de coleta de lixo atual e com a compra de alimentos no Espírito Santo. Fazem CIRCULAR DINHEIRO na economia do município, ao invés de ir para fora. Consolidam MILHARES DE EMPREGO, imediatamente. AUMENTAM A ARRECADAÇÃO MUNICIPAL, pela movimentação de insumos, transporte, equipamentos, comercialização, pontos de venda, beneficiamento, etc.

Se são políticas tão positivas, de resultados imediatos, que ajudam a administrar o Orçamento, por quê a maioria dos candidatos a Prefeito e a Vereador, evitam tratar delas? Faço a ressalva de que os candidatos a prefeito, e alguns do PT, do PSOL e do PC do B, já se comprometeram com elas.

Se os demais discordam, porque fogem do debate? Porque não explicitam suas divergências? Quero saber o que têm contra essas políticas? Rafael Diniz se mostrou totalmente contrário. E os demais? São como ele?

Será que estão envolvidos com interesses inconfessáveis, com os quais estariam comprometidos; interesses esses que prejudicam as finanças municipais, e por isso eles não se pronunciam, ligados a grandes empresas que concentram a renda e retiram as oportunidades de trabalho e renda dos trabalhadores e produtores familiares? É por isso que preferem defender o ajuste fiscal radical, demissão de servidores, ao invés de rever contratos e cortar certas despesas, para gerar emprego e renda, e, com isso comprometer nosso orçamento e o desenvolvimento de Campos?

Ou, quem sabe, são contra essas políticas de apoio aos trabalhadores e trabalhadoras de recicláveis e da agricultura familiar, assim como os demais trabalhadores, porque são conservadores, preconceituosos, elitistas, e favoráveis à exploração e à manutenção desses trabalhadores no limite da sobrevivência, com baixíssimos rendimentos e condições de vida precárias?

PRECISA DESENHAR?

*José Luís Vianna da Cruz é professor aposentado da UFF e professor permanente do Programa de Mestrado e  Doutorado em Planejamento Regional e Gestão de Cidades, da Universidade Candido Mendes/Campos dos Goytacazes.

Jornal Terceira Via aborda a dramática situação causada pela extrema pobreza em Campos dos Goytacazes

aldeiaMoradia precária na Estrada do Jacu, no Parque Aldeia, em Guarus (Foto: Carlos Grevi)

Em meio o que considero um ambiente árido que impera na mídia campista, eis que o Jornal Terceira Via resolveu introduzir com maestria o necessário debate sobre a miséria extrema em que estão imersas 45 mil famílias em Campos dos Goytacazes, um dos municípios mais ricos da América Latina (ver reprodução abaixo), a começar pelo seu editorial.

extrema pobreza

Pela lavra do jornalista Ocinei Trindade, pesquisadores e gestores foram ouvidos pelo “Terceira Via” não apenas sobre a natureza de um problema tão grave quanto inaceitável, mas também das possíveis soluções para que seja retomado um mínimo de dignidade para aquela parte da população que teve o chão tirado debaixo de seus pés quando o jovem prefeito Rafael Diniz (Cidadania) resolveu exterminar todas as políticas sociais herdadas de administrações.  

Eu não tenho a menor dúvida de que o extermínio das políticas sociais e o aprofundamento da miséria extrema em Campos dos Goytacazes estão umbilicalmente ligadas.  Tal constatação torna risível o mote de campanha de Rafael Diniz que nos instiga a apoiar a coragem que ele nunca teve para atacar de frente os privilegiados de sempre.

Com essa reportagem, o “Terceira Via” coloca a campanha eleitoral que se inicia no terreno que deve estar, qual seja, a necessidade de se resolver a questão premente da pobreza, começando pela imperiosa tarefa de recolocar os pobres no orçamento municipal, lugar de onde nunca deveriam ter sido retirados para começo de conversa. 

Enquanto isso tem “órgão de imprensa” que se jacta de ter ouvido supostos representantes de uma sociedade civil que só existe na cabeça do proprietário.  Ainda que nesse caso em tela, o Terceira Via cumpriu o que se espera de um veículo de imprensa sério: colocou um problema crucial para ser debatido sob diferentes ângulos, habilitando aos seus leitores a se posicionarem de forma informada sobre um assunto tão sério.

Reviravolta em Campos dos Goytacazes: Caio Vianna fica sem vice após uma semana do anúncio da aliança entre PDT e PSL

Fabiano-e-caio-2Caio Vianna, Coronel Fabiano e o deputado Felício Laterça no momento em que anunciaram a aliança que agora pode fazer água

As idas e vindas que estão marcando a curiosa (vamos adjetivar assim por falta de outra coisa melhor) aliança entre o PDT e o PSL em  Campos dos Goytacazes. É que circula de forma frenética nas redes sociais um comunicado do Coronel Fabiano no sentido de que após conversa com o deputado federal Felício Laterça, vice-presidente regional do PSL/RJ, ele teria decidido abrir  mão da oportunidade de disputar as eleições municipais de 2020 (ver imagem abaixo).

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Uma informação ainda extra-oficial é que essa decisão do Coronel Fabiano, caso seja confirmada, criará uma situação complicada para o pré-candidato Caio Vianna que poderia, inclusive, ter de lançar sua mãe, a ex-vereadora Ilsan Vianna, para ocupar o posto de vice-prefeita na chapa PDT/PSL.

Como se vê, não vai ser de falta de emoção que as eleições municipais em Campos dos Goytacazes irão padecer.

Rafael Diniz, o exterminador do futuro de Campos, importa flautistas de Hamelin para fazer campanha nas redes sociais

exterminadorDepois de exterminar as políticas sociais e gastar bilhões de orçamento sem a prometida melhoria na gestão, Rafael Diniz faz opção de alianças pela direita e uma campanha centrada nas redes sociais

O jovem prefeito Rafael Diniz (Cidadania) manteve no dia de ontem um encontro auspicioso com o principal fiador das reformas ultraneoliberais do governo Bolsonaro, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM) no que pareceu um prenúncio de uma aliança para as próximas eleições municipais em Campos dos Goytacazes ( ver abaixo uma foto do encontro).

rafael rodrigo

Para quem pensa que essa aliança entre Rafael e Rodrigo é despropositada, basta olhar as práticas do prefeito para ver que ele é o precursor da destruição das políticas sociais em Campos dos Goytacazes, que o deputado federal tão ferozmente tenta expandir para o resto do Brasil. Essa é uma aliança que unirá dois políticos que tem clara aversão às necessidades dos mais pobres. E, por causa disso, faz todo sentido e não surpreende.

À primeira vista, a candidatura de Rafael Diniz é aquilo que em inglês se chamaria de um “sitting duck” (um pato pousado na lagoa), pois o seu (des) governo amealhou tanto desgosto na maioria dos pobres que formam o grosso do eleitorado local, que em condições normais de temperatura e pressão, o prefeito não deveria estar se dando ao trabalho de concorrer.

Mas estes não são tempos normais por causa da mistura entre um ambiente político conflagrado pela crise econômica, mas também pelos efeitos devastadores da pandemia da COVID-19. Com isso, se tem uma diminuição da circulação das pessoas e do contato direto entre candidato e eleitor.

Entretanto, o que é defeito para a maioria dos candidatos, para Rafael Diniz é vantagem. É que depois de ter destroçado a maioria das políticas sociais, o jovem prefeito não teria mesmo como visitar pessoalmente a maioria das localidades do município que, aliás, o seu governo deixou em estado de completo abandono. Assim, também faz sentido a informação recebida pelo blog dando conta que Rafael Diniz irá tentar vencer as eleições via as redes sociais, tal como já o fez em 2016. Para tanto, ele já teria importado uma equipe de profissionais de mídia que irão começar a tentar a dourar a pílula amarga que seria mais quatro anos de um governo completamente e inteiramente anti-pobre.

Flautista-de-HamelinCom seus flautistas de Hamelin importados, Rafael Diniz tentará usar as redes sociais para vencer uma eleição na qual as ruas não lhe querem

O problema para Rafael Diniz e seus “flautistas de Hamelin” é que o raio até caiu 2 vezes no mesmo lugar, mas com dificuldades. A primeira delas é que Rafael Diniz fez um péssimo governo, daquele tipo que só destruiu e nada construiu. Até a bandeira da melhoria da gestão foi para as calendas, pois ele não só manteve a política de encher a prefeitura de Campos com apadrinhados de políticos em cargos comissionados, como gastou mal fortunas inteiras, especialmente nas áreas de saúde e educação. Com isso, cria-se uma dificuldade para ilusionismo digital, pois há que se convencer as pessoas que elas não viveram o inferno de uma administração que olhou mais para a “rua das Pedras” em Búzios do que para a avenida Zuza Mota às margens da Lagoa do Vigário de cujas proximidades o avô de Rafael, o ex-prefeito Zezé Barbosa, por tanto tempo reinou sobre a política de Campos dos Goytacazes.

A minha impressão é que diferente de eleições realizadas recentemente, o próximo ciclo eleitoral voltará a depender da capacidade dos candidatos de “vender o peixe” diretamente aos eleitores. Uma razão para isso, como observou um experiente observador do uso político das redes sociais, é que todos os partidos agora usam os espaços virtuais para fazer campanha. Isso não apenas congestiona as redes, mas como deixa todos os gatos parecendo que são da mesma cor. Se isso se confirmar, Rafael Diniz terá poucas chances até para chegar ao segundo turno, tamanha é a sua rejeição popular (existindo até áreas onde ele já está proibido de entrar).

Por último, há quem ache que existam chances de que tenhamos um aperto nas regras de isolamento social nas próximas semanas em função da expansão da pandemia da COVID-19. Se isso acontecer há que se ver se isso deve realmente aos índices de contágio e óbitos. Afinal, as razões para apertar o confinamento sempre estiveram postas e Rafael Diniz, ao contrário do que apontam as estatísticas, tem cada vez mais flexibilizado o funcionamento do comércio local. Daí que qualquer aperto no confinamento terá que ser muito bem explicado por um prefeito que claramente não poderá usar as ruas para fazer a sua campanha de reeleição.

Outdoors pela democracia já estão nas ruas de Campos dos Goytacazes

Vakinha pela democracia finalmente está nas ruas!

Por Edmundo Siqueira

O movimento democrático conseguiu arrecadar mais de R$ 7.000,00 💰e os primeiros outdoors já estão colocados. Como disse anteriormente, o site da vaquinha — para minha surpresa — demora 14 dias para repassar o dinheiro, então levantei aqui o valor “do bolso” para contratar 7 mídias a um custo de aproximadamente R$ 4.000,00.

O bolsonarismo é bem presente em Campos, pude ver ainda mais nesses dias, que me trouxeram muitas dificuldades para colocar em prática nosso movimento. Mas é preciso resistir e garantir o mesmo espaço e voz a todos os lados, tendo a democracia como norte.

Desde o início do movimento muitas pessoas me procuraram e ofereceram ajuda, para fazer as artes, dando ideias, ajudando na divulgação e apoiando a causa, que é de todos nós que valorizamos a democracia. Agradeço muito a todos e todas que contribuíram de alguma maneira.

Acabei tento muitas outras ideias para fortalecer esse movimento e informar sobre a realidade dos fatos ao maior número de pessoas possível. Criei uma página no Instagram também, sigam @campospelademocracia – https://instagram.com/campospelademocracia?igshid=1lm5df6cpjfbk.

Vem mais novidades por aí! ✅

A empresa alegou alguns problemas de pessoal, que impediram os outdoors sempre colocados ontem, mas hoje pela manhã já estavam nas ruas, nos seguintes pontos:

– Na rotatória de entrada do Shopping Boulevard.

– Após a Rodoviária Shopping Estrada, sentido Rio, lado direito.

– Na Avenida 28 de Março, sentido Jockey, antes da Universidade Estácio de Sá.

– Em Guarus, em frente ao IFF, no contorno após a ponte.

– Rua dos Goitacazes, descida da ponte da lapa.

fecho
Este texto foi originalmente publicado na página de Edmundo Siqueira na rede social Facebook [Aqui!].

Vaquinha virtual levanta recursos para postar outdoors anti-Bolsonaro em Campos dos Goytacazes

Seguindo o que está acontecendo em todas as partes do Brasil, a disputa política em torno do legado do governo ultraneoliberal de Jair Bolsonaro (ver imagem abaixo) chegou a Campos dos Goytacazes e deverá aquecer o debate pré-eleitoral já que haverá candidato dos dois lados da divisão estabelecida.

outdoors antibolsonaro

O interessante é que, no caso dos outdoors que estão sendo preparados para denunciar as ações do governo Bolsonaro, os recursos estão sendo levantados a partir de uma “vaquinha” virtual no site “vakinha.com.br“, tendo já alcançado o valor de R$ 5.005,13 que foram doados por cidadãos campistas que se opõe à receita ultraneoliberal imposta pela dupla Jair Bolsonaro e Paulo Guedes (ver figura abaixo).

outdoor anti bolso 2

Esse tipo de levantamento de recursos de forma pública e via a internet é bem diferente daquele que pagou os outdoors favoráveis ao governo Bolsonaro, já que nunca ficou claro como os recursos necessários foram obtidos. No caso dos outdoors dos opositores, a forma é pública e as contribuições estão se dando de forma voluntária.

Como alguém que acredita na necessidade de termos um movimento de oposição socialmente capilarizado para frear o projeto anti-Nação do governo Bolsonaro, eu convido os leitores do “Blog do Pedlowski” a apoiarem essa vaquinha virtual. A democracia brasileira precisa neste momento que cada ofereça o que puder para que as ações pró-desmanche do Estado-Nação brasileiro sejam freados.

Quem desejar contribuir com a campanha pela colocação desses outdoors pró-democracia, basta clicar [Aqui!].

Campos de Goytacazes: Entre becos e saídas

E-book reúne entrevistas com pensadores locais para discutir problemas e soluções para a região

Becos & Saidas capa

A cidade de Campos de Goytacazes é localizada no norte fluminense e tem na sua região a Bacia de Campos, onde se encontra a maior plataforma petrolífera do Brasil. Tendo em vista o fim do ciclo do Petróleo na região, o Blog do Pedlowski realizou entre junho e agosto de 2018, uma série de entrevistas com pesquisadores, profissionais e intelectuais das mais diversas áreas de conhecimento e com atuação em Campos de Goytacazes para debater possíveis soluções para o beco sem saída encontrado no fim deste ciclo de desenvolvimento econômico na região através do petróleo.

O objetivo do livro não é encontrar uma única saída nem dar respostas prontas para os problemas e questões levantadas ao longo de duzentas páginas. Ao contrário, conforme conta na introdução, o grande propósito deste e-book é instigar os leitores a refletirem em conjunto com os entrevistados. Assim, os organizadores convidam os leitores a mergulharem no conteúdo da obra para formularem suas próprias opiniões em relação aos temas discutidos. Devido a ausência de espaços e fóruns públicos para uma construção coletiva de soluções, este livro é um esforço na difícil tarefa de constituir uma esfera pública de debate qualificado sobre os problemas sócio-econômicos da região. Por fim, o leitor se encontrará entre becos e saídas.

O livro é dividido em 16 capítulos. São dois prefácios, o primeiro é assinado por Orávio de Campos, enquanto que o segundo é de autoria de Deneval Siqueira de Azevedo Filho. Os prefácios são seguidos por uma introdução dos organizadores, as entrevistas e por fim, um posfácio. No total, são doze pensadores e intelectuais locais entrevistados, são eles: Ranulfo Vidigal, Dayane da Silva Santos Altoé, José Luís Vianna da Cruz, Júlio Cézar Pinheiro de Oliveira, Alcimar das Chagas Ribeiro, Hélio Gomes Filho, Luciane Soares da Silva, Viviane Ramiro da Silva, José Alves de Azevedo Neto, Carlos Abraão Moura Valpassos, Érica Terezinha de Almeida e Roberto Moraes Pessanha.

Quem desejar baixar gratuitamente o “Campos dos Goytacazes: entre becos e saídas”, basta clicar [Aqui!].