O jovem prefeito Rafael Diniz se elegeu com uma plataforma bastante vistosa em relação aos servidores públicos municipais aos quais prometeu valorizar e respeitar. A maioria dos servidores acabou optando por apoiar o colega de labuta (sim, isso mesmo, Rafael Diniz é servidor público municipal! [Aqui! ]) já que ele mais do que ninguém deveria entender o drama que cerca o cotidiano deles.

Mas Rafael Diniz, premido por suas escolhas de onde gastar os bilionários recursos do orçamento municipal do qual dispõe para gerir a pobre/rica cidade de Campos dos Goytacazes, agora aparece como um dos caudatários da política de caça aos servidores que seu aliado político, o (des) governador Luiz Fernando Pezão, vem executando no plano estadual.
E já está mais do que evidente que os servidores da Saúde foram escolhidos para servirem como as primeiras “sacrifical lambs” (uma expressão metafórica em que uma pessoa ou animal é sacrificada em nome do bem comum) da caça que será realizada contra os direitos já constituídos de todos os servidores municipais. Aliás, nesse contexto, a melhor caracterização para os servidores municipais está mais para a de bodes expiatórios.
Isso ficou ainda mais claro para mim a partir das declarações do procurador da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, José Paes Neto, sobre uma curiosa série de inspeções conjuntas que teriam sido realizadas com o Ministério Público Estadual nas principais unidades hospitalares existentes na cidade de Campos dos Goytacazes, onde teria sido verificada a ausência de “alguns profissionais” que deveriam estar trabalhando, mas não foram encontrados nos seus postos de trabalho (ver vídeo abaixo).
A primeira pergunta que berra por uma resposta é a seguinte: é papel da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes acompanhar o MP em inspeções nas quais ela pode ser posteriormente considerada culpada das irregularidades que sejam apuradas? E quanto ao sindicato que representa os interesses dos servidores municipais? Havia diretores sindicais presentes no momento da realização das “inspeções”? É que em qualquer país democrático do mundo isto seria uma pré-condição para que este tipo de ação do estado fosse realizado!
Outra questão que também salta aos olhos nessa pequena peça publicitária travestida de prestação de contas é a seguinte: quantos servidores são “alguns”? E ainda, todos os servidores ausentes numa dada repartição pública são “faltosos”? É que não apenas existem escalas de trabalho, mas como também existem casos de servidores legalmente afastados ou ainda, ironia das ironias, doentes todos os dias. Assim, em que se baseou o honorável procurador para determinar que “alguns servidores” não estavam em seus locais de trabalho?
A verdade é que esse tipo de operação performática visa apenas a demonizar os servidores públicos num momento de profundo ataque a direitos duramente conquistados. E o mais lamentável é que durante a “flamboyant” campanha eleitoral, o então candidato Rafael Diniz prometeu melhorar as péssimas condições de trabalho que dizia saber existir nos hospitais e demais unidades de saúde do município. Agora essas condições já magicamente superadas e o problema repentinamente passou a ser de servidores indolentes e descompromissados?
Mas que não se engane o resto do funcionalismo municipal. O que está sendo feito com servidores da saúde é apenas o prenúncio de um ataque generalizado a todos os servidores municipais. É que na cartilha neoliberal pela qual rezam o (des) governador Pezão e o prefeito Rafael Diniz, os servidores públicos são sempre as vítimas preferenciais de um estado que se torna mínimo para os pobres, apenas reservar a maior parte da riqueza para os que já são ricos.








