Chile substitui Brasil como sede da Conferência Climática da ONU de 2019

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Presidente do Chile, Sebastián Piñera, cujo governo decidiu sediar a Conferência Climática da ONU de 2019, após a desistência do Brasil sob o comando do presidente eleito Jair Bolsonaro.

A agência Reuters divulgou ontem (14/12) que o governo do Chile, liderado por Sebástian Piñera, resolveu assumir a condução da edição da Conferência do Clima da ONU que ocorrerá em 2019 (a chamada COP25), um desdobramento da retirada da oferta do Brasil de sediar o evento, o que prova que em política raramente espaços deixados em aberto fcam muito tempo nessa condição [1]. A Reuters indica ainda que “a retirada do Brasil se deu em função da pressão feita pelo presidente eleito de extrema-direita” (ver imagem abaixo).

cop 25

Apesar da matéria da Reuters ser curta, ela é cheia de mensagens que deveriam ser cuidadosamente interpretadas (mas que certamente não serão) pelos membros do futuro governo brasileiro. O primeiro é que fica evidente que o debate em torno da formulação de políticas internacionais em torno da mitigação dos efeitos das mudanças climáticas vão continuar a despeito dos desejos de determinados governantes.  A razão para isso é simples: as mudanças climáticas estão acontecendo e seus efeitos econômicos e políticos já estão sendo devastadores.  Em função, governos que se alijarem de ocupar papéis centrais neste debate acabarão sendo ignorados na hora de definir metas e punições por não cumprí-las. 

Em segundo lugar, o governo de Piñera que segue uma cartilha neoliberal não hesitou em ocupar o lugar do Brasil porque seus membros já entenderam essa situação básica da geopolítica internacional da governança climática. E, ao contrário de Jair Bolsonaro, Sebastián Piñera optou por participar como jogador ativo do debate em vez de ceder para as ideias descabidas de que as mudanças climáticas não passam de um complô de comunistas para favorecer o governo da China.

Um terceiro elemento que aparece de forma discreta, mas será essencial nas relações comerciais do Brasil nos próximos anos é a caracterização dada pela Reuters ao presidente eleito ao lhe carimbar o rótulo de “extrema direita”.   A questão é que já existe uma extrema má vontade em muitos países que consomem os produtos do agronegócio brasileiro com a figura de Jair Bolsonaro. Ao rotulá-lo de extrema direita, a Reuters oficializa esse pré-julgamento, o que deverá criar ainda mais embaraços para os negociadores brasileiros que irão tentar em vários encontros, a começar pelo encontro anual em Davos, de que a coisa não é bem assim com Jair Bolsonaro, além de tornar corrente a noção de que o Brasil caiu nas mãos de alguém que, por ser de extrema direita, representa um perigo não apenas para os brasileiros, mas para o resto do mundo [2].

De toda forma, o fato é que não basta o desejo de se ignorar grandes temáticas como a das mudanças climáticas para que elas percam a sua relevância.  Uma demonstração disso foi o evento organizado em Londres nesta semana pelo ex-prefeito da cidade de Nova York e bilionário, Michel Bloomberg,  para discutir a importância das mudanças climáticas sobre a sociedade humana, mas também sobre os negócios, com um foco específico sobre a busca de soluções [3].  Este tipo de movimento feitos por um bilionário com grande influência política é uma demonstração de que quem decidir ficar em segundo plano neste debate tenderá a ser ignorado na definição das metas políticas.

E como eu já tenho dito.  Se o governo Bolsonaro mantiver as linhas gerais ditadas por pessoas como os seus ministros de Relações Exteriores e Meio Ambiente, o mais provável é que o Brasil se torne um pária nos debates de cunho ambiental, o que evidentemente atingirá um setor que hoje se tornou estratégico para a balança comercial brasileira. É que certamente haverá pressão contra a compra de commodities agrícolas e minerais cuja produção tenha contribuído para a aceleração das mudanças climáticas e não o contrário.


[1] http://news.trust.org/item/20181214192643-5i5tu

[2]https://news.mongabay.com/2018/12/cop24-will-they-stay-or-will-they-go-brazils-threat-to-leave-paris/

[3] https://www.bloomberg.org/press/releases/bloomberg-philanthropies-vanity-fair-host-first-joint-climate-exchange-highlight-human-impact-climate-change/

 

Mudanças climáticas, uma realidade perigosa

É o que acredita a maioria dos habitantes dos EUA (eleitores republicanos inclusos)

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Uma pesquisa realizada pela Monmouth University mostra que a maioria dos habitantes dos EUA (78% dos entrevistados, ou seja quase 8 em cada 10 estadunidenses) acredita que as mudanças climáticas estão de fato ocorrendo, e 54% delas  pensam que elas representam um problema sério para a Humanidade [1].

A pesquisa mostra ainda que até entre os eleitores do Partido Republicano do presidente Donald Trump, a maioria (54%)  acredita que as mudanças climáticas estão de fato ocorrendo, o que vem a ser uma mudança significativa já que esse segmento é normalmente composto por céticos.

O predomínio entre os estadunidenses de que as mudanças climáticas estão ocorrendo e representam um sério problema para a Humanidade não cria apenas embaraços para Donald Trump, mas também para o futuro chanceler brasileiro, o cético embaixador Ernesto Araújo, que atribui a uma trama comunista a ideia de que a Terra está passando por uma mudança climática [2].  

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Ernesto Araújo, à direita, foi indicado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, à esquerda, para ser o principal diplomata do Brasil. Sua nomeação poderia minar o papel de liderança do Brasil na mudança climática. Foto: Sergio Lima / AFP /

Essa posição cria ainda embaraços sérios para o Brasil que acabou de se desresponsabilizar da realização da 25a. edição da Conferência Climática da ONU em 2019 (a chamada COP25) [3]. É que se até entre o eleitorado dos republicanos há uma maioria que considera as mudanças climáticas um fato da realidade, como justificar que o país que possui a maior extensão de florestas tropicais possa assumir a retórica de que tudo não passa de uma trama comunista como sugere o futuro ministro de Relações Exteriores?

Falando na Conferência Climática da ONU que começou em Katowice, a COP24, é interessante o pessoal do Observatório do Clima que está participando do evento, principalmente em termos das medidas objetivas que o Brasil e seu futuro governo deveriam adotar a partir de 2019 [4].

De toda forma, há que se ver ainda o que acontecerá nos EUA a partir da tomada da Câmara  de Representantes pelo Partido Democrata. É que quando se trata das mudanças climáticas, os democratas são ainda mais firmes em reconhecer que estamos passando por uma importância no clima da Terra.


[1] https://www.monmouth.edu/polling-institute/documents/monmouthpoll_us_112918.pdf/

[2] https://blogdopedlowski.com/2018/11/15/the-guardian-novo-ministro-das-relacoes-exteriores-do-brasil-acredita-que-mudanca-climatica-e-uma-trama-marxista/

[3] https://blogdopedlowski.com/2018/11/28/sob-a-lideranca-de-bolsonaro-brasil-renega-organizar-conferencia-climatica-da-onu/

[4] http://www.observatoriodoclima.eco.br/nossas-expectativas-para-cop24/

 

Decisão do Brasil de não sediar reunião climática causa mal-estar diplomático

Na ONU, anúncio foi interpretado como um sinal da direção do governo Bolsonaro em assuntos ambientais

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ONU procura alternativa após desistência do Brasil Foto: AFP PHOTO / Jewel SAMAD

Por Jamil Chade, Correspondente do “O ESTADO DE SÃO PAULO

GENEBRA – A decisão do Brasil de não mais sediar a COP-25 em 2019 cria um mal-estar diplomático, obrigando a ONU a se apressar para procurar um novo lugar disposto a receber o evento e abrindo uma crise com parceiros que haviam dado seu apoio a Brasília. O presidente eleito Jair Bolsonaro disse que atuou diretamente na retirada da candidatura

Estado apurou que estava tudo planejado para que a entidade internacional chancelasse a conferência no País durante a reunião da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês) que ocorre a partir de segunda-feira, na Polônia e onde estarão 50 chefes-de-estado, chamada de COP-24. Não havia sequer outro candidato, diante de um acordo que foi costurado em diversas capitais. 

Mas, com a retirada da proposta brasileira, a entidade passou a se mobilizar para encontrar uma solução, enquanto governos estrangeiros não disfarçam a irritação com a postura do Brasil. 

Ninguém na entidade acredita, porém, que a decisão de cancelar a COP-25 tenha uma relação com a questão orçamentária, como indicou o governo brasileiro. “Esse é um sinal do que poderá ser a política de meio ambiente do novo governo brasileiro”, indicou um membro de alto escalão da entidade, na condição de anonimato.

“Tradicionalmente, todos sabem que o Brasil mantém uma prática diplomática de manter seus compromissos internacionais”, disse outra fonte. “Essa decisão é uma ruptura na postura do País”, lamentou.

Oficialmente, a candidatura do Brasil não era apenas um projeto nacional. O País, no fundo, representava a América Latina e havia sido escolhido pela região para receber o evento. Agora, os governos latino-americanos estão sendo obrigados a se reunir de forma emergencial para buscar uma solução e um país que possa receber o evento. 

“É uma pena essa decisão do Brasil”, comentou um diplomata latino-americano.

“Passamos meses debatendo o assunto e, justamente para que tivéssemos tempo, já escolhemos o Brasil há meses para que fosse a única candidatura. Agora, de última hora, Brasília cede ao novo governo e nos deixa na mão”, criticou, pedindo para não ser identificado e visivelmente irritado. 

A América Latina terá agora apenas dez dias para convencer algum governo da região a receber o evento, fazer os planos e apresenta-los aos demais países, o que de fato exige uma ampla infra-estrutura, preparações e recursos. Caso nenhum latino-americano se apresente, a ONU então terá de recuperar o evento e organizar a reunião em sua sede para assuntos climáticos, em Bonn. 

Essa eventual decisão, porém, fará com que a América Latina fique sem o encontro por anos, já que ele continuaria a ser sediado ao redor do mundo e respeitando uma rotatividade entre continentes.  

Oficialmente, a UNFCCC adotou um tom técnico ao comentar a decisão. “Sediar a COP é um compromisso logístico e financeiro significativo”, disse o vice-secretário-executivo da entidade, Ovais Sarmad. “A oportunidade de servir de sede respeita uma rotação entre os cinco grupos regionais”, explicou. “É a vez do Grupo da América Latina e Caribe (Grulac) a sediar a conferência em 2019”, disse.

“A secretaria da UNFCCC recebeu uma carta do Grulac apresentando a oferta do Brasil para sediar a conferência no ano que vem. Tal oferta teria sido aceita pelas partes na COP-24 em Katowice. Fomos recentemente informados que o Brasil está retirando a oferta”, afirmou Sarmad.

“O próximo passo será a discussão entre membros do Grulac se outro país na região é capaz de oferecer a ser sede da COP25”, alertou. “Se essa oferta não vier, então a conferência em 2019 será realizada na sede da secretaria da UNFCCC”, completou. 

Em Bonn, o Estado apurou que a decisão foi interpretada como um sinal da política que será adotada durante o governo de Jair Bolsonaro e vista com temor. A lógica é de que se o País que detém a maior floresta tropical do planeta não está disposto a apoiar as metas para combater as mudanças climáticas, o “efeito dominó” pode ser importante. 

“Países que hesitavam poderão usar o Brasil como um escudo conveniente e mudar de posição”, alertou um experiente negociador europeu. Poucos, porém, acreditaram na versão dada pelo governo de que o cancelamento tinha uma lógica de redução de gastos públicos. 

Para um diplomata, receber um evento como esse colocaria sobre o Brasil o foco da imprensa internacional sobre o que está sendo feito em termos de proteção à floresta e como o País enfrenta a questão das mudanças climáticas. “Nesse sentido, não nos foi uma surpresa que o governo Bolsonaro não queira falar do assunto”, disse. 

O encontro no Brasil já estava consolidada na agenda internacional. Em outubro, na ONU em Nova York, mais de 70 países em desenvolvimento tinham acertado o apoio à candidatura do Brasil ao evento.

FONTE: https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,decisao-do-brasil-de-nao-sediar-reuniao-climatica-causa-mal-estar-diplomatico,70002625646

Sob a liderança de Bolsonaro, Brasil “renega” organizar conferência climática da ONU

E ruma para se tornar pária ambiental mundial.

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O fato era mais do que previsível, mas mesmo assim não deixa de demonstrar os riscos que o Brasil está correndo de se tornar um pária ambiental no planeta. Falo aqui do abandono do pleito de organizar a 25a. Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (a COP 25) que deverá ocorrer em 2019, agora em lugar ignorado.

É que com o presidente eleito e seu ministro das relações exteriores se alinhando ao presidente estadunidense Donald Trump na negação das mudanças climáticas iria ser mesmo estranho vê-los participando dos trabalhos da C0P25 e, ainda por cima, em solo brasileiro.

Apesar da coerência, essa decisão terá econômicos e políticos para o Brasil mesmo antes de Jair Bolsonaro assumir o poder. O jornal “The Guardian” foi rápido no gatilho e já publicou um artigo na madrugada desta 4a. feira (28/11) sob o título ” Brasil renega em hospedar as negociações climáticas da ONU sob a presidência de Bolsonaro” [1]. A matéria assinada por Jonathan Watts acrescenta, entre outras coisas, que  “a reversão vem dois meses depois que o país concordou em sediar a conferência COP25 em 2019 – e um mês depois que o cético climático de extrema direita ganhou a eleição presidencial brasileira“. 

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O problema para a já combalida brasileira é que esse abandono da COP25 sinalizará para muitos de nossos parceiros comerciais preocupados com as mudanças climáticas que vem mais desmatamento e outras formas de degradação ambiental sob a batuta de Jair Bolsonaro. E, isto, queiram, ou não, Bolsonaro ou seu ministro de Relações Exteriores que optaram por seguir o rumo negacionista do governo Trump, deverá impactar decisões em curso sobre novos investimentos proodutivos no Brasil. É que ao contrário dos EUA, o Brasil não tem nem musculatura econômica nem militar para impor as teses negacionistas sobre as mudanças climáticas.

Aliás, importante nesse caso é ler a nota emitida pelo “Observatório do Clima” que é uma das organizações mais influente nos debates sobre as mudanças climáticas no Brasil [2] . A nota vai na mesma linha de constatar que a opção ideológica de negar as evidências científicas acerca do processo em curso de mudanças climáticas que, no caso do Brasil, deverá atingir a base produtiva agrícola e as populações mais social e economicamente frágeis.

Como bem afirma a nota do “Observatório do Clima”,  o futuro governo federal ao “ignorar a agenda climática, o governo federal também deixa de proteger a população, atingida por um número crescente de eventos climáticos extremos. Estes, infelizmente, não deixam de ocorrer só porque alguns duvidam de suas causas.

Ao latifúndio agro-exportador que tanto depende do comércio exterior, eu sugiro “já ir se acostumando” com a falta de mercados para seus produtos por causa das decisões tresloucados de quem o setor ajudou a colocar no poder.  A ver!


[1] https://www.theguardian.com/world/2018/nov/28/brazil-reneges-on-hosting-un-climate-talks-under-bolsonaro-presidency

[2] http://www.observatoriodoclima.eco.br/nota-oc-sobre-desistencia-brasil-de-sediar-cop25-da-conferencia-clima-da-onu/

 

 

Conferência do Clima 2019, mais uma batata quente para Bolsonaro descascar

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O jornal Valor Econômico publicou hoje um artigo assinado pela jornalista Daniela Chiaretti sobre se haverá clima para que o Brasil governado por Jair Bolsonaro possa sediar  a edição de 2019 da Conferência do Clima da ONU, a chamada CoP 25.

As tensões em torno do evento são claras, na medida em que os ministros nomeados e o próprio discurso elaborado pelo presidente eleito ao longo de sua vida parlamentar se encaminham mais no sentido de romper com o conhecimento científico já existente sobre os impactos da ação do sistema capitalista sobre o funcionamento da atmosfera. 

O futuro ministro das relações exteriores, Ernesto Henrique Fraga Araújo, já até escreveu em seu blog que as mudanças climáticas não passam de uma trama comunista para colocar a China no centro do poder mundial. Mas há ainda a futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que não esconde que pretende ver mais florestas desmatadas para garantir o avanço do agronegócio exportador que ela tão bem simboliza.

O problema é que se o presidente eleito der ouvidos aos ministros que nomeou, o Brasil será encaminhado mais rapidamente para a condição de pária ambiental, na medida em que ficará ainda mais claro o descompromisso com a proteção de ecossistemas florestais que cumprem papel estratégico na mitigação das mudanças climáticas. E isto terá um custo econômico claro, especialmente para o latifúndio agro-exportador. Daí que será interessante ver como se comportará o governo que ainda nem tomou posse e será obrigado a decidir se o Brasil sediará ou não a CoP 25 em 2019 .

Quem desejar saber mais sobre mais esta batata quente que o presidente eleito tem em suas mãos, sugiro a leitura completa do artigo assinado por Daniela Chiaretti.

Há clima para a CoP no país de Bolsonaro?

Por Daniela Chiaretti

cop 2019Uma definição que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, terá que tomar antes de sua posse será se o Brasil sediará ou não a próxima conferência do clima das Nações Unidas, a CoP 25, em novembro de 2019. A urgência tem motivo – o anúncio deve ser feito antes que termine a reunião deste

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