Os ultra-ricos de todo o mundo ficaram ainda mais ricos com a crise causada pelo coronavírus

A riqueza total dos bilionários possuidores de mais de 2 bilhões de dólares subiu para gigantescos 10,2 trilhões de dólares

champagneCapitalismo, uma história de amor – mas apenas para os ricos. Foto: dpa / Britta Pedersen

A crise causada pelo coronavírus deixou os super-ricos em todo o mundo ainda mais ricos. Os ativos totais dos bilionários que possuem fortunas de mais de 2 bilhões de dólares em todo o mundo atingiram um valor recorde de cerca de 10,2 trilhões de dólares (8,7 trilhões de euros) no final de julho, também graças à recuperação das bolsas. A informação é baseada em cálculos da consultoria PwC e do grande banco suíço UBS, publicados na quarta-feira. De acordo com o estudo, os envolvimentos em áreas de rápido crescimento, como tecnologia e saúde, provaram ser os principais impulsionadores desse aumento de riqueza em meio a uma pandemia letal..

A enorme fortuna é, portanto, distribuída entre 2.189 homens e mulheres. Convertido em euros, a soma é mais do que o dobro da produção econômica anual total da Alemanha tida como a maior economia da Europa (2019: pouco menos de 3,5 trilhões de euros). Dinheiro, imóveis, bens de luxo, bem como ações e ativos da empresa foram levados em consideração. As obrigações financeiras foram deduzidas deste cálculo.

Na Alemanha, a riqueza líquida dos ultra-ricos subiu para US$ 594,9 bilhões no final de julho, após uma queda no início da pandemia de COVID-19. Na última investigação (em março de 2019), era de US$ 500,9 bilhões. O clube dos super-ricos alemães cresceu de 114 para 119 membros. Após a eclosão da pandemia, os bilionários alemães alcançaram o maior crescimento nas áreas de tecnologia (mais 46%), saúde (mais 12%) e finanças (mais 11%).

Tradicionalmente, tem havido relativamente poucas mudanças no alto patrimônio líquido na Alemanha, explicou Maximilian Kunkel, estrategista-chefe de investimentos do UBS para a Alemanha. “A COVID-19 está agora acelerando o crescimento dos ativos a uma taxa acima da média em áreas orientadas para a inovação, como o setor de tecnologia ou saúde, causando uma mudança nos ativos.”

De acordo com as suas declarações, os empresários nestas áreas têm beneficiado nos últimos meses com o fato de as perdas de receitas a curto prazo terem sido limitadas, enquanto as perspectivas a longo prazo melhoraram significativamente em alguns casos.

De acordo com um ranking publicado recentemente pelo Manager Magazin, os alemães mais ricos são provavelmente a família Reimann, com uma fortuna estimada em 32 bilhões de euros. Em segundo lugar está o fundador do Lidl, Dieter Schwarz, com uma fortuna estimada em 30 bilhões de euros. Os vencedores do terceiro lugar são os irmãos Susanne Klatten e Stefan Quandt, que possuem quase metade das ações da BMW. Como resultado da crise da Corona, seus ativos caíram 1,5 bilhão de euros, para cerca de 25 bilhões de euros.

Uma lista do “Welt am Sonntag” publicada em 20 de setembro, porém, chegou à conclusão de que o fundador do Lidl, Schwarz, é o alemão mais rico – com uma fortuna estimada em 41,8 bilhões de euros. A família Reimann segue em segundo lugar com 21,45 bilhões de euros. Segundo o jornal, o ranking do “Welt am Sonntag” também foi uma estimativa.

No entanto, os super-ricos também sentiram a turbulência do início da crise do coronavírus, que, entre outras coisas, provocou uma queda acentuada das cotações das ações na bolsa. De acordo com o estudo, as semanas imediatamente após a eclosão da pandemia em particular contribuíram para que a riqueza global total dos bilionários encolhesse em cerca de 6,6 por cento, para 8 trilhões de dólares, entre março de 2019 e abril de 2020. O clube dos super-ricos perdeu temporariamente 43 membros. A partir de abril, iniciou-se uma fase de recuperação em que os ativos totais aumentaram cerca de 28 por cento no final de julho de 2020. dpa / nd

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Este artigo foi publicado originalmente em alemão e publicado pela Neus Deustchland [Aqui!].

Pandemia ocultada: com quase 5 milhões de infectados e mais de 146 mil mortos, Brasil continua como um dos epicentros da COVID-19

 

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A mídia corporativa brasileira foi gradualmente se adaptando à narrativa ditada pelos grandes grupos econômicos e financeiros que, de fato, controlam o governo Bolsonaro. Com isso, todas as notícias que povoavam as manchetes dos grandes veículos da mídia brasileira em março de 2020 agora estão sendo ocultadas em pontos menos nobres, raramente aparecendo nas manchetes e editoriais.

Essa ocultação da gravidade continuada da pandemia da COVID-19 tem várias consequências, sendo que a primeira é que se perde a noção da situação em que efetivamente nos encontramos. Os dados continuam alarmantes, pois segundo dados do site Worldmeters, o Brasil continua acumulando diariamente algo em torno de estratosféricos 30 mil casos, com cerca de 600 mortos a cada dia. Esses números estão mantendo o Brasil como o segundo país em número de óbitos causados pela COVID-19.

Em meio a essa ocultação midiática, vemos os governos estaduais e municipais seguindo a mesma linha adotada desde sempre pelo governo Bolsonaro e autorizando a volta de todo tipo de atividade, sob a chamada “bandeira verde”, sinalizando o contrário do que aquilo que ocorre de fato, qual seja, a continuidade de altos níveis de contaminação e de mortos.

Em algum momento futuro da História do Brasil, os analistas do período em que vivemos apontarão para os responsáveis pela situação vexaminosa em que a maioria dos brasileiros, especialmente os mais pobres, foram postos em meio a uma pandemia letal, sendo literalmente abandonados à mercê da própria sorte. Um lugar particularmente desonroso caberá aos proprietários de veículos de mídia que preferiram ocultar a pandemia, colaborando diretamente para que números desnecessariamente altos de contaminados e mortos fossem alcançados. A História será especialmente madrasta para aqueles que podendo informar e educar, preferiram se ajustar a um discurso que representa a mais pura forma de cumplicidade.

E depois, quando cobrados por essa postura infame, ainda invocam a tal “liberdade de expressão”. É muito cinismo!

 

O acometimento por COVID-19 é uma péssima notícia para Trump, mas poderá ser ainda pior para Bolsonaro

1_bolso-10254401Bolsonaro presenteia Donald Trump com camisa da Seleção – Brendan Smialowski / AFP

O acometimento de Donald Trump pelo coronavírus em um momento que os EUA já ultrapassaram 213 mil mortos por COVID-19 é uma péssima notícia não apenas para o presidente que tenta a sua reeleição em meio a uma profundA crise econômica e sanitária, mas também para o seu mais fiel escudeiro, o presidente Jair Bolsonaro.

A primeira coisa é que o protocolo adotado para tratar de Donald Trump não só não adota a hidroxicloroquina ou a cloroquina, mas emprega medicamentos que ainda não estão sequer disponíveis para seres humanos comuns. Essa postura confirma não apenas a nulidade da cloroquina para debelar a COVID-19, mas também sinaliza que a situação da saúde de Trump pode ser mais grave do que o reconhecido oficialmente pela assessoria de comunicação da Casa Branca.

Além disso, ao ser acometido pela COVID-19, Trump soma mais um desafio para bater o candidato democrata Joe Biden. É que, querendo ou não, Trump terá que seguir o protocolo adotado para pessoas infectadas que incluem distanciamento social por pelo menos 10 dias. Como a campanha presidencial caminha para o seu ápice, fica fora de combate em um momento tão crucial foi uma péssima notícia para Trump.

Em termos objetivos, a situação eleitoral de Trump que era complicada parece estar passando para a situação desesperadora. É que, ao contrário do que a facada possibilitou a Jair Bolsonaro em 2018, Trump se infectou com o coronavírus em grande parte devido à sua própria postura de negligenciar o grau de infecciosidade associada ao Sars-Cov-2, bem como sua relativa letalidade, a qual se dá de forma mais óbvia em pessoas idosas e/ou obesas (que é exatamente o caso em Donald Trump se enquadra).

Mas se a condição de saúde e a situação eleitoral são ruins para Trump, a situação não é nada melhor para Jair Bolsonaro, na medida em que se alter ego estadunidense não só está fora de combate por causa da alegada “gripezinha”, mas também que se arrisca a perder a eleição por W.O.

Se o pior acontecer para Trump, o fato é que todas as apostas geopolíticas feitas pelo governo Bolsonaro deverão ir por água abaixo. Não que os democratas sejam menos intervencionistas que os republicanos, pois eles são até mais pró-interferência em assuntos que não são necessariamente da sua conta, mas porque eles reconhecem (ao menos em tese) a existência de uma crise ambiental , e supostamente pretendem recolocar os EUA no conjunto de nações que estão realizando esforços para estabelecer políticas multilaterais de mitigação das mudanças climáticas.

Por essa postura dos democratas é que uma vitória de Biden significará uma profunda derrota da postura de vassalos por livre escolha que embala o governo Bolsonaro. E o Brasil arrisca sofrer um grau de interferência inédito no que se refere à proteção dos biomas amazônicos. Em outras palavras, Jair Bolsonaro poderá ser junto com Trump o maior perdedor das eleições estadunidenses. E se a derrota vier, a temperatura interna deverá subir bastante, visto a situação precária em que o Brasil já se encontra.

Em uma confirmação daquela Lei de Murphy que diz que nada está tão ruim que não possa piorar, hoje foi confirmado que o coordenador da campanha de reeleição de Donald Trump, Bill Stepien, também teve diagnóstico positivo para COVID-19. Assim, além de ter o candidato colocado para fora das quatro linhas, o mesmo ocorreu com a pessoa que comandava a sua campanha de reeleição. Como se diz em baseball: “two strikes against you, and one more you are out”.

E agora Jair? No protocolo de tratamento de Donald Trump para COVID-19, nem sinal de cloroquina

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O presidente Donald Trump está tratando a COVID-19 com um coquetel sintético e uma combinação de outros medicamentos. Mas nada de cloroquina ou hidroxicloroquina

A notícia de que o presidente Donald Trump finalmente foi pego pelo Sar-Cov-2 (o coronavírus), caiu hoje como uma bomba no mundo inteiro. Agora, o mais interessante é que no protocolo de tratamento de um dos maiores defensores dos poderes miraculosos da cloroquina no tratamento  (o outro grande defensor é o presidente Jair Bolsonaro), essa substância não passa nem perto (ver correspondência emitida pelo médico oficial de Donald Trump, Sean P. Coley, ver memorando oficial logo abaixo).

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O fato é que Donald Trump está sendo tratado como uma combinação que envolve o medicamento Regeneron (um coquetel de anticorpos policlonais), mas também doses de zinco, vitamina D, famotidina, melatonina e uma simples aspirina. 

E a famosa cloroquina ou mesmo a hidroxicloroquina nessa história toda? Pelo que tudo indica, na hora em que realmente precisou se tratar, Donald Trump optou por medicamentos que tenham alguma chance efetiva de tirá-lo dos braços da COVID-19.

E aí é que eu pergunto: como ficará Jair Bolsonaro e o fabuloso estoque de cloroquina que foram comprados com dinheiro público?

Ah, sim, com a transferência de Donald Trum para um hospital militar enterra-se de vez a falácia de que a COVID-19 não passa de um “little cold” ou da famosa “gripezinha” apregoada aos quatro ventos tanto por Trump como por Bolsonaro.

O diagnóstico positivo para coronavírus de Donald Trump perturba os mercados financeiros mundiais

A notícia da infecção da corona do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está impactando os mercados financeiros internacionais. Os analistas temem que a incerteza política continue a crescer

trumpO presidente dos EUA, Donald Trump testou positivo para o coronavírus

O teste positivo para o coronavírus do presidente dos EUA, Donald Trump, causou inquietação nos mercados financeiros em todo o mundo. O Dax estava 1,5 por cento mais fraco na sexta-feira, com 12.542 pontos. Em Londres, o FTSE 100 caiu 1,1 por cento, o CAC 40 em Paris caiu 1,4 por cento.

Trump e sua esposa Melania testaram positivo para o patógeno, conforme o presidente dos EUA anunciou por meio do serviço de mensagens curtas Twitter. Para o presidente dos Estados Unidos, isso ocorre “em um momento extremamente desfavorável”, comentou Thomas Gitzel, economista-chefe do VP Bank. Os mercados poderiam ficar turbulentos, em particular se Trump passasse por uma doença grave: “As incertezas já existentes aumentariam novamente.”

O preço do petróleo também está caindo

Se Trump adoecer apenas um pouco e se recuperar rapidamente, ele pode esperar mais aprovação, disse Yako Sera, estrategista de mercado do Sumitomo Mitsui Trust Bank, em Tóquio . “No entanto, a doença atrapalha suas oportunidades eleitorais e o tempo antes das eleições está se esgotando.” Enquanto não estiver claro se o próximo presidente será Trump ou Joe Biden , é difícil para os mercados se posicionarem com clareza.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pela Die Spiegel [Aqui!].

O futuro da Uenf está sob a égide de um pacto pela mediocridade

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Quando comecei a trabalhar na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) em 1998, a instituição vivia todas as dificuldades que cercam instituições que se encontram pouco além do seu nascedouro. Mas a instituição também pulsava com grande energia, ainda que com contradições, muito em parte à adoção de um ciclo básico comum (o famoso CBC), em que os estudantes, independentes de sua futura opção profissional, eram submetidos a uma formação de claro caráter humanista.

Passados 22 anos, a Uenf hoje está afundada em uma situação inaudita, parcialmente por causa da pandemia da COVID-19, em que os espaços para o pensamento crítico e criativo foram substituídos por uma mentalidade que mistura paternalismo e populismo, o que contribui para fossilizar o processo pedagógico, ainda que sob a cobertura do uso de ferramentas digitais, que deveriam representar justamente o contrário.

A verdade é que ao abraçar a visão de que oferecer qualquer coisa é melhor do que nada, a reitoria da Uenf criou uma modalidade de ensino remoto (à revelia dos colegiados responsáveis por definir os elementos pedagógicos que devem ser seguidos na instituição) em que os estudantes não poderão ter notas ou frequência assinaladas, podendo a desistência de participar de uma Atividade Acadêmica Remota Emergencial (AARE) se dar a qualquer momento, sem que isso implique em qualquer ônus para quem opte por assim proceder. Mas apesar disso, um dado estudante poderá requisitar a convalidação de créditos para as disciplinas presenciais a que uma dada AARE esteja relacionada.  Em outras palavras, está se abrindo as portas para que até disciplinas do chamado ciclo profissional possam ser validadas, sem que necessariamente haja como comprovar que isso ocorreu dentro dos necessários padrões de avaliação de performance. Afinal, que estudante irá se preocupar em dar o máximo de si em uma condição de tamanha flacidez de requisitos? Provavelmente aqueles que iriam ter os melhores desempenhos e, por isso, serão os mais prejudicados pela inexistência de avaliações com notas.

Tamanha falta de aderência às práticas reinantes em outras instituições públicas de ensino (na Uerj, por exemplo, as disciplinas oferecidas remotamente serão passíveis de anotação de nota e frequência) é uma concessão à precariedade reinante em função do não cumprimento da Constituição Estadual que determina que o orçamento da Uenf que foi aprovado pela Assembleia Legislativa seja repassado na forma de duodécimos.

sim card uerjAo contrário do que está ocorrendo na Uenf, a Uerj distribuiu SIM CARDs para garantir o acesso dos seus estudantes carentes a um sistema de aulas virtuais

Em função da penúria financeira, não há como sequer garantir que todos os estudantes possam frequentar regularmente as AAREs oferecidas pela Uenf. Mas mais do que isso, os custos desse oferecimento recaem totalmente sobre docentes que estão há mais de 6 anos com salários congelados e que permanecerão nessa condição, pelo menos, até o final de dezembro de 2021.

Mas o curioso é que, em vez de exigir que os mesmos padrões de acessão digital garantidos pela reitoria da Uerj sejam oferecidos aos estudantes da Uenf, o Diretório Central dos Estudantes (em clara combinação com a reitoria da instituição) apenas se mobilizou para instruir o alunado a informar dos docentes que estejam “infringindo” a determinação de que não sejam aferidas notas ou frequências nas chamadas AAREs (ver imagem abaixo).

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Em vez de cobrar da reitoria da Uenf a entrega de SIM CARDs como fez a da Uerj, o DCE UENF resolveu que seria melhor instruir os estudantes a monitorarem o comportamento dos professores

Essa postura no tocante às AAREs é reveladora da existência de um pacto pela mediocridade, em que, por um lado, a reitoria não garante o acesso universal a um sistema de disciplinas remotas que possam efetivamente ser utilizadas para cumprir os requisitos acadêmicos vigentes na instituição e, por outro lado, o sindicato dos estudantes não cumpre o seu papel de exigir que as condições mínimas de qualidade acadêmica sejam garantidas para todo o corpo discente.

O problema desse pacto poderá, no caso dos estudantes, aparecer na hora em que tiverem de solicitar seu registro em algum tipo de conselho profissional onde o cumprimento das grades curriculares é avaliado criteriosamente antes que um profissional recém-formado seja aceito. Já no tocante à instituição, a vigência desse pacto pela mediocridade poderá efeitos deletérios duradouros, pois estabelecidos critérios rebaixados para a formação de seus estudantes se cria uma grande dificuldade para o retorno a outros que tenham natureza mais exigente. 

Por isso é importante que aqueles que esperam sempre mais da Uenf saibam que a instituição criada por Darcy Ribeiro para cumprir os mais altos desígnios em prol do desenvolvimento do Norte Fluminense se encontra fortemente ameaçada naquilo que lhe deveria ser mais caro: oferecer ensino público, gratuito e de alta qualidade.

Os ventiladores que nunca vieram: como a corrupção prejudicou a resposta brasileira à COVID-19

hcO hospital da campanha do Maracanã é visto próximo ao estádio do Maracanã em meio ao surto da doença coronavírus (COVID-19) no Rio de Janeiro, Brasil, em 16 de setembro de 2020. REUTERS / Pilar Olivares

As pessoas que lutavam para respirar precisavam de ventiladores, disse ele, mas não havia o suficiente para todos; aqueles com uma pequena chance de recuperação foram preteridos.

“A cada turno era assim”, disse Archer, cirurgião de um hospital municipal do Rio de Janeiro, metrópole de 6,7 milhões de habitantes no estado de mesmo nome. “Às vezes, eu dava sedativos para eles só para não sofrerem. Eventualmente, eles morreriam. ”

paO Dr. Pedro Archer do lado de fora de um hospital de campanha

Algumas dessas mortes, dizem agora os promotores estaduais e federais, podem ter sido evitáveis. Eles alegam que as principais autoridades locais buscaram embolsar até 400 milhões de reais (US $ 72,2 milhões) por meio de esquemas de corrupção que conduziram a contratos estaduais inflacionados com aliados durante a pandemia. Os negócios, disseram eles, incluíam três contratos para 1.000 ventiladores, a maioria dos quais nunca chegou.

O secretário de Saúde do Rio, Edmar Santos, foi preso em 10 de julho e acusado de corrupção em relação a esses contratos. Um advogado de Santos não respondeu a um pedido de comentário. Santos admitiu ter participado de vários esquemas ilícitos envolvendo licitações públicas fraudadas, de acordo com documentos judiciais confidenciais preparados por investigadores federais que descrevem as supostas fraudes, que foram revisados ​​pela Reuters. Ele agora é uma testemunha cooperante na investigação, afirmam os documentos.

Separadamente, um juiz federal suspendeu o governador do estado do Rio Wilson Witzel do cargo em 28 de agosto com a preocupação de que ele pudesse interferir nas investigações. Witzel também está enfrentando um processo de impeachment por suspeitas de corrupção.

O governador Witzel negou qualquer irregularidade em um comunicado à Reuters. O vice-governador Claudio Castro, que assumiu a posição de Witzel em agosto, não respondeu ao pedido de comentários. 

A América Latina foi duramente atingida pela pandemia, com mais de 8,9 milhões de casos confirmados de coronavírus em 24 de setembro, de acordo com uma contagem da Reuters. Só o Brasil registrou mais de 139.000 mortes por COVID-19, perdendo apenas para os Estados Unidos.

Se a cidade do Rio fosse um país, sua taxa de mortalidade per capita por coronavírus seria a pior do mundo, segundo cálculo da Reuters com base em dados da Universidade John Hopkins. Mais de 10.000 pessoas morreram de COVID-19 nesta cidade cartão-postal de mar e areia, e mais de 18.000 em todo o estado.

A resposta da região à pandemia foi prejudicada por vários fatores, dizem os especialistas, incluindo pobreza e condições de vida urbanas superlotadas. Alguns líderes, incluindo o presidente de direita Jair Bolsonaro, minimizaram a gravidade da pandemia.

Mas o vírus também foi ajudado pela ganância. 

Semelhante ao Brasil, investigadores na Bolívia, Equador, Colômbia e Peru também alegaram que as autoridades locais encheram seus bolsos por meio de esquemas de enxerto relacionados à pandemia.

Em documentos judiciais detalhando as supostas fraudes no Rio, os promotores brasileiros descrevem uma série de empreendimentos criminosos inter-relacionados, nos quais contratos de emergência para máscaras, testes de coronavírus – até mesmo gel de mão – foram supostamente fraudados.

A Reuters analisou centenas de páginas de alegações de promotores, muitas delas confidenciais e não relatadas anteriormente; e entrevistou mais de uma dúzia de profissionais médicos e especialistas do bom governo que condenaram o oportunismo que eles dizem ter agravado a miséria do coronavírus no Rio.

“A pandemia permitiu que os governos gastassem recursos significativos muito rapidamente enquanto os controles internos eram relaxados devido à emergência”, disse Guilherme France, diretor de pesquisas da Transparência Internacional no Brasil. “Isso acabou criando uma tempestade perfeita para a corrupção.”

Um representante de Witzel disse que o governador suspenso aumentou os controles internos no governo do estado do Rio, acrescentando que ele havia demitido muitos servidores públicos acusados ​​de “irregularidades” durante seu mandato.

Hospitais fantasmas

A resposta à pandemia do estado do Rio exigiu que sete hospitais de campanha tratassem pacientes com COVID-19. Funcionários da secretaria estadual de Saúde, conhecida como SES, concederam contratos no valor de 836 milhões de reais (US $ 151 milhões) a uma organização de saúde sem fins lucrativos chamada IABAS para construir as estruturas, que deveriam ser inauguradas em 30 de abril. Apenas duas deles foram inauguradas até agora, uma em meados de maio, o outro no final de junho, bem após o pico inicial de COVID-19 no Rio de Janeiro.

No final de julho, com a redução da pandemia no Rio, uma das estruturas localizadas na cidade operária de São Gonçalo foi desmontada em meio à falta de pacientes. Tudo o que resta é um grande campo, sem grama e cheio de entulho.

Os contratos da IABAS fazem parte de um suposto esquema de propina encabeçado por Mario Peixoto, empresário local preso em maio por supostamente fraudar o sistema de saúde do estado do Rio de Janeiro. Documentos judiciais federais apresentados por promotores descrevem um esquema complexo no qual associados de Peixoto supostamente organizaram subornos a funcionários do governo para garantir uma variedade de contratos de saúde pública, incluindo hospitais de campanha.

Os advogados de Peixoto disseram que ele é inocente e não participou do negócio do hospital de campanha e seu julgamento está pendente.

O Ministério Público Federal não acusou a IABAS. Mas em documentos judiciais confidenciais que eles protocolaram pedindo a um juiz que autorizasse a prisão de outros suspeitos, eles disseram que não havia “espaço para dúvidas” de que a oferta vencedora da IABAS foi contaminada por corrupção. Entre as várias irregularidades citadas pelos promotores: A IABAS redigiu sua proposta vencedora antes que a SES solicitasse ofertas.

A IABAS disse à Reuters que ganhou os contratos do hospital oferecendo o preço mais baixo. Ele disse que a SES fez mudanças frequentes no acordo, o que atrasou a construção. A IABAS disse que seis das sete estruturas foram concluídas ou quase concluídas no início de junho, quando o estado do Rio cancelou seu contrato e assumiu o controle de todos os locais do projeto.

Em declaração à Reuters, a SES contestou a caracterização da IABAS sobre o progresso que havia feito. Ele disse que quatro dos sete hospitais de campanha estavam longe de estar concluídos quando o estado assumiu.

A SES não quis comentar sobre a alegação da IABAS de que o ministério da saúde fez alterações frequentes no contrato de construção. A SES disse que economizou mais de 500 milhões de reais (US $ 90,3 milhões) ao suspender os pagamentos à IABAS após as alegações de corrupção feitas pelos promotores. O ministério disse que está cooperando com a investigação.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela agência Reuters-Reino Unido [Aqui!].

COVID-19: a terrível lição de Manaus

manausValas comuns foram abertas nos cemitérios de Manaus para dar cabo ao enterro dos mortos pela COVID-19

Por Sylvestre Huet  para o Le Monde

Uma grande cidade do Amazonas, Manaus, responde à pergunta: quantas mortes se deixarmos Sars-Cov-2 se espalhar? Uma resposta experimental. Tão livre das dúvidas que permanecem nos modelos matemáticos . Uma resposta massiva é dada por uma cidade de cerca de 2 milhões de pessoas. Uma resposta “otimista” (é uma cidade jovem, com menos de 6% de pessoas com mais de 60 anos contra 26% na França). Uma resposta que contém um número: cerca de 3.000 mortes entre abril e agosto de 2020 atribuíveis à COVID-19.

Os autores deste artigo utilizaram testes sorológicos, em um banco de doação de sangue, em busca de anticorpos que indiquem que a pessoa foi infectada pelo coronavírus. Dessa forma, eles puderam abordar a verdadeira circulação do vírus na população. A estimativa deles, depois de corrigir os dados brutos que o subestimam, é que cerca de 66% da população da grande cidade era portadora de Sars-Cov-2. Quando comparado ao número de mortes atribuíveis à COVID-19, cerca de 3.000, isso significa que cerca de 0,2% dos portadores morreram, uma porcentagem que é totalmente consistente com as observações em outros países. É bastante baixo, devido à juventude da população de Manaus em relação à França ou aos Estados Unidos.

Trump está certo (sim sim)

Com 66% da população portadora, Trump está certo (sim se): o vírus está indo embora. Por falta de novas vítimas para atacar, por falta de novos portadores passíveis de abrigar o vírus para que ele se reproduza e se mova com a pessoa em busca de outros humanos para infectar. Isso é o que os epidemiologistas chamam de “imunidade coletiva” . Uma estratégia muito possível contra um vírus benigno. O Sars-Cov-2 não é. Também não é um assassino muito eficaz, como o Seas ou o vírus Ebola. Mata principalmente os idosos, muitas vezes já doentes, mas não só. Porém, com essa “vivência involuntária” da população de Manaus, sabemos o que esperar se optássemos por tal estratégia, fazendo com que o vírus circulasse sem impedimentos, em uma população em plena atividade – trabalho, estudos, recreação – sem distanciamento físico, máscara, lavagem das mãos. Notem que a população de Manaus não optou realmente por essa estratégia de deixar ir, gestos de barreira foram aplicados, mas, sob pressão do governo de Jair Bolsonaro, as medidas contra a circulação do vírus permaneceram limitadas.

Mínimo de no mínimo

A resposta de Manaus pode ser extrapolada para outros países? Sim, desde que não se esqueçam do seu lado “otimista”, dada uma população semelhante à do nosso país, onde os maiores de 60 anos representam uma percentagem muito superior. Assim, um artigo do Massachusetts Institute of Technology relatando o estudo sobre Manaus estima que a chamada estratégia de imunidade coletiva causaria pelo menos 500.000 mortes nos Estados Unidos. Cifra mínima de pelo menos, visto que este país já tem 200.000 mortes (oficiais) atribuídas à Covid-19 enquanto a taxa de infecção da população está muito longe da observada em Manaus. E que um estudo de “pior caso” leva a 1,7 milhão de mortes nos Estados Unidos. Esta figura é, portanto, semelhante aos cálculos do artigo de Arnaud Fontanet e Simon Cauchemez (do Institut Pasteur de Paris) publicado na Nature review immunology que conclui, para a França, em uma estimativa entre 100.000 e 450.000 mortes no caso de uma estratégia imunidade coletiva.

O estudo com doadores de sangue em Manaus também fornece informações pouco animadoras: parece que a resposta sorológica (e, portanto, a presença de anticorpos) diminui com o passar do tempo desde a infecção. A imunidade, portanto, diminuiria rapidamente com o tempo.

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Este artigo foi escrito originalmente em francês e publicado pelo jornal Le Monde [Aqui].

 

O coronavírus é ainda mais contagioso após a mutação – o que isso significa para nós?

Curso da doença, grupos de risco e descoberta de vacina

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Variantes de vírus mais recentes são mais contagiosas – o que isso significa para o número de casos?

Cientistas do Hospital Metodista de Houston compararam amostras do coronavírus em dois momentos diferentesO resultado: nas amostras coletadas posteriormente – durante a segunda onda corona na cidade de Houston, nos Estados Unidos, em julho – eles encontraram mais células infectadas do que antesQuase todas as fitas de DNA da segunda onda tinham uma mutação – a chamada D614G. Segundo os pesquisadores, essa mudança garante que o vírus seja mais contagioso do que o da primeira onda. Mas o que exatamente isso significa para nós? Devemos agora nos preparar para o número extremamente crescente de casos? No vídeo, Dr. Georg-Christian Zinn, Diretor do Hygiene Center Bioscientia, o que poderia acontecer conosco.

Não mais patogênico, mas mais facilmente transferível

O estudo dos cientistas de Houston não é o primeiro a sugerir que as variantes mutantes da corona podem ser mais contagiosas. Um estudo com quase 1.000 pacientes Covid-19 em Sheffield , Reino Unido , mostrou que os pacientes infectados com a mutação D614G tinham, em média, uma carga viral mais alta em seus corpos. A boa notícia: os dados clínicos mostraram que isso não aumentou a gravidade do processo da doença.

Existe um risco maior para grupos de risco?

No entanto, a mutação ainda pode significar um risco aumentado para grupos de risco . “Se o vírus for transmitido mais facilmente, a probabilidade de afetar mais facilmente as pessoas mais velhas com doenças subjacentes é maior”, diz o Dr. Georg-Christian Zinn. No entanto, ainda existem boas oportunidades para proteger a si e aos outros. As conhecidas medidas de higiene como distância , lavagem das mãos e uso de máscara também atuaram contra as cepas do coronavírus mais facilmente disseminadas, segundo o especialista.

O que a mutação significa para a descoberta da vacina?

Felizmente, as descobertas sobre as variantes da corona mutadas até agora não foram de grande importância para encontrar a vacina, diz o Dr. Zinn. “As mutações que rastreamos até agora não são tão significativas a ponto de o vírus ter mudado completamente. Vemos pequenas mudanças individuais – por exemplo, que temos mais vírus em nossa garganta e podemos liberar mais vírus – mas não isso o vírus parece muito diferente. “

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pela RTL.de [Aqui!].

Governo Bolsonaro não vai tão bem como parecia: EXAME/IDEIA mostra que aprovação caiu aos níveis do início da pandemia da COVID-19

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A aprovação de Jair Bolsonaro despencou, de 40% para 35%, nas últimas semanas, segundo pesquisa publicada pela Exame/Ideia nesta sexta-feira (25). O levantamento também indicou que 42% da população reprova as ações do Governo Federal. 

A pesquisa, que entrevistou 1.200 pessoas por telefone, em todas as regiões do país, entre os dias 21 e 24 de setembro, indica alta do preço da cesta básica somada a redução do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300, foram essenciais na reprovação de Bolsonaro. 

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Segundo reportagem publicada no portal Exame, a maior rejeição a Bolsonaro encontra-se nos grupos mais vulneráveis. No grupo dos mais insatisfeitos estão aqueles que não conseguiram completar o ensino fundamental (41%) e ganham até um salário mínimo (54%). Já entre os brasileiros que seguem apoiando o governo, a maioria é formada por pessoas com renda superior a cinco salários mínimos (49%), com diploma universitário (40%) e é moradora da região centro-oeste (42%).

O levantamento também indicou que hoje 34% dos brasileiros consideram o governo ótimo ou bom. Outros 26% avaliam a gestão de Jair Bolsonaro como regular e 39% classificam sua administração como ruim ou péssima.

Ainda segundo a reportagem, no grupo dos mais decepcionados com o presidente estão aqueles que não conseguiram completar o ensino fundamental (41%) e ganham até um salário mínimo (54%). Já entre os brasileiros que seguem apoiando o governo, a maioria é formada por pessoas com renda superior a cinco salários mínimos (49%), com diploma universitário (40%) e é moradora da região centro-oeste (42%).

Aprovacao-governo

A questão para mim é simples: determinadas pesquisas ainda não tinham captado a mudança de humor que está ocorrendo na população em função da situação catastrófica em que se encontra a maioria dos brasileiros neste momento.  Como sempre disse para pessoas mais próximas, os números ainda não estavam captando bem determinadas mudanças súbitas que já deveriam estar acontecendo. 

Se essa pesquisa já está sendo capaz de identificar uma mudança de humor sustentada ou não são outros quinhentos. Mas nada do que está acontecendo na vida real dos brasileiros pobres indica que a opinião pública vá mudar favoravelmente sem que haja uma mudança radical na política econômica do governo Bolsonaro.  

Um erro que pode se mostrar fatal foi a redução de R$ 600 para R$ 300 que afetou justamente os segmentos que aparecem como mais descontentes na pesquisa da Exame/Ideia. Como diria Sherlock Holmes: elementar, meu caro Watson!