O que o embate das cruzes em Copacabana nos ensina sobre o Brasil

As cenas do protesto realizado na Praia de Copacabana contra a gestão desastrosa da pandemia da COVID-19 pelo governo Bolsonaro já correm o mundo, como bem mostra o vídeo abaixo mostrado na Alemanha sob o título de “Túmulos em Copacabana“.

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Este vídeo não existe

O protesto que teria sido apenas mais um foi marcado pela atuação de um apoiador do governo Bolsonaro que, inconformado, se pôs a derrubar todas as cruzes que haviam sido fincadas nas areias de Copacabana para marcar o crescente número de mortos no Rio de Janeiro e no Brasil. Esse ato de completa falta de empatia com o drama que atinge um número crescente de famílias teve como resposta a ação de um pai que perdeu seu filho de 25 anos para a COVID-19 que reagiu colocando as cruzes de pé. Esse embate acabou aparecendo também na mídia internacional, sendo mostrado como parte da corrosão de valores éticos e morais básicos no Brasil.

Pois bem, hoje o site UOL publicou uma pedagógica entrevista realizada pelo jornalista Chico Alves com o taxista Marcio Antonio do Nascimento Silva, o pai que recolocou as cruzes em pé, dando-lhe a oportunidade de explicar porque acabou reagindo da forma que reagiu em relação ao ato do apoiador do governo Bolsonaro.  Em uma retórica bastante objetiva, Márcio Antonio disse que viu um homem viu um homem atacar as cruzes que homenageavam as vítimas da pandemia, e que não hesitou em reagir, pois considerou um desrespeito às vítimas da COVID-19. 

marcio cruzesO taxista Márcio Antonio do Nascimento Silva recoloca cruzes em Copacabana, enquanto ao fundo o apoiador do governo Bolsonaro que as havia arrancado posa com a bandeira do Brasil

Um aspecto que considero como um dos mais marcante da entrevista concedida ao UOL foi quando Márcio Antonio reconheceu que “Não sei nem o que é comunismo, pra falar a verdade, eu não estudo isso. Também não chamo ninguém de fascista, porque eu não sei o que é fascismo, eu não estudo isso. Eu nunca li livros sobre isso. Agora, desrespeito eu sei o que é. Intolerância eu sei o que é“.  Talvez esteja nesta frase a resposta que muitos esperam para desenvolver uma vacina para o vírus da intolerância que possibilita a expansão desenfreada do coronavírus.  É que muitas vezes se menospreza a inteligência coletiva da população ao se procurar dar lições sobre o momento histórico que vivemos quando os enfrentamentos práticos já estão gerando o tipo de consciência que vai nos ajudar a mudar de patamar nos embates que hoje ocorrem no Brasil.

Outra passagem memorável do relato de Márcio Antonio ocorre quando ele diz que “aquele fato (a retirada das cruzes) me fez perguntar até onde chega a desumanidade de não ter empatia com o outro. Esse pessoal parece que procura inimigos o tempo todo. Todos que não pensam como eles são inimigos. Fiquei muito triste com essas pessoas, porque estou vendo isso em amigos próximos. Parece que perderam a razão, não dá nem para você conversar. Parece que não pensam mais. É puro ódio. Tudo para eles é política, mesmo onde não existe. Por isso, o ato simbólico é mais importante.” 

Podem até me chamar de empiricista, mas penso que não vai ser levando o enfrentamento na base dos chavões que vamos obter ganhos significativos na elevação da consciência política da maioria dos brasileiros. Há primeiro que se ouvir pessoas como Márcio Antônio para que se possa desenvolver as formas de diálogo que as pessoas que se dizem apolíticas (quando são na verdade despolitizados) possam abraçar para se colocar em movimento em defesa de seus direitos em uma sociedade que está sendo propositalmente levada à beira do precipício justamente para se permitir o avanço do processo de desconstrução dos poucos direitos sociais que existem no Brasil.

E antes que eu me esqueça, Márcio Antonio também condenou a apatia dos que veem os malfeitos acontecendo e a necessidade de não se ser omisso e covarde quando atos como o do embate ocorrido nas areias de Copacabana acontecem. Márcio Antonio, um pai em luto, sintetizou para quem quiser ouvir, os caminhos para a saída da crise que hoje corrói o Brasil. Que ele possa agora, ao menos, exercer o seu direito ao luto pela perda do seu filho em paz.

Quem desejar ler a íntegra da entrevista de Márcio Antonio do Nascimento Silva, basta clicar [Aqui!].

Brasil sofre invasões de hospitais no dia em que se tornou o segundo colocado em infecções e mortes por COVID-19 no mundo

div-prefeitura-rio-1O Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, localizado no bairro de Acari, foi palco de invasão e depredação após chamado do presidente Jair Bolsonaro por inspeções em unidades tratando pacientes com COVID-19

O dia 12 de junho de 2020 que poderia ser apenas um daqueles dias escolhidos para marcar o amor entre duas pessoas se tornou o marco da passagem do Brasil para o segundo lugar do ranking de mortes por COVID-19 (com um total de 41.828 vidas perdidas para a pandemia), ficando atrás apenas dos EUA, o que acontece também no caso das infecções (ver tabela abaixo).

COVID 19

Não bastasse essa situação de tragédia, o Brasil se tornou palco hoje de pelo menos duas invasões de hospitais, sendo um deles o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, no Rio de Janeiro, incluindo alas restritas a médicos e pacientes enfermos com COVID-19.

Essas invasões, que parecem surreais em um país engolfado por uma pandemia letal, parecem decorrer de um chamado feito pelo presidente Jair Bolsonaro para que as pessoas adentrassem hospitais para “checar a ocupação de leitos“. 

Afora os riscos sanitários que decorrem dessa sugestão, tanto para os pacientes e profissionais que os atendem e até dos “inspetores”, a sugestão do presidente Jair Bolsonaro é um desrespeito aos brasileiros que já morreram por causa do COVID-19. Isto sem falar no fato de que a invasão de hospitais, por qualquer razão que seja, afronta as leis brasileiras.

A situação é tão acintosa que os nove governadores de estados da região do Nordeste já emitiram uma nota criticando as invasões de hospitais, pois segundo eles “não é invadindo hospitais e perseguindo gestores que o Brasil vencerá a pandemia.

Uma nota mais dura ainda foi emitida pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) que condenou de forma veemente as declarações do presidente Jair Bolsonaro incitando a invasão de hospitais. Segundo, a nota do CNS  o “governo federal continua assumindo sua atitude genocida, negando a pandemia, colocando-se como adversário da ciência, que tem incansavelmente se dedicado à busca de alternativas que possam minimizar os efeitos nefastos da pandemia. Isso demonstra total desprezo pela vida da população, não expressando qualquer sentimento de solidariedade, empatia e compaixão, quer com as famílias que perderam seus entes queridos, quer com os profissionais que têm adoecido e morrido no desenvolvimento de suas atividades laborais. Diferente de outros países do mundo, que reconhecem nos profissionais de saúde a fortaleza dos sistemas de saúde para enfrentamento ao novo coronavírus”.

O friso que pus no termo “atitude genocida” é apenas para explicitar a possibilidade de que em um futuro não muito distante o presidente Jair Bolsonaro venha a ter que responder em algum órgão internacional sobre o papel que está cumprindo ao negar a letalidade, questionar o valor do conhecimento científico e, ainda por cima, incitar a invasão de hospitais. E lembremos todos que o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi o primeiro a usar o termo “genocida” para caracterizar as ações do governo Bolsonaro no trato da pandemia.

E assim segue a nau brasileira cada vez mais desgovernada.

Forbes sintetiza a situação brasileira: até quando esta loucura vai continuar?

O Brasil realmente pode ser tão ruim assim, mas por quanto tempo?

bolso choro

Uma paciente do Covid-19 reage enquanto se prepara para ser transferida de barco de ambulância para um hospital em Breves … [+] AFP VIA GETTY IMAGES

Por Kenneth Rapoza para a revista Forbes

O Brasil está sendo espancado na política da pandemia, e os investidores, embora capazes de ganhar dinheiro por lá, ainda estão coçando a cabeça. Quanto tempo essa loucura pode durar?

O presidente Jair Bolsonaro está no comando. Ele é odiado pela mídia, incluindo a maioria da imprensa estrangeira que é muito crítica a ele.

Bolsonaro é fácil de criticar, é claro. Ele gosta de lutar contra a mídia e dar joelhadas no que ela diz. O coronavírus é mortal! Não, não é, é apenas um resfriado.

A revista científica britânica The Lancet, conhecida por mergulhar na política, pediu sua demissão. Não foi baseado em ciência. Foi baseado na opinião de celebridades e professores de esquerda. Não, sério.

walkingAs pessoas andam por uma rua comercial após a reabertura, no centro de São Paulo, em 10 de junho de 2020. O município de São Paulo autorizou a reabertura de ruas comerciais sob medidas de segurança, como o uso de álcool gel e máscaras faciais.  Foto de NELSON ALMEIDA / AFP (Foto de NELSON ALMEIDA / AFP via Getty Images) AFP VIA GETTY IMAGES

O Brasil está sendo completamente envergonhado pelos erros do governo Bolsonaro em combater o coronavírus, ao mesmo tempo em que é elogiado pelo mercado por fazer um bom trabalho em impedir as consequências econômicas por meio de estímulos recordes aos brasileiros, especialmente à classe trabalhadora.

As ações do Brasil, conforme medidas pelo ETF iShares MSCI Brazil (EWZ), caíram 33% no acumulado do ano, muito piores do que outros mercados emergentes no benchmark MSCI Emerging Markets. Eles caíram apenas 8,8%.

O horário de pré-mercado diminuiu o EWZ mais 6,04%, embora seja principalmente uma realização de lucros. O Brasil, como um investimento amplo, é totalmente sobrecomprado.

Em 9 de junho, a Fitch Ratings atualizou as previsões econômicas e fiscais brasileiras de estáveis para negativas. Eles reduziram a previsão de crescimento do PIB real do país em 26 de maio e isso ainda permanece em uma contração de 6% em relação aos 4% anteriormente, em grande parte devido à atual crise de saúde pública.

Brasília agora é um novo epicentro.

No geral, o país tem 772.416 casos confirmados e 39.680 mortes até quarta-feira (10/06) à noite.

As medidas de distanciamento social continuarão pesando na atividade doméstica, apesar da variação da conformidade nos estados, escreveram analistas da Fitch, liderados por Shelly Shetty, em nota aos clientes na terça-feira.

bolsaApós um grande impulso, as ações do Brasil perderam força. (Foto de Cris Faga / NurPhoto via … [+] NURFHOTO VIA GETTY IMAGES

Quão ruim isso pode ficar e quão ruim pode ser?

A contração do PIB no primeiro trimestre foi menor do que o esperado, mas quedas mensais acentuadas na produção industrial em março (9%) e abril (18,8%), queda na confiança dos negócios e do consumidor e aumento progressivo do desemprego indicam que o impacto do impacto será sentido na economia. segundo trimestre, que termina em cerca de três semanas.

As receitas do governo federal caíram 32% em abril, enquanto as despesas aumentaram 45% devido aos pacotes de ajuda. Isso resultou em um déficit fiscal recorde de R $ 93 bilhões (US $ 18,6 bilhões) em abril, observa Gustavo Medeiros, analista da Ashmore, especialista em mercados emergentes em Londres.

A produção industrial caiu 18,8% em abril, a pior queda já registrada, “mas isso foi melhor do que a expectativa de um declínio de 28,3% do consenso”, diz Medeiros.

Uau …

O Brasil voltou a ser uma jogada da China. A recuperação chinesa é boa para as exportações brasileiras – todas commodities, é claro. A China importa principalmente soja e minério de ferro brasileiros.

Mas, à medida que o sul e o sudeste do Brasil se curam, e esses são os motores econômicos do Brasil, o país deve ter uma sensação de normalidade nas próximas quatro semanas, mesmo que o coronavírus se manifeste nos estados do centro-oeste a seguir.

O alto custo de capital no Brasil prejudicou a inovação e o empreendedorismo local no passado, mas as taxas de juros nunca foram tão baixas quanto são agora.

As empresas podem emprestar mais barato agora.

Para Wall Street, o argumento é que Bolsonaro pode ser uma biruta, mas investir no Brasil é mais atraente do que nunca. Os mercados estão procurando uma mudança de momento. O Brasil tem sido um trem descontrolado. É hora de pisar no freio. Mas isso não vai durar para sempre. Nem o coronavírus,  por mais ruim que esteja no Brasil.

“De nossa perspectiva de baixo para cima, estamos entusiasmados com as oportunidades em todo o universo de investimentos, onde quer que as encontremos”, diz John Paul Lech, gerente de fundos de mercados emergentes da Matthews Asia.

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Este artigo foi originalmente escrito em inglês e publicado pela revista Forbes [Aqui!].

Estudo francês documenta transmissão placentária de COVID-19 em criança recém-nascida

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Um estudo que ainda está em processo de revisão por pares pela revista Nature, mas que já está disponível na forma de “preprint“,  demonstra pela primeira vez a transmissão transplacentária do novo coronavírus (o SARS-CoV-2) em um recém-nascido nascido de mãe infectada pelo coronavírus.

Os pesquisadores do Hospital da Universidade de Paris-Saclay, liderados pelo professor Daniele de Luca, afirmam que a transmissão foi confirmada por um abrangente estudo virológico, onde a transmissão do SARS-CoV-2  ocorreu via placenta da mãe que havia foi contaminada durante a fase final da gestação. Além disso, o estudo aponta que a criança recém-nascida apresentou manifestação neurológica, consistente com as descritas em pacientes adultos para a COVID-19 (ver figura abaixo).

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RM cerebral realizada aos 11 dias de vida. Os painéis A-B e C-D representam T1 e difusão ponderada seqüências, respectivamente. As imagens são tiradas em dois níveis diferentes e mostram hiperintensidades do substância branca frontal ou parietal periventricular e subcortical (setas).

O estudo conclui que a transmissão vertical da infecção da COVID-19 é possível pela via placentária durante as últimas semanas de gravidez. Além disso, a transmissão transplacentária pode causar inflamação placentária; viremia neonatal e manifestações neurológicas também são possíveis.

Uma preocupação expressa pelo professor e pesquisador do Laboratório de Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense (LBT/Uenf), Enrique Medina-Acosta,  é que “dada a elevada proporção de infectados assintomáticos, e assim não incluídos em um processo de triagem universal para o novo Coronavirus, parece possível que os efeitos adversos neurológicos em neonatos não testados só venham ser observados no primeiros anos de vida“.

Como se vê, a COVID-19 definitivamente não é uma “gripezinha” ou, tampouco, um “resfriadozinho” como chegou a afirmar o presidente Jair Bolsonaro

Brasil, o pária

bolso fogoAs políticas anti-ambiente e a gestão desastrosa da pandemia da COVID-19 pelo govenro Bolsonaro jogaram o Brasil em pária global

A palavra “pária” significa basicamente a designação de uma pessoa mantida à margem da sociedade ou excluída do convívio social. Mas países também ser colocados na condição de párias, dependendo da condição em que se encontra a sua governabilidade, o respeito a direitos básicos (mais para mínimos) que sejam acordados em fóruns multilaterais onde as regras de convívio são estabelecidas entre os Estados-Nação.

Desde 2016 venho afirmando neste espaço que o Brasil estava se encaminhando, e os brasileiros juntos com o país, em uma condição de pária global. As diversas regressões em termos de direitos trabalhistas e sociais somados a uma forma ultrapassada de apropriação de recursos naturais, especialmente na Amazônia, acabaram por erodir a imagem bem polida que foi construída durante os anos em que ex-presidente Lula esteve no poder.

Essa erosão de imagem teve grande impulso após a chegada do presidente Jair Bolsonaro ao poder visto o seu desdém notório por políticas de direitos, igualdade de gênero, de proteção de povos indígenas, e ainda da proteção das florestas tropicais existentes ainda em grande quantidade no Brasil.  As grandes queimadas que ocorreram na Amazônia em 2019 deram ainda um grande impulso para que movimentos de boicote aos produtos agrícolas brasileiros começassem a ocorrer a partir da Europa, sendo o iniciado por Johannes Cullberg da rede Paradiset apenas o primeiro de uma série que agora se amplia na Alemanha.

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Abaixo-assinado válido em toda a União Europeia visa pressionar principais cadeias de supermercados da Alemanha a suspender a compra de produtos agrícolas brasileiros

Nesse contexto, a divulgação da política “passa boiada” na hoje famigerada reunião ministerial de 22 abril agravou ainda mais a percepção internacional de que o Brasil se tornou um pária, um país de quem é preciso tomar distância. É que, apesar do resto do mundo ser capitalista e viver da extração das riquezas contidas em ecossistemas naturais, também existe um acordo de que o planeta vive um dramático processo de mudanças climáticas que demanda a proteção das florestas que agem como mega reservatórios de carbono.

As constantes ameaças públicas de um novo golpe militar para dar suporte a um presidente cada vez mais isolado e com rápida sangria em sua popularidade, que ontem motivou uma matéria no “The New York Times“, também contribuíram para que o Brasil passasse a ser visto com uma espécie de leproso, do qual até os governantes de direita, como o presidente Donald Trump, tentam se desvincular por simplesmente pegar mal aparecer associado a Jair Bolsonaro, em qualquer capacidade que seja.

Mas nada do que foi feito para desacreditar a imagem do Brasil em termos ambientais e de direitos de sua população trabalhadora chega perto do descrédito que foi gerado pela forma desastrosa da pandemia da COVID-19.  É que apesar de vivermos em uma espécie de labirinto, onde a poderosa indústria de fake news que dá suporte às políticas ultraneoliberais da dupla Bolsonaro/Guedes nos mantém em um estado de suspensão da verdade, o resto do mundo pode ver sem filtros o que está ocorrendo dentro do Brasil. E o que se vê é a ação proposital para deixar que passemos por um processo de contaminação generalizada para aplicar o que se chama de “efeito de manada”, em nome do funcionamento de uma economia que já vinha cambaleando, mesmo antes da erupção da pandemia.

A evidência inegável de que o Brasil  e, por consequência, os brasileiros que vivem no seu interior, foram transformados em párias globais aparece na forma do banimento de viagens internacionais, primeiro pelos EUA e agora pela União Europeia. É que a UE acaba de anunciar que impedirá a entrada de brasileiros nos 27 países que compõe a sua comunidade após 1 de julho, momento em que reabrirá suas fronteiras ao resto do mundo,  até que se verifique que a pandemia da COVID-19 foi efetivamente controlada dentro do Brasil. Como isso parece improvável no curto prazo, o resultado prático é que não haverá viagens para a Europa e, lembremos, tampouco, para os EUA.

Antes que alguém desdenhe o banimento de viagens porque a maioria dos viajantes pertencem às classes mais ricas dos brasileiros, há que se lembrar que também estarão interrompidas todas as viagens profissionais, com inevitáveis impactos sobre intercâmbio comercial e científico. 

A realidade é dura: o Brasil foi transformado em um pária e o custos disso vão ficar especialmente evidentes quando forem implementadas diferentes formas de boicote à produção agrícola brasileira. As chamas que começarão em breve a arder em toda a Amazônia vão certamente tornar isso inevitável. A ver!

Pedidos de recuperação judicial devem bater recorde

Senado analisa PL que agiliza processo de negociação entre empresas e credores, mas especialistas preveem sobrecarga no Judiciário

recuperação

Segundo diversas consultorias especializadas, 2020 pode chegar a registrar até cinco mil pedidos de recuperação judicial no país, um verdadeiro recorde causado, sobretudo, pela pandemia do coronavírus. Até então, o número mais alto de pedidos de recuperação judicial fora em 2016, com 1,8 mil casos. Os setores mais afetados são os de serviços, mais especificamente turismo, eventos e produções, hotelaria, academias e restaurantes.

Para Claudio Pedro de Sousa Serpe, advogado pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas em Direito de Empresas e Economia, especialista em recuperação judicial, a lei 11.101/2005, que trata do tema no Brasil, precisa de uma reforma urgente. “Especialmente no sentido de determinados créditos, que pela lei atual não integram a recuperação judicial. Com a inserção de novas classes de credores, tais como a tributária, garantia imobiliária, da alienação fiduciária, arrendamento mercantil, dentre outras que são excluídas pela lei atual, o processo de recuperação judicial passará a ser mais abrangente e aumentará a possibilidade da recuperação ter maior sucesso”, analisa.

“Em alguns Estados já se detecta um aumento de 90% nos trâmites de recuperação judicial quando comparado com o ano anterior”, compara Victor Fernandes Cerri de Souza, vice-presidente da Comissão de Direito Contratual, Compliance e Propriedade Intelectual da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo. Ele complementa: “Aqui, a gente ainda esbarra numa questão econômica, que já trazia uma sazonalidade para determinados negócios nos últimos cinco, seis anos, fazendo com que, por si só, existisse uma fragilidade inerente”.

Datada de 2005, a lei 11.001 foi um avanço no país, sendo aplicada com o princípio da continuidade da atividade empresarial. “A cessação da atividade empresarial traz grandes consequências para a coletividade, que acaba permeando a cadeia de produção. Os credores perdem seus créditos, os empregados seus empregos, o fisco os tributos e a população produtos e serviços que eram oferecidos por necessidade. Então ela é uma lei de cunho social muito importante que busca viabilizar a superação do momento de crise financeira e econômica de uma empresa”, avalia Cerri, sócio do escritório Correa Porto, sediado em São Paulo.

Outro ponto positivo é a promoção de acordo coletivo da devedora com seus credores, em prejuízo a acordos individuais, que nem sempre têm êxito. Também há a suspensão de ações e execuções contra a empresa devedora, a possibilidade de apresentação de um plano de recuperação viável e a determinação judicial para não retirada forçada de bens indispensáveis à atividade da empresa devedora.

A adequação, no entanto, é necessária. “É uma lei que já possui 15 anos e foi pensada para resolver problemas ordinários de economia e não problemas extraordinários, como numa pandemia”, afirma Serpe, sócio do escritório Serpe Advogados.

Em busca de uma solução para o momento atual, a Câmara dos Deputados aprovou recentemente o Projeto de Lei nº 1.397/2020, que institui medidas emergenciais e transitórias para as empresas que estão em crise devido à pandemia ou que estejam em processo de recuperação judicial. Agora, o projeto deverá ser apreciado pelo Senado Federal.

Por um lado, o texto amplia a utilização do instituto da recuperação judicial para as micro e pequenas empresas, e estipula que o pagamento aos credores poderá ser feito em até 60 parcelas (possibilidade atual é de 36 parcelas). A proposta ainda suspende por 30 dias as execuções judiciais e extrajudiciais de dívidas vencidas após 20 de março de 2020, bem como os atos como a decretação de falência, o despejo por falta de pagamento, a cobrança de multas de mora e de não pagamento de tributos.

As moratórias, no entanto, não levam em consideração o tipo de atividade das empresas e se, de fato, as dificuldades financeiras foram impostas pelo isolamento social. Após a moratória de 30 dias, o devedor pode ainda comprovar redução igual ou superior a 30% de seu faturamento – em comparação com o mesmo período do ano anterior – e ingressar com um pedido de Negociação Preventiva perante o juízo especializado em recuperação judicial e falências.

“Se a pretensão do legislador é fomentar com vigor a composição e renegociação de contratos muito mais para que ocorram na esfera amigável, o instrumento da Negociação Preventiva segue em sentido inverso, levando à judicialização do processo, conferindo ao Poder Judiciário uma série de tarefas, desde a distribuição da medida, verificação pelo juiz do preenchimento dos requisitos legais, designação de negociador, entre outros”, avalia Claudio Serpe.

“A contrapartida é inglória, pois haverá um cenário de assoberbamento do Poder judiciário incomum, já que poderá haver um aumento muito significativo de números de processos em tramitação, especialmente, diante da dimensão da crise provocada pela pandemia”, continua Serpe.

Para Victor Cerri, as intenções do projeto de lei são boas. “Traz o procedimento de negociação preventiva, de jurisdição voluntária, com base no sistema europeu de gestão de crise, além do que propõe uma série de alterações de recuperação judicial e falências. Me parece que são medidas que vão impactar o mercado, só que de forma diversa, porque cada negócio tem uma característica. Alguns setores tem prejuízos inestimáveis, com problemas graves de fluxo de caixa, que impossibilitam regular qualquer implemento de obrigação. A gente sempre tem que pensar que isso estimula a economia, mas impacta os credores. Por outro lado, é melhor receber algo a longo prazo do que não receber”.

 

Por  M2 Comunicação
Aline Moura
aline.moura@comunicacaom2.com.br
(11) 9704-1744 / (11) 97041-7447
Marcio Santos
marcio@comunicacaom2.com.br
(11) 94739-3916

Movimento Brasil Sem Corona prevê área prioritária para testagem para COVID-19

  • • Pesquisadores cruzaram informações de voluntários que reportam seus sintomas por meio de aplicativo com dados de síndromes respiratórias da Prefeitura de Caruaru (PE)
  • • Identificação de área de risco em que testagem foi feita apresentou acerto no intervalo de 84% a 94%
  • • Movimento promove vigilância participativa para apoiar gestores e equipes de Saúde no planejamento de ações de combate à Covid-19 no Brasil

corona mapping

São Paulo, 08 de junho de 2020 — Com a abordagem da vigilância participativa, uma metodologia com embasamento científico em que cidadãos ajudam a construir um mapa de risco de epidemias, o Movimento Brasil Sem Corona conseguiu ajudar uma gestão pública do Brasil a priorizar áreas para o direcionamento de testes da COVID-19.

O caso aconteceu em Caruaru, cidade no interior de Pernambuco, onde a participação dos moradores relatando seus sintomas por meio do Brasil Sem Corona é consistente, e a plataforma foi adotada pela prefeitura municipal para complementar os dados do seu sistema de vigilância em Saúde. Diante de 100 testes para detecção de COVID-19, a prefeitura queria saber para onde seria mais inteligente direcioná-los.

Desde o dia 20 de março milhares de voluntários de todo o Brasil estão informando como estão se sentindo com o objetivo de mapear coletivamente o risco do avanço do novo coronavírus pelo território nacional. O mapa gratuito e as informações sobre como participar estão disponíveis em www.brasilsemcorona.com.br

Para ajudar a prefeitura de Caruaru (PE) a otimizar o uso dos testes, os pesquisadores do Brasil Sem Corona cruzaram as informações enviadas por moradores da cidade com dados oficiais de síndromes respiratórias do município e identificaram seis áreas de risco de infecção. A prefeitura optou por enviar os testes para uma região de sobreposição de duas dessas áreas, em que os moradores teriam de 34% a 38% mais chance de serem casos positivos de COVID-19 em relação aos de outras regiões.

Com a aplicação dos exames, 32% das pessoas testaram positivo, o que quer dizer que a análise do Brasil Sem Corona apresentou um acerto no intervalo de 84% a 94%. A prefeitura também realizou testes em áreas fora daquela região e o resultado foi que apenas 3% das pessoas testaram positivo.

“A testagem depende da disponibilidade de materiais e, em um cenário de escassez como o do Brasil, deve ser usada de maneira muito eficiente e otimizada para evitar qualquer tipo de desperdício. A experiência em Caruaru mostra como a vigilância participativa consegue empoderar uma estratégia ou política pública de direcionamento de testes para Covid-19 de maneira inteligente e robusta”, diz Onicio Leal, epidemiologista e PhD em Saúde Pública, cofundador da startup Epitrack, à frente do Movimento Brasil Sem Corona.

“A parceria com o Brasil Sem Corona é imprescindível para o uso dos recursos públicos de maneira adequada e eficiente. Com vigilância participativa, conseguimos atuar mais perto da população e do que ela realmente precisa, além de aumentar a eficiência do serviço público”, diz Francisco Santos, secretário de Saúde de Caruaru (PE).

Além de Caruaru, outras gestões públicas optaram por usar as informações do Brasil Sem Corona para entender tendências da doença e melhorar o tipo de informação que usam para combatê-la, como é o caso de Maceió (AL), Teresina (PI), Ipojuca (PE) e Santo André (SP).

Construção do mapa do Brasil Sem Corona

O mapa do Brasil Sem Corona mostra com geolocalização aproximada e atualização em tempo real os casos considerados suspeitos de COVID-19, graves, confirmados, com alguns sintomas e sem sintomas. A partir do relato dos cidadãos, a classificação é feita por um modelo epidemiológico sindrômico desenvolvido por pesquisadores da Epitrack, startup de inteligência de dados para o monitoramento e controle de doenças, que é referência internacional para a detecção de epidemias.

O Movimento Brasil Sem Corona é uma iniciativa conjunta da Epitrack e a startup Colab, plataforma colaborativa de engajamento de cidadãos e governos, por onde os voluntários reportam como estão se sentindo. O Colab foi escolhido como plataforma para a pesquisa por já ser usado por mais de 300 mil brasileiros em milhares de municípios e ser adotado por mais de 100 prefeituras para uma gestão pública mais eficiente e colaborativa. 

A iniciativa tem apoio da Amazon Web Services (AWS), que doou US$ 75 mil em créditos de servidores para a plataforma do Brasil Sem Corona.

Pesquisadores e organizações interessados em desenvolver estudos independentes a partir das informações produzidas pela iniciativa podem solicitar acesso à base de dados do movimento.

Vigilância participativa no combate à COVID-19

Diante da ameaça da pandemia do novo coronavírus, muitos países têm usado plataformas de vigilância participativa para ajudar no combate à COVID-19.

Dois estudos científicos publicados recentemente legitimaram a metodologia como estratégia para prever picos de casos confirmados da Covid-19. Os estudos foram realizados a partir de relatos de mais de 2,5 milhões de voluntários por meio de um aplicativo usado nos Estados Unidos e no Reino Unido. Uma das pesquisas, publicada na revista Science*, mostrou que o método conseguiu antecipar com 5 a 7 dias de antecedência dois picos de notificação oficial da doença no sul do País de Gales.

No Brasil, a vigilância participativa foi usada pelo governo federal em 2014, durante a Copa do Mundo, e em 2016, nos Jogos Olímpicos, para monitorar possíveis focos de epidemias durante os eventos em massa, por meio de uma parceria com a Epitrack.

*Estudo: Rapiimplementatioomobiltechnologforealtimepidemiologocovid19 . Autores: David A. Drew, Long H. Nguyen, Claire J. Steves, Cristina Menni, Maxim Freydin, Thomas Varsavsky, Carole H. Sudre, M. Jorge Cardoso, Sebastien Ourselin, Jonathan Wolf, Tim D. Spector, Andrew T. Chan, COPE Consortium

Mais sobre a Epitrack

A Epitrack atua no segmento de Digital Health com a missão de proporcionar acesso inteligente à saúde. Suas plataformas contam com mapas interativos que mostram como doenças se comportam no território. Criada em 2013, a startup já se tornou referência na construção de plataformas baseadas em crowdsourcing e inteligência epidemiológica.

A startup desenvolveu plataformas de vigilância participativa em eventos de massa, como a Saúde na Copa, para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, e a Guardiões da Saúde, para os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Durante esses eventos, o Ministério da Saúde instalou um gabinete de monitoramento com uma equipe central de vigilância que ficava acompanhando as tendências de risco de epidemias e, quando avaliava necessário, enviava equipes de investigação em campo para averiguar se de fato estava ocorrendo o início de um surto.

Também desenvolveu outras soluções que foram aplicadas em países como Estados Unidos, Canadá, Suíça e Porto Rico.

www . epitrack . tech

Mais sobre o Colab

Colab é uma plataforma que conecta cidadão a governo, para dar mais voz ao cidadão e permitir que o governo pratique uma gestão mais compartilhada e eficiente. A população posta demandas de zeladoria urbana no aplicativo Colab e elas são levadas em tempo real às prefeituras pelo sistema da plataforma, sem paradas burocráticas ou empecilhos. E os gestores se baseiam nas propostas e pedidos dos cidadãos para conduzir a administração pública. Pelo aplicativo, os cidadãos também respondem a consultas públicas realizadas pelas prefeituras, para que sua opinião seja levada em conta em tomadas de decisão.

Fundado em 2013 e eleito o melhor aplicativo urbano do mundo pela New Cities Foundation, o Colab já recebeu prêmios nacionais e internacionais pela inovação na gestão pública. Também é a plataforma escolhida pelo ONU-Habitat, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, para aplicar uma pesquisa anual nacional de percepção dos brasileiros sobre a condição de vida em suas cidades.

www.colab.re

Marina Franco
Oficina de Impacto

Jair Bolsonaro acha que vai escapar das responsabilidades sobre a catástrofe da COVID-19, mas está enganado

bolso renitenteO presidente Jair Bolsonaro confrontou de forma ríspida uma eleitora que o questionou sobre os 38.000 mortos pela COVID-19. Ele precisará se acostumar às cobranças que virão

O presidente Jair Bolsonaro tem sido um contumaz negacionista da letalidade do novo coronavírus e da infecção que ele causa, a COVID-19.  Agora, com o total de mortos chegando a 40.000 mil, as cobranças por sua postura estão vindo até dos seus eleitores, coisa que obviamente o está irritando profundamente, já que não está acostumado a ter que dar explicações sobre o quer que seja.

Hoje ele teve um primeiro encontro com uma eleitora e apoiadora, a youtuber Cris Bernat, que trabalha com o vereador paulistano do MBL Fernado Holiday (DEM/SP),  que cobrou suas responsabilidades sobre o número de mortos pela COVID-19 (ver vídeo abaixo).

Erro
Este vídeo não existe

Como se vê no vídeo, a primeira reação do presidente Jair Bolsonaro foi ficar em silêncio, como se estivesse esperando que a maioria dos apoiadores mais obstinados calassem a eleitora renitente.  Mas como isso aconteceu, ele depois partiu para um costumeiro gesto de tentar calar  uma eleitora que apenas exercia o direito de cobrar o eleito. 

Aí ele fez o que sempre fez nos seus quase 30 anos de vida parlamentar:  mandou  sua eleitora renitente  se retirar da porta do Palácio da Alvorada, e ainda disse “Cobre do seu governador. Sai daqui“.

O problema para  Jair Bolsonaro é que não será tão fácil calar aquela parcela de eleitores que votou esperando por reais mudanças na condução do governo em prol dos pobres, que nem parece ser o caso de Cris Bernat. E ainda terá de ouvir muitas vezes declarações semelhantes ou ainda piores do que aquela que pode ser ouvida no vídeo : “O senhor, como chefe da Nação, eu votei no senhor, fiz campanha para o senhor, acho até que o senhor me conhece. E eu sinto que o senhor traiu a nossa população”.

As próximas semanas e meses deverão de ser de dura provação para Jair Bolsonaro, mas não tão duras para as milhares de famílias que estão perdendo entes queridos para uma pandemia letal, que só chegou ao nível que está chegando pela postura negacionista do presidente da república. Simples assim!

Com a pandemia fora de controle, trabalhadores brasileiros são jogados nos braços da COVID-19

Depois que muito outros milhares de brasileiros morrerem por causa da insensibilidade e irresponsabilidade dos governantes que colocam o lucro acima da vida, lembrem bem dessa imagem de um ônibus carregando trabalhadores na cidade do Rio de Janeiro. É nesse sistema de transporte público aquém da dignidade dos transportados, que governantes como Marcelo Crivella e Wilson Witzel estão jogando os trabalhadores nos braços mortais da COVID-19.

pandemia isolamento

O fato inescapável é que as elites econômicas do Brasil estão satisfeitas em poder jogar milhões de trabalhadores pobres no cadafalso em nome da manutenção das políticas ultraneoliberais do governo Bolsonaro e do seu ministro banqueiro, Paulo Guedes. É que, ao contrário dos trabalhadores, as elites possuem jatos, helicópteros que podem levar seus membros para o interior de mansões nababescas.

No futuro quando se olhar para essas imagens, poderemos lembrar que em meio a uma pandemia letal e com a curva de contaminação ainda longe do seu pico, os trabalhadores foram sacrificados para que os ricos pudessem continuar suas vidas luxuriantes, como se nada estivesse acontecendo.

Enquanto isso, a COVID-19 segue sua margem implacável: o Brasil possui no momento em números oficiais um total 742.084 de pessoas infectados pelo coronavírus e 38.497 mortos. E isto sem levar a óbvia subnotificação que omite uma quantidade ainda desconhecida de pessoas afetadas pela pandemia.

 

UNICEF e BNDES firmam parceria para a prevenção da COVID-19

Primeiras empresas que se juntam à iniciativa são Arteris, CGN, EDF Renewables, Essencis e Termoverde (Grupo Solví), Gemini Energy e Omega Energia, destinando R$ 6 milhões ao apoio às famílias mais vulneráveis em oito capitais do País

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Brasília, 9 de junho de 2020 – Parceria entre o UNICEF no Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e empresas do setor privado destina recursos financeiros para medidas de prevenção da COVID-19 entre as famílias mais vulneráveis, em diversas capitais brasileiras. Os primeiros repasses totalizam R$ 6 milhões, unindo esforços das empresas Arteris, CGN, EDF Renewables, Essencis e Termoverde (Grupo Solví), Gemini Energy e Omega Energia. Os recursos estão sendo destinados ao UNICEF por meio da linha de Investimentos Sociais de Empresas (ISE) do BNDES.

O objetivo da parceria é a compra e a distribuição de kits com suprimentos fundamentais de higiene – sabonete, detergente líquido, álcool em gel e água sanitária – e cestas básicas às famílias que mais precisam. Como parte da conscientização sobre os cuidados necessários neste momento de pandemia, o UNICEF também distribui, juntamente com os kits, folhetos com informações sobre como se proteger da Covid-19 e cuidar da saúde e do bem-estar das famílias, em especial aquelas com crianças e adolescentes. As doações atentem, aproximadamente, 121 mil pessoas, nas cidades de Belém, Fortaleza, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo.

No Brasil, o UNICEF tem articulado uma intensa força-tarefa com diversos atores do setor privado, movimentos sociais, governos, organizações e celebridades para ampliar seu trabalho e fazer chegar a ajuda a milhares de pessoas, priorizando as áreas da saúde, água, saneamento, proteção e educação.

“Embora crianças e adolescentes não sejam os mais afetados pelo coronavírus diretamente, como em toda crise humanitária, eles sofrem muito de maneira indireta. Estamos felizes em ter BNDES, Arteris, CGN, EDF Renewables, Essencis e Termoverde, Gemini Energy e Omega Energia conosco nessa mobilização pelos direitos de crianças, adolescentes e famílias”, diz Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil.

De acordo com o superintendente da Área de Gestão Pública e Socioambiental do BNDES, Júlio Leite, a linha ISE, que viabilizou os investimentos, busca ampliar a responsabilidade social das empresas, estimulando-as, por meio de condições financeiras atraentes, a ir além das meras obrigações ambientais e sociais previstas em legislação.

“Diante do avanço da COVID-19, incentivamos as empresas a realizarem ações relacionadas à mitigação dos impactos da pandemia. Algumas delas demonstraram interesse em apoiar o projeto emergencial do UNICEF, utilizando recursos já contratados no Banco para aumentar de forma relevante a quantidade de famílias atendidas e, portanto, a eficácia e o impacto da iniciativa”, explica o executivo.

Em cada cidade, o UNICEF é responsável pela compra dos itens de higiene, saúde e cestas básicas, priorizando comércios locais e favorecendo a economia e o desenvolvimento da região. Fica a cargo do UNICEF, também, a distribuição dos kits para as famílias nas comunidades, realizada por parceiros e organizações locais em cada município.

Contatos para imprensa UNICEF no Brasil
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Contatos para imprensa BNDES
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