Brasil sofre invasões de hospitais no dia em que se tornou o segundo colocado em infecções e mortes por COVID-19 no mundo

div-prefeitura-rio-1O Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, localizado no bairro de Acari, foi palco de invasão e depredação após chamado do presidente Jair Bolsonaro por inspeções em unidades tratando pacientes com COVID-19

O dia 12 de junho de 2020 que poderia ser apenas um daqueles dias escolhidos para marcar o amor entre duas pessoas se tornou o marco da passagem do Brasil para o segundo lugar do ranking de mortes por COVID-19 (com um total de 41.828 vidas perdidas para a pandemia), ficando atrás apenas dos EUA, o que acontece também no caso das infecções (ver tabela abaixo).

COVID 19

Não bastasse essa situação de tragédia, o Brasil se tornou palco hoje de pelo menos duas invasões de hospitais, sendo um deles o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, no Rio de Janeiro, incluindo alas restritas a médicos e pacientes enfermos com COVID-19.

Essas invasões, que parecem surreais em um país engolfado por uma pandemia letal, parecem decorrer de um chamado feito pelo presidente Jair Bolsonaro para que as pessoas adentrassem hospitais para “checar a ocupação de leitos“. 

Afora os riscos sanitários que decorrem dessa sugestão, tanto para os pacientes e profissionais que os atendem e até dos “inspetores”, a sugestão do presidente Jair Bolsonaro é um desrespeito aos brasileiros que já morreram por causa do COVID-19. Isto sem falar no fato de que a invasão de hospitais, por qualquer razão que seja, afronta as leis brasileiras.

A situação é tão acintosa que os nove governadores de estados da região do Nordeste já emitiram uma nota criticando as invasões de hospitais, pois segundo eles “não é invadindo hospitais e perseguindo gestores que o Brasil vencerá a pandemia.

Uma nota mais dura ainda foi emitida pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) que condenou de forma veemente as declarações do presidente Jair Bolsonaro incitando a invasão de hospitais. Segundo, a nota do CNS  o “governo federal continua assumindo sua atitude genocida, negando a pandemia, colocando-se como adversário da ciência, que tem incansavelmente se dedicado à busca de alternativas que possam minimizar os efeitos nefastos da pandemia. Isso demonstra total desprezo pela vida da população, não expressando qualquer sentimento de solidariedade, empatia e compaixão, quer com as famílias que perderam seus entes queridos, quer com os profissionais que têm adoecido e morrido no desenvolvimento de suas atividades laborais. Diferente de outros países do mundo, que reconhecem nos profissionais de saúde a fortaleza dos sistemas de saúde para enfrentamento ao novo coronavírus”.

O friso que pus no termo “atitude genocida” é apenas para explicitar a possibilidade de que em um futuro não muito distante o presidente Jair Bolsonaro venha a ter que responder em algum órgão internacional sobre o papel que está cumprindo ao negar a letalidade, questionar o valor do conhecimento científico e, ainda por cima, incitar a invasão de hospitais. E lembremos todos que o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi o primeiro a usar o termo “genocida” para caracterizar as ações do governo Bolsonaro no trato da pandemia.

E assim segue a nau brasileira cada vez mais desgovernada.

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