Sinos dobram por Ricardo Salles, mas não celebre: no governo Bolsonaro o ruim sempre pode piorar

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Se aceitarmos como verdade as análises do jornalista Ricardo Noblat, o ministro (ou seriam anti-ministro) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, é uma espécie de “morto-vivo” no governo Bolsonaro. As razões para esta situação, onde já estiveram Gustavo Bebbiano, Henrique Mandetta, Sérgio Moro e Abraham Weintraub, seria a nota da Assessoria de Comunicação do Meio Ambiente dando conta que as operações de combate ao desmatamento e às queimadas seriam suspensas por causa do corte de verbas determinado pelo Ministério da Fazenda.

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Quem acompanha este blog sabe que considero Ricardo Salles a pessoa errada no lugar errado, visto, entre outras coisas, a condenação por improbidade administrativa por causa da sua interferência na elaboração do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental do Rio Tietê em 2016. Nesse processo, Salles foi condenado, inclusive, à perda de seus direitos políticos por 3 anos. 

Já no governo Bolsonaro, Ricardo Salles agiu para inviabilizar a governança ambiental e os instrumentos de comando e controle, forçando uma militarização dos postos de comando de agências ambientais. Além disso, Salles efetivamente “passou a boiada” na área ambiental com a regressão da legislação ambiental. Tudo isso combinado resultou em índices altíssimos de desmatamento e queimadas na Amazônia, mas também na Mata Atlântica.

Imagem de capaRicardo Salles e seu sorriso sardônico ao sobrevoar as áreas de garimpo ilegal na Terra Indígena Munduruku no estado do Pará

Desta forma, uma possível queda de Ricardo Salles deverá ser celebrada por aqueles que o enxergam como o arauto do caos ambiental instalado pelo governo Bolsonaro. Mesmo que eu não vá derrubar uma mísera lágrima se Salles for realmente defenestrado, tampouco irei celebrar. É que no governo Bolsonaro, ministros que perdem seu prazo de validade estão sendo substituídos por figuras que aprofundam ainda mais a aplicação do projeto “anti-Nação” que as elites que colocaram Jair Bolsonaro no poder querem fazer avançar.

A minha aposta é que se Salles realmente cair, a maior chance é de que haja uma militarização do MMA com a colocação de mais um general na cadeira de ministro. Ou se colocará alguém ainda mais retrógrado e ainda mais comprometido com a destruição da governança ambiental e dos instrumentos de comando e controle. Em qualquer uma dessas hipóteses, a ordem certamente será a volta ao passado onde inexistiam leis ambientais e órgãos de proteção ambiental, no melhor estilo “wild west” (oeste selvagem).

A construção de alternativas ao projeto “arrasa quarteirão” da área ambiental passa por entender as questões estratégicas que guiam as ações do governo Bolsonaro, independente dos personagens que as executam. Afinal,  é sempre bom lembrar que a norma é sempre piorar.

Grupo de jornalistas investigativos revela ligações da JBS com desmatamento ilegal na Amazônia

Gigante brasileiro da carne transportou gado de fazenda desmatada na Amazônia

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Por Andrew Wasley Alexandra Heal e André Campos para

Gabinete de Jornalismo Investigativo

Em um dia ensolarado em julho de 2019, Alessandro Ale, motorista de caminhão, decidiu tirar algumas fotos enquanto dirigia em um comboio pelo extremo sul da floresta amazônica. Ele pegou o táxi do seu caminhão – estampado com o logotipo da JBS, a maior empresa de carnes do mundo – ao lado de uma placa chamada “Fazenda Estrela do Aripuanã”, antes de ele e os outros quatro motoristas partirem com sua carga de cerca de 250 bovinos. Ele gostou da jornada. “Trabalhar com bons colegas é sempre um passeio alegre”, ele legendou a foto no Facebook.

Mas a foto de Ale, posteriormente descoberta pelo Repórter Brasil e pelo The Bureau of Investigative Journalism, aumenta as preocupações sobre a culpabilidade da indústria mundial de carne bovina pelos incêndios que assolam a Amazônia a cada ano. Em junho, houve incêndios recordes na Amazônia, atingidos pelo desmatamento ilegal, já que os proprietários de fazendas buscam mais terras para se transformar em pastagens.

A JBS, que fornece gado da Amazônia para seu enorme mercado global de carne bovina, tem receita anual de US$ 50 bilhões e abate quase 35.000 bovinos por dia somente no Brasil. Suas exportações de carne bovina para a Europa continental aumentaram em um quinto nos últimos anos, apesar da emergência na Amazônia.

À medida que os protestos contra os incêndios na Amazônia aumentaram, a JBS disse repetidamente que está fazendo tudo o que pode para garantir que sua cadeia de suprimentos não inclua gado criado em terras desmatadas ilegalmente. Mas sempre acrescentou que só pode monitorar fazendas que o fornecem diretamente. Isso evita o acerto de contas com o grande número de fazendas, que apenas criam vacas “magras” que são vendidas para fazendas de engorda; Segundo a JBS, esses bovinos magros não são rastreáveis.

bji6Uma foto que Ale postou no Facebook de seu caminhão estacionado ao lado da placa Estrela da Aripuanã. Facebook

Até agora, essa garantia se mostrou boa o suficiente para os grandes varejistas e fabricantes de alimentos do mundo e os investidores da JBS – mas enfrenta um desafio significativo à luz da fotografia de Ale. O dono da Fazenda Estrela do Aripuanã, a fazenda onde Ale disse que pegou o gado magro, foi multado em R$ 2,2 milhões (£ 340.000) por destruir uma faixa da floresta amazônica em terra naquele rancho. E o gado que Ale levou embora, em um caminhão com o logotipo da JBS, foi para outra fazenda da empresa – aquela que abastece diretamente a JBS.

As revelações levantam sérias questões que exigem uma investigação mais urgente para a JBS, seus investidores e as empresas globais que compram carne bovina por sua responsabilidade de contribuir para a destruição da floresta amazônica, os “pulmões do planeta”.

Reagindo às conclusões, Zac Goldsmith, ministro internacional do meio ambiente, disse que o governo do Reino Unido está analisando atentamente as recomendações feitas em um relatório independente encomendado pelo governo sobre a redução do desmatamento causado pelos produtos importados da Grã-Bretanha. O relatório sugeria uma legislação que exigia que as empresas britânicas prevenissem danos ambientais e violações dos direitos humanos em suas cadeias de fornecimento, e nomeou a carne bovina como uma das mercadorias mais arriscadas.

“Existe uma conexão extremamente importante entre os produtos que compramos e sua maior pegada ambiental”, disse Goldsmith. “Muito progresso já foi feito para tornar as cadeias de suprimentos do Reino Unido mais sustentáveis, mas sabemos que mais precisa ser feito.”

A JBS contestou as conclusões do The Bureau of Investigative Journalism e acrescentou que tais práticas “não refletem seus padrões operacionais”. A empresa enfatizou que auditorias independentes mostram que nenhum gado em sua cadeia de suprimentos direta é proveniente de floresta tropical recém-desmatada. Mas especialistas disseram à Repartição que acreditam que até 50% do gado criado na Amazônia provavelmente vem de fazendas que não são cobertas pelas auditorias, o que significa que poderiam vir de fazendas ilegalmente desmatadas como a Fazenda Estrela do Aripuanã.

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A JBS começou como uma açougue familiar no Brasil, mas se tornou a maior empresa de carnes do mundo – suas subsidiárias controlam vastas faixas de produção de frango nos EUA e no Reino Unido, e sua carne é exportada para todo o mundo.

Esse crescimento teve um custo. Em 2017, a holding da JBS pagou uma das maiores multas da história corporativa global, em US $ 3,2 bilhões, depois de admitir o suborno de centenas de políticos. Os irmãos Batista, que assumiram o negócio da família de seu pai, foram investigados várias vezes .

O Bureau, trabalhando com o Repórter Brasil e o Guardian, cavou repetidamente os vínculos entre a empresa e o desmatamento na Amazônia , que quase dobrou no ano passado. Em 2019, os números revelaram como até 5.800 quilômetros quadrados de floresta – uma área quatro vezes maior que a da Grande Londres – estavam sendo cortados todos os anos na Amazônia e em outras áreas no Brasil para serem convertidos em pastagem de gado.

A JBS, como outros grandes produtores de carne bovina, afirma ter uma abordagem de “tolerância zero” ao desmatamento ilegal e introduziu sofisticados sistemas de monitoramento para seus fornecedores diretos. A todo momento, a empresa insiste em que é impossível monitorar seus fornecedores indiretos, porque não há registros disponíveis publicamente de gado movendo-se entre fazendas em diferentes estágios do processo de criação.

Esse argumento transfere a responsabilidade para o governo brasileiro e há pressão internacional para fechar a brecha. Angus MacNeil MP, presidente do comitê internacional de seleção de comércio, disse ao The Bureau of Investigative Journalism que o Brasil teria que “limpar sua ação … ou certamente as nações terão que agir”.

Ele acrescentou: “Em toda a Europa existe um sistema de rastreamento de gado, para que as pessoas saibam onde nascem os bezerros e possam ser rastreados durante a vida. No Brasil, essa é uma enorme brecha. É uma questão ainda mais séria que o bem-estar e os padrões, pois é o desmatamento da Amazônia, os pulmões da terra estão em risco. ”

Delara Burkhardt, eurodeputada alemã, está menos convencida de que apenas os governos podem agir. “Que as empresas não podem monitorar a pegada de desmatamento de muitos de seus fornecedores é um argumento que ouvimos frequentemente. Isso não pode ser uma desculpa … Grandes empresas – como a JBS – com sua grande influência nos fornecedores upstream poderiam consertar isso, se quisessem ou se fossem obrigadas a fazê-lo pelas leis dos países importadores ou nacionais.

Os críticos dizem que a situação – que afeta todas as empresas de carne bovina originárias da Amazônia, incluindo os principais rivais da JBS, Marfrig e Minerva Foods – permite uma forma de “lavagem de gado”, na qual animais de fazendas “sujas” ligadas ao desmatamento podem acabar sendo movidos e misturado com gado de fazendas “limpas”.

Publicamente, tanto a indústria brasileira de carnes quanto seus críticos concordam que combater a rastreabilidade do gado é essencial para preservar a floresta tropical.

Mas as fotografias de Ale, com referência cruzada a outros registros, levantam sérias preocupações de que, longe de ser incapaz de monitorar os diferentes atores de sua cadeia de suprimentos, a JBS possa ter facilitado a lavagem de gado.

bji 3A história do comboio de Ale mostra a rapidez com que o gado supostamente não rastreável de fazendas diretamente ligadas à destruição ilegal da Amazônia poderia chegar às fazendas que alimentam a cadeia de suprimentos global da JBS.

Ale e seus colegas estavam transportando gado pela floresta tropical da Fazenda Estrela do Aripuanã, uma fazenda no noroeste de Mato Grosso, para uma fazenda mais ao sul. A Amazônia cobre cerca de 40% do Brasil.

A Fazenda Estrela do Aripuanã – a primeira fazenda na qual a Ale apanha o gado – é operada por Ronaldo Venceslau Rodrigues da Cunha, um empresário que cria gado e tem uma das maiores empresas de carne bovina do Brasil.

Sua empresa possui 102.000 bovinos criados e engordados em 16 fazendas que abrangem cerca de 72.000 hectares de pastagem. Seu site conta a história colorida de como o império de gado de Cunha cresceu desde um começo humilde, completo com detalhes de várias tragédias familiares e os altos e baixos do comércio de gado.

O que não menciona é que a fazenda Estrela do Aripuanã foi previamente multada em R$ 2,2 milhões por desmatamento da floresta tropical. Os registros publicados pelo Ibama, órgão ambiental brasileiro, mostram claramente 1.455 hectares de terra sob embargo oficial – que proíbe a pastagem de gado – como resultado do desmatamento. Os embargos são impostos por violações ambientais e servem como punição e medida protetora para permitir a recuperação da terra.

O site também não menciona que a fazenda Aripuanã foi devastada por vários incêndios florestais entre 2018 e 2019. (O The Bureau of Investigative Journalism conseguiu cruzar conjuntos de dados de referência sobre os incêndios no Brasil com mapas dos limites da fazenda para localizar essas chamas – e outras em anos anteriores – em terra do fazendeiro.)

Embora não haja sugestão de que esses incêndios tenham sido deliberadamente iniciados para limpar mais florestas para pastagens, eles mostram como as terras desmatadas podem ser vulneráveis ​​a incêndios.

bj1 2Desmatamento deixa a Amazônia vulnerável a incêndios. Imagem cortesia do Greenpeace

Ale e seus companheiros motoristas da JBS parecem ter levado o gado Aripuanã para uma segunda fazenda também administrada pela empresa Cunha, Fazenda Estrela do Sangue, a cerca de 300 km de distância. A Sangue, diferentemente da Aripuanã, não possui embargos devido ao desmatamento e, portanto, seria considerada um fornecedor “limpo”.

Embora o post de Ale no Facebook o tenha mostrado fazer essa jornada apenas uma vez, o Bureau estabeleceu desde então que o gado é transportado regularmente da fazenda Aripuanã para a fazenda Sangue.

Os registros de movimentação de gado vistos pelo Bureau mostram que de junho de 2018 a agosto de 2019, pelo menos 7.000 animais foram despachados da primeira fazenda para a segunda. Registros separados mostram que a fazenda Sangue enviou cerca de 7.000 bovinos para matadouros da JBS entre novembro de 2018 e novembro de 2019.

A empresa de Cunha não respondeu a um pedido de comentário.

Embora seja impossível rastrear os movimentos e destinos exatos de cada animal, a regularidade dos movimentos de gado entre as fazendas – e o número considerável de animais do segundo rancho que terminam nas fábricas de carne da JBS – fornece algumas das evidências mais fortes ainda sugerindo a maneira pela qual a lavagem de gado pode ocorrer na prática.

O The Bureau of Investigative Journalism encontrou evidências de que a JBS promover repetidamente o uso de caminhões próprios para o transporte de gado entre fornecedores indiretos e fornecedores diretos. Os executivos da JBS promovem as rotas como “viagens de três pernas”: pegar gado “magro” em uma fazenda, trocá-los por vacas engordadas em um segundo e terminar a jornada em um matadouro. As postagens de Ale no Facebook contam uma história semelhante, parecendo mostrá-lo transportando gado entre diferentes fazendas em pelo menos uma outra viagem.

A revelação, disseram os ativistas, pressiona empresas de todo o mundo a rever seus laços com a JBS, caso desejem evitar estar ligadas a preocupações com a destruição da Amazônia.

“Vez após vez, a JBS foi pega em flagrante lucrando com a destruição da Amazônia”, disse John Sauven, diretor do Greenpeace do Reino Unido.

“Agora estamos enfrentando um colapso climático e natural, e a JBS tem um peso significativo de responsabilidade. Com os produtos de carne da JBS terminando em supermercados e restaurantes de fast food em todo o mundo, não há mais desculpas. Os varejistas devem parar de negociar com todas as empresas pertencentes à JBS enquanto ainda temos o suficiente da Amazônia para lutar. ”

bj1 1Terra limpa para pastagem de gado. Imagem cortesia do Greenpeace

O gado criado e abatido no Brasil se transforma em carne bovina vendida em todo o mundo.

Em 23 de outubro do ano passado, enquanto partes da floresta amazônica ainda estavam queimando, um grande carregamento de carne brasileira estava sendo descarregado nas docas de Londres. Pesando mais de 25 toneladas, em 40 contêineres separados cheios de carne congelada, a remessa passou dias no mar após ser carregada em um navio no porto brasileiro de Itapoá.

De acordo com um banco de dados comercial líder, era apenas uma das 500 remessas similares – 11.500 toneladas de carne bovina no total – da JBS para chegar ao Brasil do Reino Unido entre maio de 2019 e abril de 2020. Embora não sejam insignificantes, as importações do Reino Unido são diminuídas pelo fornecimento para a Europa; A JBS exportou mais de 46.500 toneladas de carne bovina para o continente no mesmo período.

Os números mostram com que facilidade a carne bovina fornecida por empresas como a JBS pode alcançar consumidores internacionais, muitos dos quais podem ficar chocados ao saber que a carne que compram está alimentando diretamente a devastação na maior floresta tropical do mundo.

No ano passado, um estudo da Trase – uma iniciativa da cadeia de suprimentos administrada pelo Instituto Ambiental de Estocolmo e pela ONG Global Canopy – revelou que as exportações globais de carne bovina da JBS estavam ligadas a até 300 km2 de desmatamento por ano no Brasil. (As exportações dos outros dois gigantes da carne, Minerva Foods e Marfrig, estavam ligadas a 100 km quadrados de perda de floresta anualmente.)

Posteriormente, a Repartição revelou como as três empresas enviaram US $ 3 bilhões em carne bovina para a Europa por um período de cinco anos. Somente o Reino Unido havia importado £ 1 bilhão em carne . As importações europeias da JBS, Marfrig e Minerva também parecem ter aumentado 14% entre maio de 2017 e abril de 2020.

Grande parte da carne brasileira fornecida ao Reino Unido é vendida enlatada, com carne enlatada destinada a supermercados e outros varejistas. A carne congelada, como os casos descarregados nas docas de Londres, geralmente é importada para atacadistas e fabricantes. A partir daí, poderia acabar em jantares hospitalares, refeições prontas e fast food, através de uma cadeia de empresas de catering e produção de alimentos. A carne bovina da JBS foi encontrada à venda nos supermercados britânicos Sainsbury’s, Asda, Lidl, Morrisons e Co-op.  A carne enlatada da JBS também foi vendida para a cadeia de suprimentos do NHS, que fornece fundos hospitalares.

A JBS disse ao The Bureau of Investigative Journalism que investigou as evidências e descobriu que “a fazenda de coleta não estava dentro de nenhuma área embargada”, de acordo com o sistema da empresa. A JBS disse que introduziu um novo sistema em 1º de julho que “esperava causar um impacto significativo na redução da lavagem de gado… Estamos trabalhando para uma cadeia de suprimentos completamente transparente”.

A empresa acrescentou que “não compra gado de fazendas envolvidas em irregularidades” e “adota uma abordagem inequívoca de desmatamento zero”. Um porta-voz disse: “A JBS sempre esteve na vanguarda das iniciativas do setor para combater a chamada ‘lavagem de gado’”.

A JBS afirmou que sua operação de transporte rodoviário garante que “o gado seja transportado de acordo com os mais altos padrões de bem-estar animal” e que suas operações “reduzam o impacto ambiental do transporte de gado, otimizando a frota de caminhões”.

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Políticos, ativistas e reguladores estão cientes de como o consumo de carne bovina do oeste está ligado à queima da Amazônia.

Em junho, investidores globais dos EUA, Europa e Ásia, administrando juntos US$ 3,7 bilhões em ativos, exigiram que o governo brasileiro reprimisse o desmatamento e ameaçasse o desinvestimento caso a situação não mudasse.

A Comissão Européia também está considerando medidas regulatórias para combater o desmatamento, desde requisitos mais rigorosos de rotulagem até proibir a importação de produtos agrícolas que danificam o meio ambiente. Em outubro, os eurodeputados votarão se a comissão deve se concentrar no último, que proibiria a importação de produtos como carne, soja e óleo de palma, onde estão ligados ao desmatamento.

É um momento crucial para a ação, acreditam os ativistas, porque o acordo comercial do Mercosul da UE com os países da América do Sul – que daria aos produtores de carne bovina no Brasil acesso com tarifas reduzidas ao mercado europeu – está aguardando ratificação.

A finalização do acordo este ano é considerada uma prioridade para o governo alemão. Em junho, no entanto, o presidente Macron expressou sua oposição por causa de preocupações com o desmatamento. Os governos holandês, austríaco, irlandês e belga também se opõem ao acordo pelo mesmo motivo, bem como à ameaça aos agricultores europeus.

No verão passado, o primeiro-ministro da Inglaterra, Boris Johnson, se recusou a se juntar a Macron na crítica ao governo Bolsonaro por causa da crise de incêndios, pela qual mais tarde foi agradecido pelo embaixador brasileiro . Os críticos sugeriram que os padrões ambientais provavelmente serão sacrificados à medida que o Reino Unido busca acordos comerciais após o Brexit. No ano passado, uma autoridade brasileira disse que o país estava buscando um acordo comercial do Mercosul com o Reino Unido, semelhante ao acordo da UE.

 

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Esta reportagem foi escrita originalmente em inglê e publicada pelo “The Bureau of Investigative Journalism” [Aqui!].

Science revela as maçãs podres do agronegócio brasileiro

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A prestigiosa revista Science publicou nesta 5a. feira (16/07) um artigo na seção “Forum Policy” que deverá levantar ainda mais rugas nas testas do presidente Jair Bolsonaro e de seus auxiliares mais fiéis. Sob o título de “The rotten apples of Brazil´s agribusiness” (ou em bom português, “As maçãs podres do agronegócio brasileiro”, o artigo que tem como autor principal o professor Raoni Rajão, do Departamento de Engenharia de Produção  da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresenta um minucioso mapeamento que relaciona a produção de soja, que em parte considerável acaba exportada para a União Europeia, em terras ilegalmente desmatadas nos biomas da Amazônia e do Cerrado (ver mapa abaixo).

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Como os próprios autores adiantam no texto, os resultados desse estudo certamente criarão embaraços para o agronegócio brasileiro, não apenas com seus parceiros europeus, mas eventualmente com os chineses. É que dada a sensível situação que foi criada com a política do “passa boiada” engendrada pelo presidente Jair Bolsonaro e levada a cabo com inegável maestria pelos ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Tereza Cristina (Agricultura), agora ficará evidente que parte nada desprezível da soja brasileira está sendo produzida em áreas onde há forte possibilidade de que a remoção da vegetação nativa (floresta tropical ou Cerrado) foi feita de forma ilegal, ao arrepio do que determina a própria legislação brasileira.

Os autores do artigo incluíram ainda um cálculo sobre emissões de gases estufa associados à produção de commodities agrícolas produzidas em áreas desmatadas ilegalmente, o que deverá expor o papel indireto que a União Europa no aquecimento global por “não restringir as importações e consumir produtos agrícolas produtos contaminados com o desmatamento, ilegal ou não”.  O cálculo feito para a emissão de gases estufa apenas a partir da importação de soja  mostra que a União Europeia (UE) poderia ser responsável pela emissão indireta “de 58,3 ± 11,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente (MtCO2e) do desmatamento legal e ilegal nos principais biomas brasileiros entre 2009 e 2017“. Os autores apontam ainda que “é provável que a parte da UE aumente como resultado de acordos comerciais Mercosul-UE e EUA-China“.

Uma curiosidade na publicação deste artigo e de outros que devem estar ainda nas prensas é que todo movimento para conter as informações produzidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) são inúteis, e que informações ainda mais danosas para os interesses comerciais podem ser produzidas por equipes de cientistas que não estão sob o controle estrito do governo Bolsonaro. Nesse sentido, a marcha da ciência é, digamos, imparável. 

Quem desejar ler este artigo e os materiais suplementares publicados pela Science, basta clicar [Aqui!] e [Aqui!].

Helicóptero utilizado para realizar desmatamento ilegal (com agrotóxicos) é apreendido em Mato Grosso

Na ação realizada a 63 km do município de Colniza (Noroeste de Cuiabá), duas pessoas foram conduzidas para a delegacia de polícia. O piloto do helicóptero não foi localizado.  A aeronave apreendida será periciada e removida

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Créditos: Sema-MT – Foto por: Sema-MT

Por Juliana Carvalho | Sema-MT

Uma operação integrada da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), polícias Civil e Militar e Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) flagrou a pulverização de agrotóxico em floresta nativa, áreas de regeneração e pasto, ocasionando danos visíveis à flora.

Esta é a primeira vez que Mato Grosso apreende um helicóptero sendo utilizado para realizar desmatamento ilegal. A equipe considerou o crime um atentado contra a saúde pública e o meio ambiente.

Na ação realizada a 63 quilômetros do município de Colniza (Noroeste de Cuiabá), duas pessoas foram conduzidas para a delegacia de polícia. O piloto do helicóptero não foi localizado.  A aeronave apreendida será periciada e removida, enquanto os produtos utilizados na pulverização serão periciados no local.

A operação ocorreu nesta segunda-feira (15.06) e foi motivada por denúncia anônima que relatou o uso de agrotóxico por diversas propriedades no entorno da Vila Maguila, distrito de Colniza.

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MT apreende helicóptero usado para pulverizar agrotóxico na Floresta Amazônica
Créditos: Sema-MT

Após um trabalho pelo Núcleo de Inteligência e Operações Integradas (NIOC) da Sema, a área foi identificada e o Ciopaer foi acionado para sobrevoar a área. Os agentes identificaram a vegetação amarelada e localizaram a aeronave com os pulverizadores acoplados.

A equipe também encontrou os tanques utilizados no armazenamento de agrotóxicos, nas margens de um lago que aparenta ser uma nascente hídrica represada. As investigações iniciais apontam para a contaminação da lagoa.

De acordo com o relato de um dos conduzidos, foram pulverizados 83 galões de 20 litros de agrotóxicos em duas propriedades, em uma área aproximada de 850 hectares e estavam preparando para realizar o trabalho na terceira propriedade.

heli2O suspeito relatou ainda que todo material era manipulado às margens da nascente. Demais sanções administrativas estão sendo calculadas e a Polícia Civil conduz o inquérito criminal

Desmatamento ilegal zero

A ação realizada em Nova Bandeirantes integra Operação Amazônia Arco Norte do Governo de Mato Grosso em parceria com a Operação Verde Brasil do Governo Federal, visando zerar o desmatamento ilegal em Mato Grosso.

Desde o início da Operação, em maio, foram aplicados R$ 101 milhões em multas por crimes contra a flora, como desmatamento, exploração florestal e queimadas ilegais, dentre outros. Foram embargados mais de 21 mil hectares e apreendidos 44 tratores.

Desde janeiro, Mato Grosso aplicou R$ 555 milhões por crimes contra a flora e embargados 78 mil hectares. As ações conduzidas resultaram na apreensão de 116 tratores e 27 caminhões.

Atividade essencial

As atividades de fiscalização ambiental, que incluem as ações de monitoramento e controle de crimes ambientais como desmatamento e exploração florestal ilegais, pesca predatória, caça ilegal, poluição causada por empreendimentos, dentre outros, seguem em pleno funcionamento durante a pandemia do Covid-19.

De acordo com artigo 8° do decreto Estadual 432/2020, a fiscalização ambiental é considerada atividade essencial no Estado. Ao se deparar com crimes ambientais, o cidadão pode fazer denúncias pelo 0800 65 3838 ou via aplicativo MT Cidadão (disponível para IOS e Android).

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Este artigo foi publicado originalmente pelo portal oficial do governo do estado do Mato Grosso [Aqui!].

95% do desmatamento do primeiro trimestre foi ilegal, informa o novo sistema MapBiomas Alerta

MapBiomas-Alerta

Uma epidemia de desmatamento está afetando todos os biomas e estados, e 22% dos municípios. O diagnóstico, de um período de apenas seis meses, é do MapBiomas Alerta, sistema de alertas de desmatamento que entra no ar hoje (7/6), relata Fabiano Maisonnave na Folha.

Segundo o G1, 95% dos alertas já processados pelo novo sistema incidiram sobre áreas não autorizadas.

“A ferramenta busca garantir que, não importa quando alguém promoveu o desmatamento legal ou ilegal, a gente vai enxergar e vai poder reportar”, disse Tasso Azevedo, coordenador de desenvolvimento do MapBiomas Alerta em entrevista coletiva via internet.

Matéria d’O Globo relata que, com custo zero para instituições públicas, o MapBiomas Alerta é iniciativa da rede de ONGs Observatório do Clima, de universidades e empresas de tecnologia. Entre os financiadores estão o instituto Arapyaú e a Iniciativa Internacional de Clima e Floresta da Noruega. Entre as organizações que investiram com a tecnologia e o serviço estão a Google, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Estadual de Feira de Santana.

A nova ferramenta foi matéria ontem no Jornal Nacional da TV Globo. E o evento de lançamento poderá ser acompanhado a partir das 9h da manhã na página oficial do TCU no Facebook.

ClimaInfo, 7 de junho de 2019.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo ClimaInfo [Aqui!].