Ricardo Salles formaliza em nota que não haverá mais combate ao desmatamento e às queimadas na Amazônia

sput6

Pode-se falar o que se quiser do ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, mas ele não é uma pessoa de esconder suas motivações e ações. Acusado, com inteira justiça, de ter desarticulado a governança ambiental e ter inviabilizado os mecanismos de comando e controle que precariamente protegiam a Amazônia, Salles resolveu dar hoje um passo ainda mais ousado e notificou o mundo, em nota assinada pela Assessoria de Comunicação do Ministério de Meio Ambiente e não por ele como deveria ser, que irá parar de combater o desmatamento e as queimadas na Amazônia (ver nota abaixo).

nota mma

Segundo informa a nota de Salles, a suspensão das atividades contra o desmatamento e queimadas na Amazônia decorrem do “bloqueio financeiro efetivado pela SOF – Secretaria de Orçamento Federal na data de hoje, da ordem de R$ 20.972.195,00 em verbas do IBAMA e R$ 39.787.964,00 em verbas do ICMBio, serão interrompidas a partir da zero hora de 2.feira (31/agosto) todas as operações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia Legal, bem como todas as operações de combate às queimadas no Pantanal e demais regiões do País“.

A nota informa ainda que o bloqueio dos recursos do MMA teria sido decidido “pela Secretaria de Governo/SEGOV e pela Casa Civil da Presidência da República e vem a se somar à redução de outros R$ 120 milhões já previstos como corte do orçamento na área de meio ambiente para o exercício de 2021“.

Como resultado deste bloqueio financeiro, Ricardo Salles informou que “no âmbito do combate às queimadas no IBAMA, a desmobilização de 1.346 brigadistas, 86 caminhonetes, 10 caminhões e 4 helicópteros.”  Salles informou ainda que “nas atividades do IBAMA relativas ao combate ao desmatamento ilegal serão desmobilizados 77 fiscais, 48 viaturas e 2 helicópteros.”  Já no tocante ao ICMBIO, nas operações de combate ao desmatamento ilegal serão “desmobilizados 324 fiscais, além de 459 brigadistas e 10 aeronaves Air Tractor que atuam no combate às queimadas“.

Trocando em miúdos, o governo Bolsonaro fez cortes tão drásticos que não há mais recursos financeiros para combate ao desmatamento e às queimadas em 2020, e tampouco haverá em 2021. Isso equivale ao que na trágica reunião ministerial de 22 abril, o próprio Ricardo Salles equiparou à “passar a boiada, e de baciada“.  Esta situação, é preciso que se diga, equivale ao governo Bolsonaro estar dando um libera geral para desmatadores e todos os tipos de saqueadores ilegais das riquezas amazônicas. As consequências para a suspensão das ações de controle do IBAMA e do ICMBio serão certamente devastadoras.

Em minha opinião esta postura do governo Bolsonaro parte do pressuposto que os principais parceiros comerciais do Brasil vão aceitar calados essa ação anti-Amazônia em nome do fluxo contínuo de commodities baratas que o Brasil fornece às custas da destruição do nosso principal bioma. Resta saber se essa aposta será vencedora como parecem crer que serão os formuladores das políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro.

Em sua página oficial na rede social Twitter, o Observatório do Clima apresentou as seguintes observações sobre a nota do Ministério do Meio Ambiente:

“1. É mentira que não haja dinheiro: o Ibama só gastou 20% do que tinha em caixa para fiscalização entre janeiro e julho. O ministério tem R$ 63 milhões EM CAIXA do Fundo Amazônia para o Ibama e mais R$ 37 mi da Lava Jato,

2.  Parece jogo combinado com o Palácio do Planalto   para dar a Jair Bolsonaro desculpa perfeita para furar o teto de gastos e, ao mesmo tempo, isentar o ministro de responsabilidade pela explosão do desmatamento , e

3. Isso tudo SE FOR VERDADE,  Estamos falando do governo Bolsonaro, que nega coisas publicadas no Diário Oficial e assinadas pelo presidente da República. Ja já tiram a nota do ar, negam tudo e Salles solta o clássico “não é bem assim”.

Um pensamento sobre “Ricardo Salles formaliza em nota que não haverá mais combate ao desmatamento e às queimadas na Amazônia

  1. […] onde já estiveram Gustavo Bebbiano, Henrique Mandetta, Sérgio Moro e Abraham Weintraub, seria a nota da Assessoria de Comunicação do Meio Ambiente dando conta que as operações de combate ao […]

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s