Amazônia em chamas: a supremacia da economia de fronteira e avanços tecnológicos explicam o tamanho do fogo

amazon fire(Photo: Mario Tama/Getty Images)

Enquanto milhares de imagens de fogo literalmente incineram a falsa polêmica levantada pelo presidente Jair Bolsonaro e por seu improbo ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, Ricardo Salles, cresce um misto de comoção e aturdimento de como podemos estar assistindo a tamanha destruição e em tal velocidade.

A pista para entender o que está ocorrendo pode estar em um relatório razoavelmente desconhecido no Brasil e que foi escrito por Michael E. Colby para o Banco Mundial onde ele apresenta sua tipologia para os diferentes paradigmas o manejo do ambiente em face do processo de desenvolvimento econômico. 

É que no continuum criado  por Colby aparece o que ele chamou de “Economia de Fronteira” onde o que predomina é uma visão da natureza como uma fonte infinita e aberta de recursos, de onde se pode tirar tudo sem que haja quaisquer preocupações com a sustentabilidade ambiental ou, ainda, com a distribuição dos  custos que essa forma desregulada de acesso inevitavelmente causa.

E me parece que é justamente a supremacia da “Economia de Fronteira” que estamos assistindo neste momento, o que tem sido viabilizado não apenas pelas políticas ambientais do governo Bolsonaro, mas pela presença de diversos clones de Jair Bolsonaro nos governos estaduais.  Essa combinação permitiu o desmanche das precárias estruturas de comando e controle que impediram nas últimas décadas que a “Economia de Fronteira” hoje hegemônica em relação a outras formas de exploração capitalista. Agora que esses controles sumiram, os agentes que só podem agir livremente em regimes econômicas da “Economia de Fronteira” estão agindo em sua plenitude, e com as repercussões devastadoras que estão emergindo nas redes sociais e mais pontualmente nas telas de TV.

Um aspecto que sempre merece esclarecimento é que os agentes (ou “drivers”) da “Economia de Fronteira” sempre estiveram presentes e agindo, e são relativamente conhecidos na literatura sobre as idas e vindas dos esforços de modernizar o Capitalismo na fronteira amazônica.  Entre os “drivers” clássicos estão os madeireiros, garimpeiros e grileiros de terras, latifundiários, bem como os agricultores sem terra descapitalizados. Além disso, as formas de interação entre esses agentes também foi fartamente ilustrada, pois apesar de existir certa autonomia entre eles, também sempre existiu formas de cooperação. Agindo junto ou sobre esses agentes sempre estiveram membros das elites políticas e econômicas que inicialmente ocuparam a Amazônia, e que historicamente ocuparam a direção dos governos estaduais e municipais. 

Outros agentes que começaram a estar presente com o avanço da fronteira que foi viabilizado pelos grandes projetos implantados na Amazônia pelo regime militar de 1964 foram as grandes corporações econômicas (i.e. bancos, mineradoras, montadoras de carros) a quem não apenas foi oferecida a oportunidade de operar em seus ramos específicos, mas também de serem grandes proprietárias de terra.  Apesar desses agentes econômicos representarem uma face mais moderna do Capitalismo, o fato é que dentro da Amazônia os mesmos sempre tenderam a operar dentro dos parâmetros da fronteira, e não raramente recorreram à violência extrema para impor seus interesses. Tudo dentro da melhor concepção da “Economia de Fronteira”.

Entender essa complexa combinação de agentes e seu comportamento de acesso ilimitado aos recursos naturais da Amazônia é o primeiro passo para entendermos o que está acontecendo neste momento. Entretanto, penso que algo mais precisa entrar na equação que é o avanço tecnológico das ferramentas de extração de recursos, bem como uma modificação nas formas de colaboração entre todos os agentes aqui citados.  A existência de máquinas e insumos que permitem que mais áreas sejam incorporadas à economia de fronteira tem o dom de potencializar a capacidade de destruição que cada um desses agentes possuía anteriormente.  Como também ocorreu uma modificação nas formas com que esses agentes agem, o mais provável é que estejam cooperando mais eficientemente em vez de estarem competindo entre si.  Um exemplo seria a ação combinada entre madeireiros e grandes proprietários de terra que agem de forma coordenada para remover os recursos madeireiros e abrir caminho para haja uma derrubada acelerada da vegetação desprovida de essenciais florestais de valor comercial.

O importante é que seja quem estiver colaborando com quem, o que temos como padrão neste momento é a capacidade de remover mais vegetação nativa e em um espaço muito menor do tempo em relação ao que ocorreu na década de 1970.  Tudo isso torna ineficaz o uso das taxas relativas e absolutas acumuladas na Amazônia para minimizar o que estamos assistindo em 2019. É que tudo indica que estamos diante de um novo regime de desmatamento cuja velocidade estamos apenas começando a ver. Como sou o co-autor de um artigo científico sobre o desmatamento no interior de unidades de conservação no estado de Rondônia onde ficou demonstrado que é preciso se verificar o comportamento longitudinal do desmatamento mesmo em face de taxas absolutas que parecem residuais,  o que mais me preocupa é que as taxas que estão sendo verificadas na Amazônia apontam para um cenário mais devastador e que se dará em tempo bem menor.

Ressalte-se que esse cenário se ajusta perfeitamente ao ideário ultraneoliberal que o ministro Paulo Guedes vem pregando, pois o que ele nos oferece como visão de economia é o que alguns rotulam de “anarco capitalismo” que é apenas uma nova roupagem para a “Economia de Fronteira”, pois o que se prega é a completa ausência do papel de intervenção do Estado a quem resta operar para que os indicadores de saúde econômica não espantem os especuladores internacionais que se refastelam com o dinheiro público. O problema é que ao Brasil e aos brasileiros restará um país que está torrando a sua biodiversidade em prol de uns trocados.

Desmatamento na Amazônia: a sombra do boicote às commodities brasileiras aponta no horizonte

bolso boicotePolíticas anti-ambientais e declarações provocadores do presidente Jair Bolsonaro devem resultar em um amplo comercial às commodities agrícolas brasileiras

O Brasil, muito em parte graças à postura diplomática desastrosa do presidente Jair Bolsonaro, está semeando muitos ventos e poderá acabar colhendo fortes tempestades  em função do que está acontecendo na Amazônia neste momento.  É que pode se denotar pela informação que dois dos principais veículos da mídia a Alemanha  (a revista a Der Spiegel e o jornal Die Zeit) começaram a falar abertamente na realização de um boicote aos produtos agrícolas brasileiros por causa da forma irresponsável com que o governo brasileiro vem tratando a explosiva expansão da franja de desmatamento para dentro das regiões mais interiores da Amazônia.

Para agravar o quadro, o presidente Jair Bolsonaro foi pego divulgando um vídeo de uma caçada à baleias nas Ilhas Faroe (que é parte da Dinamarca) como se representasse uma ação realizada pela Noruega que recentemente descontinuou o financiamento do chamado Fundo Amazônia justamente por causa do avanço descontrolado do desmatamento na Amazônia. 

Enquanto isso a campanha de boicote iniciada pelo CEO da rede Paradiset , Johannes Cullberg, continua ganhando corpo na Suécia, tendo sido criada uma página oficial na rede social Facebook para ampliar a comunicação dentro e fora do país escandinavo.

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Um dado curioso sobre o avanço da ideia de boicote a produtos brasileiros por causa do avanço do desmatamento e do uso de agrotóxicos proibidos na União Europeia está ganhando versões similares em outros países além da Suécia que pode aumentar exponencialmente a pressão contra a ratificação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

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Esse cenário já fazendo com que diversas vozes do interior dos setores que hoje se beneficiam da exportação de commodities agrícolas a emitirem alertas sobre os riscos que estão sendo postos na mesa por causa das políticas anti-ambientais, destacando-se entre essas vozes as dos ex-ministros da Agricultura e latifundiários Blairo Maggi e Kátia Abreu. Entretanto, na última edição dominical do jornal “Folha de São Paulo” também foi dado amplo espaço ao pecuarista Mauro Lúcio Costa que possui opera com pecuária bovina no município paraense de Paragominas onde o mesmo alerta para os riscos trazidos pelas visões ambientalmente regressivas do governo Bolsonaro.

Eu particularmente tenho uma forte desconfiança que o presidente Jair Bolsonaro e seus ministros anti-ambiente (Tereza Cristina, Ricardo Salles e Ernesto Araújo) não irão dar ouvidos às preocupações de setores mais pragmáticos do latifúndio agro-exportador, visto que as alianças estabelecidas durante a campanha eleitoral foram com setores que são extremistas em suas posições anti-ambiente e anti-povos indígenas. E estes setores estão extremamente com a piromania que emana do interior do governo Bolsonaro. Aliás, se alguma crítica existe a mesma se dá no sentido de que toda as regressões já cometidas nas políticas anti-ambientais ainda são insuficientes. Essa é a verdade.

O mais interessante é que em meio à guerra comercial que está em pleno curso entre EUA e China, uma das peças que serão movidas no tabuleiro será justamente a do comércio de commodities agrícolas. O problema é que se União Europeia decidir migrar suas comprar para os fazendeiros dos EUA, não há nenhuma garantia de que os chineses se moverão em igual direção aos latifundiários brasileiros. A razão para isso é simples: nos últimos anos, a China formou gigantescos estoques de commodities, o que possibilita aos chineses adotar uma posição mais pragmática e orientada sobre e quanto comprar. Em outras palavras, os EUA estão muito mais para competidores do que aliados do Brasil na questão das commodities, um fator que parece estar sendo francamente desprezado pelo presidente Jair Bolsonaro e seus ministros pró-EUA.

E se o pior acontecer e o Brasil for reduzido a uma posição de pária internacional por causa das políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro, os latifundiários que fizeram campanha para Jair Bolsonaro só terão a si mesmos para culpar.

 

A Amazônia em chamas nas lentes de Araquém Alcântara

O catarinense Araquém Alcântaraque é um dos principais fotógrafos, da atualidade acaba de divulgar em sua página oficial da rede social Facebook uma série de imagens de sua recente visita ao círculo de fogo em que as políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro estão transformando a Amazônia brasileira.

Estou tomando a liberdade de postar essa série de fotografias que mostram com riqueza de detalhes a destruição que está em curso neste momento na porção brasileira da bacia Amazônica. Disseminar essas imagens é uma das formas de desvelar o profundo crime ambiental que está sendo cometido contra os povos e a biodiversidade da Amazônia.

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As chamas que devoram a Amazônia são uma prova do êxito das políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro

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O vídeo abaixo apresenta uma prova inegável do êxito das políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro que transformaram boa parte da Amazônia brasileira em uma fogueira a céu aberto após a derrubada de milhares de hectares de floresta.

A informação é que este vídeo foi gravado em algum ponto da BR-364 no estado de Rondônia, mas poderia ser em muitos outros pontos da Amazônia onde hoje o fogo domina a paisagem.

A fumaça que já começa a cobrir boa parte da América do Sul somada às imagens de fogo que estão emergindo por todos os cantos nas redes sociais são atestados de que a inércia estabelecida pelo governo Bolsonaro para impedir a proteção de nossas florestas está sendo plenamente exitosa.

Fica apenas a pergunta do porquê da demissão do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o físico Ricardo Galvão, por causa da divulgação dos dados de desmatamento que agora estão se transformando am incêndios gigantescos.

A minha hipótese é que se esperava que com a demissão de Ricardo Galvão se esconderia a verdade inescondível. Faltou combinar com as redes sociais e seus milhões de informantes que não se curvam às vontades deste ou daquele governo.

A Amazônia queima enquanto o improbo Ricardo Salles está à toa na vida

fogo-amazoniaEnquanto as políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro colocam tocam fogo na Amazônia, Ricardo Salles está à toa na vida.

Imagens de satélite estão mostrando que boa parte da América do Sul está sendo coberta por nuvens de fumaça vindas das milhares de queimadas que estão sendo acesas com a vegetação que está sendo tombada das florestas da Amazônia brasileira (ver exemplo abaixo).

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Não bastassem as imagens de satélite, relatos de diversas tragédias que estão alcançando aqueles que estão ficando literalmente do fogo cruzado começam a surgir na mídia alternativa, como foi o caso de um casal de idosos que morreu abraçado tentando escapar de um incêndio aparentemente criminoso que atingiu um assentamento de reforma agrária no município de Machadinho do Oeste em Rondônia.

Enquanto o fogo que se espalha por boa parte da Amazônia ceifa vidas e extermina a biodiversidade, o ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se ocupa de fazer paródias em sua página oficial na rede social Twitter. Frise-se ainda que a paródia feita foi uma tentativa (tosca é preciso que se diga) de responder à informação que o improbo ministro está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual de São Paulo por suposto enriquecimento ilícito entre 2012 e 2017,  período em que ele alternou suas pouca rentáveis atividades como advogado com cargos no governo tucano de Geraldo Alckmin.

Em mais essa mostra de inaptidão para ocupar um ministério chave para a manutenção do Brasil como um “player” não apenas no fornecimento de commodities agrícolas e minerais para os mercados globais, mas também nas políticas internacionais de mitigação das mudanças climáticas, como é o caso do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles utilizou-se da canção “A banda” para tentar atacar (no caso a mídia corporativa) quem divulga os seus problemas com a justiça, realizando um ataque primário à Chico Buarque e ao jornalista Glenn Greenwald.

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Um conforto nesse tweet é que Ricardo Salles finalmente reconheceu publicamente e em veículo pessoal algo que já é sabido por todos, que é o fato dele “estar à toa na vida”. O problema é que a sua gestão desastrosa à frente do MMA, não apenas a Amazônia queima, como queimam pessoas e a rica biodiversidade que ela contém.

Quando a conta da presença do improbo ministro Ricardo Salles à frente do MMA finalmente chegar (e ela vai chegar), quem hoje ri com a situação criada por ele também vai chorar, como hoje chora quem está perdendo tudo para o fogo alimentada pela ação deliberada de destruir a governança ambiental e os mecanismos de comando e controle está destruindo.

Fogo em Rondônia: Incêndio de grandes proporções atinge várias fazendas próximo a Campo Novo do Parecis

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Por Alexandre Rolim

Um incêndio de grandes proporções está se alastrando para várias propriedades rurais, próximas a cidade de Campo Novo. O fogo, com ajuda do vento, se propaga rapidamente, afetando várias fazendas.

A palhada seca, principalmente do milho, serve como combustível para as chamas continuarem avançando. Equipe de brigadistas, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, caminhões pipa, tratores e aeronaves tentam conter o avanço do fogo.

Na manhã deste sábado (17), as equipes se deslocaram até algumas fazendas, pela BR-364, sentido Brasnorte, aproximadamente 10 quilômetros de Campo Novo, cada uma atuando em uma frente diferente. Uns tentando evitar que o fogo continue se espalhando e outros evitando que incendeie uma plantação de cana-de-açúcar.

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O principal meio para conter o fogo, segundo os bombeiros, é realizando um arado na terra, evitando que o fogo continue usando a palhada seca como combustível. Até a publicação desta matéria, as chamas ainda não haviam sido controladas.

Uma imensa coluna de fumaça pode ser vista da cidade. O trabalho continua e deve durar até a parte da tarde. Não foi informado como o fogo começou, mas possivelmente foi próximo a sede de uma fazenda.

Fonte e fotos: Portal Campo Novo

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Este artigo foi publicado originalmente pelo Portal Tangará em Foco [Aqui!].

Bolsonaro é ridicularizado na TV alemã

Em horário nobre, programa humorístico da principal rede de televisão pública da Alemanha satiriza o governo brasileiro, criticando suas políticas ambientais e agrícolas e o crescente desmatamento na Amazônia.

bolso bufaoPresidente brasileiro é o “bufão do agronegócio”, segundo humorístico

Borat, bobo da corte e protagonista do clássico de terror Massacre da serra elétrica – essas foram algumas das associações feitas ao presidente Jair Bolsonaro pelo programa humorístico alemão Extra 3, transmitido na noite de quinta-feira (15/08).

Atração de horário nobre da ARD, principal rede de televisão pública alemã, o programa satirizou por quase cinco minutos o governo do presidente brasileiro, criticando principalmente sua política ambiental e o desmatamento na Amazônia.

“Um sujeito que não pensa nem um pouco sobre sustentabilidade e emissão de CO2 é o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, o ‘Trump do samba’. Mas alguns dizem também ‘o boçal de Ipanema'”, afirma o apresentador Christian Ehring, em frente a uma fotomontagem de Bolsonaro vestindo a sunga do personagem Borat, criado pelo humorista britânico Sacha Baron Cohen.

“Bolsonaro deixa a floresta tropical ser destruída para que gado possa pastar e para que possa ser plantada soja para produzir ração para o gado”, continua Ehring, após mencionar os mais recentes dados sobre desmatamento no Brasil e diante de outra montagem, dessa vez mostrando Bolsonaro com uma serra elétrica nas mãos.

“Desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, o desmatamento cresceu significativamente e pode continuar aumentando a longo prazo”, diz uma voz em off, após aparecer uma foto do líder brasileiro como um “bobo da corte do agronegócio”, segurando uma garrafa de pesticida.

O apresentador destaca ainda que o presidente “não se importa nem um pouco” com a suspensão de verbas para projetos ambientais anunciada pelo Ministério do Meio Ambiente alemão no fim de semana. “Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, tá ok? Lá tá precisando muito mais do que aqui”, afirmou Bolsonaro ao reagir com desprezo ao congelamento dos repasses.

Ehring também fala sobre o acordo comercial negociado entre a União Europeia e o Mercosul, chamando o pacto de um “romance destrutivo”. Atrás dele aparece uma fotomontagem retratando o presidente e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, como uma dançarina sentada em seus braços.

“Bolsonaro ainda demitiu o chefe do próprio instituto que registrou o desmatamento na floresta tropical”, ressalta o comediante, referindo-se à demissão de Ricardo Galvão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “E também nomeou a principal lobista da indústria agropecuária como ministra da Agricultura”, complementa.

Em seguida, ele apresenta um videoclipe da chamada Bolsonaro-Song, uma paródia da música Copacabana, sucesso nos anos 70 na voz do americano Barry Manilow. O vídeo intercala cenas de Bolsonaro com imagens de cortes de árvores e queimadas na Amazônia, além de atividade agrícola e pecuária.

massacre“O massacre da serra elétrica”: sátira associa líder brasileiro a filme de terror

Humorístico conhecido principalmente pela sátira política, o programa Extra 3 tem como alvos principais os dirigentes alemães. Mas líderes internacionais como o americano Donald Trump, o norte-coreano Kim Jong-un, o britânico Boris Johnson e o russo Vladimir Putin também são personagens recorrentes do programa.

Nem sempre a brincadeira é levada na esportiva pelos estadistas. Um dos mais recentes debates provocados pelo Extra 3 foi uma paródia musical com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, veiculada em março de 2016. O caso gerou um desconforto diplomático entre Berlim e Ancara, e o Ministério do Exterior turco chegou a convocar o embaixador alemão no país para explicações.

A controvérsia chegou ao ápice poucas semanas depois, com uma sátira a Erdogan apresentada em outro programa televisivo, dessa vez pelo humorista Jan Böhmermann. O imbróglio foi parar na Justiça e acabou ganhando as capas dos jornais como o “caso Böhmermann”.

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Este artigo foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!].

A devastação da Amazônia e os riscos crescentes do isolamento internacional do Brasil

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Múltiplas evidências apontam no sentido de que a porção brasileira da bacia Amazônica está experimentando uma retomada dos ritmos explosivos de desmatamento que marcaram a região durante os anos de 1970. Mas ao contrário do que aconteceu cinco décadas atrás, existem ferramentas de mensuração e publicização de formas predatórias de uso dos recursos naturais existentes na Amazônia.

As primeiras consequências da constatação do avanço explosivo da franja de desmatamento foram a demissão do físico Ricardo Galvão da direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) por ter cometido o “pecado” de não ter escondido os números do desmatamento. Depois e provavelmente como consequência disso, os governos da Alemanha e da Noruega resolveram suspender o envio de cerca de R$ 300 milhões que seriam investidos em projetos de conservação.

A resposta do governo brasileiro a partir do que vem dizendo o presidente Jair Bolsonaro é um misto de incompreensão e afronta. Uma das pérolas foi sugerir ao governo de Angela Merkel que utilize os recursos retidos na conservação de suas próprias florestas, aparentemente sem saber que a Alemanha é um dos países mais florestados do continente europeu. A resposta alemã veio na forma de um vídeo sarcástico publicado pela Embaixada da Alemanha em Brasília onde somos convidados a visitar os parques nacionais alemães onde a beleza natural se mistura com a eficiência de sua proteção.

O problema é que, por falta de um ministro de Relações Exteriores com um mínimo de capacidade de representar bem os interesses brasileiros,  não se está entendendo o real significado da suspensão do envio de, convenhamos, uma quantia que é pequena em relação ao montante da balança comercial que o Brasil possui com a União Europeia da qual a Alemanha é um dos principais membros.  Como já escrevi aqui, o que Alemanha e Noruega estão fazendo é iniciar um alerta não ao presidente Jair Bolsonaro, mas aos líderes do latifúndio agro-exportador para que contenham o ímpeto do governo federal no sentido de permitir o desmatamento desenfreado da Amazônia e do Cerrado.  E os pontos do relógio para que os donos do “agronegócio” ajam já começaram a girar.

E os pontos tenderão a girar mais rápido se aos grileiros, madeireiros e garimpeiros que continuem sua marcha de devastação sem serem incomodados. Não entender os motivos da diplomacia europeia para exigir a contenção do desmatamento na Amazônia levará em um primeiro momento ao que o ex-ministro e latifundiário da soja Blairo Maggi vaticinou como uma volta à estaca zero do agronegócio brasileiro. Depois disso virão outras consequências duras e que deverão em um amplo isolamento do Brasil no cenário internacional.  O caminho da transformação do Brasil em um pária internacional está sendo aberto nas florestas amazônicas.

Rondônia: desmatamento, fogo e fumaça

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Uma parte significativa da minha produção científica foi desenvolvida a partir de quase duas décadas de pesquisas de campo no estado de Rondônia. Ao longo desse tempo vi a paulatina e cada vez mais rápida substituição da florestal tropical por imensos campos de pastagem e, no último período, por uma combinação delas com “plantations” de soja. O resultado vinha sendo uma devastação paulatina, mas em ritmo constante, que já produziu mudanças detectáveis no clima daquela parte da Amazônia brasileira.

Entretanto, os relatos que venho tendo de colegas pesquisadores que estão ou estiveram em Rondônia é que em 2019 o ritmo do desmatamento se acelerou tremendamente, ameaçando principalmente unidades de conservação e terras indígenas, principalmente a que abriga o povo Uru-Eu-Wau-Wau.

Agora, graças à disseminação acelerada de imagens, tive acesso ao vídeo abaixo que foi postado por um praticante de voo livre que vive em Rondônia.  O vídeo mostra toda a região central de Rondônia completamente tomada por fumaça que, como o seu produtor e narrador informa, é oriunda de milhares de pontos de queimadas o que pode parecer exagerado, mas parece ser correto em função do volume de material particulado no ar.

Quando essas imagens circularem pelo mundo toda a retórica de acobertamento do avanço agressivo da franja de desmatamento que o governo Bolsonaro pôs em campo, e que resultou na demissão do físico Ricardo Galvão da direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), irá ser totalmente desacreditada.

E como já declarou em entrevista ao jornal Valor Econômico o ex-ministro da Agricultura e latifundiário Blairo Maggi, toda essa situação levará o agronegócio brasileiro à estaca zero.  Mas aparentemente parece que vai ser preciso um boicote internacional às commodities brasileiras para que as piadas de botequim do presidente Jair Bolsonaro sejam substituídas por políticas responsáveis que combinem os interesses econômicos com a preservação ambiental.

“Pegue essa grana e refloreste a Alemanha”, diz Bolsonaro a Merkel

Presidente volta a minimizar congelamento de financiamento alemão a projetos de proteção da Amazônia. Debate entre Brasília e Berlim se intensificou após divulgação de dados do Inpe sobre o desmatamento no Brasil.

bolso“Lá tá precisando muito mais do que aqui”, diz Bolsonaro sobre dinheiro da Alemanha. Reuters/ A.Machado

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar a Alemanha nesta quarta-feira (14/08), após o país europeu anunciar o congelamento de financiamentos de projetos de proteção à Floresta Amazônica.

“Eu queria até mandar recado para a senhora querida [chanceler federal da Amazônia] Angela Merkel, que suspendeu 80 milhões de dólares para a Amazônia. Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, tá ok? Lá tá precisando muito mais do que aqui”, disse o presidente a jornalistas enquanto comentava o processo de escolha do novo procurador-geral da República

No último sábado, a ministra alemã do Meio Ambiente, Svenja Schulze, afirmou que o governo decidiu suspender o financiamento de projetos para a proteção da floresta e da biodiversidade uma vez que “a política do governo brasileiro na Região Amazônica deixa dúvidas se ainda se persegue uma redução consequente das taxas de desmatamento”.

Inicialmente, a verba suspensa é de 35 milhões de euros (cerca de 155 milhões de reais), proveniente da iniciativa para proteção climática do Ministério do Meio Ambiente em Berlim.

Após a declaração da ministra, Bolsonaro reagiu, dizendo que “a Alemanha não vai mais comprar a Amazônia, vai deixar de comprar a prestações a Amazônia. Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil não precisa disso”.

Na segunda-feira, a ministra alemã rebateu a declaração de Bolsonaro. “Isso mostra que estamos fazendo exatamente a coisa certa”, disse Schulze. “Apoiamos a região amazônica para que haja muito menos desmatamento. Se o presidente não quer isso no momento, então precisamos conversar. Eu não posso simplesmente ficar dando dinheiro enquanto continuam desmatando”, afirmou a ministra à DW.

A verba congelada não faz parte dos financiamentos do governo alemão ao Fundo Amazônia, no qual o Ministério alemão da Cooperação Econômica injetou até agora 55 milhões de euros (por volta de 245 milhões de reais). Com um volume de quase 800 milhões de euros (por volta de 3,5 bilhões de reais), a maior parcela do Fundo é financiada pela Noruega e, uma pequena parte dele, pela Alemanha. O dinheiro se destina a projetos para reflorestamento, contenção do desmatamento e apoio à população indígena.

O debate entre Berlim e Brasília sobre a proteção ambiental em terras brasileiras vem se intensificando nas últimas semanas. Em junho, Merkel expressou preocupação com as questões dos direitos humanos e do meio ambiente no Brasil. Bolsonaro reagiu acusando a Alemanha de abusar dos recursos naturais ao utilizar combustíveis fósseis para gerar energia e de já ter desmatado suas próprias florestas.

As tensões se acirraram após os dados mais recentes do Instituto nacional de Pesquisas Espaciais(Inpe) apontarem um aumento no desmatamento da Amazônia de 278% em julho, em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Um grande aumento do desmatamento já havia sido apontado em junho, quando a devastação da floresta cresceu 88% em relação ao mesmo mês de 2018.

A divulgação desses números causou uma crise entre o Inpe e o governo brasileiro, que culminou com a demissão do presidente do instituto Ricardo Galvão. O anúncio de Schulze sobre o congelamento de verbas para o Brasil também veio após o Inpe divulgar os dados.

Repercussão na imprensa alemã

Assim como suas declarações anteriores, a fala de Bolsonaro desta quarta-feira repercutiu na imprensa alemã.

O jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) afirmou que o “presidente direitista Bolsonaro, que começou a governar no início de 2019, não quer identificar novas áreas de proteção na região amazônica e visa permitir mais desmatamento”.

O portal de internet do jornal Die Welt qualificou a declaração como um ataque a chanceler alemã, destacando que o brasileiro chamou de “senhora querida”, e destaca que a Amazônia é considerada o “pulmão verde” do mundo.

Ao mencionar a declaração de Bolsonaro, diversos veículos de imprensa alemães destacaram que a Alemanha possui 11,4 milhões de hectares de floresta, o que corresponde a 32% do território do país, e que nos últimos dez anos as áreas de floresta tiveram um leve aumento.

RC/dpa/kna/ots

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Este artigo foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!].