“Bolsonaro ignora o meio ambiente e o que a ciência diz”

Entrevista com Thomas Lovejoy

Mapas ProdesTerra Brasilis / INPE

Por IHU

Conselheiro de três ex-presidentes americanos e estudioso da Amazônia desde 1965, o biólogo Thomas Lovejoy alerta para efeitos irreparáveis do desmatamento. Em entrevista, ele classifica o trabalho do Inpe de impecável.

Conselheiro ambiental dos ex-presidentes americanos Ronald ReaganBill Clinton e George W. Bush e ex-conselheiro-chefe do Banco Mundial para biodiversidade, o biólogo Thomas E. Lovejoy estuda a Amazônia desde 1965. Conhecido como o “padrinho da biodiversidade” por popularizar o termo na década de 1980, Lovejoypreocupa-se com o futuro da floresta em meio ao avanço do desmatamento.

Em fevereiro, o especialista assinou um editorial na revista científica Science Advances, ao lado do climatologista brasileiro Carlos Nobre, no qual fazem um alerta. Eles afirmam que o desmatamento na Amazônia está caminhando para o que chamam de ponto de inflexão, a partir do qual os padrões biológicos e climáticos são afetados de modo irreparável.

Em entrevista à DW Brasil, o pesquisador classifica os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o desmatamento de impecáveis e sugere formas sustentáveis de usar os recursos da floresta para desenvolver a economia.

Lovejoy afirma que, assim como o líder americano, Donald Trump, o presidente JairBolsonaro está ignorando o meio ambiente e deveria ouvir cientistas experientes sobre a Amazônia.

A entrevista é de Cristian Edel Weiss, publicada por Deutsche Welle, 12-08-2019.

Eis a entrevista.

Você começou a pesquisar a Amazônia na década de 1960. O que mudou na floresta desde então?

Cheguei à Amazônia pela primeira vez em junho de 1965 e imediatamente decidi que queria fazer o meu PhD lá [pela Universidade de Yale]. Era o sonho dos biólogos. Desde então, a Amazônia passou de 3% para mais de 17% desmatada […] Passou de [uma região com] uma rodovia para dezenas de rodovias, de nenhum projeto hidrelétrico para dezenas deles, e de uma população na Amazônia inteira de cerca de 3 milhões para 30 milhões. Isso está avançando até o ponto em que o ciclo hidrológico que alimenta a floresta tropical está perto de um ponto de inflexão.

A boa notícia é que em 1965 havia um parque nacional, na Venezuela, e uma reserva indígena demarcada. Agora, no Brasil e em todos os países da Amazônia, há cerca de 25% em áreas de conservação e outros 25% de áreas indígenas demarcadas, o que é uma conquista extraordinária.

Em fevereiro, você e o climatologista Carlos Nobre publicaram um editorial no qual afirmam que desmatamento, mudança climática e queimadas contribuem para que a Amazônia alcance o que vocês chamam de ponto de inflexão, a partir do qual deixaria de existir um ecossistema de floresta tropical, afetando o regime de chuvas. Como você avalia a situação tendo em conta os dados divulgados recentemente pelo Inpe?

Acredito que Carlos e eu concordamos que o ponto de inflexão está muito próximo. Penso que o dado revelador é que tivemos secas históricas em 2005, 2010, 2015 e 2016, e essa é, na nossa opinião, a primeira oscilação para o ponto de inflexão. Então, esses são o alerta e a má notícia, mas sempre é possível restabelecer uma margem de segurança por meio do reflorestamento.

E como vocês chegaram à essa conclusão?

Nos anos 1970, o cientista brasileiro Eneas Salati demonstrou que a Amazônia produzia metade da sua própria chuva. Antes disso, o dogma era que a vegetação é simplesmente consequência do clima e não tem qualquer influência sobre ele. O que Salati foi capaz de demonstrar, numa pesquisa que quebrou paradigmas, é que, quando a umidade vem do Atlântico tropical, numa massa de ar em direção ao oeste, e derrama sua chuva perto da costa atlântica, até 75% dessa umidade volta para a atmosfera por meio da evaporação ou transpiração através das folhas. Você pode ver isso acontecendo com a umidade saindo do topo da floresta, após uma tempestade. Assim, tudo está disponível para se tornar chuva mais para o oeste. A conclusão foi que a umidade se recicla cinco ou seis vezes até chegar à parede alta dos Andes. A massa de ar sobe, esfria e libera uma enorme quantidade de chuva, que abastece os 20% de água doce do mundo, que é o sistema fluvial do Amazonas. Essa foi a base de tudo.

Desde o início, havia a pergunta óbvia de quanto desmatamento poderia causar a degradação desse ciclo. Porque quando a chuva cai, e quando não há floresta, ela escorre e não fica disponível para reciclagem. Carlos conseguiu alguém para fazer um modelo relacionado a pergunta há uns dez ou 15 anos. E a conclusão foi que provavelmente cerca de 40% a 50% [de desmatamento degradaria o ciclo natural de chuvas de modo irreversível]. Isso é muito longe de onde as coisas estavam na época e até mesmo de onde estamos agora. Mas outras coisas têm acontecido. O uso extensivo do fogo, que seca a floresta ao redor, não só destrói o que queimou, como penetra e seca a floresta. Assim, no ano seguinte, ela está mais vulnerável ao fogo. Outra coisa, é claro, é a crescente presença da mudança climática. A discussão que Carlos e eu tivemos e que levou ao artigo na Science Advances é que os fatores estão agindo juntos numa espécie de energia negativa. E quando você olha para essas secas históricas, é muito difícil não concluir que essas são as primeiras oscilações do que poderia ser um ponto de inflexão na região amazônica.

O que poderia ser feito para melhorar a economia na região sem avançar para a floresta?

A maioria do que está acontecendo dá algum ganho imediato, mas o custo no longo prazo é enorme. Então, a pergunta é: quais são as alternativas? E uma das mais claras é a aquacultura, porque nos rios amazônicos há uma série de grandes espécies de peixes que dependem das florestas de várzea durante os meses em que os rios estão altos. A floresta é inundada e tem cadeias alimentares curtas. Os peixes vegetarianos com cadeias curtas como esta são altamente desejáveis. Há um enorme potencial na aquacultura para que não haja apenas a extração florestal, mas que se esteja usando algum recurso da biodiversidade nativa para construir retorno econômico.

Outra coisa realmente importante é como criar cidades relativamente sustentáveis na AmazôniaManaus tem uma espécie de benefício em ter um tipo de zona livre de impostos à sua volta. Ao visitá-la, ouço: “À medida que a produção econômica de Manaus aumenta, o desmatamento diminui”. E essa é uma relação real. Mas a questão é: qual é essa atividade econômica? É proveniente principalmente de fábricas de montagem, que proporcionam oportunidades de emprego montando coisas, geralmente, com materiais que não saem da floresta. Mas há possibilidades novas e interessantes em torno de cidades sustentáveis. Há um forte potencial de ecoturismo, que também cria mercados para artesanato. E artesanato pode ser realmente maravilhoso e não muito barato. Juntando as duas coisas, todas elas se tornam únicas para o lugar em particular que os produz. A maior oportunidade de todas gira em torno de estudar a biodiversidade da Amazônia e tentar descobrir o seu potencial para criar retorno e benefício econômico.

O que pode ser feito a partir da biodiversidade?

Um exemplo interessante seria estudar as formigas cortadeiras. O que é elas fazem de bom é levar pedaços de folhas para o subsolo e usá-los como matéria orgânica para uma fazenda de fungos, que é a fonte da dieta delas. Assim, o que poderia ser feito, e ainda não foi, é estudar as formigas cortadeiras e descobrir quais árvores elas não atacam, pois elas têm fungicida natural, e obviamente as formigas não querem fungicida em sua fazenda de fungos. Assim poderia haver um mercado enorme para fungicidas naturais, que podem ser revelados por esse tipo de pesquisa. Então, se você começar a pensar sobre a biodiversidade na Amazônia, todas essas espécies que representam soluções para problemas biológicos são apenas um potencial para desenvolver o retorno econômico. A chave para o futuro é abraçar essa diversidade biológica na Amazônia. E fazer pesquisa e parceria com a indústria para tentar descobrir novos potenciais.

Você foi conselheiro nos governos de Clinton, Reagan e George W. Bush. Agora, no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro se orgulha de ser chamado de “Trump dos Trópicos”. Que paralelo você traça entre os EUA e o Brasil quanto à atual política ambiental?

Não há dúvida de que ambos [Bolsonaro e Trump] estão ignorando o meio ambiente. Eles estão ignorando o que a ciência diz sobre o meio ambiente. Acho tudo isso muito estranho porque, no fim das contas, a raiz da palavra ciência é conhecer. Sem dúvida, isso é muito infeliz, e esperemos que seja um fenômeno de curto prazo.

Que conselho você daria a Bolsonaro na área ambiental?

Ele deveria juntar alguns cientistas experientes para pensar sobre o conteúdo que acabamos de falar e identificar oportunidades.

Bolsonaro criticou os dados divulgados recentemente pelo Inpe, afirmando que estes não condizem com a verdade e prejudicam a imagem do Brasil. Como você vê isso?

Permita-me colocar desta forma: os dados do Inpesempre estiveram entre os melhores do mundo e acima de reprovação. E é um erro dele [Bolsonaro] pensar o contrário.

Os dados e a metodologia do Inpe são realmente confiáveis?

Sim, eles têm uma longa história fazendo um trabalho impecável.

Há uma forma de medir o desmatamento de maneira mais assertiva?

sensoriamento remoto melhora ao longo do tempo. Por isso, provavelmente há formas de obter dados mais precisos. Mas falo apenas sobre pontos decimais aqui, e não sobre o conjunto de dados gerais. Tenho certeza de que a capacidade de sensoriamento remoto em outras partes do mundo trará resultados semelhantes [aos do Inpe].

Bolsonaro tem entrado em atrito com países desenvolvidos devido à política ambiental. O que essas nações podem fazer para impedir o desmatamento na Amazônia?

Minha esperança é de que tudo possa ser melhorado por meio do bom diálogo entre nações. A questão realmente infeliz é que após sediar a Cúpula da Terra (Eco92), em 1992, o Brasil foi líder global em meio ambiente por anos, isso quase se tornou parte da marca do Brasil. Espero que tanto o Brasil quanto os Estados Unidos retomem logo esse tipo de liderança.

(EcoDebate, 14/08/2019) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

Embaixada brasileira em Londres amanhece com pichações contra o ecocídio promovido pelo governo Bolsonaro

Há no interior do governo federal comandado pelo presidente Jair Bolsonaro uma espécie de transe negacionista no que tange à devastação em curso na Amazônia como resultado da retirada de todas as formas de comando e controle que impediam a ação livre de todo tipo de saqueador das riquezas naturais ali existentes.

O problema é que esse transe não resolve o problema de que o resto do mundo, especialmente aquela parte para a qual o Brasil pensa em vender suas principais commodities agrícolas, principalmente na Europa. No velho continente predomina uma profunda aversão ao governo Bolsonaro que, por extensão, está atingindo os interesses políticos e comerciais do Brasil.

Um exemplo da rejeição explícita ao atual estado de “laissez faire, laissez aller, laissez passer, le monde va de lui-même, que significa literalmente deixai fazer, deixai ir, deixai passar, o mundo vai por si mesmo“, e que está retomando níveis de desmatamento características da década de 1970.

É por isso que nesta manhã de 3a. feira (13/08), a entrada da embaixada brasileira em Londres amanheceu completamente pichada com mensagens pró-ambiente e contra o governo Bolsonaro (ver fotos vindas da página do jornalista Jamil Chade na rede social Twitter).

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Pichações na entrada da embaixada brasileira demandam o fim do ecocídio no Brasil.
E que ninguém se engane, o que aconteceu hoje em Londres deverá se repetir pela Europa afora, com inevitáveis consequências para os interesses brasileiros.
Esta situação torna ainda mais interessante a anunciada visita que o improbo Ricardo Salles promete fazer ao velho continente para esclarecer a situação do desmatamento na Amazônia. Imaginem o que farão os ambientalistas quando a presença dele for anunciada em cada país europeu.

Dados científicos e não balela de Twitter: a explosão do desmatamento na Amazônia é real

Ricardo-Galvão-Abril‘Nós usamos ciência, não balela de Twitter’, disse ex-diretor do Inpe ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles em debate na GloboNews.

O físico Ricardo Galvão, diretor exonerado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aproveitou de um espaço televisivo na GloboNews para expor a incapacidade argumentativa do ministro (ou seria anti-ministro) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, e, por extensão, do presidente Jair Bolsonaro na discussão acerca da validade dos dados científicos que mostram uma explosão do desmatamento na Amazônia (ver vídeo abaixo).

Um dos muitos pontos altos das posições oferecidas por Ricardo Galvão foi demonstrar que a capacidade e correção científica dos pesquisadores do Inpe possui lastro em um longa experiência com a análise dos dados produzidos por satélites desde a década de 1970. Nesse sentido, Ricardo Galvão apontou para o caráter simplesmente ideológico dos ataques que foram desferidos contra os estudos do Inpe pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo próprio Ricardo Salles.

Pressionado pelos argumentos sólidos de um cientista de renome internacional como Ricardo Galvão, sobrou para Ricardo Salles a prática de atitudes deselegantes e a exposição de um sorriso amarelo toda vez que seus argumentos falaciosos eram destroçados de forma clara e calma por um oponente que se mostrou não apenas superior intelectualmente, mas também no quesito defesa dos interesses nacionais. 

Em relação ao aspecto da defesa dos interesses nacionais sobrou para Ricardo Salles a inglória tarefa de acusar Ricardo Galvão de ser um nacionalista ferrenho que teria ojeriza ao que vem de fora.  Ao fazer isso, Ricardo Salles não só demonstrou o caráter entreguista das suas ações, mas também foi de encontro ao amplo reconhecimento internacional que a alta expertise científica dos pesquisadores do Inpe desfruta em toda a comunidade cientifica internacional.

Por último, ressalto que o professor Ricardo Galvão mostrou nesse debate como deve ser a postura dos cientistas brasileiros ao se defrontarem com a enxurrada de fake news que está sendo produzida para desvalorizar o conhecimento científico com o objetivo de fazer prevalecer balelas produzidas e disseminadas por robôs da internet.

Jair Bolsonaro comete grave erro ao desprezar decisão do governo alemão em relação à Amazônia

bolso deforestJair Bolsonaro comete grave erro político ao desdenhar da posição alemã em suspender financiamento de projetos de preservação por causa da alta do desmatamento na Amazônia. Esse erro terá consequências políticas e econômicas.

Em seu padrão normal de completa despreocupação com as sinalizações de governos que não sejam o de Donald Trump, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro,  desdenhou publicamente da decisão do governo da Alemanha de suspender o aporte de investimentos em projetos de preservação da Amazônia.

Segundo o que relata o jornalista Bernardo Caram em matéria publicada pelo jornal “Folha de São Paulo”, Jair Bolsonaro teria sugerido que “a Alemanha faça bom uso dos recursos que seriam destinados à Amazônia“, pois segundo ele “o Brasil não precisa da verba“. 

O presidente Jair Bolsonaro pode não saber, mas seus aliados políticos do latifúndio agro-exportador já devem saber que essas declarações são politicamente desastrosas e resultarão em consequências econômicas consideráveis para a agricultura brasileira.

É que qualquer principiante em relações políticas internacionais sabe que a decisão do governo alemão foi apenas uma sinalização de medidas mais drásticas que deverão ser adotadas caso o governo Bolsonaro continue incentivando o avanço da franja de desmatamento na Amazônia.

Um dos principais alvos dos países europeus deverá ser o acordo comercial que acaba de ser firmado entre o Mercosul e a União Europeia após longos vinte anos de negociação. É que este acordo possui uma série de cláusulas ambientais, incluindo o combate às mudanças climáticas. Como o desmatamento na Amazônia é um dos principais gatilhos das mudanças climáticas, o mais provável é que o acordo comercial seja torpedeado pelos congressos nacionais de países como a Alemanha e a França, onde já existe uma séria oposição ao mesmo justamente por causa do comportamento do presidente Jair Bolsonaro.

O problema é que o presidente Jair Bolsonaro e alguns dos seus principais ministros como Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) estão muito mais propensos a apostar no alinhamento com o governo dos EUA, curiosamente um país com o qual a balança comercial brasileira perde muito mais do que ganha. Sobrará para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tentar acalmar seus colegas da bancada ruralista que certamente já sabem que o pior certamente virá.

Mas que fique claro: cedo ou tarde (talvez mais cedo do que tarde), o desprezo de Jair Bolsonaro em relação à decisão do governo alemão vai custar muito caro ao Brasil. A ver!

Alemanha decide suspender envio de recursos por causa do desmatamento explosivo na Amazônia

bolso deforestA decisão do governo alemão de suspender repasses financeiros para o  Fundo Amazônia por causa da alta do desmatamento é um indicativo das medidas punitivas que estão por vir contra o agronegócio brasileiro.

O jornal “Der Tagsspiegel” que circula a partir de Berlim, capital da Alemanha, informou em artigo que o governo alemão, por causa das taxas explosivas de desmatamento que estão ocorrendo na Amazônia brasileira, decidiu reter (ou melhor suspender) o repasse de algo em torno de R$ 150 milhões para ” para a proteção da floresta e da biodiversidade”.

alemanha fundo

Segundo informou o “Der Tagsspiegel, o governo alemão também está analisando a continuidade da sua participação no Fundo Amazônia em função do que se percebe ser uma política deliberada pró-desmatamento do governo Bolsonaro.

Antes que os defensores do desmatamento livre, geral e irrestrito celebrem a chance de colocar ainda mais árvores abaixo nas florestas tropicais localizadas no Brasil, é importante notar que a suspensão do repasse dos recursos do Fundo Amazônia são apenas um indicativo da posição política que o governo alemão (conservador e de direita é preciso que se frise) está adotando em relação ao desmatamento desenfreado da Amazônia brasileira. E essa posição política dentro da postura normalmente pragmática dos alemães é um sinal de que brevemente ocorrerão consequências econômicas para o Brasil, as quais deverão atingir a habilidade do latifúndio agro-exportador brasileiro (a.k.a agronegócio) posicionar seus produtos na Alemanha e, muito possivelmente, em toda a União Europeia.

Além disso, se o governo ainda comandado por Angela Merkel, que como eu disse é de direita e conservador, está dando essa sinalização em termos das relações políticas e comerciais com o Brasil, imaginem o que farão os membros do Partido Verde que tiveram votações expressivas tanto para o parlamento alemão como para o Europeu. Na prática, o que está se vendo é um alinhamento raro entre partidos que ocupam extremos da política alemã e europeia em vista do que está sendo permitido pelo governo Bolsonaro e seus ministros anti-ambiente que foram estrategicamente colocados nos ministérios da Agricultura, Meio Ambiente, Relações Exteriores e Ciência e Tecnologia.

A verdade é que toda as manifestações estapafúrdias do presidente Jair Bolsonaro, incluindo a referente à quantidade de vezes que devemos defecar para proteger o meio ambiente, podem até servir para manter a base eleitoral que o elegeu coesa. Mas isto, por outro lado, começa a ter repercussões totalmente negativas para o Brasil em uma área que é estratégica neste momento para a obtenção de divisas internacionais que é a exportação de commodities agrícolas.

Esta posição do governo alemão deverá tornar ainda mais interessante a prometida “viagem de esclarecimentos” que o improbo Ricardo Salles deverá fazer à Europa para tentar mudar a péssima imagem que o Brasil tem por lá neste momento.  Mas é melhor ele se preparar bem para “vender o seu peixe”, pois fora do Brasil a imprensa acaba fazendo aquelas perguntas que por aqui raramente são feitas. E, pior, não se perdoa tão facilmente o papo “a la Rolando Lero”  do qual o anti-ministro do Meio Ambiente é claramente um adepto.

Por último, a posição alemã é uma corroboração óbvia da confiança existente internacionalmente nos dados de desmatamento gerados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).  E isto reforça a noção de que foi um verdadeiro tiro no pé a demissão do físico Ricardo Galvão do cargo de diretor da instituição.  Aliás, essa decisão alemã é apenas a primeira consequência onerosa dessa decisão autoritária e que atenta contra a liberdade e autonomia científica no Brasil.

Co-presidente do Grupo 2 do IPCC esculacha políticas pró-desmatamento do governo Bolsonaro

portnerClimatologista alemão Hans-Otto Pörtner declarou que políticas pró-desmatamento do governo Bolsonaro vão no sentido contrário das recomendações do último relatório do IPCC

As dores de cabeça do governo Bolsonaro em função das críticas recebidas internamente em função do avanço explosivo das taxas de desmatamento na Amazônia brasileira. É que perguntado em coletiva de imprensa sobre o que significam as novas políticas de permissão explícita do avanço da franja de desmatamento nas florestais tropicais brasileiras, o climatologista alemão Hans-O. Pörtner, vice-presidente do Grupo de Trabalho do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), foi taxativo ao dizer que as novas políticas brasileiras simplesmente representam o oposto de tudo o que foi recomendado no relatório que o painel acaba de publicar (ver vídeo abaixo).

 

Como o professor Hans-O. Pörtner não pode ser demitido pelo presidente Jair Bolsonaro fica ainda mais óbvio a inutilidade da demissão do físico Ricardo Galvão do posto de diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Na verdade, o que essa manifestação de um dos mais importantes autoridades mundiais do campo das mudanças climáticas deixa claro é que a demissão de Ricardo Galvão aumentou exponencialmente a má vontade da comunidade científica mundial com o governo Bolsonaro.

E isso terá consequências políticas e econômicas, pois o que pesquisadores como Hans-O Pörtner pensam e falam acabam tendo um peso significativo no plano das agências e acordos multilaterais.  Enquanto isso, o anti-ministro do Meio Ambiente,  o improbo Ricardo Salles, anuncia que irá à Europa para tentar dar uma aliviada na péssima imagem que o Brasil tem neste momento por lá.  Mais um caso de dinheiro público que será desperdiçado.

Governo do Amazonas declara emergência por causa do desmatamento e excesso de queimadas

queimadasAmpliação do desmatamento e excesso de queimadas forçam o governo do Amazonas a decretar emergência por 6 meses.

O site UOL publicou hoje (09/08) uma matéria assinada pela jornalista Rosiene Carvalho dando conta que o governo do estado do Amazonas resolveu decretar uma espécie de emergência climática por causa do excesso de desmatamento e focos de incêndio no território do maior estado amazônico brasileiro (ver imagem abaixo).

amazonas emergencia

Essa decisão de decretar emergência por causa do excesso de desmatamento e focos de incêndio do governo do Amazonas será válido por 6 meses, segundo informa a matéria.  A situação que levou à decretação desta emergência é tida como particularmente grave pelo governo estadual, na medida em que “dados divulgados pelo governo, 1.699 focos de calor foram registrados no Amazonas no primeiro semestre deste ano. A maioria deles (80%) só em julho, período em que há diminuição das chuvas.”

Ainda segundo informa a matéria, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Amazonas (Seam) considerou a decretação desta emergência necessária na medida em “função do aumento “exponencial” dos registros dos focos de incêndio em julho.” A Seam informou ainda que “não há previsão no momento de qualquer tipo de pedido de auxílio do governo federal” (Uma medida sábia na medida em que nenhuma ajuda viria, mesmo se fosse solicitada!).

Interessante notar que a Seam informou que “nenhum foco de calor foi registrado em terras indígenas ou unidades de conservação (UC) gerenciadas pelo estado” (do Amazonas)!“.

 E agora Ricardo Salles?

Diante da emergência decretada pelo governo do estado do Amazonas, o qual poderá ser ainda seguido por outros governos estaduais da bacia Amazônica, fica a pergunta: o que fará o ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salless, diante da constatação de que a situação chegou a um ponto tão grave que um ente federativo decretou emergência por causa do excesso de desmatamento e incêndios?

Como já apontei várias vezes aqui neste blog, as tentativas de ocultar a situação catastrófica que está sendo criada na Amazônia brasileira com a permissão tácita de desmatamentos em larga escala e ações de degradação por parte de madeireiros e garimpeiros ilegais não seria facilmente encoberta, pois é difícil tampar o sol com a peneira.

A postura de demitir o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o físico Ricardo Galvão), pode ter servido para distrair a atenção por alguns dias, mas essa notícia vinda do Amazonas torna toda a lambança criada pelo governo Bolsonaro em torno dos dados de desmatamento uma completa inutilidade.

E como também já tenho escrito aqui, o tempo para o governo brasileiro brincar de vilão climático poderá bem mais curto do que antecipam seus membros. O fato é que os governos das economias centrais terão de agir sob pressão de suas populações para conter o caos climático que o desmatamento da Amazônia acelerará. E aí já se pode antecipar para onde a corda irá arrebentar. 

A crise climática está reduzindo a capacidade da Terra de sustentar a Humanidade, diz relatório do IPCC

Relatório da ONU encontra ecossistemas sob ameaça inédita e aponta que a restauração deles é urgente

guardian 0Desmatamento no estado do Pará no Brasil.  O desmatamento de grandes áreas, para usos como fazendas de gado e plantações de café, pode afetar o clima que afeta a saúde da Terra. Foto: Andre Penner / AP

Por Damian Carrington, editor ambiental do “The Guardian”

Desmatamento no estado do Pará no Brasil.  Desmatamento em larga escala para usos como fazendas de gado e plantações de café, pode afetar o clima que afeta a saúde da Terra. Foto: Andre Penner / AP

A crise climática está prejudicando a capacidade da Terra de sustentar a humanidade, com os riscos em cascata se tornando cada vez mais severos com o aumento das temperaturas globais, de acordo com um relatório da ONU compilado por alguns dos principais cientistas do mundo.

O aquecimento global está aumentando as secas, a erosão do solo e os incêndios florestais, ao mesmo tempo em que diminui o rendimento das plantações nos trópicos e derrete o permafrost próximo aos pólos, diz o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O aquecimento adicional levará a condições climáticas sem precedentes em latitudes mais baixas, com potencial de crescimento na fome, migração e conflito e aumento de danos às grandes florestas do norte.

O relatório, aprovado pelos governos do mundo, deixa claro que a humanidade enfrenta uma escolha difícil entre um círculo vicioso ou virtuoso. A destruição contínua de florestas e as enormes emissões de gado e outras práticas agrícolas intensivas intensificarão a crise climática, fazendo com que os impactos sobre a terra sejam ainda piores.

guardian 1Fazenda de gado na Califórnia, EUA. A agricultura intensiva é um usuário pesado de água e uma grande causa de emissões de gases de efeito estufa. Foto: Lucy Nicholson / Reuters

No entanto, a ação agora para permitir que solos e florestas regenerem e armazenem carbono e reduzam o consumo de carne pelas pessoas e o desperdício de alimentos, pode ter um papel importante no combate à crise climática, diz o relatório.

Essas medidas também melhorariam a saúde humana, reduziriam a pobreza e combateriam as enormes perdas de vida selvagem em todo o mundo, diz o IPCC.

A queima de combustíveis fósseis deveria também terminar para evitar a “perda irreversível nos serviços ecossistêmicos terrestres exigidos para alimentos, saúde e assentamentos habitáveis”, diz o relatório.

“Esta é uma tempestade perfeita”, disse Dave Reay, professor da Universidade de Edimburgo, que foi um revisor especialista no relatório do IPCC. “Terra limitada, uma população humana em expansão e tudo embrulhado em uma manta sufocante de emergência climática. A Terra nunca se sentiu menor, seus ecossistemas naturais nunca estão sob ameaça direta. ”

Piers Forster, professor da Universidade de Leeds, disse: “Este importante relatório mostra que precisamos mudar substancialmente a forma como usamos nossas terras para limitar a mudança de temperatura abaixo de 1,5ºC. Em suma, precisamos de menos pastagens [para o gado] e mais árvores ”. O conselho de uso da terra foi contido em um relatório do IPCC em outubro.

O professor Jim Skea, do IPPC, disse que a Terra já estava em dificuldades e que a mudança climática estava aumentando seus fardos. Quase três quartos das terras livres de gelo foram agora diretamente afetadas pela atividade humana, diz o relatório.

O uso deficiente das terras também está por trás de quase um quarto das emissões de gases de efeito estufa do planeta – a destruição de florestas, enormes rebanhos de gado e o uso excessivo de fertilizantes químicos são fatores-chave.

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As emissões relativas a fertilizantes aumentaram nove vezes desde o início dos anos 60. O aumento das temperaturas está causando desertos a se espalhar, particularmente na Ásia e na África, e as Américas e o Mediterrâneo estão em risco, diz o relatório.

Uma das conclusões mais contundentes do relatório do IPCC é que o solo, do qual a humanidade é inteiramente dependente, está sendo perdido mais de 100 vezes mais rápido do que está sendo formado em áreas aradas; e perdeu 10 a 20 vezes mais rápido, mesmo em campos que não são cultivados.

O relatório recomenda uma ação forte de governos e empresas, incluindo acabar com o desmatamento e permitir que novas florestas cresçam, reformando subsídios agrícolas, apoiando pequenos agricultores e criando culturas mais resistentes. Muitas dessas soluções, no entanto, levariam décadas para ter um impacto, diz o IPCC.

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Mudas sendo plantadas na Mongólia Interior este ano para controlar a desertificação à medida que as temperaturas sobem. Foto: Xinhua / Barcroft imagens

Os consumidores das nações ricas poderiam agir imediatamente reduzindo seu consumo de carne e laticínios produzidos intensivamente – produtos que têm um enorme impacto ambiental.

“Há muito mais que podemos fazer nesse espaço que não estamos fazendo, em parte porque é difícil”, disse Pete Smith, professor da Universidade de Aberdeen e autor sênior do IPCC. “Você não gostaria de dizer às pessoas o que comer, que iria cair mal. Mas você poderia incentivar.

O relatório do IPCC sugere “fatorar custos ambientais em alimentos”. Estudos anteriores sugeriram impostos sobre carnes ou frutas e legumes subsidiados. A produção de carne amarra a maioria das terras agrícolas e o consumo de cortes poderia liberar milhões de quilômetros quadrados para plantações florestais ou de bioenergia, segundo o relatório, assim como poderia reduzir o desperdício de alimentos.

Caterina Brandmayr, do think tank da Green Alliance, disse: “A mensagem chave do IPCC é urgência: precisamos agir agora para plantar novas florestas, restaurar nossos ecossistemas e, sim, comer menos carne”.

David Viner, professor da Universidade de East Anglia e autor sênior do IPCC, disse: “A terra é um recurso vital e nós temos que cuidar disso se quisermos ter um futuro sustentável”.

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Para fugir de suas responsabilidades na devastação da Amazônia, o improbo Ricardo Salles ataca a Noruega e o ex-diretor do INPE

mapa desmatamento

O ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, esteve hoje no Senado Federal para oferecer suas explicações sobre o caos ambiental em que o Brasil está imerso sob sua batuta. Entretanto, usando o melhor estilo “Chacrinha” de confundir e não explicar, ele tentou sair da defensiva atacando a Noruega e o ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o físico Ricardo Galvão.

ricardo salles improbo

Segundo o que informou o site UOL em matéria assinada pelo jornalista Hanrrikson de Andrade, Salles tentou sair das cordas atacando a Noruega por sua suposta hipocrisia em torno de questões ambientais em função do país nórdico explorar petróleo no mar do Ártico e caçar baleias. Já para Ricardo Galvão sobrou a acusação de que ele teria sido exonerado por ter colocado “lenha no fogo”.

A crítica à Noruega é particularmente interessante, na medida em que o país é o principal financiador do Fundo Amazônia que até recentemente apoiava projetos de desenvolvimento sustentável e proteção ambiental na região amazônica do Brasil. Até parece que Ricardo Salles sabe que os noruegueses estão para suspender definitivamente o aporte bilionário que vinham realizando, já que a nova política do governo brasileiro é escancarar as portas do desmatamento e não o contrário.

Em relação ao físico Ricardo Galvão a acusação de que ele teria colocado lenha no fogo beira o risível, na medida em que o ex-diretor do Inpe apenas defendeu a instituição que dirigia dos ataques virulentos desferidos pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo próprio Ricardo Salles.

A verdade é que a tática “Chacrinha” pode até ser suficiente para quebrar o galho no Senado Federal, mas dificilmente servirá para aplacar as pesadas críticas que estão sendo desferidas mundialmente contra o Brasil por causa do avanço desenfreado do desmatamento na Amazônia.  E tampouco esse tipo de atividade diversionista protegerá o Brasil de boicotes bem maiores do que aquele que já está ocorrendo na Suécia por meio da cadeia Paradiset. 

O fato inescapável é que se o governo brasileiro está repleto de negacionistas das mudanças climáticas, incluindo até o novo diretor do Inpe, o coronel aviador Darcton Policarpo Damião, boa parte dos governos mundiais pensa o contrário. E como a destruição da Amazônia certamente acelerará as mudanças climáticas que estão ocorrendo na Terra, a postura que será adotada não será de tolerância.  Gostem disso ou não, Jair Bolsonaro e Ricardo Salles.

 

Mídia da Alemanha atribui aumento do desmatamento na Amazônia ao governo Bolsonaro

desmatamento

Desmatamento à margem do Parque Nacional do Juruena na Amazônia

Die Zeit – Forte expansão do desmatamento da Floresta Amazônica (07/08)

Neste verão, quase quatro vezes mais terras florestais foram desmatadas na Amazônia do que nos anos anteriores. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, impulsiona esse avanço.

Nos meses de maio a julho, uma quantidade muito maior de floresta tropical foi derrubada no Brasil do que nos mesmos períodos de 2016 a 2018, de acordo com dados de satélite publicados pelo instituto espacial brasileiro Inpe.

Segundo esses dados, somente em julho 2.254 quilômetros quadrados de floresta tropical foram desmatados. No mesmo mês do ano passado, essa cifra foi de apenas 597 quilômetros quadrados, o que implica um aumento de 278%. Em junho passado, a extensão do desmatamento já estava 88% acima do nível de junho de 2018.

A Floresta Amazônica processa mais de 2 bilhões de toneladas de CO2 por ano e gera um quinto do oxigênio disponível no mundo, motivo pelo qual é considerada o “pulmão da Terra”. Sessenta por cento da floresta se encontra no Brasil. A população indígena brasileira também depende da floresta como habitat e é cada vez mais retraída pelo desmatamento.

A razão para o desmatamento maciço é, principalmente, a indústria agrícola. A agricultura brasileira voltada para exportação está sempre precisando de novas terras, e é por isso que enormes áreas florestais estão sendo destruídas na Amazônia e na savana do cerrado no sudeste do país. A agricultura é responsável pela maior parte das emissões de CO2 no país.

Em 2017, o Brasil emitiu 2,07 bilhões de metros cúbicos de CO2, 71% dos quais foram atribuídos ao setor agrícola. Isso foi calculado pela iniciativa não governamental Observatório do Clima. Assim, quase metade das emissões foi causada pela transformação da Floresta Amazônica ou cerrado em terras agrícolas.

Der Tagesspiegel – Presidente do Brasil demite guardião da Floresta Amazônica (05/08)

Ricardo Galvão é um dos cientistas mais renomados do Brasil. O físico chefiava o Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Entre outras coisas, a instituição é responsável pela avaliação das fotos de satélite que mostram o desmatamento da Floresta Amazônica. Com base nessas imagens, o Inpe divulga regularmente dados sobre o desmatamento ilegal. Pelo menos é assim que tem sido até então.

Agora o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, exonerou Galvão, de 71 anos. A razão é simples: os dados divulgados pelo Inpe não agradam aos extremistas de direita. Eles mostram um aumento dramático no desmatamento ilegal na Amazônia durante seu mandato. Por exemplo, o instituto registrou um aumento no desflorestamento em junho de 88% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Avaliações iniciais dos dados de julho mostram um acréscimo de mais de 100%. Especialistas já estão prevendo que 2019 será o pior ano para a Floresta Amazônica em uma década.

O presidente Bolsonaro não quer admitir isso. Ele alega que os dados foram inflados para prejudicar a imagem do Brasil no mundo.

[…] Como Trump, Bolsonaro não dá muito valor à diplomacia. Ele vomita absurdos, insultos e mentiras quase diariamente. Para a Floresta Amazônica, que Bolsonaro considera um instrumento de crescimento econômico, isso é fatal. A Região Amazônica engloba hoje 40% das florestas tropicais do mundo, embora nos últimos 50 anos uma área do tamanho da Turquia tenha sido devastada. Entre 2004 e 2012, o desmatamento diminuiu drasticamente, mas desde 2012 vem aumentando novamente, ameaçando assumir proporções desastrosas.

[…] O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, no entanto, deixou claro o que o governo Bolsonaro pensa sobre mudança climática. Ele disse a diplomatas: “Eu não acredito no aquecimento global. Eu estive em Roma em maio e estava frio!”

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Este material foi originalmente publicado pela Deustche Welle [Aqui!].