O impeachment de Dilma: nada mais que um golpe “muy” vagabundíssimo

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Há dois atrás o jornalista Mário Magalhães aplicou um rótulo inapelável ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff: um golpe vagabundíssimo (Aqui!). Entretanto, ao ver o resultado das duas votações que ocorreram hoje no Senado Federal (um para impedir a continuidade da presidente para o cargo para o qual foi eleita e outra para manter seus direitos políticos), eu tendo a dizer que este é um golpe “muy” vagabundíssimo.

A coisa beira a farsa completa já que se cassam os mais de 54 milhões de votos dados a Dilma Rousseff, mas ela continua habilitada a concorrer a outros cargos e para os quais será irremediavelmente eleita caso decida participar de outra eleição. 

A verdade é que Dilma Rousseff está sendo apeada do cargo por uma maioria de parlamentares na Câmara e no Senado que possui incontáveis processos em curso na justiça pelos mais variados tipos de atos ilegais, enquanto que a agora ex-presidente possui uma ficha ilibada.

De toda forma, o que fica claro é que este golpe “light” não foi contra Dilma Rousseff (que continuará com seus direitos políticos) mas contra os seus eleitores que votaram para que as mudanças sociais fossem aprofundadas no Brasil. Esse fato torna Michel Temer apenas mais um dos títeres que já ocuparam a presidência do Brasil para aplicar políticas anti-populares e anti-nacionais. E à luz de qualquer avaliação minimamente isenta, Michel Temer será um presidente desprovido de qualquer legitimidade democrática.

E como Michel Temer e o grupo que se apossou da presidência da república via este golpe “soft” pretendem impor políticas diametralmente opostas ao programa com o qual Dilma Rousseff foi eleita, não há como esperar qualquer chance de que entremos numa fase de estabilidade econômico e, muito menos, política. Aliás, com essas decisões dúbias do Senado Federal, o que teremos é uma ex-presidente que se fez mais legitima após reagir à traição de seu vice, e um presidente em exercício que enfrentará uma oposição socialmente organizada para a qual ele não está preparado para enfrentar.

A conclusão desse capítulo que se abre com esse golpe “muy” vagabundíssimo ainda está por ser escrita. Mas olhando de fora do hospício em que o congresso nacional se transformou desde o início de 2014 quando Dilma Rousseff assumiu seu segundo mandato, o que eu vejo é que as elites brasileiras ainda vão se arrepender muito da aventura em que meteram o Brasil. A ver!

Dilma e o golpe: o pior ainda está por vir

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Não votei em Dilma Rousseff em ambos os pleitos que ela venceu para a presidência da república do Brasil. Considero que suas ações, sob a tutela do ex-presidente Lula e do neoPT, abriram o caminho para que os partidos burgueses atacassem a democracia brasileira e os frágeis direitos que a classe trabalhadora amealhou ao custo de muito suor e sangue.

Agora, que ninguém se engane. O que está em curso no Brasil é um golpe de estado! E a finalidade deste golpe de estado é clara: iniciar um brutal processo de recolonização do Brasil sob as mãos das corporações multinacionais que ameaçam jogar o nosso país de volta ao Século 19. Resta apenas saber se a recolonização proposta pelos setores mais socialmente retrógrados vai incluir alguma forma velada de retorno da escravidão. É que o resto do script já foi declarado publicamente: privatização do Estado, entrega da soberania naiconal, regressão brutal nos direitos dos trabalhadores e uso sistêmico da violência contra quem se insurgir contra este estado de coisas.

Mas os setores que estão perpetrando esse golpe “light” já sabem que haverá resistência, pois a maioria dos brasileiros não vai aceitar que um conjunto de propostas que foi derrotado em 4 eleições presidenciais seja executado por quem não angariar os votos necessários para fazê-lo. Ainda mais que o presidente interino que lidera o golpe, Michel Temer, não tem votos nem para se eleger para síndico de prédio.

Em síntese: bem vindos à luta de classes e ao fim dos governos de conciliação. E que a classe trabalhadora possa falar mais alto!

E, sim, a saída é pela esquerda!

O Brasil e uma descoberta incômoda: a luta de classes está viva e manda lembranças

Quando Karl Marx formulou o conceito de luta de classes e associou a ele a ideia de que ela seria o motor que faz girar a história, quase certamente não pensou no Brasil. É que toda a experiência histórica que levou Marx a estabelecer os canones de sua dialética materialista estavam fortemente ancorados na Europa e na Revolução Industrial que ali se consolidava.

 Mas nos últimos tempos, especialmente após a onda conservadora que foi formada para tirar Dilma Rousseff da presidência da república, vejo pessoas sinceramente surpresas com o tipo de virulência que as pessoas de direita são capazes de mostrar e escrever.  Os alvos costumeiros da ira da direita são os pobres, nordestinos, gays, negros e pessoas de esquerda.  Em função disso temos não apenas lido, mas assistido ao que pensam e fazem segmentos da população brasileira que deixam as pessoas médias completamente embasbacadas.

Temos como resultado desse embasbacamento pedidos para que as pessoas se respeitem nas redes sociais e evitem romper amizades por causa das diferenças ideológicas.  Muitos dizem que é preciso evitar a conflagração e o espírito de “um time contra o outro”. 

Pessoalmente acho que quaisquer pedidos para que as pessoas se comportem civilizadamente é inócuo. É que a sociedade brasileira contém elementos que são completamente incivilizados, e que são fruto de sua construção ancorada na escravidão negra e na exploração colonial de nossas riquezas naturais.  Assim, enquanto não houver uma superação do legado histórico que carregamos, qualquer chamado à civilização óu é cínico ou é ingênuo (ou talvez uma mistura dos dois).

Além disso, dada a volúpia com que as forças políticas que ocupam o poder em Brasília a partir do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff atacam direitos sociais e as estruturas do Estado brasileiro, qualquer perspectiva que aponte para necessidades de pacificação é inócuo. É que essas forças não hesitarão em usar o aparato repressivo contra quem se insurgir contra o processo de recolonização do Brasil que elas estão colocando em marcha. E está cada vez mais claro para mim (é só ver os graves ataques em curso contra o SUS e as universidades públicas) que a opção dessas forças é pelo confronto com a maioria da população que rejeitos suas políticas nas últimas quatro eleições presidenciais. 

Em outras palavras, estamos num período em que a luta de classes vai se aprofundar no Brasil. E é preciso ter isto claro, pois, do contrário, os planos de desmanche do Brasil serão aplicados sem dó nem piedade. Afinal, se alguém tinha ilusão de que a burguesia nacionalestava minimamente disposta a ver uma melhora mínima nas condições de vida da maioria pobres do Brasil, a realidade tratou de enterrá-la.

Enquanto isso, Karl Marx manda lembranças de lá do cemitério de Highgate no norte de Londres.

A charge do jornal peruano La Republica diz tudo. E os golpistas ainda cham que ninguém sabe o que anda acontecedno no Brasil!

A charge abaixo foi publicada hoje pelo jornal peruano “La Republica” (Aqui!) e dispensa maiores comentários. Mas eu faço um: os golpistas que assumiram o poder via esse golpe parlamentar branco que tirou a presidente Dilma Rousseff de um posto para o qual foi eleita já estão bastante manjados e enganam ninguém. Também, pudera, está tudo muito à vista!

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Medidas iniciais do governo Temer mostram que elites querem incendiar o Brasil

Desde 2003 estive entre aqueles que analisaram de forma crítica políticas implementadas pelos governos Lula e Dilma. Por isso, muitas vezes fui classificado como “ultra esquerdista”, pois esse era o rótulo dos que faziam críticas pela esquerda ao que neoPetismo estava executando na forma de um ampla colaboração com alguns dos setores mais atrasados da política nacional.

Agora que o grande acordo rompeu e Michel Temer está à frente do leme do Estado brasileiro, os limites do governo de colaboração de classes aplicado por Lula e Dilma estão ficando explícitos. É que com menos de 15 dias de existência, o governo interino pós-golpe parlamentar de Michel Temer está transformando em pó boa parte dos programas de governo que permitiram a construção da miragem de que no Brasil as instituições estavam “maduras” para a convivência democrática.

A verdade nua e crua é que o Brasil é um país,  usando as definições do cientista político argentino Guillermo O´Donell, com instituições construídas com fundações fracas. Para O´Donell, as instituições democráticas estabelecidas na América Latina simplesmente não passavam no teste da robustez que se requisita para a existência de regimes democráticas. Em outras palavras, a democracia na América Latina é um tigre de papel que não resiste a um mínimo de vento. Por isso, tantos golpes e contra-golpes, tendo sempre os mais pobres como as vítimas da sanha concentradora das elites.

Mesmo levando em conta a natureza farsesca da democracia à la América Latina (onde o Brasil, não esqueçamos, está inserido), não deixa de ser curioso notar a sede com que o governo interino de Michel Temer está tentando apagar até a miragem de democracia que os anos de Lula e Dilma criaram.  Talvez seja por um reconhecimento explícito da sua natureza golpista. Até socos na mesa Temer já anda dando para depois anunciar de forma até cândida que “sabe tratar com bandidos” no exercício do governo (?!).

Além disso, o ataque direto às instituições chega até coisas muito caras ao imaginário nacional. A entrega do pré-sal e o sucateamento pré-privatização da PETROBRAS, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica são os sinais mais explícitos de uma postura de terra arrasada cujo mote é apagar completamente qualquer chance de que sejamos, entre outras coisas, uma Nação independente.

O problema aqui é avisar aos milhões de brasileiros que embarcaram na ideia de que era possível transformar o Brasil pela conversa e pelas políticas afirmativas, sem mexer no essencial das nossas diferenças estruturais. Até agora essa maioria de brasileiros está apenas observando os conflitos intra- e inter-classe que saltam das telas das TVs.  Mas não há uma mínima chance de que esses segmentos ficaram inertes quando o pacote de maldades do governo interino chegaram em suas casas para tirar as migalhas que foram colocadas nas suas mesas ao longo da última década.

Por isso é que eu avalio que as elites brasileiras estão menosprezando o risco de um grande conflito social no Brasil com tantas medidas contra o pouco que foi concedido por Lula e Dilma. A ver!

As revelações de Romero Jucá e algumas perguntas incomodas que brotam delas

 

Um colega da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) apareceu com a seguinte sequência de perguntas numa lista interna que os professores mantém para se comunicar e trocar ideias:

1)  O conteúdo do grampo do senador Romero Jucá era conhecido há tempos (desde antes do impeachment da presidente Dilma Rousseff).

 2) O processo contra o deputado federal Eduardo Cunha no Supremo Tribunal Federal (STF )é de Dezembro/2015.

  3) Só após o impedimento, o processo contra o deputado Eduardo Cunha teve uma decisão (ainda que preliminar) pelo seu afastamento

  4) Só depois do impedimento, o grampo do senador Romero Jucá foi divulgado.

  5) O deputado Eduardo Cunha é do PMDB, e articulou com o presidente interino Michel Temer pelo impedimento (com sucesso) da presidente Dilma Rousseff

 6) O senador Romero Jucá é do PMDB, e era homem forte no governo Temer até a divulgação da entrevista com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Eu aproveito desta sequência de perguntas para apontar aos leitores deste blog, acho que me parece trágico nessa história toda. É que, em tese, o judiciário deveria atuar acima dos interesses partidários. Aí estão inclusos a Procuradoria Geral da República e o STF.

Como parte das declarações dadas por Romero Jucá em sua agora infame conversa com Sérgio Machado atribui arranjos com um setor majoritário do STF em prol do impeachment para “barrar essa porra toda” (isto é a Lava Jato), como fica o procurador geral da república, Rodrigo Janot que, em tese, é o responsável pelo andamento das denúncias que são enviadas para o ministro Teori Zavascki? Por que as gravações de Romero Jucá só vieram a público após a aprovação do impeachment? Aliás, quem foi que “vazou” as gravações envolvendo Romero Jucá?

Nesse sentido, o jornalista Magalhães produziu um interessante artigo no dia de hoje em seu blog no site UOL, onde ele aborda justamente o papel cumprido pelo intervalo entre a entrega das gravações envolvendo Romero Jucá e sua liberação no impeachment da presidente  Dilma Rousseff (Aqui!).

Ao menos, com a liberação dessas gravações, uma coisa positiva ocorreu: não teremos mais que ficar na enfadonha discussão se estamos vivenciando um golpe de Estado ou não. Agora, faltam respostas para todas as indagações que emergiram em relação ao papéis cumpridos pela PGR e pelo STF neste imbróglio todo.

The Intercept faz correção editorial após divulgação das gravações de Jucá: há um golpe em curso no Brasil

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O site “The Intercept” que é impulsionado pelo jornalista Glenn Greenwald acaba de publicar um interessante artigo intitulado ” New Political Earthquake in Brazil: is it Now Time for Media Outlets to Call this a “Coup”?”, ou em bom português “Novo terremoto político no Brazil: chegou o momento da mídia de chamar isto de um golpe?” (Aqui!).

O artigo assinado pelos jornalistas Glenn Greewald, Andrew Fishman e David Miranda aborda as múltiplas ramificações do conteúdo das gravações liberadas da conversa (ou seria trama explícita) entre o senador Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Para Greenwald, Fishman e Miranda, o mistério que perdura neste momento é sobre quando será que a mídia corporativa brasileira vai, finalmente, reconhecer que o que está em curso no Brasil é um golpe de Estado destinado a circunscrever as punições da Lava Jato ao PT.  Interessante notar que os três declararam que até o momento o “The Intercept”, como a maioria dos veículos internacional, estava evitando usar a palavra “golpe”, mas que, diante das revelações trazidas pela conversa de Jucá com Machado, terá que fazer uma correção editorial para chamar o golpe do que ele é, um golpe. É que segundo eles, o que transpira das conversas de Jucá com Machado “parece, soa e cheira como um golpe”.

E não é que parece, soa e cheira como um golpe!?

 

 

Vem do Infomoney a melhor definição da situação brasileira

O site Infomoney é especializado em prestar informações apuradas para quem quer operar ou opera no mercado financeira. Em outras palavras, o site não é exatamente um hub de análises políticas. Entretanto, após ler dezenas de artigos sobre a situação brasileira pós-impeachment, tenho que reconhecer que é de lá que vem a melhor definição da realidade em que estamos imersos, até porque o presidente interino Michel Temer é, de fato, uma expressão das urgências mais radicais do mercado.

Falo aqui da matéria assinada pela jornalista Paula Barra, repórter de Mercados do Infomoney, intitulada “Otimismo, por quê? Banco estrangeiro diz para investidores ‘evitarem’ Brasil após impeachment ” (ver reprodução abaixo).

Infomoney

A melhor frase da matéria que pode ser encontrada (Aqui!) é a que diz o seguinte “Pode ser que a dinâmica do mercado brasileiro se torne um caso de “subiu” no rumor, caiu no fato. O tempo dirá“.  Em outras palavras, o mercado brasileiro pós-impeachment se tornou imprevisível. E isto, especialmente num momento tão conturbado da economia mundial, pode significar que o Brasil se torne um país a ser evitado pelos especuladores e investidores. Se isto se confirmar, aí é que entraremos numa profunda turbulência econômica e política.

 

Voz da Alemanha sintetiza opinião da mídia internacional sobre o golpe no Brasil

Imprensa alemã vê “derrota” e “declaração de falência” de um país

Uma nação “que queria ser moderna” recua no tempo e se coloca ao lado de Honduras e Paraguai como países onde “presidentes eleitos foram afastados de forma questionável”, afirmam análises sobre o impeachment de Dilma.

Dilma Rousseff

A aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo Senado é um dos principais destaques da imprensa europeia nesta quinta-feira (12/05).

Com o título “Um país perde”, o site Spiegel Online afirma que “o drama em torno da presidente é um vexame para um país afundado na crise”. Para o correspondente Jens Glüsing, “o grande e orgulhoso Brasil terá que se resignar a, no futuro, ser citado por historiadores ao lado de Honduras e Paraguai – e não só por causa de apresentações bizarras de seus representantes populares. Também em Honduras e Paraguai, presidentes eleitos foram afastados de forma questionável do cargo.”

Para ele, o “espetáculo indigno” apresentado pelos políticos brasileiros “prejudicou de forma duradoura as instituições e a imagem do país”. O jornalista afirma que Dilma não está sendo acusada de nenhum crime, a não ser que se considere a maquiagem orçamentária uma infração. “Mas aí todos os seus antecessores e também muitos governadores teriam de ser expulsos do cargo.”

Na análise do semanário Die Zeit, o afastamento de Dilma é “a declaração de falência do Brasil”. O jornalista Michael Stürzenhofecker afirma que o país queria se apresentar como uma nação moderna com os Jogos Olímpicos, mas o processo de afastamento de Dilma é um “recuo nos velhos tempos” e também os 31º Jogos não serão realizados numa “democracia sem máculas”.

“O processo contra Rousseff não é jurídico, mas político”, afirma o jornalista, que lembra a baixa popularidade de Dilma e a sua falta de apoio político. “O que mais move as pessoas, porém, é a casta política corrupta. O paradoxal nisso é que Rousseff precisa sair porque atacou o problema. Os investigadores da Lava Jato acusaram muitos de seus partidários. Também ela foi investigada, mas nada foi provado.”

Por fim, a análise lembra que há muitos acusados de corrupção entre aqueles que afastaram a presidente e elogia Dilma por ter deixado os investigadores agirem com relativa liberdade, sem interferir. “Isso é incomum para uma líder política que enfrentou uma pressão desse tamanho.” Para o jornalista, o processo todo “é uma derrota para o Brasil, e a recém-adquirida confiança nas instituições e na democracia está abalada. Com o impeachment, o país está a caminho de se tornar a maior república de bananas do mundo”.

No Süddeutsche Zeitung, a análise “Estes homens derrubaram a presidente” apresenta uma relação de todos os envolvidos no processo. “Na opinião de muitos juristas, as acusações são tênues, muitos chefes de Estado antes de Rousseff agiram de forma semelhante e não foram afastados do cargo. A queda de presidente é muito mais o resultado de intrigas políticas, costuradas pelos adversários de Rousseff.”

Em seguida, o jornalista Benedikt Peters apresenta o vice-presidente Michel Temer como o grande vencedor do processo e lembra que personagens-chave do impeachment, como o deputado Eduardo Cunha, são, “ao contrário de Rousseff”, acusados de corrupção.

O Frankfurter Allgemeine Zeitung analisa o processo como “uma marcante guinada à direita” e afirma que “o sucessor Michel Temer precisa carregar um peso enorme no chão de uma legitimidade frágil”. O jornalista Matthias Rüb afirma que o país necessita urgentemente de estabilidade política e lembra os problemas da economia brasileira.

Para ele, a herança do PT não é grandiosa depois de quase 13 anos de domínio, e o partido deve assumir a responsabilidade pelo atual desastre. Ainda assim, e apesar da grande recessão, “o maior país da América Latina está longe de se transformar num Estado mafioso e falido como a Venezuela”, e o combate à pobreza é uma conquista permanente.

Para o jornalista, o Brasil tem divisas suficientes, e os setores primário e secundário são estáveis. “Uma mudança rápida para melhor é possível. Mas, para isso, é necessário estabilidade política e disposição para reformas da parte do presidente interino, Michel Temer. Que Rousseff e os grandes do PT continuem falando de golpe e anunciem oposição contínua também fora das instituições políticas é algo irresponsável”, comenta.

No Reino Unido, o jornal The Guardian diz que a primeira mulher a presidir o Brasil foi afastada pelo voto de senadores que colocaram problemas econômicos, a paralisia política e irregularidades fiscais à frente do voto de 54 milhões de brasileiros que elegeram a representante do PT em 2014.

“O impeachment é mais político do que jurídico”, escreve a publicação britânica. Os senadores, diz, tiveram uma postura mais sóbria do que os deputados, que protagonizaram cenas “triunfantemente feias”.

Em artigo intitulado “Uma guerreira até o fim: Dilma Rousseff – pecadora e santa na luta do impeachment”, o correspondente Jonathan Watts diz que apesar de ser menos “corrompida” que seus acusadores, a “teimosia” e a “natureza fechada” da presidente a deixaram sem os instrumentos necessários para enfrentar a crise.

“Traída por seu companheiro de chapa, condenada por um Congresso contaminado por corrupção e insultada pelo abuso que sofreu como prisioneira da ditadura militar, a líder do Partido dos Trabalhadores sofreu um grande golpe nesta quinta-feira, quando o Senado votou pelo seu impeachment”, escreve.

Segundo o The Guardian, a presidente protestou contra a misoginia e prometeu lutar até o “amargo fim”. “Mas a batalha dela se assemelha cada vez mais a de um animal ferido cercado por predadores se preparando para matar”, diz o texto.

A publicação argumenta que a crise política e econômica não é culpa apenas de Rousseff, mas também de um Congresso fragmentado, que não permitiu a construção de uma coalizão.

O El País, que nesta quarta-feira publicou umeditorial chamando o processo de impeachment de “irregular”, destaca que os senadores falaram sobre as manobras fiscais, mas se concentraram no “catastrófico curso da economia” para justificar os votos.

A sessão plenária, que teve uma “extensão maratoniana”, transcorreu sem os excessos “chocantes” e “ridículos” vistos durante a votação do processo na Câmara dos Deputados, em abril.

O francês Le Monde diz que Temer e sua comitiva estavam prontos para o “sacrifício”. “O homem, puro produto do sistema político brasileiro, conhecedor das intrigas parlamentares, descrito pela comitiva da presidente brasileira como um ‘conspirador’, ‘traidor’ e um ‘ejaculador precoce’, que pensa há meses no trono, está prestes a chegar ao degrau mais alto do poder”, afirma a publicação.

Desconhecido do público, o filho de imigrantes libaneses encarna a esperança do fim da crise, diz o Le Monde, que acrescenta que Temer herda uma situação dramática, mas tem a confiança do mercado financeiro. O artigo questiona se presidente interino será capaz de conciliar uma sociedade dividida pelo processo de impeachment, já que ele é citado na Operação Lava Jato.

Para o Corriere della Sera, o Senado disse “sim” ao impeachment, mas Dilma ainda tem esperança de retorno. Segundo o jornal italiano, o caminho do presidente interino não será fácil. Temer terá que enfrentar a resistência de parlamentares do PT que anunciaram a “obstrução sistemática” de todas as propostas feitas por ele.

“O Brasil vive o segundo ano consecutivo de recessão severa e tudo está num impasse há meses devido à crise política”, diz a publicação. Temer vai pedir que o Congresso apoie uma forte manobra para colocar as finanças públicas em ordem e nomear novos ministros. “É preciso resultados rápidos, que justifiquem uma inversão que tem levantado muitas dúvidas, mesmo fora do país.”

FONTE: http://m.dw.com/pt/imprensa-alem%C3%A3-v%C3%AA-derrota-e-declara%C3%A7%C3%A3o-de-fal%C3%AAncia-de-um-pa%C3%ADs/a-19251950

O que os tweets da conta “fake” de Richard Dawkins mostram sobre a verdadeira natureza do golpe contra Dilma Rousseff e a democracia brasileira

Os defensores do golpe parlamentar travestido de impeachment da presidente Dilma Rousseff tem desprezado continuamente a narrativa de que no exterior este processo está sendo tratado como um mero golpe palaciano comandado por políticos corruptos contra uma governante até agora livre de processos criminais.

Pois bem, acessei a página do Twitter de uma conta que se apresenta como uma paródia da página do etólogo, biólogo evolutivo e escritor britânico Richard Dawkins e verifiquei, até com alguma surpresa, que a mesma expressa de forma irreverante o que está ocorrendo na política brasileira neste momento. Das dezenas de “tweets” que a conta “fake” de Dawkins postou ao longo das últimas semanas separei os que eu considerei mais “apetitosos” para demonstrar que, inapelavelmente, o Brasil está e continuará sendo tratado como uma república bananeira como fruto do processo movido contra Dilma Rousseff.

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Tradução: O impeachment no Brasil não é um golpe. Michel Temer e Eduardo Cunha são homens honestos, e esta cobra está salvando o peixe.

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Tradução: Os romanos tiveram um cavalo amado pelo seu imperador como um senador. O senado brasileiro tem um monte de burros controlados por dinheiro.

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Tradução: Imagens do senado canguru do Brasil. Corte votando o impeachment (também conhecido como golpe, caça às bruxas ou acobertamento de corrupção).

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Tradução: O mundo está assistindo a política do Brasil como uma “House of Cards” surrealista. Ainda assim, os pobres brasileiros estão sofrendo, e os ricos e poderosos estão sorrindo.

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Tradução: Eu fui bloqueado pelo deputado brasileiro “Golpe de Estado” @robertofreireSP. Quão democraticamente aberta à críticas. Eu deveria estar orgulhoso?