Mineradora Vale causa novo incidente ambiental no litoral capixaba

Um dos muitos efeitos da impunidade é o incentivo a que outros sigam o mesmo caminho e repitam aquilo que foi deixado impune. Esse parece ser exatamente o caso de mais um incidente ambiental que atingiu o litoral do Espírito Santo quando uma quantidade ainda desconhecida de rejeitos de mineração da Vale foi lançada no mar no município de Serra.

Segundo declarou a diretora-presidente do Instituto de Meio Ambiente do ES (IEMA), Andreia Carvalho,  a composição dos efluentes é similar a de Mariana (MG), como minério de ferro, calcário, bentonita, entre outros, lançados ao mar sem tratamento e a situação pode ser agravada por conta da chuva [1].  Ainda segundo a diretora-presidente do IEAM, os técnicos do órgão estariam considerando a possibilidade de uma falha na dimensão da estrutura. Em outras palavras, a Vale colocou rejeito demais numa estrutura que não suportou a quantidade colocada e vazou em direção ao mar!

Ainda de acordo com Andreia Carvalho, não havia a dimensão da quantidade de rejeitos que já atingiu o mar.  Além disso, a diretora-presidente do IEMA ainda afirmou que “nós vamos finalizar o relatório e autuar a empresa, que terá que providenciar os laudos de impacto imediatamente. Após esse processo, tomaremos todas as medidas cabíveis”.

O problema é que se a Mineradora Samarco continua praticamente impune ao desastroso incidente causado em Mariana (MG), o recorde da Vale no próprio Espírito Santo não é muito diferente. É que este incidente vem a se somar a uma série de outros, inclusive um relacionado a esta mesma estrutura que falhou no caso sendo aqui descrito.

Com isto, os perdedores serão os de sempre, a começar pelos pescadores e comerciantes locais que vivem e dependem dos ecossistemas costeiras que agora certamente sofrerão graves impactos com a presença desses rejeitos tóxicos da Vale. 


[1] http://novo.folhavitoria.com.br/geral/noticia/2017/12/vazamento-de-grandes-proporcoes-de-minerio-de-ferro-atinge-o-mar-na-serra.html

 

Greve de policiais: de quê realmente tem medo a classe média?

A greve dos policiais militares do Espírito Santo e a mobilização em curso no Rio de Janeiro para deflagar um movimento similar parecem ter despertado um alarme entre os brasileiros, principalmente os que pertencem à chamada classe média.

Esse é um fenômeno do medo generalizado pela ausência da polícia militar das ruas ainda merecerá muitas análises mais capacitadas do que a que vou expor aqui, mas mesmo assim vou compartilhar algumas impressões sobre essa onda de medo que fechou escolas e isolou famílias inteiras dentro de suas residências.

O primeiro aspecto é que a possibilidade de que o Brasil pudesse entrar em um forte ciclo de convulsões sociais já estava mais do que prevista. Afinal, com um número inédito de desempregados e sem qualquer tipo de perspectiva de que o país saia num período próximo da profunda recessão em que foi colocado já apontava para essa possibilidade. Somando-se a isso as medidas draconianas que estão sendo impostas sobre o serviço público em geral e sobre as políticas sociais também aumentaram consideravelmente as chances de conflitos graves.

Entretanto, tudo parecia andar como dantes no Quartel de Abrantes. Os célebres paneleiros com a camisa da CBF haviam sumido, e o governo de “facto” de Michel Temer seguia cortando na carne dos brasileiros sem que houvesse uma reação razoável nas ruas. Parecia que as demandas da volta da “estabilidade social” tinham sido plenamente cumpridas.

Mas bastou a greve dos políciais capixabas para que essa paz se estraçalhasse em incontáveis fragmentos e que a violência latente explodisse com toda potência no Espírito Santo. Isso, por sua vez, espalhou a onda de medo que está espalhada na cara das pessoas, especialmente as que moram nas regiões mais ricas das cidades brasileiras. É que para os pobres, as coisas já estão ruim faz algum tempo e a violência extrema é um dado corriqueiro, seja pela mão das forças policiais ou das diferentes bandas criminais que operam nos interstícios deixados vagos pela ampliação das políticas neoliberais,

Agora, a questão toda me parece ser da raiz desse medo e de quem realmente se têm medo. A explicação mais rápida é que o medo seria da ação de criminosos que ocupem o vácuo deixado pela ausência de policiamento nas ruas. Mas será isso mesmo? Em minha opinião o medo que está exposto é de uma natureza mais sistêmica e espelha um reconhecimento explicito da natureza profundamente desigual da sociedade brasileira.

Em outras palavras, as classes médias tem medo mesmo é de que os mais pobres e marginalizados se aproveitem do vácuo de repressão para pegar aquilo que lhes está sendo negado há mais de 500 anos, nem que para isso tenham que cometer atos de violência extrema. É essa a raíz do medo agudo que repentinamente se viu espalhado nas redes sociais e nas telas de TV.

O pior é que passado os movimentos de protesto dos policiais os mesmos que hoje morrem de medo deverão voltar às suas rotinas alienadas, esquecendo-se do medo de hoje.  E isso deverá perdurar até que uma nova onda mais forte de convulsão se manifeste. Daí poderá ser o tempo de correr para as colinas, tal como aconselhou  uma capitã da PMERJ que está presa por supostamente insuflar seus colegas a entrarem em greve.

O neoliberalismo mostra a sua cara no Espírito Santo

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A mídia corporativa está dando uma boa quantidade de minutos aos caos instalado na região metropolitana de Vitória após a declaração de uma espécie de “greve branca” pelos policiais militares capixabas. Entretanto, pouco tem se falado sobre as causas essenciais dos problemas sociais, econômicos e ambientais que assolam o Espírito Santo que foi transformado num dos principais laboratórios das políticas neoliberais no Brasil.

Como tenho frequentado bastante o Espírito Santo nos últimos anos por força da proximidade que Campos dos Goytacazes tem com as praias e áreas montanhosas do Espírito Santo, eu não me sinto surpreso com o que está acontecendo. Aliás, a surpresa é que tenha demorado tanto a explodir. 

É que no Espírito Santo têm sido concentradas algumas das piores receitas do chamado Neoliberalismo, incluindo a regressão da legislação ambiental, a precarização dos serviços públicos, e a ampliação do controle privado do aparelho de Estado.  Não è a toa que o atual governador, Paulo Hartung (PMDB), tem como vice-governador um membro do PSDB, César Colnago. Em outras palavras, a dobradinha que foi criada após a assunção do presidente “de facto” Michel Temer no governo federal, já andava bem obrigado no Espírito Santo. 

Mas toda a atual comoção sobre o Espírito Santo não pode esconder que as políticas neoliberais ali implantadas nas últimas décadas têm criado fortes bolsões de violência, dando aos moradores de Vitória a “honraria” de pagar bastante caro (alguns dizem que o preço mais alto do Brasil) para segurar seus carros. 

Além disso, como não esquecer do processo de desertificação verde que foi imposto a partir da expansão da monocultura de eucalipto para servir aos interesses da Aracruz Celulose (hoje Fibria), e que avançou sobre terras indígenas e territórios quilombolas sem o menor constrangimento? E não pode se deixar de mencionar ainda o “pó preto” que a Siderúrgica de Tubarão joga todos os dias sobre a população de Vitória. Tudo em nome da minimização das salvaguardas ambientais em nome do aumento das taxas de lucro da multinacional Arcellor Mittal.

E como não esquecer do inesquecível senador Magno Malta (PR) cuja base política são os setores evangélicos/protestantes que lhe tem assegurado votações sólidas, a despeito de sua constante migração por uma verdadeira constelação de siglas partidárias. Parte da despolitização e da fragilização das organizações populares resultam diretamente da agenda ultraconservadora que Magno Malta difunde no seu eleitorado, o qual ironicamente vive majoritariamente nas regiões mais pobres das cidades capixabas.

Assim, que ninguém se deixe enganar pela cobertura parcial da mídia corporativa que basicamente ignora as raízes neoliberais do caos instalado no território capixaba. O fato que o que está acontecendo no Espírito Santo é uma espécie de antessala do que poderá acontecer no resto do Brasil, caso as reformas ultraneoliberais do governo Temer saiam vitoriosas no congresso nacional.  A ver!

Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental/ES promove evento para discutir alternativas para a crise hídrica

gestão

A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES-ES estará realizando o XI SESMA – Seminário Estadual sobre Saneamento e Meio Ambiente e o I Workshop Internacional de Biorremediação de Áreas Contaminadas, idealizado pelo Departamento de Engenharia Ambiental do Centro Tecnológico – DEA-CT, da UFES.

O evento será realizado nos dias 20 e 21 de agosto, das 8h às 18h, no auditório do CCJE, na UFES, em Vitória – ES, com o tema: “Água – Desafios Atuais e Futuros, Nanotecnologia e Membranas Filtrantes”.

Mais informações:
www.abes-es.org.br/evento
eventos@abes-es.org.br
(27) 9.9699-4224

As múltiplas facetas do colapso hídrico no norte capixaba

A edição da Tribuna do Cricaré deste sábado traz novas matérias sobre os efeitos do colapso hídrico que ronda os municípios litorâneos do extremo norte do Espírito Santo.

crise 1

A primeira coisa que transparece da capa do Tribuna do Cricaré é que o problema está disseminado e não atinge apenas as áreas urbanas.  Já a segunda coisa que aparece é que o povo de São Mateus vive uma condição que beira o surreal, pois os cidadãos transformados em consumidores estão sendo obrigados a pagar por água imprópria para o consumo e com tarifa “cheia”.

crise 2

E como demonstra a matéria que noticia a decisão judicial de impor ao Serviço de Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de São Mateus que se resigne a cobrar a tarifa mínima por servir água imprópria, vivemos um tempo de absurdos.  Nesse caso, é absurdo que se sirva água imprópria, e mais absurdo ainda que se cobre por isso.

Algo que não aparece na matéria, mas que já foi noticiado pelo Tribuna do Cricaré, é o plano da Prefeitura Municipal de São Mateus de privarizar o SAAE para supostamente resolver os problemas de investimentos em estruturas alternativas de captação. A concretização desta privatizçaão quase certamente implicará no aumento de tarifas antes da adoção de quaisquer medidas que garantam a entrega de água própria para o consumo. em outras palavras. Essa será a pílula salgada que a população de São Mateus terá de engolir se quiser voltar a beber água da torneira.

O mais preocupante dessa situação é que o norte do Espírito Santo certamente não é o único ponto do litoral brasileiro onde  as cidades estão vivenciando este tipo de problema. E apesar disso não se nota qualquer alarde ou, tampouco, a procura de respostas integradas não apenas na escala local, mas principalmente na regional já que muncípios no extremo sul da Bahia vivem problemas semelhantes (Aqui!)

TsuLama da Samarco e a difícil ressurreição: onda de rejeitos chega nas praias de Aracruz

Onda de lama se aproximando do Rio Piraquê-Açú e das praias de Aracruz

Foto: Paulo de Araújo/Ministério do Meio Ambiente

Paulo de Araújo/Ministério do Meio Ambiente

Lama de barragem que se rompeu em Minas avança sobre o mar no Espírito Santo

Órgãos ambientais dos governos do Espírito Santo e federal detectaram, nesta segunda-feira (21), vestígios da pluma de lama, na Foz do Rio Piraquê-Açú e se aproximando das praias de Aracruz. Os vestígios da pluma que foramencontrados são provenientes do rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG). O Piraquê-Açu abastece a cidade de Aracruz.

A maior concentração dessa mancha escura segue em direção ao mar aberto. A Prefeitura Municipal de Aracruz (PMA) divulgou comunicado ressaltando que o monitoramento da situação na região marinha está sendo realizado diariamente pelos Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH) e Secretaria Municipal de Meio ambiente (SEMAM).

“Considerando que o levantamento é diário estaremos acompanhando a evolução da situação para a adequada comunicação à comunidade e adoção das medidas cabíveis. A Prefeitura de Aracruz informa ainda que continuará adotando todas as medidas necessárias à prevenção e reparação de possíveis danos ambientais, sociais e econômicos que vierem a ser causados no município em razão desse acontecimento lamentável”, diz comunicado.

A lama de rejeito de minério inundou o Rio Doce entre os estados capixaba e Minas Gerais desde o dia 05 de novembro, quando duas barragens da Samarco Mineradora – cujos donos são a Vale e anglo-australiana BHP Billiton – se romperam. A onda de lama chegou ao mar no distrito de Regência, em Linhares, em 22 de novembro, levando a prefeitura a interditar as praias de Regência e Povoação, espalhando placas ao longo das praias informando que a água está imprópria para o banho.

FONTE: http://www.eshoje.jor.br/_conteudo/2015/12/noticias/meio_ambiente/36807-onda-de-lama-se-aproximando-do-rio-piraque-acu-e-das-praias-de-aracruz.html

Incidente de Mariana: imagens de satélite mostram alcance de mais de 100 km no oceano

Por Capixaba da Gema

A lama que contem a tabela periódica inteira (Irresponsabilidade da Samarco / Vale / BHP Bilton)

Imagem do satélite AQUA mostra que uma parte da lama já se espalhou no dia de hoje por aproximadamente 110 km para o sul em mar aberto. Nessa distância, a lama já está na altura do litoral de Guarapari, cerca de 30km distante da costa.

lama satelite
Fica a nossa observação/alerta e quem quiser as imagens em alta resolução, seguem os links.

Imagem do AQUA de hoje.

http://lance-modis.eosdis.nasa.gov/imagery/subsets/?subset=FAS_Brazil4.2015334.aqua.250m

http://go.nasa.gov/1Xt8L5U

FONTE: https://www.facebook.com/CapixabadaGema/photos/a.190033894417865.50354.189621137792474/935142149907032/?type=3&theater