Campanha de desfinanciamento contra mensagens de ódio e fake news já causou prejuízos bilionários à “holding” do Facebook

A campanha “Stop Hate for Profit” já causou prejuízos de pelo menos R$ 35 bilhões ao Facebook por sua suposta indolência em conter a disseminação mensagens de ódio e “fake news” em troca de verbas por propaganda

Um campanha iniciada por um grupo de organizações de direitos civis nos EUA chamada “Stop Hate for Profit” (Pare o ódio por lucro) já causando prejuízos bilionários à “holding” do Facebook (Facebook e Instagram) e também ao Twitter. É que dezenas de empresas, incluindo as arquirrivais Coca Cola e Pepsi, já informaram que irão suspender os anúncios em redes sociais, pois as empresas que as controlam não estão fazendo o suficiente para impedir a circulação de mensagens de ódio e “fake news” (notícias falsas) na rede mundial de computadores.

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A velocidade com que as empresas estão aderindo ao boicote do “Stop Hate for Profit” é resultado da percepção que a empresa de Mark Zuckerberg tem sido tolerante com empresas e pessoas que divulgam mensagens de ódio em função dos grandes lucros que a publicidade que elas pagam para serem mostradas no Facebook e no Instagram.

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Anúncio da multinacional Unilever diz que “Marcas têm o dever de ajudar a criar um ecossistema digital confiável e seguro. É por isso que nossas marcas irão parar de publicar propogandas no Facebook, Instagram e no Twitter nos EUA

Como apenas no caso do Facebook a renda obtida com a venda de espaços publicitários é de um valor em torno de  R$ 350 bilhões, a pressão que está aumentando em função da rápida ampliação da campanha boicote deverá gerar impactos importantes não apenas no tipo de propaganda que continuará sendo veiculada pelas redes sociais, mas também em processos eleitorais onde as campanhas de desinformação têm resultado na eleição de candidatos que se baseiam nas mensagens de ódio para se elegerem. 

Em uma demonstração de que a “Stop hate for Profit” já se fez notar pelas corporações que controlam as redes sociais, na última 6a. feira o próprio Mark Zuckerberg veio à público para reconhecer que o Facebook está enfrentando dificuldades por causa da sua percebida tolerância com mensagens de ódio e disseminação de notícias falsas, e que procuraria fazer mais para acalmar os críticos.

Entretanto, dada a posição ainda relativamente cômoda do Facebook em relação ao controle do mercado representado das redes sociais, isto não significa que algo mais efetivo vá ser feito pela empresa para conter a disseminação de mensagens de ódio. Esse fato, por sua vez, reforça a necessidade de se apoiar iniciativas que pressionem as corporações para que parem de pagar por espaços publicitários no Facebook e no Instagram até que mudanças substanciais sejam efetivamente realizadas.

Importante lembrar que no Brasil quem tem iniciou este tipo de pressão foi a “Sleeping Giants Brasil” que em pouco de existência já atingiu 375 mil seguidores no Twitter, e declara ter causado perdas significativas na renda publicitária que até pouco tempo movia a máquina de fake news que apoiava a disseminação de notícias falsas, a maioria em prol do presidente Jair Bolsonaro e seu governo.

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Mas a verdade é que a disputa em torno dos conteúdos publicitários nas redes sociais é apenas uma faceta de uma disputa política mais ampla. Para que haja a criação do ecossistema digital propalado pela Unilever há ainda muito trabalho a ser feito, pois há que se reconhecer que, como em qualquer outra seara do Capitalismo, os capitalistas não recusam facilmente a chance de obter lucro, nem que o instrumento de sua obtenção seja a divulgação do ódio e da mentira.

 

Rede alemã Aldi precisou justificar venda de carne brasileira após tempestade de críticas no Facebook

“Silenciosamente estúpido”: indignação com a Aldi – a rede se justifica

Um cliente da Aldi olhou com muito cuidado a embalagem do bife e expressou sua raiva no Facebook. O discounter respondeu

aldi 1A rede Aldi está tendo que se defender por vender carne produzida na Amazônia

Por Franziska Schwarz

Essen / Mülheim – Prática de dumping nos preços , pontos de acesso ao coronavírus nas acomodações dos funcionários, más condições de trabalho – a indústria da carne tem muitos tópicos. As demandas dos clientes por sustentabilidade também estão aumentando. Afinal, a floresta tropical no Brasil está pegando fogo , por exemplo .

Portanto, não surpreende que um usuário do Facebook tenha anunciado em 10 de junho que queria se tornar viral com seu post – e de certa forma o fez. Cinco dias depois, seu post foi compartilhado mais de 2.600 vezes, nas quais ele repreendeu: “A ALDI SÜD vende carne brasileira  produzidas em áreas desmatadas na Amazônia.” Como ele conseguiu saber isso? “Digitalizei o código da embalagem no local hoje de manhã e depois vim para a página da ALDI para inserir o número de rastreamento”, ele escreveu. Ele anexou fotos dos produtos como prova. Seu discurso vai ainda mais longe: “A ALDI anuncia com ‘sustentabilidade’.  Vergonha da Aldi!!! “

 

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Aldi na tempestade da carne: trocar floresta tropical por carne barata?

De fato, como quase todos os descontos , a Aldi está comprometida com a proteção do clima e do meio ambiente e já lançou inúmeras iniciativas de sustentabilidade . Mas a carne do Brasil não pôde ser incluída: o jornal Welt informou no outono passado que a carne bovina do Brasil custa cerca da metade do que a carne da Alemanha. 

Diz-se que a UE importou 515.000 toneladas de carne bovina do Brasil dentro de cinco anos. O problema: cerca de 2,5 quilômetros quadrados de áreas naturais protegidas foram convertidos em pastagens – cerca de 350 campos de futebol anualmente .

Carne barata do Brasil? Aldi reage às alegações do Facebook

Aldi reagiu às alegações na segunda-feira (15 de junho) – e não deixa que elas se assentem nelas . Um funcionário responsável mídia social da Aldi respondeu a um cliente indignado que também compartilhou o post de raiva de que uma “grande parte” da linha de carnes Aldi vem da Alemanha. Mas o próprio funcionário da Aldi admitiu: “No setor de alimentos congelados, também oferecemos uma seleção de produtos de carne bovina provenientes da América do Sul”.

Então veio a defesa da Aldi: “No entanto, essa proporção é comparativamente pequena. De acordo com nossos requisitos de responsabilidade corporativa para produtos de carne provenientes da América do Sul, o fornecedor é contratualmente obrigado a comprar apenas matérias-primas de fazendas que possam confirmar que nenhuma nova área de floresta tropical foi desmatada para a criação de gado ”, escreveu o funcionário da Aldi.

Mais sobre Aldi no vídeo:

A Aldi recentemente causou um rebuliço quando se tratava de carne . No meio do debate sobre as condições de trabalho na indústria de carne alemã, a rede queria reduzir os preços das linguiças . O motivo foi a queda nos preços da carne suína. É comum que os preços da lingüiça sejam baseados nos preços das matérias-primas . No entanto, o nível, o ritmo e o momento do avanço causaram descontentamento no setor – também se temia que outras grandes redes de varejo seguissem o exemplo.

Anti-Aldi-Post viraliza: “bobo e estúpido”

Provavelmente para manter os clientes que (precisam) olhar o preço da carne. Barato e sustentável ao mesmo tempo é difícil de conciliar com a carne. Alguns comentaristas do post questionam não apenas Aldi, mas também a si mesmos: “Aldi é apenas um dos muitos clientes em massa … o cidadão, ou melhor, ‘consumidor’ ‘, é tão silencioso e estúpido que ele dificilmente interessado na origem de vários milhares de quilômetros com todas as guarnições ”, escreve um. 

Outro observa que não apenas a carne do Brasil é problemática: “Observe também que a carne de outros países é produzida com soja do Brasil, não é melhor … então não coma mais carne, ou apenas de origens que não se alimentam de soja do Brasil etc. ! “

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Este artigo foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal Merkur [Aqui!].

Quem checa os checadores de fatos?

fato checadores

O vídeo abaixo, lamentavelmente em inglês, é uma porção de uma audiência pública realizada no congresso dos EUA em abril de 2018, onde o CEO da rede social Facebook, Mark Zuckerberg, é fortemente questionado pela deputada Alejandra Ocasio-Cortez sobre a posição da empresa de permitir a publicação de conteúdos que sabidamente disseminam “fake news” (notícias falsas) ou mesmo mensagens consideradas como de ódio a minorias e oponentes políticos.

Após muita pressão por parte de Ocasio-Cortez, Zuckerberg reconheceu que o Facebook não pararia de publicar conteúdos pagos que pudessem ser eventualmente falsos. A alegação apresentada naquela audiência é que o Facebook disponha de “agências independentes de checagem de fatos” que verificariam a autenticidade de determinados conteúdos.  Em resposta a Zuckerberg, Ocasio-Cortez então perguntou se o CEO do Facebook que um dos seus “checadores de fatos” era ele próprio um disseminador de ideias racistas, e se, apesar disso, poderia ser considerado um checador confiável de conteúdos. 

Todo esse debate que permanece mais do que atual me leva à seguinte pergunta: quem checa os checadores de fatos? É que, como em outras partes do mundo, os tais “fact checkers” assumem como capazes de verificar o que é verdadeiro ou falso em termos do que circula com conteúdo na mídia, mas raramente se questiona quem são os “checadores”  e, mais importante ainda, quem paga pelo trabalho de checagem.  E também muito raramente é questionada quão neutros os checadores são em relação aos conteúdos que supostamente checam com imparcialidade. A verdade é que a “checagem de fatos” é, por si só um novo tipo de empreendimento, uma indústria se preferirem, que também é influenciada por interesses econômicos e políticos.

A questão da autenticidade das informações que circulam nas redes ganhou grande interesse esta semana com a operação policial a mando do Supremo Tribunal Federal que já se sabe paralisou parte da rede de “robôs” que dão apoio ao presidente Jair Bolsonaro, e já se sabe que isso poderá gerar uma grave descontinuidade na dinâmica pela qual a narrativa política acerca da realidade brasileira era apresentada até esta semana. É que justamente na hora que a justiça agiu para impor limites, a principal reclamação é que se está atacando o direito de livre expressão.

Mas não é só no Brasil que sérios conflitos estão ocorrendo entre as empresas que operam as novas mídias e governantes que até agora fizeram amplo uso para determinar o rumo dos debates políticos. O maior exemplo disso é o presidente dos EUA, Donald Trump, que é usuário contumaz das redes sociais que agora está sendo contrariado por causa dos limites que lhe estão sendo impostos pela rede social Twitter que finalmente resolver impor limites na disseminação de “fake news” e mensagens de ódio.

O mais interessante disso é que Mark Zuckerberg está sendo apontado como uma voz contrária a que se aplique regras de contenção na disseminação de conteúdos. Até aqui não há nenhuma surpresa, pois o Facebook gera bilhões de dólares em receitas por meio da publicação de conteúdos pagos. A questão aqui é que agora está ficando claro que é preciso que limites sejam estabelecidos para o tipo de conteúdo que pode ser livremente distribuído sem que haja a devida responsabilização daqueles que distribuem notícias falsas e mensagens de ódio.

Coronavirus: Facebook combats misinformation with facts in news feed

A pandemia da COVID-19 veio, entre outras coisa, para demonstrar que é preciso existirem limites e necessidade de responsabilizar os que distribuem conteúdos falsos ou apenas que não sobrevivem ao exame da racionalidade científica.  É que não se trata mais de vencer esta ou aquela eleição, mas também definir sobre a vida e a morte das pessoas que são influenciadas direta ou indiretamente pela disputa de narrativas que estão ocorrendo em torno da pandemia da COVID-19. O problema mais uma vez não se resume apenas sobre a checagem dos fatos, mas também dos seus checadores.

MPF obtém condenação de internauta por discurso de ódio em postagem homofóbica em rede social

Gustavo Canuto Bezerra terá que pagar indenização de R$ 5 mil por postagem em que ofendia homossexuais

social media or network on smartphone mobile, comments, likes and new followers

Em ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal em Duque de Caxias (RJ) condenou Gustavo Canuto Bezerra por postar conteúdo em que promovia discurso discriminatório contra a comunidade LGBT por meio de publicação no Facebook. Ele utilizou o seu perfil na rede social para postar conteúdo homofóbico. Pela prática, ele deverá pagar indenização por danos morais coletivos, no valor de R$ 5 mil.

Na ação, o MPF argumenta que a conduta de Gustavo Bezerra reproduz e reforça o preconceito que, historicamente, submete toda a comunidade LGBT a uma situação de vulnerabilidade social, de modo que a violação de seus direitos fundamentais constitui prática rotineira na cultura do país. Ao MPF, ele teria alegado tratar-se de “brincadeira com um amigo sem a intenção de ofendê-lo ou prejudicá-lo”, tendo apagado a mensagem, se desculpado, e se comprometido a não reiterar o comportamento. O MPF pediu também a retratação do réu, porém o juízo não acolheu o pedido.

Porém,  o MPF sustenta que o comentário proferido ultrapassa a esfera protegida pela liberdade de expressão, porque invade o plano da honra e da dignidade alheias, produzindo efeitos lesivos à população LGBT e à reputação do grupo frente à sociedade brasileira, constituindo, inclusive, ameaça à própria segurança desses cidadãos. Assim, constitui ato ilegal que gera, consequentemente, dano moral passível de indenização.

Na decisão, a Justiça Federal considerou que o “discurso vilipendia e agride frontalmente a dignidade daqueles que se identificam com a minoria homossexual ou possuem entes queridos nessa categoria, historicamente discriminada, ao se deparar com tal post nas redes sociais, agride, também, todos aqueles que tenham qualquer apreço pelos valores básicos da humanidade, consagrados em diversos tratados internacionais de Direitos Humanos dos quais o Brasil faz parte”. Por isso mesmo, na decisão, o juiz considerou que o caso “não é brincadeira, muito menos exercício de liberdade de expressão, já que ninguém tem direito a se exprimir de forma a fomentar o ódio a minorias e agredir a Constituição. O discurso de ódio é extremamente sério, e inclusive levou a grandes tragédias da humanidade, como o holocausto dos judeus durante a 2a Guerra Mundial. É tão grave, portanto, que o Supremo decidiu pelo enquadramento da homofobia e da transfobia como tipo penal definido na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989)”.

Clique aqui e leia a decisão.

Assessoria de Comunicação Social

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

twitter.com/MPF_PRRJ

Atendimento à imprensa: prrj-ascom@mpf.mp.br 

Privacidade Vendida: Facebook entregou dados de seus usuários a pelo menos 150 empresas

Facebook entregou mensagens privadas dos utilizadores a 150 empresas

Por Vitor M.*

Os utilizadores parecem ter pouco valor enquanto pessoas e organizações com direito à sua privacidade. São apenas um número para o Facebook fazer dinheiro.

Segundo informações avançadas pelo New York Times, a empresa de Mark Zuckerberg entregou dados e mensagens privadas dos utilizadores a empresas como a Amazon, Microsoft, Netflix, entre outras. Foram mais de 150 empresas que receberam informações dos utilizadores sem que estes dessem a autorização ou que tivessem sequer conhecimento.

*Vítor M. é o  responsável pelo Pplware, fundou o projeto em 2005 depois de ter criado em 1993 um rascunho em papel de jornal, o que mais tarde se tornou num portal de tecnologia mundial. Da área de gestão, foi na informática que sempre fez carreira.

FONTE:  https://pplware.sapo.pt/redes_sociais/facebook-entregou-mensagens-privadas/

Whatsapp se tornou uma ferramenta sob completa suspeita

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O aplicativo Whatsapp é uma das muitas ramificações da corporação multinacional que se esconde por debaixo do Facebook.  O Whatsapp foi adquirido pela empresa de Mark Zuckerberg pela “bagatela” de US$ 16 bilhões em 2014 e se encontra no topo dos aplicativos de sua natureza, até porque sua instalação é gratuita e promete a completa confidencialidade aos seus usuários.

Recentemente o Whastapp estabeleceu o limite máximo de 20 envios por vez, alegadamente para dificultar a disseminação das chamadas “fake news“.  É que seu uso para a opção preferencial para interessados em disseminar mensagens privadas em campanhas que visam alterar a percepção das pessoas sobre o que está se passando em um determinado contexto.

Mas eis que no dia de hoje o jornal Folha de São Paulo divulgou uma matéria bombástica revelando que um conjunto de empresários estaria envolvido na contratação de empresas para distribuir material contra o candidato Fernando Haddad e a favor de Jair Bolsonaro, o que envolveria o envio de centenas de milhões de disparos no Whatsapp (ver imagens abaixo).

caixa 0caixa 1Independente das consequências eleitorais que esta reportagem da Folha de São Paulo, é essencial que todos os usuários do Whatsapp que se preocupam não apenas com sua privacidade pessoal, mas também com manipulações que alterem o funcionamento do sistema democrático, comecem a avaliar seriamente se não é chegada a hora de procurar outros aplicativos para substituí-lo.   É que como já apontou o jornalista Leandro Beguoci em uma reportagem publicada pelo site VICE, o WhatsApp virou uma realidade paralela (e perigosa) no Brasil [1].

Como já existem outros aplicativos similares (Telegram e Signal, por exemplo),  a possibilidade de mudança não chega a ser difícil.  Resta saber se as pessoas estarão dispostas a sair da égide do oligopólio montado pelo Facebook. A ver!


[1] https://www.vice.com/pt_br/article/j53983/como-o-whatsapp-virou-uma-realidade-paralela-e-perigosa-no-brasil?utm_campaign=sharebutton

 

Myanmar: um genocídio preparado no Facebook

Pakistan Myanmar Attacks

Muitos brasileiros estão surpresos com as mensagens de ódio que campeiam as redes sociais nesta campanha eleitoral e com conteúdos que nos remetem  a períodos de extremo desrespeito aos direitos humanos. Se lerem o artigo assinado pelo jornalista Paul Mozur e que foi publicado pelo jornal estadunidense “The New York Times“, poderá constatar que o Brasil não é o primeiro nem o último lugar onde as redes sociais, especificamente o Facebook, estão sendo usadas para preparar ações violentas contra os que são considerados como “desajustados”, sejam eles gays, feministas, comunistas, umbandistas ou, no caso de Myanmar,  contra os membros de uma minoria étnica que professa religião distinta da maioria dos habitantes daquele nação asiática [1].

genocidio Myanmar

Qualquer pessoa que acompanha a evolução das redes sociais sabe minimamente que elas controladas por um pequeno número de corporações capitalistas cujo objetivo é exatamente o mesmo: enriquecer brutalmente os seus donos e, ao mesmo tempo, realizar um controle da qualidade e da intensidade de informação que circula via a rede mundial de computadores.

Mas o que a maioria não sabe é que, como mostra o caso retratado por Paul Mozur, há uma tolerância por parte das corporações que controlam as redes sociais em relação à participação de entes estatais disfarçados de pessoas comuns. Mais uma vez, o caso de Myanmar é exemplar, na medida em que as forças armadas daquele país se infiltraram por mais de 5 anos no Facebook para preparar uma campanha brutal de limpeza étnica, sem que fossem molestadas pelos filtros e censores da empresa.  Destino muito diferente tem sofrido grupos de direitos humanos e sociais que estão sendo bloqueados e impedidos de transmitir informações que seriam fundamentais para se entender como foi possível, via redes sociais, promover um genocídio em pleno Século XXI e, pior, preparado e transmitido como algo que fosse passível de naturalização.

Interessante notar que nesta reportagem, Mozur detalha a partir de informantes principais que participaram da estruturação de uma rede de “trolls” que criava páginas de notícias e celebridades no Facebook e, em seguida, as inundavam com comentários e postagens incendiários programados para o pico de audiência. A infiltração era feita de forma bem simples: as contas eram criadas como se fossem pertencentes a pessoas comuns que se apresentavam como fãs de grupos de roqueiros e heróis nacionais, mas quase que imediatamente passavam a disseminar mensagens de ódio contra a minoria Rohingya. 

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Exemplo de imagem usada pelos militares para criar sua campanha de ódio contra os Rohingya e que estavam postadas nas páginas criadas no Facebook

Para se ver o tamanho e  o impacto da rede de trolls criada pelas forças armadas de Myanmar para promover a sua campanha de limpeza étnica contra os Rohingya,  depois de perguntas feitas por Mozur para preparar sua matéria, o Facebook teria informado que tirou do ar uma série de contas que supostamente estavam focadas em entretenimento, mas que estavam ligadas aos militares que promoveram o genocídio dos Rohingya. Segundo o próprio Facebook, essas contas tinham 1,3 milhão de seguidores! Como é impossível que os guardiões que monitoram o Facebook não soubessem da verdadeira identidade dos impulsionadores desta rede de perfis falsos, resta a inevitável conclusão de que a coisa foi tolerada até ser revelada. E claro, tudo em nome dos lucros dos donos da empresa.

Uma coisa é certa: as similaridades entre os que estão emergindo sobre o uso do Facebook em Myanmar, a partir das táticas de disseminação de mensagens de ódio, e o que está acontecendo no Brasil não são meras coincidências. Aliás, muito pelo contrário. Em função disso, os movimentos sociais e ativistas políticos brasileiros terão de repensar num futuro não muito distante a viabilidade de continuar usando as chamadas redes sociais como sua ferramenta primária de veiculação da informação e de disputa ideológica na sociedade. É que sem profissionalismo e disposição para enfrentar as táticas que estão sendo empregadas até por forças armadas nacionais, as redes sociais serão inevitavelmente as portadoras de uma paz dos cemitérios.


[1] https://www.nytimes.com/2018/10/15/technology/myanmar-facebook-genocide.html

 

O neoliberalismo e suas patologias

neoliberal

Independente dos resultados que emergirão das urnas no final deste domingo, em minha opinião estamos presenciando um momento de profunda anomia na sociedade brasileira, o qual está sendo causado principalmente pela falta de um horizonte positivo para muitos que hoje embarcam na tentação de resolver suas questões pessoais e nossos problemas pessoais via o uso da violência contra os que são vistos como elementos antagônicos aos seus ideais de vida.

E quais são estes ideais? Essencialmente eles são determinados por décadas de hegemonia neoliberal em uma sociedade que já era uma das sociedades mais desiguais do planeta. Esses ideais se ancoram na concorrência extrema entre os indivíduos, a erradicação de quaisquer laços de solidariedade e o estabelecimento de uma concepção de que os prejudicados pelo sistema ou escolheram ser assim ou não se esforçaram o bastante para acumular algum tipo de capital.

Após semanas debatendo em grupos de Facebook, alguns deles compostos majoritariamente por servidores públicos que deverão perder o pouco que ainda detém em termos de direitos, pude presenciar como as pessoas que ousam questionar esses princípios são tratadas. A coisa começa com a acusação de que alguém está doutrinado, mas passa pelas acusações de quem alerta para os riscos postos está com medo da derrota ou simplesmente desesperado. Este tipo de ladainha combina ainda citações a um suposto plano bolivariano de dominar e transformar o Brasil numa sucursal da Venezuela.

Ao serem lembrados que a Argertina que recebeu o receituário que  vai ser aplicado aqui se um determinado candidato vencer, a coisa descamba para as ofensas pessoais e a chacota.  Tampouco falam eles sobre o caso do Chile que foi o primeiro país da América do Sul a privatizar a previdência social e hoje possui um dos maiores índices de suicídio entre idosos no mundo.

Além disso, nesses grupos em que debati com os defensores dessa agenda neoliberal foi comum a demanda para que eu fosse excluído sumariamente por “não pertencer” ao grupo, como esse tipo de fórum tivesse algum tipo de DNA do pertencimento.  Como não caí na tentação de me retirar espontaneamente, as demandas cessaram na mesma medida em que aumentaram os ataques ao meu nível de inteligência. Obviamente para eles uma pessoa que se coloque contra o discurso rasteiro que eles oferecem para oferecer respostas para o Brasil (as quais raramente dizem quais são) necessita ser desqualificada, de modo a esconder a inexistência de propostas que não sejam de retirar direitos e impor uma sociedade guiada por rígidos mecanismos de moral social sobre os mais pobres.

Em suma, o que está aparecendo nestas eleições é muito mais do que milhões de pessoas votando em um candidato que já lhes avisou que irá trabalhar para piorar suas vidas. O que temos se manifestando abertamente são os ovos da serpente neoliberal que chocou uma sociedade com segmentos inteiros que perderam os níveis de solidariedade social e hoje apostam em mecanismos de higienismo social com paralelos históricos conhecidos na Alemanha nazista.  

Por causa disso é que muitos que até agora olharam para essa situação e fingiram que nada estava acontecendo precisam sair do seu comodismo e trabalhar para alcançar os milhões de pobres que estão sendo ludibriados e se colocando no papel de agentes de seus próprios algozes. A hora é de retomar o protagonismo político e mostrar que é possível construir uma sociedade mais solidária que não discrimine seus cidadãos com base na cor da sua pele ou da sua orientação sexual.  Mas aviso logo, o trabalho será duro porque os ovos da serpente neoliberal estão bem espalhados e desabrochando em grande profusão.

MBL reage a banimento do Facebook e decide criar sua própria rede social

O auto intitulado Movimento Brasil Livre (MBL) realizou hoje um micro comício na frenre da sede do Facebook para protestar contra de desativar 196 páginas e 87 contas que estariam sendo utilizadas para disseminar fake news e mensagens propugnando conteúdos que estimulam ódio e violência.

Diante do “sucesso” do micro ato, os líderes nacionais do MBL decidiram iniciar a criação de uma nova rede social para disseminar as suas ideias e valores, o Fakebook.

Abaixo o anúncio oficial do lançamento do Fakebook!

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Em “live” vereador Cláudio Andrade confirma que Facebook também pode ser cemitério de reputações

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Eu poderia ter atualizado minha postagem anterior onde apontei para que o vereador Cláudio Andrade (PSDC) era o virtual autor de uma áudio onde transmitia uma mensagem nada “friendly” aos seus assessores para que os mesmos atualizassem suas páginas em redes sociais com conteúdo não especificado, mas provavelmente de loas à sua atuação na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes.

Mas provavelmente assustado com a repercussão do vazamento de um áudio comm conteúdo ameaçador, o vereador Cláudio Andrade resolveu usar a sua página oficial no Facebook para fazer uma “live” (i.e., pronunciamento ao vivo) para explicar porque enviou o tal áudio a um grupo de 12 assessores, dentre os quais ele certamente vai procurar quem fez o vazamento [1].

Ouvi boa parte do conteúdo da live do vereador Cláudio Andrade e na minha modesta opinião ele deu uma de Chacrinha que dizia “Eu não vim aqui para explicar, eu vim aqui para confundir.”  É que em vez de explicar porque enviou uma mensagem de conteúdo claramente ameaçador, ele acabou fazendo um exercício de franco egotismo e não de explicação, com usos repetidos da citação dele mesmo como se outra pessoa (no melhor estilo Romário). É que, entre outras pérolas, ele atribui a si mesmo e ao uso de dinheiro de recursos pessoais a reforma de uma praça em Mussurepe, fato que se for confirmado, deveria merecer uma avaliação por parte do Ministério Público.

Agora, após ter ouvido essa “live”, tenho que dizer que o Facebook é outro espaço que se não for usado com o devido cuidado e precaução que tem tudo para ser mais um imenso cemitério de reputações.  Resta saber se a “live” do vereador Cláudio Andrade vai colocar sua reputação na cova. A ver!


[1] https://www.facebook.com/claudio.andrade.501?hc_ref=ARTnh2u4lAF29njWiTvfJJPHjjFO88NlPu7owxpbyxIM6Dmok5fPK2tCydcBvv4rAxY