A vida continua após se receber uma “red flag” no Facebook

news feed

No início desta semana, a equipe de monitoramento de boas práticas do Facebook me enviou um aviso de que as publicações do meu blog tinham sido denunciadas como sendo “spam” por alguém (ou alguéns) que se sentiu incomodado com o conteúdo do que escrevo e distribuo. O interessante é que, ao em vez de me oferecer a oportunidade de rebater a acusação, o Facebook apenas me ofereceu a oportunidade de informar se eu concordava ou não com o procedimento de bloquear minhas publicações. Em certo sentido, a “red flag” que resultou da denúncia de alguém incomodado com o meu blog, permanceu valendo.

Assim, já pude notar notar uma curiosa inversão no fluxo de acessos ao “Blog do Pedlowski” que possui um controlador interno de acessos pela WordPress onde faço a hospedagem desde 2014. A origem de acessos que era até esta semana era majoritariamente do Facebook, em uma proporção de quase 1,5 em relação aos mecanismos de busca, agora vem de forma na mesma proporção em que se andava anteriormente, e obviamente em menor quantidade de acessos.

Mas uma coisa é certa: ter sido denunciado no Facebook não está impedindo que o Blog do Pedlowski continue tendo uma boa quantidade de acessos diários, mesmo com o bloqueio criado por alguém que me denunciou no setor de boas práticas da rede social de propriedade de Mark Zuckerberger.

E qual é o moral da história: com ou sem Facebook para direcionar o tráfego, o Blog do Pedlowski continuará distribuindo informações sobre questões que eu considere relevantes e importantes para serem disseminadas, mas que nem sempre atraem a atenção da mídia corporativa.  Além disso, não tenho a menor intenção de abandonar o tipo de reflexão crítica que eu venho procurando oferecer desde a criação do blog no início de 2011.  Afinal, se é para aceitar ser constrangido por aquilo que se informa, melhor nem entrar na conturbada seara da  comunicação em redes. E vida que segue.

A contragosto, Facebook tem que bloquear apoiadores de Jair Bolsonaro

Como se diz que eles distribuíram informações falsas durante a campanha eleitoral, os apoiadores do presidente brasileiro Bolsonaro não podem mais acessar suas contas do Facebook em função de uma proibição emitida pelo Supremo Tribunal Federal (STF)

Presidential candidate Jair Bolsonaro attends a news conference at a campaign office in Rio de JaneiroJair Bolsonaro: Facebook quer tomar medidas legais contra a decisão do STF. Foto: RICARDO MORAES / REUTERS

O Facebook fala de um ataque à liberdade de expressão: como se diz que os apoiadores do presidente brasileiro Jair Bolsonaro distribuíram informações falsas nas redes sociais, suas contas do Facebook foram bloqueadas. Um tribunal brasileiro ordenou a mudança.

O Facebook criticou a decisão como extrema e a vê como uma ameaça à liberdade de expressão. No entanto, o grupo decidiu seguir as instruções do STF. No entanto, o Facebook irá recorrer da decisão judicial. Atualmente, não há alternativa ao bloqueio de certas contas porque os funcionários do Facebook no Brasil podem ser processados, disse corporação norte-americana.

Anteriormente, o STF havia condenado o Facebook a uma penalidade de cerca de 312.000 euros por espalhar “fake news” (notícias falsas). O STF considerou provado que o Facebook havia implementado a ordem judicial para bloquear certas contas no Brasil, mas não em todo o mundo. Os apoiadores de Bolsonaro são acusados ​​de ter deturpado a campanha eleitoral de 2018. (Leia mais sobre isso aqui.)

Depois dos Estados Unidos, o Brasil é atualmente um dos pontos focais da pandemia de coronavírus. Até agora, mais de 2,5 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus. Mais de 90.000 pacientes morreram  de COVID-19.

Segundo Bolsonaro, ele também ficou doente, mas agora é considerado recuperado. Ele sempre descartou a infecção como “gripezinha”. Desde então, ele procura o público e ignora as regras de distância . Nos últimos dias, houve grandes reuniões de pessoas. No Brasil, cerca de 69.000 pessoas recém-infectadas foram relatadas recentemente em um dia.

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Este texto foi escrito originalmente e publicado pela revista Die Spiegel [Aqui!].

O que se sabe sobre a derrubada de páginas ligadas a bolsonaristas no Facebook

O Facebook tirou do ar na tarde desta quarta-feira (08) uma rede de perfis, páginas e grupos ligados a partidários do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Segundo a empresa, a rede estaria sendo usada para espalhar conteúdo falso.

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A atividade (da rede) incluiu a criação de pessoas fictícias fingindo ser repórteres, publicação de conteúdo e gerenciamento de Páginas fingindo ser veículos de notícias’, comunicou o Facebook sobre retirada de páginas. DADO RUVIC/REUTERS 

O Facebook tirou do ar na tarde desta quarta-feira (08) uma rede de perfis, páginas e grupos ligados a partidários do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Segundo a empresa, a rede estaria sendo usada para espalhar conteúdo falso.

Entre os operadores da rede estariam servidores dos gabinetes dos filhos do presidente: o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). O assessor especial da Presidência da República, Tércio Arnaud, também estaria ligado a algumas das páginas removidas.

Em comunicado, a empresa disse que foram removidos 35 perfis, 14 páginas e um grupo no Facebook. Também foram removidas 38 contas no Instagram, outra rede social pertencente ao grupo. Segundo o Facebook, a rede de páginas usava uma “combinação de contas duplicadas e contas falsas” para burlar as regras de uso da empresa.

“A atividade (da rede) incluiu a criação de pessoas fictícias fingindo ser repórteres, publicação de conteúdo e gerenciamento de páginas fingindo ser veículos de notícias. Os conteúdos publicados eram sobre notícias e eventos locais, incluindo política e eleições, memes políticos, críticas à oposição política, organizações de mídia e jornalistas, e mais recentemente sobre a pandemia do coronavírus”, diz o comunicado do Facebook.

A empresa também disse que os responsáveis estavam ligados ao Partido Social Liberal (PSL), antigo partido de Jair Bolsonaro; e também a funcionários dos gabinetes dos deputados estaduais fluminenses Anderson Moraes (PSL) e Alana Passos (PSL), além de Eduardo, Flávio e do presidente da República.

Segundo a rede social americana, as páginas derrubadas eram seguidas por 883 mil pessoas no Facebook, e por 917 mil no Instagram. Cerca de US$ 1,5 mil (R$ 8 mil) foram gastos para promover as páginas que integravam a rede de desinformação.

Em nota, Flávio Bolsonaro disse que os perfis são “livres e independentes”, fruto do apoio espontâneo ao governo. “O governo Bolsonaro foi eleito com forte apoio popular nas ruas e nas redes sociais e, por isso, é possível encontrar milhares de perfis de apoio. Até onde se sabe, todos eles são livres e independentes”, disse o senador.

“Pelo relatório do Facebook, é impossível avaliar que tipo de perfil foi banido e se a plataforma ultrapassou ou não os limites da censura”, diz o texto. “Julgamentos que não permitem o contraditório e a ampla defesa não condizem com a nossa democracia, são armas que podem destruir reputações e vidas”, prossegue a nota de Flávio Bolsonaro.

O PSL também publicou nota. A agremiação disse que as contas suspensas nada tinham a ver com a sigla. Estavam relacionadas a assessores de deputados do partido, sendo de responsabilidade individual dos parlamentares. Os políticos “na prática, já se afastaram do PSL há alguns meses com a intenção de criar um outro partido”, disse a legenda.

A BBC News Brasil também procurou a Secretaria de Comunicação da Presidência da República e o gabinete de Eduardo Bolsonaro, e atualizará a reportagem se houver resposta.

BOLSOS 1Entre os operadores de rede de conteúdo falso estavam servidores dos gabinetes de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP; na foto, à esquerda) e Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). REUTERS/ADRIANO MACHADO

Luiza Bandeira é pesquisadora do Atlantic Council, um centro de estudos que mantém parcerias com o Facebook e que foi em parte responsável pela investigação. Ela disse ter encontrado ligações das páginas derrubadas com assessores de Jair Bolsonaro e seus filhos, via Tércio Arnaud, assessor do presidente e, segundo ela, ex-assessor de outro filho dele, Carlos Bolsonaro.

Ela diz ter encontrado conexões da rede de perfis derrubados com os deputados estaduais do PSL no Rio.

“A ligação que eu estabeleci (das páginas) foi com o Jair (Bolsonaro), pelo Tércio Arnaud, que é um assessor dele (…). Tércio foi assessor, antes, do Carlos Bolsonaro. O Eduardo Bolsonaro tem um assessor ligado a rede também, o Paulo Chuchu, de São Bernardo do Campo”, diz ela.

“A Alana Passos costumava empregar o (militante) Leonardo Bolsonéas, cuja conta também foi retirada. Ele era assessor dela até pouco tempo. E o Anderson Moraes empregava no gabinete dele a namorada do Leonardo Bolsonéas, a Vanessa Navarro”, diz Bandeira.

A BBC News Brasil está tentando contato com os deputados estaduais e atualizará esta reportagem quando eles responderem,

Os dados usados na pesquisa são públicos, diz Bandeira. Só o próprio Facebook tem acesso ao código-fonte da rede social. “A gente trabalha com open source, com dados abertos. Olhamos os registros dessas contas. Então no caso do Tércio Arnaud (…), a página de Instagram chamada ‘Bolsonaro News’ estava registrada em nome dele. Estava registrada com (a conta de) e-mail do Gmail dele. Então, está claramente vinculada a ele”, diz.

Tércio Arnaud se aproximou de Jair Bolsonaro ainda durante a campanha eleitoral de 2018, e trabalha no Palácio do Planalto desde o começo do governo. Hoje, ocupa o cargo de assessor especial da Presidência da República e despacha no 3º Andar do Palácio do Planalto.

“No caso do Bolsonéas, ele é aberto sobre a conta ser dele. Mas, por exemplo, essa rede usava pelo menos duas páginas que diziam que eram jornais e eram, na verdade, sites superpartidários. Uma delas, chamada Jogo Político, foi registrado pelo Leonardo Rodrigues, o Leonardo Bolsonéas”, explica ela.

Redes derrubadas em outros países

No comunicado da tarde desta quarta, o Facebook também disse ter retirado do ar outras três redes de desinformação em outros países.

Foram removidas, por exemplo, 72 contas e 35 páginas de Facebook na Ucrânia, voltadas para a política local. Outras 13 páginas de Instagram daquele país também foram tiradas do ar. A rede, diz o Facebook, foi particularmente ativa durante as eleições ucranianas de 2019.

Uma das maiores derrubadas de páginas aconteceu na terra natal do Facebook, os Estados Unidos. Foram 54 perfis e 50 páginas de Facebook derrubadas, e mais 4 páginas do Instagram. No caso dos EUA, a rede parecia estar desativada: foi usada principalmente no período de 2015 e 2016. A rede costumava publicar conteúdos sobre o operador político republicano Roger Stone.

Na América Latina, a “limpa” do Facebook encontrou páginas gerenciadas no exterior cujo alvo parecia ser influenciar a política interna de países do subcontinente.

Foram retirados 41 perfis e 77 páginas de Facebook, e 56 contas de Instagram. A rede era gerenciada a partir do Canadá e do Equador, mas tinha como alvo países como El Salvador, Argentina, Uruguai, Venezuela, Equador e Chile.

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Este artigo foi inicialmente publicado pela BBC News Brasil [Aqui!].

Campanha de desfinanciamento contra mensagens de ódio e fake news já causou prejuízos bilionários à “holding” do Facebook

A campanha “Stop Hate for Profit” já causou prejuízos de pelo menos R$ 35 bilhões ao Facebook por sua suposta indolência em conter a disseminação mensagens de ódio e “fake news” em troca de verbas por propaganda

Um campanha iniciada por um grupo de organizações de direitos civis nos EUA chamada “Stop Hate for Profit” (Pare o ódio por lucro) já causando prejuízos bilionários à “holding” do Facebook (Facebook e Instagram) e também ao Twitter. É que dezenas de empresas, incluindo as arquirrivais Coca Cola e Pepsi, já informaram que irão suspender os anúncios em redes sociais, pois as empresas que as controlam não estão fazendo o suficiente para impedir a circulação de mensagens de ódio e “fake news” (notícias falsas) na rede mundial de computadores.

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A velocidade com que as empresas estão aderindo ao boicote do “Stop Hate for Profit” é resultado da percepção que a empresa de Mark Zuckerberg tem sido tolerante com empresas e pessoas que divulgam mensagens de ódio em função dos grandes lucros que a publicidade que elas pagam para serem mostradas no Facebook e no Instagram.

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Anúncio da multinacional Unilever diz que “Marcas têm o dever de ajudar a criar um ecossistema digital confiável e seguro. É por isso que nossas marcas irão parar de publicar propogandas no Facebook, Instagram e no Twitter nos EUA

Como apenas no caso do Facebook a renda obtida com a venda de espaços publicitários é de um valor em torno de  R$ 350 bilhões, a pressão que está aumentando em função da rápida ampliação da campanha boicote deverá gerar impactos importantes não apenas no tipo de propaganda que continuará sendo veiculada pelas redes sociais, mas também em processos eleitorais onde as campanhas de desinformação têm resultado na eleição de candidatos que se baseiam nas mensagens de ódio para se elegerem. 

Em uma demonstração de que a “Stop hate for Profit” já se fez notar pelas corporações que controlam as redes sociais, na última 6a. feira o próprio Mark Zuckerberg veio à público para reconhecer que o Facebook está enfrentando dificuldades por causa da sua percebida tolerância com mensagens de ódio e disseminação de notícias falsas, e que procuraria fazer mais para acalmar os críticos.

Entretanto, dada a posição ainda relativamente cômoda do Facebook em relação ao controle do mercado representado das redes sociais, isto não significa que algo mais efetivo vá ser feito pela empresa para conter a disseminação de mensagens de ódio. Esse fato, por sua vez, reforça a necessidade de se apoiar iniciativas que pressionem as corporações para que parem de pagar por espaços publicitários no Facebook e no Instagram até que mudanças substanciais sejam efetivamente realizadas.

Importante lembrar que no Brasil quem tem iniciou este tipo de pressão foi a “Sleeping Giants Brasil” que em pouco de existência já atingiu 375 mil seguidores no Twitter, e declara ter causado perdas significativas na renda publicitária que até pouco tempo movia a máquina de fake news que apoiava a disseminação de notícias falsas, a maioria em prol do presidente Jair Bolsonaro e seu governo.

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Mas a verdade é que a disputa em torno dos conteúdos publicitários nas redes sociais é apenas uma faceta de uma disputa política mais ampla. Para que haja a criação do ecossistema digital propalado pela Unilever há ainda muito trabalho a ser feito, pois há que se reconhecer que, como em qualquer outra seara do Capitalismo, os capitalistas não recusam facilmente a chance de obter lucro, nem que o instrumento de sua obtenção seja a divulgação do ódio e da mentira.

 

Rede alemã Aldi precisou justificar venda de carne brasileira após tempestade de críticas no Facebook

“Silenciosamente estúpido”: indignação com a Aldi – a rede se justifica

Um cliente da Aldi olhou com muito cuidado a embalagem do bife e expressou sua raiva no Facebook. O discounter respondeu

aldi 1A rede Aldi está tendo que se defender por vender carne produzida na Amazônia

Por Franziska Schwarz

Essen / Mülheim – Prática de dumping nos preços , pontos de acesso ao coronavírus nas acomodações dos funcionários, más condições de trabalho – a indústria da carne tem muitos tópicos. As demandas dos clientes por sustentabilidade também estão aumentando. Afinal, a floresta tropical no Brasil está pegando fogo , por exemplo .

Portanto, não surpreende que um usuário do Facebook tenha anunciado em 10 de junho que queria se tornar viral com seu post – e de certa forma o fez. Cinco dias depois, seu post foi compartilhado mais de 2.600 vezes, nas quais ele repreendeu: “A ALDI SÜD vende carne brasileira  produzidas em áreas desmatadas na Amazônia.” Como ele conseguiu saber isso? “Digitalizei o código da embalagem no local hoje de manhã e depois vim para a página da ALDI para inserir o número de rastreamento”, ele escreveu. Ele anexou fotos dos produtos como prova. Seu discurso vai ainda mais longe: “A ALDI anuncia com ‘sustentabilidade’.  Vergonha da Aldi!!! “

 

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Aldi na tempestade da carne: trocar floresta tropical por carne barata?

De fato, como quase todos os descontos , a Aldi está comprometida com a proteção do clima e do meio ambiente e já lançou inúmeras iniciativas de sustentabilidade . Mas a carne do Brasil não pôde ser incluída: o jornal Welt informou no outono passado que a carne bovina do Brasil custa cerca da metade do que a carne da Alemanha. 

Diz-se que a UE importou 515.000 toneladas de carne bovina do Brasil dentro de cinco anos. O problema: cerca de 2,5 quilômetros quadrados de áreas naturais protegidas foram convertidos em pastagens – cerca de 350 campos de futebol anualmente .

Carne barata do Brasil? Aldi reage às alegações do Facebook

Aldi reagiu às alegações na segunda-feira (15 de junho) – e não deixa que elas se assentem nelas . Um funcionário responsável mídia social da Aldi respondeu a um cliente indignado que também compartilhou o post de raiva de que uma “grande parte” da linha de carnes Aldi vem da Alemanha. Mas o próprio funcionário da Aldi admitiu: “No setor de alimentos congelados, também oferecemos uma seleção de produtos de carne bovina provenientes da América do Sul”.

Então veio a defesa da Aldi: “No entanto, essa proporção é comparativamente pequena. De acordo com nossos requisitos de responsabilidade corporativa para produtos de carne provenientes da América do Sul, o fornecedor é contratualmente obrigado a comprar apenas matérias-primas de fazendas que possam confirmar que nenhuma nova área de floresta tropical foi desmatada para a criação de gado ”, escreveu o funcionário da Aldi.

Mais sobre Aldi no vídeo:

A Aldi recentemente causou um rebuliço quando se tratava de carne . No meio do debate sobre as condições de trabalho na indústria de carne alemã, a rede queria reduzir os preços das linguiças . O motivo foi a queda nos preços da carne suína. É comum que os preços da lingüiça sejam baseados nos preços das matérias-primas . No entanto, o nível, o ritmo e o momento do avanço causaram descontentamento no setor – também se temia que outras grandes redes de varejo seguissem o exemplo.

Anti-Aldi-Post viraliza: “bobo e estúpido”

Provavelmente para manter os clientes que (precisam) olhar o preço da carne. Barato e sustentável ao mesmo tempo é difícil de conciliar com a carne. Alguns comentaristas do post questionam não apenas Aldi, mas também a si mesmos: “Aldi é apenas um dos muitos clientes em massa … o cidadão, ou melhor, ‘consumidor’ ‘, é tão silencioso e estúpido que ele dificilmente interessado na origem de vários milhares de quilômetros com todas as guarnições ”, escreve um. 

Outro observa que não apenas a carne do Brasil é problemática: “Observe também que a carne de outros países é produzida com soja do Brasil, não é melhor … então não coma mais carne, ou apenas de origens que não se alimentam de soja do Brasil etc. ! “

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Este artigo foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal Merkur [Aqui!].

Quem checa os checadores de fatos?

fato checadores

O vídeo abaixo, lamentavelmente em inglês, é uma porção de uma audiência pública realizada no congresso dos EUA em abril de 2018, onde o CEO da rede social Facebook, Mark Zuckerberg, é fortemente questionado pela deputada Alejandra Ocasio-Cortez sobre a posição da empresa de permitir a publicação de conteúdos que sabidamente disseminam “fake news” (notícias falsas) ou mesmo mensagens consideradas como de ódio a minorias e oponentes políticos.

Após muita pressão por parte de Ocasio-Cortez, Zuckerberg reconheceu que o Facebook não pararia de publicar conteúdos pagos que pudessem ser eventualmente falsos. A alegação apresentada naquela audiência é que o Facebook disponha de “agências independentes de checagem de fatos” que verificariam a autenticidade de determinados conteúdos.  Em resposta a Zuckerberg, Ocasio-Cortez então perguntou se o CEO do Facebook que um dos seus “checadores de fatos” era ele próprio um disseminador de ideias racistas, e se, apesar disso, poderia ser considerado um checador confiável de conteúdos. 

Todo esse debate que permanece mais do que atual me leva à seguinte pergunta: quem checa os checadores de fatos? É que, como em outras partes do mundo, os tais “fact checkers” assumem como capazes de verificar o que é verdadeiro ou falso em termos do que circula com conteúdo na mídia, mas raramente se questiona quem são os “checadores”  e, mais importante ainda, quem paga pelo trabalho de checagem.  E também muito raramente é questionada quão neutros os checadores são em relação aos conteúdos que supostamente checam com imparcialidade. A verdade é que a “checagem de fatos” é, por si só um novo tipo de empreendimento, uma indústria se preferirem, que também é influenciada por interesses econômicos e políticos.

A questão da autenticidade das informações que circulam nas redes ganhou grande interesse esta semana com a operação policial a mando do Supremo Tribunal Federal que já se sabe paralisou parte da rede de “robôs” que dão apoio ao presidente Jair Bolsonaro, e já se sabe que isso poderá gerar uma grave descontinuidade na dinâmica pela qual a narrativa política acerca da realidade brasileira era apresentada até esta semana. É que justamente na hora que a justiça agiu para impor limites, a principal reclamação é que se está atacando o direito de livre expressão.

Mas não é só no Brasil que sérios conflitos estão ocorrendo entre as empresas que operam as novas mídias e governantes que até agora fizeram amplo uso para determinar o rumo dos debates políticos. O maior exemplo disso é o presidente dos EUA, Donald Trump, que é usuário contumaz das redes sociais que agora está sendo contrariado por causa dos limites que lhe estão sendo impostos pela rede social Twitter que finalmente resolver impor limites na disseminação de “fake news” e mensagens de ódio.

O mais interessante disso é que Mark Zuckerberg está sendo apontado como uma voz contrária a que se aplique regras de contenção na disseminação de conteúdos. Até aqui não há nenhuma surpresa, pois o Facebook gera bilhões de dólares em receitas por meio da publicação de conteúdos pagos. A questão aqui é que agora está ficando claro que é preciso que limites sejam estabelecidos para o tipo de conteúdo que pode ser livremente distribuído sem que haja a devida responsabilização daqueles que distribuem notícias falsas e mensagens de ódio.

Coronavirus: Facebook combats misinformation with facts in news feed

A pandemia da COVID-19 veio, entre outras coisa, para demonstrar que é preciso existirem limites e necessidade de responsabilizar os que distribuem conteúdos falsos ou apenas que não sobrevivem ao exame da racionalidade científica.  É que não se trata mais de vencer esta ou aquela eleição, mas também definir sobre a vida e a morte das pessoas que são influenciadas direta ou indiretamente pela disputa de narrativas que estão ocorrendo em torno da pandemia da COVID-19. O problema mais uma vez não se resume apenas sobre a checagem dos fatos, mas também dos seus checadores.

MPF obtém condenação de internauta por discurso de ódio em postagem homofóbica em rede social

Gustavo Canuto Bezerra terá que pagar indenização de R$ 5 mil por postagem em que ofendia homossexuais

social media or network on smartphone mobile, comments, likes and new followers

Em ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal em Duque de Caxias (RJ) condenou Gustavo Canuto Bezerra por postar conteúdo em que promovia discurso discriminatório contra a comunidade LGBT por meio de publicação no Facebook. Ele utilizou o seu perfil na rede social para postar conteúdo homofóbico. Pela prática, ele deverá pagar indenização por danos morais coletivos, no valor de R$ 5 mil.

Na ação, o MPF argumenta que a conduta de Gustavo Bezerra reproduz e reforça o preconceito que, historicamente, submete toda a comunidade LGBT a uma situação de vulnerabilidade social, de modo que a violação de seus direitos fundamentais constitui prática rotineira na cultura do país. Ao MPF, ele teria alegado tratar-se de “brincadeira com um amigo sem a intenção de ofendê-lo ou prejudicá-lo”, tendo apagado a mensagem, se desculpado, e se comprometido a não reiterar o comportamento. O MPF pediu também a retratação do réu, porém o juízo não acolheu o pedido.

Porém,  o MPF sustenta que o comentário proferido ultrapassa a esfera protegida pela liberdade de expressão, porque invade o plano da honra e da dignidade alheias, produzindo efeitos lesivos à população LGBT e à reputação do grupo frente à sociedade brasileira, constituindo, inclusive, ameaça à própria segurança desses cidadãos. Assim, constitui ato ilegal que gera, consequentemente, dano moral passível de indenização.

Na decisão, a Justiça Federal considerou que o “discurso vilipendia e agride frontalmente a dignidade daqueles que se identificam com a minoria homossexual ou possuem entes queridos nessa categoria, historicamente discriminada, ao se deparar com tal post nas redes sociais, agride, também, todos aqueles que tenham qualquer apreço pelos valores básicos da humanidade, consagrados em diversos tratados internacionais de Direitos Humanos dos quais o Brasil faz parte”. Por isso mesmo, na decisão, o juiz considerou que o caso “não é brincadeira, muito menos exercício de liberdade de expressão, já que ninguém tem direito a se exprimir de forma a fomentar o ódio a minorias e agredir a Constituição. O discurso de ódio é extremamente sério, e inclusive levou a grandes tragédias da humanidade, como o holocausto dos judeus durante a 2a Guerra Mundial. É tão grave, portanto, que o Supremo decidiu pelo enquadramento da homofobia e da transfobia como tipo penal definido na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989)”.

Clique aqui e leia a decisão.

Assessoria de Comunicação Social

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

twitter.com/MPF_PRRJ

Atendimento à imprensa: prrj-ascom@mpf.mp.br 

Privacidade Vendida: Facebook entregou dados de seus usuários a pelo menos 150 empresas

Facebook entregou mensagens privadas dos utilizadores a 150 empresas

Por Vitor M.*

Os utilizadores parecem ter pouco valor enquanto pessoas e organizações com direito à sua privacidade. São apenas um número para o Facebook fazer dinheiro.

Segundo informações avançadas pelo New York Times, a empresa de Mark Zuckerberg entregou dados e mensagens privadas dos utilizadores a empresas como a Amazon, Microsoft, Netflix, entre outras. Foram mais de 150 empresas que receberam informações dos utilizadores sem que estes dessem a autorização ou que tivessem sequer conhecimento.

*Vítor M. é o  responsável pelo Pplware, fundou o projeto em 2005 depois de ter criado em 1993 um rascunho em papel de jornal, o que mais tarde se tornou num portal de tecnologia mundial. Da área de gestão, foi na informática que sempre fez carreira.

FONTE:  https://pplware.sapo.pt/redes_sociais/facebook-entregou-mensagens-privadas/

Whatsapp se tornou uma ferramenta sob completa suspeita

Mark-Zuckerberg-Facebook-and-Whatsapp

O aplicativo Whatsapp é uma das muitas ramificações da corporação multinacional que se esconde por debaixo do Facebook.  O Whatsapp foi adquirido pela empresa de Mark Zuckerberg pela “bagatela” de US$ 16 bilhões em 2014 e se encontra no topo dos aplicativos de sua natureza, até porque sua instalação é gratuita e promete a completa confidencialidade aos seus usuários.

Recentemente o Whastapp estabeleceu o limite máximo de 20 envios por vez, alegadamente para dificultar a disseminação das chamadas “fake news“.  É que seu uso para a opção preferencial para interessados em disseminar mensagens privadas em campanhas que visam alterar a percepção das pessoas sobre o que está se passando em um determinado contexto.

Mas eis que no dia de hoje o jornal Folha de São Paulo divulgou uma matéria bombástica revelando que um conjunto de empresários estaria envolvido na contratação de empresas para distribuir material contra o candidato Fernando Haddad e a favor de Jair Bolsonaro, o que envolveria o envio de centenas de milhões de disparos no Whatsapp (ver imagens abaixo).

caixa 0caixa 1Independente das consequências eleitorais que esta reportagem da Folha de São Paulo, é essencial que todos os usuários do Whatsapp que se preocupam não apenas com sua privacidade pessoal, mas também com manipulações que alterem o funcionamento do sistema democrático, comecem a avaliar seriamente se não é chegada a hora de procurar outros aplicativos para substituí-lo.   É que como já apontou o jornalista Leandro Beguoci em uma reportagem publicada pelo site VICE, o WhatsApp virou uma realidade paralela (e perigosa) no Brasil [1].

Como já existem outros aplicativos similares (Telegram e Signal, por exemplo),  a possibilidade de mudança não chega a ser difícil.  Resta saber se as pessoas estarão dispostas a sair da égide do oligopólio montado pelo Facebook. A ver!


[1] https://www.vice.com/pt_br/article/j53983/como-o-whatsapp-virou-uma-realidade-paralela-e-perigosa-no-brasil?utm_campaign=sharebutton

 

Myanmar: um genocídio preparado no Facebook

Pakistan Myanmar Attacks

Muitos brasileiros estão surpresos com as mensagens de ódio que campeiam as redes sociais nesta campanha eleitoral e com conteúdos que nos remetem  a períodos de extremo desrespeito aos direitos humanos. Se lerem o artigo assinado pelo jornalista Paul Mozur e que foi publicado pelo jornal estadunidense “The New York Times“, poderá constatar que o Brasil não é o primeiro nem o último lugar onde as redes sociais, especificamente o Facebook, estão sendo usadas para preparar ações violentas contra os que são considerados como “desajustados”, sejam eles gays, feministas, comunistas, umbandistas ou, no caso de Myanmar,  contra os membros de uma minoria étnica que professa religião distinta da maioria dos habitantes daquele nação asiática [1].

genocidio Myanmar

Qualquer pessoa que acompanha a evolução das redes sociais sabe minimamente que elas controladas por um pequeno número de corporações capitalistas cujo objetivo é exatamente o mesmo: enriquecer brutalmente os seus donos e, ao mesmo tempo, realizar um controle da qualidade e da intensidade de informação que circula via a rede mundial de computadores.

Mas o que a maioria não sabe é que, como mostra o caso retratado por Paul Mozur, há uma tolerância por parte das corporações que controlam as redes sociais em relação à participação de entes estatais disfarçados de pessoas comuns. Mais uma vez, o caso de Myanmar é exemplar, na medida em que as forças armadas daquele país se infiltraram por mais de 5 anos no Facebook para preparar uma campanha brutal de limpeza étnica, sem que fossem molestadas pelos filtros e censores da empresa.  Destino muito diferente tem sofrido grupos de direitos humanos e sociais que estão sendo bloqueados e impedidos de transmitir informações que seriam fundamentais para se entender como foi possível, via redes sociais, promover um genocídio em pleno Século XXI e, pior, preparado e transmitido como algo que fosse passível de naturalização.

Interessante notar que nesta reportagem, Mozur detalha a partir de informantes principais que participaram da estruturação de uma rede de “trolls” que criava páginas de notícias e celebridades no Facebook e, em seguida, as inundavam com comentários e postagens incendiários programados para o pico de audiência. A infiltração era feita de forma bem simples: as contas eram criadas como se fossem pertencentes a pessoas comuns que se apresentavam como fãs de grupos de roqueiros e heróis nacionais, mas quase que imediatamente passavam a disseminar mensagens de ódio contra a minoria Rohingya. 

imagens myanmar

Exemplo de imagem usada pelos militares para criar sua campanha de ódio contra os Rohingya e que estavam postadas nas páginas criadas no Facebook

Para se ver o tamanho e  o impacto da rede de trolls criada pelas forças armadas de Myanmar para promover a sua campanha de limpeza étnica contra os Rohingya,  depois de perguntas feitas por Mozur para preparar sua matéria, o Facebook teria informado que tirou do ar uma série de contas que supostamente estavam focadas em entretenimento, mas que estavam ligadas aos militares que promoveram o genocídio dos Rohingya. Segundo o próprio Facebook, essas contas tinham 1,3 milhão de seguidores! Como é impossível que os guardiões que monitoram o Facebook não soubessem da verdadeira identidade dos impulsionadores desta rede de perfis falsos, resta a inevitável conclusão de que a coisa foi tolerada até ser revelada. E claro, tudo em nome dos lucros dos donos da empresa.

Uma coisa é certa: as similaridades entre os que estão emergindo sobre o uso do Facebook em Myanmar, a partir das táticas de disseminação de mensagens de ódio, e o que está acontecendo no Brasil não são meras coincidências. Aliás, muito pelo contrário. Em função disso, os movimentos sociais e ativistas políticos brasileiros terão de repensar num futuro não muito distante a viabilidade de continuar usando as chamadas redes sociais como sua ferramenta primária de veiculação da informação e de disputa ideológica na sociedade. É que sem profissionalismo e disposição para enfrentar as táticas que estão sendo empregadas até por forças armadas nacionais, as redes sociais serão inevitavelmente as portadoras de uma paz dos cemitérios.


[1] https://www.nytimes.com/2018/10/15/technology/myanmar-facebook-genocide.html