A prisão de Anthony Garotinho e a mulher de César

A decretação da prisão domiciliar com pitadas de silêncio obsequioso a que o ex-governador Anthony Garotinho foi submetido pelo juiz Ralph Manhães está ganhando projeção nacional, e por motivo bastante correlato ao caso conhecido como “Operação Chequinho”.

A coisa que está mais causando o transbordamento do caso do plano local para o nacional se refere à nomeação de parentes do delegado da Polícia Federal que vem comandando as investigações da “Operação Chequinho” para ocuparem cargos de confiança na gestão do prefeito Rafael Diniz (PPS).

O primeiro a abordar essas nomeações foi o jornalista Lauro Jardim no seu blog no “insuspeito” jornal O GLOBO [1].  Neste sábado (22/9) quem toca no caso é o jornalista Fernando Brito do respeitado blog de circulação nacional “Tijolaço” [2]

Em sua postagem, Fernando Brito foi bastante ácido em relação à situação vigente em relação à “Operação Chequinho” ao afirmar que “Campos, no Norte Fluminense, por tantos anos controlado por suas oligarquias, agora tem  “coronéis de toga e de distintintivo”.

De minha parte afirmo que em determinados casos, como é o da “Operação Chequinho”, vale a máxima originada da frase do Imperador romano Júlio César num caso envolvendo sua esposa Pompéia e um jovem que teria entrado disfarçado de mulher numa das festas promovidas pela imperatriz. Apesar de não ter encontrado provas que sua mulher teria cometido adultério, César se divorciou dela, dizendo que ““minha esposa não deve estar nem sob suspeita”. Assim,  ter parentes nomeados pelo prefeito cuja candidatura teria apoiado nas eleições de 2016, e ainda por cima ter chefiado as investigações que resultaram na prisão de Anthony Garotinho, não contribui para evitar que suspeitas, mesmo que infundadas, sejam levantadas. Pois como diz o provérbio que resultou do imbróglio entre César e Pompéia, “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

Já no que se refere ao jovem prefeito Rafael Diniz, ele deve estar consciente das inevitáveis repercussões que a publicização das nomeações citadas por jornalistas de projeção nacional terão sobre seu governo. Do contrário, não as teria feito. Resta apenas saber se os riscos envolvidos foram bem calculados.

Mas não nos esqueçamos que em breve o “habeas corpus” (HC) impetrado por Anthony Garotinho será julgado pela Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se o HC for concedido é muito provável que essas nomeações ainda vão ser citadas num certo programa radiofônico que é veiculado pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro. A ver!


[1] http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/emprego-para-os-irmaos.html

[2] http://www.tijolaco.com.br/blog/prefeito-nomeia-2-irmaos-do-delegado-que-prendeu-adversario-garotinho/

Ultraricos brasileiros condenam Bolsa Família enquanto guardam dinheiro em paraísos fiscais

A erupção de mais um vazamento de dados privilegiados sobre donos de empresas offshore, agora nas Bahamas, revela um dos segredos mais conhecidos dos ultraricos brasileiros. É que enquanto abominam a distribuição de parcos recursos aos mais pobres via políticas sociais, esse segmento privilegiado em todos os sentidos guarda suas fortunas em empresas offshore, longe dos braços da Receita Federal.

No caso do chamado conhecido como “Bahama Leaks“, o  jornalista Fernando Rodrigues está divulgando os nomes de detentores de empresas cuja finalidade não pode ser outra a não ser gerenciar recursos que são enviados ou obtidos fora do Brasil, sabe-se-lá-como e sob quais condições (Aqui!).

E os nomes que aparecem incluem banqueiros, donos de empresas como a Grendene e o Grupo Ultra e, por que não, os donos da Rede Globo (ver figura logo abaixo). Em comum todos esses personagens tem as suas vidas privilegiadas que transcorrem em condições nababescas, enquanto milhões de brasileiros sofrem cotidianamente para ter um mínimo de dignidade em suas existências.

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A revelação dessas empresas secretas num paraíso fiscal ocorre exatamente no mesmo momento em que o governo de facto de Michel Temer ameaça entregar empresas estatais a preço de banana, dar praticamente de presente o petróleo da camada Pré-Sal às petroleiras estrangeiras, e cometer profundos ataques aos direitos sociais e trabalhistas.

Essa situação de total descalabro explicita de forma cabal como os ultraricos brasileiros operam para nos manter como uma das sociedades mais desiguais do planeta. 

Resta saber até quando a paciência dos mais pobres com essa situação toda vai durar. Mas que ninguém se surpreenda se não durar muito. É que informações da natureza que está sendo desvelada pelas revelações do “Bahama Leaks” não ficam mais sob o controle daqueles que, inclusive, se beneficiam desses esquemas. 

Para entender a lista do HSBC no Globo

Por Luis Nassif

A publicação pelo Globo da lista de jornalistas e donos de grupos jornalísticos brasileiros com contas no HSBC fecha a primeira parte do ciclo.

Primeiro, desnuda de vez o jogo de Fernando Rodrigues, o único jornalista brasileiro com acesso à lista total do HSBC.

Lembrava-me há pouco um velho colega, que Rodrigues sempre teve fama de “listeiro” – o jornalista que consegue longas listas de nome e não consegue trabalhá-la, limitando a reproduzir listas.

No episódio HSBC foi pior.

Ao se deparar com o nome de donos de jornal, Rodrigues amarelou e jogou da pior forma possível. Tivesse dignidade, teria se afastado das investigações e transferido suas atribuições para terceiros. Em vez disso, montou um jogo de empurra, fingindo escrúpulos e receio de atingir inocentes quando, no fundo, apenas participava de uma trama para esconder as contas..

O alarido montado pelas redes sociais produziu um fenômeno. Atrás de um álibi para o fato de ter sentado na matéria, Rodrigues transferiu a responsabilidade para órgãos públicos, para quem ele teria transferido sua seleção pessoal de suspeitos – corto um braço se na lista de Rodrigues havia algum dono de grupo jornalístico.

A provocação fez o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo se mexer. Afinal, se um jornalista como Rodrigues desafiava o poder público a investigar os nomes, certamente não deveria haver risco de se deparar com tubarão. Como um bólido, com três meses de atraso solicitou a lista dos correntistas à França. Agora se sabe que, mais cedo ou mais tarde, apareceriam os nomes..

Daí que, em uma manobra preventiva, o Globo publica os nomes de jornalistas, donos de grupos jornalísticos e outras personalidades que estão na lista. Em breve serão alvo de investigações da Polícia Federal. Mas, saindo antecipadamente no Globo, tenta-se passar a sensação de que não há nada a temer.

Uma curiosidade: a conta da Folha foi aberta um mês após a invasão da Polícia Federal, no início do plano Collor. Entendia-se a preocupação com a guerra armada. A dúvida é que a economia estava vivendo o pleno bloqueio de cruzados.

FONTE: http://jornalggn.com.br/noticia/para-entender-a-lista-do-hsbc-no-globo#.VQRhngQ2oew.facebook

Mais dados do escândalo são publicados. Fernando Rodrigues perdeu seu monopólio!

Fernando Rodrigues perdeu o monopólio da Swissleaks e mais dados são revelados

Entre os novos nomes descobertos, com a adesão de O Globo nas investigações, estão de ex-diretores denunciados no esquema de cartel do Metrô de São Paulo

Jornal GGN – Depois de divulgar que empreiteiras envolvidas com a Lava Jato estavam na lista das contas secretas do HSBC da Suíça, com um hiato na divulgação de mais notícias e o ingresso de outros jornais nas tentativas independentes de investigação, o jornalista Fernando Rodrigues deixou para agora as informações de talvez maior impacto. Os dados são resultado da parceria de O Globo, que agora integra a equipe do ICIJ, consórcio de jornalistas que têm os arquivos suíços.
 
Dois ex-diretores do Metrô de São Paulo tinham contas na época em que foi firmado o acordo com a Alstom; assim como Paulo Roberto Grossi, denunciado de participação no mensalão petista e no mensalão tucano; dois advogados e o então procurador-geral do INSS, durante a Máfia do INSS; três condenados no caso SERPROS, de desvio do fundo de previdência complementar, entre 1999 e 2001.
 
Também foram dectadas contas do casal de diretores do TRE-RJ acusado de desviar recursos do Tribunal, em 1998; cinco condenados na operação Sexta-feira 13, de evasão de divisas e lavagem de dinheiro de grupos suspeitos de fraudar licitações para importar matéria-prima para a fabricação de coquetel anti-HIV; denunciados do caso INTO, de suposta fraude de licitações no Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia, ligado ao Ministério da Saúde, entre 1997 e 2001; do lobista condenado Correa Júnior, que atuava em diferentes partidos e casos desde 1987; José Alexandre Guilardi de Freitas, condenado no caso Porto Cred, por crimes contra o sistema financeiro entre 2002 e 2007; e do banqueiro Exequiel Nasser, que ficou conhecido por adquirir o Banco Econômico por 1 real, em 1996.
Crédito: blog do Fernando Rodrigues
No total divulgado por Fernando Rodrigues, graças ao trabalho de apuração do jornal O Globo, são 23 personagens de dez casos de suspeita de desvio de dinheiro público ou fraudes em instituições financeiras. 
 
No caso da Alstom, os então diretores Paulo Celso Mano Moreira da Silva e Ademir Venâncio de Araújo abriram contas na filial suíça do HSBC ,no período em que o Metro, empresa estatal do governo paulista comandado pelo PSDB, teria fechado contratos ilegais com a francesa Alstom, em um esquema de cartel de trens e metrôs do estado de São Paulo. Venâncio também é ex-diretor da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Ambos são acusados de improbidade administrativa pelo Ministério Público do Estado.
 
Só entre 2006 e 2007, Moreira da Silva detinha um saldo de 3,032 milhões de dólares, o equivalente hoje a 9 milhões de reais. Venâncio de Araújo tinha um total de US$ 7,027 milhões, o que ultrapassa R$ 21 milhões hoje.
 
Em 1997, Moreira da Silva e Venâncio de Araújo assinaram um contrato sem licitação para a Alstom fornecer o sistema de sinalização e controle da linha vermelha do Metrô. Na época, o governador de São Paulo era José Serra (PSDB), e foi naquele ano que Moreira da Silva tornou-se cliente do banco de Genebra, identificando-se como “engenheiro do Metrô de São Paulo”.
 
A identificação “diretor técnico do Metrô de São Paulo” foi dada por Venâncio de Araújo, no ano seguinte, em 1998, quando abriu sua primeira conta no HSBC suíço. 
Ao ser procurado, o promotor de Justiça Nelson Luís Sampaio de Andrade, autor da ação civil pública, não tinha conhecimento dos depósitos citados no banco da Suíça, e não tinha solicitado informações às autoridades financeiras sobre as contas. O procurador cogita abrir novo inquérito para investigar enriquecimento ilícito.

 Ainda que o jornal O Globo tenha dado destaque às contas das empresas denunciadas no esquema da Lava Jato, de corrupção da Petrobras, a quebra do monopólio de informação, antes exclusiva de Fernando Rodrigues, ocasionou a divulgação de mais nomes que têm contas secretas na Suíça. Tais revelações não comprovam atos ilícitos, mas pressionam investigações para descobrir se crimes contra o sistema financeiro foram cometidos nesses paraísos fiscais. 

http://jornalggn.com.br/noticia/fernando-rodrigues-perdeu-o-monopolio-da-swissleaks-e-mais-dados-sao-revelados#.VQIBZdBTNBg.facebook

Fernando Rodrigues finalmente nomes ligados ao escândalo do HSBC leaks. Todos ligados a empresas de ônibus no RJ

Depois de fazer mistério, o jornalista Fernando Rodrigues finalmente soltou uma primeira leva de nomes de correntistas nas antes contas secretas no HSBC da Suiça (Aqui!). Agora que a tranca está aberta, vamos esperar que Rodrigues nos informe sobre quem são os mais de 8.000 brasileiros que mandaram parte de suas fortunas para crescerem sem impostos nos alpes.

Mas para quem acha que Fernando Rodrigues começou com nomes ligados ao escândalo em curso na Petrobras, se enganou. A lista inicial de 31 nomes é totalmente ligada aos donos empresas de ônibus que atuam no Rio de Janeiro. O mais famoso deles é Jacob Barata, maior dono de empresas de transporte coletivo atuando na região metropolitana do Rio de Janeiro, que é carinhosamente conhecido como “rei do ônibus”. 

Ai é que se vê como esses “pobres” empresários precisam mesmo de generosos reajustes nas tarifas de ônibus todos os anos. É que para manter contas secretas na Suiça há que se ter muito, mas muito dinheiro!

Abaixo vai a lista compilada por Fernando Rodrigues!

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