Supermercados britânicos ameaçam o Brasil com boicote

O governo brasileiro quer legalizar retrospectivamente a apropriação ilegal de terras. Várias redes de varejo, incluindo as alemãs, estão ao lado dos críticos.

zeit boicoteInúmeros supermercados britânicos ameaçam o Brasil com um boicote se o país  legalizar a apropriação ilegal de terras na Amazônia. © Tolga Akmen / AFP / Getty Images

Por  ZEIT ONLINE

As principais redes de supermercados britânicas ameaçaram o Brasil com o boicote a uma lista de produtos do país. De acordo com suas próprias declarações, eles são forçados a adotar o boicote, se for adotada uma proposta legislativa apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro que incentiva “novas capturas de terras” na floresta amazônica.

Em uma carta aberta aos deputados e senadores brasileiros , os signatários afirmam que estão “profundamente preocupados” com a chamado  MP 910. Isso posteriormente legalizaria a apropriação de terras em áreas públicas, escrevem as empresas. A lei que é apoiada por Jair Bolsonaro ainda não foi aprovada pelo Congresso Brasileiro.

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“Apelamos ao governo brasileiro para repensar sua posição e esperamos continuar trabalhando com nossos parceiros no Brasil”, afirmou a carta. O desenvolvimento econômico e a proteção ambiental não devem ser mutuamente exclusivos.

Muito mais desmatamento desde a posse de Bolsonaro

A carta foi assinada por grandes redes de varejo como Tesco , Asda, Weitrose, J Sainsbury e Marks & Spencers, mas também por várias outras empresas, como a filial britânica da rede de fast food Burger King. As filiais britânicas das empresas alemãs Lidl, Aldi e Rewe Group também aderiram à campanha.

O chefe de estado ultradireita do Brasil, Jair Bolsonaro, é criticado internacionalmente por sua política ambiental. Ele é acusado de promover a exploração comercial de áreas protegidas da Amazônia . Ele deve representar os interesses do poderoso lobby agrícola, que é um de seus apoiadores. Bolsonaro também duvida publicamente da responsabilidade humana pelas mudanças climáticas.

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Este artigo foi publicado originalmente em alemão pelo “Die Zeit” [Aqui!].

Em meio aos caos criado por Jair Bolsonaro, Brasil atinge a marca macabra de 1.000 mortes diárias

Bolsonaro e Mandetta ignoram recomendação de uso de máscara contra ...

Há quatro dias atrás, o insuspeito jornal “The Washington Post” publicou uma matéria intitulada “Drug promoted by Trump as coronavirus ‘game changer’ increasingly linked to deaths” (o que em português pode ser lido como ” Droga promovida por Trump como “divisor de águas” do coronavírus cada vez mais ligada a mortes”. Obviamente, o artigo assinado pelo trio de jornalistas Toluse OlorunnipaAriana Eunjung Cha e Laurie McGinley falava da hidroxicloroquina, uma variante menos tóxica da hoje famigerada Cloroquina.  O vaticínio final do artigo foi de que as evidências em prol do uso da cloroquina a partir de estudos sérios não são apenas ausentes, mas como estão confirmados vários malefícios do uso do medicamento.

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Enquanto isso, o congênere brasileiro de Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro continuou sua cruzada dupla que, por um lado, insiste no fim das medidas de confinamento social em prol de uma suposta retomada dos empregos e, de outro, demanda a adoção generalizada da mesma cloroquina que foi desmoralizada como ineficiente na matéria mostrada acima.

Há que se lembrar que por causa da insistência na adoção generalizada da cloroquina, o Brasil perdeu em menos de um mês não apenas um, mas dois ministros da Saúde (Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich), e que estamos navegando a pandemia como um cego que tateia as paredes de uma caverna escura. É que o substituto interino de Nelson Teich, o general  Eduardo Pazuello, reconheceu ser um “leigo nas questões técnicas na área da saúde“.  Em outras palavras, o general Pazuello está desde a saída de Nelson Teich no lugar errado, e na nossa pior hora, quando se trata de enfrentar uma pandemia letal. 

vitimas covid-19

Hoje (19/05) veio a consequência mais concreta do caos que foi instalado no Ministério da Saúde, pois o Brasil acaba de superar a marca macabra de 1.000 mortes diárias  (o equivalente a 13 quedas do avião que vitimou a equipe da Chapecoense) por COVID-19, em um total de 1.179 óbitos em 24 horas, ou um morto a cada 73 segundos! Quando eu previ há algumas semanas que o caos sendo instalado na gestão da pandemia iria causar a chegada dessa quantidade de mortos, tive que conviver com a cara de espanto da pessoa com quem eu conversava.  Lamentavelmente, minha previsão estava certa, e agora temo que cheguemos a números ainda maiores do que os enfrentados em países como EUA, Itália, Espanha, Reino Unido e França.  

Por que essa previsão tão ruim? Simplesmente porque perdemos vários cavalos que passaram encilhados para não chegarmos a esta situação, mas a insistência do presidente Jair Bolsonaro de desacreditar as medidas de isolamento social, combinada com a aquiescência da maioria dos seus ministros, acelerou a curva de contaminação. Agora, nos resta esperar que o vírus siga o seu ritmo, enquanto a rede hospitalar ultrapassa a linha do colapso total.

Esse balanço é fundamental para que depois que passada a grande onda da pandemia, possamos fazer os devidos ajustes de conta com os responsáveis pela catástrofe que está se abatendo sobre um número incalculável de famílias brasileiras, especialmente aquelas vivendo nos grandes bolsões de pobreza que estão espalhados pelas grandes cidades brasileiras. 

Finalmente, para aqueles que estão hoje se perguntando sobre o que é realmente importante neste momento. Eu diria que é se manter saudável, aplicando as regras de confinamento social e de higiene pessoal que são, por enquanto, as ferramentas mais eficazes para se enfrentar a difusão acelerada do coronavírus.

Brasil constrói a própria catástrofe na pandemia

País se torna terceiro do mundo em número de casos de COVID-19 e avança para se tornar o epicentro global da doença, enquanto presidente se esquiva de responsabilidade. E, ao que tudo indica, o pior ainda não passou.

coronafestBolsonaro ignora consenso científico internacional e volta apoiar aglomeração em Brasília

No fim de semana, viu-se novamente um clima de festa entre os jovens na Lapa, bairro boêmio do Rio de Janeiro. E ao longo das famosas avenidas litorâneas da cidade, muitos apreciavam o drinque noturno, muitos sem a máscara de proteção determinada pela prefeitura. Depois de dois meses cheios de restrições, muitas pessoas em bairros mais abastados parecem se se comportar relaxadamente.

Por outro lado, muitos vivem com medo nas favelas, onde o vírus é galopante. “Colocando a proteção facial e sempre limpando as mãos com desinfetante, não acontece nada”, afirma o funcionário de uma pequena mercearia que faz entregas de bicicleta aos clientes em quarentena. Sua esposa, que trabalhava fazendo faxina para famílias com melhores condições, está em casa há meses por medo. “Mal se consegue sobreviver”, diz o marido.

O coronavírus atinge particularmente os pobres que, apesar do perigo, não podem simplesmente ficar em casa e não podem contar com nenhuma clínica particular bem equipada no caso de uma emergência. Com 256 mil casos confirmados e mais de 16,8 mil mortes, o Brasil estava em terceiro lugar nas estatísticas globais de coronavírus nesta terça-feira (19/05).

Mas é provável que o número real de mortes seja mais que o dobro, e o número de casos não relatados de infecção pode ser até 15 vezes maior. Sem testes, os especialistas ficam no escuro. E como os hospitais públicos estão superlotados em muitas localidades, cada vez mais pessoas morrem em casa sem serem testadas.

Os números oficiais já são, por si só, suficientemente assustadores. Atualmente, até 15 mil novas infecções e mais de 800 mortes são relatadas todos os dias. As curvas apontam acentuadamente para cima, não há achatamento à vista. Imagens de valas comuns em Manaus e São Paulo rodam o mundo. No centro da cobertura da mídia está o presidente Jair Bolsonaro, que parece estar pouco preocupado com o sofrimento dos cidadãos.

De “gripezinha” a foco da epidemia

Bolsonaro ainda acha que o vírus causa uma “gripezinha” e ele suspeita que, por trás dessa “histeria”, esteja a China. Ele acredita que alguém quer prejudicar a ele e ao presidente dos EUA, Donald Trump. No início de março, Bolsonaro visitou o líder americano na Flórida. Ao retornar, mais de 20 membros da delegação brasileira testaram positivo para o coronavírus, um desastre de relações públicas para Bolsonaro.

Ele desrespeita deliberadamente as regras de distanciamento social recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e seu próprio Ministério da Saúde. De forma demonstrativa, ele tira selfies e aperta as mãos de seus seguidores, que protestam todos os domingos em frente ao Palácio do Planalto pelo fim das medidas de combate à pandemia. O ex-paraquedista disse que, por seu “histórico de atleta”, ele não precisaria se preocupar e “nada sentiria”, caso fosse contaminado pelo vírus.

Além disso, nas grandes cidades do país, há caravanas de carros de apoiadores de Bolsonaro. Eles criticam abertamente os governadores e prefeitos que fecharam shopping centers e lojas, atividades que não são consideradas essenciais na pandemia. Enquanto seus adversários atribuíam a Jair Messias Bolsonaro o número crescente de mortes, ele comentou com escárnio: “E daí? Eu sou Messias, mas não faço milagres.”

Orações e remédio para malária

Mesmo assim, ele pediu aos seus compatriotas que orassem contra o vírus. Além disso, da mesma forma que Trump, ele está exigindo o uso de cloroquina, um medicamento contra a malária. Bolsonaro instruiu os laboratórios das Forças Armadas a fabricar milhões de comprimidos do remédio.

Depois que recusou-se a aprovar o uso da controversa droga, o médico Luiz Henrique Mandetta teve que deixar o cargo de ministro da Saúde em meados de abril. Seu sucessor, o oncologista Nelson Teich, também se recusou a prescrever cloroquina para pacientes com covid-19. Após 28 dias no cargo, Teich jogou a toalha na última sexta-feira.

Até o momento, não foi possível comprovar a eficácia do medicamento contra a covid-19. Em vez disso, em muitos pacientes, ele leva à arritmia cardíaca. Os médicos suspeitam que centenas de brasileiros tenham morrido em casa nas últimas semanas porque se trataram com cloroquina sem supervisão médica.

No entanto, o Ministério da Saúde deverá mudar esta semana o protocolo para o uso da cloroquina: Bolsonaro quer que o medicamento seja usado de forma ampla e, não somente em casos graves com orientação médica, mas também no início do tratamento.

Bolsonaro contra governadores

Os ex-ministros da saúde Mandetta e Teich também caíram em desgraça por apoiarem as medidas de distanciamento social ordenadas por governadores e prefeitos. Bolsonaro, por outro lado, quer reabrir “quase tudo” para salvar a economia brasileira. “Espero que não venham me culpar lá na frente pela quantidade de milhões e milhões de desempregados”, disse o presidente, apontando que os culpados são os governos locais.

Mas Bolsonaro está de mãos atadas. Porque os governadores e prefeitos são responsáveis por decidir sobre medidas de confinamento. Como os hospitais em algumas regiões já estão sobrecarregados, cada vez mais governos locais estão anunciando medidas drásticas. O bloqueio total já foi anunciado em alguns municípios do Rio de Janeiro, e o governo estadual está prestes a fazê-lo em São Paulo, unidade mais populosa da federação e que já tem mais mortes do que a China. A situação é ainda mais dramática no Norte e Nordeste, onde as cidades de Belém, Manaus e Fortaleza não têm mais leitos hospitalares livres.

Por insistência do Congresso, o governo iniciou pagamentos de ajuda a trabalhadores informais e mães solteiras. O auxílio emergencial de 600 reais será pago durante três meses. Até 50 milhões de pessoas, cerca de um quarto dos brasileiros, têm direito ao benefício. A procura é enorme. Em todo o país, o pagamento caótico da primeira parcela vem causando filas em frente às agências bancárias há semanas ‒ e provocando provavelmente muitas novas infecções.

Mas a recessão iminente pode salvar Bolsonaro, cuja aprovação está caindo nas pesquisas. Para tal, ele tem que conseguir culpar os governos locais pela miséria econômica.

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Este texto foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!].

Caos ambiental e descontrole da COVID-19 transformam o Brasil e os brasileiros em párias mundiais

Enterros triplicam, e cemitério de Manaus abre valas comuns para ...A transformação do Brasil no principal epicentro da pandemia da COVID-19 terá efeitos devastadores na sua já debilitada imagem internacional

Há algum tempo comecei a alertar que os inúmeros retrocessos ocorridos na frágil governança ambiental construída a duras penas por sucessivas governos iriam transformar o Brasil em uma espécie de pária ambiental no resto do mundo.  Em 2019 vimos uma sucessão de manifestações acerca dos incêndios devastadores que ocorreram na Amazônia graças ao afrouxamento da governança ambiental e das estruturas de comando e controle que impediam o avanço desenfreado de madeireiros e garimpeiros ilegais sobre as florestas protegidas na forma de unidades de conservação e terras indígenas.  

Aos incêndios na Amazônia ainda se somou o alarme no tocante à aprovação frenética de agrotóxicos altamente perigosos pelo governo Bolsonaro, o que resultou na sinalização da Rússia que iria parar de comprar a soja brasileira caso não fosse diminuída a quantidade de resíduos do herbicida Glifosato. Depois disso veio o anúncio da multinacional Nestlé de que suspenderia a compra de café do Brasil pelo mesmo motivo.

pesticidesA mistura de desmatamento descontrolado e uso intenso de agrotóxicos banidos  em outras partes do mundo tende a fechar mercados importantes para as commodities agrícolas brasileiras

Por cima disso ainda tivemos o incidente em Brumadinho com o rompimento de mais uma barragem de rejeitos da mineradora Vale que resultou no maior acidente de trabalho da história do Brasil, e da contaminação do Rio Paraopebas, afluente do Rio São Francisco.  Neste caso, o resultado prático foi o banimento da mineradora Vale pelo fundo soberano da Noruega, o mais rico do mundo, de seu portfólio de investimentos, o que deverá ser seguido por outros fundos de investimentos de porte similar. 

Incidente ambiental causado na mina em Brumadinho resultou no banimento da mineradora Vale pelo fundo soberano da Noruega, o maior do mundo

Pois bem, esses casos de desconstrução da governança ambiental já tinham causado um esgarçamento inédito da imagem do Brasil, e afastado investidores internacionais que retiraram do Brasil algo em torno de US$ 62 bilhões, sendo que apenas na Bolsa de Valores de São Paulo, a fuga de capitais foi de estrondosos US$ 44,5 bilhões.

Se tudo ia morro abaixo como fruto de ações do governo Bolsonaro que, para dar o devido o retorno aos segmentos que financiaram a eleição de Jair Bolsonaro, ignoraram a mudança de postura dentro das economias desenvolvidas em relação ao descuido com o meio ambiente, a coisa agora tomou area drásticos com a forma pífia de enfrentar a pandemia da COVID-19.

A verdade é que, a despeito de nuances aqui e ali, a imensa maioria dos governos mundiais adotou os protocolos sugeridos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no tocante às respostas a serem dadadas para combater a COVID-19. O Brasil, graças à forma não-científica e atabalhoada que está sendo empregada por Jair Bolsonaro e seus ministros do núcleo duro do seu governo, agora é visto como um dos poucos países (senão o único) onde a pandemia fugiu do controle do governo central. E isso por causa dos próprios vícios do chefe do executivo. Saliente-se que a coisa ainda poderia estar pior se não fosse pela ação de governadores e prefeitos que têm, limitadamente, se insurgido contra a vontade do presidente Bolsonaro, e adotado as sugestões da OMS.

China encara a fatura econômica de vencer o vírus | Economia | EL ...As ações do presidente Jair Bolsonaro no (des) controle da pandemia da COVID-19 têm contribuído para destruir significativamente a imagem do Brasil no exterior

Mas agora o estrago na imagem do Brasil já se tornou evidente, e o que se vê são os governos estrangeiros tentando esvaziar suas embaixadas em Brasília. E esse desdobramento terá consequências econômicas sérias, pois se os representantes desses governos forem removidos do território brasileiro por medida de segurança, o mesmo se dará com os dirigentes das empresas multinacionais. E, pior, isso implicará em mais fuga de capitais, agravando o desequilíbrio do câmbio, o que poderá provocar uma série de desabastecimentos, já que o Brasil de depende de insumos importados para quase tudo o que é produzido por nossa indústria, a começar pela farmacêutica.

Finalmente, haverá ainda consequências sanitárias para os brasileiros que ainda conseguirem viajar para fora do país após a pandemia, seja a turismo ou a trabalho. No momento, qualquer que chega na Europa tem que passar por uma quarentena de duas semanas. Esse prazo será provavelmente será aumentado, dependendo da progressão do número de contaminados e mortos pela COVID-19 nos próximos meses. No momento, já temos mais de 220 mil casos oficiais de contaminados e beiramos a marca de 15.000 mortos Mas esses valores são claramente subestimados, e se estima que a pandemia só regredirá a partir de meados de agosto. Até lá, dependendo do que for feito pelo governo Bolsonaro, o estrago na imagem do Brasil será irreversível, e seremos objetivamente transformados por um bom tempo em párias como país e como indivíduos, e deveremos ser tratados como uma espécie de casta de intocáveis.

Enquanto isso o desmatamento avança na Amazônia (o que causará incêndios ainda maiores dos ocorridos em 2019), o ministério da Agricultura continua aprovando agrotóxicos altamente perigosos como o Fipronil e o Dicamba, e o presidente Jair Bolsonaro insiste em colocar os brasileiros de volta em postos de trabalho inexistentes,  de preferência à base de cloroquina.  O único que, apesar de “surpreso”, parece já ter aprendido alguma coisa nessa situação toda foi o Sr. Junior Durski, da hamburgueria Madero, que previu que a COVID-19 causaria “apenas” algo em torno de 7.000 mortos. É que seus restaurantes reabertos continuam entregues às moscas por causa do medo dos clientes de se contaminarem enquanto mastigam seus sanduíches caros.  A Durski, eu digo apenas….  descobriu o elementar, meu caro Watson!

Teich, o breve, honra o Juramento de Hipócrates e pede demissão

bolso teichO médico Nelson Teich cansou-se rapidamente das humilhações diárias e interferências descabidas e pediu demissão do cargo de ministro da Saúde do governo Bolsonaro

Antes mesmo de completar um mês na condição de ministro da Saúde do governo Bolsonaro, o médico Nelson Teich tomou a primeira medida honorável que eu tenho lembrança em seu curto mandato no ministério chave para qualquer país que queira seriamente debelar a pandemia da COVID-19.  É que o Ministério da Saúde acaba de informar que Nelson Teich pediu demissão, configurando o que foi uma das mais brevíssimas ocupações de uma cadeira da qual tenho lembrança em meus quase 60 anos de vida.

Surpreendentemente, Nelson Teich teve menos paciência do que Luiz Henrique Mandetta para aturar as humilhações diárias e interferências descabidas do presidente Jair Bolsonaro.

Nelson Teich deve ter calculado que seria melhor passar para a história como um médico que honrou o Juramento de Hipócrates do que um que colaborou para impor uma medicação, no caso a cloroquina, que todos os experimentos científicos sérios mostram ser de alto risco e mormente improdutivo. Em suma, melhor ser breve, do que cúmplice.

E agora sem Teich, em uma toada destrambelhada segue o governo Bolsonaro.

Observatório dos Agrotóxicos: afinal quantos produtos foram liberados pelo governo Bolsonaro e por que importa ter o número certo?

Brazil's pesticide poisoning problem poses global dilemma, say criticsO ritmo acelerado de aprovações de agrotóxicos altamente perigosos pelo governo Bolsonaro cria um dilema para os importadores de commodities agrícolas brasileiras

Desde janeiro de 2019, acompanho a enxurrada de aprovações de novos (que na maioria são velhos) agrotóxicos pelo governo Bolsonaro.  Para fazer isso, contabilizei os chamados “Atos” que são emitidos pelo Ministério da Agricultura para anunciar a conclusão do processo de avaliação e objetivamente liberar a comercialização dos produtos aprovados em território nacional.

Afora as mudanças que ocorreram na forma de classificação de toxicidade humana e ambiental e das incongruências na forma de reportar a categoria tóxica desses produtos, houve ainda a separação do anúncio em produtos que são aprovados para venda imediata (os chamados produtos formulados) e aqueles que serão adquiridos pelas empresas para produzir os primeiros (os chamados produtos técnicos). 

Para mim tudo isso é feito para gerar dificuldade no acompanhamento e avaliação dos produtos que estão sendo liberados, já que uma parcela significativa deles está proibida em outras partes do mundo. Tenho usado o status dos produtos aprovados pelo Brasil na União Europeia como um indicador de que estamos usando agrotóxicos que foram banidos em outras partes do mundo.  Mas a União Europeia é apenas uma referência, pois temos produtos sendo aprovados que já se encontram banidos nos países que os produzem. O caso mais representativo é o da herbicida Paraquate que está banido na União Europeia onde ele foi criado, e passará a ser completamente banido a partir de setembro no país que hoje controla a sua produção, a China.

Mas toda essas mudanças também tido como resultado a dificuldade de se saber quantos produtos já foram efetivamente liberados durante os pouco mais de 16 meses de governo Bolsonaro.  É que diferentes fontes jornalísticas estão fazendo contagens distintas da quantidade aprovada, justamente por causa da dificuldade de se acompanhar a publicação dos atos, ou mesmo por decisões de quais produtos devem ser incluídos na conta do governo Bolsonaro.

Lendo uma uma matéria publicada pelo portal de notícias da Rede Globo, o G1, pode-se ver um gráfico que aponta a aprovação de 474 agrotóxicos e outros 150 em 2020, um total de 624. Já em uma outra publicada pela parceria da ONG Repórter Brasil com a Agência Pública, aparece a aprovação de 475 agrotóxicos em 2020 e 150 em 2020, o que soma 625 agrotóxicos liberados.

Entretanto, somando os números de aprovações em atos publicados em 2019, o “Observatório dos Agrotóxicos” do Blog do Pedlowski somou 503 agrotóxicos, enquanto que para 2020 já foram contabilizados 185 agrotóxicos, o que dá um “grande total” de 688 agrotóxicos que tiveram sua aprovação publicada pelo governo Bolsonaro desde janeiro de 2019 (ver gráfico abaixo).

agrotóxicos aprovados 2005-2020

Essa diferença de números pode ser apenas uma faceta pela qual a transformação do Brasil em uma espécie de refúgio para agrotóxicos altamente perigosos e banidos em outras do ponto do mundo é reportada, mas é significativa. É que se não soubermos os números corretos, fica difícil fazer qualquer análise mais efetiva.

Mas também me preocupa que se aceite a separação adotada entre produtos formulados e produtos técnicos na hora de se fazer a contagem dos agrotóxicos liberados. É que, afinal de contas, os produtos técnicos serão transformados essencialmente em produtos formulados similares e chegarão da mesma forma ao mercado consumidor formado principalmente por grandes proprietários de terras envolvidos na exportação de commodities agrícolas.

Outra questão é que a maioria das matérias jornalísticas, até de forma compreensível, passa ao largo de análises mais complexas sobre o que pode ser chamado de “economia política dos venenos agrícolas” que é caracterizado por uma complexa troca de propriedade intelectual entre grandes corporações como a Basf, a Bayer e ChemChina que visa não apenas transferir a produção de determinados agrotóxicos altamente perigosos dos países desenvolvidos para países da chamada periferia capitalista onde o processo de regulação de venenos agrícolas é mais frágil, possibilitando que determinados produtos tenham uma espécie de sobrevida mercadológica, ainda que causando graves processos de contaminação humana e ambiental.

agrotóxicos liberados

Mas já que não se pode cobrar de jornalistas que façam análises mais profundas sobre a economia política dos agrotóxicos, que pelo menos ele trabalhem com o número certo dos produtos liberados.  Afinal, é a partir daí que as análises mais aprofundadas poderão ser feitas por quem pode fazê-las.

Uso de slogan nazista em campanha pela volta ao trabalho provoca repúdio de entidade judaica

bolso libertaUso de slogan nazista para defender volta ao trabalho em meio à pandemia da COVID-19 é mais uma trapalhada do governo Bolsonaro na área diplomática

Há algo intrinsecamente estranho no aparente enamoramento de membros do governo Bolsonaro com a mística nazista. Primeiro foi o ex-secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, que foi corrido do cargo por produzir um vídeo esquisitíssimo onde fazia alusão clara aos postulados de Joseph Goebells, ministro da Propaganda de Adolf Hitler.

Agora veio a alusão sem subterfúgios ao slogan nazista que ficava postado nos pórticos de entrada dos campos de concentração, o famigerado “O trabalho liberta” (ou em alemão “Arbeit macht frei“) em uma campanha publicitária para conclamar a volta ao trabalho em plena pandemia da COVID-19.

A peça publicitária em questão é de gosto ainda mais esquisito quando se lembra que o responsável por ela é o Sr. Fábio Wajngarten que é judeu.  O problema é que não há como Wajngarten não conhecer o uso primário do citado slogan na entrada dos campos de concentração contruídos para exterminar pelo menos 6 milhões de judeus.

Obviamente Wajngarten já a tratou de negar qualquer relação da conclamação feita pelo governo Bolsonaro para a volta ao trabalho com o temário nazista, citando, inclusive, o fato que ele possui descendência judaica .  

O problema é que pelo menos uma instituição importante para a comunidade judaica, o American Jewish Committee (AJW), não aceitou as explicações dadas até agora, e enfaticamente considerou o uso do slogan como algo “profundamente ofensiva” (ver figura abaixo).

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As consequências desse posicionamento do AJW provavelmente não se darão de forma ruidosa. A probabilidade é que a ação do AJW se dê adotando uma postura sóbria e discreta, como é de praxe na ação das organizações que defendem os direitos da comunidade judaica. Agora, que consequências existirão, isso me parece inevitável e não serão brandas.

A pergunta que fica é a seguinte: a quem interessa até no interior do governo Bolsonaro arrumar encrencas diplomáticas da proporção que temos visto? Um dia a confusão é com a China, em outro é com a comunidade judaica.  E tudo isso para atender os interesses de quem? 

Observatório dos Agrotóxicos: Governo Bolsonaro autoriza mais 22 agrotóxicos e o total em 2020 já chegou a 185

A enxurrada de aprovação de agrotóxicos segue firme fazendo a festa das multinacionais que produzem venenos agrícolas

Sempre menciono neste blog que quando se trata de aprovar agrotóxicos, o governo Bolsonaro (tendo a ministra Tereza Cristina à frente do time do veneno) é altamente eficiente. É que hoje, em plena pandemia e quando o Brasil já contabiliza mais de 12.000 mortos pela COVID-19, o Ministério da Agricultura publicou o Ato No. 31 de 4 de Maio de 2020 onde são liberados mais 22 produtos, vários deles proibidos na União Europeia. O total para 2020 agora é de 185 agrotóxicos, no que pode ser chamado “um museu de velhas novidades”, pois a maioria dos produtos liberados já estão liberados para venda no Brasil. Há ainda que se lembrar que agora o “grande total” do governo Bolsonaro chegou a 688 produtos em pouco mais de 16 meses de duração do mandato de Jair Bolsonaro.

A partir de análises rápidas, já pude identificar o padrão habitual de cerca de 30% de produtos proibidos na União Europeia, e uma predominância de empresas chinesas no fornecimento dos produtos aprovados nesta rodada (ver gráfico abaixo).

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Uma pequena diferença é que as empresas chinesas são os produtores primários de “apenas”  40,9 % dos agrotóxicos liberados. Além disso, há que se notar a presença de produtos da Basf e da Du Pont. 

Também me parece importante notar que dos 6 agrotóxicos liberados que são proibidos na União Europeia, 4 são produzidos por diferentes empresas chinesas e 2 pela multinacional estadunidense DuPont em sua planta localizada na Espanha.

Quem desejar acessar a planilha com os dados do Ato No. 31, basta clicar Aqui! . Já para baixar a planilha completa de 2020, basta clicar Aqui!

A esquizofrenia do governo Bolsonaro frente à China terá efeitos desastrosos para o Brasil

china brasilBrasil e China têm fortes interesses comerciais, mas apesar disso o governo Bolsonaro segue hostilizando nosso principal parceiro comercial.

Como já narrei aqui mesmo, visitei a República Popular da China em duas ocasiões, ambas para participar de eventos científicos. Como não fiquei trancado no hotel e circulei nas cidades que visitei (Yantai e Shenzen), sempre alerto as pessoas que me ouvem falar dessas visitas para que evitem cair nos estereótipos fáceis sobre a China, e principalmente, sobre os chineses. O fato é que voltei de ambas as visitas com diferentes impressões sobre o funcionamento de uma sociedade que a maioria dos brasileiros sequer imagina como se dá, apesar dos fortes laços comerciais que existem entre os dois países e da proximidade objetiva que isso acarreta, apesar da enorme distância geográfica existente.

Em Yantai, prinvíncia de Shandong, no aeroporto e no centro da cidade.

Um fato que a imensa maioria dos brasileiros desconhece é que a China é hoje o principal parceiro comercial do Brasil, especialmente na área do chamado “agronegócio”, onde exportamos parcelas significativas das nossas commodities agrícolas e importamos insumos chineses que mantém a agricultura de exportação brasileira em padrões competitivos de produção.  Além disso, as empresas chinesas já estão presentes em setores estratégicos da economia brasileira, a começar pela exploração de petróleo na camada pré-Sal.

Outro detalhe é que boa parte da balança comercial depende hoje da assimilação das commodities agrícolas brasileiras pelo mercado chinês, já que vivemos um claro processo de desindustrialização, o que diminuiu fortemente o peso da exportação de produtos industrializados. Isso acaba formando uma espécie de círculo perfeito, onde os chineses cumprem o papel de importar comida e vender, por exemplo, agrotóxicos e fertilizantes químicos.

Por isso é que considero esquizofrênico os ataques desferidos por membros do governo Bolsonaro ao sistema político chinês e, agora, sobre a forma de condução da pandemia da COVID-19. É que os governantes chineses, apesar de serem conhecidos por terem um comportamento altamente pragmático, também não são de levar desaforo para casa, já que não são de emitir desaforos de forma irresponsável.  E como esses ataques têm partido de membros do alto escalão do governo do Brasil, a começar pelo chanceler olavista, o Sr. Ernesto Araújo,

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Ao assumir a retórica de Donald Trump para hostilizar a China pela pandemia da COVID-19, o governo Bolsonaro arrisca as relações econômicas e políticas com o principal parceiro comercial do Brasil

A verdade é que hostilizar o governo da China, apenas para servir os interesses do governo dos EUA, se apresenta quase como um verdadeiro suicídio político e econômico para um país cuja economia se tornou umbilicalmente ligada ao mercado chinês., especialmente agora que está completamente fragilizada pela pandemia da COVID-19.  Não se trata aqui de desconhecer eventuais problemas ocorrendo na China e fechar os olhos a tudo em nome das relações comerciais. Entretanto, atacar para atender os interesses estratégicos de um concorrente importante na mesma faixa de produtos da qual o Brasil depende não faz o menor sentido.

O pior é que o nível das hostilidades agora poderá fortemente aumentado, se for confirmado que na reunião ministerial que desatou o pedido de demissão do ex-ministro Sérgio Moro, o próprio presidente Jair Bolsonaro desferiu palavras “pouco elogiosas” ao governo da China. É que uma coisa é ser ofendido por um subalterno, outra coisa é ser ofendido pelo chefe desse subalterno.  É provavelmente por causa da noção dos danos que isto irá causar que o governo Bolsonaro está tentando impedir que o inteiro conteúdo da gravação daquela reunião venha ao conhecimento público.  A questão é que a estas alturas do campeonato, os chineses já saibam tudo o que foi dito, e já estejam preparando contramedidas proporcionais às ofensas gratuitas que lhes foram desferidas pelo presidente Bolsonaro.

Definitivamente o presidente Bolsonaro e seu governo estão trabalhando para confirmar a força de previsão da Lei de Murphy que estipula que “nada é tão ruim que não possa piorar (tudo que começa bem, termina mal e tudo que começa mal, termina pior).” A ver!

Aumento do desmatamento e grilagem ameaçam indígenas isolados na TI Ituna-Itatá em meio a pandemia

Invasão da TI e pedidos de registro de CAR chegam a 94% do território, sendo um terço com mais de 1000 hectares

ituna itatáFoto: Fábio Nascimento / Greenpeace. Ituna – Sobrevoo pela Amazônia 2019 no estado do Pará

São Paulo, 11 de maio de 2020 – Enquanto muitos ficam em casa em respeito às medidas de isolamento social recomendadas pelos órgãos de saúde, invasores continuam destruindo a floresta amazônica e condenando ao extermínio aqueles que cuidam da biodiversidade e, por consequência, da saúde planetária. Um exemplo dessa destruição é o que ocorre na Terra Indígena (TI) Ituna-Itatá, como apontado em um estudo de caso divulgado hoje pelo Greenpeace.

Conhecida por ser a TI mais desmatada em 2019, segundo dados do PRODES, registrou entre agosto de 2018 e julho de 2019, impressionantes 119,9 Km² (equivalente a mais de 115 mil campos de futebol) desmatados, o que representa quase 30% do desmatamento de todas as terras indígenas na Amazônia neste período. Em 2020, a TI continua na triste liderança e a floresta continua sendo duramente desmatada, mesmo no período chuvoso, quando, em geral, o índice é bem menor ou inexistente. Somente nos quatro primeiros meses deste ano na Amazônia, já foram identificados 5.666 km² de desmatamento, contra 2.914 km² no mesmo período do ano passado, de acordo com o DETER/ PRODES, o que representa um aumento de 94%.

Com a presença comprovada de indígenas isolados, a TI foi interditada pela FUNAI, ou seja, é uma área sob restrição de ingresso, onde é proibida locomoção e permanência de pessoas estranhas aos quadros do órgão. Isso, no entanto, não ocorre na prática. Ao invés de ser demarcada, a região que constitui a terra indígena tem sido loteada para virar pasto para a pecuária.
“Ituna-Itatá é um caso emblemático da agenda anti indígena do governo Bolsonaro: se os grileiros forem vitoriosos e conseguirem evitar a identificação do grupo isolado e consequentemente a demarcação do território, será aberto um precedente capaz de promover o extermínio dos mais de 100 grupos sob a mesma condição no Brasil”, explica Adriana Charoux, da campanha de Amazônia do Greenpeace.

Após uma série de cruzamento de dados, o Greenpeace identificou que a Ituna-Itatá foi palco para triangulação de gado e lavagem de madeira. Embora protegida por lei, a TI tem 94% da área registrada por produtores no Cadastro Ambiental Rural (CAR), registros que têm sido utilizados também como instrumento de grilagem de terras públicas. O Greenpeace Brasil identificou que um terço desses CARs corresponde a áreas de mais de 1000 hectares, ou seja, os verdadeiros beneficiários dessas invasões são grandes proprietários e grileiros de terra, focados na especulação imobiliária.

Alguns desses cadastros está, inclusive, em nome de produtores que repassam animais para fornecedores diretos que comercializam animais com os maiores frigoríficos do país, sendo que alguns são signatários do compromisso Público com o Desmatamento Zero, como Marfrig, Frigol e JBS. Esse é o caso, por exemplo, dos 2 CARs registrados em nome de um pecuarista, em 2015, quatro anos depois da interdição da área, que comercializou animais para outra fazenda, que é fornecedora desses grandes frigoríficos. Ou seja, um gado que nasceu ou transitou após a cria em fazendas com desmatamento e no momento de seu abate é fornecido por uma fazenda “ficha limpa”, sem histórico de irregularidade, escondendo o rastro de destruição, ocultado por conta do ciclo final de fornecimento ter sido “lavado”. Isso acaba podendo contaminar toda a cadeia de abastecimento e chegando até a mesa do consumidor do Brasil e de outros países.

Outra irregularidade praticada na Ituna-Itatá é o licenciamento para o plano de manejo florestal concedido pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMAS-PA) para a extração de madeira. Em 2016, um fazendeiro conseguiu o licenciamento, sem que a SEMA constatasse a sobreposição com área interditada, mesmo que a licença tenha sido expedida cinco anos após a interdição da TI.

As ilegalidades identificadas em Ituna-Itatá ganham ar de legitimidade com as medidas recentes do governo, como a InstruçãNormativ0e a MedidProvisóri910/2019. “Já que a IN acaba por também reconhecer os limites de posses privadas em oposição aos direitos indígenas sobre territórios em processo de reconhecimento, e a MP 910 além de anistiar e facilitar a titulação de médias e grandes invasões até 2018, passa a mensagem aos que lucram invadindo terras que esse tipo de crime compensa, porque em algum momento novas invasões podem ser novamente regularizadas”, afirma Adriana.

“A situação da Ituna-Itatá é uma tradução extrema do quanto as declarações de Bolsonaro sobre o desejo de rever terras indígenas e de não demarcar novos territórios têm impulsionado uma onda de grilagem sob áreas chave para a sobrevivência de povos indígenas, para a preservação da floresta Amazônica, sua biodiversidade e para a contenção da emergência climática que já está afetando a população, particularmente os mais pobres”, finaliza Charoux.