Pezão e Gustavo Barbosa lançam nova modalidade esportiva, o silêncio sincronizado

Ao final de mais uma semana recheada de incertezas e dívidas para pagar,  uma parcela significativa dos servidores públicos do Rio de Janeiro continua sequer sem qualquer tipo de comunicado oficial por parte do (des) governo Pezão sobre quando (ou até mesmo se) serão pagos os salários atrasados de Setembro e Outubro, e também o 13o. salário de 2016.

Este silêncio oficial parecer ser a melhor expressão de uma modalidade esportiva que o (des) governador Luiz Fernando Pezão e seu (des) secretário estadual de Fazenda e ex-diretor-presidente do RioPrevidência resolveram criar: o silêncio sincronizado.

tight lips

Os servidores que não tem os salários polpudos de Pezão e Gustavo Barbosa que, aliás, são pagos em dia não estão achando a menor graça nessa nova modalidade esportiva.

 

 

BNP Paribas e Gustavo Barbosa: da Operação Delaware à Operação CEDAE

 

O Jornal “Extra” noticiou hoje que o vencedor por W.O. do empréstimo que dá partida ao processo de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE) foi o banco francês BNP Paribas [1]. O empréstimo de R$ 2,9 bilhões sairá por juros “módicos”  de 20% ao ano baseados numa CDI de 145,76%, o que deverá implicar no aumento da dívida pública do estado do Rio de Janeiro.

cedae bnp

Apesar desse, digamos, percalço o resultado do empréstimo foi festejado pelo secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, que classificou o pregão de participante único como sendo um “sucesso”.

Agora, para quem não se lembra, esta não é a primeira operação financeira envolvendo o BNP Paribas com o estado do Rio de Janeiro que é festejada como sendo um sucesso por Gustavo Barbosa. É que o banco francês também foi uma das instituições envolvidas na chamada “Operação Delaware” que implicou num processo de securitização de recursos dos royalties do petróleo que causou a falência do RioPrevidência.  A “Operação Delaware”, por meio do chamado “Rio Oil Finance Trust”,  também foi capitaneada por Gustavo Barbosa que então era o diretor-presidente do fundo próprio de previdência dos servidores estaduais do Rio de Janeiro [2].

A proximidade de Gustavo Barbosa com o BNP Paribas ficou explícita durante o recebimento de um prêmio concedido pela revista especializada em finanças “Latin Finance” em Janeiro de 2015, Gustavo Barbosa sentou na mesa destinada ao banco francês (ver imagem abaixo) [3].

barbosa bnp

Agora que temos um círculo completo ligando Gustavo Barbosa e o BNP Paribas em duas operações claramente lesivas ao contribuinte fluminense, eu fico me pergunto se finalmente alguém vai se animar a olhar essa relação mais de perto. É que de sucesso ambas não tem nada.

A palavra está com a bancada de oposição na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e os eméritos membros do Ministério Público.  Será que alguém vai se animar a finalmente olhar mais profundamente a “Operação Delaware” e a “Operação CEDAE”? A ver!


[1] https://extra.globo.com/emprego/servidor-publico/banco-bnp-paribas-aceita-emprestar-29-bi-ao-estado-do-rio-para-pagar-servidores-22021488.html

[2] https://blogdopedlowski.com/2016/10/24/voltas-que-o-mundo-da-operacao-que-resultou-na-bancarrota-do-rioprevidencia-recebeu-2-premios-por-sua-excelencia-com-direito-a-festa-de-gala/

[3] https://blogdopedlowski.com/2017/01/14/rio-oil-finance-trust-por-que-ninguem-quer-falar-nele/

(Des) governo Pezão e seu plano macabro: mais farra fiscal, menos ciência e tecnologia

troika

Uma das maneiras mais eficientes de se avaliar as estratégias de ação de qualquer governo é se analisar a estrutura do orçamento proposto para algumas áreas específicas.   É que os valores orçamentários deixam de lado o proselitismo e deixam explícito para quem de fato se quer governar ou não.

Assim, segundo o argumento acima, fica fácil se avaliar para quem governa o (des) governo Pezão apenas usando as dotações orçamentárias de duas rubricas para os anos de 2017 e 2018 (o qual ainda está sendo debatido pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro):  farra fiscal e investimentos em ciência e tecnologia.

Para deixar isso mais claro, vejamos a figura abaixo que compara os valores propostos pelo (des) governo Pezão para essas duas rubricas nos anos citados.

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O que essa figura mostra é claro: os investimetos em ciência e tecnologia deverão diminuir 48% e as perdas com a farra fiscal irão aumentar cerca 3%! Esses números são altamente reveladores, na medida em que se estará mantendo o alto nível de perdas associadas à farra fiscal que já consumiu mais de R$ 200 bilhões desde 2007 às custas da inviabilização das atividades de ciência e tecnologia.

Quando olhados tais  números parecem à primeira vista apontar para uma tendência suicida do (des) governo Pezão na medida em que todos os países desenvolvidos vem aumentando os seus investimentos em ciência e tecnologia para responder à crise global que afeta o capitalismo neste momento, enquanto têm diminui do as políticas de renúncia fiscal. O problema é que o (des) governo Pezão não possui uma projeção de superação da crise em que o Rio de Janeiro está enfiado, justamente por suas políticas que privilegiam os ganhos das corporações multinacionais em detrimento de um modelo autônomo de desenvolvimento.

A saída para combater esse política de extermínio da ciência e tecnologia fluminense que só aumenta a nossa subordinação ao poder dos grandes conglomerados financeiros mundiais passa primeiro por desmascarar o (des) governo Pezão, e mostrar de uma vez por todas o papel nefasto que suas políticas cumprem na inviabilização de saídas sustentáveis para a economia fluminense. E isso começar por mostrar para onde o dinheiro recolhido com os impostos estão indo.

Finalmente, é preciso deixar claro que o (des) governador Pezão e seus (des) secretários Gustavo Barbosa e Gustavo Tutuca estão agindo como coveiros do nosso futuro. É que se não fizermos isso, estaremos facilitando a ação deles. Por isso é que precisamos fortalecer o processo de resistência, de modo a impedir que o projeto de desmanche do serviço público e da ciência fluminense possa se consumar.

Roubo com uso de dinamite escancara abandono da Uenf pelo (des) governo Pezão

troika

Mal tinha publicado uma postagem sobre a situação catastrófica em que o (des) governo Pezão optou por colocar a Universidade Estadual do Norte Fluminense, fui informado via rede social de mais um furto ocorrido na madrugada deste sábado (28/10) no campus Leonel Brizola. A novidade de mais esta ocorrência foi o uso de dinamite por parte dos ladrões (ver abaixo reproduções de matérias já circulando na mídia local sobre o ocorrido) [1, 2 e 3].

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Em que pese esta ação ter tido efeitos mínimos sobre a infraestrutura da agência do Bradesco que foi alvo do ataque dos ladrões, este é um desdobramento bastante preocupante em vários aspectos. O primeiro é que no prédio em que a agência está localizado existem vários laboratórios que utilizam gases com forte potencial explosivo. Tivesse a explosão sido mais forte, poderíamos estar neste momento frente a um evento de graves proporções e com consequências incalculáveis. 

O segundo aspecto que mais esta ocorrência levanta é a possibilidade de que algum ladrão incauto acabe adentrando áreas onde existam materiais radioativos ou mesmo onde estão estocados agentes bacteriológicos que são utilizados em pesquisas em andamento na Uenf. Se isso ocorrer poderemos ter a repetição do evento do Césio 137 que ocorreu em Goiânia em 1987 [4]

Agora é preciso que se diga que os responsáveis diretos por essa situação são o (des) governador Luiz Fernando Pezão, e os (des) secretários Gustavo Tutuca e Gustavo Barbosa que são os responsáveis pela inexistência de segurança patrimonial na Uenf neste momento. 

Por último, cabe perguntar por onde anda o Ministério Público do estado do Rio de Janeiro que em face dos repetidos eventos de danos ao patrimônio público ainda não entrou em campo para obrigar que o (des) governo Pezão aja de forma responsável para garantir que os campi e unidades isoladas da Uenf não continuem sendo alvo da ação livre e cada vez mais ousada de ladrões.


[1] http://www.nfnoticias.com.br/noticia-8109/exclusivo:-com-dinamite-bandidos-explodem-caixa-eletronico-da-uenf

[2] http://novosite.ururau.com.br/cidades/c685665b3b15ac27b1340b502a787c3afd3c20f8_uenf__arrombamento_e_explosao_de_caixa_eletronico

[3] http://noticiaurbana.com.br/ladroes-explodem-caixa-eletronico-com-dinamite-dentro-da-uenf-em-campos/

[4] http://g1.globo.com/goias/noticia/2013/09/maior-acidente-radiologico-do-mundo-cesio-137-completa-26-anos.html

No (Des) governo Pezão todos os servidores são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outro

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Não bastasse o fato de que enquanto cerca de 15 mil servidores estaduais continuam sem seus salários de Agosto, determinadas categorias consideradas “especiais” pelo (des) governador Pezão e seu (des) secretário de Fazenda, Gustavo Barbosa, já estão gastando os seus salários de Setembro. Não bastasse essa discrepância absurda que compromete a devida isonomia de tratamento, o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro trouxe hoje a publicação de 3 portarias (34, 35 e 36 de 17/10/2017) com o enquadramento retroativo de 51 servidores do Controle Interno da SEFAZ (ver imagem abaixo).

progressões retroativas

Interessante notar que não tenho nada contra o enquadramento desses servidores da SEFAZ.  O problema é o tratamento totalmente diferenciado que se está dando às demais secretarias e suas carreiras específicas.

No caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) vários docentes foram enquadrados ao longo de 2016, mas na hora de receberem os benefícios garantidos por legislação específica, o (des) governo Pezão simplesmente bloqueou até a publicação dos enquadramentos, deixando esses colegas no limbo.

Também é importante lembrar que no famigerado “Regime de Recuperação Fiscal” estão vedadas as concessões de vantagens como as conferidas por enquadramentos e progressões. Este fato torna ainda mais peculiar a exceção que está sendo feita aos Analistas do Controle Interno.

De toda forma, o que transparece deste caso é aquilo que já se sabe faz tempo. No (des) governo Pezão todos os servidores são iguais , mas alguns são mais iguais do que os outros.

O lema do (des) governo Pezão: não se mexe em time que está perdendo

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O (des) governo Pezão está sacramentando uma nova máxima futebolística: não se mexe em time que está perdendo.  O porta-voz dessa nova máxima foi nada menos do que o pai da operação Delaware (aquela estranha operação de securitização que faliu o RioPevidência), o oblíquo (des) secretário estadual de Fazenda, Gustavo. É que Barbosa anunciou que o (des) governo Pezão pagará os salários de Setembro a determinados segmentos do funcionalismo estadual com cerca de 38 mil servidores desprovidos dos seus vencimentos de Agosto!

pezão perdendo

O (des) governo Pezão continua com essa tática de dividir para aprofundar o garrote nos servidores públicos porque sabe que continuará contando com a boa vontade do judiciário fluminense, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e também dos sindicatos que representam as categorias que estão com seus vencimentos relativamente em dia.

Essa aliança nada santa é que permite a punição seletiva de um segmento minoritário dos servidores. Mas mais importante, essa aliança é que esta permitindo que a privatização da Cedae seja conduzida da maneira escandalosa com que está sendo feita.  E esse é o maior escândalo de todos os muitos escândalos em que os sucessivos (des) governos do PMDB já foram pegos a partir da chegada do ex (des) governador e hoje presidiário Sérgio Cabral ao Palácio Guanabara.

Um detalhe a mais na persistência dessa opção racional de não mexer em time que está perdendo é a desmoralização completa de todos os níveis de governo. Essa desmoralização ainda poderá trazer consequências ainda mais nefastas para o Rio de Janeiro, a começar pela perda total de controle sobre a volátil situação de segurança.  É que muitos policiais sabem que por detrás da seletividade que os beneficia na questão salarial, existe uma opção por deixá-los expostos a uma condição cada vez mais perigosa no seu cotidiano.

Em suma, em não mexer em time que está perdendo, o (des) governo Pezão está aumentando a chance da anomia social ser completamente instalada no Rio de Janeiro. E quando a história vier julgá-lo por isso, haverá muitas páginas para serem dedicadas aos seus cúmplices e apoiadores silenciosos.

(Des) governo Pezão usa servidores como massa de manobra na privatização da CEDAE

O jornal “EXTRA” traz hoje mais uma daquelas matérias {1] que explicitam ainda mais o verdadeiro objetivo do fracionamento do pagamento dos salários dos servidores estaduais: mantê-los como reféns para garantir um rápido e questionável processo de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). 

agosto salarios

Essa transformação de uma parcela dos servidores estaduais em joguetes nas mãos do (des) governo Pezão foi explicitado pelo (des) secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, que afirmou ao EXTRA que:

“… o Estado só terá normalidade quanto ao pagamento dos salário com a realização do pregão para a contratação do empréstimo de até R$ 3,5 bilhões, que dará como garantia as ações da Cedae.

Ora, como pode ser isso possível se após a adesão ao famigerado “Regime de Recuperação Fiscal” ter cessado o pagamento de dívidas e garantido a suspensão dos contínuos arrestos dos recursos pertencentes ao tesouro fluminense pelo governo “de facto” de Michel Temer?

A questão central que emerge é que para impedir eventuais protestos contra a forma pela qual está se dando a privatização da Cedae, o (des) governo Pezão está mantendo mais de 74 mil servidores sem os salários que lhes são devidos.

Enquanto isso, permanece um silêncio quase sepulcral dentro do funcionalismo estadual, seja pelos que estão com os salários em dia, seja por aqueles que estão sendo deixados na condição de reféns.  Esse silêncio, é preciso que se frise, é fundamental para que essa manobra dê certo.  É que a conjuntura atual é marcada por tantos problemas no plano estadual que bastaria a realização de um protesto massivo dos servidores estaduais ocorresse na frente do Palácio Guanabara para que todo o castelo de cartas no qual o (des) governo Pezão se equilibra viesse abaixo, impedindo, inclusive, a privatização da Cedae.

A pergunta que sempre faço se mantém:  cadê o movimento sindical que diz representar os interesses dos servidores estaduais que não começa a ventania que faria esse castelo de cartas desabar?


[1] https://extra.globo.com/emprego/servidor-publico/estado-nao-vai-conseguir-pagar-salarios-de-agosto-dos-servidores-ate-fim-de-setembro-21870012.html