BNP Paribas e Gustavo Barbosa: da Operação Delaware à Operação CEDAE

 

O Jornal “Extra” noticiou hoje que o vencedor por W.O. do empréstimo que dá partida ao processo de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE) foi o banco francês BNP Paribas [1]. O empréstimo de R$ 2,9 bilhões sairá por juros “módicos”  de 20% ao ano baseados numa CDI de 145,76%, o que deverá implicar no aumento da dívida pública do estado do Rio de Janeiro.

cedae bnp

Apesar desse, digamos, percalço o resultado do empréstimo foi festejado pelo secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, que classificou o pregão de participante único como sendo um “sucesso”.

Agora, para quem não se lembra, esta não é a primeira operação financeira envolvendo o BNP Paribas com o estado do Rio de Janeiro que é festejada como sendo um sucesso por Gustavo Barbosa. É que o banco francês também foi uma das instituições envolvidas na chamada “Operação Delaware” que implicou num processo de securitização de recursos dos royalties do petróleo que causou a falência do RioPrevidência.  A “Operação Delaware”, por meio do chamado “Rio Oil Finance Trust”,  também foi capitaneada por Gustavo Barbosa que então era o diretor-presidente do fundo próprio de previdência dos servidores estaduais do Rio de Janeiro [2].

A proximidade de Gustavo Barbosa com o BNP Paribas ficou explícita durante o recebimento de um prêmio concedido pela revista especializada em finanças “Latin Finance” em Janeiro de 2015, Gustavo Barbosa sentou na mesa destinada ao banco francês (ver imagem abaixo) [3].

barbosa bnp

Agora que temos um círculo completo ligando Gustavo Barbosa e o BNP Paribas em duas operações claramente lesivas ao contribuinte fluminense, eu fico me pergunto se finalmente alguém vai se animar a olhar essa relação mais de perto. É que de sucesso ambas não tem nada.

A palavra está com a bancada de oposição na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e os eméritos membros do Ministério Público.  Será que alguém vai se animar a finalmente olhar mais profundamente a “Operação Delaware” e a “Operação CEDAE”? A ver!


[1] https://extra.globo.com/emprego/servidor-publico/banco-bnp-paribas-aceita-emprestar-29-bi-ao-estado-do-rio-para-pagar-servidores-22021488.html

[2] https://blogdopedlowski.com/2016/10/24/voltas-que-o-mundo-da-operacao-que-resultou-na-bancarrota-do-rioprevidencia-recebeu-2-premios-por-sua-excelencia-com-direito-a-festa-de-gala/

[3] https://blogdopedlowski.com/2017/01/14/rio-oil-finance-trust-por-que-ninguem-quer-falar-nele/

6 pensamentos sobre “BNP Paribas e Gustavo Barbosa: da Operação Delaware à Operação CEDAE

  1. profpaulobrites disse:

    Alias o Cabral tb gostava muito de ir Paris

  2. Maria das Graças Maia disse:

    Mas uma vez nós funcionários públicos somos lesados pela falta de caráter desses políticos sem escrúpulos e assistindo de camarote a justiça do nosso Estado do RJ batendo palma. Cada um leva o seu e a festa continua e o funcionalismo paga um preço árduo pelo rombo.

  3. Damião solerno disse:

    Estão esperando a bomba estourar. Daqui a uns anos a PF e o MPF da um nome a uma nova operação prende meia dúzia de gravatas, a justiça consede prisão domiciliar “este comprado com parte da grana furtada” o MP recupera uma pequena parte desta grana e vão ser felizes para sempre. A história é sempre igual. Ja estamos acostumados a ser babaca…

  4. Roberto Rocha Passos disse:

    O sistema opera, mesmo com todas as adversidades de momento. As ações se produzem como se nada tivesse sendo feito de diferente. Ou seja, o cenário para 2018 é o mesmo: capital influenciando a eleição, única maneira de manter no poder estes que, mesmo com 13 anos de pelegos, não conseguiram afastar os “patrimonialistas” (rapinas da coisa pública no Brasil, desde 1500).

  5. Luidi disse:

    Acorda justiça carioca!!!!

  6. Flávio de Carvalho Filho disse:

    O que o Ministério Público e a Polícia e o TCE estão esperando para abrir uma investigação sobre essa operação do leilão que deu o banco Paribas como vencedor do leilão para empréstimo ao Estado do Rio de Janeiro tendo as ações da CEDAE como garantia.
    Qual a relação entre os envolvidos e esse banco? Os envolvidos são os mesmos que resultaram nos problemas da Previ Rio? Qual a relação que o atual Secretário de Fazenda tem com os dois eventos? Essa operação realmente é benéfica ao Estado ou é mais um prejuízo ao herário público tendo como alegação o pagamento de funcionários? O conveniente discurso de que o Estado está em calamidade pública (está?) é o suficiente para se permitir passar por cima da lei e desobedecer a constituição e colocar um patrimônio público com risco de ser alienado para pagamento de empregados? Um banco estrangeiro poderia participar desse leilão? A relação entre o valor do empréstimo e o real valor das ações (que não foi comprovado) são proporcionais ou é prejuízo para o Estado.
    Esses são apenas uns questionamentos de um tonelada de outras que surgirão ao se puxar o primeiro fio sobre o assunto.
    Com a palavra o MP, a PF e o TCE.

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