Rio de Janeiro em crise? Seletiva, é claro!

Confrontados com evidências objetivas de que escolas e hospitais públicos estão funcionando em condições abaixo do mínimo aceitável, representantes do (des) governo Pezão/Dornelles usam a surrada explicação de que as finanças do Rio de Janeiro estão em condição crítica por causa da queda no recolhimento das receitas dos roaylties do petróleo.

Se isso é verdade, como se explica então que prossigam todos os tipos de generosidades fiscais com o dinheiro do contribuinte fluminense? É que, como mostra o blog Transparência  RJ, apenas no mês de julho, um total de R$ 7.221.040,30 foram enttegues a diferentes empresas na forma de isenções fiscais (Aqui!) (ver tabela abaixo com o nome das empresas e o montante de recursos concedidos).

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Um “incentivo” dessa lista que me chamou particularmente a atenção foi dado à empresa Direcional Distribuidora de Derivados de Petróleo, com sede no município de Duque de Caxias, que recebeu R$ 500.000,00 para apoiar o projeto intitulado “Americano Futebol Clube Campeonato Carioca 2016”. Até onde eu saiba, o Americano Futebol Clube em questão está localizado em Campos dos Goytacazes que dista quase 300 km da sede Direcional, o que torna esse apoio curioso.  Mas há que se notar que nesta lista de “generosidades fiscais”, este não foi o único a beneficiar projetos futebolísticos! Suponho que seja a alta capacidade do secretário estadual de esportes, Marco Antonio Cabral, que esteja gerando tanta vontade apoiar o famoso esporte bretão.

De toda forma, diante de mais essa rodada milionária de “generosidades fiscais” fica provado que se há de fato uma crise abalando o tesouro estadual, a mesma possui um caráter muito, mas muito mesmo, seletivo.

 

A Alerj sinaliza que vai fiscalizar as “generosidades fiscais” que aprovou a pedido do (des) governo do RJ. A velha política de colocar tramela em porta arrombada está de volta!?

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No início desta tarde a jornalista  Fabiana Paiva postou no blog de Berenice Seara no jornal Extra que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Jorge Picciani do PMDB, informou em plenário que dará até Novembro (!!) para receber explicações sobre os resultados práticos advindos da concessões das “generosidades fiscais” que ajudou a aprovar a pedido do (des) governo comandado por seu partido (ver reprodução abaixo). Caso contrário, ele “ameaça” com a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o uso desse mecanismo.

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Pois bem, ao que parece, estamos diante da consumação do velho adágio “colocar tramela em porta arrombada”.

Mas, por que será que Jorge Picciani deu um prazo tão elástico para que o (des) governo do Rio de Janeiro forneça informações sobre os resultados da política de concessão de “generosidades fiscais” que apenas entre 2008 e 2013 concedeu a bagatela de R$ 138 bilhões a todo tipo de empresa. 

Das duas uma: ou Jorge Picciani quer esperar o fim das eleições municipais para mexer nesses vespeiro, ou ele espera que esqueçamos que ele possui negócios com o proprietário da Cervejaria Petrópolis que foi, pasmemos todos!,  beneficiada com “apenas”  R$ 687 milhões de isenções pelo (des) governo Pezão (Aqui! Aqui!)

Por vias das dúvidas, há que se manter a pressão para que essa prometida CPI não tome o mesmo destino de tantas outras, qual seja, a de uma gaveta empoeirada.

Transparência RJ revela mais uma peculiar “generosidade fiscal” do (des) governo do RJ. O “felizardo” agora é um consórcio de empreiteiras fisgadas na Operação Lava Jato!

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O ex (des) governador Sérgio Cabral, mentor da política de “generosidades fiscais” que quebrou as finanças do Rio de Janeiro, falando na Reunião Geral do Fórum de Desenvolvimento da Área de Influência do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) que ocorreu no Palácio Guanabara no dia 13 de Agosto de 2013.

O blog “Transparência RJ” trouxe à luz no dia de ontem (25/07) mais uma que pode chamar de “generosidade fiscal” do (des) governo do Rio de Janeiro (Aqui!).  O caso trata de um “tratamento tributário especial” que foi concedido para o consórcio Pipe Rack, e que publicado no Diário Oficial no dia 21 de Julho.

Mas quais as “peculiaridades” de mais esta “generosidade fiscal”? A primeira coisa que me chamou a atenção foi o caráter retroativo do ato que beneficiou o consórcio Pipe Rack, pois a isenção sobre os valores devidos sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é retroativo ao dia 18 de novembro de 2011! (ver reprodução do extrato abaixo)

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O segundo aspecto, ainda mais peculiar, aparece quando se verifica quem são as empresas que formam este consórcio que era responsável por parte das construções do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) cuja construção no município de Itaboraí se encontra atualmente paralisada. Como mostra o resultado de uma consulta feito pelo Transparência RJ ao “Quadro de Sócios e Administradores”, o consórcio é formado nada mais, nada menos, por três das principais empreiteiras envolvidas nas acusações de corrupção pela Operação Lava Jato, quais sejam, a Construtora Norberto Odebrecht, a Mendes Junior Trading e Engenharia, e a UTC Engenharia S/A.

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Por quanto tempo as empreiteiras vão poder usufruir desta “generosidade fiscal” perguntaria o mais ingênuo.  Resposta: 25 anos! 

Depois ainda aparece algum “técnico” do (des) governo do Rio de Janeiro para plantar na mídia corporativa a versão insustentável de que a culpa da crise financeira que assola o Rio de Janeiro é dos servidores e aposentados! 

A questão que não quer calar sobre mais esta “generosidade” às custas do sofrimento da maioria da população do Rio de Janeiro é a seguinte: quando é que essas “generosidades” vão ser devidamente auditadas e investigadas pelos órgãos do controle? Para mim, já passou da hora!

Brasil 247:Olimpíada gera isenção fiscal de R$ 3,8 bilhões para 780 empresas

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Lei assinada pela presidente eleita Dilma Rousseff em 2013 concede isenção de impostos para um total de 780 empresas envolvidas nos jogos olímpicos da Rio 2016; entre elas estão o Comitê Olímpico Internacional (COI), a Globo, a Odebrecht, o Bradesco, a Coca-Cola e a Nike. É uma exigência do COI ao país-sede, compromisso firmado na candidatura do país, e praxe em outras edições; no Brasil, o total previsto é de R$ 3,8 bilhões

247 – Uma lei assinada pela presidente eleita Dilma Rousseff em 2013 concede isenção de impostos para um total de 780 empresas envolvidas nos jogos olímpicos da Rio 2016. 

Entre elas estão o Comitê Olímpico Internacional (COI), a Globo, a Odebrecht, o Bradesco, a Coca-Cola e a Nike. É uma exigência do COI ao país-sede, compromisso firmado na candidatura do país, e praxe em outras edições. No Brasil, o total previsto é de R$ 3,8 bilhões.

“A Lei tem o propósito de criar incentivos fiscais para o comitê organizador. Isso é nos moldes da Copa do Mundo para desonerar custos da realização”, informou o comitê ao blog do jornalista Rodrigo Mattos. “O Rio-2016 requer as habilitações. Só as empresas que estão com regularidade fiscal que podem ser incluídas, e só em notas para pagamento do Rio-2016.”

As isenções se restringem aos serviços ou produtos usados pelas empresas ou entidades para os Jogos, no período de janeiro de 2013 e 2017. Cada empresa passa a ter o direito a não pagar os impostos a partir do momento em que a Receita a inclui na lista. No caso das empresas nacionais, elas não precisam pagar nenhum imposto de importação para produtos ou serviços vindos do exterior. Também não pagam IPI de produtos adquiridos no país para realizar os Jogos, nem têm de quitar PIS/Pasep e Cofins por serviços contratados. Firmas vinculadas ao COI não têm de pagar nem imposto de renda.

A Globo Comunicações foi incluída na lista da Receita em maio de 2015 como prestadora de serviços e transmissora oficial do evento. O pagamento da importação de equipamentos também está isento. A emissora disse que ganhos com publicidade não estão livres de impostos. Com cotas de R$ 255 milhões, a Globo ganhará R$ 1,5 bilhão só em propaganda direta com os Jogos. “O valor da desoneração das emissoras é pequeno em relação ao total da isenção prevista em lei”, disse a assessoria.

FONTE: http://www.brasil247.com/pt/247/economia/244945/Olimp%C3%ADada-gera-isen%C3%A7%C3%A3o-fiscal-de-R$-38-bilh%C3%B5es-para-780-empresas.htm

Volkswagen, a mais nova beneficiada da “generosidade fiscal” do (des) governo do RJ

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O blog “Transparência RJ”  trouxe a público nesta 3a. feira (12/07) mais um exemplo da “generosidade fiscal” com que o (des) governo trata as corporações multinacionais que se instalam no território fluminense.  A corporação da vez foi um braço da multinacional alemã Volkswagen por meio de um dos seus braços na América Latina, a Man Latin America Inudstria e Comércio de Veículos (Aqui!).

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A “generosidade” nesse caso foi o diferimento no recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por 50 anos, prorrogáveis por mais 50!

Para quem acha que essa benesse é coisa antiga, o pessoal do Transparência RJ informa que a publicação no Diário Oficial do Estado ocorreu no dia 20 de Junho de 2016 (ver imagem abaixo).

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Esse foi o período em que havia uma grande incerteza sobre quando seria paga a segunda parcela do salário dos servidores e aposentados referente ao mês de Maio, fato que só ocorreu no dia 04 de Julho!

Convenhamos que isentar a Volkswagen de pagar o imposto que representa a principal fonte de receita por 50 anos prorrogáveis por outros 50 é algo que poderia ser até concebível se não estivéssemos vivendo o que os próprios técnicos do (des) governo dizem ser a maior crise financeira da história do Rio de Janeiro.  

Mas cada vez mais fica demonstrado que essa política de “generosidade fiscal” com as corporações é a raiz da mesma crise.  Mas enquanto as corporações se instalam praticamente a custo zero para venderem o que são os veículos mais caros do planeta, o serviço público agoniza e a população fica relegada à própria sorte.

Por essas e outras é que precisamos de uma auditoria pública independente sobre todas essas concessões de “generosidades fiscais” que, no caso da Volkswagen, podem até chegar ao Século XXII!

A dupla face da crise do RJ: ameaça de demissão para servidores, isenções fiscais a granel para as corporações

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Venho insistindo aqui neste blog que a crise financeira que é tão propalada e usada pelo (des) governo do Rio de Janeiro para precarizar serviços públicos e coagir servidores públicos com atrasos e ameaças possui um caráter para lá de seletivo. 

Agora, em mais uma de suas postagens para lá de esclarecedoras, o blog “Transparência RJ” nos oferece mais informações sobre a continuidade de uma política inexplicável de isenções fiscais para todo tipo de empreendimento, em que grandes empresas são basicamente patrocinados pelos cofres públicos. Segundo o que apurou o pessoal do  “Transparência RJ”, apenas no mês de Junho que acaba de se encerrar foram concedidos quase R$ 15 milhões de reais em novas isenções fiscais (Aqui!).

Entre as empresas envolvidas neste balde de generosidades estão, entre as as mais conhecidas, a Ambev, a Light. a Oi Móvel, a CEG e até a Petrobras. Já os eventos apoiados vão desde a Feira Literária de Paraty (FLIP) até a Rio Pro WCT 2016!

O curioso é que enquanto o estado dispensou mais essa pequena fortuna em isenções fiscais, o (des) governo estadual teve tempo para decretar um curioso estado de calamidade pública por crise financeira no dia 17 de junho! (Aqui!).

O que fica evidente graças ao trabalho de garimpagem do “Transparência RJ” ´é que apesar da crise grassando no Rio de Janeiro ter um aspecto financeiro, a sua verdadeira causa é a política do (des) governo comandado pelo PMDB em consórcio com o PP de beneficiar a iniciativa privada com bilhões de reais, enquanto os serviços públicos (hospitais, escolas e universidades) são deixadas em condição de miséria absoluta.

Isenções Tributárias no estado do Rio de Janeiro

Como se deixa de arrecadar mais do que se arrecada

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Por Thiago Marques

Em recente estudo da Organização das Nações Unidas – ONU o Brasil foi considerado um “paraíso tributário” para os mais ricos (1). De fato, pois apenas o nosso país (e a Estônia) beneficia os mais ricos – 0,05% da população brasileira – se beneficiam de isenções de impostos sobre lucros e dividendos. Tal complacência ajuda a entender a estimativa de que o décimo mais rico apropria-se da metade da renda das famílias brasileiras (52%). É por aí que se começa a explicação de nossa alta concentração de renda e brutal desigualdade social. E essa perversa lógica também é observada nas unidades subnacionais, como no estado do Rio de Janeiro, aonde existem outros benefícios de ordem tributária. No presente, será ressaltado o aspecto da gestão das receitas públicas e o grau de irresponsabilidade da política de concessão de benefícios tributários adotado pelo governo entre os exercícios de 2008-2013 (2).

O discurso liberal atribui as dificuldades nas finanças públicas somente ao volume e à qualidade das despesas públicas. E o receituário padrão é conhecido desde sempre: redução do custeio via contenção da despesa com pessoal (cancelamento de concursos públicos, congelamento ou corte de remuneração e benefícios dos servidores e até exoneração de servidores concursados) e/ou dos gastos com manutenção que compromete a qualidade dos serviços prestados. Os investimentos, por ser um dos caminhos de transferência do dinheiro público para o capital, não entram no rol de cortes, mas “justificativa conjuntural” é a de que ainda teremos no mês de agosto e setembro os jogos olímpicos e paraolímpicos.

Já as receitas, pela avaliação do mainstream, ganham relação direta somente pelo aspecto econômico. Se a economia vai bem há aumento das receitas públicas, se vai mal há diminuição. Não se questiona com profundidade sobre quem e em quanto os segmentos sociais devem arcar com o financiamento das ações governamentais, exceto pela velha ladainha de redução da carga tributária e blábláblá.

Relatório de Auditoria Governamental do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro – TCE, divulgado em março desse ano, constatou que no período enfocado o estado deixou de arrecadar, através de benefícios fiscais, mais de R$ 138 bilhões de recursos do ICMS. No mesmo período a arrecadação do ICMS foi de aproximadamente R$ 140 bilhões. Os números chamam mais atenção quando observamos os valores anuais. Em 2011, para cada R$ 1 arrecadado o governo deixou de arrecadar R$ 1,40, ou seja, os benefícios superaram a arrecadação do tributo. O mesmo ‘fenômeno’ ocorreu em 2012 e 2013, conforme ilustra o gráfico.

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Fonte: TCE-RJ, Relatórios de Gestão Fiscal do GERJ dos exercícios de 2008 a 2013.

Ora, a concessão de qualquer benefício tributário – seja anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, isenção, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo – deveria ser condicionada aos interesses sociais, em primeiro lugar e, do desenvolvimento econômico. Ou seja, estimular atividades econômicas em troca de contrapartidas de ordem social. Os valores da renúncia supracitados não foram acompanhados de medidas de compensação conforme recomenda, estranhamente de forma opcional, a Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF (art. 14). Em outras palavras, para que uma renúncia fiscal não agrave o desequilíbrio das contas públicas deveria ser compensada por meio do aumento da arrecadação – do setor beneficiado – pelo aumento da movimentação econômica ou, de forma abrangente, pela redução de uma despesa governamental através de um investimento social.

Cabe recordar que a escalada de incentivos fiscais, ocorreu a partir de 2007, no estado do Rio de Janeiro e ancorada pela capital, motivada por uma agenda de megaeventos – Jogos Pan-americanos; Jogos Mundiais Militares; Rio+20; Copa das Confederações; Jornada Mundial da Juventude, coma presença do Papa; Copa do Mundo de Futebol; e Jogos Olímpicos – um atrativo calendário para investimentos em diversos setores.

Dados do empresometro.cnc.org.br – portal com estatística no número de empresas ativas no Brasil, por estados e municípios – corroboram o cenário de estímulos. Houve incremento significativo do número de empresas de 2008 a 2013 no estado. O Rio de Janeiro apresentou uma variação de 127%, superior à variação nacional que foi de 92%. Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo apresentaram respectivamente 108%, 89% e 85%.

Entretanto quando observamos o comportamento do emprego formal, especificamente a variação do estoque – dados do Relatório Anual de Informações Sócias (RAIS), o estado apresenta uma variação de 23,5% para o período ocupando a vigésima posição entre os demais entes e atrás da variação nacional (24,1%).

O incentivo fiscal serviu pra criar empresa, mas não emprego.

Deve-se destacar também o impacto das renúncias estaduais nas finanças municipais. A Constituição estabelece o repasse aos municípios de 25% da arrecadação do ICMS – art. 158, portanto, R$ 34,6 bilhões deixaram de ser repassados. Assim, como destacado no relatório do TCE, a concessão de benefícios na ordem de R$ 1,27 bilhão para o Grupo P&G (Procter & Gamble), gerou uma renúncia para os municípios de R$ 317,8 milhões. A P&G instalou uma nova unidade em Seropédica e iniciou suas operações em 2015. Estima-se que o valor do investimento alcançou R$ 280 milhões, menor em R$ 37,8 milhões da “perda” municipal. Ademais tem entendimento no Supremo Tribunal Federal que o repasse da cota constitucionalmente devida aos municípios não pode sujeitar-se a condição prevista em programa de benefício fiscal de âmbito estadual.

Outro ponto sensível da renúncia tributária é o diploma legal que outorga o benefício. Para evitar a chamada guerra fiscal entre os estados, a Constituição determina que o benefício deva ser precedido pela aprovação do Conselho Nacional de Política Fazendária – CONFAZ, conselho que agrega todos os secretários estaduais de fazenda. A partir do CONFAZ o benefício é concedido através dos convênios. Estima-se que apenas 20% das renúncias descritas foram através dos convênios do CONFAZ. A discricionariedade da concessão via decretos e leis ordinárias acirra a guerra fiscal. Só o estado de São Paulo ajuizou sete ADI’s – Ação Direta de Inconstitucionalidade – contra leis fluminenses que concedem benefícios fiscais. Recentemente a Secretaria do Tesouro Nacional noticiou que provavelmente, no pacote de socorro aos estados, será necessário rever pelo menos 10% das isenções. Entretanto a revisão diz respeito aos acordos do CONFAZ – que no estado do Rio tem um peso pequeno.

Portanto, a atual crise financeira do estado do Rio está relacionada não apenas à conjuntura econômica e à crise do petróleo, como muitos atribuem, mas também à gestão das finanças públicas.

Urge, a revisão da política de estímulos fiscais, não para extingui-los, mas adequá-los à realidade orçamentária estadual, pois os valores demonstram que a política sem critério claro de interesse público de isenção fiscal comprometeu substancialmente tanto a arrecadação geral do estado como indiretamente as receitas municipais. A redução das receitas e dos gastos públicos diminui a qualidade dos serviços públicos prestados à população justamente no momento mais necessário pelas dificuldades impostas pela crise econômica mundial e nacional.

Referências:

(1) A edição Jornal dos Economistas, nº 322, trouxe entrevista com os economistas Rodrigo Orair e Sérgio Gobetti, responsáveis pelo estudo publicado pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), instituição parceira do PNUD.
(2) Ainda não estão disponíveis os dados de isenção tributária dos exercícios de 2014 e 15.

FONTE: http://psolrj.org.br/2016/06/27/isencoes-tributarias-no-estado-do-rio-de-janeiro/

RJ: Nem o “estado de calamidade” para a farra fiscal

A imagem abaixo é uma reprodução parcial de um artigo assinado pelos jornalistas Bruno Villas Boas e Ítalo Nogueira que foi publicado hoje pela Folha de São Paulo (Aqui!), e que mostra que em pleno “estado de calamidade”, o (des) governo Rio de Janeiro concedeu pelo menos R$ 8,7 bilhões em isenções fiscais em 2016.

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O valor de R$ 8,7 bilhões é emblemático porque representa 3 vezes o valor que o (des) governo do Rio de Janeiro espera receber em verbas federais por força da decretação da calamidade pública por caos financeiro na última 6a .feira (17/06).

O mais impressionante é que Villas Boas e Nogueira apuraram que o valor perdido em recolhimento de impostos pode ser ainda maior, visto que há descontrole até no processo de renúncia fiscal, o que estaria permitindo que outras empresas além das beneficiadas deixem de pagar os impostos devidos.

Essa verdadeira farra com o dinheiro público que foi promovida sob a capa de renúncia fiscal deveria ser objeto de uma cuidadosa apuração por parte do Ministério Público e da própria Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. É que diante desta avalanche descontrolada de benesses fica evidente que não há outro caminho a não ser anular boa parte das isenções concedidas e punir quem se beneficiou de forma privada desse descalabro.

Mecenas das corporações, (des) governo do Rio de Janeiro não informa quando concluirá pagamento de salários de Maio

Mecenas das corporações multinacionais com concessões de isenções fiscais que vigorarão por até 50 anos, o (des) governo do Rio de Janeiro está se negando a informar quando concluirá o pagamento dos salários dos servidores estaduais e pensionistas e aposentados do RioPrevidência referentes ao mês de Maio (ver imagem abaixo).

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Para mim está cada vez mais claro que o (des) governo do Rio de Janeiro conta com a desmoralização e a paralisia dos servidores estaduais que decorrem da incapacidade de pagar as contas mais básicas que os mesmos possuem para continuar empurrando o estado do Rio de Janeiro para a maõs das corporações privadas. 

Um exemplo desta generosidade excessiva do (des) governo estadual se deu com a instalação fábrica da Jaguar Land Rover no polo automotivo em Itatiaia que deverá produzir  24 mil veículos por ano, e gerar até (notem que eu disse até) 400 empregos diretos.  O problema é que para Jaguar Land Rover produzir seus carros luxuosos e gerar minguados 400 empregos diretos, o (des) governo do Rio de Janeiro concedeu 50 anos de isenção fiscal para esta corporação multinacional. E o exemplo da Jaguar Land Rover é apenas um dos incontáveis atos de generosidade com o dinheiro público que este (des) governo praticou. Enquanto isso, servidores, pensionistas e aposentados estão sendo tratados com completo desrespeito.

Esta forma primitiva de implantar uma reforma ultraneoliberal precisa necessariamente desmoralizar não apenas os servidores públicos e suas famílias, mas também a população que depende de seus serviços.

A resposta a este ataque frontal de um governo que todos os dias concede isenções fiscais bilionárias terá que passar pela capacidade dos servidores públicos de organizarem uma reação firme pelos seus direitos e pelo serviço público.

A lógica dúbia do (des) governo Pezão/Dornelles: parcelamento de salários para servidores, isenção fiscal para a Coca Cola

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O blog Transparência RJ trouxe ontem (14/06) mais uma daquelas revelações que são de doer, especialmente porque ao longo do dia milhares de servidores estavam no maior sufoco porque a primeira parcela do salário de maio não era depositada.  

E do que tratou o Transparência RJ? Ora, de mais uma daquelas generosas isenções fiscais que já sugaram bilhões de reais dos cofres públicos do Rio de Janeiro (Aqui!). E adivinhem quem foi a corporação sortuda da vez? Apenas uma das maiores multinacionais do planeta, a estadunidense Coca-Cola (ver imagens abaixo), que aqui atende pelo nome de fantasia de “Rio de Janeiro Refrescos Ltda” (Aqui!).

E o impressionante é que de acordo com o Transparência RJ, esta isenção deverá valer até Abril de 2024!

Diante do inexplicável que é conceder isenções fiscais para uma multinacional do porte da Coca-Cola e que já estava instalada no Rio de Janeiro, os blogueiros do Transparência RJ se deram ao trabalho de verificar as doações eleitorais da empresa em 2014 e voilá, a Coca-Cola doou para vários partidos, inclusive o PMDB como mostram a imagem abaixo.

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Diante de mais esta isenção milionária, uma coisa fica clara: os (des) governantes do Rio de Janeiro estão se lixando para o drama de servidores, aposentados e pensionistas, pois o negócio deles é avançar o processo de privatização do Estado. 

Enquanto o serviço público e a população agonizam, a Coca-Cola agradece!