Diário do Centro do Mundo revela que apologia à tortura é o verdadeiro significado da tubaína de Jair Bolsonaro

O verdadeiro sentido da “tubaína” de Bolsonaro: gíria de quartéis para tortura por afogamento

BOLSONARO QUEM É DE ESQUERDA TOMA TUBAÍNA QUEM É DE DIREITA TOMA ...

Por Tchelo para o DCM

A falta de respeito de Bolsonaro com as vidas perdidas por causa do Coronavírus, justamente no dia em que, basicamente, morreu um brasileiro por minuto em 24 horas, vai além de uma piada tosca que rima palavras com final “ina”.

Se fosse só para desdenhar a gravidade da pandemia, Bolsonaro poderia ter usado outra rima: brilhantina, nitroglicerina, parafina, água de piscina…

A palavra tubaína não foi escolhida por acaso. Foi escolhida a dedo.

Tubaína é, na verdade, “entuba aí, né”.

O trocadilho é a forma mais pobre de se fazer uma piada. Um jogo de palavras com duplo sentido, bobo e infame que qualquer tiozão consegue fazer. Tipo, “ela queria dar o furo”, sacou?

Ao dizer que quem é de direita toma Cloroquina e quem é de esquerda, tubaína, o presidente faz pouco caso dos brasileiros que contraírem o vírus, insinuando que os que não tomarem o medicamento serão entubados.

Na verdade, repetiu uma piada interna, daquelas que só um círculo de amigos compreende. Talvez por isso tenha passado batido para a maioria das pessoas.

Ao final ele pergunta: entendeu? Deixa claro que existe um segundo sentido. Há quem diga que nos bastidores do Planalto ele faz essa piada baixa faz tempo.

Sabe-se também que tubaína é uma gíria usada em quartéis para a técnica de tortura por afogamento em que se coloca um funil na garganta do torturado e despeja-se água sem parar.

wp-1590075395075.jpg

A “tortura d´água” é uma prática que foi utilizada pela Inquisição durante a Idade Média e consistia em colocar um funil na garganta de um indivíduo e despejar a água sem parar. Tal técnica recebeu nos centros de tortura da Ditadura Militar o apelido de tubaína.

Seguida de sua risada forçada, amedrontadora, a piada de Bolsonaro tenta estimular seu gado a rir com ele, como faz em suas visitas matinais ao puxadinho do planalto.

Nessas ocasiões sempre existem alguns apoiadores que riem enlouquecidamente de suas investidas malcriadas. Será que tem gente contratada para rir dessas desgraças na tentativa de transformar as grosserias do presidente em piada, e assim aliviar o absurdos expelidos pelo seu Jair?

É, ontem foi publicada a mudança no protocolo que libera o uso da cloroquina para uso preventivo.

O próprio sujeito, que todos sabem não ser médico, diz que guarda uma caixinha do remédio para medicar sua mãe de 93 anos em caso de necessidade.

Será que ele realmente administraria o medicamento nela mesmo sabendo – ou fingindo não saber – dos riscos da automedicação?

Atingimos um novo patamar na República do Tio do Pavê.

Agora temos a Presidência do Entuba Aí Né.

_____________________

Esta postagem foi originalmente publicada pelo site “Diário do Centro do Mundo” [Aqui!].

Cenas brasilienses mostram começo da reação política a Jair Bolsonaro

wp-1590006863816.jpg

Apesar de todos os riscos envolvidos na realização de aglomerações no Brasil neste momento de aceleração da pandemia da COVID-19, as imagens abaixo demonstram que o inconformismo que graça na sociedade brasileira em relação ao percurso adotado pelo governo Bolsonaro já está começando a extravasar para espaços públicos. 

Nenhuma descrição de foto disponível.

As imagens abaixo vêm da área dos palácios que expressão os três poderes da república em Brasília e trazem mensagens claras para o presidente Jair Bolsonaro.  Importante notar que essa manifestação ocorre no mesmo dia em que uma pesquisa de opinião realizada pela  XP/Ipespe mostrou uma aceleração significativa nos níveis de desaprovação do presidente Jair Bolsonaro e sua forma de tratar a pandemia.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Com o mundo distraído, a floresta amazônica continua queimando

O desmatamento na Amazônia brasileira atingiu um novo recorde nos quatro primeiros meses deste ano, com 1.202 quilômetros quadrados de floresta destruídos. Esse foi um aumento de 55% em relação ao mesmo período do ano passado, e o número mais alto nos primeiros quatro meses do ano desde o início dos registros.

fogoFumaça sobe de um incêndio em uma área da floresta amazônica perto de Porto Velho, Estado de Rondônia, Brasil. Fumaça sobe de um incêndio em uma área da floresta amazônica perto de Porto Velho, Rondônia, Brasil. Foto: Reuters

Agence France-Presse
Não recebeu muita atenção do mundo focado no coronavírus, mas o desmatamento aumentou na floresta amazônica este ano, aumentando o medo de uma repetição da devastação recorde do ano passado – ou pior.

O desmatamento na Amazônia brasileira atingiu um novo recorde nos quatro primeiros meses do ano, de acordo com dados divulgados sexta-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que usa imagens de satélite para rastrear a destruição.

Um total de 1.202 Kmde floresta – uma área com mais de 20 vezes o tamanho de Manhattan – foi varrido na Amazônia brasileira de janeiro a abril, segundo ele. Esse foi um aumento de 55% em relação ao mesmo período do ano passado, e o valor mais alto nos quatro primeiros meses do ano desde que os registros mensais começaram em agosto de 2015.

bolso sctJair Bolsonaro, cético das mudança climática de extrema direita e presidente do Brasil. Foto: Reuters

Os números levantam novas questões sobre o quão bem o Brasil está protegendo sua parcela da maior floresta tropical do mundo sob o presidente Jair Bolsonaro, um cético de extrema direita que defende a abertura de terras protegidas para mineração e agricultura.

“Infelizmente, parece que o que podemos esperar para este ano são mais incêndios e desmatamento recorde”, disse Romulo Batista, ativista do Greenpeace.
No ano passado, no primeiro ano de Bolsonaro, o desmatamento subiu 85% na Amazônia brasileira, para 10.123 quilômetros quadrados de floresta.

Essa perda – quase do tamanho do Líbano – alimentou um alarme mundial sobre o futuro da floresta tropical, considerada vital para conter a mudança climática.

fogo 1O agricultor Hélio Lombardo dos Santos e um cachorro andam por uma área queimada da floresta amazônica, perto de Porto Velho, Rondônia, Brasil. Foto: AFP

A destruição foi causada por incêndios florestais registrados que ocorreram na Amazônia de maio a outubro, além de extração ilegal de madeira, mineração e agricultura em terras protegidas.

A tendência até agora em 2020 é ainda mais preocupante, uma vez que a alta temporada habitual para o desmatamento só começa no final de maio. “O início do ano não é o momento em que o desmatamento normalmente acontece, porque está chovendo e chovendo muito”, disse Erika Berenguer, ecologista das Universidades de Oxford e Lancaster.

“No passado, quando vemos o aumento do desmatamento no início do ano, é um indicador de que quando a estação do desmatamento começar … você também verá um aumento”.

Nesta semana, Bolsonaro  autorizou o exército a se instalar na Amazônia para combater incêndios e desmatamento a partir de 11 de maio. Ele também destacou o exército no ano passado, depois de enfrentar críticas internacionais contundentes por subestimar os incêndios.

Ambientalistas disseram que um plano melhor seria dar mais apoio ao programa de proteção ambiental do Brasil.

Sob Bolsonaro, a agência ambiental IBAMA enfrentou cortes de pessoal e orçamento. No mês passado, o governo demitiu o principal agente ambiental da agência, depois que ele autorizou uma operação contra mineradores ilegais que foi transmitida pela televisão.

caixõesTrabalhadores descarregam caixões de um navio no porto de Manaus, estado do Amazonas, para enterrar os mortos pela COVID-19. Foto: AFP

Outro problema com a estratégia militar do governo, disse Berenguer, é que ele se concentrou exclusivamente em incêndios. 

Isso ignora o fato de que os incêndios geralmente são causados ​​por fazendeiros e pecuaristas ilegais que arrasam árvores e depois as queimam, disse ela. Abordar apenas os incêndios “é como eu tomar paracetamol porque estou com dor de dente: vai reduzir a dor, mas se for uma cavidade, não vai curá-la”, disse ela.

Tragédias gêmeas

A pandemia de coronavírus só está complicando as coisas na região amazônica. O Brasil, que detém mais de 60% da Amazônia, é o epicentro da pandemia na América Latina, com quase 10.000 mortes até agora. O estado do Amazonas, amplamente coberto de florestas, foi um dos mais atingidos. Com apenas uma unidade de terapia intensiva, o estado foi dominado pelo surto. Há também temores dos efeitos potencialmente devastadores que o vírus poderia ter entre as comunidades indígenas, historicamente vulneráveis ​​a doenças externas.

Com atenção, recursos e vidas levados pelo coronavírus, o medo é que autoridades, ambientalistas e habitantes tenham menos capacidade de proteger a floresta.

O prefeito da capital do estado, Manaus, Arthur Virgilio, estabeleceu um elo entre as duas tragédias desta semana em um pedido de ajuda dos líderes mundiais. “Precisamos de pessoal médico, ventiladores, equipamentos de proteção, qualquer coisa que possa salvar a vida daqueles que protegem a floresta”, disse ele.

Não está claro se a pandemia terá impacto no desmatamento, mas o fato de terem ocorrido em conjunto no Brasil é motivo de preocupação.

“Existe uma rede de fatores conectados [impulsionando o desmatamento] e, no contexto do coronavírus, as coisas são ainda mais preocupantes”, disse a porta-voz do Greenpeace Brasil, Carolina Marçal.

__________________________

Este texto foi originalmente publicado em inglês pelo South China Morning Post [Aqui!].

Brasil constrói a própria catástrofe na pandemia

País se torna terceiro do mundo em número de casos de COVID-19 e avança para se tornar o epicentro global da doença, enquanto presidente se esquiva de responsabilidade. E, ao que tudo indica, o pior ainda não passou.

coronafestBolsonaro ignora consenso científico internacional e volta apoiar aglomeração em Brasília

No fim de semana, viu-se novamente um clima de festa entre os jovens na Lapa, bairro boêmio do Rio de Janeiro. E ao longo das famosas avenidas litorâneas da cidade, muitos apreciavam o drinque noturno, muitos sem a máscara de proteção determinada pela prefeitura. Depois de dois meses cheios de restrições, muitas pessoas em bairros mais abastados parecem se se comportar relaxadamente.

Por outro lado, muitos vivem com medo nas favelas, onde o vírus é galopante. “Colocando a proteção facial e sempre limpando as mãos com desinfetante, não acontece nada”, afirma o funcionário de uma pequena mercearia que faz entregas de bicicleta aos clientes em quarentena. Sua esposa, que trabalhava fazendo faxina para famílias com melhores condições, está em casa há meses por medo. “Mal se consegue sobreviver”, diz o marido.

O coronavírus atinge particularmente os pobres que, apesar do perigo, não podem simplesmente ficar em casa e não podem contar com nenhuma clínica particular bem equipada no caso de uma emergência. Com 256 mil casos confirmados e mais de 16,8 mil mortes, o Brasil estava em terceiro lugar nas estatísticas globais de coronavírus nesta terça-feira (19/05).

Mas é provável que o número real de mortes seja mais que o dobro, e o número de casos não relatados de infecção pode ser até 15 vezes maior. Sem testes, os especialistas ficam no escuro. E como os hospitais públicos estão superlotados em muitas localidades, cada vez mais pessoas morrem em casa sem serem testadas.

Os números oficiais já são, por si só, suficientemente assustadores. Atualmente, até 15 mil novas infecções e mais de 800 mortes são relatadas todos os dias. As curvas apontam acentuadamente para cima, não há achatamento à vista. Imagens de valas comuns em Manaus e São Paulo rodam o mundo. No centro da cobertura da mídia está o presidente Jair Bolsonaro, que parece estar pouco preocupado com o sofrimento dos cidadãos.

De “gripezinha” a foco da epidemia

Bolsonaro ainda acha que o vírus causa uma “gripezinha” e ele suspeita que, por trás dessa “histeria”, esteja a China. Ele acredita que alguém quer prejudicar a ele e ao presidente dos EUA, Donald Trump. No início de março, Bolsonaro visitou o líder americano na Flórida. Ao retornar, mais de 20 membros da delegação brasileira testaram positivo para o coronavírus, um desastre de relações públicas para Bolsonaro.

Ele desrespeita deliberadamente as regras de distanciamento social recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e seu próprio Ministério da Saúde. De forma demonstrativa, ele tira selfies e aperta as mãos de seus seguidores, que protestam todos os domingos em frente ao Palácio do Planalto pelo fim das medidas de combate à pandemia. O ex-paraquedista disse que, por seu “histórico de atleta”, ele não precisaria se preocupar e “nada sentiria”, caso fosse contaminado pelo vírus.

Além disso, nas grandes cidades do país, há caravanas de carros de apoiadores de Bolsonaro. Eles criticam abertamente os governadores e prefeitos que fecharam shopping centers e lojas, atividades que não são consideradas essenciais na pandemia. Enquanto seus adversários atribuíam a Jair Messias Bolsonaro o número crescente de mortes, ele comentou com escárnio: “E daí? Eu sou Messias, mas não faço milagres.”

Orações e remédio para malária

Mesmo assim, ele pediu aos seus compatriotas que orassem contra o vírus. Além disso, da mesma forma que Trump, ele está exigindo o uso de cloroquina, um medicamento contra a malária. Bolsonaro instruiu os laboratórios das Forças Armadas a fabricar milhões de comprimidos do remédio.

Depois que recusou-se a aprovar o uso da controversa droga, o médico Luiz Henrique Mandetta teve que deixar o cargo de ministro da Saúde em meados de abril. Seu sucessor, o oncologista Nelson Teich, também se recusou a prescrever cloroquina para pacientes com covid-19. Após 28 dias no cargo, Teich jogou a toalha na última sexta-feira.

Até o momento, não foi possível comprovar a eficácia do medicamento contra a covid-19. Em vez disso, em muitos pacientes, ele leva à arritmia cardíaca. Os médicos suspeitam que centenas de brasileiros tenham morrido em casa nas últimas semanas porque se trataram com cloroquina sem supervisão médica.

No entanto, o Ministério da Saúde deverá mudar esta semana o protocolo para o uso da cloroquina: Bolsonaro quer que o medicamento seja usado de forma ampla e, não somente em casos graves com orientação médica, mas também no início do tratamento.

Bolsonaro contra governadores

Os ex-ministros da saúde Mandetta e Teich também caíram em desgraça por apoiarem as medidas de distanciamento social ordenadas por governadores e prefeitos. Bolsonaro, por outro lado, quer reabrir “quase tudo” para salvar a economia brasileira. “Espero que não venham me culpar lá na frente pela quantidade de milhões e milhões de desempregados”, disse o presidente, apontando que os culpados são os governos locais.

Mas Bolsonaro está de mãos atadas. Porque os governadores e prefeitos são responsáveis por decidir sobre medidas de confinamento. Como os hospitais em algumas regiões já estão sobrecarregados, cada vez mais governos locais estão anunciando medidas drásticas. O bloqueio total já foi anunciado em alguns municípios do Rio de Janeiro, e o governo estadual está prestes a fazê-lo em São Paulo, unidade mais populosa da federação e que já tem mais mortes do que a China. A situação é ainda mais dramática no Norte e Nordeste, onde as cidades de Belém, Manaus e Fortaleza não têm mais leitos hospitalares livres.

Por insistência do Congresso, o governo iniciou pagamentos de ajuda a trabalhadores informais e mães solteiras. O auxílio emergencial de 600 reais será pago durante três meses. Até 50 milhões de pessoas, cerca de um quarto dos brasileiros, têm direito ao benefício. A procura é enorme. Em todo o país, o pagamento caótico da primeira parcela vem causando filas em frente às agências bancárias há semanas ‒ e provocando provavelmente muitas novas infecções.

Mas a recessão iminente pode salvar Bolsonaro, cuja aprovação está caindo nas pesquisas. Para tal, ele tem que conseguir culpar os governos locais pela miséria econômica.

_______________

Este texto foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!].

Brasil- o inferno da pandemia

O coronavírus está se espalhando rapidamente no maior país da América Latina. O presidente Jair Bolsonaro ainda conta com a flexibilização: ele quer se distrair de acusações sérias contra ele. 

hospital de campanhaNovo hospital de campanha no Rio de Janeiro.  Foto: AFP / Carl de Souza

Por   Ramona Samuel und Tobias Käufer para o Berliner Zeitung

Rio de Janeiro: “O pior”, diz Fleury Johnson, “é que não podemos ajudar as pessoas da maneira que é realmente necessária.” O médico de 28 anos trabalha na UPA Mesquita, um centro médico inicial no Rio de Janeiro. A estação está localizada na Baixada Fluminense, o largo cinturão de bairros pobres que circundam a enorme cidade. Nenhum turista e nenhum estrangeiro chegam lá. Como se costuma dizer no Rio, o verdadeiro Brasil está lá em casa. Tudo é diferente lá do que nos bairros ricos de Ipanema ou Copacabana, onde os hospitais também são melhores.

Ao longo da parede de concreto da UPA, uma grade azul leva à única entrada para todos os pacientes. “24 horas de cuidados” está escrito na parede. Fleury Johnson está enfrentando o maior desafio de sua vida atualmente: o coronavírus chegou ao seu país de origem. E deve ser derrotado.

“Temos muitos pacientes que se pensa terem COVID-19”, diz Johnson. O que dificilmente pode ser feito: Existem poucos ventiladores para muitos pacientes que realmente precisam deles. E, acima de tudo, há muito poucos leitos de terapia intensiva, porque a enfermaria onde ele trabalha é, na verdade, apenas o primeiro ponto de contato dos pacientes. Mas para onde, com as muitas pessoas doentes? “Os pacientes permanecem simples. E não é possível encontrar um local gratuito nos hospitais. Não temos suporte suficiente. “

A situação na UPA é preocupante. Não é possível diferenciar aqui entre pacientes com sintomas semelhantes aos da gripe dos pacientes que vêm por causa de outras doenças. Muitos que querem obter ajuda aqui nem usam proteção bucal.  E o que faz com que o vírus possa se espalhar ainda mais.

O que a equipe médica da UPA Mesquita experimenta agora é comum em todo o Brasil: centros de saúde e hospitais estão sobrecarregados com o atendimento de pacientes com corona e desmoronam. As razões para isso são caseiras. “Existe uma política neste país que quer reduzir a saúde pública. Há um interesse em privatizar o sistema “, diz a médica Cristina Brito, 42 anos.” O que falta é que as pessoas e seu tratamento estejam no centro da política “.

Cristina Brito

A doutora Cristina Brito critica a política de saúde.  Foto: Cristina Brito

O sistema de saúde brasileiro estava em ruínas e cheio de corrupção antes de Jair Bolsonaro se tornar presidente e antes da pandemia de corona.

Antes da Copa do Mundo de 2014, várias centenas de milhares de pessoas em todo o país saíram às ruas para demonstrar investimentos em educação e saúde, em vez de em estádios da FIFA. Mas o curso já estava definido.

E piorou: o Brasil ficou impressionado com a organização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. O aumento esperado não se concretizou. Propagação da corrupção, caixas registradoras foram saqueadas. E a raiva contra a classe política cresceu. O que acabou levando à eleição do populista de direita Bolsonaro. E ele também colocou o lápis vermelho no setor de saúde.

O Brasil já registrou oficialmente mais de 240.000 infecções por coroa e quase 16.000 pessoas morreram. Em relação à população de quase 210 milhões de pessoas, esses são números comparáveis ​​- ainda. Porque nos últimos dias os números aumentaram rapidamente. Ninguém sabe se o Brasil está caminhando para um desastre ou se o topo da curva já foi atingido. E, acima de tudo, ninguém sabe quantas pessoas nos bairros pobres realmente morreram de Covid-19 e não foram incluídas nas estatísticas.

A situação na região amazônica também é dramática. Somente em Manaus, o número de mortes aumentou para mais de 2.000. E a desconfiança das estatísticas oficiais é grande. “Os números que conhecemos como movimento indígena são muito maiores do que aqueles que a autoridade oficial SESAI anuncia”, diz Sonia Guajajara na conversa por vídeo.

Guajajara é o coordenador da Associação dos Povos Indígenas Brasileiros e um dos ativistas mais destacados pelos direitos indígenas. A população indígena é exposta ao vírus sem proteção, as dificuldades para protegê-lo são imensas.

A autoridade competente SESAI deve finalmente tomar medidas para proteger a vida dos povos indígenas. “Precisamos de centros de saúde onde as pessoas são tratadas”, diz Guajajara. “E os hospitais também precisam ser construídos para fornecer serviços básicos aos povos indígenas. Especialmente na região amazônica, onde o sistema de saúde já entrou em colapso. “

Aliás, os povos indígenas do Brasil estão travando outra luta que quase foi esquecida. “Nesta crise, não devemos esquecer que o desmatamento está progredindo”, diz Guajajara. Madeireiros ilegais continuam a penetrar em territórios indígenas, trazendo o vírus com eles. Há também um sistema por trás disso, suspeita Guajajara. O desmatamento já existia sob outros governos. Mas Bolsonaro é contra os direitos humanos, contra os povos indígenas e contra a proteção ambiental. “Ele tem uma política destrutiva. Ele institucionalizou o genocídio no Brasil ”, diz Guajajara. No país, cresce o número de pessoas que suspeitam que o governo nacional não agiu para impedir a propagação da pandemia na Amazônia.

Novos fatos também devem ser criados à sombra da pandemia. Nesta semana, o Congresso decide sobre uma iniciativa legislativa chamada “MP da Grilagem” – liminar para a apropriação de terras. A lei, comenta a Sociedade para os Povos Ameaçados, fornece uma anistia para ocupação ilegal e desmatamento, mesmo de terras indígenas. Os ocupantes ilegais tornam-se proprietários legais.

“Se as regras entrarem em vigor como o poderoso lobby agrícola deseja, os conflitos fundiários surgirão em todo o Brasil. Territórios indígenas na Amazônia, por exemplo, também seriam afetados ”, temia Juliana Miyazaki, consultora da Sociedade de Povos Ameaçados. “Esta lei seria um convite para mais apropriação de terras, mais cortes e queimadas e mais violência contra os povos indígenas em suas áreas protegidas”.

De fato, a pandemia de coroa continua a polarizar o país. Agora existem dois campos. Há o presidente Bolsonaro, que há muito tempo subestimou e subestimou o perigo da pandemia e agora está em campanha pela abertura da vida social. E existem aqueles que lutam rigorosamente contra o vírus.

Às vezes, os campos se reúnem, como aconteceu recentemente durante uma manifestação em Brasília, quando os profissionais de saúde queriam chamar a atenção para as vítimas em suas próprias fileiras. Com cruzes de madeira pretas nas quais os nomes dos médicos e enfermeiros que sofrem de COVID-19 podiam ser lidos. Eles foram atacados, insultados e retratados como mentirosos pelos apoiadores de Bolsonaro. Houve brigas.

O campo de Bolsonaro, por outro lado, organizou carreatas que exigem um “retorno ao trabalho”. Os participantes foram insultados pelos transeuntes. A fenda que atravessa a sociedade está se aprofundando.

Jair Messias Bolsonaro, presidente, é responsável por esse desenvolvimento. Contra todos os conselhos dos médicos, ele continua se misturando com as pessoas, causando multidões e zombando dos meios de comunicação que reportam criticamente sobre a propagação do vírus. “Meu nome é Messias, mas não posso fazer milagres”, disse ele com um encolher de ombros recentemente, quando perguntado sobre a propagação do vírus.

Uma luta pelo poder ocorreu em seu próprio gabinete por causa dessa atitude casual. O ministro da Saúde, Luiz Mandetta, que usou critérios científicos para combater a pandemia e fez campanha pelo fechamento de contatos, perdeu a luta contra Bolsonaro, comprometido com a abertura da vida econômica. Menos de quatro semanas depois, o sucessor de Mandetta, Nelson Teich, desistiu exasperado. No meio da pandemia, há um caos na política de saúde.

“Não levarei meu povo à pobreza apenas para receber elogios da mídia”, disse Bolsonaro há algumas semanas, estabelecendo assim o caminho. Enquanto os governadores e prefeitos às vezes impõem restrições rígidas de saída e paralisam a vida econômica, Bolsonaro se apresenta como advogado de vendedores ambulantes e lojistas. Nesta semana, ele declarou academias, salões de beleza e cabeleireiros como sendo sistemicamente importantes, sabendo que todas essas instalações fazem parte do modo de vida brasileiro. Isso torna ainda mais difícil para os governadores implementar seu curso difícil.

Bolsonaro precisa dessa luta para se libertar de uma crise política doméstica. Nas últimas semanas, o presidente perdeu dois ministros populares, Mandetta e o ministro da Justiça, Sergio Moro, que haviam vinculado o potencial eleitoral tradicionalmente conservador.

Além disso, há uma disputa legalmente controversa sobre uma suposta interferência do presidente nos assuntos da Polícia Federal, que está investigando os filhos de Bolsonaro. Mais e mais políticos estão pedindo que Bolsonaro seja destituído do cargo. Mas isso também abriga o risco de que o presidente possa se apresentar como vítima. Com a “discussão de abertura” que ele iniciou, Bolsonaro tenta suprimir os problemas nas primeiras páginas. E seu ponto de vista está ganhando cada vez mais seguidores.

O médico Fleury Johnson, da UPA em Mesquita, não tem entendimento e, acima de tudo, não tem tempo para debates domésticos desse tipo. Ele não apenas combate a pandemia, mas também os problemas que o equipamento de proteção coloca para ele. É insuficiente e não oferece ajuda a ele como segurança suficiente. Johnson diz: “Todo dia que vou trabalhar, sei que o que acontece lá é muito pior do que o que aparece na mídia”.

______________

Este artigo foi originalmente publicado em alemão pelo “Berliner Zeitung” [Aqui!].

Em editorial, jornal “Le Monde” faz dura avaliação da atuação de Jair Bolsonaro na gestão da pandemia

Brasil: a perigosa fuga de Jair Bolsonaro

Apesar de um custo cada vez mais pesado, o presidente brasileiro continua afirmando sem se preocupar que o coronavírus é uma “gripezinha” ou uma “histeria” nascida da “imaginação” da mídia.

bolsonaro le monde
Editorial do jornal “Le Monde” de 18.05.2020
Não há dúvida de que algo podre no reino do Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro, pode afirmar sem se preocupar que o coronavírus é uma “gripezinha” ou uma “histeria” nascida da “imaginação” “mídias. Algo está apodrecido quando Bolsonaro pede às autoridades locais que retirem restrições, afirma que a epidemia “começa a desaparecer” enquanto cemitérios atravessam enterros recordes . Quando seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araujo, defende o “comunavírus”, alegando que a pandemia é o resultado de uma conspiração comunista. Quando o ministro da Saúde, Nelson Teich, renunciou em 15 de maio, quatro semanas após sua nomeação para esse portfólio crucial, por “diferenças de opinião”, no dia em que o país alcançou 240.000 casos confirmados e mais de 16.000 mortos.
Para muitos, as horas sombrias no Brasil, hoje a quinta nação mais afetada pela pandemia, são remanescentes às da ditadura militar de 1964, quando o país foi submetido ao medo e à arbitrariedade. Com uma diferença significativa: enquanto os generais reivindicavam a defesa de uma democracia atacada, segundo eles, pelo comunismo, o Brasil de Bolsonaro habita um mundo paralelo, um teatro do absurdo onde fatos e realidade não existem Mais. Nesse universo tenso, nutrido por calúnias, inconsistências e provocações mortais, a opinião é polarizada em uma nuvem de idéias simples, mas falsas.
A negação mantida pelo governo Bolsonaro dissuade metade da população de que não é preciso se isolar, enquanto os pedidos de distanciamento físico lançados por profissionais de saúde, governadores e prefeitos são apenas moderadamente acompanhados. A atividade econômica deve continuar a todo custo, disse Bolsonaro, que está lutando acima de tudo para medir a pandemia enquanto faz um cálculo político insano: ele espera que os efeitos devastadores da crise sejam atribuídos aos seus oponentes.
Caos sanitário
Um oficial subalterno expulso do exército e um obscuro deputado de extrema-direita, zombado de seus pares por três décadas, Bolsonaro não era um estadista. Chegando ao poder, devorado pela amargura e pela nostalgia marrom, o ex-capitão da reserva continuou acusando o odiado “sistema”. Postura que, durante uma pandemia aguda, causa caos na saúde e semeia a morte.
Traindo os fatos, os governantes populistas acabam acreditando em suas próprias mentiras. Vemos isso em outras partes do mundo. Mas aqui, neste país que surgiu há apenas vinte e cinco anos da ditadura, onde a democracia permanece frágil e até disfuncional, o fato de politizar dessa maneira uma crise de saúde excessiva é totalmente irresponsável.
Com uma base de 25% dos eleitores, Bolsonaro sabe que sua margem de manobra é estreita. Hoje, algumas pessoas evocam o cenário de um golpe institucional. Diante da multidão que veio apoiá-lo em Brasília, o presidente deixou claro em 3 de maio que se o Supremo Tribunal Federal investigasse ele ou seus parentes, ele não respeitaria a decisão dos juízes. Depois de praticar a negação histórica do Holocausto, elogiando a ditadura, negando a existência dos incêndios na Amazônia e a gravidade da pandemia de COVID-19, Bolsonaro e sua tentação autoritária correm o risco de levar o país a uma perigosa corrida adiante.
___________________

Este editorial do jornal “Le Monde” foi originalmente publicado em francês [Aqui!].

O Brasil se tornou o novo hotspot do coronavírus, e Jair Bolsonaro falha como gerente de crise

O presidente brasileiro minimizou o coronavírus por um longo tempo. Agora, o número de infecções está aumentando – e o  Brasil ainda está longe do auge da crise.

bolso deutschJair Bolsonaro:  As ações descontroladas do presidente brasileiro exacerbam a crise. (Foto: AFP)

Por Alexander Busch para o

A crise da coroa chegou tarde ao Brasil – mas o vírus agora está se espalhando cada vez mais rápido: a Amazônia ultrapassou Espanha e Itália no número de pessoas infectadas. Atualmente, 15.000 novas infecções estão sendo adicionadas todos os dias. Apenas dois meses atrás, a primeira morte após uma infecção pelo coronavírus foi registrada no Brasil.

Agora, 816 pessoas morreram em 24 horas. O estado de São Paulo superou a China no número de mortes por coronavírus : no estado mais populoso do Brasil, com mais de 46 milhões de habitantes, 4.688 pessoas morreram por causa do coronavírus, enquanto que na China há uma 1,4 bilhões de habitantes, e morreram 4637 pessoas.

Em muitas grandes cidades do Brasil, os hospitais públicos já estão completamente sobrecarregados. Isto é especialmente verdade para a região amazônica, alguns estados do nordeste, e nas grandes cidades dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

No entanto, tudo aponta para o fato de que a crise do coronavírus no Brasil ganhará significativamente mais drama. De acordo com uma previsão do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) nos Estados Unidos, o Brasil pode registrar cerca de 90.000 mortes no início de agosto. Os cientistas estão atualmente prevendo que 1.000 pessoas morrerão todos os dias a partir de meados de junho.

No entanto, o número crescente de mortes sugere que o cenário dos pesquisadores dos EUA poderia ser alcançado muito mais cedo – provavelmente em alguns dias. O IHME fornece o número máximo de fatalidades possível para o Brasil em 19 semanas, com 194.000 casos. 11.000 pessoas infectadas precisariam de leitos hospitalares para receberem terapia intensiva. O Brasil, no entanto, possui apenas 4.000 deste tipo de unidade hospitalar.

Uma das razões para a rápida disseminação do vírus é o gerenciamento caótico de crises do governo do presidente Jair Bolsonaro. O ex-militar de 65 anos está falhando descaradamente como chefe de Estado e gerente de crise.

Brasil relata mais infecções por vírus do que Itália e Espanha

Erro
Este vídeo não existe

 

Em meio ao pânico crescente,  Jair Bolsonaro demitiu o Ministro da Saúde pela segunda vez em pouco tempo na última sexta-feira. O primeiro ministro da saúde havia se tornado popular demais com seu gerenciamento da crise do coronavírus. O segundo ministro foi liberado depois de apenas um mês por se recusar a usar a cloroquina como droga, que Bolsonaro quer aplicar sem nenhuma base científica.

Mas a oposição de Bolsonaro às políticas de confinamento é decisiva para o crescente número de infecções. Bolsonaro minimizou a pandemia como uma simples gripe por um longo tempo, e se opôs desde o início a que os brasileiros ficassem em casa. Mesmo agora, ele pede todos os dias que os brasileiros que voltem ao trabalho.

Salões de beleza e academias de esportes também devem abrir novamente, embora o número de pessoas infectadas esteja aumentando rapidamente. “Todo mundo tem que voltar ao trabalho. Se você não quer trabalhar, fique em casa, caramba!”,  Jair Bolsonaro disse logo após o pedido de demissão de Nelson Teich.

O presidente Jair Bolsonaro não esconde o fato de que ele se preocupa principalmente com sua sobrevivência política. Ele teme que, com a previsível recessão severa, seus índices de popularidade caiam. E assim ele tenta transferir a responsabilidade pelas conseqüências econômicas  da pandemia para os governadores e prefeitos. ” A mídia está tentando me culpar pela miséria econômica”, diz ele. “Mas não tenho nada a ver com isso. Eu não sou um coveiro. “

Os pedidos de impeachment estão aumentando

Mas a Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu aos estados e prefeituras semanas atrás o direito de agir autonomamente em suas estratégias contra a pandemia. Desde então, Bolsonaro também atacou os ministros do STF.

Bolsonaro continua a manter seus seguidores felizes nas mídias sociais: eles são os evangélicos, parte do empreendedorismo, brasileiros populistas de direita, e grande parte das forças armadas. Bolsonaro agora só pode contar com esses apoiadores. Seus índices de popularidade estão diminuindo, mais de um quarto a quase um terço dos brasileiros ainda estão apoiando o populista de direita.

Até agora, não parece incomodar seus apoiadores que Bolsonaro, com seus ataques cada vez mais estridentes contra quem discorde dele, esteja prejudicando a gestão da crise causada pelo coronavírus. Em vez de debater as melhores estratégias contra a pandemia, os políticos agora estão pedindo processos de impeachment contra o presidente brasileiro. É por isso que muitos dos apoiadores de Bolsonaro estão exigindo que ele suspenda os direitos fundamentais, feche o Congresso Nacional e o STF, e estabeleça um regime autoritário.

A situação dos brasileiros não parece importar para Bolsonaro. Quando foi confrontado com o fato de o Brasil já ter ultrapassado a China no número de mortes por  coronavírus, ele gritou para os repórteres: “Desculpe, eu sou Messias, mas posso não fazer milagres.

____________________________

Este artigo foi publicado originalmente em alemão pelo jornal especializado na área de negócios Handelsblatt [Aqui!].

Suplente de Flávio Bolsonaro lançou a mãe de todas as delações e diz que PF avisou sobre operação envolvendo Fabrício Queiróz

Entenda o Caso Queiroz e qual a relação de Flávio de Bolsonaro ...Flávio e Jair Bolsonaro almoçam com Fabrício Queiróz

O empresário Paulo Marinho (PSDB), suplente de senador pelo Rio de Janeiro,  decidiu lançar o que poderá ser chamada de “mãe de todas as delações” ao revelar ao jornal “Folha de São Paulo” que um delegado da Polícia Federal (PF) avisou com antecedência ao  candidato a senador Flávio Bolsonaro que seria deflagrada uma operação policial, como consequência  da chamada Operação Furna da Onça, para apurar a realização de “rachadinhas” (ou seja, a apropriação ilegal de parte dos salários de servidores) no gabinete do então deputado estadual, orientando inclusive para que fossem feitas as demissões do “jack of all trades” (pau para toda a obra) Fabrício Queiróz , seus familiares e ainda parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

wp-1589723255333.jpg

Como Paulo Marinho foi um dos mentores da campanha do agora presidente Jair Bolsonaro, ele não poderá ser ignorado ou, simplesmente, rotulado como mais um traidor comunista pelos apoiadores do presidente da república. Essa entrevista tem conteúdo extremamente explosivo não só pelo detalhe da “indiscrição” do delegado da PF que avisou sobre a iminente deflagração da operação policial sobre o esquema das rachadinhas, mas também porque Marinho revela a existência de um telefone do falecido Gustavo Bebiano onde estariam armazenadas todas as conversas mantidas entre ele e o agora presidente Jair Bolsonaro. O problema é que o material ali contido pode ser nitroglicerina pura, pois armazena mais de um ano de conversas entre Bebianno e Jair Bolsonaro.

As próximas semanas serão extremamente problemáticas no Brasil, pois ao aumento do número de mortes pela COVID-19 serão adicionadas pitadas generosas de de crise política. E não vejo como os militares que estão hoje dentro do governo federal dando sustentação a Jair Bolsonaro poderão continuar fazendo cara de paisagem frente a essas revelações que me parecem ainda incompletas. 

E pensar que Fernando Collor caiu por causa de um Fiat Elba e Dilma Rousseff por causa de pedaladas fiscais inexistentes.  Agora está mais do que provado que em se tratando de motivos, Jair Bolsonaro não será lembrado como um presidente que foi parcimonioso no quesito “escândalo”.

info-final-queiroz

Finalmente, o Brasil agora aguarda ansioso a revelação do nome do delegado da Polícia Federal que revelou a Flávio Bolsonaro que uma operação da PF seria lançada às vésperas do segundo turno da eleição presidencial. É que dependendo de quem for esse delegado-informante, a coisa vai ficar ainda mais quente do que já está.

Em entrevista Oscar Schmidt defende confinamento social e critica despreparo de Jair Bolsonaro

oscarOscar Schmidt: de eleitor convicto a crítico cáustico de Jair Bolsonaro

Oscar Schmidt é um dos atletas mais reverenciados e premiados da história do basquetebol mundial, tendo sido introduzido em pelo menos 3 salas de honra para atletas deste esporte.  A par de uma carreira esportiva que o coloca entre um pequeno número de brasileiros cuja atravessaram fronteiras nacionais, Oscar Schmidt agora entrou para outro panteão, o dos eleitores arrependidos do presidente Jair Bolsonaro.

oscar entrevista

Se Oscar Schmidt viesse a público apenas para se dizer arrependido já seria ruim para um presidente que se cada vez mais isolado e dependente dos seus ministros militares para continuar no cargo.  Mas hoje em entrevista à jornalista Patrícia Calderón do site UOL, Oscar ofereceu uma das mais cáusticas avaliações da atuação de Jair Bolsonaro como presidente do Brasil, em especial na sua forma de tratar a pandemia da COVID-19.

Entre outras coisas, Oscar Schmidt afirmou que é “incrível como o presidente do meu país se mostra tão despreparado para o cargo que caiu no colo dele”. Essa frase sintetiza um corolário de críticas que são feitas por alguém que, não apenas votou em Jair Bolsonaro, mas cuja influência pessoal levou a que milhares de outros brasileiros fizessem a mesma opção.

Além disso, como alguém que pode ser facilmente rotulado como um “direita raiz”, Oscar Schmidt oferece a possibilidade do aumento do descolamento de segmentos da população que se alinharam com por Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. Não esqueçamos ainda que Oscar Schmidt tem uma gênese familiar dentro das forças armadas e pratica um gênero de patriotismo que o faz uma espécie de sujeito adorável em amplos segmentos das forças armadas.

Por isso, seria equivocado apenas ironizar o arrependimento de Oscar Schmidt como se ele tivesse sido um eleitor qualquer.  A crítica pública e feita de forma cáustica como foi deve ter aumentado as preocupações palacianas em torno da sustentação política de um presidente que, como o próprio Oscar Schmidt frisou, se mostra tão despreparado para o cargo que caiu no colo dele.

E o pior para Jair Bolsonaro que vem tentando recrutar a nata do dinheiro do Brasil para quebrar o confinamento social adotado para conter a disseminação do coronavírus, a entrevista de Oscar Schmidt é uma espécie de ode a adoção deste tipo de medida, e motivo maior do seu abandono do presidente que ajudou a eleger.

Capitão anti-coronavírus arriscou sacrificar carreira, mas salvou comandados

crozierO capitão do SS Theoredore Roosevelt, Brett Crozier, discursando para seus comandados antes de ser removido por denunciar a contaminação da tripulação pelo coronavírus

No dia de hoje, o general da reserva e atual vice-presidente da república, Antonio Hamilton Martins Mourão publicou hoje um artigo no jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO”  sob o título de Limites e responsabilidades” que parece um daqueles arrazoados escritos no (ou sobre o) manicômio onde atuava o Dr . Simão Bacamarte do célebre “O Alienista” de Machado de Assis.  É que em linguagem sincopada, o vice-presidente desfere ataques para todos os lados, mas esquece de nos dizer que mais de 70% dos brasileiros já concluíram, qual seja, que o maior problema da pandemia reside no ex-capitão que atualmente senta na presidência da república.

Mas esqueçamos um pouco daquele que muitos já chamam jocosamente de “Capitão Cloroquina” para contar a história de um outro capitão que arriscou por a pique uma ilustre carreira  para salvar os seus comandados da morte certa pela COVID-19 em face da inação do alto comando da Marinha estadunidense.  

Falo aqui do Capitão do SS Theodore Rossevelt, um porta-aviões movido a energia nuclear, Brett Crozier, que removido sumariamente do seu posto pelo agora ex-Secretário da Marinha dos EUA, Thomas Modly, após escrever uma carta denunciando a situação de catástrofe sanitária que se abatia por sua tripulação. A demissão de Crozier foi seguida por uma despedida calorosa dos seus ex-comandados (ver vídeo abaixo) e da queda em completa desgraça de Modly que, entre outras coisas, acusou o capitão de ser “frouxo” por denunciar os contornos graves que a COVID-19 havia tomado dentro do SS Theodore Roosevelt. 

O mal estar que decorreu da forma pela qual o Capitão Crozier foi removido do seu posto por optar pela saúde dos seus comandados, mesmo colocando em risco um posto difícil de ser ocupado na Marinha dos EUA,  vem se prolongando desde o dia 03 de Abril quando ele saiu do SS Theodore Roosevelt sob os aplausos da sua tropa. 

É que Brett Crozier passou a ser visto como um líder em tempos de pandemia, uma espécie de “Capitão anti-coronavírus”. E isso em um país que tende a elevar os seus chefes militares à posição de semideuses, ter um Brett Crozier sendo visto como um injustiçado não pegou nada bem, dentro e fora das tropas. 

Agora, já se sabe que Brett Crozier foi apontado para um posto na Base Aérea e Naval de San Diego no sul da Califórnia, em uma espécie de exílio momentâneo, antes que seja retornado ao posto que era seu no SS Theodore Roosevelt.

A questão que proponho aqui é que verdadeiros líderes militares estão mais para Brett Crozier do que para Jair Bolsonaro.  É que líderes são aqueles que se colocam em posições de tomar posições duras em prol não apenas dos seus comandados, mas dos cidadãos que as forças militares são criadas para proteger.  E não é isso que estamos vendo no Brasil, pois toda o proselitismo em prol da volta ao trabalho que o ex-capitão, e hoje presidente faz, passa ao largo do conhecimento científico e do que propõe as autoridades sanitárias da OMS, e dos governos de estados e municípios.

Ao se negar a aceitar o óbvio e a realidade factual, e insistir em algo que até Donald Trump teve que aceitar,  Jair Bolsonaro,  indo no caminho exatamente oposto do trilhado por Brett Crozier, está colocando o Brasil no rumo de uma grande catástrofe humana, econômica e política. E sobre isso, nem ele ou o seu vice-presidente, poderão se eximir de responder pelo que está por ocorrer. 

A verdade é que o Brasil precisaria urgentemente de ter um Brett Crozier entre seus oficiais mais graduados, o qual mostrasse a seus comandados e a população que a hora é grave e que precisa que seus líderes esteja à altura de produzir as respostas que ela requer. Em tempo: no momento que concluo esta postagem, o Brasil já conta 196.375 infectados e 13.555 mortos pela COVID-19.