Cubanos têm despedidas de heróis nos grotões que os médicos brasileiros desprezam

araquem alcantara mais médicos

O vídeo abaixo mostra a despedida do médico cubano Ramon Reyes, que participava do programa Mais Médicos e que atendia há cinco anos no distrito de Batinga que faz parte do município de Itanhém, extremo sul do estado da Bahia.  As cenas mostram o trajeto do Dr. Reyes pelas ruas pobres de Batinga no último domingo (2/12) pouco antes de deixar o Brasil por conta da decisão do governo de Cuba frente às ameaças do presidente eleito.

As cenas de Batinga estão se repetindo nas milhares de cidades e distritos em que os médicos cubanos foram, em alguns casos, os primeiros a sentar pé para tratar dos segmentos mais pobres e mais socialmente marginalizados da população brasileira.

Essas despedidas que se assemelham ao que normalmente se concede aos que são considerados “heróis” do povo brasileiro deveriam estar sendo mostradas nas telas de TV e colocadas em lugares destacadas das capas dos principais jornais brasileiros. É que este movimento, que agora é de tristeza, expressa o combustível para reações fortes ao projeto ultraneoliberal do governo brasileiro e seus “Chicago boys” (que, aliás, de boys não tem nada).

Entretanto, como a mídia corporativa não está interessada em mostrar essas cenas de mobilização social que se expressam na forma de despedidas emocionadas, é quase certo que num futuro não muito distante muitos fiquem surpresos com um levante social que, supostamente, ninguém viu de onde veio. É que no desmantelamento do “Mais médicos” está expresso com despudor toda a indiferença das elites brasileiras frente às reais necessidades dos milhões de pobres criados pelo sistema de concentração de riqueza existente no Brasil.

É importante notar que, ao contrário de algumas previsões, a quase totalidade dos médicos cubanos está retornando para o seu país onde não deverão ficar muito tempo, pois já existem outros países interessados na “expertise” deles, a começar pelo México, agora governado pelo presidente Andrés Manuel Lopez Obrador.

Finalmente, a classe médica que não reclame se, em vez de receber o tratamento dado aos médicos cubanos, veja o antagonismo crescer em relação a ela. É que a população, que agora ficará desassistida pela partida dos cubanos, certamente não esquecerá o tipo de pressão que foi exercido para impedir a continuidade de um programa que levou atendimento de saúde a quem nunca tinha visto isso antes. 

Em reunião com políticos, Bolsonaro diz que é “muito difícil ser patrão no Brasil”

Ele provavelmente disse isso porque nunca teve que viver com um salário mínimo por mês.

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, durante reunião com MDB Foto: Reprodução

Em reunião com as bancadas do MDB e do PRB no dia de hoje, o presidente eleito aproveitou a ocasião a parabenizar os parlamentares que, como ele, votaram para aprovar a contra reforma trabalhista idealizada pelo presidente “de facto” Michel Temer e que causou graves retrocessos nos direitos dos trabalhadores brasileiros.

Além disso, Jair Bolsonaro aproveitou para avisar que vai aprofundar ainda mais o retrocesso contra os direitos dos trabalhadores pois, segundo ele, atualmente é “muito difícil ser patrão no Brasil” e “…o trabalhador vai ter que decidir, um pouquinho menos de direitos e emprego ou todos os direitos e desemprego.“[1]

bolsonaro patrao

Eu tenho certeza que se o presidente eleito tivesse passado um dia nos últimos 30 anos em que acumulou salário de parlamentar e militar da reserve como trabalhador ganhando salário mínimo, ele saberia melhor para quem a coisa é muito difícil no Brasil.

Mas como Jair Bolsonaro jamais teve que pisar nos sapatos de um trabalhador de salário mínimo, o mais provável é que sua agenda regressiva vá aprofundar ainda mais a já abissal diferença econômica que torna o Brasil numa das sociedades mais desiguais do planeta.

Aos trabalhadores restará aprender a lição dos coletes amarelos franceses ou se preparar para anos ainda mais perversos sob os ditames de Jair Bolsonaro e sua turma de ministros ultraneoliberais.


[1] https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2018/12/04/hoje-em-dia-e-muito-dificil-ser-patrao-no-brasil-nao-ha-duvida-diz-bolsonaro.htm

As regiões costeiras brasileiras estão sob ameaças múltiplas e sem gerenciamento

E a coisa pode piorar ainda mais com Jair Bolsonaro e seu chanceler cético!

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Por uma das muitas obrigações que acompanham a vida de docente (que é o de autor como revisor de artigos em revistas reguladas pelo sistema de revisão por pares) acabei de ler um artigo sobre a necessidade de novos modelos de gestão integrada de regiões costeiras em face das mudanças climáticas globais.

A partir dessa leitura me pus a refletir sobre a condição frágil em que se encontra o Brasil, que possui em torno de 7.500 km de litoral, no processo de planejamento para enfrentar não apenas a ameaça global das mudanças climáticas globais, mas também as que ocorrem no plano local onde a inexistência de planos estaduais de gerenciamento costeiro para a maioria dos 17 estados que possuem áreas costeiras.  E isso mesmo levando em conta que pelo menos 23% da população brasileira vive em cidades costeiras, e uma porção ainda maior em regiões próximas ao mar como é o caso da cidade de São Paulo e sua região metropolitana.

No plano local, o que temos é o completo descontrole em termos de fontes de poluição pontuais e não pontuais e da ocupação de áreas pela especulação imobiliária que deveriam estar sendo resguardadas para a proteção da faixa mais próxima do oceano. A cidade do Rio de Janeiro e seu entorno são belos exemplos de como fragmentos de vegetação importantes como as de restinga e manguezais têm sido eliminados de forma imprevidente.

No plano regional temos ainda a ocorrência de danos graves em várias hidrográficas importantes como as do Paraíba do Sul e do Doce, onde seguidos incidentes industriais destruíram os ecossistemas existentes ao longo das calhas principais e também na região deltaica desses rios. 

Mas talvez seja na preparação para as mudanças globais que a carência de qualquer nível sério de preparação talvez venha a nos custar muito, tanto em termos econômicos como de vidas humanas.  Por exemplo, enquanto a União Europeia possui planos avançados de como se preparar para as inevitáveis mudanças que ocorrerão em função das alterações, o Brasil passou os últimos anos sem que fossem feitos os progressos necessários para nos preparar para situações climáticas que serão muito diferentes das que experimentamos hoje.

Para piorar o que já é ruim, temos agora uma grave indefinição em relação a quem será o futuro ministro do Meio Ambiente, ou sequer se haverá um Ministério do Meio Ambiente, do governo Bolsonaro.  A essa indefinição é acrescentada uma visão ideológica de que a proteção ambiental é ruim para os negócios, nos mesmos moldes de que vigiam no início do Século 19. Para piorar, ainda há o ceticismo climático que se torna evidente toda vez que o presidente eleito e seu futuro ministro das relações exteriores abrem a boca.

O problema é que se o cenário que se abre a partir de Jair Bolsonaro já traz preocupações óbvias sobre a condição e a integridade dos biomas florestais, o mesmo não pode ser detido sobre o gerenciamento das nossas regiões costeiras.  Ironicamente será nas cidades costeiras que os problemas dessa negação da proteção ambiental se manifestarão na forma de aparentes catástrofes , de naturais não terão nada.

Felizmente não nos faltam bons pesquisadores com conhecimento suficiente sobre o que precisa ser feito para se minimizar as mudanças que estão vindo.  Agora, se não houver mobilização dentro e fora das universidades e institutos de pesquisa, todo esse conhecimento será sufocado por falta de verbas e perseguições políticas. 

Então,  aproveitando e ajustando o que está no hino francês…. às ruas, cidadãos!

Manter a Amazônia intacta é melhor para a economia, diz estudo

Preservar a floresta economiza US$ 8,2 bilhões por ano, mas o novo presidente brasileiro parece deslumbrado com os ganhos de curto prazo.

Por Kaleigh Rogers; Traduzido por Marina Schnoor
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Se você é um ambientalista, o valor da Floresta Amazônica – que equivale à metade das florestas tropicais restantes do mundo – é óbvio. Mas, para quem está mais interessado no valor financeiro do bioma, derrubar esse magnífico ecossistema para construir fazendas, minas e infraestrutura pode parecer um empreendimento mais lucrativo.

Só que essa teoria financeira capitaneada pelo presidente eleito do Brasil Jair Bolsonaro pode não fazer muito sentido: um novo estudo de economistas e engenheiros agrícolas publicado recentemente mostra que o benefício econômico da floresta conservada é de US$ 8,2 bilhões por ano. É um benefício econômico que supera de longe os ganhos de curto prazo do desmatamento.

“A floresta deveria ser salva quando medida num sentido puramente econômico”, diz o estudo, publicado pela revista científica Nature este mês.

Esses US$8,2 bilhões incluem benefícios das indústrias sustentáveis que atualmente funcionam na floresta, como o cultivo de castanhas e madeira de seringueira. E também leva em conta os benefícios econômicos da influência ambiental da Amazônia, como sequestrar dióxido de carbono e regular o clima local.

Derrubar a floresta reduziria as chuvas tão significativamente que geraria uma perda anual de US$ 422 milhões para a agricultura, derrotando o benefício de ter mais terra para plantar.

Esse número não vem de um cálculo qualquer num guardanapo. São resultados de um estudo econômico rigoroso em que os pesquisadores analisaram dezenas de fatores contribuintes, e contraditórios, para criar um mapa espacial dos valores econômicos por toda a Amazônia. Mesmo assim, os pesquisadores apontaram que esses números só capturam uma fração do “valor geral incomensurável da Floresta Amazônica”.

A descoberta veio numa boa hora porque o Brasil, lar de 60% da Amazônia. Bolsonaro, afinal, é a resposta brasileira ao presidente americano Donald Trump; ele é anti-globalista, nega as mudanças climáticas, sugeriu que vai tirar o Brasil do Acordo Climático de Paris e disse que vai começar a derrubar a Amazônia para explorar minas, criar fazendas e construir represas.

FONTE: https://www.vice.com/pt_br/article/bje7wd/manter-a-amazonia-intacta-e-melhor-para-a-economia-diz-estudo

Maurício Galliote envergonha raízes do Palmeiras ao dar espaço para a mensagem de Bolsonaro

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Jair Bolsonaro, que não compareceu a debates por estar colostomizado, levanta troféu de 15 Kg do campeão brasileiro de 2018.

 Me  vejo torcendo pela Sociedade Esportiva Palmeiras desde que lá pelos meados de 1965 meus tios colocavam o rádio a pilha para ouvir a equipe esmeraldina fazer frente ao Santos de Pelé, Dorval, Coutinho e Pepe. De lá para cá, passei muitas vergonhas e alegrias como qualquer outro torcedor de futebol.

Confesso que raramente vou a estádios, e a última vez que fui ver o Palmeiras jogar foi contra o Americano em Campos dos Goytacazes, em uma partida pouquíssimo memorável, mas que acho que acabamos vencendo.

De lá para cá, dada a distância de São Paulo e a indisposição para enfrentar a violência que rola nos estádios da capital fluminense, acompanho o Palmeiras pela TV, pelo rádio ou pelo computador. 

Nos últimos anos, o Palmeiras voltou a vencer, primeiro pelas mãos do milionário Paulo Nobre, e agora com Maurício Galliotte que vem sendo turbinado pela Crefisa e pela Faculdade das Américas (FAM) da senhora Leila Pereira. Confesso que ver essas duas empresas crescendo às custas de um financiamento barato às custas da camisa da camisa do Palmeiras já vinha me incomodando, pois somos um time que nasceu a partir do movimento de trabalhadores imigrantes.

Esse desconforto cresceu ao ver o jogado Felipe Melo fazer campanha para Jair Bolsonaro e a diretoria de Maurício Galliotte nem se coçar para dizer que, a despeito das posições pessoais, Felipe Melo não fala em nome de todos os palmeirenses. E falando em Felipe Melo, é duro para mim que já vi um meio campo composto por Dudu e Ademir da Guia ter que aturar a violência dele sendo cometida com a nossa camisa.  Aliás, é preciso lembrar que Ademir da Guia  sempre ostentou posições que  fizeram a maioria dos palmeirenses orgulhosos de suas tradições.

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Agora, o que se passou ontem na entrega do troféu de campeão brasileiro de 2018 passou de todos os limites toleráveis.  É que a diretoria comandada por Maurício Galliotte passou de todos os limites aceitáveis ao dar espaço não apenas para Bolsonaro ocupar um espaço nobre que a maioria dos trabalhadores pobres que torcem pela Sociedade Esportiva Palmeiras terão recursos para frequentar, como também colocou o presidente eleito em meio aos jogadores campeões, numa demonstra de subordinação política a interesses que nada têm a ver com as tradições dos fundadores do nosso time.

E para que tudo isso? Primeiro,  nem se sabe se Jair Bolsonaro é realmente palmeirense, pois já posou com a camisa de inúmeras equipes em anos recentes, e recentemente foi ouvido dando o grito de “Vai curíntia” de forma bastante alegre.  Segundo, mesmo se ele fosse um palmeirense eventual, nada daria o direito dele se aproveitar da festa para promover sua mensagem de violência que vai contra as tradições do Palmeiras. 

Com o que permitiu ontem, Maurício Galliotte mereceria ser impedido de continuar presidindo o Palmeiras. Mas dificilmente haverá gente com culhões para impedir que Galliotte continue presidindo a Sociedade Esportiva Palmeiras. Mas  enquanto ele for presidente, me absterei de comprar qualquer material do Palmeiras, pois não darei um centavo para quem cobriu a nossa bandeira de vergonha. 

E, Galliotte, a história vai se lembrar de você, não como o presidente que nos levou a mais um campeonato nacional, mas como aquele que permitiu que um oportunista manchasse a nossa festa.

Conselho Indigenista Missionário emite nota sobre declarações de Jair Bolsonaro sobre povos indígenas

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Acompanhei de perto o trabalho dos agentes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) durante os anos em que realizei pesquisas de campo no estado de Rondônia. Ali pude ver de perto a dedicação ilimitada que o Cimi dispensava aos povos indígenas que corriam já na década de 1990 riscos permanentes pelo avanço da frente de colonização para a proximidade de territórios que eles ocupam desde muito antes dos conquistadores portugueses lançarem âncoras nas costas da Bahia.

Por isso, reputo como de extrema seriedade o conteúdo da nota pública que o Cimi lançou no dia de hoje acerca das declarações estapafúrdias do presidente eleito sobre os direitos dos povos indígenas, principalmente no tocante à demarcação de reservas que os protejam minimamente dos ataques desferidos por todos os saqueadores que operam quase que livremente no interior da Amazônia brasileira.

Mais do que nunca é precisa apoiar o Cimi e defender o direito de auto determinação dos povos indígenas brasileiros. Do contrário, o que assistiremos na Amazônia será mais um banho de sangue contra os nossos povos originários.

 

Nota do Cimi sobre as agressões do Presidente eleito contra os Povos Originários do Brasil

São graves e preocupantes as ideológicas, anacrônicas e recorrentes declarações do presidente eleito sobre os povos originários do Brasil

povos_indigenas_nota_cimiFoto: Guilherme Cavalli, Ascom Cimi

Bolsonaro insiste em equiparar os povos a animais em zoológicos, o que é, por si só, inaceitável. Ao fazer isso, o presidente eleito sinaliza que os povos podem ser caçados e expulsos por aqueles que têm interesse na exploração dos territórios indígenas e que pensam como ele.

O presidente eleito retoma o discurso integracionista, marca dos governos ditatoriais das décadas de 1960 a 1980. A ideologia do integracionismo deu margem para ações de agentes estatais e privados que resultaram no assassinato de ao menos 08 mil indígenas no período citado, como atesta o Relatório da Comissão Nacional da Verdade.

Ao afirmar que as demarcações de terras indígenas no Brasil teriam origem em pressões externas, o presidente eleito falta com a verdade. O fato é que a Constituição Brasileira de 1988, que em seu Artigo 231 reconhece a legitimidade e o direito dos povos indígenas à sua organização social, aos seus usos, costumes, crenças, tradições e às suas terras originárias; é a mesma Lei Maior de nosso país que obriga o Estado brasileiro a promover a demarcação, a proteção e fazer respeitar todos os seus bens nelas existentes.

Além disso, o presidente eleito tem a obrigação de saber, também, que o direito dos povos às suas terras é reconhecido oficialmente desde o Alvará Régio de 1º de abril de 1680, ainda durante o Período Imperial, bem como, desde 1934, em todas as Constituições brasileiras.

Ao insinuar que as demarcações de terras indígenas poderiam dar origem a novos países dentro do Brasil, o presidente eleito ignora o histórico de luta dos povos originários em defesa das fronteiras do nosso país ao longo da história. Demonstra ainda profunda ignorância quanto ao teor da nossa Carta Magna que elenca as terras indígenas como Bens do Estado brasileiro (Artigo 20), registrados como patrimônio da União nos Cartórios de Imóveis locais e na Secretaria de Patrimônio da União, de acordo com o Decreto 1775/96, que regulamenta os procedimentos administrativos correspondentes.

Além de extremamente desrespeitosas para com os povos, as declarações do presidente eleito dão guarida ideológica para a inoperância do Estado em efetivar o direito dos povos esbulhados historicamente de suas terras, bem como, para ações ilegais e criminosas de invasão, loteamento, venda e apossamento de lotes, desmatamento e estabelecimento de unidades de produção no interior de terras indígenas já regularizadas, que caracterizam a mais nova faze de esbulho possessório em curso no Brasil contra os povos.

Por fim, é inequívoco que as palavras do presidente eleito servem de incentivo e referendam as ações que atentam contra a vida dos Povos Indígenas no Brasil, antagônicas, portanto, ao dever do Estado de efetivar as demarcações, a proteção dos territórios e da vida destes povos.

Diante de tantas agressões, o Conselho Indigenista Missionário-Cimi manifesta irrestrita solidariedade aos 305 povos indígenas brasileiros e reafirma o compromisso histórico e inquebrantável de estar junto com os mesmos na defesa de suas vidas e seus projetos de futuro.

Brasília, DF, 01 de dezembro de 2018

Conselho Indigenista Missionário – Cimi

FONTE: https://cimi.org.br/2018/12/nota-do-cimi-sobre-as-agressoes-do-presidente-eleito-contra-os-povos-originarios-do-brasil/

Mudanças climáticas, uma realidade perigosa

É o que acredita a maioria dos habitantes dos EUA (eleitores republicanos inclusos)

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Uma pesquisa realizada pela Monmouth University mostra que a maioria dos habitantes dos EUA (78% dos entrevistados, ou seja quase 8 em cada 10 estadunidenses) acredita que as mudanças climáticas estão de fato ocorrendo, e 54% delas  pensam que elas representam um problema sério para a Humanidade [1].

A pesquisa mostra ainda que até entre os eleitores do Partido Republicano do presidente Donald Trump, a maioria (54%)  acredita que as mudanças climáticas estão de fato ocorrendo, o que vem a ser uma mudança significativa já que esse segmento é normalmente composto por céticos.

O predomínio entre os estadunidenses de que as mudanças climáticas estão ocorrendo e representam um sério problema para a Humanidade não cria apenas embaraços para Donald Trump, mas também para o futuro chanceler brasileiro, o cético embaixador Ernesto Araújo, que atribui a uma trama comunista a ideia de que a Terra está passando por uma mudança climática [2].  

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Ernesto Araújo, à direita, foi indicado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, à esquerda, para ser o principal diplomata do Brasil. Sua nomeação poderia minar o papel de liderança do Brasil na mudança climática. Foto: Sergio Lima / AFP /

Essa posição cria ainda embaraços sérios para o Brasil que acabou de se desresponsabilizar da realização da 25a. edição da Conferência Climática da ONU em 2019 (a chamada COP25) [3]. É que se até entre o eleitorado dos republicanos há uma maioria que considera as mudanças climáticas um fato da realidade, como justificar que o país que possui a maior extensão de florestas tropicais possa assumir a retórica de que tudo não passa de uma trama comunista como sugere o futuro ministro de Relações Exteriores?

Falando na Conferência Climática da ONU que começou em Katowice, a COP24, é interessante o pessoal do Observatório do Clima que está participando do evento, principalmente em termos das medidas objetivas que o Brasil e seu futuro governo deveriam adotar a partir de 2019 [4].

De toda forma, há que se ver ainda o que acontecerá nos EUA a partir da tomada da Câmara  de Representantes pelo Partido Democrata. É que quando se trata das mudanças climáticas, os democratas são ainda mais firmes em reconhecer que estamos passando por uma importância no clima da Terra.


[1] https://www.monmouth.edu/polling-institute/documents/monmouthpoll_us_112918.pdf/

[2] https://blogdopedlowski.com/2018/11/15/the-guardian-novo-ministro-das-relacoes-exteriores-do-brasil-acredita-que-mudanca-climatica-e-uma-trama-marxista/

[3] https://blogdopedlowski.com/2018/11/28/sob-a-lideranca-de-bolsonaro-brasil-renega-organizar-conferencia-climatica-da-onu/

[4] http://www.observatoriodoclima.eco.br/nossas-expectativas-para-cop24/

 

Decisão do Brasil de não sediar reunião climática causa mal-estar diplomático

Na ONU, anúncio foi interpretado como um sinal da direção do governo Bolsonaro em assuntos ambientais

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ONU procura alternativa após desistência do Brasil Foto: AFP PHOTO / Jewel SAMAD

Por Jamil Chade, Correspondente do “O ESTADO DE SÃO PAULO

GENEBRA – A decisão do Brasil de não mais sediar a COP-25 em 2019 cria um mal-estar diplomático, obrigando a ONU a se apressar para procurar um novo lugar disposto a receber o evento e abrindo uma crise com parceiros que haviam dado seu apoio a Brasília. O presidente eleito Jair Bolsonaro disse que atuou diretamente na retirada da candidatura

Estado apurou que estava tudo planejado para que a entidade internacional chancelasse a conferência no País durante a reunião da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês) que ocorre a partir de segunda-feira, na Polônia e onde estarão 50 chefes-de-estado, chamada de COP-24. Não havia sequer outro candidato, diante de um acordo que foi costurado em diversas capitais. 

Mas, com a retirada da proposta brasileira, a entidade passou a se mobilizar para encontrar uma solução, enquanto governos estrangeiros não disfarçam a irritação com a postura do Brasil. 

Ninguém na entidade acredita, porém, que a decisão de cancelar a COP-25 tenha uma relação com a questão orçamentária, como indicou o governo brasileiro. “Esse é um sinal do que poderá ser a política de meio ambiente do novo governo brasileiro”, indicou um membro de alto escalão da entidade, na condição de anonimato.

“Tradicionalmente, todos sabem que o Brasil mantém uma prática diplomática de manter seus compromissos internacionais”, disse outra fonte. “Essa decisão é uma ruptura na postura do País”, lamentou.

Oficialmente, a candidatura do Brasil não era apenas um projeto nacional. O País, no fundo, representava a América Latina e havia sido escolhido pela região para receber o evento. Agora, os governos latino-americanos estão sendo obrigados a se reunir de forma emergencial para buscar uma solução e um país que possa receber o evento. 

“É uma pena essa decisão do Brasil”, comentou um diplomata latino-americano.

“Passamos meses debatendo o assunto e, justamente para que tivéssemos tempo, já escolhemos o Brasil há meses para que fosse a única candidatura. Agora, de última hora, Brasília cede ao novo governo e nos deixa na mão”, criticou, pedindo para não ser identificado e visivelmente irritado. 

A América Latina terá agora apenas dez dias para convencer algum governo da região a receber o evento, fazer os planos e apresenta-los aos demais países, o que de fato exige uma ampla infra-estrutura, preparações e recursos. Caso nenhum latino-americano se apresente, a ONU então terá de recuperar o evento e organizar a reunião em sua sede para assuntos climáticos, em Bonn. 

Essa eventual decisão, porém, fará com que a América Latina fique sem o encontro por anos, já que ele continuaria a ser sediado ao redor do mundo e respeitando uma rotatividade entre continentes.  

Oficialmente, a UNFCCC adotou um tom técnico ao comentar a decisão. “Sediar a COP é um compromisso logístico e financeiro significativo”, disse o vice-secretário-executivo da entidade, Ovais Sarmad. “A oportunidade de servir de sede respeita uma rotação entre os cinco grupos regionais”, explicou. “É a vez do Grupo da América Latina e Caribe (Grulac) a sediar a conferência em 2019”, disse.

“A secretaria da UNFCCC recebeu uma carta do Grulac apresentando a oferta do Brasil para sediar a conferência no ano que vem. Tal oferta teria sido aceita pelas partes na COP-24 em Katowice. Fomos recentemente informados que o Brasil está retirando a oferta”, afirmou Sarmad.

“O próximo passo será a discussão entre membros do Grulac se outro país na região é capaz de oferecer a ser sede da COP25”, alertou. “Se essa oferta não vier, então a conferência em 2019 será realizada na sede da secretaria da UNFCCC”, completou. 

Em Bonn, o Estado apurou que a decisão foi interpretada como um sinal da política que será adotada durante o governo de Jair Bolsonaro e vista com temor. A lógica é de que se o País que detém a maior floresta tropical do planeta não está disposto a apoiar as metas para combater as mudanças climáticas, o “efeito dominó” pode ser importante. 

“Países que hesitavam poderão usar o Brasil como um escudo conveniente e mudar de posição”, alertou um experiente negociador europeu. Poucos, porém, acreditaram na versão dada pelo governo de que o cancelamento tinha uma lógica de redução de gastos públicos. 

Para um diplomata, receber um evento como esse colocaria sobre o Brasil o foco da imprensa internacional sobre o que está sendo feito em termos de proteção à floresta e como o País enfrenta a questão das mudanças climáticas. “Nesse sentido, não nos foi uma surpresa que o governo Bolsonaro não queira falar do assunto”, disse. 

O encontro no Brasil já estava consolidada na agenda internacional. Em outubro, na ONU em Nova York, mais de 70 países em desenvolvimento tinham acertado o apoio à candidatura do Brasil ao evento.

FONTE: https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,decisao-do-brasil-de-nao-sediar-reuniao-climatica-causa-mal-estar-diplomatico,70002625646

Jair Bolsonaro presta continência a John Bolton. O que fará quando encontrar com o chefe dele na Casa Branca?

O jornal “Folha de São Paulo” publicou uma matéria hoje sobre a visita do assessor da Casa Branca, John Bolton, à residência do presidente eleito do Brasil, dando conta que antes da conversa começar, Jair Bolsonaro teria prestado continência à John Bolton [1].

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Como John Bolton é apenas um assessor, dentre muitos, de Donald Trump, eu fico imaginando qual reverência Bolsonaro irá prestar a Donald Trump numa eventual visita à Casa Branca.

Para o pessoal que dizia que a bandeira do Brasil nunca será vermelha, a informação dessa continência implica que sob o governo de Bolsonaro, poderemos ver a nossa bandeira voltar a ser parecida com a bandeira que vigiu entre 15 e 19 de Novembro de 1989 (ver abaixo), apenas se trocando o verde e amarelo pelo vermelho, azul e branco.

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E como conheço um pouco os estadunidenses, Bolton deve ter feito muitas piadas desse gesto ao narrar o encontro para seus superiores.  É que pode se dizer que se quiser dos republicanos, mas eles possuem senso de humor.


[1] https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/11/bolsonaro-se-encontra-com-assessor-de-trump-no-rio.shtml

Sob a liderança de Bolsonaro, Brasil “renega” organizar conferência climática da ONU

E ruma para se tornar pária ambiental mundial.

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O fato era mais do que previsível, mas mesmo assim não deixa de demonstrar os riscos que o Brasil está correndo de se tornar um pária ambiental no planeta. Falo aqui do abandono do pleito de organizar a 25a. Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (a COP 25) que deverá ocorrer em 2019, agora em lugar ignorado.

É que com o presidente eleito e seu ministro das relações exteriores se alinhando ao presidente estadunidense Donald Trump na negação das mudanças climáticas iria ser mesmo estranho vê-los participando dos trabalhos da C0P25 e, ainda por cima, em solo brasileiro.

Apesar da coerência, essa decisão terá econômicos e políticos para o Brasil mesmo antes de Jair Bolsonaro assumir o poder. O jornal “The Guardian” foi rápido no gatilho e já publicou um artigo na madrugada desta 4a. feira (28/11) sob o título ” Brasil renega em hospedar as negociações climáticas da ONU sob a presidência de Bolsonaro” [1]. A matéria assinada por Jonathan Watts acrescenta, entre outras coisas, que  “a reversão vem dois meses depois que o país concordou em sediar a conferência COP25 em 2019 – e um mês depois que o cético climático de extrema direita ganhou a eleição presidencial brasileira“. 

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O problema para a já combalida brasileira é que esse abandono da COP25 sinalizará para muitos de nossos parceiros comerciais preocupados com as mudanças climáticas que vem mais desmatamento e outras formas de degradação ambiental sob a batuta de Jair Bolsonaro. E, isto, queiram, ou não, Bolsonaro ou seu ministro de Relações Exteriores que optaram por seguir o rumo negacionista do governo Trump, deverá impactar decisões em curso sobre novos investimentos proodutivos no Brasil. É que ao contrário dos EUA, o Brasil não tem nem musculatura econômica nem militar para impor as teses negacionistas sobre as mudanças climáticas.

Aliás, importante nesse caso é ler a nota emitida pelo “Observatório do Clima” que é uma das organizações mais influente nos debates sobre as mudanças climáticas no Brasil [2] . A nota vai na mesma linha de constatar que a opção ideológica de negar as evidências científicas acerca do processo em curso de mudanças climáticas que, no caso do Brasil, deverá atingir a base produtiva agrícola e as populações mais social e economicamente frágeis.

Como bem afirma a nota do “Observatório do Clima”,  o futuro governo federal ao “ignorar a agenda climática, o governo federal também deixa de proteger a população, atingida por um número crescente de eventos climáticos extremos. Estes, infelizmente, não deixam de ocorrer só porque alguns duvidam de suas causas.

Ao latifúndio agro-exportador que tanto depende do comércio exterior, eu sugiro “já ir se acostumando” com a falta de mercados para seus produtos por causa das decisões tresloucados de quem o setor ajudou a colocar no poder.  A ver!


[1] https://www.theguardian.com/world/2018/nov/28/brazil-reneges-on-hosting-un-climate-talks-under-bolsonaro-presidency

[2] http://www.observatoriodoclima.eco.br/nota-oc-sobre-desistencia-brasil-de-sediar-cop25-da-conferencia-clima-da-onu/