The Intercept publica série de reportagens sobre os bastidores da Operação Lava Jato

A série intitulada “As mensagens secretas da Lava Jato” traz informações exclusivas sobre uma série de articulações que foram realizadas não apenas para garantir a ida do processo envolvendo o famoso “triplex do Guarujá” para a justiça federal em Curitiba, mas também para impedir que o ex-presidente Lula concedesse uma entrevista antes das eleições presidenciais de 2018 por medo de que o conteúdo da mesma influenciasse o pleito em favor de Fernando Haddad, candidato presidencial do PT.

O site de notícias “The Intercept” está lançando uma série de reportagens que promete balançar a política brasileira, pois revela os bastidores da Operação Lava Jato e das relações questionáveis entre o ex-juiz federal e hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador federal Deltan Dallagnol.

A série está dividida em 3 reportagens, as quais deverão gerar grande interesse por parte não apenas dos apoiadores do ex-presidente Lula que o consideram um prisioneiro político, mas até daqueles que sempre viram na chamada “Operação Lava Jato” uma oportunidade de livrar a política brasileira de políticos corruptos.

Série de reportagens do “The Intercept” que prometem agitar a política brasileira.

Quem desejar acessar a série “As mensagens secretas da Lava Jato“, basta clicar [Aqui!]

Desembargador solta Michel Temer et caterva e fulmina estratégia lavajatense

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As ordens de prisão para o ex-presidente “de facto” Michel Temer, o ex-ministro Wellington Moreira Franco e outras 6 pessoas acusadas de fazerem parte de uma organização criminosa que teria atuado por mais de 40 anos foram vistas por muitos analistas como uma tentativa de resgatar a imagem dos membros da chamada Operação Lava Jato e também oferecer um respiro para o presidente Jair Bolsonaro que se vê inundado por uma sucessão de trapalhadas dele e de outros membros de seu governo.

As críticas mais pesadas apontavam no sentido de que o juiz Marcelo Bretas ao ordenar essas prisões teria ferido preceitos constitucionais e ainda teria colocado uma espada sobre os membros do Supremo Tribunal Federal (STF) de forma a torná-los alvo da ira de segmentos da população brasileiro caso decidissem libertar o grupo cujas cabeças mais ilustres são as de Michel Temer e Moreira Franco.

Essa seria uma estratégia que combinaria a imposição ao STF de libertar Temer e Moreira Franco mesmo arriscando a ira popular, justamente por causa das fragilidades constitucionais que cercaram as ordens de prisão. Em suma, era um tipo de estrategia para pressionar o STF a fazer o que a constituição federal obriga, e, com isso, expor seus membros à execração pública.

Vários analistas ainda apontaram que por detrás dessa estratégia estaria o ex-juiz federal e atual super ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sérgio Moro, para enfraquecer o STF enquanto fortalecia a Lava Jato e o governo Bolsonaro.

Se essa era de fato a estratégia, ela foi destroçada pela decisão do  pelo desembargador Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) que decidiu chamar para si a decisão de libertar Michel Temer e seus companheiros de jornada. E sem qualquer tentativa noticiada de intervenção contrária do ministro Sérgio Moro, todos deverão ser soltos em breve.

Restou aos procuradores da Lava Jato dizerem que receberam “com serenidade a decisão de revogação da prisão dos investigados. Reafirma que as razões para a prisão preventiva são robustas e consistentes, mas respeita a decisão liminar monocrática do relator“, e que o “MPF analisará as medidas judiciais que poderão ser tomadas.” Em outras palavras, enfiaram a bola no saco e certamente estão se preparando para a próxima refrega.

Enquanto isso, Michel Temer et caterva voltam para casa, e o ex-presidente Lula continua preso e submetido a condições de prisão cada vez mais draconianas.

Ninguém se surpreenda se, com isso, os apoiadores de Lula resolverem aprofundar a campanha por sua libertação, já que estão saindo da prisão aqueles que segundo o MPF comporiam uma organização criminosa que saqueia os cofres públicos há mais de 40 anos. Se estes estão sendo soltos, como manter Lula preso se não for pelo simples fato dele ser um preso político?

 

Prisão de Michel Temer mostra que o Brasil não é mesmo para principiantes

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Ex-presidente “de facto” Michel Temer foi preso hoje sob alegação de participação em esquema de corrupção na Petrobras.

A mídia corporativa está informando que o ex-presidente “de facto” Michel Temer acaba de ser preso a partir de um mandado emitido pelo juiz Marcelo Bretas que comanda o braço fluminense da Operação Lava Jato.  Outros mandados teriam sido emitidos contra Wellington Moreira Franco e Eliseu Padilha, ambos ex ministros de Temer e com longas passagens por cargos de poder no Brasil. Ainda que só Moreira Franco já tenha sido igualmente preso, o caso todo promete ter desdobramentos explosivos.

Que Temer e seus companheiros de golpe parlamentar contra a ex-presidente Dilma Rousseff estão enrolados com a justiça não chega a ser nenhuma novidade, pois os casos em que eles são citados apenas no âmbito da Operação Lava Jato são de conhecimento público.

Agora, o que não deixa de ser peculiar é o momento escolhido pelo juiz Marcelo Bretas para decretar essas prisões que vem a ser logo após a visita do presidente Jair Bolsonaro aos EUA ter sido recoberta de pesadas críticas dentro e fora do Brasil, bem como coincidiu com a liberação de uma pesquisa do IBOPE que mostrou um rápido derretimento dos índices de aprovação do atual chefe do executivo federal.

Mas um detalhe revelado por uma matéria assinada pelos jornalistas Chico Otávio e Daniel Biasetto confirma o que já se sabia: o impeachment de Dilma Rousseff foi financiado pelo esquema financeiro ilegal que levou Michel Temer à prisão no dia de hoje. Nesse sentido, a matéria de Chico Otávio e Daniel Biasetto que “Eduardo Cunha “pautou e liderou” a votação do impeachment da ex-presidente Dilma e que teria enviado uma mensagem a (Lúcio) Funaro (o delator cuja delação causou a prisão de Michel Temer, grifo meu) perguntando se ele  teria disponibilidade de recursos para poder comprar os votos necessários dos deputados para aceitarem o impeachment”.  A matéria informa ainda que apesar de Lúcio Funaro não ter citado valores, mas confirmou que disponibilizou recursos para Cunha angariar os votos para o impechment de Dilma Rousseff.

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Reunião de defensores do impeachment de Dilma Rousseff no gabinete de Eduardo Cunha, com a seleta presença do atual presidente Jair Bolsonaro. Prisão de Michel Temer que esse processo todo foi “turbinado” com dinheiro de esquema de corrupção.

E pensar em todos aqueles excelentíssimos parlamentares dizendo que votavam no impeachment de Dilma Rousseff em nome da família e do Brasil. Votavam era em nome das verdinhas disponibilizadas por Lúcio Funaro, isso sim! 

Mas uma coisa é certa: o momento da prisão de Michel Temer e as revelações que a acompanham mostram que o Brasil não é e nunca foi um país, como dizia Tom Jobim, para principiantes. O que só aumentará a pressão sobre Jair Bolsonaro e seu ministério de Brancaleone.

Lava Jato/RJ: Operação ‘Câmbio, Desligo’ desarticula rede com 45 doleiros no Brasil e no exterior

Movimentação na sede da Polícia Federal

Investigados tiveram prisão preventiva decretada e realizavam operações dólar-cabo para alimentar esquema de corrupção de Sérgio Cabral e outros ainda sob investigação

 O Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Receita Federal realizam nesta quinta-feira, 3 de maio, a operação “Câmbio, Desligo”. A operação conta com o apoio de autoridades uruguaias e visa desarticular um grandioso esquema de movimentação de recursos ilícitos no Brasil e no exterior por meio de operações dólar-cabo, entregas de dinheiro em espécie, pagamentos de boletos e compra e venda de cheques de comércio. Foram expedidos 43 mandados de prisão preventiva contra doleiros que atuaram ao longo de décadas de forma interligada em diferentes núcleos dessa rede de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Também foi determinada a prisão temporária de operadores financeiros, com o intuito de garantir a efetividade das diligências. Os mandados estão sendo cumpridos no Uruguai e nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.


As investigações partiram da colaboração premiada dos doleiros Vinícius Claret, conhecido como Juca Bala, e Cláudio Barboza, conhecido como Tony ou Peter. Eles foram presos em 3 de março de 2017 no Uruguai e intermediavam operações dólar-cabo para os irmãos Chebar, também doleiros e operadores financeiros do esquema do ex-governador Sérgio Cabral. Em colaboração premiada, Renato Chebar reconheceu que o volume de operação de compra de dólares aumentou consideravelmente a partir do início da gestão de Sérgio Cabral em 2007, motivo pelo qual foi necessário buscar os recursos de Juca e Tony para viabilizar as operações.

“Os colaboradores Juca e Tony funcionavam como verdadeira instituição financeira, fazendo a compensação de transações entre vários doleiros do Brasil, servindo como ‘doleiros dos doleiros’, indicando clientes que necessitavam dólares (compradores) e que necessitavam reais”, explicam os procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro. Junto com Dario Messer, dono de casas de câmbio, eles montaram uma complexa rede de câmbio paralelo sediada inicialmente no Brasil e, a partir de 2003, no Uruguai, de onde comandavam remotamente os negócios.

Os dois doleiros tinham um volume diário de operações nos anos de 2010 a 2016 de aproximadamente R$ 1 milhão. Para controlar as transações, os colaboradores desenvolveram um sistema informatizado próprio, de nome Bankdrop, no qual estão relacionadas mais de 3 mil offshores, com contas em 52 países, e transações que somam mais de 1,6 bilhão de dólares.

Outro sistema, chamado ST, registrava todas as operações de cada doleiro como uma espécie de conta-corrente e foi utilizado para controlar a movimentação dos recursos tanto no Brasil quanto no exterior.

Dario Messer

As colaborações premiadas de Juca e Tony foram fundamentais para esclarecer o papel de Dario Messer, que já havia sido alvo em 2009 da operação Sexta-Feira 13, no mercado paralelo de câmbio.

De acordo com as investigações, Messer recebia 60% dos lucros das operações de câmbio, pois era o responsável por aportar recursos e dar lastro às operações. Dono de casas de câmbio, era ele quem dava respaldo às operações com seu nome e ficava responsável pela captação de clientes. Messer chegou a possuir um banco em Antígua e Barbuda em sociedade com Enrico Machado, denominado EVG, destinado à lavagem de recursos de modo transnacional. O EVG encerrou suas atividades em meados de 2013, e vários dos investigados pela força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro e até mesmo por outras operações estão listados entre seus clientes.


Dólar-cabo
A rede estruturada por Messer, Juca e Tony foi utilizada por ao menos outros 46 doleiros. As operações dólar-cabo são uma forma de movimentar recursos de forma paralela, sem passar pelo sistema bancário. Usualmente, agentes públicos corruptos compram dólares no exterior de empresas que necessitam comprar reais em espécie no Brasil para corromper outros agentes públicos. Para que a operação funcione, é preciso uma extensa rede de contatos para casar as operações de compra e venda, o que era intermediado por doleiros do Juca e Tony. A metodologia traz vantagens para os doleiros como os irmãos Chebar, que utilizaram esse esquema, pois eles conseguem realizar as operações de seus clientes sem qualquer contato com o dinheiro em espécie ou custódia de valores, o que reduz consideravelmente os seus riscos.
 
Os mandados de prisão foram expedidos contra: Dario Messer, Diego Renzo Candolo, Daniela Figueiredo Neves Diniz, Marcelo Rzezinski, Roberto Rzezinski, Wu Yu Sheng, Claudia Mitiko Ebihara, Lígia Martins Lopes da Silva, Carlos Alberto Lopes Caetano, Sérgio Mizhray, Carlos Eduardo Caminha Garibe, Ernesto Matalon, Marco Ernest Matalon, Patrícia Matalon, Bella Kayreh Skinazi, Chaaya Moshrabi, Marcelo Fonseca de Camargo, Paulo Arruda, Roberta Prata Zvinakevicius, Francisco Araújo Costa Júnior, Afonso Fábio Barbosa Fernandes, Paulo Aramis Albernaz Cordeiro, Antônio Cláudio Albernaz Cordeiro, Athos Robertos Albernaz Cordeiro, Suzana Marcon, Carmen Regina Albernaz Cordeiro, Cláudio Sá Garcia de Freitas, Ana Lúcia Sampaio Garcia de Freitas, Camilo de Lelis Assunção, José Carlos Maia Saliba, Alexandre de Souza Silva, Claudine Spiero, Michel Spiero, Richard Andrew de Mol Van Otterlloo, Raul Henrique Srour, Marco Antônio Cursini, Nei Seda, Renne Maurício Loeb, Alexander Monteiro Henrice, Henri Joseph Tabet, Alberto Cezar Lisnovetzky, Lino Mazza Filho, Carlos Alberto Braga de Castro, Rony Hamoui, Henrique Chueke, Wander Bergmann Vianna e Oswaldo Prado Sanches.
 

Também foram solicitados o sequestro e arresto de bens e valores no total de R$ 7,5 bilhões de reais para restituição dos valores movimentados ilicitamente (R$ 3,7 bilhões) e reparação de danos morais coletivos.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Procuradoria da República no Rio de Janeiro

Por que a repentina luz sobre as mordomias do judiciário?

O Brasil vive diariamente as consequências do golpe parlamentar realizado contra a presidente Dilma Rousseff, principalmente no que se refere ao extermínio das políticas sociais e ao aprofundamento do processo de desnacionalização da nossa economia com a entrega de setores estratégicos para as corporações multinacionais. 

Agora, temos um novo desdobramento no processo de descrédito nas frágeis instituições democráticas que o país logrou desenvolver ao longo de pouco mais de 195 anos enquanto nação independente. Falo aqui da campanha em curso, comandada pela mesma mídia corporativa que apoiou a realização do golpe parlamentar, de trazer à público as muitas benesses usufruidas pelos altos escalões do judiciário.

O mais emblemático nesta campanha de exposição da estrutura de ganhos do judiciário é que dois dos juízes atingidos pelas revelações cercando o uso do chamado auxílio moradia são os tão decantados Sérgio Moro e Marcelo Bretas, os comandantes supremosdos dois braços da operação Lava Jato.

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Para começo de conversa é preciso que se diga que alguma das vantagens auferidas pela nata da burocracia brasileira, e o judiciário é apenas um segmento desse alto escalão de burocratas, são efetivamente escandalosas em face da pobreza e miséria em que a maioria do nosso povo vive.  É esse descompasso que cria ojeriza e escárnio, já que em outros países desenvolvidos não há tal desproporção de condição financeira entre os trabalhadores comuns e a alta burocracia estatal.  

Agora, convenhamos, esse repetino interesse em expor juízes e desembargadores parece mais uma campanha de desmoralização das instituições nacionais do que um movimento para promover um debate sério sobre as discrepâncias salariais e na alta concentração da renda que tornam o Brasil um dos países mais desiguais do planeta.

Por isso, é que eu chamo atenção para a necessidade de que o justo clamor pelo fim das benesses não acabe sendo utilizada para aprofundar o golpe parlamentar que hoje está no cerne de todos os retrocessos que estão sendo impostos ao povo brasileiro pelos setores mais reacionários da burguesia nacional.

Operação Lava Jato e seus métodos estão em xeque

Juíza do DF decreta penhora do triplex do Guarujá

Nunca estive entre os aficionados dos métodos utilizados pela chamada Operação Lava Jato e nem me incluo entre aqueles que acreditam que a corrupção no Brasil será exterminada via ações midiáticas que muitas vezes resvalam nos direitos básicos garantidos pela Constituição Federal Brasileira.

Um dos maiores riscos que temos com a consumação dos métodos pelo Ministério Público Federal, especialmente em Curitiba e em colaboração direta com o juiz Sérgio Moro, é de que além de não se alcançar níveis mínimos de diminuição na corrupção, também se chegue a um descrédito das instâncias da justiça.  O problema disso é que seríamos lançados num vale-tudo maior do que aquele que já vivemos, especialmente se o cidadão provém das classes mais pobres da população.

Como não estou entre um eleitor potencial do ex-presidente Lula (e nem votei em Dilma Rousseff nas duas vezes em que ela foi eleita presidente do Brasil), sinto-me à vontade para dizer que o caso do ex-presidente parece ser um dos mais emblemáticos da forma despudorada e desnivelada com que a Operação Lava Jato e o juiz Sérgio Moro têm operado em Curitiba. É que o ex-presidente Lula foi condenado a nove anos de prisão pela suposta propriedade oculta de um apartamento na cidade de Guarujá, o famoso triplex da OAS Empreendimentos.

Pois bem, o caso é tão frágil que nem precisaria que a juíza Luciana Correa Torres de Oliveira, da 2ª Vara de Execução e Títulos no Distrito Federal tivesse tomado uma decisão que joga na lama a sentença do ex-presidente Lula para deixar isso mais claro. Mas o caso é que a juíza Luciana Correa Torres de Oliveira acaba de incluir o famoso triplex numa lista de bens penhorados numa ação movida por empresários brasilienses contra a OAS![1]

Registro do Tríplex em nome da OAS, no cartório de Guarujá São Paulo

Com essa decisão em mãos é muito provável que a equipe de advogados do ex-presidente Lula marche até o seu julgamento em 2a. instância e peça o arquivamento sumário do processo em que ele foi condenado. Se isso acontecer e o pedido tiver que ser aceito pela , é certo que a principal perdedora será a justiça brasileira que se apressou em condenar Lula com provas para lá de frágeis.

E não esqueçamos que no “track record” do juiz Sérgio Moro já repousam outros casos em que os condenados nunca viram o interior de uma cela por causa de erros processuais, sendo o caso do Banestado o mais notório [2].

Por essas e outras que penso que o combate à corrupção é uma daquelas bandeiras que só servem para distrair os pobres, enquanto os ricos realizam tratativas para retirar direitos e acumular ainda mais riquezas.


[1] https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/336759/Triplex-que-Lava-Jato-atribuiu-a-Lula-%C3%A9-penhorado-a-credor-da-OAS.htm

[2] https://jornalggn.com.br/noticia/o-que-diferencia-o-caso-banestado-da-operacao-lava-jato

 

 

Lava Jato/RJ: MPF denuncia pela 16ª vez Cabral além de outros quatro por crimes na Funderj

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Henrique Ribeiro, Lineu Martins, Luiz Carlos Bezerra e Wilson Carvalho respondem por integrar organização criminosa, corrupção, fraudes em licitações e cartel

A força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro denunciou o ex-governador Sérgio Cabral pela 16ª vez e outras quatro pessoas – Henrique Ribeiro, Lineu Martins, Luiz Carlos Bezerra e Wilson Carvalho – por crimes na Fundação Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (Funderj). A ramificação da organização criminosa foi descoberta a partir dos desdobramentos das operações Calicute e Eficiência.

Semelhante ao implementado na Secretaria de Obras, o sistema de propina na Funderj contava com o auxílio de Wilson Carvalho, operador administrativo do grupo, e revelou dois novos membros da organização criminosa de Cabral: o ex-presidente da Funderj, Henrique Ribeiro, e o seu ex-chefe de gabinete Lineu Martins, presos na Operação C’est Fini.

Em material colhido em busca e apreensão da Operação Calicute, na casa do operador financeiro Luiz Carlos Bezerra, foi possível conectar anotações da contabilidade paralela da organização criminosa com os alvos das medidas cautelares cumpridas hoje. Lineu Castilho era identificado, nas anotações de Bezerra, como “Boris”, também conhecido como “Russo” e “Kalash”. Ele teria aportado cerca de R$ 17 milhões para a organização criminosa, atuando sempre como braço-direito e operador financeiro do ex-presidente da Funderj, Henrique Ribeiro, entre 2008 e 2014. A movimentação de valores se dava por dinheiro em espécie e este era internalizado no caixa dos criminosos, sendo, posteriormente, distribuído aos seus integrantes e parentes. 

As obras em virtude das quais houve o acerto de pagamento de propina pela União Norte Fluminense por meio da sistemática acima narrada comandada por Henrique Ribeiro e Sérgio Cabral, com o auxílio dos operadores financeiros Lineu Martins, Carlos Miranda e Luiz Carlos Bezerra foram a pavimentação da rodovia RJ 230, pavimentação da Região Norte do Estado do Rio de Janeiro, obras de conservação de São Fidélis, obras na rodovia RJ 220 e obras na rodovia RJ 186. 

“O desenvolvimento e amadurecimento das investigações permitiu compreender que a organização criminosa em mote, como modernamente sói ocorrer na macrocriminalidade relacionada aos chamados crimes de colarinho branco, formatou-se em típica organização nodal, pela qual os diversos envolvidos se especializaram em núcleos de atuação, relativamente autônomos, posto que interdependentes, dando, cada um, suporte à atuação dos demais”, analisam os procuradores da força-tarefa Leonardo Cardoso de Freitas, José Augusto Simões Vagos, Eduardo Ribeiro Gomes El Hage, Rodrigo Timóteo da Costa e Silva, Rafael Barretto dos Santos, Sérgio Luiz Pinel Dias, Fabiana Schneider, Marisa Varotto Ferrari e Felipe Almeida Bogado Leite.

 

Clique aqui e leia a íntegra da denúncia.

FONTE: Assessoria de Comunicação da Procuradoria da República no Rio de Janeiro