Minhas muitas razões para recusar o voto útil em Lula no primeiro turno

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Inicialmente quero adiantar que considero legítimo o desejo da campanha do ex-presidente Lula de resolver as eleições presidenciais no primeiro turno que ocorrerá no dia 2 de outubro. No entanto, não considero legítimo tentar resolver a peleja anulando as candidaturas (principalmente as de esquerda) que não querem ceder aos cânticos de que se retirem da disputa em nome de um suposto risco de golpe que seria acelerado pela necessidade de que se realize um segundo turno. 

É que todas as causas apresentadas para que não se vote em outras candidaturas que não as de Lula trazem subliminarnamente um empoderamento do campo político ocupado pelo presidente Jair Bolsonaro que é apresentado como possuidor de grande capacidade operacional de desmanchar a frágil democracia brasileira. O problema é que se olharmos de perto, vamos lembrar que nem um partido para chamar de seu Jair Bolsonaro conseguiu criar.

Na verdade Jair Bolsonaro e a extrema direita são fortalecidos pela ausência de um campo de esquerda que organize a grave insatisfação que corre na massa de trabalhadores empobrecidos por três décadas de políticas neoliberais. Basta ver o que está acontecendo neste momento com o PSOL cuja direção nacional abdicou de ter candidaturas majoritárias e decidiu ingressar com mais força do que os próprios militantes petistas na campanha de rua de Lula. O resultado é que o PSOL não apenas sumiu dos debates eleitorais e da atenção dos eleitores que antes votavam nas candidaturas majoritárias do partido, mas como suas candidaturas proporcionais acabaram se perdendo em um mar de candidatos de direita, com o partido ficando sem saber quantos deputados vai conseguir eleger.

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Aliás, se olharmos os efeitos que o giro à direita de estrelas da esquerda identitária (o melhor exemplo é Marcelo Freixo) realizaram em troca de agregarem votos, mas que acabaram abraçando pautas da direita, o que acabou afastando setores inteiros da juventude.  Assim, não é de surpreender que Marcelo Freixo esteja tão atrás de Cláudio Castro nas pesquisas de opinião, pois seu giro direitista acabou desorganizando setores inteiros da juventude e até da classe trabalhadora. Contraditoriamente este giro em vez de somar votos, acabou tirando.

Para mim um problema grave é que a candidatura de Lula não apenas não dialoga com os partidos da esquerda/esquerda (como  o PCB, a UP e o PSTU), mas como não mostra qualquer interesse em fazer. A razão aparente é que o comando lulista considera que os partidos da esquerda/esquerda não possuem densidade eleitoral, esquecendo o fato de que na luta política que se seguirá a uma eventual vitória de Lula, o que mais contará será a capacidade de colocar militantes organizados para defender um programa político que ajude o Brasil a sair do atoleiro em que se encontra. 

Dentro desse contexto, considero o abandono do voto em partidos efetivamente de esquerda não apenas não garante a vitória de Lula, mas também contribui para um extermínio de pautas que são necessárias e urgentes, na medida em que ao dizimar eleitoralmente quem as defende, não haverá necessidade de sequer discutir a importância das mesmas.

O resultado disso será o posicionamento de um eventual governo Lula em umapostura de manter todo o saco de maldades (ao menos o que é essencial) do que foi implementado pelo governo de Jair Bolsonaro. Não é à toa que não se sabe qual é a plataforma política sob a qual Lula está concorrendo, e não me surpreenderia se no dia seguinte descobrirmos que serão mantidas as reformas da previdência e a trabalhista, apenas para começo de conversa.

Em suma, são essas as razões pelas quais que estou recusando o canto da sereia do voto útil em Lula no dia 2 de outubro. E como já disse a eleitor de Jair Bolsonaro que me perguntou sobre quem votaria em um eventual segundo turno votarei sem medo em Lula, mas já me preparando a ser uma voz que cobrará a efetiva implementação dos novos rumos que ele nos sinaliza que irá oferecer aos brasileiros. Considero ainda que está cada vez mais posta a necessidade de gerar um processo de unificação das forças políticas que recusam a continuidade das políticas ultraneoliberais que hoje infernizam a vida da classe trabalhadora e da juventude no Brasil.

Depois de vídeo promocional sair pela culatra, “empresário” bolsonarista que negou marmita se “arrepende”

Veja quem é o bolsonarista que humilhou eleitora de Lula em vídeo

Cassio Cenali, o “empresário” bolsonarista que decidiu entregar de marmitas a mulher pobre após saber que ela irá votar no ex-presidente Lula

Uma das situações mais bizarras (entre tantas) da atual campanha eleitoral envolve o apoiador do presidente Jair Bolsonarista, o “empresário” Cassio Cenali que gravou e difundiu um vídeo em que comunicava a uma habitante da periferia pobre da cidade de Itapeva (SP) que pararia de doar refeições a ela em função da mesma ter se declarado eleitora do ex-presidente Lula.

Se ameaçar alguém que precisa de apoio para ter comida dentro de casa já seria bizarro,  Cassio Cenali se deu ao trabalho de produzir um vídeo ainda mais bizarro que tratou de difundir em suas redes sociais. Como tanta bizarrice não teria como passar em branco em um tempo de redes fortemente monitoradas, o malfeito de Cenali ganhou notoriedade oposta à que ele desejava (aliás, o que desejava Cenali ao humilhar uma mulher pobre em condição de vulnerabilidade alimentar?).

Com o caso ganhando um vulto maior do que o esperado, Cenali tardiamente gravou outro vídeo, só que agora de suposto arrependimento em relação ao que fez com a mulher pobre de Itapevi. Com isso, Cenali agora ganhou ainda mais notoriedade, negativa é claro, já que poucos acreditam em sua sinceridade.

Agora, o que me deixa curioso é sobre o que se passava na cabeça de Cassio Cenali quando ele decidiu que negar comida a quem declarou voto em Lula lhe traria algum benefício e, pior, algum tipo de vantagem eleitoral a Jair Bolsonaro?

É essa falta de racionalidade que mais me impressiona nos apoiadores mais aguerridos de Jair Bolsonaro que costumeiramente têm esse tipo de posição, e quando flagrados tentam operar um cavalo de pau para não ficar tão mal na fotografia.

Mas  é exatamente esse tipo de pessoa que se declara “gente de bem” que luta contra o mal, apenas para se revelarem essencialmente maus e desprovidos de niveis mínimos de empatia humana, e que não raramente se encontram enrolados com algum tipo de situação problemática.  Porém, como se surpreender com pessoas que se dispõe a apoiar a um político cuja coisa mais lembrada em seus 30 anos de congresso foi declarar apoio a um torturador do quilate do coronel Brilhante Ustra?

Fico ainda pensando nos líderes evangélicos que estão alinhados até o último de cabelo a Jair Bolsonaro e no que eles diriam a Cassio Cenali. O problema é que não tenho certeza que a maioria das declarações seria de apoio e reforço.

Homem nega marmita a eleitora de Lula e vídeo gera críticas | Itapetininga  e Região | G1

Por outro lado, a boa notícia é que ao ficar pública a humilhação imposta por Cassio Cenali, diversas organizações sociais (incluindo o MST) já se dispuseram a apoiar a habitante pobre de Itapeva. Há ainda a possibilidade de que ela tenha um encontro com seu candidato a presidente nos próximos dias. Se isso realmente acontecer, mesmo sem querer, Cenali terá prestado contribuição para a derrota de Jair Bolsonaro. 

 

Em editorial, “The Lancet” abre exceção, aborda eleição presidencial no Brasil e diz que país precisa de mudança urgente

Novos começos para a América Latina?

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Editorial

As apostas são altas para as próximas eleições presidenciais do Brasil. Se as previsões atuais estiverem corretas, o presidente Jair Bolsonaro será derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva, seja no primeiro turno, em 2 de outubro, ou no segundo turno, em 30 de outubro. . Há temores no país de que Bolsonaro, conhecido por sua volatilidade e incitação indireta à violência, não vá em silêncio. Ele já criticou o sistema de votação eletrônica do Brasil na presença de embaixadores estrangeiros.

O manejo desastroso de Bolsonaro com a pandemia de COVID-19 e seu desrespeito às mulheres, minorias étnicas, povos indígenas e meio ambiente são amplamente conhecidos. Durante o reinado de Bolsonaro, as medidas de proteção social foram prejudicadas pelo financiamento reduzido, as desigualdades e a pobreza aumentaram acentuadamente, e o Brasil voltou a aderir ao Mapa da Fome da ONU. De acordo com dados da 2ª Pesquisa Nacional de Insegurança Alimentar divulgados em junho, estima-se que 30,7% dos brasileiros estejam passando por insegurança alimentar moderada ou grave devido à combinação da pandemia, aumento do desemprego, enfraquecimento de programas sociais e desmantelamento de políticas de bem-estar. Mais de 3,5 anos do regime de Bolsonaro deixaram o Brasil em sua pior posição em décadas. As questões perenes de desigualdade, pobreza, e a corrupção continuam a prejudicar os brasileiros e sua saúde. A violência baseada em gênero e com armas ainda é galopante e a decisão de Bolsonaro de relaxar as leis de armas foi um passo na direção errada. Correspondência publicada emThe Lancet descreveu como cientistas e instituições científicas foram prejudicados. O Brasil precisa de uma mudança urgente.

Se as previsões para a eleição do Brasil estiverem corretas, ela se juntará a outros países latino-americanos onde há uma esperança renovada de mudança social progressiva. Os dois líderes mais recentemente eleitos na América Latina são Gustavo Petro (na Colômbia), ex-guerrilheiro que assumiu em agosto, e Gabriel Boric (no Chile), no cargo desde 11 de março. promessas de renovar a saúde e a educação, combater a corrupção e a pobreza e proteger os direitos dos trabalhadores, muitos ainda não produziram mudanças substanciais. Como Boric e Petro diferem está na inclusão de proteção climática e sustentabilidade, proteção dos direitos das mulheres e inclusão política de minorias étnicas em seus manifestos.

Pela primeira vez na história do Chile, a maior parte do gabinete e metade dos ministros são mulheres. A vice-presidente é Francia Márquez, ativista ambiental e de direitos humanos afro-colombiana. Boric tem uma forte agenda ambiental com um claro entendimento de que os combustíveis fósseis pertencem ao passado, uma espécie de exceção em uma região onde muitos governos ainda apoiam as exportações de mineração e petróleo. Em 4 de setembro, os chilenos votarão em um referendo sobre uma nova constituição, que inclui o direito ao aborto eletivo e afirma que o sistema nacional de saúde é universal. A Petro se comprometeu a combater a desigualdade fornecendo educação universitária gratuita, reformas previdenciárias e altos impostos sobre terras improdutivas. Os desafios são enormes,

A região também precisa de uma organização de saúde forte e líder para apoiar os Estados membros em seus esforços para melhorar a saúde e o bem-estar de suas populações. Um novo diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) será escolhido em votação secreta na 30ª Conferência Sanitária Pan-Americana de 26 a 30 de setembro. Brasil, Colômbia, México, Panamá, Haiti e Uruguai têm todos os candidatos indicados e o novo diretor começará um mandato de 5 anos em 1º de fevereiro de 2023. A estabilidade financeira está no topo da agenda dos candidatos, pois a OPAS estava perto da insolvência em 2020 , durante o primeiro ano da pandemia de COVID-19, com os estados membros atrasando os pagamentos e os EUA sob o presidente Trump interrompendo seu apoio à OMS. Mas a OPAS também precisa de uma agenda claramente priorizada, mais urgentemente, para examinar as lições aprendidas e as mudanças necessárias para a região após a pandemia.

Há uma chance sem precedentes de novos começos na América Latina; uma oportunidade de fazer mudanças positivas para aliviar a profunda negligência, desigualdade e violência. Esperemos que o Brasil escolha aproveitar esta oportunidade.

Para mais informações sobre a pobreza alimentar no Brasil, consulte https://olheparaafome.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Relatorio-II-VIGISAN-2022.pdf

Para saber mais sobre como os cientistas e a ciência brasileiros foram prejudicados, veja Correspondence Lancet 2021; 397: 373–74 e Correspondência Lancet 2022; 399: 23-24

Para saber mais sobre o programa tributário da Columbia, consulte https://www.ft.com/content/35d3eae3-5166-42f6-b0b0-a66c6c709116

Para mais informações sobre os candidatos a Diretor da OPAS, consulte World Report Lancet 2022 399: 2337–38

Para acessar o arquivo pdf deste artigo basta clicar Aqui!


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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela revista “The Lancet” [Aqui! ].

Lula recebe cartas com compromissos em defesa da Amazônia e das populações tradicionais extrativistas

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O Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), entregou ao candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), duas cartas de compromissos em defesa da Amazônia e dos territórios extrativistas, como símbolo de enfrentamento ao desmatamento e grilagem, e do fortalecimento das políticas públicas de gestão territorial e de produção da sociobiodiversidade. A ação aconteceu, nesta quarta-feira (31/08), no Museu da Amazônia (MUSA), localizado na zona leste de Manaus.

De acordo com o presidente do CNS, Júlio Barbosa, os documentos são garantias de defesa dos territórios protegidos, de políticas públicas, de compras públicas e de enfrentamento à violação dos direitos aos guardiões e protetores das florestas.

“Queremos também o enfrentamento à mineração ilegal, ao desmatamento, as queimadas e, sobretudo, a flexibilização das leis ambientais que querem mudar para ‘passar a boiada’ para legalizar as terras públicas griladas na Amazônia. Nós queremos discutir uma gestão territorial, onde se possa avançar no diálogo com os órgãos ambientais do estado brasileiro, para que a região possa ter uma co-participação nas tomadas das decisões, na relação do Estado com as populações tradicionais”, disse Júlio.

O evento recebeu representantes de organizações indígenas e movimentos sociais da região amazônica, e teve o objetivo de defender propostas que geram riqueza para os povos que vivem na região e que a biodiversidade da Amazônia seja estudada, e explorada adequadamente.

O CNS compôs a mesa do encontro e defendeu a defesa dos territórios e dos direitos sociais, além da geração de renda com base na sociobiodiversidade e modos de vida das populações extrativistas.

“Todos os dias perdemos milhares de hectares da nossa Amazônia para o desmatamento e a nossa luta não é só defender os seringais, mas defender a nossa casa, nossa mãe Amazônia, os extrativistas, que geram renda e proporcionam conservação. Estamos com o Lula para que a Amazônia volte a respirar, para que o Brasil volte a brilhar e o povo brasileiro volte a sonhar e ter esperança. Para ser um país que valorize seu povo e sua riqueza”, disse a diretora de Direitos Humanos do CNS, Silvia Elena.

Propostas para a Amazônia

Para Luiz Inácio, é necessário investir na biodiversidade da Amazônia. “Nós vamos mudar esse país. A nossa floresta será cuidada. A nossa biodiversidade será estudada, em parceria com pesquisadores do mundo inteiro, porque embora a Amazônia seja território soberano do Brasil, a riqueza produzida, a biodiversidade tem que ser aproveitada por todo habitante do planeta Terra. E vamos demarcar as terras que precisam ser demarcadas e cuidar para que as áreas não sejam invadidas”, disse o candidato.

Lula disse ainda que quer voltar com disposição para mudar a realidade do Brasil e que é possível mudar o aumento do desemprego, e da fome. “Esse país não pode continuar sendo governado por alguém que não gosta de indígena, não gosta de negro, não gosta de mulher, não gosta de sindicalistas, não gosta da Amazônia, não gosta do Cerrado, não gosta da Caatinga e que não gosta do povo. Esse povo tem que ser cuidado e é com esse compromisso que eu, junto com vocês, estou nessa disputa”, afirmou.

Lula em estilo professoral deixa clara sua superioridade sobre Jair Bolsonaro

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Como muitos brasileiros fizeram ontem, assisti à entrevista dada pelo ex-presidente Luís Inácio da Silva no “Jornal Nacional” da TV Globo.  Em termos gerais, como outros comentaristas já fizeram, ficou evidente  a capacidade do ex-presidente Lula em responder de forma rápida e confiante à maioria das perguntas vocalizadas por William Bonner e Renata Vasconcelos. 

Aliás, o que ficou também evidente é que a Rede Globo não está com redatoristas afiados o suficiente para deslocar os candidatos do seu prumo, fato que se repetiu nas três entrevistas já realizadas.  Por isso, por exemplo, a ênfase em centrar a arguição na questão da corrupção (o que, aliás, era esperado) rendeu a Lula a possibilidade de dar algumas das suas melhores respostas. Aliás, a ausência de perguntas sobre elementos cruciais da realidade como a fome e o desemprego mostra que quem preparou o roteiro da entrevista optou por tentar empurrar Lula para fora da realidade.

Porém, usando o espaço como melhor lhe favorecesse, eu diria que Lula nadou de braçada em várias partes da entrevista. Uma que eu citaria é aquele induz o telespectador a comparar os volumes de recursos no chamado “Mensalão” com o que está ocorrendo agora com o chamado “Orçamento Secreto” que segundo Lula reduziu o presidente Jair Bolsonaro ao papel de “bobo da corte”. Esses dois pontos foram, me permitam dizer, brilhantes.

Além disso, a própria ignorância dos dois entrevistadores, principalmente no tópico do agronegócio, possibilitou a Lula a possibilidade de apresentar sua visão, a la o presidente estadunidense no filme “Mars attack!, de que é possível que vivamos (ricos e pobres) como amigos, independente de ser sem terra ou um mega latifundiário como o ex-governador do Mato Grosso Blairo Maggi.

O interessante é que mesmo sob pressão, Lula não precisou recorrer a tantas mentiras como Jair Bolsonaro teve que fazer, como mostra o site “Aos fatos” que comparou as duas entrevistas. Aliás, para achar “mentiras” no que Lula falou, os checadores do “Aos fatos” precisaram apertar muito bem a lupa, o que revela o grau de conforto e conhecimento de conteúdo que o ex-presidente teve na formulação das suas respostas, ao contrário do que aconteceu com Jair Bolsonaro que sempre pareceu desconfortável ao dar suas respostas.

Nem tudo foi um mar de rosas, entretanto

Da minha posição de não eleitor de Lula, algumas de suas falas apaziguadoras (vamos chamar assim), não me surpreenderam. Desde a concessão de supostos erros, passando pelo quase endeusamento de Geraldo Alckmin, e chegando em uma defesa esdrúxula em prol alternância do poder, Lula mostrou que está mais disposto a ser ainda mais acomodador com as elites do que já foi em seus dois primeiros mandatos.

O problema aqui é menos eleitoral e mais político, pois muito do que tivemos desde 2016 foi fruto de uma desmobilização da base social que historicamente esteve ao lado do PT em prol de mudanças políticas no Brasil. E uma conjuntura interna e externa tão difícil, esperar que o simples chamado à união nacional em prol dos pobres seja atendido por aqueles que estão se beneficiando das políticas monetárias de Paulo Guedes (e é disso que se trata) beira a irresponsabilidade.

Compreendo que muita gente está apostando em Lula para retornar o Brasil a um mínimo de equilíbrio, em que pesem seus eventuais defeitos. Acredito que isto seja mais do que compreensível em vista do que esta acontecendo neste momento. Entretanto, como não sou nem eleitor de Lula ou militante do PT, o que me preocupa é o que vamos ter de fazer para recuperar todo o pouco espaço que foi ocupado antes do golpe parlamentar de 2016.

 

Jair Bolsonaro está lutando com todos os meios por sua sobrevivência

Extrema-Direita brasileira ameaça realizar violência política nas eleições presidenciais de outubro

Manifestação contra Jair Bolsonaro, que está tentando por todos os meios impedir que seu concorrente Lula ganhe as eleições.

Manifestação contra Jair Bolsonaro, que está tentando por todos os meios impedir que seu concorrente Lula ganhe as eleições.  Foto: imago/Fotoarena
Por Niklas Franzen para o Neues Deutschland

Dezenas de embaixadores se reuniram na capital Brasília no dia 18 de junho. O motivo: Jair Bolsonaro havia convidado para uma reunião no palácio presidencial . Em seu discurso, o extremista de direita, conhecido por seu jeito colérico, não mediu suas palavras: semeou dúvidas sobre o sistema de votação eletrônica e atacou duramente os juízes individuais do Supremo. Para muitos, as declarações de Bolsonaro foram mais uma indicação de que tempos tempestuosos estavam por vir para o Brasil.

O primeiro turno das eleições presidenciais acontecerá no maior país da América Latina no dia 2 de outubro. Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos, haverá um segundo turno em 30 de outubro. É provável que haja um grande confronto entre o titular Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva . Atualmente, o social-democrata Lula está muito à frente nas pesquisas. O maior ponto negativo para Bolsonaro é a crise econômica. A inflação e o desemprego estão atingindo novos máximos, os preços da energia estão disparando e milhões estão passando fome. O país até foi reintegrado no mapa mundial da fome da ONU. Vídeos nas redes sociais mostram pessoas procurando restos de comida no lixo.

Muitos ex-seguidores, portanto, se afastaram de Bolsonaro. No entanto, pesquisas mostram que cerca de um quarto da população apoia Bolsonaro. E seus seguidores são extremamente ativos – online e na rua. Além disso, Bolsonaro pode contar com o apoio das influentes igrejas evangélicas. Vários pastores chamaram abertamente dos púlpitos para votar em Bolsonaro. Especialmente nas favelas, as igrejas estão presentes e fazem um trabalho hábil de proselitismo. Segundo as previsões, os evangélicos poderão constituir a maioria da população brasileira em apenas 20 anos. Para as igrejas ultraconservadoras, o governo entregou em todos os sentidos: Bolsonaro nomeou a pastora Damares Alves ministra das famílias, implementou bilhões em alívio de dívidas, lutou contra o fechamento de igrejas durante o auge da pandemia. No início de junho, Bolsonaro esteve presente em um evento evangélico no Rio de Janeiro, onde subiu ao palco com pastores que oravam fervorosamente e protestou contra o aborto e uma suposta “ideologia de gênero” diante de milhares de fiéis.

Jair Bolsonaro também pode contar com proprietários de terras influentes, principalmente brancos. Embora receba muitas críticas internacionalmente por sua política ambiental, ele recebe apoio dessas forças para seu curso antiambiental. No ano passado, um grupo desses empresários chegou a financiar protestos antidemocráticos de torcedores de Bolsonaro, como revelou a pesquisa. Não é à toa que Bolsonaro está à frente nos estados do agronegócio, enquanto está atrás de Lula no Nordeste pobre e na populosa São Paulo.

Bolsonaro parece ciente de sua posição e está preparando tudo para contestar os resultados das eleições. Não só no encontro com os diplomatas ele espalhou mentiras sobre o sistema de votação eletrônica. Segundo Bolsonaro, a eleição de 2018 foi falsificada. Ele não fornece nenhuma evidência para suas declarações. O sistema de votação passou por um teste de segurança em maio sem problemas. Segundo muitos especialistas, Bolsonaro está tentando criar problemas para possivelmente iniciar uma ruptura institucional. Mas apenas muito poucos esperam um golpe clássico, simplesmente não há suporte para isso.

A mídia agora está relatando de forma extremamente crítica, para muitos brasileiros, que Jair Bolsonaro é a figura máxima do ódio e os militares não estão sem reservas ao lado do presidente, que é um capitão da reserva. Alguns não podem perdoar suas travessuras como um jovem soldado, enquanto outros ficam incomodados com seu tom grosseiro. Mas Bolsonaro goza de muito apoio, especialmente nos escalões inferiores. E os militares receberam privilégios de longo alcance do governo de direita. Enquanto Bolsonaro empunhava o machado em quase todas as outras áreas, os militares receberam alocações orçamentárias recordes e foram poupados de cortes na reforma previdenciária. Mais de 3.000 militares trabalham para o governo, cerca de 340 em cargos bem remunerados, muitas vezes sem as qualificações adequadas. Mesmo no auge da ditadura, não havia tantos. Vários ministros tinham anteriormente carreiras militares, e os militares estão cada vez mais assumindo funções civis, administrando quase um terço dos negócios estatais. É duvidoso que eles estejam dispostos a abrir mão desses privilégios. Não está claro se eles estão mais comprometidos com o presidente ou com a Constituição.

É uma triste certeza para muitos que haverá violência no decorrer das eleições. Em 9 de junho, um apoiador de Bolsonaro assassinou um político local do PT em seu aniversário. Muitos culpam Bolsonaro, que repetidamente pediu o assassinato de esquerdistas. E há temores de que Bolsonaro possa incitar seus apoiadores em caso de derrota eleitoral. Edson Fachin, juiz da Suprema Corte e chefe da Comissão Eleitoral, também fez recentemente uma avaliação sombria: “Podemos ver um incidente ainda mais sério do que a invasão do Capitólio em Washington em 6 de janeiro de 2021”.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deustachland” [Aqui!].

Bloomberg informa: Jair Bolsonaro pediu ajuda a Joe Biden para derrotar Lula em outubro

O pedido ocorreu na reunião de líderes na cúpula em Los Angeles. Bolsonaro já questionou legitimidade da própria eleição de Joe Biden 

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Os presidentes Jair Bolsonaro e Joe Biden conversam após fotografia oficial durante a 9ª Cúpula das Américas em Los Angeles, Califórnia, em 10 de junho. Fotógrafo: Chandan Khanna/AFP/Getty Images

Por Eric Martin para a “Bloomberg”

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro pediu ajuda ao presidente dos EUA, Joe Biden, em sua candidatura à reeleição durante uma reunião privada à margem de uma cúpula regional nesta semana, retratando seu oponente de esquerda como um perigo para os interesses dos EUA, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Durante a reunião desta quinta-feira, Joe Biden sublinhou a importância de preservar a integridade do processo eleitoral democrático do Brasil e, quando Bolsonaro pediu ajuda, o presidente dos EUA mudou de assunto, disse uma das pessoas presentes no encontro. Os comentários de Bolsonaro a Biden sobre seu rival, Luiz Inácio Lula da Silva, ecoaram suas advertências públicas sobre o ex-presidente de dois mandatos, segundo as pessoas, que pediram anonimato para discutir uma conversa privada. A assessoria de imprensa da presidência do Brasil não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, enquanto a assessoria de imprensa da Casa Branca se recusou a comentar imediatamente.

A reunião de quase uma hora, a primeira desde a eleição de Joe Biden em 2020, ocorreu principalmente em privado durante a Cúpula das Américas em Los Angeles. Bolsonaro disse a repórteres depois que ele e Biden “falaram superficialmente” sobre a eleição. Em comentários públicos no início de sua reunião, Biden disse que o Brasil tem uma democracia vibrante e inclusiva e instituições eleitorais fortes.

Pesquisas mostram Jair Bolsonaro atrás de Lula antes da eleição do Brasil em outubro. Lula ganharia 47% dos votos no primeiro turno, enquanto Bolsonaro ficaria com 29%, segundo pesquisa do instituto Quaest nesta quarta-feira.

Os EUA têm uma política permanente de não escolher um lado nas eleições de outras nações, dizendo que o voto deve refletir os desejos do povo do país. 

Ainda assim, os presidentes dos EUA muitas vezes se desviaram dessa máxima, como quando Barack Obama expressou sua oposição ao Brexit antes da votação. E a história está repleta de sucessivas administrações dos EUA apoiando líderes estrangeiros que estavam concorrendo às eleições – como Boris Yeltsin na Rússia na década de 1990. 

Bolsonaro, um aliado próximo do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, expressou nesta semana dúvidas sobre a legitimidade da vitória eleitoral de Biden. Em declarações a uma emissora de televisão local no Brasil em 7 de junho, Bolsonaro afirmou que houve fraude generalizada na eleição americana que Biden venceu, repetindo as teorias da conspiração que o ex-presidente dos EUA levantou consistentemente desde novembro de 2020.

Os comentários ecoaram as tentativas renovadas de Bolsonaro de desacreditar o sistema de votação eletrônica no Brasil, onde ele busca um segundo mandato.

As relações entre as duas maiores economias das Américas esfriaram. No entanto, em sua reunião na quinta-feira, a dupla parecia se dar bem, com o líder brasileiro descrevendo sua reunião como “sensacional” e “muito melhor” do que ele esperava. Em comentários à CNN Brasil, ele se disse “espantado” com seu colega norte-americano.

Após a foto oficial dos líderes regionais na conclusão da cúpula na sexta-feira,  Joe Biden permaneceu conversando com Jair Bolsonaro, tocando o líder brasileiro nas costas enquanto o presidente brasileiro colocava a mão no ombro do líder estadunidense. 

Lula, que foi presidente de 2003 a 2010, teve um bom relacionamento com o presidente dos EUA, Barack Obama, a quem Joe Biden atuou como vice, durante quase dois anos em que os dois se sobrepuseram como chefes de governo.

Falando de Lula durante uma cúpula do G20 em Londres em 2009, Obama disse: “Este é o meu homem” e “Eu amo esse cara”. 

— Com assistência de Josh Wingrove, Simone Preissler Iglesias e Nick Wadhams


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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela Agência Bloomberg [Aqui!].

A íntegra do discurso de Lula no lançamento sua nova candidatura a presidente

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Foto: Ricardo Stuckert

Confira abaixo o discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no lançamento do Movimento Vamos Juntos Pelo Brasil na manhã de hoje, 7, em São Paulo:

“Companheiros e companheiras,

Eu queria, em nome da Janja e da presidenta Dilma, parabenizar as mulheres brasileiras pelas conquistas que já obtiveram e pelas conquistas que ainda vão obter a partir das eleições de 2022.

Vocês não são maioria apenas numericamente. Vocês são maioria na capacidade de elaboração de propostas e na capacidade de luta.

Vocês só tem que fazer uma coisa: acreditar em vocês. Se vocês acreditarem, transformem isso na sua causa principal e as mulheres serão maioria em todos os lugares em que ontem parecia impossível. Um beijo para vocês e a minha solidariedade a todas as mulheres.

Eu queria dizer que eu fui surpreendido aqui, fui surpreendido aqui e vocês sabem que não podem provocar num jovem de 76 anos tantas emoções, porque, quem sabe, que o coração não aguente. Mas pelo fato de ser corintiano, o coração está mais batido, mais calejado, e não há emoção que consiga fazer com que isso aconteça comigo.

Hoje é um dia especial. Inclusive, saio daqui, Haddad, na expectativa de que nós vamos comer chuchu com lula. Saio daqui e acho que a nossa companheira Bela Gil só pra servir lula e chuchu, que acho que vai ser o prato predileto de todo o ano de 2022.

Esse prato se tornará o prato da moda no Palácio do Planalto a partir das eleições.

Mas meus amigos e minhas amigas.

É um momento muito especial na minha vida.

Especial por contar com vocês. Por ter conseguido, pela primeira vez, conseguido juntar todas as forças progressistas da política em torno de uma campanha. Especial, porque todos nós temos interesse político em resolver o drama que o Brasil está vivendo.

Eu quero, do fundo do coração, aos partidos que estão nos apoiando, porque, com vocês, a vitória será muito mais certa. E com vocês, a recuperação do Brasil será certeza absoluta, porque acho que nós vamos provar que o Brasil pode voltar a ser um país que cresce, que se industrializa, que gera emprego.

Então, muito obrigado a todos vocês que resolveram jogar todas as fichas nessa aliança que foi construída com muito amor, muito sacrifício, com muita discussão, mas finalmente nós conseguimos nos entender.

Quero começar falando da mais importante lição que aprendi em 50 anos de vida pública, oito dos quais presidindo este país: Governar deve ser um ato de amor. 

A principal virtude que um bom governante precisa ter é a capacidade de viver em sintonia com as aspirações e os sentimentos das pessoas, especialmente das que mais precisam. 

É se alegrar com cada conquista, com cada melhora na qualidade de vida do povo que ele governa.  

É compartilhar a felicidade da família que, graças ao Minha Casa, Minha Vida, toma pela primeira vez nas mãos a chave da tão sonhada casa própria, depois de uma vida inteira morando de aluguel em condições precárias. 

É se emocionar com aquela mãe que viveu anos e anos à luz de lamparina, e com a chegada do Luz para Todos pode finalmente contemplar a serenidade do seu filho dormindo à noite. 

É se alegrar com a avó que quando jovem era obrigada a partir um único lápis em dois pedaços para dar aos filhos. E que depois, com o Bolsa Família, pode comprar material escolar completo para a neta, até mesmo um estojo com lápis de todas as cores.

É comemorar junto com os filhos dos trabalhadores que se tornaram doutores, graças ao ProUni, ao FIES e à política de cotas na universidade pública. 

Mas não basta ao bom governante sentir como se fossem suas as conquistas do povo sofrido. 

Para governar bem, ele precisa ter também a sensibilidade de sofrer com cada injustiça, cada tragédia individual e coletiva, cada morte que poderia ser evitada. 

Infelizmente, nem todo governante é capaz de entender, sentir e respeitar a dor alheia.  

Não é digno desse título o governante incapaz de verter uma única lágrima diante de seres humanos revirando caminhões de lixo em busca de comida, ou dos mais de 660 mil brasileiros e brasileiras mortos pela Covid. 

Pode até se dizer cristão, mas não tem amor ao próximo. 

Em 2003, quando tomei posse como presidente da República, eu disse que se, ao final do meu mandato, todos os brasileiros tivessem pelo menos a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, eu teria cumprido a missão da minha vida.

Travamos contra a fome a maior de todas as batalhas, e vencemos. Mas hoje sei que preciso cumprir novamente a mesma missão. 

Tudo o que fizemos e o povo brasileiro conquistou está sendo destruído pelo atual governo. O Brasil voltou ao Mapa da Fome da ONU, de onde havíamos saído em 2014, pela primeira vez na história. 

É terrível, mas não vamos desistir, nem eu nem o nosso povo. Quem tem uma causa jamais pode desistir da luta. 

A causa pela qual lutamos é o que nos mantém vivos, é o que renova nossas forças e nos rejuvenesce. 

Sem uma causa, a vida perde o sentido.

Eu e todos nós que estamos juntos nessa hora, temos uma causa: restaurar a soberania do Brasil e do povo brasileiro. 

Meus amigos e minhas amigas.

O artigo primeiro da nossa Constituição enumera os fundamentos do Estado Democrático de Direito. E o primeiro fundamento é justamente a soberania. 

No entanto, a nossa soberania e a nossa democracia vêm sendo constantemente atacadas pela política irresponsável e criminosa do atual governo. 

Ameaçam, desmontam, sucateiam, colocam à venda nossas empresas mais estratégicas, nosso petróleo, nossos bancos públicos, nosso meio ambiente.

Entregam de mão beijada todo esse extraordinário patrimônio que não pertence a eles, e sim ao povo brasileiro. 

Destroem políticas públicas que mudaram a vida de milhões de brasileiros, e que eram admiradas e adotadas pelo mundo afora.

É mais do que urgente restaurar a soberania do Brasil. Mas defender a soberania não se resume à importantíssima missão de resguardar nossas fronteiras terrestres e marítimas e nosso espaço aéreo. 

É também defender nossas riquezas minerais, nossas florestas, nossos rios, nossos mares, nossa biodiversidade.

E é, antes de tudo, garantir a soberania do povo brasileiro e os direitos de uma democracia plena. 

É defender o direito à alimentação de qualidade, o bom emprego, o salário justo, os direitos trabalhistas, o acesso à saúde e à educação. 

Defender nossa soberania é também recuperar a política altiva e ativa que elevou o Brasil à condição de protagonista no cenário internacional.

O Brasil era um país soberano, respeitado no mundo inteiro, que falava de igual para igual com os países mais ricos e poderosos. 

E que ao mesmo tempo contribuía para o desenvolvimento dos países pobres, por meio de cooperação, investimento e transferência de tecnologia. Foi o que nós fizemos na América Latina e também na África. 

Defender a nossa soberania é defender a integração da América do Sul, da América Latina e do Caribe. É fortalecer novamente o Mercosul, a UnaSul, a Celac e os BRICS. 

É estabelecer livremente as parcerias que forem melhores para o país, sem submissão a quem quer que seja. É lutar por uma nova governança global.

O Brasil é grande demais para ser relegado a esse triste papel de pária do mundo, por conta da submissão, do negacionismo, da truculência e das agressões a nossos mais importantes parceiros comerciais, causando enormes prejuízos econômicos ao país.

Meus amigos e minhas amigas.

Defender nossa soberania é defender a Petrobras, que vem sendo desmantelada dia após dia. 

Colocaram à venda as reservas do Pré-Sal, entregaram a BR Distribuidora e os gasodutos, interromperam a construção de algumas refinarias e privatizaram outras. 

O resultado desse desmonte é que somos autossuficientes em petróleo, mas pagamos por uma das gasolinas mais caras do mundo, cotada em dólar, enquanto os brasileiros recebem os seus salários em real. 

O óleo diesel também não para de subir, sacrificando os caminhoneiros e fazendo disparar os preços dos alimentos. 

O botijão de gás chega a custar 150 reais, comprometendo o orçamento doméstico da maioria das famílias brasileiras. 

Nós precisamos fazer com que a Petrobras volte a ser uma grande empresa nacional, uma das maiores do mundo.

Colocá-la de novo a serviço do povo brasileiro e não dos grandes acionistas estrangeiros. Fazer outra vez do Pré-Sal o nosso passaporte para o futuro, financiando a saúde, a educação e a ciência. 

Defender a nossa soberania é defender também a Eletrobrás daqueles que querem o Brasil eternamente submisso. 

A Eletrobrás é a maior empresa de geração de energia da América Latina, responsável por quase 40% da energia consumida no Brasil. 

Foi construída ao longo de décadas, com o suor e a inteligência de gerações de brasileiros. Mas o atual governo faz de tudo para entregá-la a toque de caixa e a preço de banana. 

O resultado de mais esse crime de lesa-pátria seria a perda da nossa soberania energética. 

Perder a Eletrobrás é perder Chesf, Furnas, Eletronorte e Eletrosul, entre outras empresas essenciais para o desenvolvimento do país. 

É perder também parte da soberania sobre alguns dos nossos principais rios, como o rio Paraná e  o São Francisco

É dizer adeus a programas como o Luz para Todos, responsável por trazer para o século 21 cerca de 16 milhões de brasileiros que antes viviam na escuridão. 

É aumentar ainda mais a conta de luz, que hoje já pesa não apenas no bolso do trabalhador, mas também no orçamento da classe média. 

Defender nossa soberania é defender os bancos públicos. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica, o BNDES, o BNB e o Basa foram criados para fomentar o desenvolvimento do país. 

Para garantir o crédito barato a quem quer produzir e gerar empregos.  

Para financiar as obras de saneamento e a construção de apartamentos e casas para a população de baixa renda e a classe média. 

Para apoiar a agricultura familiar e os pequenos e médios produtores rurais. Porque nenhum país será soberano se não cuidar de quem produz 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa.

Defender a nossa soberania é defender as universidades e as instituições de apoio à ciência e à tecnologia dos ataques do atual governo. 

Porque um país que não produz conhecimento, que persegue seus professores e pesquisadores, que corta bolsas de pesquisa e reduz os investimentos em ciência e tecnologia está condenado ao atraso. 

Nos nossos governos, nós mais que triplicamos os recursos direcionados para o CNPq, a Capes e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. 

Eles saltaram de R$ 4 bilhões e 500 milhões em 2002, para R$ 13 bilhões e 970 milhões em 2015. 

Já com o atual governo, esses investimentos recuaram para R$ 4 bilhões e 400 milhões, valor menor que aquele de 20 anos atrás. 

Defender a soberania do Brasil é investir na infraestrutura capaz de transformar o país e a vida de seu povo, aumentar a produtividade da economia e criar as bases para o progresso e o futuro. 

Mas o atual governo não cuida da infraestrutura que este país precisa. 

Paralisaram obras importante que estavam em andamento. Tentam se apropriar de outras que receberam praticamente concluídas. 

É o caso da Transposição do São Francisco, uma obra sonhada desde os tempos do império, que nós tornamos realidade para que 12 milhões de brasileiros tivessem finalmente água jorrando de suas torneiras. 

Nossos governos não só planejaram e conceberam a transposição, como fizeram 88% das obras. Mas eles tentam enganar o povo dizendo que foram eles que construíram tudo.

Defender a nossa soberania é defender a Amazônia da política de devastação posta em prática pelo atual governo 

Nos nossos governos, reduzimos em 80% o desmatamento da Amazônia, contribuindo para diminuir a emissão dos gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global.

Mas os cuidados com o meio ambiente vão além da defesa da Amazônia e dos outros biomas. 

É preciso voltar a investir em saneamento básico, como fizemos nos nossos governos. 

Acabar com o esgoto a céu aberto e cuidar da destinação do lixo e das pessoas que vivem da coleta de materiais recicláveis.

Cuidar do meio ambiente é, antes de tudo, cuidar das pessoas. É buscar a convivência pacífica entre o desenvolvimento econômico e o respeito à flora, à fauna e aos seres humanos. 

A transição para um novo modelo de desenvolvimento sustentável é um desafio planetário. 

Também nesse sentido, temos muito a aprender com os povos indígenas, guardiões ancestrais do meio ambiente. 

Defender a nossa soberania é garantir a posse de suas terras aos povos indígenas, que estavam aqui milhares de anos antes da chegada dos portugueses, e que foram capazes de cuidar delas melhor do que ninguém.  

E que agora estão vendo seus territórios invadidos ilegalmente por garimpeiros, grileiros e madeireiros. 

O resultado desse crime continuado, que acontece com a conivência do atual governo, vai além da destruição de florestas e rios. 

Compromete também a sobrevivência física dos povos indígenas, e não poupa sequer as crianças, como nós vimos recentemente numa aldeia Yanomami.

E é dever do Estado garantir a segurança e o bem-estar de todos os seus cidadãos e cidadãs, que merecem – e devem – ser tratados com respeito. 

Nunca um governo como este que aí está estimulou tanto o preconceito, a discriminação e a violência. 

Nenhum país será soberano enquanto mulheres continuarem a ser assassinadas pelo fato de serem mulheres.

Enquanto pessoas continuarem a ser espancadas e mortas por conta de sua orientação sexual.

Enquanto não forem combatidos com rigor o extermínio da juventude negra e o racismo estrutural que fere, mata e nega direitos e oportunidades.

Minhas amigas e meus amigos.

Somos o terceiro maior produtor mundial de alimentos. Somos o maior produtor de proteína animal do mundo.

Produzimos comida em quantidade mais do que suficiente para garantir alimentação de qualidade para todos. No entanto, a fome voltou ao nosso país. 

Não haverá soberania enquanto 116 milhões de brasileiros sofrerem algum tipo de insegurança alimentar.

Enquanto 19 milhões de homens, mulheres e crianças forem dormir todas as noites com fome, sem saber se terão um pedaço de pão para comer no dia seguinte. 

Não haverá soberania enquanto dezenas de milhões de trabalhadores continuarem submetidos ao desemprego, à precarização e ao desalento. 

Nós fomos capazes de gerar mais de 20 milhões de empregos com carteira assinada e todos os direitos garantidos. 

Enquanto eles destruíram direitos trabalhistas e geraram mais desemprego e mais sofrimento na vida do povo trabalhador.

É preciso avançar numa legislação que garanta todos os direitos dos trabalhadores.

Que estimule a negociação em bases civilizadas e justas entre patrões, empregador e empregados, governo e, porque não dizer, até envolvendo as universidades.

Que contribua para criar melhores empregos, e faça girar a roda da economia.

Não é possível que o reajuste da maioria das categorias profissionais fique abaixo da inflação, ao contrário do que acontecia em nossos governos.

Não é possível que o salário mínimo continue perdendo poder de compra ano após ano. Nos nossos governos, ele subiu 74% acima da inflação, aumentando o consumo e aquecendo a economia.

Se os trabalhadores não têm dinheiro para comprar, os empresários não terão para quem vender. Isso leva ao que assistimos hoje: o fechamento de fábricas em São Paulo, na Bahia, na Zona Franca de Manaus e outras regiões, inclusive muitas multinacionais deixando o Brasil.

Precisamos também criar um ambiente fértil ao empreendedorismo, para que possam florescer o talento e a criatividade do povo brasileiro.

Este país precisa voltar a criar oportunidades, para que as pessoas possam viver bem, melhorar de vida e tornar seus sonhos realidade.

Hoje, vivemos uma situação desoladora. Um país cujo maior desejo de sua juventude é ir embora para o exterior em busca de oportunidades, esse país nunca será soberano. 

Precisamos voltar a investir em educação de qualidade, da creche ao pós-doutorado.

Não haverá soberania enquanto a educação continuar a ser tratada como gasto desnecessário, e não como investimento essencial para fazer do Brasil um país desenvolvido e independente.  

Nos nossos governos, triplicamos os investimentos em educação, que saltaram de R$ 49 bilhões de reais em 2002 para R$ 151 bilhões em 2015. 

Mas o atual governo vem reduzindo os investimentos a cada ano. O resultado é que o orçamento do MEC para 2022 é o menor dos últimos dez anos. 

Assim como a educação, também a saúde tem sido tratada com descaso pelo atual governo.

Hoje, faltam investimentos, profissionais de saúde e medicamentos. Sobram doenças e mortes que poderiam ser evitadas.

Não fossem o SUS e os corajosos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, a irresponsabilidade do atual governo nessa pandemia teria custado ainda mais vidas.  

Um dos maiores orgulhos dos nossos governos foi cuidar com muito carinho da saúde do povo brasileiro.

Criamos o Samu, o Farmácia Popular, as UPAs 24 horas. Fizemos o Mais Médicos, e levamos profissionais da saúde às periferias das grandes cidades e às regiões mais remotas do Brasil. 

Nós praticamente dobramos o orçamento da saúde, que passou de R$ 64 bilhões e 800 milhões em 2003 para R$ 120 bilhões e 400 milhões em 2015. 

Nenhum país será soberano se o seu povo não tiver acesso a saúde, educação, emprego, segurança e alimentação de qualidade. Mas a cultura também precisa ser tratada como um bem de primeira necessidade.

Não haverá soberania enquanto o atual governo continuar tratando a cultura e os artistas como inimigos a serem abatidos, e não como geradora de riqueza para o país e um dos maiores patrimônios do povo brasileiro.

Nós precisamos de música, cinema, teatro, dança e artes plásticas. Precisamos de livros em vez de armas. 

A arte preenche nossa existência. Ela é ao mesmo tempo capaz de retratar e reinventar a realidade. A vida como ela é, e como ela poderia ser. 

Sem a arte, a vida fica mais dura, perde um dos seus maiores encantos. Por isso, nós vamos apostar muito na cultura e transformar a cultura numa indústria de fazer dinheiro e gerar emprego nesse país, para o povo viver dignamente.

Meus amigos e minhas amigas.

Durante nossos governos, promovemos uma revolução democrática e pacífica neste país. O Brasil cresceu, e cresceu para todos. 

Combinamos crescimento econômico com inclusão social. O Brasil se tornou a sexta maior economia do planeta, e, ao mesmo tempo, referência mundial no combate à extrema pobreza e à fome. 

Deixamos de ser o eterno país do futuro, para construirmos nosso futuro no dia a dia, em tempo real. 

Mas o atual governo fez o Brasil despencar para a 12ª posição do ranking das maiores economias. E a qualidade de vida também caiu de forma assustadora, e não apenas para os mais necessitados. 

Os trabalhadores e a classe média também foram atingidos em cheio pelo aumento descontrolado da gasolina, dos alimentos, dos planos de saúde e das mensalidades escolares, entre tantos outros custos que não param de subir. 

Viver ficou muito mais caro.

Neste primeiro trimestre de 2022, a renda familiar dos brasileiros desabou para o menor nível dos últimos dez anos. O resultado é que 77,7% das famílias estão endividadas. 

E o mais triste é que grande parte dessas famílias estão se endividando não para pagar a viagem de férias com os filhos, ou a reforma da casa própria, ou a compra de uma televisão ou de uma geladeira.

Elas estão se endividando para comer.

Ou seja: o Brasil voltou a um passado sombrio que havíamos superado.

É para conduzir o Brasil de volta para o futuro, nos trilhos da soberania, do desenvolvimento, da justiça e da inclusão social, da democracia e do respeito ao meio ambiente, que precisamos voltar a governar este país. 

O grave momento que o país atravessa, um dos mais graves da nossa história, nos obriga a superar eventuais divergências para construirmos juntos uma via alternativa à incompetência e ao autoritarismo que nos governam.

Nunca me esqueço das palavras do saudoso Paulo Freire, o maior educador brasileiro de todos os tempos, uma das principais referências da pedagogia mundial, cujo centenário de nascimento comemoramos justamente em 2022.

Dizia o nosso querido Paulo Freire:  

“É preciso unir os divergentes, para melhor enfrentar os antagônicos”.

Vocês perceberam que parece que o Alckmin tinha lido a mesma frase do Paulo Freire quando ele fez o discurso dele, e nem eu sabia do discurso do Alckmin, nem ele sabia do meu.

Vocês percebem que nós estamos pensando muito parecido e vocês vão perceber que o prato chuchu e lula vai ser um prato extraordinário, que vocês vão poder começar a comer hoje, aqui em São Paulo.

E voltando aos estados de vocês, comam bastante, que o Brasil vai precisar de muita saúde. Tem muita, muita energia esse prato, vocês podem ter certeza disso.

Sim, queremos unir os democratas de todas as origens e matizes, das mais variadas trajetórias políticas, de todas as classes sociais e de todos os credos religiosos.

Para enfrentar e vencer a ameaça totalitária, o ódio, a violência, a discriminação, a exclusão que pesam sobre o nosso país. 

Queremos construir um movimento cada vez mais amplo de todos os partidos, organizações e pessoas de boa vontade que desejam a volta da paz e da concórdia ao nosso país.

Este é o sentido da união de forças progressistas e democráticas formada pelo PT, PC do B, PV, PSB, PSOL, Rede e Solidariedade. 

Todos dispostos a trabalhar não apenas pela vitória em 2 de outubro, mas pela reconstrução e transformação do Brasil.

Tenho o orgulho e muito orgulho de contar com o companheiro Geraldo Alckmin nessa nova jornada. 

Alckmin foi governador enquanto eu era presidente. Somos de partidos diferentes, fomos adversários, mas também trabalhamos juntos e mantivemos o diálogo institucional e o respeito pela democracia.

Tive em Alckmin um adversário leal. E estou feliz por tê-lo na condição de aliado, um companheiro cuja lealdade sei que jamais faltará – nem a mim, e muito menos a vocês e ao Brasil.

Minhas amigas e meus amigos.

Quando governamos o país, o diálogo foi a nossa marca registrada.

Criamos importantes mesas de negociação e conselhos de participação da sociedade civil junto a todos os ministérios.

Além disso, realizamos 74 conferências, em âmbito municipal, estadual e nacional, com participação de milhões de pessoas, para discutir os mais diferentes temas: saúde, educação, juventude, igualdade racial, direitos da mulher, comunicação e segurança pública, entre tantos outros.

Dessa extraordinária participação popular nasceram várias políticas públicas que mudaram o Brasil. 

E agora precisamos de novo mudar o Brasil.

Vamos precisar convocar tudo outra vez. Chamar todas as pessoas.

Algumas pessoas já não existem mais, mas nós renascemos nos nossos filhos, renascemos nos nossos netos, renascemos nos nossos bisnetos e nós vamos encontrar mais ávida, com mais vontade de lutar, do que aqueles que lutaram no nosso governo.

Para isso, em vez de promessas, apresento o imenso legado de nossos governos. Fizemos muito, mas tenho consciência que ainda é preciso, e é possível, fazer muito mais.

Precisamos colocar novamente o Brasil entre as maiores economias do mundo. 

Reverter o acelerado processo de desindustrialização do país.

Criar um ambiente de estabilidade política, econômica e institucional que incentive os empresários a investirem outra vez no Brasil, com garantia de retorno seguro e justo, para eles e para o país.

Fui vítima de uma das maiores perseguições políticas e jurídicas da história deste país, fato reconhecido pela Suprema Corte Brasileira e pela Organização das Nações Unidas. 

Mas não esperem de mim ressentimentos, mágoas ou desejos de vingança.

Primeiro, porque não nasci para ter ódio, nem mesmo daqueles que me odeiam. 

Mas também porque a tarefa de restaurar a democracia e reconstruir o Brasil exigirá de cada um de nós um compromisso de tempo integral. 

Não temos tempo a perder odiando quem quer que seja.

Não faremos jamais como o nosso adversário, que tenta mascarar a sua incompetência brigando o tempo todo com todo mundo, e mentindo sete vezes por dia. A verdade liberta, e o Brasil precisa de paz para progredir. 

Meus amigos e minhas amigas.

Em setembro próximo, o Brasil completa 200 anos de Independência. Mas poucas vezes na história a nossa independência esteve tão ameaçada. 

Felizmente, vamos comemorar o 7 de setembro a menos de um mês das eleições de 2 de outubro, quando o Brasil terá a oportunidade de reconquistar a sua soberania. 

Quando o Brasil terá a oportunidade de decidir que país vai ser pelos próximos anos, e pelas próximas gerações. 

O Brasil da democracia ou do autoritarismo? Da verdade ou das sete mentiras contadas por dia? Do conhecimento e da tolerância ou do obscurantismo e da violência? Da educação e da cultura ou dos revólveres e dos fuzis?

Um país que fortaleça e incentive a sua indústria ou assista parado à sua destruição? O exportador de bens de valor agregado ou o eterno exportador de matéria-prima? 

O país do Estado de Bem Estar Social ou do Estado Mínimo, que nega o mínimo à maioria da população?

O país que defende o seu meio ambiente, ou o que abre a porteira e deixa passar a boiada?

O Brasil que garante saúde, educação e segurança para todos os brasileiros e brasileiras, ou somente para os mais ricos que podem pagar por elas? 

Nunca foi tão fácil escolher. Nunca foi tão necessário a gente fazer a escolha certa.

Mas é preciso dizer com toda clareza: para sair da crise, crescer e se desenvolver, o Brasil precisa voltar a ser um país normal, no mais alto sentido da palavra. 

Não somos a terra do faroeste, onde cada um impõe a sua própria lei. Não! 

Temos a lei maior – a Constituição – que rege a nossa existência coletiva, e ninguém, absolutamente ninguém, está acima dela, ninguém tem o direito de ignorá-la ou de afrontá-la. 

A normalidade democrática está consagrada na Constituição. É ela que estabelece os direitos e obrigações de cada poder, de cada instituição, de cada um de nós. 

É imperioso que cada um volte a tratar dos assuntos de sua competência. Sem exorbitar, sem extrapolar, sem interferir nas atribuições alheias. 

Chega de ameaças, chega de suspeições absurdas, chega de chantagens verbais, chega de tensões artificiais. 

O país precisa de calma e tranquilidade para trabalhar e vencer as dificuldades atuais. E decidirá livremente, no momento que a lei determina, quem deve governá-lo.

Nós queremos governar para trazer de volta o modelo de crescimento econômico com inclusão social que fez o Brasil progredir de modo acelerado e tirou 36 milhões de brasileiros e brasileiras da extrema pobreza.

Queremos voltar para que ninguém nunca mais ouse desafiar a democracia. E para que o fascismo seja devolvido ao esgoto da história, de onde jamais deveria ter saído.

Nós temos um sonho. Somos movidos a esperança. E não há força maior que a esperança de um povo que sabe que pode voltar a ser feliz.

A esperança de um povo que sabe que pode voltar a comer bem, ter um bom emprego, um salário digno e direitos trabalhistas. Que pode melhorar de vida e ver os filhos crescendo com saúde até chegar à universidade e virar doutor.

É preciso mais do que governar – é preciso cuidar. E nós vamos outra vez cuidar com muito carinho do Brasil e do povo brasileiro.

Queridas companheiros e companheiras.

O que nós estamos fazendo aqui hoje é mais do que um ato político, é uma conclamação. Aos homens e mulheres de todas as gerações, todas as classes, todas as religiões, todas as raças, todas as regiões do país. Para reconquistar a democracia e recuperar a nossa soberania. 

E eu tenho certeza que vocês e outros milhões que estão nos assistindo, e outros milhões que ainda têm dúvidas, e outros milhões que ainda respondem “não sei”, eu tenho certeza que, a hora que começar o trabalho de viajar pelo Brasil, de conversar com o povo e cada um de vocês começar a falar a verdade para esse país, eu tenho certeza que nós vamos conseguir fazer a maior revolução pacífica que a história do mundo conhece.

Eu quero outra vez agradecer a vocês, a cada um de vocês. Quando eu vi o Requião aqui e vi toda a briga do Requião em defesa da soberania nacional, eu queria te dizer, companheiro Requião, que você é um jovem de 81 anos de idade e, pelo que eu te conheço, você vai ter energia o suficiente para a gente comemorar junto na praça pública a recuperação da soberania brasileira, a recuperação da industrialização desse país, a recuperação da liberdade de cada um ser o que quiser e viver como quiser, e cada um ser democrático.

Eu sonho com isso.

Por isso, estou comprando essa briga.

Por isso, eu quero terminar dizendo: companheira Dilma, que bom que você está aqui. Porque tem muita gente, na perspectiva de criar confusão entre nós dois, fala assim para mim “ah, você vai levar a Dilma para o ministério?, você vai levar o Zé Dirceu para o ministério?”. Nem eu vou levar e nem a Dilma caberia num ministério. Porque ela tem a grandeza de ter sido a primeira mulher a ser presidenta da história desse país.

Eu quero te dizer, Dilma, que você não vai ser minha ministra, mas você vai ser minha companheira de todas as horas, como você foi desde o dia que nós nos conhecemos. As pessoas desse país precisam aprender o que é relação de companheirismo, o que é relação de amizade.

Eu quero dizer para todos vocês: quero voltar efetivamente com o coração mais brando do que eu já tive. A presença da Janja aqui e o que ela falou é a consagração: eu estarei casando esse mês e, portanto, vocês têm que saber que um cara que tem 76 anos e está apaixonado como estou, que está querendo casar, só pode fazer o bem para esse país que tem tanta gente com a cabeça doente e nós vamos curar esse país.

Companheiros e companheiras, eu quero agradecer a todos vocês que vieram para cá, mas sobretudo quero agradecer ao pessoal que trabalhou à noite para organizar isso aqui. A gente chega aqui e está tudo montadinho, carpete, tudo, mas teve um grupo de pessoas que a gente nem conhece, mas que trabalhou até a hora que nós começamos a falar para que a gente pudesse realizar esse nosso sonho.

A partir de agora, se preparem, porque nós vamos começar a percorrer esse país. Nós queremos muita gente na rua, muitos aliados.

E ninguém pode ter medo de provocação! É proibido ter medo de provocação. É proibido ter medo de fake news. É proibido ter medo de provocações via zap, via Instagram. Nós vamos vencer essa disputa pela democracia distribuindo sorrisos, distribuindo carinho, distribuindo amor, distribuindo amor e criando harmonia.

Um abraço companheiros e até o dia 2 de outubro, se Deus quiser.

Eu tenho certeza que nós precisamos muito que Deus abençoe a todos nos, que Deus abençoe a todo o país, porque esse país está precisando da graça para poder se livrar desse autoritarismo que nós temos governando.

Do fundo do coração, um beijo para todos vocês.”

Desastre ambiental no Brasil: Jair Bolsonaro passeia de jet ski em vez de enviar ajuda

Inundações severas no Brasil. O presidente Bolsonaro está de férias. Bahia aceita ajuda da Argentina

chuvas bahiaMorador de Dario Meira na Bahia tentou na última terça-feira resgatar alguns pertences a cavalo

Por Frederic Schnatterer para o JungeWelt

O chefe de estado da ultradireita Jair Bolsonaro passou os dias próximos ao Ano Novo no estado brasileiro de Santa Catarina. Enquanto outras regiões do país sofriam fortes inundações,  Jair Bolsonaro se divertia no jet ski ou no parque de diversões, como mostram as imagens da TV. Para interromper as férias, o presidente finalmente foi movido por dores abdominais na segunda-feira. Ele deu entrada em um hospital de São Paulo na madrugada (hora local) para tratamento.

De acordo com as autoridades locais, no domingo, o estado de emergência foi declarado para 153 comunidades no estado da Bahia, devido ao recorde de chuvas, e 124 vilas e cidades no leste de Minas Gerais. A emissora de notícias latino-americana Telesur informou que pelo menos 31 pessoas já morreram nas enchentes . Além disso, há dezenas de feridos  e dezenas de milhares de pessoas tiveram que deixar suas casas para chegar a um local seguro. Diversos meios de comunicação noticiaram que as chuvas estão diminuindo novamente, principalmente na Bahia. Para as demais regiões do Brasil, porém, a previsão é de fortes chuvas nos próximos dias.

Na quinta-feira, o Bolsonaro – já de férias – recusou uma oferta de ajuda da Argentina, país vizinho ao sul. Ignorando a situação dramática, ele afirmou através do Twitter que o suporte “não era necessário” no momento. Em sua “live” diária, que é transmitida semanalmente nas redes sociais, ele agradeceu ao presidente argentino Alberto Fernández pela oferta. Ao mesmo tempo, porém, afirmou que “dez pessoas não nos ajudariam no momento e podem causar ainda mais dificuldades”. O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, já havia se oferecido para usar dez chamados capacetes brancos na Bahia, que poderiam, por exemplo, tratar água potável, desinfetar áreas ou aconselhar as autoridades locais.

O governador do Partido dos Trabalhadores (PT) da Bahia, Rui Costa, que já havia afirmado que foi “a pior catástrofe da história baiana”, condenou a oposição de Bolsonaro. Ele anunciou também no Twitter que seu estado aceitaria o auxílio argentino, independentemente da atitude do governo federal. E acrescentou: “Falo a todos os países do mundo: a Bahia aceitará qualquer ajuda neste momento – diretamente, sem que passe pelos canais diplomáticos oficiais”. Costa descreveu 21 milhões de euros oferecidos pelo governo federal para dar conta das consequências das chuvas como “totalmente inadequados”.

Bolsonaro afirmou que o motivo da rejeição da ajuda argentina não se deveu a divergências ideológicas com o governo de Buenos Aires, e que Brasília em geral estava aberta a ofertas semelhantes. Grande parte do público brasileiro não acredita nisso. Fernández é conhecido por criticar duramente o governo brasileiro e é considerado amigo do ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva. O político do Partido dos Trabalhadores (PT), que governou o Brasil de 2003 a 2010 e foi afastado impedido de participar das eleições de 2018 com a ajuda de uma acusação que agora foi claramente identificada como politicamente motivada, deve concorrer contra Bolsonaro nas eleições presidenciais de outubro. Enquanto o apoio à ultradireita continua diminuindo e, segundo a última pesquisa do Datafolha de 17 de dezembro, é de apenas 21%, enquanto Lula deve receber 47% dos votos.

Lula ainda não anunciou oficialmente sua candidatura. Na sexta-feira, porém, ele se dirigiu aos seus compatriotas no estilo de um futuro chefe de Estado. Em saudação de Ano Novo, disse que em 2022 trabalhará para garantir “que todos os brasileiros possam levar uma vida com dignidade e que tenhamos de volta um país que nos enche de orgulho”. Lula também expressou solidariedade aos moradores das regiões inundadas.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

Dificuldades sociais em um Brasil onde a fome voltou

Um ano antes das eleições, o país está afundando em uma profunda crise econômica. Enquanto isso, o presidente da extrema direita Jair Bolsonaro planeja comprar os votos dos pobres. Ele terá sucesso?

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“Fiquei muito frugal” diz Aline Conceição, da favela do Campinho, no norte da cidade do Rio de Janeiro, que vende doces e chicletes para sobreviver

Por Philipp Lichterbeck (texto e foto),  no Rio de Janeiro, para o “Woz”

Quando o despertador de Aline Conceição toca às três da manhã, ela se levanta do colchão em que dorme com as duas filhas e o filho. Ela entra no minúsculo banheiro de sua casa e se lava com água de um balde. Enquanto isso, sua filha mais velha está fazendo café e enchendo-o em garrafas térmicas.

Ainda está escuro quando Conceição, de 39 anos, empurra a porta de metal de um caminho que passa pela favela do Campinho, em um morro na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Carregada com seis garrafas térmicas e centenas de sachês com balas e chicletes, ela desce a favela até uma rodoviária. Ela espera que hoje esteja na catraca o guarda que sempre vai deixá-la passar sem passagem.

A afro-brasileira então dirige até a parada final e aumenta sua modesta gama de produtos. “Começo a vender às cinco”, diz Conceição, “todos os dias, exceto aos domingos”.

Ela trabalha até a hora do almoço, depois aparece outro traficante, com quem ela concordou em não competir. “Num dia bom ganho sessenta reais”, diz Aline Conceição, o que equivale a dez francos. “Mas normalmente é menos.” Em todas as horas em que fica parada no ponto de ônibus, Conceição toma café e come um pãozinho com ovo que ela mesma fez naquela manhã. “Tornei-me muito frugal”, diz ela, “a vida no Rio tornou-se cara.”

A espinha dorsal da sociedade

Conceição é uma entre cerca de 35 milhões de pessoas que trabalham no setor informal no Brasil, ou seja, por conta própria e sem qualquer tipo de segurança. Eles vendem algo na rua ou oferecem serviços, como lavagem de carros. As informações representam cerca de 40% da população ativa do Brasil, formam a espinha dorsal de uma sociedade que entraria em colapso sem iniciativa própria. No entanto, eles são pobres.

Antes da pandemia, isso significava que eles nunca ganharam o suficiente para crescer socialmente, mas sempre poderiam sobreviver. Isso mudou. O Brasil vive uma profunda crise econômica com desemprego e inflação. Colocou pessoas como Aline Conceição em risco de não conseguirem se alimentar adequadamente. Eles estão ameaçados de fome e desnutrição. Esse risco é ainda maior para os cerca de 14 milhões de brasileiros oficialmente registrados como desempregados, uma taxa de 13%.

Em 2014, a fome no Brasil foi considerada vencida, quando a Organização Mundial da Alimentação (FAO) retirou o país do mapa mundial da fome. Agora ele está de volta com força total. Há cinco anos, os especialistas observam um aumento do problema que se intensificou com a pandemia. De acordo com a rede brasileira de pesquisa em segurança alimentar e nutricional, Rede Penssan, mais de 116 milhões de brasileiros foram afetados pela insegurança alimentar no final de 2020. Mais da metade deles não comia mais o suficiente ou já estava morrendo de fome.

Isso pode ser sentido em todo o país. Não apenas nas favelas e áreas rurais empobrecidas, mas principalmente nos centros das cidades. Milhares fazem fila todos os dias para almoços grátis, e mais e mais moradores de rua estão construindo seus aposentos nas calçadas. Um exército de comerciantes ambulatoriais circula pelos ônibus e trens suburbanos, vendendo tudo o que é possível: fones de ouvido, chocolate, cremes e produtos frequentemente roubados.

Cada vez mais pessoas são obrigadas a oferecer algo na rua, mesmo que sejam apenas coisas que retiraram do lixo. Cada vez mais as crianças entram nos restaurantes com as mãos abertas e os estranhos no supermercado perguntam se você pode comprar uma lata de leite em pó ou um pacote de açúcar para elas.

Muitos só se deram conta da situação quando alguns jornais publicaram fotos mostrando pessoas cavando ossos e restos de carne.

Aline Conceição e seus filhos também sofrem o que os especialistas chamam de insegurança alimentar. Embora Conceição trabalhe cerca de 54 horas semanais, não sobra dinheiro na frente e atrás. Desde o início da pandemia, Conceição recebe cestas básicas, que são distribuídas na favela do Campinho pela Pastoral da Criança, uma organização católica. Contém alimentos não perecíveis: arroz, feijão, macarrão, óleo, sal, açúcar. Mas a família não consegue comprar frutas há muito tempo, por exemplo.

“Sem a ajuda alimentar, teríamos que passar fome”, diz Conceição. “É disso que tenho medo.” É um alívio que seus três filhos, com idades entre sete e dezessete anos, estejam voltando para a escola e fazendo duas refeições por dia. “Mas e se houver outro bloqueio?”, Pergunta a mãe.

Pacotes cada vez menores de mantimentos

É graças às doações de empresas, ONGs, igrejas e particulares que ainda não houve fome no Brasil. No entanto, isso não está totalmente descartado. Porque a disposição para doar diminuiu drasticamente com o aparente fim da pandemia. “Nossas cestas básicas estão cada vez menores e não podemos mais distribuí-las semanalmente”, diz Claudia Soares, coordenadora da pastoral infantil de Campinho.

Pode parecer um pouco estranho, mas morar em uma favela é vantajoso financeiramente para Aline Conceição. Há alguns anos comprou cerca de 35 metros quadrados de um terreno em Campinho – na época trabalhava como caixa em um ônibus, trabalho que hoje fazem as máquinas – e construiu uma casinha com um cômodo. Ela não paga aluguel e, como a maioria dos moradores da favela, nada para água e luz dentro de casa. Há uma TV tão pequena quanto um telefone ou conexão wi-fi. A Conceição só precisa trocar o tanque de combustível a cada dois ou três meses. “Custa 105 reais – não faz muito tempo era a metade disso”, diz ela.

Na verdade, o Brasil está sofrendo com a inflação galopante. De acordo com o instituto de estatísticas IBGE, os preços subiram mais de dez por cento nos últimos doze meses. Semana após semana, os produtos no supermercado estão ficando mais caros e as filas nos caixas mais curtas porque menos pessoas fazem compras e suas compras tornam-se menores. Táxis e motoristas de Uber também estão se tornando cada vez mais difíceis de encontrar porque o preço da gasolina subiu tanto que quase não vale a pena ligar o motor.

Aline Conceição diz que a família não come carne há meses. Ela quer dizer bife, que para muitos brasileiros é uma medida de qualidade de vida. Se você não pode pagar por um, você se sente mal. “Mas até os pés de galinha ficaram muito caros”, diz Conceição. “O quilo já custou três reais, hoje é treze.”

Para Talíria Petrone, a situação de Aline Conceição é expressão de “uma das piores crises sociais das últimas gerações”. A jovem de 36 anos tem assento no Câmara de Deputados pelo pequeno partido de esquerda Socialismo e Liberdade (PSOL) há três anos e representa um novo tipo de político. Ela é negra, jovem, feminista, vem de uma origem humilde. E ao contrário da maioria dos outros políticos, ela sabe do que está falando quando fala sobre as necessidades da população. Você fala com ela ao telefone entre duas reuniões do comitê, e ela está estressada. E ela está com raiva. O presidente de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro, é o responsável direto por agravar a crise, diz ela. «Como resultado da sua política de austeridade, os benefícios sociais foram cortados e os fundos para a saúde foram cortados. Ele tomou os direitos do povo. “

Petrone fala do fato de que a esquerda terá que quebrar o ciclo do bolsonarismo nas eleições presidenciais e parlamentares de outubro de 2022 para renovar o Brasil. Ela propõe que rendas altas e grandes fortunas sejam tributadas mais pesadamente, e que uma renda básica seja introduzida para os pobres.

Em última análise, são as questões sociais que vão decidir a eleição em que Bolsonaro será desafiado pelo ex-presidente e ícone de esquerda Lula da Silva. Embora Bolsonaro seja considerado inelegível no exterior por estar destruindo a Amazônia, promovendo a pandemia corona e insultando homossexuais, negros e indígenas, a situação econômica é decisiva para a maioria dos brasileiros.

Como Jair Bolsonaro também sabe que a maioria dos brasileiros é pobre e está sofrendo com a crise, ele agora os está cortejando com métodos que Talíria Petrone simplesmente chama de “compra de votos”. Na pandemia, o governo decidiu fazer um pagamento emergencial de 200 reais (33 francos) por mês, que foi então aumentado para 600 reais sob pressão dos partidos de esquerda no parlamento. Bolsonaro então tentou vender as transferências como “Ajuda Bolsonaro”.

Agora o seu governo acabou com um programa social de sucesso: «Bolsa Família» que foi fundada por Lula em 2003 e garantiu às famílias pobres uma renda básica. Em dezoito anos, salvou milhões de pessoas da fome e da pobreza, e as Nações Unidas recomendaram a outros países do Sul Global.

Em seu lugar,  Jair Bolsonaro lançou seu próprio programa: “Auxílio Brasil”. Mas esse programa termina em exatamente doze meses, logo após a eleição. É claro que o “Auxílio Brasil” foi inventado por Bolsonaro para atrair as vozes dos pobres que deveriam associar a entrega de dinheiro a ele e não mais a Lula.

Lula está na frente

Jair Bolsonaro agora está assegurando o poder político por meio de uma aliança com vários partidos de centro-direita no Congresso, o chamado Centrão. Eles estão impedindo que um processo de impeachment seja aberto contra ele e, pela primeira vez na história do Brasil, colocaram um cristão evangélico radical no Supremo Tribunal Federal. Mas o Centrão está  cobrando caro pelo apoio: por meio de liberações de dinheiro para projetos de seus parlamentares. A corrupção está sempre envolvida.

Apesar das contradições e incompetência de seu governo, Bolsonaro ocupa um sólido segundo lugar nas pesquisas que já estão ocorrendo. Em primeiro lugar está claramente Lula da Silva. O terceiro foi Sérgio Moro, ex-juiz e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro. É polêmico porque em 2018 ele condenou Lula à prisão em um julgamento questionável, que foi posteriormente anulado. Como Ministro da Justiça de Bolsonaro, ele renunciou após dezesseis meses no cargo. Moro é rejeitado pela esquerda e para os apoiadores de Jair Bolsonaro ele é um “traidor”. Mas a elite econômica o escolheu como candidato.

O fato de Lula, de 76 anos, entre todos os povos, agora ser o portador da esperança para a esquerda pode ser visto como um sinal de fraqueza. A esquerda não produziu uma personalidade carismática semelhante desde o fim de sua presidência em 2011, e os altos índices de aprovação para ele são principalmente o resultado de nostalgia. No reinado de Lula, as receitas de exportação de petróleo, minério de ferro e soja borbulhavam, os pobres estavam sendo ajudados, o consumo estava em alta e o real estava forte.

Mesmo assim, Taliria Petrone defende a candidatura de Lula porque ele é o único que pode unir a esquerda e tirar Bolsonaro do cargo. Para Aline Conceição, da favela do Campinho, já está claro em quem ela vai votar: “Comíamos carne com o Lula”, diz ela. Isso deve ser suficiente como resposta.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “WOZ Die Wochenzeitung [Aqui!].