Bloomberg informa: Jair Bolsonaro pediu ajuda a Joe Biden para derrotar Lula em outubro

O pedido ocorreu na reunião de líderes na cúpula em Los Angeles. Bolsonaro já questionou legitimidade da própria eleição de Joe Biden 
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Os presidentes Jair Bolsonaro e Joe Biden conversam após fotografia oficial durante a 9ª Cúpula das Américas em Los Angeles, Califórnia, em 10 de junho. Fotógrafo: Chandan Khanna/AFP/Getty Images

Por Eric Martin para a “Bloomberg”

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro pediu ajuda ao presidente dos EUA, Joe Biden, em sua candidatura à reeleição durante uma reunião privada à margem de uma cúpula regional nesta semana, retratando seu oponente de esquerda como um perigo para os interesses dos EUA, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Durante a reunião desta quinta-feira, Joe Biden sublinhou a importância de preservar a integridade do processo eleitoral democrático do Brasil e, quando Bolsonaro pediu ajuda, o presidente dos EUA mudou de assunto, disse uma das pessoas presentes no encontro. Os comentários de Bolsonaro a Biden sobre seu rival, Luiz Inácio Lula da Silva, ecoaram suas advertências públicas sobre o ex-presidente de dois mandatos, segundo as pessoas, que pediram anonimato para discutir uma conversa privada. A assessoria de imprensa da presidência do Brasil não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, enquanto a assessoria de imprensa da Casa Branca se recusou a comentar imediatamente.

A reunião de quase uma hora, a primeira desde a eleição de Joe Biden em 2020, ocorreu principalmente em privado durante a Cúpula das Américas em Los Angeles. Bolsonaro disse a repórteres depois que ele e Biden “falaram superficialmente” sobre a eleição. Em comentários públicos no início de sua reunião, Biden disse que o Brasil tem uma democracia vibrante e inclusiva e instituições eleitorais fortes.

Pesquisas mostram Jair Bolsonaro atrás de Lula antes da eleição do Brasil em outubro. Lula ganharia 47% dos votos no primeiro turno, enquanto Bolsonaro ficaria com 29%, segundo pesquisa do instituto Quaest nesta quarta-feira.

Os EUA têm uma política permanente de não escolher um lado nas eleições de outras nações, dizendo que o voto deve refletir os desejos do povo do país. 

Ainda assim, os presidentes dos EUA muitas vezes se desviaram dessa máxima, como quando Barack Obama expressou sua oposição ao Brexit antes da votação. E a história está repleta de sucessivas administrações dos EUA apoiando líderes estrangeiros que estavam concorrendo às eleições – como Boris Yeltsin na Rússia na década de 1990. 

Bolsonaro, um aliado próximo do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, expressou nesta semana dúvidas sobre a legitimidade da vitória eleitoral de Biden. Em declarações a uma emissora de televisão local no Brasil em 7 de junho, Bolsonaro afirmou que houve fraude generalizada na eleição americana que Biden venceu, repetindo as teorias da conspiração que o ex-presidente dos EUA levantou consistentemente desde novembro de 2020.

Os comentários ecoaram as tentativas renovadas de Bolsonaro de desacreditar o sistema de votação eletrônica no Brasil, onde ele busca um segundo mandato.

As relações entre as duas maiores economias das Américas esfriaram. No entanto, em sua reunião na quinta-feira, a dupla parecia se dar bem, com o líder brasileiro descrevendo sua reunião como “sensacional” e “muito melhor” do que ele esperava. Em comentários à CNN Brasil, ele se disse “espantado” com seu colega norte-americano.

Após a foto oficial dos líderes regionais na conclusão da cúpula na sexta-feira,  Joe Biden permaneceu conversando com Jair Bolsonaro, tocando o líder brasileiro nas costas enquanto o presidente brasileiro colocava a mão no ombro do líder estadunidense. 

Lula, que foi presidente de 2003 a 2010, teve um bom relacionamento com o presidente dos EUA, Barack Obama, a quem Joe Biden atuou como vice, durante quase dois anos em que os dois se sobrepuseram como chefes de governo.

Falando de Lula durante uma cúpula do G20 em Londres em 2009, Obama disse: “Este é o meu homem” e “Eu amo esse cara”. 

— Com assistência de Josh Wingrove, Simone Preissler Iglesias e Nick Wadhams


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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela Agência Bloomberg [Aqui!].

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