Debate sobre auxílio-moradia a autoridades públicas gerou mais de 250 mil menções no twitter, destaca FGV DAPP

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Análise aponta também que João Amoedo foi o terceiro presidenciável mais mencionado na última semana, logo após Lula e Bonsonaro

Nova edição do “DAPP Report – A Semana em Dados”, publicada nesta sexta-feira (09/02), aponta que o debate nas redes sobre a concessão de auxílio-moradia para integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público provocou mais de 250 mil menções no Twitter em apenas dez dias (de 29 de janeiro a 07 de fevereiro) — somente a hashtag #auxíliomorodia esteve presente em 48,2 mil postagens. As discussões, iniciadas com a divulgação de que o juiz Marcelo Bretas usava o auxílio, atingiram de forma contundente expoentes da Lava Jato, como Sergio Moro (71,4 mil tuítes) e Deltan Dallagnol (2,3 mil).

>> Confira a íntegra do estudo em PDF

Apesar da polarização existente nas redes sociais quanto à política brasileira, o tema conseguiu unanimidade. A discussão inclui pessoas de esquerda, direita e outras sem ligação com partidos políticos, mas que aderiram a um discurso crítico ao benefício. Entre as principais postagens críticas ao auxílio-moradia, por exemplo, estavam as de Lula e João Amoedo.

Além disso, as discussões sobre o auxílio-moradia influenciaram o debate sobre temas econômicos, especialmente a Reforma da Previdência. Os usuários questionam a real necessidade da reforma, do ponto de vista das contas públicas, quando são pagos altos benefícios aos magistrados.

O Judiciário e o Ministério Público dividem espaço com o debate direcionado individualmente a Sérgio Moro e aos demais personagens da Lava Jato. As críticas e reflexões sobre os benefícios e privilégios dos servidores da Justiça, assim como sobre a disparidade de remuneração destes e de outros funcionários públicos em relação à sociedade brasileira, responderam por 20% da discussão.

FONTE: Insight Comunicação

Por que a repentina luz sobre as mordomias do judiciário?

O Brasil vive diariamente as consequências do golpe parlamentar realizado contra a presidente Dilma Rousseff, principalmente no que se refere ao extermínio das políticas sociais e ao aprofundamento do processo de desnacionalização da nossa economia com a entrega de setores estratégicos para as corporações multinacionais. 

Agora, temos um novo desdobramento no processo de descrédito nas frágeis instituições democráticas que o país logrou desenvolver ao longo de pouco mais de 195 anos enquanto nação independente. Falo aqui da campanha em curso, comandada pela mesma mídia corporativa que apoiou a realização do golpe parlamentar, de trazer à público as muitas benesses usufruidas pelos altos escalões do judiciário.

O mais emblemático nesta campanha de exposição da estrutura de ganhos do judiciário é que dois dos juízes atingidos pelas revelações cercando o uso do chamado auxílio moradia são os tão decantados Sérgio Moro e Marcelo Bretas, os comandantes supremosdos dois braços da operação Lava Jato.

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Para começo de conversa é preciso que se diga que alguma das vantagens auferidas pela nata da burocracia brasileira, e o judiciário é apenas um segmento desse alto escalão de burocratas, são efetivamente escandalosas em face da pobreza e miséria em que a maioria do nosso povo vive.  É esse descompasso que cria ojeriza e escárnio, já que em outros países desenvolvidos não há tal desproporção de condição financeira entre os trabalhadores comuns e a alta burocracia estatal.  

Agora, convenhamos, esse repetino interesse em expor juízes e desembargadores parece mais uma campanha de desmoralização das instituições nacionais do que um movimento para promover um debate sério sobre as discrepâncias salariais e na alta concentração da renda que tornam o Brasil um dos países mais desiguais do planeta.

Por isso, é que eu chamo atenção para a necessidade de que o justo clamor pelo fim das benesses não acabe sendo utilizada para aprofundar o golpe parlamentar que hoje está no cerne de todos os retrocessos que estão sendo impostos ao povo brasileiro pelos setores mais reacionários da burguesia nacional.

Judiciário performático e seus riscos para a democracia brasileira

 A imagem abaixo mostra o Juiz Federal Marcelo Bretas e desembargador do TJ/RJ Paulo Rangel gastando munição do Estado à guisa de treinamento para algo que nunca farão, qual seja, utilizar um fuzil de assalto.

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Na imagem acima, o Juiz Marcelo Bretas (terceiro da esquerda para a direita) e o Desembargador Paulo Rangel (quarto da esquerda para a direita) aparecem portando fuzis durante suposto treinamento na Cidade da Polícia.

Como observou em sua página pessoal na rede social Facebook o também Desembargador João Batista Damasceno esta foto manda diversas mensagens erradas para a população fluminense [1].  A primeira coisa apontada pelo Desembargador Damasceno é que, em plena crise, dois membros do judiciário gastam munição do Estado que, sendo reaproveitadas ou não, deveriam ser usadas para treinamento de policiais, e não deles.

A segunda questão é que se estes juízes não utilizarão esses fuzis na vida real, na Cidade da Polícia o fizeram  por qual motivo?  Nesse sentido, o Desembargador Damasceno questionou a necessidade de seus dois colegas aprenderem atirar com fuzis, dado que eles nunca portarão um. Para Damasceno a finalidade aparente é a pura diversão, o que, se for confirmado, seria um claro desperdício de recursos públicos.

De minha parte, o maior problema, contudo, é o fato de que tanto o juiz Marcelo Bretas como o Desembargador Paulo Rangel disponibilizaram essa imagem nas redes sociais, o que contribui para uma desnecessária transformação espetacularização do judiciário, num momento em que o Brasil atravessa uma grave crise econômica e política.

Lamentavelmente a tendência de determinados segmentos do judiciário é de aprofundar a opção por comportamentos performáticos em vez de esforçar para garantir a correta aplicação das leis e, principalmente, dos ditames da Constituição Federal Brasileira. Com isso, o que temos é o agravamento do risco de que ocorram fortes instabilidades políticas no Brasil num futuro muito distante.


[1] https://www.facebook.com/joaobatista.damasceno.50?hc_ref=ARTNoJeqUyzTDF7wJxFnxmDTh00xh2sHAJ1c1y5JeWlDSejPdXmFok7o3brAJ_JKpPQ&pnref=story

Novas prisões no esquema da Fetranspor. Mais um dia de tensão na Alerj

O jornalista Lauro Jardim informa hoje em seu blog no jornal O GLOBO que mais uma rodada de prisões está em curso no Rio de Janeiro em função do esquema de pagamento de propinas pela Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor)  [1]. 

lava fetranspor

 

Por mais estranho que pareça será na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que estas novas prisões mais deverão elevar o nível de tensão.  Mas não há de estranho nessa elevação da tensão. É que ali na Alerj estão alguns dos maiores beneficiados do esquema de corrupção que estas prisões procuram desbaratar. 

Daí que quem recebeu propinas sabe que o próximo preso pode ser ele. E pelo que andei lendo, vai faltar camburão.

[1] http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/operacao-nas-ruas-1.html

Rio de propinas: Sérgio Cabral finalmente apontou seu dedo acusador para Pezão

pezao dedo

Demorou, mas o momento finalmente chegou. Ontem em depoimento ao juiz Marcelo Bretas da 7a. Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, o ex (des) governador Sérgio Cabral lembrou ao ser questionado sobre a cobrança propinas nas obras públicas realizadas no seu (des) governo que o então secretário estadual de obras era o atual (des) governador, o seu protégée político Luiz Fernando Pezão [Aqui!].

cabral pezão propina

Embora a informação de que Luiz Fernando Pezão era o secretário estadual de Obras quando alguns dos casos mais cabeludos de superfaturamento de obras ocorreram esteja disponível até no Wikipedia [Aqui!], até o momento o atual (des) governador estava passando basicamente impune pelo rio de lama que varreu o executivo fluminense após a prisão de Sérgio Cabral e vários de seus (des) secretários.

No more” diria o gringo. É que apesar de Pezão já ter mandado dizer que não comentará as confissões de Sérgio Cabral, o gato foi colocado para fora do saco, como diriam os mais antigos. Este desdobramento cria embaraços não apenas para Pezão, mas para membros do legislativo e do judiciário que já deveriam ter, de alguma forma, se movido para apurar o possível envolvimento do (des) governador Pezão nas tratativas nada republicanas que ocorreram quando ele ocupava o duplo papel de vice  (des) governador e secretário estadual de obras. 

Por outro lado, usando um termo que marcava as tratativas feitas entre empresários corruptores e políticos corruptos, o fogo que cerca Pezão neste momento ainda tem muito oxigênio para queimar. Talvez isto explique o sorriso nervoso que aparece na face do ainda (des) governador em certas ocasiões. É que ele deve saber que cedo ou tarde (aliás, já tardou) explicações terão que ser oferecidas, e que elas terão que ser melhores do que aquelas que Sérgio Cabral achou que teria que prestar para se livrar de muitos anos de cadeia.

Adriana Ancelmo deixará prisão para “cuidar dos filhos”. Enquanto isso, quem cuida das crianças pobres com pais na mesma condição?

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A mídia corporativa está informando que o juiz Marcelo Bretas decidiu colocar hoje em prisão domiciliar a advogada Adriana Ancelma, esposa do ex (des) governador Sérgio Cabral baseado no fato de que os filhos do casal estavam desassistidos pelo fato dos dois estarem presos (Aqui!Aqui! e Aqui!).  Lembremos todos que ela foi colocada na prisão em Dezembro de 2016.

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Em relação a esse caso, a primeira coisa que tenha a dizer é que o uso da prisão preventiva no caso da esposa e ate´do ex (des) governador Sérgio Cabral ocorreram em condições ainda pouco claras em termos de sua finalidade.  Aliás, para falar a verdade, essas prisões pareceram ilegais. Daí que libertá-la faz sentido, ainda que as condições impostas pareçam impraticáveis.

Agora, o que me causa espanto é que neste momento um número desconhecido, porém certamente grande, de crianças brasileiras pobres estão privadas da presença de seus pais porque estes estão presos por vários anos, também em condição preventiva, e por crimes de pequena monta. Por que então essas crianças pobres podem ficar sem seus pais, e os filhos de Adriana Ancelmo não podem?

A resposta é simples: porque uns são ricos e outros são pobres. Simples assim!