O espectro do caos social e as medidas limitadas para aumentar a nossa proteção individual

Há seis anos moro numa residência localizada numa área que ainda é caracterizada pela presença de muitas casas com muros baixos e sem proteção de cercas elétricas ou coisa semelhante. Apesar de toda a propaganda em torno da insegurança pública que o aprofundamento da recessão econômica vem causando, eu não me preocupava com a minha segurança pessoal até 10 dias atrás quando amanheci com uma pessoa que havia entrado em minha residência sem ser convidada.

Após saber das razões da visita sem convite, providenciei café e um sanduíche de queijo antes de providienciar transporte para a pessoa a se dirigir a um destino ignorado.  Mas antes disso, aprendi um pouco sobre a trajetória daquela pessoa, desde o abandono da casa de seus país, passando pela perambulação pelas ruas de Campos dos Goytacazes até chegar ao meu quintal, onde ele disse ter procurado refúgio contra a morte certa.

Já falei sobre esse caso em diferentes fóruns e inevitavelmente alguém da platéia diz que a minha reação foi muito fria, e que não saberia como teria tratado o fato se estivesse no meu lugar. A minha réplica é que mantidos os anúncios das reformas ultaneoliberais do governo “de facto” de Michel Temer teremos a multiplicação exponencial da violência, já que está se tirando quase tudo daqueles que nada têm. E como as pessoas precisam arranjar um jeito de viver, não me surpreenderei se a minha vizinhança ainda calma passar por um ciclo de invasões como a que acabou de acontecer na minha residência.

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Agora, como não me iludo com a possibilidade de que todas as eventuais invasões de residências terminarão bem com um pouco de conversa, oferta de café da manhã e transporte para o invasor, decidi reforçar a minimamente a minha segurança pessoal. Por isso é que lamentavelmente tive que colocar barreiras de segurança no portão de entrada da minha residência. Não que eu tenha a ilusão de que isso vai impedir a repetição do problema, apenas vai dificultá-la.  Por isso, como mostra a imagem acima que foi tirada após o pessoal da “Campos Concertina” (Aqui!) completar a nova “ornamentação”, passei a ter um portão de entrada que mais parece a portaria de uma penintenciária.  Tomo-a como um sinal de tempos duros para a nossa sociedade.

Em tempo, quem desejar fazer o mesmo, recomendo a “Campos Concertina”, pois o seu pessoal atendeu de forma rápida e fez o trabalho dentro de preços que eu considerei bastante razoáveis. Não sei se isso me serve de consolo, mas a propaganda grátis está feita!

 

Greve geral no dia 11 de Novembro? É preciso combinar com os “russos”

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Em em entrevista ao programa Faixa Livre fui perguntando sobre minha opinião sobre uma supsota greve geral que estaria sendo preparada por centrais sindicais e movimentos sociais para o ainda distante dia 11 de Novembro de 2016!

A minha primeira reação foi perguntar algo do gênero “greve geral, como? quando?”. Mas acabei dando uma opinião um pouco mais dura, pois está mais do que evidente que se puder o governo “de facto” de Michel Temer vai acelerar a votação da PEC 241 (vulgo PEC da morte) para bem antes desta data, o que consequentemente torna essa suposta greve geral um simulacro de uma ação organizada para enfrentar o ataque aos direitos sociais.

Mas eu fui mais longe e ofereci minha opinião singela de que o governo “de facto” só está conseguindo ir tão rápido com seus planos de desmantelamento do Estado brasileiro por que os principais instrumentos de reação estão sendo paralisados pelos dirigentes de sindicatos e movimentos sociais que provavelmente esperam negociar algumas migalhas corporativas. Só pode ser isso, não tem como ser outra coisa.

E uma coisa que me preocupa bastante é a falta de articulação entre os que supostamente estão organizando essa greve geral (que lendo Aqui! descubro que apenas é um ato com data indicativa) e os setores que estão já em luta contra a PEC 241 e outros absurdos que estão sendo cometidos pelo governo “de facto” é a desmoralização de um importante instrumento de luta.

É que, convenhamos, para que haja uma efetiva e abrangente greve geral há que se combinar com os “russos” que no presente caso são aqueles que não estão esperando a ordem das direções burocráticas e partindo para o enfrentamento. E isso efetivamente não está acontecendo. E, adiciono, para a completa alegria de Michel Temer e sua camarilha dirigente.

Ah, sim, terminei minha respota dizendo que algo terrível que pode decorrer deste imobilismo todo é uma explosão social espontânea que poderá, inclusive, ser utilizada pelo governo “de facto” para justificar a intervenção das forças armadas para restabelecer a “ordem”.  

Junta financeira comanda o Brasil e impõe ditames a toque de caixa

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Vladimir Safatle*

Semana passada, o dito “governo” resolveu apresentar à população seu plano de emergência econômica diante da propalada crise. Conhecido como PEC 241, o plano visa congelar os investimentos estatais nos próximos 20 anos, permitindo que eles sejam, no máximo, reajustados pela inflação do período.

Isso significa, entre outras coisas, que o nível do investimento em educação e saúde continuará no nível em que está, sendo que o nível atual já é resultado de forte retração que afeta de forma brutal hospitais públicos, universidades e escolas federais. Todos têm acompanhado a situação calamitosa dos nossos hospitais, os limites do SUS, os professores em greve por melhores condições de trabalho. Ela se perpetuará.

Para apresentar o novo horizonte de espoliação e brutalidade social, o dito “governo” colocou em marcha seu aparato de propaganda. Ao anunciar as medidas, foi convocado um representante de quem verdadeiramente comanda o país, a saber, um banqueiro, o senhor Meirelles.

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Entrará para a história o fato de que uma das mais impressionantes medidas econômicas das últimas décadas, uma que simplesmente retira do Congresso a possibilidade de realmente discutir o orçamento, que restringe o poder de representantes eleitos em aumentar investimentos do Estado, que os transforma em peças decorativas de uma pantomima de democracia, foi anunciada não pelo pretenso presidente da República, mas por um banqueiro.

Este dado não é anódino. Ele simplesmente demonstra que Michel Temer não existe. Não é por acaso que ele não aparece na televisão e some em dia de eleição, indo votar no raiar do sol. Quem realmente comanda o Brasil atualmente é uma junta financeira que impõe seus ditames a toque de caixa usando, como álibi, a ideia de uma “crise” a destruir o Brasil devido ao descontrole dos gastos públicos.

O script é literalmente o mesmo aplicado em todos os países europeus com resultados catastróficos. No entanto, há de se reconhecer que ele tem o seu quinhão de verdade.

De fato, há um descalabro nos gastos públicos, mas certamente ele não vem dos investimentos parcos em educação, saúde, assistência social, cultura etc. Por exemplo, segundo dados da OCDE, o Brasil gasta 3.000 dólares por aluno do ensino básico, enquanto os outros países da OCDE –a maioria europeus e da América do Norte, entre outros– gastam, em média, 8.200 dólares.

A situação piorará nos próximos 20 anos, já que os gastos continuarão no mesmo padrão enquanto a população aumentará e envelhecerá, exigindo mais gastos em saúde.

Na verdade, os gastos absurdos do governo não são com você, nem com os mais pobres, mas com o próprio sistema financeiro, que se apropria do dinheiro público por meio de juros e amortização da dívida pública, e lucra de forma exorbitante devido à taxa de juros brasileira. Uma dívida nunca auditada, resultante em larga medida da estatização de dívidas de entes privados.

Por incrível que pareça (mas que deveria ser realmente sublinhado), o plano econômico do governo não prevê limitação do dinheiro gasto com a dívida pública. Ou seja, fechar escolas e sucatear hospitais é sinal de “responsabilidade”, “austeridade”, prova que recuperamos a “confiança”; limitar os lucros dos bancos com títulos do Estado é impensável, irresponsável, aventureiro. Isso demonstra claramente que o objetivo da PEC não é o equilíbrio fiscal, mas a garantia do rendimento da classe rentista que comanda o país.

Como se trata de ser o mais primário possível, o dito “governo” e sua junta financeira comparam a economia nacional a uma casa onde temos que cortar gastos quando somos “irresponsáveis”. Mas já que a metáfora primária está a circular, que tal começar por se perguntar que gastos estão realmente destruindo o “equilíbrio” da casa? Por que a casa não pede mais dinheiro para aquele pessoal ocioso que mora nos quartos maiores e nunca contribui com nada?

Ou seja, já que estamos em crise, que tal exigir que donos de jatos, helicópteros e iates paguem IPVA, que igrejas paguem IPTU, que grandes fortunas paguem imposto, que bancos com lucros exorbitantes tenham limitações de ganho, que aqueles que mais movimentam contas bancárias paguem CPMF?

É claro que nada disso será feito, pois o Brasil não tem mais governo, não tem mais presidente e tem um democracia de fachada. O que o Brasil tem atualmente é um regime de exceção econômica comandado por uma junta financeira.

*Vladimir Safatle é professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). 

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2016/10/1822671-junta-financeira-comanda-o-brasil-e-impoe-ditames-a-toque-de-caixa.shtml

A essência do pensamento Temer(ário): “quem não tem dinheiro não faz universidade”

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Acabando de chegar aos 56 anos de idade não tenho muita ilusão na disposição das elites deste país em investir para oferecer educação de qualidade para a maioria pobre da nossa população. É que já estou há muito tempo tratando com parlamentares e (des) governantes para saber que educar a população não é de nem longe um objetivo que eles persigam com sinceridade. Aliás, muito pelo contrário.

Mas antes de chegar ao ponto central desta postagem me permitam compartilhar um pouco da minha história pessoal.  Sou o primeiro dos cinco filhos de um casal típico da classe trabalhadora tradicional: meu pai emigrou para o meio urbano em 1954 e teve o seu apogeu ocupacional na função de mestre de tubulação, apesar de ter tido apenas poucos anos de educação formal. Já a minha mãe passou boa parte de sua a vida cuidando da casa lotada de filhos, com todas as tarefas de quem não tinha um empregada doméstica.

Com esse perfil familiar comecei a trabalhar com 12 anos e tive meu primeiro registro de carteira profissional assinado aos 15 anos. Aos 18 anos decidi que não seguiria a carreira de bancáro (sim naquela época havia essa carreira) e me mandei para o Rio de Janeiro para cursar um curso de bacharelado em Meteorologia na UFRJ. Como aquela não era a minha praia, mudei para o curso de Geografia e permaneci na universidade até o final do mestrado, quando fui para os EUA trabalhar no Laboratório Nacional de Oak Ridge que fica no estado do Tennessee. Como já estava lá, aproveitei uma oportunidade e cursei um doutorado na Virginia Polytechnic Institute and State University. Ao voltar para o Brasil logo fui contratado para trabalhar na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Para muitos áulicos do capitalismo, eu posso ser uma daquelas provas de que o sistema premia quem trabalha, independente de onde se começa. Eu já penso que sou uma rara exceção, pois existem no Brasil milhões de jovens com o meu perfil social original que jamais sonharão sequer em entrar numa universidade pública, muito menos cursar um doutorado numa boa universidade estadunidense.

Muitos poderão se perguntar sobre as causas de eu ter sido uma exceção. Eu começo dizendo que provavelmente o fato de eu ser branco, já que apesar de ter crescido pobre, eu nunca tive que esconder onde eu morava dado que minha aparência física era de classe média. Além disso, tive uma forte demanda familiar para estudar já que não fazer isso seria considerado uma afronta à disciplina, o que normalmente era punido severamente. Mas eu também tive a extrema felicidade de encontrar pessoas que me incentivaram a exceder as minhas expectativas sociais. Aí entraram vários professores que sempre me empurraram com a doação de livros que eu jamais poderia comprar.  Entre estes muitos apoiadores uma das pessoas fundamentais foi o primeiro orientador, Prof. Irving Foster Brown, que abriu diversas portas importantes, desde a Iniciação Científica até o Doutorado.

Mas em que pese tudo isso, eu sou sim uma exceção. Mas se sou exceção, qual é a regra? A regra é que a maioria nossas crianças e jovens pobres (a maioria negra) está destinada a não ter as oportunidades que eu tive, tendo que se preocupar mais em chegar ao próximo dia sem ser aniquilada, seja pelo aparelho de repressão do Estado, pelo narcotráfico ou pelas milicias. Quando sobrevivem a tudo isso, essa maioria tem sido historicamente impedida de sonhar com um futuro melhor para sí e para seus descendentes.

Entretanto, o que já é ruim está para piorar. É que com a aprovação da PEC 241 estão aparecendo aqueles que dizem com todas as letras quais são os seus planos para a  nossa juventude. Não basta para eles congelar os investimentos em educação, eles querem mais, muito mais. Vejamos, por exemplo, o caso do Nelson Marquezelli (PTB-SP) que afirmou antes da votação da PEC 241 que “quem não tem dinheiro não faz universidade” (Aqui!).  E quem é o deputado Marquezelli?  Ora, um dos muitos políticos paulistas implicados no “Escândalo da Merenda” que roubou milhões de reais dos cofres públicos que deveriam ser usados para alimentar estudantes da rede pública de ensino (Aqui!).

Alguém se surpreende com essa dupla moral? Eu particularmente não. Mas mais do que mostrar a contradição entre quem defende cortes na educação para conter o déficit público para depois ser relacionado ao achaque à coisa pública, o que o caso do deputado Marquezelli bem exemplifica é o fato de que as elites brasileiras estão se lixando para o futuro de milhões de jovens brasileiros, ainda que isto apareça sob o manto de um neoberalismo tosco.

E que ninguém se engane. Se continuarmos apenas assistindo ao desmanche dos poucos avanços que foram trazidos pela Constituição Federal de 1988, daqui a pouco vai tentar a anular a Lei Áurea. É que a disposição social regressiva das elites não tem fim. Simples assim!

Para quem desejar assistir ao vídeo já célebre onde o deputado Nelson Marquezelli discorre suas ideias sobre quem pode ou não estudar, basta clicar (Aqui!)

O perigo que se esconde por trás da PEC 241

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Por André Forastieri

O Brasil gasta muito mais do que arrecada. Por isso nosso país está sempre endividado. Para fechar a conta, o governo tem que tomar dinheiro emprestado, pagando juros gigantes. Aí a dívida só aumenta. E por causa disso falta dinheiro para investir no que é fundamental. E como os juros são altos, as empresas também não investem, e o desemprego só aumenta. É um círculo vicioso, de que o Brasil precisa escapar.

Fácil concordar com isso tudo. E fácil concordar que a solução é uma lei que proíba o governo de gastar demais. Essa é a premissa da Proposta de Emenda Constitucional 241, a PEC 241. É o grande projeto do governo no momento. Muita gente respeitável garante que se ela não for aprovada, o país quebra. É o que o ministro da fazenda, Henrique Meirelles, falou na TV. Temer não está poupando esforços para aprovar a PEC. E ela tem de fato grande chance de ser aprovada.

O que exatamente diz a PEC 241? Que nos próximos 20 anos, até 2036, o governo do Brasil só poderá gastar exatamente o que gasta hoje. O único ajuste permitido será o da inflação anual. É isso que vai ser votado, e provavelmente aprovado, pelo Congresso.

Só tem um probleminha. Que vai virar um problemão.

O Brasil é um dos países que menos investe em saúde. O gasto do poder público em saúde por habitante é mais ou menos R$ 1400 por ano – dá menos de quatro reais por dia. Nos EUA é o equivalente a R$ 15 mil. Na Noruega, o país com melhor padrão de saúde do planeta, o governo investe R$ 28 mil por ano, por cidadão. Abaixo do Brasil, só os países mais miseráveis da África.

E o Brasil é um dos países que menos investe em educação. O gasto anual do poder público com educação é de aproximadamente R$ 10 mil por aluno do ensino básico. Quanto é nos países mais desenvolvidos? Três vezes mais. Por isso é que eles são desenvolvidos… e a gente não.

Ou seja: se a gente aprovar a PEC 241, e continuar investindo essa mesma miséria, o Brasil não vai pra frente. Aliás, vamos piorar muito.

Porque a população continua crescendo. Hoje somos 206 milhões de brasileiros. Em 2036 seremos quase 240 milhões de pessoas. Mais gente dividindo o mesmo investimento em saúde e educação. Então, na prática, o investimento por pessoa vai cair.

Vai piorar porque a população do Brasil está envelhecendo. E quanto mais velho, maior o custo com saúde.

Vai piorar porque a tendência global para as próximas décadas é de criação de empregos muito menor. Os empregos tradicionais estão cada vez mais sendo substituídos pelas máquinas e computadores. No Brasil, situação ainda mais grave, porque temos milhões de jovens com uma educação tão ruim que literalmente não servem para nada. Hoje o Brasil já é campeão de “nem-nem”, jovens de 15 a 24 anos que largaram de estudar, e não trabalham, porque não têm qualificação nenhuma…

Então teremos uma porcentagem muito maior de brasileiros que não terão condição de pagar seguro saúde, nem escola particular, o que vai sobrecarregar ainda mais os sistemas públicos. E inevitavelmente as cadeias.

Não vamos nem citar outras questões prementes do país. Por exemplo, o fato de termos apenas metade das casas do país ligadas à rede de esgoto. A situação caótica dos transportes, a situação assustadora da violência. Não vamos nem citar os desafios cada vez mais presentes na área de meio-ambiente, de poluição, de mudança climática…

Vamos ficar só em saúde e educação. É muito claro, os números não mentem. O Brasil precisará investir muito, muito mais nas próximas décadas, para diminuir o descalabro atual. E não investir menos, que é o que a PEC 241 propõe.

Mas se é assim, porque essa campanha tão forte a favor da PEC 241? E porque ela tem grande chance de ser aprovada?

Porque para o Brasil fechar as contas, ou se arrocha os pobres, que é o que a PEC 241 propõe. Ou se cobra impostos dos ricos. Que é o que os outros países fazem.

No Brasil, pobre paga muito imposto, cobrado de maneira indireta em cada produto que compra. Classe Média paga muito imposto, muito imposto de renda, e ainda se aperta para bancar do bolso seguro saúde e escola particular. Tanto pobres quanto classe média pagam também um mundo de juros, embutidos em tudo que consumimos.

E os ricos pagam pouquíssimo imposto. Tanto na pessoa física, como na jurídica. No Brasil os ricos pagam pouquíssimo imposto sobre suas propriedades, suas fazendas, seus investimentos financeiros. Pagam pouquíssimo imposto sobre as heranças que deixam. Muito, mas muito menos que nos outros países.

E as grandes empresas também pagam pouquíssimo imposto. Existem mil maneiras de escapar, se você tem recursos suficientes. Fora que as grandes empresas no Brasil se financiam como? Pegando dinheiro emprestado do BNDES, ou seja, dinheiro público, a juros bem suaves.

Os ricos brasileiros têm uma vantagem dupla. Eles pagam pouquíssimo imposto. E têm os maiores rendimentos financeiros do planeta Terra, sem risco nenhum. Como? Justamente emprestando dinheiro para o próprio governo…

É importantíssimo para os ricos brasileiros que a PEC 241 seja aprovada. Para que a conta desse ajuste seja pago pela classe média e pelos pobres, e não por eles, os grandes empresários, grandes banqueiros, grandes fazendeiros. Que é, claro, o grupo que tem mais poder. E mais poder tem para eleger políticos e influenciar a opinião pública. Em qualquer época, em qualquer governo, de qualquer partido.

O resultado da aprovação da PEC 241 será aumentar a transferência dos recursos de 99% da população para os bolsos de 1% de milionários. Espremer ainda mais o povo, para que os super ricos ganhem ainda mais, e sigam pagando pouquíssimo imposto. Esse é o perigo que corremos: condenar nosso país, nosso povo a um atraso infinitamente maior que o atual.

O Brasil precisa fechar as contas, sim. Mas temos que fazer como fazem os países que se desenvolvem. Precisamos investir na educação, na saúde, na segurança, na infraestrutura. Para isso é preciso dinheiro. E para isso é preciso taxar com justiça todas as faixas da população. Proteger ao máximo os mais necessitados. Cobrar moderadamente a classe média. E taxar com vontade os milionários.

Isso faz sentido em outros países. Faria sentido no Brasil. E mais que isso: faria justiça. O que não faz nem sentido, nem justiça, é a PEC 241.

FONTE: http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2016/10/07/o-perigo-que-se-esconde-por-tras-da-pec-241/

PEC 241 ao ritmo do “Brasil, ame-o ou deixe-o”. O problema é que os mais prejudicados não terão a segunda opção

A tentativa do governo “de facto” de Michel Temer de impor uma regressão sem precedentes nos serviços públicos está sendo turbinada com uma campanha de propaganda que lembra bem os tempos do regime militar onde se amava ou se deixava o Brasil, de pé ou na horizontal  (ver imagem abaixo).

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O problema é que quando a vaca da recessão profunda jogar o Brasil num verdadeiro caos social (e isso acontecerá apesar da propaganda), os mais prejudicados por essa tunga nos direitos sociais  que são os mais pobres não terão a opção de deixar o Brasil. 

Já os filhos das classes mais abastadas não só poderão deixar o Brasil, mas levarão consigo os bilhões que estão sendo retirados dos serviços públicos essenciais após a implementação da PEC 241 

PEC 241 e outras maldades: apostando na falta de resposta dos pobres

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O presidente de facto Michel Temer realizou ontem um daqueles jantares nababescos que as elites brasileiras tanto gostam de frequentar. Afinal, entre canapés, vestidos e ternos finos, se discutia o congelamento dos investimentos públicos em saúde e educação pelas próximas duas décadas!

Esse tipo de celebração pré-corte de direitos mostra bem não apenas a natureza do governo de facto, mas, principalmente, como pensam os donos do Brasil. É que analistas sérios já mostraram que todo o sacríficio que será imposto à população mais pobre não visa recuperar a economia, mas garantir que o sistema rentista continue parasitando o Brasil como o faz em poucos países do mundo.

É importante notar que esse ataque aos direitos sociais garantidos pela Constituição Federal Brasileira de 1988 terá efeitos profundos sobre quem mais precisa de serviços públicos de qualidade. É que esse teto rebaixado de investimentos imporá ainda mais dificuldades para que escolas e hospitais públicos possam funcionar com um mínimo de qualidade. Teremos não apenas uma regressão momentânea, mas por duas longas décadas.

Agora, como chegamos a essa situação é um caso mais complicado. Apesar do Brasil não se explicar por si só e é preciso que entendamos como anda o sistema capitalista como um todo, o fato é que o atual congresso é um desenho dos acordos que foram feitos entre o PT e o PMDB e sua base aliada para garantir a reeleição da dupla Dilma Rousseff e Michel Temer. Ao se optar por aumentar a força das siglas de aluguel dentro congresso, o que os estrategistas do PT prepararam foi a sua remoção do poder e a assunção de políticos de tão baixa estatura que deixa até os congressos biônicos da ditadura de 1964 pálidos por comparação.

Um elemento fundamental nesse processo todo é a aposta que não haverá reação organizada ao desmonte das garantias sociais colocadas na Constituição Federal de 1988. E até aqui, convenhamos, a reação tem sido pequena. O problema que os estrategistas do governo de facto podem estar subestimando (talvez guiados pelos resultados dos votos válidos das eleições municipais) é que a maioria pobre perca a paciência com tanta regressão nos seus parcos direitos sociais e passe para a ação direta sem esperar que sinidicatos e movimentos sociais saiam do seu estado de paralisia expectante.  E se isso acontecer que ninguém encarregado de aprovar a PEC 241 e outras maldades apareça para reclamar da violência que ajudaram a criar. A ver!

Blog O Cafezinho desvenda caminhos do financiamento estatal da mídia corporativa

Apesar da crise econômica, repasses de dinheiro público à Folha crescem 78% sob o governo Temer; Abril tem mais 624%

Exclusivo! Temer inicia trem da alegria para a mídia do golpe. Repasses federais à Folha crescem 78%

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Miguel do Rosário, em O Cafezinho

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Agora entendi um pouco melhor dois movimentos da Folha nos últimos sete dias. Primeiro, o jornal publicou reportagem sobre si mesmo, se autoelogiando, dizendo que faz “cobertura crítica” do governo Temer.

Segundo, publica matéria requentando notícia de maio deste ano, sobre decisão do governo de suspender publicidade federal aos blogs, uma não-notícia bizarra, pois não informa afinal que veículos receberam recursos durante esses primeiros meses de governo Temer.

Então fui olhar com mais calma os números da Secom, fazendo o seguinte comparativo: peguei as execuções contratuais (pagamentos efetivamente realizados) neste quatro meses de “governo Temer”, de maio a agosto deste ano, e os comparei com os quatro meses de 2015.

Os pagamentos federais à Folha/UOL, nos quatro meses de maio a agosto de 2016, foram 78% maiores que no mesmo período de 2015.

Apesar da grave crise fiscal, da recessão, da campanha da mídia para o governo cortar gastos, o volume de recursos publicitários pagos nos últimos meses já é quase 50% maior que o registrado em 2015.

A grande mídia começou a receber a propina oficial do governo pelo apoio ao golpe, e a campanha contra os blogs é um preparativo para neutralizar aqueles que podem denunciar a mamata.

É bom lembrar que o governo Temer só conseguiu sua verdadeira “alforria” há pouco mais de um mês, quando o Senado aprovou o afastamento definitivo da presidenta Dilma, e as execuções contratuais espelham frequentemente contratos celebrados em período anterior.

O trem da alegria está apenas começando a pegar velocidade.

Mas já dá para ter uma ideia dos pixulecos a serem pagos à mídia tradicional,  em pagamento a uma cobertura bem ao contrário de “crítica” ao governo Temer. Na verdade, a mídia, assim como durante o regime militar, dá sustentação ao golpe que ela mesmo articulou.

A Globo não viu crise este ano em termos de publicidade federal. De maio a agosto, as empresas da Globo receberam R$ 15,8 milhões de repasses federais (sem contar as estatais!), 24% a mais que no ano anterior.

Enquanto os Marinho defendem o fim da aposentadoria rural, o fim da gratuidade da universidade pública, o arrocho do salário mínimo, eles arrancam mais e mais dinheiro do povo brasileiro. E olha que isso é só o começo!

A Abril também começou a recuperar o terreno perdido. Nos quatro meses de maio a agosto de 2015, o grupo que edita a Veja recebeu apenas R$ 52 mil, valor que saltou para R$ 380,77 mil no mesmo período de 2016, um crescimento de 624%!

A concentração dos recursos federais em mãos da Globo já era uma realidade gritante antes do golpe, como se pode ver nos dados de 2015, quando a Globo ficou com 31% de toda a publicidade federal sem as estatais.

É bom lembrar que estamos falando apenas da publicidade do governo federal e seus ministérios. Se o Judiciário aceitar a liberação dos dados das estatais, veremos que o trem da alegria para a mídia que apoiou o golpe é bem maior.

FONTE: http://www.viomundo.com.br/denuncias/apesar-da-grave-crise-economica-repassea-de-dinheiro-publico-a-folha-crescem-78-sob-o-governo-temer-abril-tem-mais-624.html

(Des) governo Temer: a troça do ministro Padilha explícita a essência do golpe

A imagem abaixo é do ministro Eliseu (Quadrilha) Padilha fazendo uma continência ao presidente de facto Michel Temer. A intenção aparente é fazer piada com quem acusa o PMDB e seus aliados de terem organizado um golpe de estado contra a presidente Dilma Rousseff.

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Mas se Eliseu (Quadrilha) Padilha tivesse ficado só na pose não haveria nada além de uma encenação pobre. É que segundo o ministro Eliseu o presidente de facto tem que se comportar com se fosse o imperador do Brasil, um que supostamente “tenha condições de definir o rumo da vida das pessoas” (Aqui!).

Do jeito que esse pessoal vai posando e falando, não me surpreenderei se houver alguma emenda constitucional no congresso para anular os efeitos da Lei Áurea. É que essa gente não vai se contentar apenas com retirar as minguadas políticas que foram concedidas nos anos em que o PT comandou o governo federal. Pelo menos isso é o que mostram a pose e as declarações de Padilha.