Jair Bolsonaro aprofunda agonia da mídia corporativa ao dispensar publicação impressa de documentos oficiais

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Já tem algum tempo que mídia corporativa brasileira vem vivendo uma lenta agonia por sua incapacidade aguda de se ajustar à emergência das mídias eletrônicas. Em função disso, muitos veículos tradicionais já desapareceram e outros tantos estavam vivendo um processo crônico de definhamento.  

Essa situação de agonia é mais explícita nas cidades do interior onde inexiste uma base ampla de leitores e assinantes, o que torna a manutenção de edições impressas quase que um desperdício de papel jornal, pois a maioria dos potenciais interessados já migrou para plataformas eletrônicas que são muito mais eficazes em obter informações e transmiti-las quase em tempo real.

Essa agonia toda tem feito que muitas sirenes tenha soando e resultando no que se convenciona chamar no meio jornalístico de “Passaralhos” com demissões de redações inteiras, as quais estão sendo substituídas por contribuições externas sob a forma dos manjados artigos de opinião, ou pela contratação de estagiários parcamente remunerados (muitos mal entrados nos cursos de comunicação).

Como aquilo que está ruim sempre pode piorar, o presidente Jair Bolsonaro resolveu extinguir uma das últimas fontes de renda da mídia corporativa ao desobrigar a publicação impressa de editais de concursos e licitações em jornais. 

Além de ser uma tremenda ingratidão de Jair Bolsonaro com um segmento empresarial que lhe foi muito útil na caminhada para a presidência, essa desobrigação deverá causar o fechamento de muitos veículos tradicionais e outros nem tradicionais assim.

Mas, convenhamos, os principais afetados por essa transição toda serão os vendedores de frutas e hortaliças que ainda utilizam folhas velhas de jornais para embrulhar seus produtos.  É que não há sequer vácuo a ser preenchido em função da transição quase completa para as mídias eletrônicas. É que se pode repetir o velho adágio de que “o rei está morto. Longa vida ao rei”.

E vida que segue!

Mídia brasileira recorre a ilusionismos para minimizar protestos contra cortes na educação

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Abri hoje a página do UOL, um dos principais portais de notícias do Brasil, e descobri que a cobertura das manifestações de ontem simplesmente mingou a ponto de eu ter dificuldade de encontrar qualquer menção a elas. Indo ao site do “O GLOBO” descobri que o governo Bolsonaro tem outros problemas ainda maiores do que a Educação. Cobertura das manifestações de ontem, igualmente raquíticas.

Não posso deixar de lembrar que as igualmente raquíticas manifestações em prol do governo Bolsonaro que ocorreram no dia 26 de maio foram turbinadas por essa mesma mídia que viu nelas uma espécie de chancela popular para a impopular reforma da previdência e outras maldades que estão sendo impostas para dar vazão a um projeto de desestruturação completa do pouco que existe no estado brasileiro em termos de distribuir a hiper concentrada riqueza nacional.

Uma cobertura mais balanceada acabei encontrando no jornal “El País” que mantém uma redação no Brasil e que notou que apesar de menor em número de participantes, as manifestações de ontem continuaram mantendo um padrão de grande distribuição geográfica, o que sinaliza problemas para o governo Bolsonaro.

Essa não é a primeira vez que a mídia brasileira adota um padrão enviesado de cobertura de acontecimentos políticos importantes. E provavelmente não será a última, pois apesar de aparentemente não gostarem da forma com que o presidente Jair Bolsonaro governa o Brasil, os donos dos principais veículos da mídia brasileira são defensores da agenda ultraneoliberal que o ministro Paulo Guedes está tentando implantar. Aí qualquer eventual divergência com o jeito de governar é sacrificada em nome do projeto maior do ajuste neoliberal que Jair Bolsonaro incorpora em suas ações de governo.

Mass que ninguém precisa se desesperar com essa cobertura desnivelada e parcial, pois faz tempo que a mídia brasileira não controla a informação como um dia já controlou. [E que com todos os seus defeitos e qualidades, as redes sociais e a mídia alternativa que elas impulsionam deram um show de cobertura no dia de ontem.  Qualquer um que tiver curiosidade e interesse em saber o que realmente se passou no dia de ontem, e o que ainda vem pela frente só tem que procurar fora da cobertura oficialista da mídia corporativa.

Mídia internacional dá outro banho de cobertura no caso do Museu Nacional

Tem algum tempo que venho notando neste blog que se algum brasileiro quiser se informar minimamente sobre o que acontece no Brasil deve procurar os sites dos veículos da mídia internacional que tenham cobertura sobre o nosso país.  Isso não chega a ser nenhuma surpresa já que a mídia corporativa brasileira sempre opta por oferecer coberturas superficiais e desequilibradas do ponto de vista ideológico. 

O caso do incêndio que devastou o Museu Nacional está se mostrando outro exemplo de como a mídia internacional é capaz de oferecer matérias mais substanciais e até manchetes que expressam a real dimensão, bem como as causas subjacentes ao episódio.

Cito apenas para exemplo as matérias publicadas pelo jornal El País, pela rede inglesa BBC e pela alemã Deustche Welle (ver reproduções abaixo).

 

Não sei qual das manchetes é mais ilustrativa do que tivemos no incêndio do Museu Nacional, mas a manchete de que o “Brasil queimou- e não tinha água para apagar o fogo” é a mais reveladora do estado de coisas em nível federal e estadual, já que as responsabilidades sobre o incêndio estão depositadas diretamente nos ombros de Luiz Fernando Pezão e Michel Temer.

Entretanto, sabermos que “em 2017, mais brasileiros foram ao Louvre, em Paris, do que ao Museu Nacional“, ou que a “verba usada no Museu Nacional em 2018 equivale a 2 minutos de gastos do Judiciário e 15 minutos do Congresso” também deixa a coisa bem clara sobre como a cultura nacional é vista (aliás, não é) pelas elites que controlam o Brasil.

Para quem desejar ler essas matérias, basta clicar [1 , 2 , e 4

Cláudio Tognolli, um jornalista com o ancinho e a tocha na mão

Das coisas mais desprezíveis que ocorreram no dia de ontem em função do habeas corpus concedido em favor do ex-presidente foi a divulgação pelo jornalista (jornalista?) e professor (professor??) da Escola de Comunicação da Universidade de São Paulo, Cláudio Tognolli, do número do telefone celular do desembargador Rogério Favreto via sua página oficial no Twitter [1].

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Ainda que Tognolli tenha depois tenha apagado a veiculação do telefone do desembargador Rogério Favreto, o mal já está feito e o detentor do número divulgado, fosse o desembargador ou outra pessoa de sua família, certamente já teria ouvido ou lido centenas de mensagens de ódio e intimidação. 

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Na imagem acima, Cláudio Tognolli aparece ao lado do juiz federal Sérgio Moro.

Mas uma coisa positiva desta ação pouquíssimo ética de Cláudio Tognolli é que agora, mais do que nunca, ficou explícito que a mídia corporativa brasileira está repleta de indivíduos que não agem para difundir informação e fomentar debates sadios,  mas para fortalecer um estado de anomia social que serve apenas para impor uma agenda marcada por profundas regressões ao povo brasileiro.


[1] https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/apos-repercussao-negativa-claudio-tognolli-apaga-postagem-em-que-divulgava-celular-de-desembargador/

A monocultura da mídia corporativa está na raiz da produção em massa de “fake news”

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Há pouco mais de 8 anos resolvi lançar um blog para externar ideias e disseminar informações que normalmente não encontrava disponível na mídia corporativa.  Ainda que esta decisão tenha me obrigado a um processo de aprendizagem sobre como e o que veicular, esta ferramenta vem sobrevivendo, até porque vejo que existe gente que procura este espaço para se informar sobre o que de fato está ocorrendo, por exemplo, em Campos dos Goytacazes.

É que se formos deixados à mercê da mídia corporativa, independente do tamanho da empresa que controle um determinado veículo, estaremos submetidos à uma visão patronal da realidade.  O fato é que mídia corporativa tem sempre um dono interessado em preservar uma certa narrativa que necessariamente não apresenta fatos, mas versões deles e sempre a serviço de alguém. 

No Brasil, essa colonização da realidade se dá sempre na forma do que os burgueses (ou aspirantes à burgueses) mais preferem, qual seja, o da monocultura ou, melhor ainda, de uma “mono-cultura”. E nos mesmos raros momentos em que a mídia corporativa oferece a realidade e não construções alegóricas da mesma e com finalidades que não são publicáveis nem, tampouco, publicadas.

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Tomemos por exemplo o caso da cobertura que se dá ao momento que estamos vivendo em Campos dos Goytacazes. Diferente do momento anterior em que um espirro da prefeita Rosinha Garotinho era apresentado em manchetes garrafais como sendo uma demonstração de que ela tinha pneumonia, agora vivemos como vivêssemos numa cidade à frente do seu tempos.  E aqueles milhares buracos que apareceram nos últimos 18 meses nas ruas de Campos dos Goytacazes? Esses são agora meras ilusões de ótica que não estão infernizando a vida de quem precisa dirigir. Nem a tinta verde que está se espalhando pela cidade afora parece fazer que esta situação deplorável possa ocupar sequer uma coluna secundária numa página que a maioria dos leitores nem presta atenção.

Importante notar que não se pode culpar os bravos jornalistas, a maioria deles muito jovens e recém saídos do curso de graduação, por essa monocultura colonizadora da nossa realidade. É que o profissional que ousa questionar ou mesmo trabalhar com esmero acaba como ganhando como prêmio o caminho da rua. Por isso, muitas vezes, muitos desses jornalistas acabam abandonando a profissão, ou mesmo criando seus próprios espaços de informação para, finalmente, poderem exercer com liberdade o ofício que escolheram.

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Por tudo isso, em que pese não ter a ambição de ampliar o escopo de atuação deste blog, pois meu tempo é razoavelmente ocupado pelas minhas tarefas de professor universitário, é que me animo quando vejo espaços da mídia alternativa alcançando maiores fatias do público leitor, enquanto os veículos da mídia corporativa entram em franca decadência. Desse processo que se assemelha a um processo de sucessão ecológica é que podemos esperar a quebra da monocultura midiática que mantém nosso povo prisioneiro das “fake news” que são produzidas para nos manter enquanto uma sociedade profundamente desigual e injusta.

 

No (des) governo Pezão, as fake news têm pernas curtas e mancam

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Um parcela significativa dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro iniciou 2018 em meio ao mesmo tipo de tratamento mentiroso que lhe foi dispensado pelo (des) governo Pezão ao longo de todo o ano passado. Falo aqui da mistura explosiva de atrasos salariais e distribuição de “fake news” sobre a regularização dos atrasados cujo principal disseminador é o próprio Luiz Fernando Pezão.

O descrédito do (des) governador do Rio de Janeiro é tão grande que o cientista política  João Feres Junior publicou um texto no seu blog na plataforma de notícias mantida pelo jornalista Luiz Nassif onde diz que quando se trata de Pezão, a mentira tem pernas curtas e manca [1]. Tal descrédito é plenamente merecido, pois o (des) governador Pezão se tornou um contumaz distribuidor de informações que não sobrevivem à luz de qualquer escrutínio mínimo.

Entretanto, como já ocorria com o hoje tombado em desgraça (des) governador Sérgio Cabral, a mídia corporativa, principalmente a carioca, continua oferecendo a Luiz Fernando Pezão espaços generosos para que ele dissemine suas “fake news” e são raros os casos em que alguma cobertura jornalística é dada à real situação das contas públicas e, pior, da persistente ausência de formulação de saídas para a grave crise social e econômica que engolfa o estado do Rio de Janeiro.

Tamanha leniência que marca a cobertura jornalística do caos em que o Rio de Janeiro está submerso só pode ser explicada pela aquiescência tácita dos proprietários dos principais veículos da mídia corporativa com as políticas estruturais que são tocadas pelo (des) governo Pezão em prol da contínua acumulação de capital nas mãos das corporações privadas.

Obviamente o (des)governo Pezão não permanece blindado apenas na cobertura jornalística, pois também nada se ouve no fronte da ação política e, tampouco, nas apurações policiais que continuam desvelando um sem número de crimes que ocorreram sob a batuta gulosa de Sérgio Cabral. É que como o próprio Cabral já revelou, algumas coisas aconteciam bem debaixo do nariz de Luiz Fernando Pezão que, inexplicavelmente, permanece intocado, podendo assim continuar sua agenda de desmanche do estado.

Como está evidente que estamos sob a égide de uma orquestração bem azeitada para permitir que o (des) governador Luiz Fernando Pezão continue sua “obra” até o último dia do seu mandato,  a pergunta que se coloca é de até quando os sindicatos que representam os servidores (ou dizem representar) e os partidos ditos de oposição vão sair da posição cômoda de resumir o enfrentamento às políticas privatizantes e de ataque os serviço público à manifestações esporádicas para dentro e fora da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. É que essa tática tem permitido a que os ataques desfechados pelo (des) governo Pezão ocorram praticamente sem resistência.

A coisa para mim é simples: ou se saí da oposição alegórica que permitiu que o (des) governo Pezão tratasse quase metade dos servidores públicos como lixo descartável ou 2018 será ainda pior para quem já sofreu. É que entre as poucas verdades anunciadas pelo (des) governador Pezão já apareceu a informação de que ele pretende adotar mais “medidas amargas” em 2018, o que certamente será traduzido num aprofundamento dos ataques já feitos contra  os servidores públicos , a começar pelas suas aposentadorias [2].

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[1] https://jornalggn.com.br/blog/joao-feres-junior/a-mentira-de-pezao-tem-pernas-curtas-e-manca-por-joao-feres-junior

[2] https://oglobo.globo.com/rio/ainda-vou-tomar-medidas-amargas-diz-pezao-sobre-crise-economica-do-rio-22241025

As agruras da Família Garotinho e o naufrágio da mídia corporativa

Uma das verdades pouco ditas de forma explícita é que a imensa maioria (se não a totalidade) dos veículos da mídia corporativa só sobrevivem atualmente por conta de verbas originadas do setor público. É que se fossem depender de seus leitores, a mídia corporativa já teria fechado completamente suas portas.

Afora o fato de que não possuem a agilidade das redes sociais, a perda de relevância dos jornais e canais de TV tem muita a ver com a forma pouco plural com que sues proprietários apresentam as suas versões dos fatos, colocando de lado os próprios fatos.  Nesse sentido, quem reclama que a internet prejudicou seus negócios só está experimentando um pouco do próprio veneno.

Um caso que me parece exemplar de como a mídia corporativa causa danos à si mesma é a forma com que os imbróglios do ex-governador Anthony Garotinho e sua família com a justiça são retratados.  A desproporcionalidade do tratamento entre notícias negativas e positivas é tornada óbvia todos os dias. Se Garotinho dá um espirro enquanto estiver falando numa entrevista, a manchete é quase certa. Agora, se um de seus filhos, digamos, Wladimir for absolvido em algum processo importante (por exemplo o caso conhecido como “Chequinho”),  a notícia é, quando muito, colocada numa nota escondida e sem qualquer chamada de capa.  O produto final disso é ocultar que Wladimir foi inocentado por falta de provas num processo em que, aparentemente, existe ampla abundância delas. 

Essa desproporção de tratamento deveria envergonhar qualquer um que se pretenda jornalista sério, mas não.  O tratamento desproporcional à família Garotinho já está naturalizado com o claro objetivo de demonizar não apenas o líder da família, mas a todos os seus membros.  O que isso nos diz é que há que se dar o direito à dúvida a quem é retratado dessa forma, e não a quem retrata. É que, sendo inocente ou não, os objetos da cobertura que se pretenda jornalística deveriam merecer um tratamento minimamente proporcional. Essa deveria ser uma regra de ouro nas redações, mas faz tempo que a mídia brasileira, independente do tamanho da empresa, já perdeu os pruridos e passou a ser parcial e partidarizada. Por isso mesmo, repito, a mídia brasileira merece estar no buraco sem fundo em que se encontra. É que em vez de jornalismo investigativo, o que temos na maioria dos casos são ações de assassinatos seletivos de reputação.

Uma coisa que tem me chamado a atenção é o crescimento da relevância de portais eletrônicos independentes.  O que muitos proprietários de veículos tradicionais teimam em não reconhecer é que a sua perda de relevância frente aos meios  eletrônicos de comunicação se dá por critérios que vão além da velocidade e rapidez  que caracterizam as novas mídias. O critério que cada vez atrai mais leitores parece ser a do equilíbrio na cobertura, o que prefiro chamar de proporcionalidade. Por isso mesmo, no caso específico de Anthony Garotinho, não é por acaso que são os veículos da mídia eletrônica que vêm dando o espaço necessário para apontar para os elementos mais relevantes e contraditórios que cercam o atual cerco judiciário que ele sofre.

Por último, há que se ressaltar que a falência da capacidade investigativa da mídia brasileira está gerando outro fenômeno interessante que é o crescimento da importância da cobertura feita por grandes  veículos da mídia estrangeira como o El País e a BBC, que possuem portais específicos na língua portuguesa.  Esse fenômeno somado ao dos portais eletrônicos locais ou regionais deverá ter repercussões profundas sobre o mercado jornalístico brasileiro. E me arrisco a dizer que só sobreviverão aqueles que conseguirem oferecer informações que reflitam mais a realidade do que aquilo que seus interesses comerciais ditam que seja publicado.  Para os que não mudarem de postura, o naufrágio será inevitável. A ver!