Trincas em barragem de mina de ouro em Santa Bárbara (MG), uma história que começou em 2019

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Barragem de mineração de ouro da AngloGold Ashanti, a Córrego do Sítio II, ameaça romper no município de Santa Bárbara (MG) com alto potencial de destruição e contaminação ambiental

Em janeiro de 2019 este blog publicou um alerta feito pela médica veterinária e proprietária rural Sara Xavier que alertava sobre os riscos colocados por uma barragem da mineradora sul africana AngloGold Ashanti no município de Santa Bárbara (MG) onde era feito um alerta sobre os graves riscos que aquela estrutura colocava sobre os recursos hídricos e o meio ambiente (ver abaixo).

Uma nova postagem foi feita em maio de 2021 para confirmar que o alerta feito por Sara Xavier tinha fundamental, pois um primeiro rompimento teria ocorrido em uma das estruturas mantidas pela AngloGold em Santa Bárbara, causando uma grave contaminação no Rio Conceição, na medida em que um dos principais contaminantes originados na mineração de ouro é o arsênio.

 (Divulgação / AngloGold Ashanti)

Pois bem, hoje a mídia corporativa está informando que a barragem da AngloGold em Santa Bárbara apresentou processo de trincamento, originando a necessidade de se elevar o grau de monitoramento da situação, que estaria ainda no chamado nível 1 quando a gravidade ainda é pequena (ver imagem abaixo).

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Como a primeira informação da AngloGold de que haveria apenas uma trinca na barragem já foi desmentida por informações dadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM), não há porquê acreditar na versão da empresa.  Como Sara Xavier já havia alertado em 2019,  o problema que seria causado pelo rompimento desta barragem deveria ser de alta preocupação por parte das autoridades mineiras. Mas com Romeu Zema reeleito em primeiro turno, a possibilidade é que nada seja feito.

Rompimento de barragem de rejeitos de mineradora canadense causa Tsunami tóxico no Maranhão

Barragem é equiparada a de Mariana em proporção de exploração de minérios; população relata poluição do rio Tromaí, no oeste do Maranhão

Por Movimento de Atingidos por Barragens

Nesta quinta-feira (25), diversas denúncias a partir de vídeos e matérias de veículos locais surgiram sobre o rompimento da principal barragem de rejeitos do Maranhão, no município de Godofredo Viana, na região extremo oeste, próximo a divisão com o estado do Pará.

Moradores registraram o momento em que uma das barragens da mineradora Aurizona se rompeu, transbordou e invadiu o reservatório de água de onde era feita a captação do sistema de abastecimento da cidade

A operação de responsabilidade da mineradora Aurizona pertence ao grupo privado Canadense Equinox Gold, trata-se da maior reserva mineral de ouro do Brasil e uma das principais do mundo. Dados de 2019 revelam que essa região possui mais de 750 mil toneladas de ouro estocado em minas.

A mineradora se posicionou em nota minimizando o problema e afirmando que não houve rompimento de barragem, mas, sim comprometimento de drenagem em operação da MASA S/A (Mineração Aurizona).

Até o momento não há informações sobre vítimas. Os primeiros relatos dão conta de que pode haver contaminação do rio e que o rompimento interditou o acesso à única estrada da região. O rio mais próximo da mineradora é o rio Tromaí, ao lado da barragem e ao mar em uma área de mangue.]

As famílias contam que, por conta da contaminação de minérios no rio, já estão sem acesso à água potável.

A contaminação de minério deste tipo em corpos hídricos pode acarretar uma série de impactos sociais e ambientais na vida da população atingida, como a ocorrência de diversas doenças, além do aumento da pobreza e da desigualdade social, como ocorreu em Brumadinho, Minas Gerais.

Ressaltamos que em 2018 houve um deslocamento de pilhas de estéril, causado pela explosão de dinamites e cerca de quatro mil pessoas foram atingidas, ficando isoladas.

Na última terça-feira (23) a pedido do MAB, o deputado estadual Adelmo Soares (PCdoB), aprovou na CCJ da Assembleia Legislativa do Maranhão a tramitação do PL 66/2021 que cria uma lei estadual de direitos das populações atingidas por barragens no Maranhão.

Afirmamos que o evento desta quinta-feira é mais um crime socioambiental das mineradoras, que são as mais beneficiadas com o atual modelo energético existente no país, e que se colocam contra a população brasileira.

As barragens de mineração, hidrelétricas e de água no Brasil não podem continuar representando insegurança, medo e violência para a população que vive próxima desses empreendimentos.

As empresas donas das barragens, muitas de fora do país e grandes transnacionais, são as beneficiadas com o lucro às custas de nossos recursos e do nosso povo, com altas tarifas, e precisam ser responsabilizadas urgentemente.

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Este texto foi originalmente publicado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens [Aqui! ].

Especialista internacional em segurança de barragens reprova projeto técnico apresentado pela Belo Sun para a mineração de ouro em Belo Monte

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A pedida da Rede Xingu +, o especialista em segurança de barragens, Steven Emerman, preparou um relatório sobre os possíveis impactos do rompimento da barragem de rejeitos que a mineradora canadense Belo Sun pretende construir para conduzir a mineração de ouro em Volta Grande na região de Belo Monte (ver figura abaixo).

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O convite a Steven Emerman se justifica pelo fato dele ser um especialista com alta experiência internacional,possuindo um PhD em Geofísica pela Universidade Cornell, e 31 anos de experiência no ensino de hidrologia e geofísica, com 66 publicações revisadas por pares nessas áreas. O Dr. Emerman é atualmente o proprietário da Malach Consulting, especializada em avaliar os impactos ambientais da mineração para empresas de mineração, bem como organizações governamentais e não-governamentais.”

Em seu relatório, o Dr. Emerman aponta que a Belo Sun Mining  está propondo que o armazenamento permanente de 35,43 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minas e água seja realizado em uma barragem de rejeitos de 44 metros de altura às margens do Rio Xingu.

Mas após avaliação criteriosa da proposta da Belo Sun,  o Dr. Emerman conclui que “a reciclagem do lixiviado de cianeto entre o reservatório de rejeitos e a planta de processamento de minério tem o potencial de enriquecer a água de rejeitos em antimônio, arsênico e mercúrio“. Além disso, Steven Emerman concluiu que a “barragem não foi desenhada com nenhum critério de segurança sísmica e sem estudo de sismicidade local ou regional. No provável cenário de falha, o fluxo inicial de rejeitos cobriria 41 km com impacto significativo na terra indígena Arara de Volta Grande do Xingu“.

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Um dos fatores considerados pelo Dr. Emerman em suas análises sobre a viabilidade técnica do projeto técnico apresentada pela Belo Sun se refere à análise da estrutura geológica na região próxima ao empreendimento, onde ficou demonstrada a presença de falhas geológicas que poderiam ter influência na ruptura da barragem de rejeitos (ver figura abaixo).

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Com base em suas análises acerca da proposta apresentada pela Belo Sun, o Dr. Emerman concluiu que:

  • 1) O uso do reservatório de rejeitos para captura do escoamento superficial é contrário à  tendência do setor de mineração de reduzir a água armazenada nos reservatórios de rejeitos, a fim de reduzir tanto a probabilidade e quanto as consequências da falha da barragem.
  • 2) A barragem de rejeitos não foi desenhada para nenhum critério de segurança sísmica, violando os regulamentos brasileiros das barragens de rejeitos.
  • 3) Não houve estudo da sismicidade local ou regional, embora falhas geológicas cruzadas tenham sido mapeadas no local da barragem de rejeitos proposta, o que também viola os regulamentos brasileiros das barragens de rejeitos.
  • 4) A reciclagem do lixiviado de cianeto pode resultar em água de rejeitos altamente enriquecida em antimônio, arsênico e mercúrio.
  • 5) No cenário mais provável da falha de barragem (liberação de 28% dos rejeitos armazenados), o fluxo inicial de rejeitos cobriria 41 quilômetros ao longo do rio Xingu, com impacto significativo na terra indígena Arara de Volta Grande do Xingu. No pior cenário (liberação de 100% dos rejeitos armazenados), o fluxo inicial cobriria 98 quilômetros ao longo do rio Xingu. Após o evento inicial, processos fluviais normais transportariam os rejeitos para o rio Amazonas e para o oceano Atlântico.
  • 6) Não há planos para o fechamento seguro da barragem de rejeitos, exceto a drenagem da água livre para um lago de contenção de água.
  • 7) A probabilidade anual de falha da barragem de rejeitos seria de pelo menos 0,5%, o que é inaceitavelmente alta.
    8) Embora a Belo Sun tenha declarado aos investidores que abandonarão o plano atual de armazenamento de rejeitos úmidos em favor de rejeitos filtrados, ainda existem desafios técnicos significativos para o armazenamento de rejeitos filtrados em áreas com alta precipitação.
  • 9) É inquietante que a  Belo Sun tenha fornecido as informações contraditórias  sobre seu plano de armazenamento de rejeitos aos investidores e às autoridades reguladoras brasileiras.

Com base em todas essas observações, o Dr. Emerman recomendou que “com base na alta probabilidade de falha da barragem de rejeitos proposta, o Projeto de Ouro Volta Grande deve ser rejeitado pelas autoridades reguladoras brasileiras sem consideração
adicional” E adicionou ainda que o simples “fornecimento de informações conflitantes aos investidores e às autoridades reguladoras brasileiras deve ser motivo suficiente para rejeição“.

Quem desejar ler a íntegra do relatório do Dr. Emerman em inglês pode clicar [Aqui!] ou em português [Aqui!].