Caso Chequinho: não gostou da mensagem? Atire no mensageiro

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As revelações trazidas pelo SBT Rio têm trazido algumas repercussões curiosas no plano da mídia corporativa de Campos dos Goytacazes. Como não se pode mais manter intacta a narrativa construída para dar sustentação à perseguição midiática-jurídica-policial, agora estou vendo tentativas de descaracterizar a capacidade dos jornalistas do SBT Rio de produzirem jornalismo de boa qualidade, em que pesem estar trabalhando na emissora comandada pela família Abravanel.

sbt rio

Esse procedimento é clássico por parte daqueles que não têm como desconstruir (ou seria destruir?) a mensagem passam a atacar o mensageiro. O problema é que nesse caso o mensageiro tem mais público e mais capacidade de continuar produzindo matérias que definitivamente tirarão o embate existente no plano paroquial para o nacional. É que certamente as idas e vindas da Operação Chequinho ainda vão parar no jornalismo nacional do SBT. E quem pode culpar os produtores dos programas jornalísticos da tv do Silvio Santos se o material sendo levantado é, digamos, deveras importante?

Por último, eu tenho a impressão que se forem estabelecidas as devidas conexões entre o que aconteceu e está acontecendo em Campos dos Goytacazes com o grupo político do ex-governador Anthony Garotinho com o que está se passando no plano nacional com o ex-presidente Lula, vamos poder assistir ao desabamento de um castelo de cartas muito maior do que os produtores do jornalismo do SBT Rio imaginaram que iriam tocar num primeiro momento. É que tudo está muito parecido para ser apenas acidente. 

O irônico é perceber que os destinos de Anthony Garotinho e Lula, que faz tempo não são lá grandes amigos, se encontrarem de forma tão curiosa já que os ingridientes da saga em que suas vidas se transformaram parecem ser basicamente os mesmos.

Matéria do SBT Rio promete fazer a terra tremer em Campos dos Goytacazes

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Acabo de ler a chamada de uma matéria que o SBT Rio levará ao ar no dia de hoje e aproveito para reproduzir seu conteúdo logo abaixo:

Exclusivo: Reviravolta no Caso da Operação Chequinho, que investiga um suposto esquema de compra de votos na eleição de Campos, no interior do estado. Documentos obtidos pelo SBT Rio revelam que a própria chefe da Delegacia da Polícia Federal de Campos denunciou várias irregularidades que teriam sido cometidas durante o processo. Entre elas, prisões ilegais, coação de testemunhas e até delegado elaborando decisão judicial.

Bom, boa parte dos fatos que serão veiculados pelo SBT Rio já tinham sido fartamente denunciados pelo ex-governador Anthony Garotinho e seus apoiadores. A novidade aqui é que as denúncias agora partem aparentemente da delegada chefe da delegacia de Campos dos Goytacazes. Esta “novidade” certamente é inesperada para muitos, inclusive para mim e adiciona uma pitada explosiva no imbróglio em que se tornou a chamada Operação Chequinho.

Ah, sim, outra novidade anunciada é a participação de um delegado da Polícia Federal na elaboração de decisão judicial. Como decisão judicial é algo que só juízes podem legalmente redigir, resta esperar a veiculação da matéria do SBT Rio para saber qual decisão judicial teria sido escrita por qual delegado da Polícia Federal.

Por isso é que seguindo a Lei de Murphy que eu digo “não há nada que não esteja tão ruim que não possa piorar”. 

Agora é que são elas: TSE produz o inevitável habeas corpus e Anthony Garotinho está livre para falar

Apesar de não ser detentor de nenhum tipo de poder premonitivo havia anunciado neste blog que a concessão de um habeas corpus em favor do ex-governador Anthony Garotinho era quase uma inevitabilidade em face das condições singulares em que se deu a decretação de sua prisão pelo juiz Ralph Manhães [1].

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Assim não recebi com qualquer tipo de surpresa a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite passada de não apenas conceder o habeas corpus requerido pela defesa de Anthony Garotinho, mas também de suspender todas as medidas draconianas que tinham sido impostas a ele ao longo do caminho, incluindo a curiosíssima proibição do ex-governador abordar o processo ao qual está respondendo pela suposta malversação de recursos públicos para a captação de votos.

Aliás, surpreendente seria se o TSE decidisse não conceder o habeas corpus, já que o caso se reveste de vários elementos contenciosos onde é colocada em xeque a imparcialidade não apenas do juízo de primeira instância, mas também do plenário do Tribunal Regional Eleitoral.

Agora que Anthony Garotinho poderá voltar aos microfones da Rádio Tupi, provavelmente já na próxima segunda-feira, é bem provável que possamos ouvir por própria voz alguns dos elementos que já constam dos autos, a começar pelo pedido de suspeição de várias autoridades envolvidas no que foi conhecida como “Operação Chequinho”.

Por outro lado, quem mais deve estar se preocupando com essa reviravolta na situação legal de Anthony Garotinho é o jovem prefeito Rafael Diniz, seus menudos neoliberais e os elementos da mídia corporativa que se refastelaram com o silêncio obsequioso imposto a um político que não tem medo do confronto.   Aliás, uma das lições desse caso foi verificar como alguns conseguem bater sem dó em quem não pode se defender. 

No caso particular do jovem prefeito Rafael Diniz e seus jovens neoliberais, me atrevo a dar um pitaco de conselho: trabalhem mais em prol da resolução da grave crise social e econômica que ameaça engolir a cidade que todos nós amamos, e deem menos entrevistas que são lidas apenas por quem, mormente não está sofrendo na carne as consequências dos cortes seletivos que foram feitos nas despesas do município. Essa parece ser uma fórmula bem pueril, mas ainda parece ser a única saída possível para evitar que haja um naufrágio precoce de uma administração que começou cercada de tantas esperanças, e até agora se mostrou um estelionato eleitoral completo.

E lembrem-se: Anthony Garotinho agora não está mais sob silêncio obsequioso. E na arte de se comunicar, ele ainda, apesar de seus problemas legais, ainda é rei sem sucessor à vista na planície onde os índios Goytacazes um dia correram livres.

Em suma: agora é que são elas, pois a caça tenderá a se transformar em caçador. A ver!


[1] https://blogdopedlowski.com/2017/09/19/anthony-garotinho-e-sua-singular-prisao-domiciliar/

A prisão de Anthony Garotinho e a mulher de César

A decretação da prisão domiciliar com pitadas de silêncio obsequioso a que o ex-governador Anthony Garotinho foi submetido pelo juiz Ralph Manhães está ganhando projeção nacional, e por motivo bastante correlato ao caso conhecido como “Operação Chequinho”.

A coisa que está mais causando o transbordamento do caso do plano local para o nacional se refere à nomeação de parentes do delegado da Polícia Federal que vem comandando as investigações da “Operação Chequinho” para ocuparem cargos de confiança na gestão do prefeito Rafael Diniz (PPS).

O primeiro a abordar essas nomeações foi o jornalista Lauro Jardim no seu blog no “insuspeito” jornal O GLOBO [1].  Neste sábado (22/9) quem toca no caso é o jornalista Fernando Brito do respeitado blog de circulação nacional “Tijolaço” [2]

Em sua postagem, Fernando Brito foi bastante ácido em relação à situação vigente em relação à “Operação Chequinho” ao afirmar que “Campos, no Norte Fluminense, por tantos anos controlado por suas oligarquias, agora tem  “coronéis de toga e de distintintivo”.

De minha parte afirmo que em determinados casos, como é o da “Operação Chequinho”, vale a máxima originada da frase do Imperador romano Júlio César num caso envolvendo sua esposa Pompéia e um jovem que teria entrado disfarçado de mulher numa das festas promovidas pela imperatriz. Apesar de não ter encontrado provas que sua mulher teria cometido adultério, César se divorciou dela, dizendo que ““minha esposa não deve estar nem sob suspeita”. Assim,  ter parentes nomeados pelo prefeito cuja candidatura teria apoiado nas eleições de 2016, e ainda por cima ter chefiado as investigações que resultaram na prisão de Anthony Garotinho, não contribui para evitar que suspeitas, mesmo que infundadas, sejam levantadas. Pois como diz o provérbio que resultou do imbróglio entre César e Pompéia, “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

Já no que se refere ao jovem prefeito Rafael Diniz, ele deve estar consciente das inevitáveis repercussões que a publicização das nomeações citadas por jornalistas de projeção nacional terão sobre seu governo. Do contrário, não as teria feito. Resta apenas saber se os riscos envolvidos foram bem calculados.

Mas não nos esqueçamos que em breve o “habeas corpus” (HC) impetrado por Anthony Garotinho será julgado pela Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se o HC for concedido é muito provável que essas nomeações ainda vão ser citadas num certo programa radiofônico que é veiculado pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro. A ver!


[1] http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/emprego-para-os-irmaos.html

[2] http://www.tijolaco.com.br/blog/prefeito-nomeia-2-irmaos-do-delegado-que-prendeu-adversario-garotinho/

Mistérios que cercam a prisão domiciliar de Anthony Garotinho

Como uma das maiores pedras cantadas da história da justiça de Campos dos Goytacazes (desconfio inclusive que até os sapos que habitam as margens do Rio Paraíba do Sul logo abaixo do Fórum Maria Teresa Gusmão já sabiam que isso aconteceria), o juiz Ralph Manhães condenou o ex-governador Anthony Garotinho como parte do caso conhecido como “Chequinho”.

Até aí morreu o Neves. O que me surpreende é a decisão de colocá-lo em prisão domiciliar num caso de primeira instância e, surpresa das surpresas, em sua residência no Bairro da Lapa em Campos dos Goytacazes.  E por que digo que surpreende, ao menos a mim. Surpreende pela contradição entre manter Anthony Garotinho proibido de residir em sua casa durante o processo de instrução do processo para agora obrigá-lo a cumprir uma estapafúrdia prisão domiciliar na cidade onde era proibido de adentrar.

Ainda que a prisão renda boas manchetes e certamente algumas talagadas de whisky paraguaio entre os seus muitos inimigos e ex-amigos, esse desfecho da Operação Chequinho parece mais um daqueles onde passada a marola causada pela expedição de uma sentença, no mínimo, meio esquisita se suceda um também esperado e óbvio habeas corpus.

Enquanto isso, o jovem prefeito Rafael Diniz continua livre, leve e solto para rogar pragas contra o “governo anterior” enquanto a cidade de Campos dos Goytacazes espera que ele comece mostrar algum tipo de reação objetiva à crise financeira que não dá sinais de querer arrefecer. 

E como já bem levantou a bola o blogueiro Douglas da Mata, agora que Anthony Garotinho está temporariamente sob uma draconiana prisão domiciliar é de se esperar que o jovem prefeito Rafael Diniz finalmente comece a governar de acordo com o que prometeu [1]. Mas será que vai? Tenho minhas dúvidas.


[1] http://planicielamacenta.blogspot.com.br/2017/09/xiii-acabou-desculpa.html

O processo em curso contra Anthony Garotinho por causa da “Operação Chequinho” e suas muitas curiosidades

Tendo acompanhado com alguma curiosidade as idas e vindas do processo que corre na justiça de Campos dos Goytacazes envolvendo o ex-governador Anthony Garotinho em função de sua suposta participação no esquema da captura ilícita de votos connhecido como “Operação Chequinho”.

Uma das facetas curiosas que tem me deixado intrigado é o uso do chamado advogado dativo para representar Anthony Garotinho nas idas e vindas de suas representações legais ao longo do processo. Como desconhecia a definição precisa do que viria a ser um advogado dativo,  fiz como qualquer mortal faz nos dias de hoje e fui ao Google procurar uma explicação que me fosse esclarecedora, e lá encontrei a seguinte: 

O termo “dativo” é utilizado para designar defensor (advogado) nomeado pelo juiz para fazer a defesa de um réu em processo criminal ou de um requerido em processo civil, quando a pessoa não tem condições de contratar ou constituir um defensor. O defensor dativo também pode ser denominado defensor “ad hoc”. 

Ao que me parece, o essencial para o uso do advogado dativo seria a incapacidade de um dado réu de contratar ou constituir um defensor. Então, alguém me explique por que o juiz Ralph Manhães já indicou dois advogados dativos para Anthony Garotinho, sendo que o ônus financeiro para o réu, no caso do segundo dativo, estaria em torno de R$ 130.000,00!

A coisa fica ainda mais curiosa quando circulam informações que o segundo advogado dativo entregou a defesa do ex-governador Anthony Garotinho sem se consultar com o seu “cliente”.  Eu digo curiosa porque se o custo por representar Anthony Garotinho for mesmo de R$ 130.000,00, o mínimo que se esperaria seria um encontro entre o representado e o representante. Ou não?

Para deixar a coisa ainda mais curiosa (a este ponto eu diria que este processo chegou às raias do curiosíssimo!) , o advogado dativo teria entregue a sua onerosa peça quando Anthony Garotinho já havia constituído outro advogado. Aí me pergunto, como é que o pessoal do cartório onde o processo está depositado não notou essa situação bastante singular e acatou a peça apostada por um advogado que não possuía o direito legal de representar um réu que não quiz ser representado por ele.

Como fui informado que o juiz Ralph Manhães voltará de férias na próxima semana, vou ficar aguardando para ver se teremos outras curiosidades acontecendo num processo já tão cheio delas. 

Mas a despeito do que possa acontecer, a pergunta que não me sai da cabeça é a seguinte: como ficaria um cidadão comum, e não uma personalidade política extremamente articulada como Anthony Garotinho, se fosse enredado numa teia tão extensa de curiosidades? Ia pedir ajuda a quem? A um advogado dativo indicado pelo juiz?