Mistérios que cercam a prisão domiciliar de Anthony Garotinho

Como uma das maiores pedras cantadas da história da justiça de Campos dos Goytacazes (desconfio inclusive que até os sapos que habitam as margens do Rio Paraíba do Sul logo abaixo do Fórum Maria Teresa Gusmão já sabiam que isso aconteceria), o juiz Ralph Manhães condenou o ex-governador Anthony Garotinho como parte do caso conhecido como “Chequinho”.

Até aí morreu o Neves. O que me surpreende é a decisão de colocá-lo em prisão domiciliar num caso de primeira instância e, surpresa das surpresas, em sua residência no Bairro da Lapa em Campos dos Goytacazes.  E por que digo que surpreende, ao menos a mim. Surpreende pela contradição entre manter Anthony Garotinho proibido de residir em sua casa durante o processo de instrução do processo para agora obrigá-lo a cumprir uma estapafúrdia prisão domiciliar na cidade onde era proibido de adentrar.

Ainda que a prisão renda boas manchetes e certamente algumas talagadas de whisky paraguaio entre os seus muitos inimigos e ex-amigos, esse desfecho da Operação Chequinho parece mais um daqueles onde passada a marola causada pela expedição de uma sentença, no mínimo, meio esquisita se suceda um também esperado e óbvio habeas corpus.

Enquanto isso, o jovem prefeito Rafael Diniz continua livre, leve e solto para rogar pragas contra o “governo anterior” enquanto a cidade de Campos dos Goytacazes espera que ele comece mostrar algum tipo de reação objetiva à crise financeira que não dá sinais de querer arrefecer. 

E como já bem levantou a bola o blogueiro Douglas da Mata, agora que Anthony Garotinho está temporariamente sob uma draconiana prisão domiciliar é de se esperar que o jovem prefeito Rafael Diniz finalmente comece a governar de acordo com o que prometeu [1]. Mas será que vai? Tenho minhas dúvidas.


[1] http://planicielamacenta.blogspot.com.br/2017/09/xiii-acabou-desculpa.html

Um pensamento sobre “Mistérios que cercam a prisão domiciliar de Anthony Garotinho

  1. Marco Antônio disse:

    Professor Marcos reservei um tempo para pesquisar sobre esta operação chequinho. Confesso que também fiquei surpreso com alguns fatos relacionados a tal operação e subsequente processo. Vejamos:
    1- O promotor que funciona no caso foi denunciado por Garotinho bem antes da tal operação, inclusive sendo alvo de investigação por parte do próprio MPRJ. Como pode o promotor estar atuando no processo?;
    2 – Todos os advogados que atuaram no processo acusam o juiz de parcialidade e cerceamento de defesa. Até o penúltimo dativo nomeado pelo juiz, representou contra o magistrado.
    Li entrevista de um dos advogados que atuaram no processo que informou que renunciou ao caso devido a ter certeza do que quer que fosse demonstrado ou provado o juiz já estaria com a condenação do réu pronta. Outra coisa que me chamou atenção foi o anúncio no blog do réu de que seria pré-candidato ao governo do estado e a notícia logo após isso de sua prisão. Não estou defendendo Garotinho (o livro do Ricardo Molina tem uma passagem sobre Garotinho muito interessante…), mas que parece que essa operação e este processo não tem nada a ver com justiça e sim com briga política. E justiça seja feita… o Garotinho era o único político que estava denunciando toda a quadrilha de Sérgio Cabral, inclusive sua ramificação na ALERJ e TJRJ.

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