Wladimir Garotinho brinca de roleta russa com a COVID-19. Toma a música DJ que os donos das funerárias agradecem!

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O Decreto Municipal No. 372 de 13 de outubro de 2021 que liberou a realização de eventos de massa para até 2.000 pessoas é um dos muitos exemplos de como a ciência e o conhecimento científico já gerado acerca das formas de difusão do SARS-COV-2 estão sendo ignorados solenemente pela administração do prefeito Wladimir Garotinho.  É que esta passaporte para a contaminação em massa pelo novo coronavírus passa ao largo de qualquer preocupação real com a saúde pública municipal, ainda que o referido instrumento legal traga as costumeiras menções a medidas de controle sanitário que são literalmente para inglês ver.

Tendo visto uma matéria televisiva onde o meu colega da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o pesquisador e imunologista Milton Kanashiro,  afirmou que esta flexibilização não está levando em conta os dados do comportamento da pandemia da COVID-19 em Campos dos Goytacazes, eu fico apenas imaginando qual será a explicação que será dado caso a espiral de casos venha a assumir as piores proporções. O mais provável é que os culpados sejam os frequentadores dos eventos e seus organizadores, pois está evidente que o governo municipal está desde já lavando as mãos com uma situação que não tem de tranquila, a começar pelo total da população adulta que já completou o ciclo vacinal (ver figura abaixo os dados de vacinados com segunda dose!).

dados covid campos

Mas esperar o quê de um governo que está claramente alinhado com o negacionismo científico instalado no governo federal? Nada de muito diferente do que está se vendo. Em função disso, é certo que o setor do empresariado campista que vai continuar “bombando” é o dos donos de agências funerárias. Toca a música DJ!

 

COVID-19: se as universidades estão fechadas, por que as escolas estão abertas?

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O jornal “Terceira Via” decidiu fazer uma matéria muito curiosa a partir de uma premissa ainda mais curiosa envolvendo a decisão das instituições de ensino superior da cidade de Campos dos Goytacazes de não retomar as aulas presenciais. É que segundo os redatores do “Terceira Via”, se crianças estão tendo aulas em meio a uma pandemia letal, por que jovens adultos não podem também (ver imagem abaixo)?

escolas abertas

Eu que convivo há um ano e meio com aulas virtuais e noto a angústia que se apossou dos meus estudantes em não poderem estar frequentando o campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), já que a maioria deles reconhece que isso seria um convite à contaminação em um país em que menos de 45% da população completou a rotina vacinal.

Assim, a pergunta que o “Terceira Via” deveria estar se fazendo é sobre como as aulas estão sendo ministradas em escolas municipais, na medida em que quem escreveu a referida matéria não se deu ao trabalho de fazer um levantamento mínimo sobre casos de infecção pelo coronavírus na rede municipal de ensino, tanto entre profissionais de educação quanto entre os estudantes cujos pais optaram por enviar os seus filhos às aulas presenciais.

O curioso é que no dia de hoje o mesmo “Terceira Via” noticiou o falecimento de mais um empresário campista em função da COVID-19. Aliás, eu já perdi a conta de quantos proprietários de estabelecimentos comerciais de Campos dos Goytacazes já morreram em função das complicações causadas pela infecção causada pelo SARS-Cov-2.  Sobre isso, não me lembro de ter lido matéria do Terceira Via.

Se estivessem dispostos a contribuir para a educação da população sobre os riscos de menosprezar as regras de isolamento social e do uso de equipamentos de proteção individual, os editores da Terceira Via iriam gastar o tempo dos seus repórteres com informação e não com tentativas mal enjambradas de pautar os dirigentes de instituições de ensino superior para atender os interesses de sabe-se lá quem.

Eu aproveito para devolver a questão proposta pelos redatores do Terceira Via: se as universidades não estão abertas para diminuir a possibilidade de mais casos de COVID-19, por que raios as nossas crianças estão sendo encurraladas em aulas presenciais?

Brasil ultrapassa 600 mil vidas perdidas para Covid-19, Anistia Internacional Brasil exige justiça

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O Brasil atinge a triste marca de 600 mil pessoas que perderam suas vidas para a COVID-19 . São milhares de vozes silenciadas e famílias em luto pelos seus entes queridos. A marca atingida hoje é resultado direto e indireto das ações e omissões do Estado brasileiro e de autoridades públicas que deveriam garantir o direito básico à vida e à saúde e decidiram desrespeitar o princípio da vida em primeiro lugar.

Desde o princípio da pandemia da COVID-19 a Anistia Internacional Brasil alerta que o Estado brasileiro tem deveres constitucionais de garantir que brasileiros e brasileiras tenham seus direitos à vida e à saúde assegurados. É urgente que essas mortes que poderiam ter sido evitadas, sejam responsabilizadas

“As vítimas da pandemia da COVID-19 e seus familiares precisam de uma reparação e uma recuperação justas. Nós perdemos demais! A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), em um trabalho importante e corajoso, reuniu fatos e evidências que demonstram o quanto foram perniciosas determinadas ações e as muitas omissões daqueles que tinham o dever de agir para salvar vidas. Eles precisam ser responsabilizados. Fazer justiça é urgente e ela precisa vir de várias formas. Essas 600 mil vidas perdidas exigem de todas e todos respeito, que choremos por elas e que sigamos na busca por reparações e para que o Brasil possa ultrapassar este momento e retomar o caminho do respeito aos direitos e à vida de todas e todos.”, afirma Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.

A Anistia Internacional Brasil e 16 organizações da sociedade civil estão à frente da campanha Omissão Não é Política Pública que exige que o Procurador Geral da República, Augusto Aras, não deixe impunes os possíveis crimes apontados pela CPI da Covid. E que todas as pessoas apontadas pelo relatório final da CPI sejam processadas judicialmente e devidamente responsabilizadas.

CONTAG divulga avaliação dos 1.000 dias do (des)governo Bolsonaro

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O Brasil enfrentou no segundo ano do governo Bolsonaro uma Pandemia. O governo demorou a reagir e a buscar soluções para a crise, deixando para o Congresso e para os(as) governadores(as) e prefeitos(as) a tarefa de liderar o combate ao vírus. Foi assim com o auxílio emergencial, foi assim com a vacinação, foi assim com o incentivo ao uso de máscaras e isolamento nos momentos mais cruciais da crise. O Brasil ficou para trás no combate à COVID-19, e também na recuperação pós Pandemia. Enquanto os países desenvolvidos fazem planos de investimentos milionários para recuperar o tempo perdido, no Brasil, o Estado continua jogando parado.

A queda de 36% no investimento público federal, previsto para 2022 no orçamento enviado ao Congresso nos 1.000 dias de governo, sinalizam a impotência do governo diante da crise.  As previsões do mercado para este e para o próximo ano se deterioraram rapidamente nos últimos meses, revelando a falta de credibilidade do mercado com a recuperação do País.

O retorno ao trabalho e a volta da atividade econômica carregam as marcas da crise. A inflação cresceu 156% de janeiro de 2019 a agosto de 2021. O desemprego cresceu 18% do início do governo até o último mês de junho, o número de desempregados subiu 14%. Ao mesmo tempo, o número de trabalhadores(as) com carteira assinada caiu 9%, enquanto os autônomos sem CNPJ cresceram 4%. O Brasil tem cada vez mais trabalhadores(as) no informais, sem direitos, e cada vez menos trabalhadores(as) protegidos pela legislação trabalhista. A Pandemia mostrou o perigo e o sofrimento desses trabalhadores e trabalhadoras mais precários(as), os que mais sofreram com a crise sanitária e econômica. O rendimento médio do trabalho caiu assim como a renda per capita.

O PIB agropecuário a preços de 1995 cresceu 5%, um crescimento modesto, mas que ajudou a segurar a queda do PIB nacional que subiu 1% no período, entre o primeiro trimestre de 2019 e o segundo trimestre de 2021.  O governo viu o dólar disparar, com uma perda expressiva de valor do real. E viu seu espaço de manobra se reduzir com uma elevação de 44% da dívida pública em termos nominais.

Portanto, a grande maioria do povo brasileiro vive as mil agonias patrocinadas pelo governo Bolsonaro, e isso implica fome, miséria, desemprego, degradação social e ambiental, risco de apagão, aumento da inflação e da corrupção, desvalorização do real e um momento muito ruim da imagem do país no cenário internacional. Esse é o modelo econômico que o governo vem mantendo herdado do golpe político-jurídico-midiático de 2016, com o impedimento do mandato da presidenta Dilma Rousseff, o qual só tem gerado mais desigualdade social, desmatamento, aumento da violência, perda de direitos e um forte ataque à democracia.

Para a agricultura familiar, particularmente, foram momentos de perdas e retrocessos: paralisação da reforma agrária, redução drástica de políticas como o Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR), Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), eletrificação rural, Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), políticas para a juventude, mulheres e pessoas idosas rurais, combate à pobreza, dentre outras. Somente o Pronaf permaneceu e, mesmo assim, com o(a) agricultor(a) pagando juros acima da Selic por duas safras seguidas. Só não está maior agora pelo aumento da Selic pelo Copom/BACEN, visando conter a alta da inflação.

Por duas vezes, os PLs de apoio emergencial à agricultura familiar foram votados quase à unanimidade no Congresso Nacional e igualmente vetados pelo presidente da República.

No debate sobre o futuro do País, esse governo não produziu uma só ação que mostre o caminho para a superação dos problemas vividos pela maioria da população. Fez exatamente o contrário, tem mostrado o que não poderia jamais ter sido feito. Está mais do que na hora de o movimento sindical, organizações sociais, sociedade civil organizada e as forças democráticas e populares unirem forças para superar este perverso modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza e aumenta a fome no País, buscando recuperar o crescimento econômico e social, a preservação ambiental, garantindo vida digna à população brasileira.

Em audiência pública, secretário estadual de Saúde do MS enfrenta negacionistas da COVID-19 e os chama de “nazistas e fascistas da atualidade”

geraldo resende

Secretário estadual de Saúde do MS, Geraldo Resende, responde de forma dura a manifestantes que impediam realização de audiência pública na Câmara de Vereadores de Campo Grande

Em uma audiência pública realizada para discutir a implantação de um “passaporte da imunidade” no estado do Mato Grosso do Sul, o secretário estadual de Saúde,  Geraldo Resende, resolveu literalmente nome aos bois e chamou manifestantes de “nazistas e fascistas da atualidade” por tentarem se opor aos esforços realizados para conter a continuidade da pandemia da COVID-19, dizendo que a maioria do povo os irá colocar na lata de lixo da história (ver vídeo abaixo).

De quebra, Resende defendeu que se avance na implantação de um passaporte sanitário no Mato Grosso do Sul como forma de proteger vidas e deter a pandemia da COVID-19.

Eu diria, sem conhecer a trajetória do secretário estadual de Saúde do MS que ele disse o que muitos pensam e não têm coragem ou oportunidade de dizer.

Anvisa, que procrastina a liberação de vacinas e permite enxurrada de agrotóxicos banidos, para Brasil e Argentina em estilo pastelão

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Já notei neste blog a dualidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no tratamento da liberação de vacinas e agrotóxicos, sendo lenta e estrita para as primeiras e rápida e liberalíssima na liberação de agrotóxicos banidos em outros países.  Mas agora a Anvisa atingiu um patamar com ares de pastelão ao interromper o jogo entre Brasil e Argentina que era válido pelas eliminatórias da Copa FIFA de 2022 que deverá ser realizada no Qatar.

A cena digna de um filme pastelão tipo B dos agentes da Anvisa entrando de forma atabalhoada no gramado do estádio do Corinthians é daquelas de cobrir ainda mais de vergonha um país que já chafurda na completa vergonha no tocante ao enfrentamento da pandemia da COVID-19, inclusive com medidas singulares da própria Anvisa no sentido da frouxidão em que estamos neste momento na maioria do território brasileiro.

A questão envolvendo os 4 jogadores argentinos que teriam entrado no Brasil sem declarar procedência do Reino Unido em desobediência aos protocolos sanitários impostos pela Anvisa para estrangeiros chegando de países considerados como sendo de alta restrição poderia ter sido resolvida na chegada deles no aeroporto. Após a passagem deles pelos pontos de controle da Polícia Federal, restaria ainda a realização de testagens desde o momento em que entraram em território brasileiro, sendo que inexiste informação de que isto tenha sido feito pela Anvisa, pela CBF ou pela FIFA.

Eu só espero que a ação estrepitosa da Anvisa deste domingo ocorra nas manifestações que estão sendo convocadas pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro para a próxima 3a. feira (07/09). É que, com toda certeza, a chance de que haja disseminação do novo coronavírus será muito maior nas ruas do que foi nos poucos minutos em que a bola rolou na Neo Química Arena. 

 

Em meio a blefes, Bolsonaro oferece carestia e fome como vitrines do seu (des) governo

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A estas alturas do campeonato é perceptível um certo cansaço da maioria dos brasileiros (incluindo a base de apoio do presidente Jair Bolsonaro) em relação aos seguidos blefes acerca de um suposto uso de um golpe de força para desmantelar o frágil tecido institucional que rege as relações sociais no Brasil. É que Bolsonaro já ameaçou um golpe militar e agora se abraça a uma conjunção de aliados que combina caminhoneiros (melhor dizendo donos de empresas de transporte), setores radicalizados das polícias militares e cantores sertanejos.  Com isso, Bolsonaro reconhece de forma prática a sua incompetência para sair da figura de presidente eleito para a de um ditador.

Mas se a parte do golpe já está manjada como blefe, a parte prática do governo Bolsonaro segue firme e forte sob o comando do dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, Paulo Guedes, aquele que no desenho animado “Pinky e o Cérebro” seria o segundo, deixando para o presidente Bolsonaro, o papel de ser o Pinky. Só falta em um alguma reunião ministerial, Bolsonaro (Pinky) perguntar a Paulo Guedes (Cérebro) :  o que você quer fazer esta noite?”, e ouvir a famosa resposta “A mesma coisa que fazemos todas as noites, Pinky… Tentar conquistar o mundo!”.

Trabalhadora será indenizada após ser comparada a 'Pink e Cérebro' pela  chefe - Economia - Estadão

Esquecendo um pouco o mundo da ficção, o que temos de prático no Brasil neste momento é o êxito completo das políticas de Paulo Guedes, e que está refletido na carestia e no rápido espalhamento dos bolsões de fome nas cidades brasileiras. Para isso, Paulo Guedes já até sugeriu que restos de comida sejam aproveitados para matar a fome dos mais pobres. Aliás, a recente sugestão de Guedes para que não fiquemos chorando sentados diante do anúncio de mais um aumento nas contas de luz, não passa de uma expressão da ideologia a la Caco Antibes que dá coesão ao projeto econômico que está sendo executado pelo governo Bolsonaro.

O problema é que na impossibilidade de qualquer mudança real na execução de um projeto exitoso, Jair Bolsonaro já identificou que a via eleitoral não será provavelmente aquela que o manterá no poder. Por isso, devemos esperar mais blefes, que deverão assumir tons ainda mais ameaçadores. Resta saber como reagirão não os frequentadores das motociatas e do cercadinho bolsonarista em Brasília, mas os milhões de brasileiros que foram desempregados pelas políticas “cerebrais” de Paulo Guedes, e que hoje convivem com a fome, a falta de moradia e o castigo continuado da pandemia da COVID-19.

Fuzil ou feijão, o que a maioria dos brasileiros quer? Jair Bolsonaro prefere fuzil porque não lhe falta feijão

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A pandemia da COVID-19 vem aumentando o número de pessoas sem emprego e sem casa, trazendo consigo um aumento acelerado das pessoas que estão passando fome no Brasil.  Essa situação deveria sensibilizar a todos os brasileiros, mas pelo menos um parece estar passando ao largo da miséria de milhares de famílias brasileiras, o presidente Jair Bolsonaro.

É que, aproveitando o cercadinho preenchido com apoiadores, o presidente do Brasil aproveitou esta sexta-feira para fazer uma propaganda da compra de fuzis, enquanto chamava de idiotas aqueles que demandam ações para que o brasileiro possa comprar um item que até recentemente era básico na dieta dos brasileiros, o feijão (ver vídeo abaixo).

Ao se buscar o preço do fuzil 762, o que aparente ter a preferência de Jair Bolsonaro, o preço não sai por menos do que R$ 12 mil, ainda que este este possa ser vendido em 12 parcelas, mas ao preçode R$ 14.417,90.

Aí aparece a questão: o que será que a maioria dos brasileiros, e não a maioria de apoiadores que preenchem os cercadinhos abertos por Jair Bolsonaro para reverberar sua agenda política: fuzil ou feijão?

Antes que eu me esqueça: no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro fazia propaganda de fuzil e criticava quem quer feijão na mão dos brasileiros,  uma de suas ex-esposas, Ana Cristina Valle, que é investigada no conhecido “Esquema das Rachadinhas” da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) se mudou para uma mansão de R$ 3,2 milhões na região do Lago Sul em Brasília para supostamente ajudar os negócios do seu filho Jair Renan a deslanchar.  Com certeza nessa mansão não deverá faltar feijão. 

Delta exige intervalo mais curto entre doses de vacina, sugere estudo

delta vacinaFoto: JEFFERSON PEIXOTO / SECOM – SALVADOR

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Em regiões de prevalência da variante delta do novo coronavírus, o intervalo entre doses de vacina de Covid-19 precisa ser mais curto do que doze semanas para que se tenha um controle efetivo da pandemia. É o que sugere modelo matemático desenvolvido pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) a partir de dados preliminares da eficácia da vacina para a variante delta. A ferramenta está descrita em artigo publicado na PNAS na quinta (18).

A tecnologia, criada pelo grupo ModCovid-19 com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Universidade de São Paulo (USP) projeta tempo seguro e ideal entre doses para controle da pandemia, a partir de dados de eficácia de vacinas. Ele mostra que vacinas com menos de 50% de eficácia na primeira dose precisam de um intervalo menor de aplicação do que vacinas com taxas de eficácia maiores. Alimentada com estudos prévios sobre eficácia dos imunizantes, a tecnologia indica quando é possível adiar as doses e quando se atinge o máximo possível de proteção.

“O próprio algoritmo decide quando é melhor aplicar a segunda dose, levando em conta a primeira, de maneira a controlar o mais rápido possível a pandemia”, explica Paulo José da Silva e Silva, co-autor do estudo. Por isso, a ferramenta, que está disponível on-line, pode ajudar nas tomadas de decisão durante o processo de imunização da população brasileira e de outros países.

Paulo lembra que quando o artigo foi escrito, em fevereiro desse ano, a principal pergunta era se valeria a pena adiar a segunda dose e qual a maneira mais segura de se fazer isso, em virtude da quantidade limitada de doses. Nesse sentido, o estudo teve como base a fabricante Astrazeneca e concluiu que o percentual de eficácia entre a primeira dose e segunda era muito pequeno e por isso, comprovadamente, valeria a pena esperar e vacinar mais gente com 1ª dose.

Agora, com o avanço da variante delta em algumas regiões do Brasil e do mundo, as estratégias de vacinação podem ser revistas a partir deste modelo.  “Se você está em um lugar onde ela é a variante prevalente, a eficácia da primeira dose, pelas primeiras estimativas que estão saindo agora, é muito menor do que era com a alfa, então muda a relação da eficácia entre primeira e segunda dose. Essas análises confirmam que a decisão é delicada e que tem que ser feita de maneira sistemática”, observa Paulo.

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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

Em visita ao Ceará, Jair Bolsonaro sente o gosto amargo da vaia popular

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Acostumado ao ambiente seguro do cercadinho em frente ao Palácio do Planalto para onde acorrem seus apoiadores mais fanáticos, o presidente Jair Bolsonaro sentiu ontem os efeitos ruidosos de uma vaia que ocorreu após ele citar o nome de um parlamentar aliado (o deputado federal Pedro Bezerra (PTB/CE), o que causou uma abrupta mudança de expressão facial (ver vídeo abaixo).

É interessante notar que mesmo que a vaia não tenha sido lhe diretamente direcionada na cidade de Juazeiro, Jair Bolsonaro já deve saber que se arriscar a subir em palanques fora de redutos mais propensos a apoiar seu governo, o risco que corre é de ser fortemente apupado, vistos os efeitos econômicos e sociais desastrosos que suas políticas criaram para a maioria dos brasileiros.

Somado a um descontentamento em expansão, Bolsonaro ainda tem que conviver com os problemas judiciais que ele mesmo criou para si mesmo ao atacar o judiciário, e sabotar os esforços de contenção da pandemia da COVID-19 no Brasil. 

Com isso, as próximas semanas deverão ser marcadas por gestos histriônicos e mais verborragia por parte de um presidente que parece ter também perdido a serventia para significativos segmentos da burguesia brasileira que o levou ao poder.  De certa forma, as vaias de Juazeiro do Norte são uma espécie de prenúncio de tempos difíceis que Jair Bolsonaro deverá ter até o final do seu mandato.