O ato realizado na manhã desta 3a. feira pelos servidores “sem salário” na porta da Secretaria Estadual de Fazenda acabou provocando mais uma reunião com o chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz), Amaury Perlingeiro do Valle, a qual rendeu uma das maiores sinceridades que já foram ditas por um representante do (des) governo Pezão ao longo de quase dois anos de crise salarial.
É que instado a explicar porque já foram pagos os salários de Julho a uma parcela do funcionalismo estadual do Rio de Janeiro, enquanto são devidos os salários de Maio e Junho a mais de 207 mil servidores, Amaury Perlingeiro indicou que a decisão sobre pagamentos seria uma “decisão de governo” a qual cabe à Sefaz apenas executar.
Em outras palavras, a decisão de quem é pago ou não cabe ao (des) governador Luiz Fernando Pezão e não à Sefaz. Tal reconhecimento indica que há de fato uma decisão de discriminar determinadas categorias de servidores em prol das prioridades estabelecidas pelo (des) governador Pezão.
Assim, me parece que a futura realização de atos para demandar o pagamento de salários atrasados deve se concentrar no Palácio Guanabara que onde fica (ou deveria ficar) o (des) governador Luiz Fernando Pezão.
Mas uma coisa que fica mais evidente é que o principal engodo dessa crise seletiva é que foi criada uma versão de que não existem recursos para pagar todos os servidores, a qual foi naturalizada até pelas lideranças sindicais. Se essa versão podia ser engolida de forma acrítica até a suspensão dos arrestos pelo governo federal e dos pagamentos da dívida pública, nem isto é mais possível.
O problema é só um: o (des) governo Pezão resolveu sacrificar uma parcela dos servidores da ativa e os aposentados e pensionistas do RioPrevidência para continuar pagando suas contas com fornecedores. É esta prioridade que precisa ser questionada diretamente ao (des) governador Luiz Fernando Pezão.
Finalmente, no tocante ao quadro do pagamento dos salários atrasados a única afirmação mais ou menos clara que foi feita por Amaury Perlingeiro é a que já vem sendo circulada pela mídia corporativa: salários de maio e junho só depois de 16 de Agosto, caso a venda da folha de pagamentos seja exitosa. Até lá os servidores que se virem ou morram de fome.










