Cenas campistas: vivendo como se estivéssemos no início do Século XX

Raramente uso o espaço deste blog para criticar questões paroquiais da cidade de Campos dos Goytacazes, pois existem inúmeros blogs que fazem de sua profissão de  fé, o escrutínio da gestão da prefeita Rosinha Garotinho. que eu toco o meu barco (que dizer, blog) em outra direção.

Mas existem coisas pequenas que mostram como é que estamos longe de uma forma de gerir a nossa cidade que nos coloque minimamente no Século XXI. E o problema é que essas coisas mínimas são apenas sintomas de uma visão que considero equivocada de como gerir o espaço urbano e valorizar o que temos de melhor em termos de instrumentos urbanos.

Vejamos a cena abaixo para talvez deixar mais claro o que estou querendo dizer.

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O que é mostrado na imagem em questão é a ação de uma equipe de funcionários da concessionária Águas do Paraíba recolhendo esgoto em um ponto da região central na manhã deste sábado (19/090. Além de atrapalhar o trânsito, já que isso se dava numa esquina bastante movimentada, eu sempre me pergunto sobre o destino do esgoto recolhido. Será que sou o único?

Mas deixando a iniciativa privada e seus interesses de privada de lado por um segundo, mostro a segunda imagem que produzi logo após me desvencilhar do pequeno congestionamento causado pela equipe de recolhimento de esgoto.

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O que está imagem mostra é a condição imunda em que se encontra o lago artificial (ou seria mesmo só uma piscina?) que ornamenta a área frontal do Teatro Municipal Trianon, um dos nossos mais belos cartões postais. Essa situação foi comentada por um casal de idosos que caminhava na minha frente, e que lamentava tanto descaso por parte dos gestores municipais.

Reconheço que, numa cidade com tantos problemas, o que mostro acima é nada ou quase nada. Mas o meu ponto é justamente esse. É que se continuamos recolhendo esgoto como se fazia no início do Século XX e permitimos a degradação de um cartão postal cujo gerenciamento é relativamente simples, o que será que anda acontecendo no resto do município? 

E antes que alguém ache que estou aqui apoiando a oposição consentida, aquela que tomar a prefeitura para basicamente governar da mesma forma que governa a prefeita Rosinha Garotinho, aviso logo que não é esse o caso. Aliás, do jeito que a coisa anda, continuo achando que o grupo político que hoje controla a Prefeitura vai vencer as eleições de 2016. E, lamentavelmente, continuaremos vivendo como se estivéssemos congelados numa bolha temporal. E, pior, sem os orçamentos bilionários que foram trazidos pelos royalties do petróleo.

Mas que merda! Esgoto vaza na pista da Avenida de Setembro… todos os dias!

Em 2012 eu e toda a vizinhança no trecho que vai desde a esquina da Avenida Sete de Setembro com Rua Riachuelo até a esquina com a Rua dos Goytacazes vivemos a experiência de uma longa e aparentemente interminável obra de ampliação da rede de esgotos e galerias pluviais. Aguentamos inúmeras pertubações diárias com galhardia, visto que a expectativa era de que a obra era importante para toda a cidade, e não apenas para nós.

Eis que pouco menos de três anos da inauguração da obra, agora nos defrontamos com o vazamento de esgoto in natura quase todos os dias e aproximadamente no mesmo horário noturno. Como já falei sobre esse problema aqui neste blog por diversas vezes, eu fico imaginando qual é o problema… já que não é falta de alguém apontar o problema de forma pública.

E ai eu é que pergunto: cadê a PMCG, a Águas do Paraíba, o INEA, o Ministério Público, etc, etc, etc…….

Como ando me deliciando com o mais recente álbum do roqueiro canadense Neil Young, o polêmico “The Monsanto Years“, aproveitei a trilha sonora oferecida pela canção “People want to hear about love” para gravar o vídeo que vai abaixo. E apesar de não ser o Emerson Sheik do Flamengo, eu só posso dizer: mas que merda!

Antecipação dos royalties: cadê o dinheiro que estava aqui?

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Tenho estado ocupado com outros assuntos que me impediram de pensar com um mínimo de cuidado sobre o imbróglio envolvendo a aprovação pela Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes de uma lei que autoriza o poder executivo a contrair um empréstimo bilionário com base na projeção futura do pagamento dos royalties. 

Inicialmente há que se dizer que é normal que oposição e situação dramatizem seus pontos de vista com vistas a usos futuros, mesmo porque teremos eleições bem quentes em 2016 e cada pedra acumulada será usada contra a vidraça do adversário. Mas há que se dizer que a oposição na Câmara Municipal cumpriu exatamente o papel que lhe cabe num processo democrático, visto que a coisa toda foi mesmo muito mal explicada. Aliás, foi tão mal explicada que mesmo sob forte pressão, diversos vereadores da base governista decidiram peitar as ordens e assumir um papel de independência. Como nenhum desses vereadores veio ao mundo para ser chamado de bobo, parece ter faltado mesmo a dose correta de esclarecimento e convencimento que, diga-se de passagem, não são a mesma coisa, mas não são completamente separadas.

Mas esquecendo a chacrinha estabelecida na Câmara de Vereadores, algo que me deixa curioso é sobre a explicação de onde foram parar os bilhões que chegaram nos últimos 7 anos nos cofres municipais. É que não foram poucos, e as mudanças ocorridas na nossa paisagem urbana (e elas existiram para além do crescimento vertiginoso de prédios carésimos na região da Pelinca) não explicam a penúria em que a PMCG alega estar. Se eu fosse um vereador da oposição convocaria o pessoal da organização não governamental Auditoria Cidadã (Aqui! para vir a Campos e começar um estudo rigoroso sobre os gastos realizados, indicando as áreas e os montantes aplicados. Só com essa medida básica, poderíamos entender o destino que os recursos dos royalties tomaram.

No tocante à antecipação dos roaylties, outra curiosidade que me apareceu foi a seguinte: num momento de grave volatilidade dos mercados de gás e óleo, como se estimou o montante que poderá ser “antecipado” na forma de empréstimo bancário, já que o futuro dos royalties pertence aos americanos e sauditas? É que se a estimativa de entrada futura de recursos for muito otimista, a falência da cidade estará sendo automaticamente decretada.

Finalmente, há que se notar que o grupo político do ex-governador Anthony Garotinho está jogando o seu destino nesse empréstimo. É que não sobrará muita coisa para chamar de sua caso o grupo perca o controle do executivo municipal em 2016. Assim, é provável que haja um cálculo já feito de como e onde aplicar os recursos que serão garantido via empréstimo. A questão aqui é saber se haverá coragem ou vontade de cortar cargos comissionados e diminuir o que é gasto com empresas terceirizadas. Se não houver, não será esse empréstimo que vai impedir que o pior aconteça em 2016. Simples assim!

Servidores municipais convocam ato em frente da sede da PMCG

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A situação anda mesmo movimentada em Campos dos Goytacazes, pois não são só os estudantes da UENF que estão convocando manifestações para cobrar seus direitos. Vejam o convite que acabo de receber para uma manifestação que deverá ocorrer hoje (13/05) a partir das 15 horas na sede do executivo municipal.

Uma coisa é certa: os trabalhadores não parecem dispostos a pagar pela crise.

Ato pelo ajuste salarial e PCS

O Movimento “Servidores em Ação” que congrega todos os servidores municipais que desejam ter direito ao ajuste salarial 2015 e um Plano de Cargos e Salários democrático e equânime convida toda a população do município de Campos dos Goytacazes para comparecer, em 13 de maio, quarta-feira, a partir das 15h, em frente à sede da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes para realização de um Ato reivindicatório.

Participe! Divulgue! A defesa e garantia do direito vencerão o medo!
Denuncie o assédio moral em seu local de trabalho!
A melhor forma que temos de conquistar nossos direitos é participando de forma organizada. Vamos mostrar que o funcionalismo público municipal está insatisfeito e vai lutar por seus direitos!

Depois de passar anos se comportando como nova rica, PMCG usa a tática da “escolha de Sofia” para arrochar salários dos servidores

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A recente decisão da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, que foi chancelada pelo legislativo municipal, de extinguir o reajuste anual dos salários dos servidores públicos é uma demonstração que o arrocho sendo aplicado pelo governo Dilma Rousseff também aportou na nossa sofrida planície.  E o pior é que o arrocho vem acompanhado da aplicação da manjada tática da “escolha de Sofia” ao se pretender que os servidores escolham entre a aplicação do Plano de Cargos e Salários e o reajuste que se faz necessário por causa da inflação!

A coisa é básica: planos de cargos são para expressar formas de reconhecimento por tempo de serviço e qualificação dos servidores, enquanto que reajustes são para compensar a depreciação salarial causada pela inflação. Ao se obrigar os servidores a realizar uma escolha de Sofia entre um direito e outro, a gestão da prefeita Rosinha Garotinho objetivamente uma política de arrocho salarial que pune justamente aqueles que não tem nada a ver com os anos de dispêndio perdulário dos recursos oriundos dos royalties do petróleo que tanto irrigaram os cofres municipais, quais sejam, os servidores públicos e a população mais pobre que depende dos serviços essenciais que eles prestam.

E nessa história eu não sei o que é pior: a decisão da prefeita de arrochar os salários, o seguidismo cômodo da maioria dos vereadores ou a ação do sindicato que deveria representar os interesses ameaçados dos servidores públicos municipais, o SIPROSEP.  Na prática, esses três segmentos estão atuando para jogar sobre as costas dos servidores os custos de uma crise que não criaram. Simples assim!

É para isso que pagamos coleta e tratamento de esgotos?

A metade do que os consumidores pagam mensalmente à concessionária “Águas do Paraíba” vem na forma de uma rubrica identificada como “esgoto”. As boas almas que pagam essas contas deve assumir que tal rubrica se refere à coleta e tratamento de esgotos. Certo? Se for pelo que ocorre sistematicamente na esquina entre Avenida Sete de Setembro e a Rua Riachuelo, a resposta é um sonoro não.

As imagens abaixo que foram obtidas nesta último sábado (28/02) são, na verdade, uma repetição do que já foi mostrado aqui neste blog faz algum tempo, e levantam várias questões sobre a qualidade das obras que foram realizadas pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes na região do bairro da Lapa. E, de quebra, como esse é um problema que se repete e não tem solução, também sobre a disposição e interesse da concessionária “Águas do Paraíba” de dar o retorno devido ao que é cobrado dos campistas mensalmente.

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De quebra, um detalhe que salta aos olhos e (por que não) aos narizes é o fato de que o esgoto in natura que brota na esquina volta para dentro da terra em função da presença de uma galeria de águas pluviais que fica localizada quase ao lado. Isto seria até conveniente se esse esgoto todo não fosse parar na calha principal do já maltratado Rio Paraíba do Sul!

Mas para que ninguém diga que eu só critico e não ajuda, abaixo coloco uma imagem do satélite Landsat mostrando a área onde este despejo de esgoto ocorre frequentemente. Quem sabe assim alguém da PMCG ou da concessionária se digna a começar a resolver este fedorento problema.

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Moradores do Horto denunciam ações de empresa privada em terreno público!

Empresa privada ocupa e degrada terreno do Horto Municipal

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Os moradores do bairro do Horto desejam levar ao conhecimento da comunidade campista o que está acontecendo em um dos seus mais preciosos bens, o Horto Municipal. Solicitamos a imprensa e aos cidadãos conscientes que divulguem ao máximo a situação surpreendente e revoltante que está ocorrendo escondida da opinião pública.

A Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, através da Secretaria de Meio Ambiente, cedeu à empresa EMEC Service, para uso como base operacional em Campos, uma área superior a 6.000 metros quadrados situada no interior do Horto, na parte dos fundos, tendo a referida empresa construído no local um grande galpão para abrigar seus escritórios, demais acomodações e necessidades. A EMEC atualmente presta serviços a Prefeitura de Campos, no cuidado de praças e jardins. Já o Horto Municipal possui seus próprios funcionários efetivos.

Esta cessão levanta imediatamente a questão da legalidade de uma empresa privada utilizar um bem público sem que haja um real benefício para a comunidade. Só este aspecto já bastaria para gerar uma séria discussão na Câmara Municipal, mas a controvérsia não acaba aí, como descrito a seguir.

A empresa também transferiu para o mesmo terreno cerca de dezenove veículos de grande porte, incluindo caminhões-pipa e de transporte de terra, ônibus, além de ruidosas retro-escavadeiras. Para executar as tarefas diárias fora do Horto, a frota de veículos pesados precisa percorrer um caminho de centenas de metros ao longo de toda a extensão do Horto Municipal, passando ao lado de residências vizinhas e de um playground situado na parte da frente do Horto, expondo crianças ao risco de atropelamento e à enorme poeira levantada. A empresa EMEC, já tendo conhecimento das críticas que vínhamos fazendo sobre o risco de morte a que as crianças estavam submetidas, acabou de construir uma cerca de proteção, neste final de março. Mas continua a exposição à poeira e à poluição dos veículos.

Os moradores das residências próximas também vêm sofrendo com o excesso de poeira no ar e com a poluição gerada pela combustão de óleo diesel. São diversos os relatos de problemas de saúde, principalmente de ordem respiratória e oftalmológica. Será que a solução da empresa vai ser asfaltar boa parte do Horto? As queixas também se referem ao ruído dos veículos e ao surgimento de rachaduras nas casas, com a movimentação de veículos de grande porte.

A área atualmente ocupada pela EMEC é mencionada em uma página divulgação oficial da Prefeitura, em 23 de maio de 2011 (ver anexo), como sendo um local (dentro do Horto) onde os visitantes poderiam ter contato com canteiros de hortaliças, leguminosas e plantas medicinais. Na verdade, estes canteiros passaram por processo de deterioração nos últimos anos.

A comunidade tinha a expectativa da implementação de um projeto de recuperação da flora naquela parte do terreno do Horto, para usufruto pela população, fosse para lazer, projetos educacionais, ou como parte de uma reserva ecológica. Ao invés disto, o que se viu nos últimos anos, foi a contínua degradação da área, inclusive com a aplicação de herbicidas em larga escala, culminando agora com a devastação da maior parte da flora para possibilitar a construção do enorme galpão da empresa e a transformação de grande parte do referido espaço em uma garagem de veículos pesados.

São incluídas fotos que mostram os danos causados ao Horto com a vinda da empresa EMEC. Dentre estas, algumas indicam que a empresa estaria despejando dejetos in natura provenientes dos banheiros químicos e dos banheiros do galpão. Neste caso, será inevitável a contaminação do lençol freático.Os moradores estão revoltados e procurando todas as formas de denunciar  este descalabro, e, desde já, se colocam à disposição da imprensa para uma reunião, inclusive como forma de facilitar a visualização da região afetada, já que a esta parte do Horto só é permitido o acesso com autorização da EMEC. O espaço público antes acessível à comunidade foi efetivamente “privatizado”.

Telefones para contato:

Ruben Rosenthal: 999455481

J.C.S. Mulatinho: 999487310

Sílvio G. Mendes: 998786829

Rui V. Leite: 998471780

Alô Prefeitura de Campos! A população de Travessão reclama da situação do hospital!

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Quem vê a ilustração acima, que concordemos é de extrema imaginação, deve pensar que passados quase 3 anos do anúncio da reforma Unidade Pré-Hospitalar (UPH) de Travessão, as coisas já se transformaram num paraíso médico naquela localidade.

Entretanto, as informações que me chegam é que além da prometida estar acontecendo em ritmo de tartaruga com pata quebrada, obrigando aos pacientes a ficarem num ambiente inóspito devido às temperaturas inclementes, o atendimento também não vai bem das pernas, especialmente no que se refere às consultas médicas pré-agendadas. O pior é que a “descoberta” de que um determinado profissional não vai aparecer para cumprir sua agenda de consultas acaba se dando após exaustivas horas de espera.

Eu não sou nenhum gênio da política, mas este cenário de abandono e serviços de má qualidade não é muito propício para quem quer se manter no poder. Aliás, é péssimo!

Alô MP! Vizinhos denunciam cessão de parte do terreno do Horto Municipal para empresa terceirizada

Recebi hoje uma correspondência eletrônica de um vizinho do Horto Municipal de Campos dos Goytacazes, onde são apresentados uma série de problemas que estariam decorrendo da cessão de parte do terreno daquela que é uma das únicas áreas verdes dentro da cidade a uma empresa que presta serviços terceirizados para a secretaria municipal de Meio Ambiente!

Além de um descrição minuciosa do problema, também me foram enviadas imagens para corroborar o que está sendo denunciado pelos moradores vizinhos ao Horto Municipal.  Os leitores do blog poderão notar que existem vários elementos bastante esquisitos nesta suposta cessão, e que deveriam merecer a devida atenção das autoridades municipais, bem como do Ministério Público estadual.

Abaixo segue a correspondência e as imagens que me foram enviadas.

 

CESSÃO DE TERRENO GERA PERTURBAÇÕES AO HORTO MUNICIPAL E SEUS VIZINHOS

Recentemente, a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, por sua Secretaria Municipal de Meio Ambiente, cedeu à empresa EMEC Service, com sede no estado do Espírito Santo, área situada nos fundos do terreno do Horto Municipal, tendo a mesma construído no espaço um grande galpão em forma de “L”, com 4 metros de altura e cerca de 70 metros de comprimento total, com telhado em “meia-água”.

Segundo informação proveniente de funcionário graduado da EMEC, a construção foi realizada para utilização como base operacional da empresa no Município de Campos, enquanto a mesma permanecer contratada para prestação de serviços de manutenção de praças e jardins. E como tal foi ocupada. A empresa também transferiu para o mesmo terreno cerca de quinze veículos de grande porte, incluindo caminhões-pipas e de transporte de terra, retro-escavadeiras, equipamentos pesados, materiais como terras, pedras, manilhas de cimento de grandes dimensões, tábuas etc.

Para executar as tarefas diárias fora do Horto, a frota de veículos pesados precisa percorrer um caminho de centenas de metros em toda a extensão do Horto Municipal à margem das casas do bairro e do condomínio vizinho.

Tal movimentação se dá diversas vezes ao dia, encerrando-se não antes das 20:00 horas, trazendo transtornos como poluição do ar, excesso de ruído e movimentação do solo, o que tem provocando também rachaduras e trincas em diversas casas.

Foram construídas fossas para despejo dos dejetos de diversos banheiros químicos da empresa, quando o correto é que devessem ser recolhidos para envio a uma usina de tratamento de efluentes. Esta situação certamente resultará na contaminação do lençol freático, bem como já vem trazendo um forte mau cheiro e atraindo moscas para as casas próximas.

O espaço do Horto ocupado pela empresa, qual seja a área construída, o local de estacionamento dos caminhões, as fossas, os depósitos de terra-preta, areia, materiais e entulhos além do estacionamento para veículos de funcionários da EMEC, é superior a seis mil metros quadrados. 

Os moradores de diversas residências da Rua Joaquim Macedo vêm, portanto, sofrendo diariamente com o mau odor proveniente das fossas, com a poluição vinda dos motores diesel, a poeira oriunda da movimentação dos veículos e do efeito dos ventos nos grandes depósitos de areia e terra, além do forte ruído dos veículos, incluindo o apito estridente da retro-escavadeira.

Diversos relatos dão conta de problemas respiratórios e oftalmológicos gerados pela atividade da empresa. Para diminuir o efeito da poluição e tentar preservar a saúde das famílias, os moradores precisam manter as janelas fechadas durante todo o dia.  Com tudo isto, a qualidade de vida das pessoas ficou bastante prejudicada.

Após reclamações dos moradores a empresa introduziu algumas mudanças cosméticas, que na essência não alteram os principais problemas decorrentes, pois permanecem todos os efeitos de poluição do ar e do solo já citados.

Acrescente-se a estes efeitos prejudiciais à saúde e qualidade de vida, já citados, que o extenso galpão construído pela empresa bloqueou a visibilidade e prejudicou consideravelmente a circulação de ar em algumas residências, que originalmente foram construídas ou adquiridas com a intenção de usufruto de uma região de preservação ambiental ainda bem arborizada.

Nos últimos anos, várias árvores nativas foram derrubadas, com a alegação de que estavam tomadas por cupins, o que, em alguns casos, teve procedimento, mas sem que houvesse replantio. Posteriormente, em outra ocasião, um herbicida, ao que tudo indica contendo o glifosato Roundup, produto altamente prejudicial à saúde e ao meio ambiente, chegou a ser utilizado em larga escala no referido terreno para remover a vegetação. Mais recentemente, nas semanas que antecederam à construção da sede local da EMEC mais árvores foram derrubadas, por motivo desconhecido.

Anteriormente, em outra gestão da Secretaria de Meio Ambiente, o local chegou a abrigar um projeto de produção de fitoterápicos e, para tanto, grandes canteiros de plantas medicinais foram plantados na ocasião, em toda a extensão do terreno. Infelizmente, o projeto não foi mantido, e, nos últimos tempos, a parte dos fundos encontrava-se sem receber o devido cuidado. A comunidade tinha a expectativa de que ali fosse implementado um projeto de recuperação da flora e da fauna, com o possível usufruto da população, fosse para lazer, projetos educacionais, ou mesmo como parte de uma reserva ecológica.

Entendemos que a ocupação de uma área no Horto Municipal pela EMEC só se justificaria se indispensável para alocação de recursos humanos e materiais, visando à prestação contínua de serviços pela empresa à própria instituição. Nesse caso, bastaria a utilização de uma pequena sala de apoio às atividades.

Fica no ar a questão da legalidade em um ato em que o particular lucra com a utilização do bem público, sem proporcionar qualquer retorno, além de trazer enormes prejuízos ao interesse público, conforme já apresentado neste documento. Acreditamos que algumas questões merecem especial atenção do Ministério Público:

 

  • Se existe legalidade no ato administrativo que permitiu a ocupação. Afinal, sabe-se que a regra geral na gestão de bens públicos é que esses só podem ser usados por particulares para atendimento ao interesse público:
  • Se, mesmo havendo a permissão da autoridade municipal, não teriam sido desrespeitadas as normas que tratam da necessidade de realização de estudos prévios de impacto ambiental, antes de efetivar tal ocupação em uma área de preservação. A este respeito, cabe acrescentar que a movimentação intensa e diária dos veículos de grande porte da empresa, ao longo de toda a extensão do Horto, deve certamente trazer prejuízo para a fauna e flora locais, seja pelo ruído excessivo de dia e à noite, pela poluição dos  gases emitidos, ou mesmo pelo risco de atropelamento de pequenas espécies de animais. Já há relatos de moradores sobre diminuição da presença de aves e de pequenos animais típicos da região;
  • A relevância de incluir a investigação sobre a existência de perigo direto e iminente à vida e saúde, devido à exposição dos moradores das casas vizinhas ao Horto Municipal à poluição do ar e ao ruído excessivo;
  • Se a empresa não está colocando em risco a vida de usuários do Horto Municipal, ao não colocar uma cerca para isolar a rota de passagem dos caminhões do setor de visitantes no Horto, muitos dos quais crianças;
  • Se não caberia também um estudo de impacto pelo CREA, para verificar se a constante movimentação dos veículos da empresa a poucos centímetros das paredes de várias residências do Condomínio Bosque das Acácias e do bairro do Horto não estaria já afetando a estrutura das mesmas, ocasionando trincas e rachaduras.

Diante do exposto, considerando que os fatos acima descritos, decorrentes da ocupação supostamente indevida do terreno do Horto Municipal pela EMEC Service, podem caracterizar, em tese, desrespeito à legislação vigente, ofensa aos direitos coletivos da comunidade, ao meio ambiente, danos ao patrimônio público e à saúde dos moradores vizinhos, requer-se ao Ministério Público que sejam tomadas as providências cabíveis, se for este o entendimento.

Espera-se que o Ministério Público tome providências para desautorizar a permanência da empresa EMEC Services na área atualmente ocupada, com a consequente remoção física das instalações, equipamentos e materiais, decorrentes desta ocupação, que atualmente causam danos ao meio ambiente e ao bem estar da comunidade.

Em complemento, que a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes seja instruída a destinar esta área do Horto exclusivamente a uma finalidade ecológica, condizente a preservação ambiental.

Espera-se que o Horto, que possui uma área de 23.000 m2, volte a se concentrar em sua função original de promover a interação das pessoas com o meio ambiente e cuidar do seu acervo vivo, que contava, antes da ocupação em comento, com mais de 200 espécies vegetais, árvores frutíferas, de sombra, da mata ciliar, da mata atlântica e plantas ornamentais.

Anexamos à presente diversas fotos do espaço atualmente ocupado pela empresa EMEC, algumas tiradas antes dessa ocupação, como outras posteriores a esta vinda, de forma a que fiquem melhor evidenciadas as transformações ambientais resultantes.

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Favela da Margem da Linha: como transformar ótima em péssima propaganda

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Voltei de férias e encontrei como uma das notícias principais na mídia campista o imbróglio envolvendo a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (PMCG) e moradores da Favela da Margem da Linha que foram preteridos de quaisquer soluções para a remoção forçada das suas moradias. Para mim essa situação era mais do que anunciada desde que presenciei a atuação dos representantes da PMCG na audiência realizada nas dependências do Instituto Federal Fluminense para tratar exatamente do processo de remoção da comunidade para unidades habitacionais construídas pela PMCG na localidade de Ururai. Naquela ocasião presenciei um tratamento agressivo e impositivo dos secretários que hoje sofrem ameaças de prisão pela persistência de graves problemas envolvendo famílias que tinham casas, e hoje estão vivendo em meio a ruínas. 

Esse tipo de postura de representantes do poder público não pega bem em qualquer ocasião, pois até quem se beneficiou com a solução acaba enxergando as coisas por um viés pouco propício para quem quer usar a realização de obras para se cacifar eleitoralmente. Agora, quando se trata de impor vontades absolutas sobre os mais necessitados e frágeis socialmente, a coisa ganha contorno de desastre político. É que ninguém deve ter dúvida de que este imbróglio será abordado na campanha eleitoral de 2016 para mostrar que o programa habitacional da PMCG não resolve os problemas da maioria, e ainda pune aqueles que não aceitam ser removidos.

O fato, além da dramática situação social que foi imposta a um grupo de famílias pobres e que tradicionalmente habitavam a Favela da Margem da Linha, é que está faltando quem reúna os secretários que se dizem de governo para mostrar que, na situação política atual do município, quem age de forma truculenta contra os pobres está jogando contra o “time”. E, de quebra, ainda se arrisca a parar em celas quase do tamanho das casas que estão sendo entregues.