Os ultra-ricos de todo o mundo ficaram ainda mais ricos com a crise causada pelo coronavírus

A riqueza total dos bilionários possuidores de mais de 2 bilhões de dólares subiu para gigantescos 10,2 trilhões de dólares

champagneCapitalismo, uma história de amor – mas apenas para os ricos. Foto: dpa / Britta Pedersen

A crise causada pelo coronavírus deixou os super-ricos em todo o mundo ainda mais ricos. Os ativos totais dos bilionários que possuem fortunas de mais de 2 bilhões de dólares em todo o mundo atingiram um valor recorde de cerca de 10,2 trilhões de dólares (8,7 trilhões de euros) no final de julho, também graças à recuperação das bolsas. A informação é baseada em cálculos da consultoria PwC e do grande banco suíço UBS, publicados na quarta-feira. De acordo com o estudo, os envolvimentos em áreas de rápido crescimento, como tecnologia e saúde, provaram ser os principais impulsionadores desse aumento de riqueza em meio a uma pandemia letal..

A enorme fortuna é, portanto, distribuída entre 2.189 homens e mulheres. Convertido em euros, a soma é mais do que o dobro da produção econômica anual total da Alemanha tida como a maior economia da Europa (2019: pouco menos de 3,5 trilhões de euros). Dinheiro, imóveis, bens de luxo, bem como ações e ativos da empresa foram levados em consideração. As obrigações financeiras foram deduzidas deste cálculo.

Na Alemanha, a riqueza líquida dos ultra-ricos subiu para US$ 594,9 bilhões no final de julho, após uma queda no início da pandemia de COVID-19. Na última investigação (em março de 2019), era de US$ 500,9 bilhões. O clube dos super-ricos alemães cresceu de 114 para 119 membros. Após a eclosão da pandemia, os bilionários alemães alcançaram o maior crescimento nas áreas de tecnologia (mais 46%), saúde (mais 12%) e finanças (mais 11%).

Tradicionalmente, tem havido relativamente poucas mudanças no alto patrimônio líquido na Alemanha, explicou Maximilian Kunkel, estrategista-chefe de investimentos do UBS para a Alemanha. “A COVID-19 está agora acelerando o crescimento dos ativos a uma taxa acima da média em áreas orientadas para a inovação, como o setor de tecnologia ou saúde, causando uma mudança nos ativos.”

De acordo com as suas declarações, os empresários nestas áreas têm beneficiado nos últimos meses com o fato de as perdas de receitas a curto prazo terem sido limitadas, enquanto as perspectivas a longo prazo melhoraram significativamente em alguns casos.

De acordo com um ranking publicado recentemente pelo Manager Magazin, os alemães mais ricos são provavelmente a família Reimann, com uma fortuna estimada em 32 bilhões de euros. Em segundo lugar está o fundador do Lidl, Dieter Schwarz, com uma fortuna estimada em 30 bilhões de euros. Os vencedores do terceiro lugar são os irmãos Susanne Klatten e Stefan Quandt, que possuem quase metade das ações da BMW. Como resultado da crise da Corona, seus ativos caíram 1,5 bilhão de euros, para cerca de 25 bilhões de euros.

Uma lista do “Welt am Sonntag” publicada em 20 de setembro, porém, chegou à conclusão de que o fundador do Lidl, Schwarz, é o alemão mais rico – com uma fortuna estimada em 41,8 bilhões de euros. A família Reimann segue em segundo lugar com 21,45 bilhões de euros. Segundo o jornal, o ranking do “Welt am Sonntag” também foi uma estimativa.

No entanto, os super-ricos também sentiram a turbulência do início da crise do coronavírus, que, entre outras coisas, provocou uma queda acentuada das cotações das ações na bolsa. De acordo com o estudo, as semanas imediatamente após a eclosão da pandemia em particular contribuíram para que a riqueza global total dos bilionários encolhesse em cerca de 6,6 por cento, para 8 trilhões de dólares, entre março de 2019 e abril de 2020. O clube dos super-ricos perdeu temporariamente 43 membros. A partir de abril, iniciou-se uma fase de recuperação em que os ativos totais aumentaram cerca de 28 por cento no final de julho de 2020. dpa / nd

fecho

Este artigo foi publicado originalmente em alemão e publicado pela Neus Deustchland [Aqui!].

Emissões de carbono dos 1 % mais ricos são mais do que o dobro das emissões da metade mais pobre da humanidade

O 1% mais rico da população mundial é responsável por mais de duas vezes mais poluição de carbono do que os 3,1 bilhões de pessoas que constituíram a metade mais pobre da humanidade durante um período crítico de 25 anos de crescimento de emissões sem precedentes.

emissõesPorcentagem de emissões cumulativas entre 1990 e 2015, e uso de  orçamento global de carbono para a meta de 1,5 ° C, vinculado ao nível de consumo dos diferentes grupos de renda globalmente

O novo relatório da Oxfam, ‘ Confronting Carbon Inequality ‘, é baseado em pesquisas conduzidas com o Stockholm Environment Institute e está sendo divulgado enquanto os líderes mundiais se preparam para se reunir na Assembleia Geral da ONU para discutir os desafios globais, incluindo a crise climática.

O relatório avalia as emissões de consumo de diferentes grupos de renda entre 1990 e 2015 – 25 anos quando a humanidade dobrou a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera. Encontrou :   

  • Os 10 por cento mais ricos foram responsáveis ​​por mais da metade (52 por cento) das emissões adicionadas à atmosfera entre 1990 e 2015. O um por cento mais rico foi responsável por 15 por cento das emissões durante este período – mais do que todos os cidadãos da UE e mais do que o dobro da metade mais pobre da humanidade (7 por cento).
  • Durante esse tempo, os 10 por cento mais ricos explodiram um terço de nosso orçamento global de carbono 1,5 C, em comparação com apenas 4 por cento para a metade mais pobre da população. O orçamento de carbono é a quantidade de dióxido de carbono que pode ser adicionada à atmosfera sem fazer com que as temperaturas globais subam acima de 1,5 ° C – a meta estabelecida pelos governos no Acordo de Paris para evitar os piores impactos das mudanças climáticas descontroladas.
  • As emissões anuais aumentaram 60% entre 1990 e 2015. Os 5% mais ricos foram responsáveis ​​por mais de um terço (37%) desse crescimento. O aumento total nas emissões do um por cento mais rico foi três vezes maior do que o dos 50 por cento mais pobres.

Tim Gore, Chefe de Política Climática da Oxfam e autor do relatório disse: “O consumo excessivo de uma minoria rica está alimentando a crise climática, mas são as comunidades pobres e os jovens que estão pagando o preço. Essa extrema desigualdade de carbono é uma consequência direta da busca por décadas de nossos governos por um crescimento econômico extremamente desigual e intensivo em carbono. ”

As emissões de carbono provavelmente se recuperarão rapidamente à medida que os governos aliviarem os bloqueios relacionados à Covid. Se as emissões não continuarem caindo ano após ano e a desigualdade de carbono for deixada sem controle, o orçamento de carbono restante para 1,5 C será totalmente esgotado até 2030. No entanto, a desigualdade de carbono é tão forte que os 10 por cento mais ricos estourariam o orçamento de carbono em 2033, mesmo que todos outras emissões foram reduzidas a zero.

Durante 2020, e com cerca de 1C de aquecimento global, as mudanças climáticas alimentaram ciclones mortais na Índia e Bangladesh, enormes enxames de gafanhotos que devastaram plantações em toda a África e ondas de calor e incêndios florestais sem precedentes na Austrália e nos EUA. Ninguém está imune, mas as pessoas mais pobres e marginalizadas são as mais atingidas. Por exemplo, as mulheres correm um risco maior de violência e abuso após um desastre.

‘Confrontando a Desigualdade de Carbono’ estima que as emissões per capita dos 10 por cento mais ricos precisarão ser cerca de 10 vezes menores até 2030 para manter o mundo no caminho certo para apenas 1,5 ° C de aquecimento – isso é equivalente a cortar as emissões anuais globais em um terço . Mesmo a redução das emissões per capita dos 10% mais ricos para a média da UE reduziria as emissões anuais em mais de um quarto.

Os governos podem enfrentar a extrema desigualdade e a crise climática se visarem as emissões excessivas dos mais ricos e investirem nas comunidades pobres e vulneráveis. Por exemplo, um estudo recente descobriu que os 10% mais ricos das famílias usam quase a metade (45%) de toda a energia ligada ao transporte terrestre e três quartos de toda a energia ligada à aviação. O transporte é responsável por cerca de um quarto das emissões globais hoje, enquanto os SUVs foram o segundo maior impulsionador do crescimento global das emissões de carbono entre 2010 e 2018.

Gore disse: “Simplesmente reiniciar nossas economias pré-Covid desatualizadas, injustas e poluentes não é mais uma opção viável. Os governos devem aproveitar esta oportunidade para remodelar nossas economias e construir um amanhã melhor para todos nós.

“Os governos devem reduzir as emissões dos ricos por meio de impostos e proibições de carbono de luxo, como SUVs e voos frequentes. As receitas devem ser investidas em serviços públicos e setores de baixo carbono para criar empregos e ajudar a acabar com a pobreza ”, acrescentou Gore .

O briefing para a mídia ‘Confronting Carbon Inequality’ e o relatório de pesquisa completo e os dados em que se baseia estão disponíveis aqui .

Os 50 por cento mais pobres da humanidade compreendiam aproximadamente 3,1 bilhões de pessoas em média entre 1990 e 2015, os 10 por cento mais ricos compreendiam aprox. 630 milhões de pessoas, os mais ricos 5 por cento aprox. 315 milhões de pessoas e o um por cento mais rico de aproximadamente 63 milhões de pessoas.

Em 2015, cerca de metade das emissões dos 10% mais ricos – pessoas com renda líquida acima de US $ 38.000 – estão ligadas a cidadãos nos Estados Unidos e na UE e cerca de um quinto a cidadãos da China e Índia. Mais de um terço das emissões do 1% mais rico – pessoas com renda líquida acima de US $ 109.000 – estão vinculadas a cidadãos dos Estados Unidos, com as próximas maiores contribuições de cidadãos do Oriente Médio e da China. As receitas líquidas são baseadas nos limites de receita para 2015 e representadas em $ 2011 PPC (paridade do poder de compra).

A pesquisa é baseada em estimativas de emissões de consumo de combustíveis fósseis, ou seja, emissões consumidas dentro de um país, incluindo emissões incorporadas em importações e excluindo emissões incorporadas em exportações. As emissões de consumo nacional foram divididas entre famílias individuais com base nos conjuntos de dados de distribuição de renda mais recentes e uma relação funcional entre emissões e renda. Isso pressupõe, com base em numerosos estudos, que as emissões aumentam proporcionalmente à receita acima de um piso mínimo de emissões e até um teto máximo de emissões. As estimativas de emissões de consumo doméstico nacional – para 117 países de 1990 a 2015 – são então classificadas em uma distribuição global de acordo com a renda. Mais detalhes sobre a metodologia estão disponíveis no relatório de pesquisa.

O Stockholm Environment Institute é uma organização internacional sem fins lucrativos de pesquisa e política que lida com os desafios ambientais e de desenvolvimento.

Informações de Contato

Para mais informações ou para organizar entrevistas Anna Ratcliff, anna.ratcliff@oxfam.org / +447796993288

 

Educação para manter a desigualdade: Bolsonaro para os pobres, Paulo Freire para os ricos

paulo-freire-para-os-ricos-bolsonaro-para-os-pobres

*Por José Ruy Lozano, publicado originalmente no dia 07 de Dezembro de 2017 pelo LeMonde Diplomatique Brasil

Pipas de várias cores enfeitam o céu. Alunos observam algumas subirem e outras caírem, enquanto tentam compreender como a direção do vento influencia o movimento, além de verificarem na prática conceitos científicos como aerodinâmica, resistência do ar e força da gravidade. Tudo na base da experiência concreta, envolvendo tentativas e erros.

Voltando à sala de aula, professor e alunos discutem, organizados em círculo, o que se aprendeu com aquela vivência. A diferença hierárquica entre mestre e estudantes se dilui, e o professor mostra-se mais como um mediador ou um facilitador do processo de aprendizagem.

Pano rápido. Vamos nos deslocar para outra realidade.

Alunos uniformizados prestam continência e dirigem-se aos policiais, que também são professores, utilizando os termos “senhor” e “senhora”. Nos corredores da escola, com paredes cinzentas, não se veem bedéis, mas guardas, alguns armados. Todos os meninos usam o mesmo corte de cabelo, todas as meninas têm o cabelo preso.

Na sala de aula, o professor fala e os alunos ouvem. Todos os estudantes sentam-se enfileirados e qualquer contato entre eles durante a explanação gera uma advertência. Contabilizadas, as advertências podem provocar a expulsão do aluno.

As primeiras cenas são parte do cotidiano de um grande colégio de elite, recém-chegado à cidade de São Paulo. As seguintes são exemplares da realidade vivida em colégios estaduais administrados pelas polícias militares de cada estado.

As descrições revelam duas tendências – contraditórias – cada vez mais presentes no panorama escolar brasileiro. As escolas particulares mais caras investem em metodologias ativas, considerando os interesses e as individualidades dos alunos, partindo do pressuposto de que eles, alunos, são os protagonistas da aprendizagem. Já escolas públicas de muitos estados brasileiros estão terceirizando sua administração às polícias militares e apostam na disciplina mais rígida e no ensino mais tradicional.

Grandes empresários e grupos de investimento estrangeiros compram ou erguem escolas com tecnologia moderna e formação de ponta, onde os alunos aprendem a explorar o mundo por uma interação lúdica. Enquanto isso, o deputado Jair Bolsonaro espalha nas redes sociais vídeos propagandeando as virtudes das escolas administradas pela PM, cujo mantra é lei e ordem.

Uma agridoce ironia: o ponto cego dos discursos das escolas de elite é admitir que as metodologias que propõem são em grande medida inspiradas em teorias da educação que tiveram Paulo Freire como um de seus expoentes.

Geralmente, esses colégios mencionam programas de formação de universidades norte-americanas, como Harvard e Stanford. O que não dizem é que obras como Pedagogia da Autonomia, um clássico do pensador pernambucano, estão na bibliografia básica das faculdades de educação inspiradoras de seus projetos pedagógicos.

A elite brasileira, que adora odiar Freire, compra a peso de ouro para seus filhos o ingresso em escolas em muito influenciadas por ele, bem como por outros pensadores considerados progressistas no campo da educação, como Jean Piaget ou Maria Montessori.

A ironia continua. Aos filhos dos pobres, resta a disciplina escolar do século XIX. Ainda que justamente pensando neles Paulo Freire tenha elaborado suas teses, a eles são negadas sua influência e seu prestígio.

Mas a diferença talvez não seja tão despropositada ou surpreendente como se pode pensar à primeira vista. Afinal, nas escolas públicas estudam os pobres, que serão no futuro funcionários dos alunos ricos.

E o que se espera do trabalhador pobre, a não ser obediência?

Aos ricos, proporciona-se liberdade. Dos ricos, esperam-se criatividade, “empreendedorismo”, autonomia. Ao pobre, destinamos o adestramento, a normalização foucaultiana de condutas, a padronização de comportamentos.

Acima de tudo, não se deve incentivar o questionamento, tampouco uma perspectiva crítica dos filhos das classes menos favorecidas. Isso deve ser reservado àqueles capazes de pagar mensalidades astronômicas, que compram um desenvolvimento cognitivo “diferenciado” para seus filhos.

Assim a educação brasileira cumpre seu papel: o de continuar sendo um dos instrumentos mais terríveis de manutenção da desigualdade social.

Obra de Antony Theobald


 *José Ruy Lozano é sociólogo, autor de livros didáticos, conselheiro do Conselho Independente de Proteção à Infância (Cipi) e coordenador pedagógico geral do Colégio Nossa Senhora do Morumbi – Rede Alix.

FONTE: https://diplomatique.org.br/bolsonaro-para-os-pobres-paulo-freire-para-os-ricos/?fbclid=IwAR2MbeVVah0PYIJeGs6lwdA88wLPOGSg5gFiNIprwFBuf8hfz9G7N1XBrYU

Rio de Janeiro como principal laboratório neoliberal da América Latina

O imbróglio envolvendo o chamado “plano de recuperação fiscal” imposto pelo governo “de facto” de Michel Temer sobre o cambaleante (des) governo Pezão seria patético se não fosse trágico. Após exigir e conseguir enormes concessões por parte da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Michel Temer e seu ainda ministro/banqueiro Henrique Meirelles não conseguem (ou não querem conseguir) dar andamento ao que foi obtido. De sua parte, o (des) governador Pezão é a expressão máxima da incapacidade ao demonstrar completa inépcia para dar conta de questões básicas quanto mais de resolver os graves problemas que afogam o Rio de Janeiro numa grave crise neste momento.

Mas esqueçamos por um momento dos personagens toscos que povoam os cargos diretivos para nos concentrar no que efetivamente está sendo feito no Rio de Janeiro. É que somando tudo o que ocorreu após a chegada de Sérgio Cabral et caterva no Palácio Guanabara, o que temos de fato é a transformação do estado num laboratório avançado das piores expressões das políticas de recorte neoliberal em toda a América Latina.

Exagerado? Basta dar uma percorrida na imprensa internacional para se verificar que inexiste caos semelhante na área de pagamentos de servidores e aposentados. Como também inexiste tamanha apropriação indevida de recursos públicos por membros dos governos. E olha que estamos falando de América Latina, onde a inexistência de instituições democráticas sólidas sempre dá espaço para a ação de aventureiros e lacaios das grandes corporações multinacionais.  Por todas as medidas e considerações possíveis, o que está acontecendo no Rio de Janeiro não possui paralelos. Digamos que vivemos um caos planejado para que haja uma completa apropriação da coisa pública por um punhado de pessoas que sequer representam os interesses da burguesia local.

Eu aproveito ainda para mencionar que neste caldeirão neoliberal existe a repetição de casos de expropriação de territórios ocupados por grupos que são tradicionalmente marginalizados social e economicamente. Os exemplos mais grotescos são das expropriações conduzidas para a implantação dos portos Sudeste (Itaguaí) e Açu (São João da Barra), mas também tivemos milhares de tomadas de lotes urbanos na cidade do Rio de Janeiro para a realização dos megaeventos esportivos, começando com os Jogos Panamericanos de 2007, passando pela Copa do Mundo de 2014 e desembocando nas Olimpíadas de Verão de 2016. Em todos estes casos, o Estado agiu para desterritorializar os pobres para entregar suas terras aos ricos fossem eles indivíduos ou grandes corporações multinacionais.

Mas a ação do Estado não se resumiu ao plano do executivo, pois legislativo e judiciário deram e continuam dando grandes contribuições para que o Rio de Janeiro vire uma pocilga neoliberal que é inabitável para a maioria pobre e negra da sua população. Ao se examinar a formulação, aplicação e a fiscalização de leis, veremos que os interesses da maioria da população não têm sido sequer levados em consideração, pois os exemplos de ação preferencial em prol dos ricos são incontáveis.

Alguém poderia me perguntar qual seria o cenário mais provável para o Rio de Janeiro nos próximos anos, no que eu teria de responder que vejo que viveremos um período marcado por uma forte conflagração com riscos de convulsão social generalizada. É que. apesar da desorganização política e da inexistência de líderes comprometidos com a reversão desse caldo neoliberal, não haverá como impedir que as pessoas se mobilizem para cobrar condições melhores de existência. Aliás. as demonstrações de que a paciência da maioria dos fluminenses já está esgotada são múltiplas. Resta saber apenas qual será o evento que acenderá a fagulha.

E, sim, depois não culpem os pobres se os caos completo se instalar.  É que na vida social como na Natureza, existem sempre limites, que se forem transpostos, sempre acarretarão mudanças de proporções compatíveis com as transgressões cometidas contra o fino balanço instável que rege todas as relações.

O perigo que se esconde por trás da PEC 241

temer-meirelles-anuncio-1024x639

Por André Forastieri

O Brasil gasta muito mais do que arrecada. Por isso nosso país está sempre endividado. Para fechar a conta, o governo tem que tomar dinheiro emprestado, pagando juros gigantes. Aí a dívida só aumenta. E por causa disso falta dinheiro para investir no que é fundamental. E como os juros são altos, as empresas também não investem, e o desemprego só aumenta. É um círculo vicioso, de que o Brasil precisa escapar.

Fácil concordar com isso tudo. E fácil concordar que a solução é uma lei que proíba o governo de gastar demais. Essa é a premissa da Proposta de Emenda Constitucional 241, a PEC 241. É o grande projeto do governo no momento. Muita gente respeitável garante que se ela não for aprovada, o país quebra. É o que o ministro da fazenda, Henrique Meirelles, falou na TV. Temer não está poupando esforços para aprovar a PEC. E ela tem de fato grande chance de ser aprovada.

O que exatamente diz a PEC 241? Que nos próximos 20 anos, até 2036, o governo do Brasil só poderá gastar exatamente o que gasta hoje. O único ajuste permitido será o da inflação anual. É isso que vai ser votado, e provavelmente aprovado, pelo Congresso.

Só tem um probleminha. Que vai virar um problemão.

O Brasil é um dos países que menos investe em saúde. O gasto do poder público em saúde por habitante é mais ou menos R$ 1400 por ano – dá menos de quatro reais por dia. Nos EUA é o equivalente a R$ 15 mil. Na Noruega, o país com melhor padrão de saúde do planeta, o governo investe R$ 28 mil por ano, por cidadão. Abaixo do Brasil, só os países mais miseráveis da África.

E o Brasil é um dos países que menos investe em educação. O gasto anual do poder público com educação é de aproximadamente R$ 10 mil por aluno do ensino básico. Quanto é nos países mais desenvolvidos? Três vezes mais. Por isso é que eles são desenvolvidos… e a gente não.

Ou seja: se a gente aprovar a PEC 241, e continuar investindo essa mesma miséria, o Brasil não vai pra frente. Aliás, vamos piorar muito.

Porque a população continua crescendo. Hoje somos 206 milhões de brasileiros. Em 2036 seremos quase 240 milhões de pessoas. Mais gente dividindo o mesmo investimento em saúde e educação. Então, na prática, o investimento por pessoa vai cair.

Vai piorar porque a população do Brasil está envelhecendo. E quanto mais velho, maior o custo com saúde.

Vai piorar porque a tendência global para as próximas décadas é de criação de empregos muito menor. Os empregos tradicionais estão cada vez mais sendo substituídos pelas máquinas e computadores. No Brasil, situação ainda mais grave, porque temos milhões de jovens com uma educação tão ruim que literalmente não servem para nada. Hoje o Brasil já é campeão de “nem-nem”, jovens de 15 a 24 anos que largaram de estudar, e não trabalham, porque não têm qualificação nenhuma…

Então teremos uma porcentagem muito maior de brasileiros que não terão condição de pagar seguro saúde, nem escola particular, o que vai sobrecarregar ainda mais os sistemas públicos. E inevitavelmente as cadeias.

Não vamos nem citar outras questões prementes do país. Por exemplo, o fato de termos apenas metade das casas do país ligadas à rede de esgoto. A situação caótica dos transportes, a situação assustadora da violência. Não vamos nem citar os desafios cada vez mais presentes na área de meio-ambiente, de poluição, de mudança climática…

Vamos ficar só em saúde e educação. É muito claro, os números não mentem. O Brasil precisará investir muito, muito mais nas próximas décadas, para diminuir o descalabro atual. E não investir menos, que é o que a PEC 241 propõe.

Mas se é assim, porque essa campanha tão forte a favor da PEC 241? E porque ela tem grande chance de ser aprovada?

Porque para o Brasil fechar as contas, ou se arrocha os pobres, que é o que a PEC 241 propõe. Ou se cobra impostos dos ricos. Que é o que os outros países fazem.

No Brasil, pobre paga muito imposto, cobrado de maneira indireta em cada produto que compra. Classe Média paga muito imposto, muito imposto de renda, e ainda se aperta para bancar do bolso seguro saúde e escola particular. Tanto pobres quanto classe média pagam também um mundo de juros, embutidos em tudo que consumimos.

E os ricos pagam pouquíssimo imposto. Tanto na pessoa física, como na jurídica. No Brasil os ricos pagam pouquíssimo imposto sobre suas propriedades, suas fazendas, seus investimentos financeiros. Pagam pouquíssimo imposto sobre as heranças que deixam. Muito, mas muito menos que nos outros países.

E as grandes empresas também pagam pouquíssimo imposto. Existem mil maneiras de escapar, se você tem recursos suficientes. Fora que as grandes empresas no Brasil se financiam como? Pegando dinheiro emprestado do BNDES, ou seja, dinheiro público, a juros bem suaves.

Os ricos brasileiros têm uma vantagem dupla. Eles pagam pouquíssimo imposto. E têm os maiores rendimentos financeiros do planeta Terra, sem risco nenhum. Como? Justamente emprestando dinheiro para o próprio governo…

É importantíssimo para os ricos brasileiros que a PEC 241 seja aprovada. Para que a conta desse ajuste seja pago pela classe média e pelos pobres, e não por eles, os grandes empresários, grandes banqueiros, grandes fazendeiros. Que é, claro, o grupo que tem mais poder. E mais poder tem para eleger políticos e influenciar a opinião pública. Em qualquer época, em qualquer governo, de qualquer partido.

O resultado da aprovação da PEC 241 será aumentar a transferência dos recursos de 99% da população para os bolsos de 1% de milionários. Espremer ainda mais o povo, para que os super ricos ganhem ainda mais, e sigam pagando pouquíssimo imposto. Esse é o perigo que corremos: condenar nosso país, nosso povo a um atraso infinitamente maior que o atual.

O Brasil precisa fechar as contas, sim. Mas temos que fazer como fazem os países que se desenvolvem. Precisamos investir na educação, na saúde, na segurança, na infraestrutura. Para isso é preciso dinheiro. E para isso é preciso taxar com justiça todas as faixas da população. Proteger ao máximo os mais necessitados. Cobrar moderadamente a classe média. E taxar com vontade os milionários.

Isso faz sentido em outros países. Faria sentido no Brasil. E mais que isso: faria justiça. O que não faz nem sentido, nem justiça, é a PEC 241.

FONTE: http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2016/10/07/o-perigo-que-se-esconde-por-tras-da-pec-241/

Arquitetura hostil: as cidades contra seres humanos

POR REDAÇÃO

IMG-7529,large.1402516751

Em Londres, espetos antimendigos, bancos contra skatistas e namorados expõem horror de certos urbanistas e autoridades a interações pessoais

Por Ben Quinn, The Guardian | Tradução Maria Cristina

Ele é chamado de banco Camden, por causa do distrito londrino que primeiro encomendou esses assentos esculpidos em concreto cinza, que podem ser encontrados nas ruas da capital britânica. A superfície inclinada dos bancos, resistente a pixações, foi desenhada para afastar tanto os moradores de rua quanto os skatistas.

Ainda que menos óbvios do que os espetos “antimendigo” de aço inoxidável que apareceram há pouco, do lado de fora de um prédio de apartamentos de Londres, esses bancos fazem parte de uma fornada recente de arquitetura urbana planejada para influenciar o comportamento público e conhecida como “arquitetura hostil”.

Os skatistas tentam subverter os bancos fazendo aquilo que sabem melhor. “Hoje estamos mostrando que você ainda pode andar de skate aqui”, disse Dylan Leadley-Watkins, freando depois de se lançar com seu skate por sobre um dos bancos no Covent Garden. “O que quer que as autoridades façam para tentar destruir o espaço público, elas não podem se livrar das pessoas que frequentam a área sem ter que gastar dinheiro e fazer algo de que elas gostem.”

As ações dos skatistas e daqueles que se indignaram com os espetos – removidos depois que uma petição online conseguiu 100 mil assinaturas e o prefeito de Londres, Boris Johnson, aderiu às críticas – chegam num momento em que muitos argumentam que as cidades estão se tornando ainda menos acolhedoras para certos grupos.

Além dos dispositivos antiskate, os parapeitos das janelas ao nível do chão têm sido “enfeitados” com pontas ou espetos para impedir que as pessoas se sentem; assentos inclinados nos pontos de ônibus desencorajam a permanência e os bancos são divididos com apoio para os braços para evitar que as pessoas se deitem neles.

Bpt8__jCYAAVz0d (1)

Acrescentem-se a essa lista as áreas com pavimentação irregular, desconfortável, as câmeras de circuito fechado com auto-falantes e os intimidantes sonoros “antiadolescentes”, como o uso de música clássica nas estações e os chamados dispositivos mosquito, que emitem sons irritantes de alta frequência que só os adolescentes escutam.

“Uma grande parte da arquitetura hostil é adicionada posteriormente ao ambiente da rua, mas é evidente que “quem nós queremos neste espaço, e quem nós não queremos” é uma questão consideradas desde cedo, no estágio do design”, diz o fotógrafo Marc Vallée, que tem documentado a arquitetura antiskate.

Outros enfatizam o valor do design de ambiente na prevenção do comportamento criminoso, insistindo que o tempo das soluções brutas como os espetos de aço já passou. “Os espetos são parte de uma estética da fortaleza, já ultrapassada e nada bem-vinda nas comunidades para as quais o design urbano precisa ser inclusivo”, diz Lorraine Gamman, professora de design na Central St Martins (Faculdade de Artes e Design) e diretora do centro de pesquisas Design Contra o Crime, da mesma instituição.

Hostile architecture: benches

“Se quisermos usar o design para reduzir comportamentos antissociais, a democracia deve ser visível no design para a prevenção do crime que incorporamos às nossas ruas”, diz ela. “Não tenho problemas com o banco Camden – cuja estética outros têm criticado – mas em muitos lugares, os bancos, banheiros e lixeiras parecem ter sido removidos para reduzir crimes presumíveis, às custas da maioria das pessoas, que costuma respeitar das leis”.

Inovações atualmente em desenvolvimento na Central St Martins incluem “arte para caixa eletrônico” – marcadores de piso que visam aumentar a privacidade e a segurança dos usuários de caixas eletrônicos.

Outros criaram projetos relacionados com o graffiti (“Graffiti Dialogues”), ganchos antifurto para pendurar bolsas e mochilas nos bares e cafés e o suporte Camden para bicicletas, que facilita a vida do ciclista por manter a bicicleta na posição vertical e prender as duas rodas e o quadro ao suporte.

Hostile architecture: spikes

A indignação contra os tipos mais grosseiros de arquitetura hostil está crescendo. Há semanas, ativistas derramaram concreto sobre os espetos instalados na frente de uma unidade da rede de supermercados Tesco na região central de Londres. A empresa disse que pretendia prevenir comportamentos antissociais e não afastar moradores de rua, mas concordou, dias depois, em retirar os espetos.

O historiador da arquitetura Iain Borden disse que o surgimento da arquitetura hostil tem suas raízes no design urbano e na gestão do espaço público dos anos 1990. Esse aparecimento, afirmou ele, “sugere que somos cidadãos da república apenas na medida em que estamos trabalhando ou consumindo mecadorias diretamente”.

“Por isso é aceitável, por exemplo, ficar sentado, desde que você esteja num café ou num lugar previamente determinado onde podem acontecer certas atividades tranquilas, mas não ações como realizar performances musicais, protestar ou andar de skate. É o que alguns chamam de ‘shoppinização’ do espaço público: tudo fica parecendo um shopping”.

Rowland Atkinson, co-diretor do Centro para a Pesquisa Urbana da Universidade de York, sugere que os espetos e a arquitetura relacionada são parte de um padrão mais abrangente de hostilidade e desinteresse em relação à diferença social e à pobreza produzida nas cidades.

Hostile architecture: seat

“Sendo um pouco cínico mas também realista, é um tipo de ataque aos pobres, uma forma de tentar deslocar sua angústia”, diz ele. “São vários processos que se somam, incluindo os processos econômicos que tornam as pessoas vulneráveis em primeiro lugar, como o imposto por quarto extra e os limiares do bem-estar, mas o próximo passo parece ser afirmar que ‘não vamos permitir que você se acomode nem mesmo do modo mais desesperado’.”

FONTE: http://outraspalavras.net/destaques/arquitetura-hostil-as-cidades-contra-seres-humanos/

Matéria da Reuters aponta que custo dos Jogos Olímpicos pode chegar a R$ 10 bilhões!

Para quem acha que já atingimos as raias da loucura com a gastança para a Copa da FIFA, a matéria abaixo da Agência Reuters que o pior ainda está por vir nos Jogos Olímpicos de 2016. É que de um orçamento inicial estimado de R$ 4,2 bilhões, as estimativas já chegam a R$ 7 bilhões, podendo chegar a R$ 10 bilhões. Esse gasto todo não trará grandes ganhos para os pobres da cidade do Rio de Janeiro, mas deverá redesenhar completamente a distribuição das classes sociais no espaço carioca. E ai não precisa ser da Fundação Cacique Cobra Coral para saber que vão chover remoções para cima dos pobres.

E pensar que a Suécia recusou se candidatar para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 para não ter que gastar dinheiro público que seria melhor gasto com a construção de moradias populares (Aqui!).  Como diz Ancelmo Góis: deve ser terrível ter que viver na Suécia!

Orçamento da Rio 2016 sobe para cerca de R$7 bi, diz fonte

A previsão inicial do orçamento operacional, que era gastar 4,2 bilhões de reais, pode aumentar ainda mais

Rodrigo Viga Gaier, da

Divulgação/COB

Bandeira Rio 2016

Bandeira Rio 2016: o custo total da Olimpíada será apresentado na próxima semana

Rio de Janeiro – O orçamento operacional da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro subiu mais de 2,5 bilhões de reais ante a estimativa inicial do comitê organizador local dos Jogos, para cerca de 7 bilhões de reais, e pode subir ainda mais, disse à Reuters uma fonte próxima ao assunto.

Quando apresentou o orçamento na proposta de candidatura aos Jogos, em 2009, o comitê organizador estimava gastar 4,2 bilhões de reais no evento. Agora, com a atualização dos valores, a variação do câmbio e a inclusão de outras responsabilidades e modalidades no programa olímpico, o orçamento subiu para 7 bilhões de reais.

Além disso, a previsão inicial de aporte de 1,4 bilhão de reais das três esferas de governo no COL foi elevada para 1,9 bilhão de reais.

“É muito difícil fazer um prognóstico para a obra de um banheiro de uma casa. Imagina de uma Olimpíada que envolve muito mais gente, órgãos e outros fatores”, disse a fonte, sob condição de anonimato. “É um salto grande mas que era necessário”, disse, acrescentando que o orçamento ainda “corre o risco de passar por uma nova revisão”.

“Acho um risco danado fechar esse número em 7 bilhões. Acho que deveríamos jogar mais para cima, para uns 10 bilhões (de reais), para termos folga e chance de até sobrar dinheiro no final”, disse.

O orçamento operacional dos Jogos Olímpicos de 2016 será divulgado oficialmente nesta quinta-feira. O valor é referente apenas às obrigações do COL, e não inclui as obras de infraestrutura e construção de arenas esportivas.

O custo total da Olimpíada será apresentado na próxima semana, quando será divulgada a matriz de responsabilidade dos Jogos Olímpicos. Na proposta de candidatura do Rio, esse gasto foi estimado em 23 bilhões de reais.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/orcamento-da-rio-2016-sobe-para-cerca-de-r-7-bi-diz-fonte

Grupo dos 85 mais ricos do mundo tem riqueza igual à dos 3,5 bilhões mais pobres

yacht-landscape-billion-oxfam

Segundo Oxfam International, bilionários acumulam fortuna de US$ 1,7 trilhão. Às vésperas do Fórum Econômico, entidade alerta para luta contra desigualdade

RIO – O pequeno grupo das 85 pessoas mais ricas do mundo concentra a mesma riqueza que os 3,5 bilhões mais pobre do planeta, revelou nesta segunda-feira uma pesquisa da organização Oxfam International. O estudo foi divulgado às vésperas do Fórum Econômico Mundial e tem como objetivo estimular o debate sobre a desigualdade social no encontro, que ocorre a partir de quarta-feira em Davos, na Suíça.

De acordo com o relatório, o grupo de super-ricos acumula fortuna de US$ 1,7 trilhão. A entidade afirma ainda que 1% da população mundial detém quase metade da riqueza mundial: US$ 110 trilhões.

Para a Oxfam, dedicada ao combate à pobreza, o alto nível de desigualdade está relacionado à concentração de poder, que garante mais oportunidades aos mais favorecidos. A entidade cita pesquisas realizadas em seis países, inclusive o Brasil, que mostram que a maioria das pessoas acredita que as leis são distorcidas em favor dos mais ricos. Segundo o estudo, paraísos fiscais, práticas anticompetitivas e baixo investimento em serviços públicos estão entre os fatores que dificultaram uma melhor distribuição de oportunidades.

“Esta captura de oportunidades pelos ricos às custas dos pobres e da classe média ajudou a criar uma situação onde sete de dez pessoas no mundo vivem em países onde a desigualdade aumentou desde os anos 80”, afirmou a Oxfam.

Para o diretor da organização, Winnie Byanyima, que estará em Davos, a luta contra a pobreza está relacionada ao combate à desigualdade.

– O aumento da desigualdade está criando um círculo vicioso onde riqueza e poder estão cada vez mais concentrados nas mãos de poucos, deixando o resto de nós lutando por migalhas que caem da mesa – afirmou Byayima.

FONTE:  http://oglobo.globo.com/economia/grupo-dos-85-mais-ricos-do-mundo-tem-riqueza-igual-dos-35-bilhoes-mais-pobres-11355568#ixzz2rDW2jGmn

Rolezinho: ato em SP vai “denunciar o caráter racista” de shoppings

Foto: Reprodução/Facebook

Para um dos organizadores, repressão é tentativa de “impedir a presença de jovens, moradores de periferia, na sua ampla maioria negros” nos centros comerciais 

Por Igor Carvalho,  Da Revista Fórum

Marcada para o próximo sábado (18), às 12h, uma manifestação contra a repressão dos shopping centers ao movimento conhecido como “rolezinho”, realizado por jovens das periferias de São Paulo. Segundo Juninho Jr., do Círculo Palmarino, um dos organizadores do ato, a intenção é “denunciar o caráter racista das ações que vem sendo promovidas pelos shoppings de São Paulo.”

A manifestação seguirá até a entrada do shopping JK Iguatemi, um dos mais ricos da capital paulista, que no último sábado exigiu os documentos de frequentadores do local e até dos funcionários que trabalham nas lojas para evitar o “rolezinho”. Menores de idade desacompanhados não puderam frequentar o espaço.

O “rolezinho”, para Juninho, é a consequência do ideal de consumo propagado pelas elites, frequentadoras assíduas dos shoppings. “A burguesia propaga cotidianamente que para você ser alguém, ser reconhecido, é necessário ter e consumir, e o funk ostentação dialoga com esse sentimento. Porém, enquanto esses jovens sonharem com carros de luxo, roupas de marca, lá na periferia, tudo bem, o problema é quando eles desejam ocupar os espaços que tradicionalmente só são ocupado pelo andar de cima, ai gera uma contradição que a elite não consegue responder senão pela repressão.”

No último sábado (11), a Polícia Militar chegou a usar gás lacrimogêneo e bala de borracha para dispersar o “rolezinho” em um shopping de Itaquera. Três jovens foram detidos.

Confira a entrevista com Juninho Jr.  Aqui!

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/27064