Codin e as desapropriações no Porto do Açu: devo não nego, pago quando puder

No dia 23 de junho de 2015 postei uma nota sobre um curioso processo de desapropriação movido pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin) contra um réu supostamente ignorado no V Distrito de São João da Barra (Aqui!). Uma primeira questão que já observei naquela época, é que os réus não só não eram ignorados, mas como possuíam um advogado constituído para defender seus direitos de propriedade.

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Pois bem, de lá para cá, os agricultores envolvidos neste imbróglio com a Codin conseguiram que a justiça realizasse uma reavaliação do valor de suas terras. o resultado não surpreendeu ninguém já que o perito judicial apontou valores mais, digamos, substanciais, do que aqueles que foram calculados pela Codin.  Mas foi aí que começou um novo e interessante capítulo de uma novela que poderia ser intitulada de “Devo não nego, pago quando puder”.

A coisa toda começou com um despacho do juiz responsável pelo caso determinando em 25/11/2015 que a Codin fizesse uma complementação do depósito já realizado para alcançar o valor determinado pelo perito judicial, e num prazo de cinco dias (ver imagem abaixo).

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Após mais de três meses da decisão judicial e dado o descumprimento pela Codin do que havia sido determinado pela justiça, o advogado dos agricultores entrou no dia 07/03/2016 com uma nova petição solicitando a extinção do processo (ver imagem abaixo).

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Eis que no dia 14/06/2016, os advogados da Codin entraram com uma apelação que explicita por um lado a incapacidade do órgão de realizar o depósito suplementar determinado no dia 25/11/2011 (quase meio ano depois da sentença que deu apenas cinco dias para seu cumprimento) e, por outro, o total desrespeito com os direitos dos agricultores. É que, como mostra a imagem abaixo, a Codin simplesmente solicita que não haja mais a imissão provisória de posse, mas que o processo de desapropriação continue, talvez até o dia em que o (des) governo do Rio de Janeiro tenha recursos para pagar pelas terras que desapropriou e depois entregou para o ex-bilionário Eike Batista, que depois as repassou para Prumo Logística Global.

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Especialistas em direito agrário com que conversei sobre este assunto me disseram que a pretensão dos advogados da Codin é descabida não apenas porque afronta uma decisão judicial para a qual não há mais apelação, mas porque tenta garantir a posse de terras para as quais não realizou sequer o depósito necessário para imissão provisória de posse!

O fato é que estamos diante de um caso muito singular em que a Codin se defronta com uma decisão judicial que contradiz as práticas que foram utilizadas a partir de 2010 para remover forçosamente e sem o pagamento do valor real das terras centenas de famílias de agricultores familiares de suas propriedades no V Distrito de São João da Barra.  Mas o problema para a Codin, e também colateralmente para a Prumo Logística,  é que este caso ameaça com o que em inglês se rotula de “to open a can of worms“, o que pode ser traduzido como sendo “onde passa um boi, passa uma boiada”. Em outras palavras, este caso pode colocar em questão todo o escandaloso processo de desapropriações que foram realizadas em prejuízo de centenas de agricultores familiares pobres.

E se isto acontecer, a “venda” do projeto do Porto do Açu que já anda difícil, vai piorar ainda mais. Afinal, qual empresa séria vai querer se instalar numa área com problemas fundiários tão difíceis de serem resolvidos, nos quais famílias pobres são as principais prejudicadas?

 

Conflito fundiário no Porto do Açu: justiça dá prosseguimento a Ação Popular

BRASIL 247

No dia 10 de Setembro de 2015 postei e comentei uma matéria do Jornal “O Diário”sobre uma Ação Civil Pública (ACP) que havia sido impetrada para requerer ” a anulação do contrato de compra e venda condicionada, realizado em agosto de 2010 pelo Estado, Companhia de Desenvolvimento do Estado (Codin) e LLX – empresa de Eike Batista que à época das desapropriações era operadora do porto”  (Aqui!)

Como todos devem lembrar, as terras envolvidas nesse “negócio de pai para filho”  entre o (des) governador Sérgio Cabral e o ex-bilionário Eike Batista foram desapropriadas pela Codin sob a alegação de iriam abrigar um distrito industrial para servir de retroárea ao Complexo Industrial Portuário do Açu.

Passado quase um ano, eis que a juíza responsável pelo processo (0331355-25.2015.8.19.0001) tomou uma série de decisões que vão claramente de encontro aos interesses da Codin e da sucessora da LL(X), a Prumo Logística Global (Aqui!). De quebra, ainda sobraram respingos para o município de São João da Barra que tendo sido arrolado como parte ré, tentou ser retirado do processo e não conseguiu (ver reprodução da decisão da juíza Neuza Regina Larsen de Alvarenga Leite.

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Alguns aspectos dessa decisão são de fundamental importância. A primeira é que os pedidos de arquivamento da ACP não foram acolhidos. Além disso, a manutenção da Prumo Logística e do município de São João da Barra como partes rés do processo representa uma clara vitória para os autores da  ACP.

Mas mais importante ainda é o fato da juíza Neuza Regina Larsen de Alvarenga Leite ter determinado que as partes rés produzam as provas documentais demandadas pelos autores da ACP. É que agora, a partir da colheita de provas materiais, vai ficar quase impossível que os termos do contrato celebrado entre a Codin e a LL(X) não sejam considerados nulos. E se isso se confirmar, o imbróglio fundiário que já atrapalha bastante os interesses imobiliários de diferentes atores que operam no V Distrito de São João da Barra vai ficar ainda mais apertado. E isso é bom porque vai reacender a esperança de centenas de famílias de agricultores que continuam até as indenizações devidas por suas terras que se encontram hoje completamente improdutivas.

E, ao contrário do que se manifestou nos autos do processo o Ministério Público, os dois autores desta magnífica ACP estão “vivinhos da silva”. E aos dois, desejo muita saúde!

O imbróglio fundiário na retroárea do Porto do Açu e os conflitos emergentes

Uma fonte bem informada acerca do imbróglio fundiária ocorrendo na retroárea do Porto do Açu me informou ontem que os conflitos tenderão a aumentar em função das disputas envolvendo agricultores que venderam suas terras em via de desapropriação para a LL(X).

Um dos focos de tensão envolve pelo menos 30 proprietários que venderam apenas a parte desapropriada de suas terras e agora estão descobrindo que os compradores (ou quem herdou os contratos de compra e venda assinados com a LL(X)) estão tentando se apropriar de áreas maiores do que aqueles constantes dos documentos.

Por exemplo, um proprietário teria vendido X alqueires e agora está sendo “convidado” a concordar com um desmembramento de X+1 alqueires. É essa diferença que está fazendo com que muitos agricultores agora procurem advogados para façam a defesa de seus interesses.

Um detalhe a mais e que promete tornar o nó desse imbróglio ainda mais apertado é o registro no Cartório de Registro de Imóveis que não vai poder emitir novos títulos de propriedade que excedam o tamanho original da propriedade que consta em seus livros. É que se fizesse o contrário, o tabelião poderá ser acionado judicialmente para explicar as eventuais diferenças de área. 

Essa mesma fonte me informou que uma personagem que está se tornando bastante importante no controle fundiário do V Distrito de São João da Barra é uma velha conhecida deste blog, a Grussaí Siderúrgica do Atlântico – GSA-(Aqui!Aqui!Aqui! e Aqui!). Aparentemente,  o negócio da GSA está mais para o mercado de terras desapropriadas do que para a produção de aço. É que afora, as placas espalhadas no território desapropriado pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN), não há qualquer outro sinal de vida da GSA, apenas placas!

Finalmente,  quem acha que os agricultores que venderam suas terras vão aceitar passivamente terem que abrir mão de uma área maior do que a acordada, melhor pensar duas vezes. É que a estas alturas do campeonato, não há mais ninguém querendo fazer o papel de bobo. Aliás, um lema que muitos agricultores agora repetem em suas rodinhas de discussão é que “jacaré parado vira bolsa”. E no V Distrito de São João da Barra, não quem queira ser jacaré, muito menos parado.

O êxito socioeconômico local passa pelo uso eficiente da terra

As propriedades são vizinhas e se localizam nas proximidades do porto do Açu, em São João da Barra. A primeira, uma terra “nua”, sem trabalho e que não gera nenhum tipo de riqueza. A segunda propriedade, no “sítio do Birica”, o trabalho permite a geração de múltiplas alternativas de cultivo. Esse comparativo é importante para mostrar que a terra é uma dádiva e que, com a incorporação de trabalho e conhecimento, permite a geração de uma riqueza que insere os trabalhadores, alimenta a população, gera emprego, renda e combate a pobreza e a miséria.

Neste momento em que os municípios produtores de petróleo da Bacia de Campos mostram forte fragilidade financeira, em função da dependência às rendas petrolíferas, as alternativas econômicas estão, exatamente, na terra. A crise do setor petrolífero tende a se aprofundar e esses municípios precisam pensar na produção de bens e serviços de valor agregado.

Assim como quase todos os municípios do estado, São João da Barra é importador de alimentos. Como produz muito pouco, uma alternativa inicial seria o planejamento para aproveitamento dos benefícios do Programa Federal da Merenda Escolar. Nesse caso, deveria diagnosticar a demanda potencial, assim como, planejar e induzir a oferta agregada dos principais alimentos, a partir de um modelo de organização produtiva de cunho coletivo. Tal ação garantiria uma maior dinamização do setor agropecuário, com reflexos no avanço qualitativo da economia local. O sucesso de um programa dessa natureza passa, necessariamente, por um maior comprometimento dos gestores públicos, maior envolvimento das lideranças não governamentais e efetiva interação com universidades e centros de pesquisa.

FONTE: http://economianortefluminense.blogspot.com.br/2016/08/o-exito-socioeconomico-local-passa-pelo.html

Adiamento de visita ao Porto do Açu oferece oportunidade para ministro-bispo conhecer o lado obscuro do “milagre”

Eu até achei curiosa a notícia de que o dublê de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), o deputado federal Marcos Pereira, iria ser mais uma autoridade a visitar as obras do Porto do Açu e, muito provavelmente, a ser outro político que se paramentaria com o reluzente conjunto formado pelo capacete e colete da Prumo Logística Global.

Entretanto, como informou hoje o jornalista Arnaldo Neto em seu blog no jornal Folha da Manhã (ver reprodução abaixo), o ministro (ou seria bispo?) Marcos Pereira cancelou a sua visita sem anunciar a nova data em que a mesma se dará.

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Pois bem, eu pessoalmente acredito que esse é um daqueles casos em que o mal vem para o bem. É que sendo o ministro também um bispo de uma denominação religiosa com fortes laços populares, ele bem que poderia pedir para visitar o “lado de fora da cerca” do Porto do Açu para conhecer algumas das famílias que até hoje não foram ressarcidas pela expropriação de suas terras que foi promovida pelo (des) governo Sérgio Cabral, ou daquelas que tiveram suas terras esterilizadas pelo sal que extravasou do aterro hidráulico do Porto do Açu. E, sim, poderia ainda haver um espaço na agenda do ministro para dialogar com os moradores da Praia do Açu que hoje vivem no sobressalto sobre o futuro da localidade em função do processo erosivo que lá ocorre.

É que apesar do grande esforço para mostrar apenas as supostas vantagens locacionais desfrutadas pelo Porto do Açu, há que se lembrar dos que foram e continuam deserdados dos ganhos fabulosos que estão prometidos para as corporações que estiverem ali instaladas quando o projeto finalmente sair da promessa para a realidade.

Homa lança relatório sobre o caso do Porto do Açu, em São João da Barra, RJ

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A América Latina passa por um processo de expansão do setor minero-metalúrgico, em especial o Brasil, que ocupou em 2013 o segundo lugar entre os maiores exportadores de minério do mundo. A dependência econômica da região em relação a essa atividade é alarmante e sujeita às vulnerabilidades das altas e baixas cíclicas nos preços das commodities, que geram crises estruturais no setor

O período 2003-2013 representou um megaciclo das commodities, em que as importações globais de minérios foram valorizadas por um aumento de 630% (US$ 38 bilhões para US$ 277 bilhões). Ao longo desses anos, aprofundou-se a dependência econômica do Brasil na exportação, principalmente, de minério de ferro. Há a realização de projetos de larga escala com apoio governamental, em uma tentativa de impulsão da economia

O projeto do minero-porto do Açu se insere nessa lógica, sendo que sua ideia original data de 1999, como uma ambição do governo do Estado do Rio de Janeiro, representado pelo então governador Anthony Garotinho. Este foi sucedido por sua esposa Rosinha Garotinho, que deu continuação ao projeto, o qual sempre foi defendido como de interesse público. Através de reuniões privadas, houve a associação do projeto com Eliezer Batista, que o repassou para seu filho, Eike Batista. A partir daí se desenvolve um complexo sistema de relações empresariais, que dificultam, além do entendimento do caso, a imputação de responsabilidade dos envolvidos.

Ver Relatório Completo

FONTE: http://homacdhe.com/index.php/pt/2016/03/10/homa-lanca-relatorio-sobre-o-caso-do-porto-do-acu-em-sao-joao-da-barra-rj/

O Diário faz matéria abordando uso de água “comprometida” no Porto do Açu

Água comprometida no Porto do Açu

Transporte irregular é feito em caminhões de combustíveis e salinização

Água comprometida no Porto do Açu

Por Virna Alencar

“As evidências de que a Prumo Logística esteja tendo que recorrer a fontes externas para obter água e manter o Porto do Açu funcionando mostram que algo estranho esteja acontecendo”. A declaração do professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em Campos, Marcos Pedlowski vai ao encontro à denúncia do ex-prestador de serviço do complexo portuário, João Vanildo da Silva Junior, de que o transporte de água consumida por trabalhadores no empreendimento é feito de forma irregular em caminhões de combustíveis de responsabilidade da empresa Marpem. A denúncia foi publicada em matéria nas edições de quinta (7) e sexta-feira (8). 

Segundo o denunciante, a água, cujo carregamento aconteceria no centro de distribuição da Concessionária Águas do Paraíba, na Avenida Arthur Bernardes, em Campos, seria distribuída para os navios, plataformas e empresas sediadas no complexo portuário sem que os veículos de combustíveis sejam descontaminados. 

Ele disse ainda que funcionários trabalhariam sem qualquer tipo de controle ou documentação na atividade de abastecimento de água e o citado transporte seria feito 24 horas por dia através de dez caminhões de propriedade da empresa contratada. “O problema acontece até hoje”, disse João, que prestou serviços ao empreendimento, no ramo de transporte de cargas, por cerca de quatro anos, tendo se desligado do serviço há mais de um ano. 

João Vanildo enfatizou que não existe água potável na área do complexo portuário devido à contaminação do lençol freático ocasionada pela construção. O caso foi registrado na 134ª Delegacia Legal (Centro), em Campos, na última segunda-feira (4). 

A equipe de reportagem do jornal O Diário contatou a empresa Prumo Logística, responsável pelas obras do Porto do Açu, em vários aspectos. No entanto, a empresa se limitou a dizer que “verifica periodicamente a qualidade da água fornecida aos seus colaboradores, possuindo inclusive laudos que atestam sua potabilidade. A empresa está apurando internamente o conteúdo das notícias veiculadas na imprensa local”, diz a nota. 

A assessoria de comunicação da Águas do Paraíba manteve o posicionamento de que o “contrato de concessão é para atendimento no município de Campos dos Goytacazes”.
A empresa “Marpem” – apontada como responsável pelo transporte irregular de água consumida por trabalhadores do Porto do Açu, em São João da Barra – informou na quinta-feira (7), por meio de nota, que “o transporte de água realizado pela empresa é feito por caminhões apropriados e exclusivos para o devido fim” e que “possui laudos que atestam e comprovam tanto a potabilidade da água fornecida quanto a adequabilidade dos caminhões utilizados para o transporte da mesma”.

Na tentativa de buscar respostas, a equipe de reportagem do jornal O Diário esteve na última quarta-feira (6), no endereço informado no site da empresa (www.marpem.com.br) – Rua Umbelinda Manhães Siqueira, nº 420, em Grussaí (SJB), mas ninguém foi encontrado no local. A empresa informou que passa por mudanças e por isso, o site ainda foi atualizado e os telefones no local não foram instalados. 

Pedlowski fala sobre a salinização

Marcos Pedlowski, que estuda os impactos causados pela construção do Porto do Açu, lembrou que a salinização – incidente ambiental causado pelas dragagens feitas no local no final de 2012 – tem implicações sérias, não apenas para os que trabalham dentro do empreendimento, mas também para milhares de famílias que vivem e trabalham no 5º Distrito de São João da Barra. “Os estudos feitos pela Uenf diretamente na área de entorno do Porto, desde o início de 2013, mostram que o incidente teve um impacto marcante no início, e que apesar das piores condições já terem sido superadas, as alterações continuam”, disse.

Em relação aos problemas de salinização na água dos poços cavados dentro do complexo portuário, o professor informou que podem estar ocorrendo dois tipos de problemas: a exaustão dos poços ou a intrusão salina, seja por água vinda do aterro hidráulico ou pelo avanço das águas oceânicas através do canal de navegação. 

Disse ainda que um relatório produzido pelo diretor do Centro de Pesquisas de Água Subterrânea da Universidade de São Paulo, professor Ricardo Hirata poderia esclarecer quais são as causas de um eventual processo de salinização dos poços. Inicialmente, o professor foi contratado pela LLX para realizar dois estudos científicos sobre o impacto da dragagem sobre a qualidade das águas. 

Segundo o que Ricardo Hirata declarou à Agência Reuters, o primeiro estudo examinaria maneiras de controlar o impacto de futuras dragagens, e o segundo seria uma avaliação do impacto dos depósitos originais para evitar a repetição do problema salinização. “O problema é que os estudos do professor Ricardo Hirata continuam até hoje, sendo tratados como confidenciais, o que evidentemente prejudica o entendimento dos processos que estão ocorrendo nos aquíferos de onde sai à água que estava sendo utilizada dentro do Porto”.

Especialista aponta riscos

O gastroenterologista Dr. José Roberto Crespo destacou que uma água com nível 100% de qualidade – seja para beber ou na preparação do alimento – é vital para o organismo humano. Informou ainda que sua contaminação pode provocar danos de variados níveis. “Existem os danos imediatos como diarréia e infecções, mas dependendo do tipo de substância presente na água as consequências podem ser de longo prazo, como um câncer, podendo levar até a morte”, alertou.

Para um melhor entendimento sobre os riscos provocados pela contaminação da água, o especialista citou o desastre ambiental ocorrido em 5 novembro de 2015, no município de Mariana, em Minas Gerais. O rompimento de uma barragem (Fundão) da mineradora Samarco provocou uma enxurrada de lama que devastou o distrito de Bento Rodrigues, deixando um rastro de destruição à medida que avançou pelo Rio Doce.  “A lama atingiu ambientes aquáticos levando a morte de peixes e de todos os organismos ali encontrados. Assim, nós seres humanos, também somos contaminados por metais pesados, que são nocivos ao organismo”, explicou.

José Roberto enfatizou que a olho nu é possível desconfiar da qualidade, seja pela cor, ou cheiro, mas somente por meio de uma análise laboratorial é possível constatar se há ou não a presença de metais pesados, bactérias, ou fungos.

FONTE: http://www.diarionf.com/noticia-5338/agua-comprometida-no-porto-do-acu

Fornecimento de água no Porto do Açu: mais uma vez aparece a distância da propaganda à realidade

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Apesar de toda a propaganda (e auto propaganda) que cerca o Porto do Açu, eu sempre me reservo a ser incrédulo em relação a todas as promessas que são feitas de que o megaempreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista sairá do campo do potencial (que efetivamente possui) para uma realidade. É que são tantas as pontas soltas que eu fico sempre com a impressão que um dia ou outro seremos brindados com um toque salgado de realidade que apagará toda a propaganda.

Vejamos agora o comentário que eu recebi de um leitor no dia 28/06 acerca do transporte de água pela empresa MARPEM para um suposto uso no interior do Porto do Açu:

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Como  a Águas do Paraíba S.A. é “uma sociedade de propósito específico, responsável pela captação, tratamento e distribuição de água tratada, bem como pela coleta e tratamento de esgoto sanitário na área urbana do Município de Campos dos Goytacazes(Aqui!), achei que havia algo estranho na narrativa oferecida pelo leitor. Não por duvidar da narrativa, mas porque ao menos formalmente a Águas do Paraíba não poderia estar vendendo água para ser utilizada no Porto do Açu.

Entretanto, por estar ocupado com outros assuntos, não tive como buscar fatos que negassem ou comprovassem que estaria havendo ou não essa aquisição de água em Campos dos Goytacazes para uso no Porto do Açu.

Eis que hoje ao acessar o Portal Viu!, encontrei uma matéria sobre o uso de água contaminada no Porto do Açu que efetivamente confirmou a informação oferecida pelo leitor deste blog, seja em termos da empresa transportadora como do local de retirada do produto (Aqui!).

A matéria da Viu! traz a resposta apenas da Águas do Paraíba, já que tanto a Prumo Logística como a Marpem não haviam oferecido suas posições sobre o assunto até o fechamento da matéria.  Mas a própria resposta da concessionária de águas e esgotos de Campos dos Goytacazes abre caminho para novas questões ao afirmar que o seu “contrato de concessão é para atendimento no município de Campos dos Goytacazes e que não há qualquer ligação com o problema em questão.”   Afinal, as declarações tanto do leitor deste blog quanto do denunciante citado pela Viu! oferecem informações bem específicas não apenas sobre o uso de caminhões da MARPEM, mas também do local de onde a água estaria sendo coletada para ser transportada para o Porto do Açu, qual seja, a ETA que existe ao lado do Walmart (mais precisamente na Avenida Arthur Bernardes).

É sempre importante lembrar que no projeto original do Porto do Açu havia a proposta de uma adução do Rio Paraíba do Sul que deveria atender plenamente as demandas presentes e futuras do empreendimento, num volume de água que poderia atender uma cidade de 2,8 milhões de pessoas (Aqui! e Aqui!).  O problema é que depois de todas as idas e vindas que o Porto do Açu experimentou, essa parte do projeto não parece ter saído dos croquis (ver planta abaixo).

Capatação de água para o Açu-2

Finalmente, como já abordei aqui em diferentes ocasiões o problema da salinização de águas e solos no V Distrito de São João da Barra em função das deficiências técnicas ocorridas na construção do aterro hidráulico do Porto do Açu. Agora, com esse imbróglio que foi parar até na  134ª DP, vamos aguardar o que acabará transpirando sobre a questão do abastecimento de água no porto. A ver!

Com Cavendish e a Delta na mira da PF, o fio da meada da crise no RJ fica mais próximo

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A mídia corporativa está noticiando hoje o pedido de prisão de Fernando Cavendish da Delta Construções S/A, um dos grandes amigos do ex( des) governador Sérgio Cabral (Aqui!Aqui! e Aqui!).

A Delta Construções de Cavendish teve no período de 2007 a 2012, 96,3% do seu faturamento ligada a verbas públicas, e agora a Polícia Federal alega que em troca disso, a empresa operava um sistema milionário de propinas (ver gráfico abaixo).

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Fonte: O Globo

A questão para mim é porque se demorou tanto a se chegar em Fernando Cavendish e as operações para lá de questionáveis que envolveram a Delta Construções. 

De toda forma, desconfio que na ausência da prisão de Cavendish que aparentemente não se encontra no Brasil, uma pessoa realmente preocupada com a operação de nome sugestivo da PF (i.e.,  Operação Saqueador) é o ex (des) governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

É que durante boa parte do primeiro mandato de Sérgio Cabral não apenas a Delta foi fartamente com obras públicas no território fluminense, mas como também ficou mais do que explícita a relação pessoal entre o então (des) governador e Cavendish. Esta proximidade ficou especialmente evidente na queda do helicóptero no sul da Bahia em que morreu a esposa do dono da Delta e da namorada do filho de Sérgio Cabral, o atual secretário estadual de Esportes, Marco Antonio Cabral (Aqui!).

Agora com a inclusão da Delta Construções na Operação Saqueador, talvez haja um avanço sobre os mega pacotes de obras públicas que a empresa operou no Rio de Janeiro. A ver!

Portos, erosão costeira e os riscos previsíveis da negação do óbvio

O jornal  O DIÁRIO traz na sua edição deste domingo uma matéria que mostra de forma rigorosa os diferentes mecanismos que estão causando processos de erosão costeira entre Atafona e Barra do Furado na região Norte Fluminense (Aqui!).

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Um ponto que julgo positivo nesta matéria é que os dois entrevistados, os professores Eduardo Bulhões e Aristides Soffiati, separam com clareza as diferentes causas que estão por detrás da parte das faixas de praias num território razoavelmente pequeno. Enquanto o Pontal de Atafona é alterado pela diminuição da capacidade hídrica do Rio Paraíba do Sul, as localidades entre Barra do Açu e Farol de São Thomé sofrem os efeitos da construção dos portos do Açu e de Barra do Furado.

Saber distinguir as causas é importante porque só assim medidas de mitigação eficientes podem ser desenhadas e implantadas. Além disso, no caso dos efeitos diretos dos diques construídos para proteger as duas estruturas portuárias, ao menos no caso do Porto do Açu já estava previsto que haveria um consequente processo erosivo na localidade de Barra do Açu. Por isso mesmo é importante que estruturas de proteção sejam estabelecidas, visto que as interferências que essas estruturas estão causando são de caráter permanente. 

Por essa matéria trazer contribuições essencialmente técnicas é que considero altamente improdutiva a declaração costumeira da Prumo Logística Global  no sentido de negar qualquer interferência dos seus terminais e quebra-mares na destruição da Praia do Açu. E como essa declaração se baseia em apenas um relatório (o do Prof. Paulo César Rosman do COPPETEC/UFRJ) que não fez qualquer tipo de medida e se baseou numa análise qualitativa de imagens de satélite, essa postura da Prumo Logística fica ainda mais desacreditada.

Eu espero que essa postura da Prumo Logística de negar responsabilidade do Porto do Açu na destruição da Praia do Açu não se repita em relação aos gestores do Porto de Barra do Furado. É que como mostrou a reportagem do O DIÁRIO, esse efeito combinado das duas estruturas portuárias já estão causando uma forte sinergia que com características fortemente destrutivas.  Para piorar essa situação, outras estruturas portuárias estão planejadas para o Norte Fluminense e para o Sul Capixaba (ver mapa abaixo), o que poderá ampliar ainda mais um problema que não pode continuar a ser ignorado pelas autoridades públicas e corporações privadas.

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