Anglo American indica que irá tomar medidas drásticas em relação a seus ativos no Brasil

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A matéria abaixo foi publicada pelo Wall Street Journal e apesar de estar centrada na Anglo American, a mesma oferece um bom panorama da situação de outras mineradoras, incluindo a co-proprietária da Samarco, a BHP Billiton.

Na parte que importa ao Brasil, a matéria aponta que  a “ Anglo agora afirma que seu projeto de minério de ferro no Brasil, o Minas Rio — que custou US$ 8,8 bilhões e foi assolado por atrasos e estouros de orçamentos —, não é mais um ativo prioritário, indicando que poderia ser vendido.”

Além disso,  a matéria informa que se “a Anglo American não conseguir encontrar compradores, Cutifani diz que a Anglo prefere fechar minas a perder dinheiro“.

Em suma, toda as expectativas que haviam sido colocadas em torno da Anglo American ser uma das âncoras do Porto do Açu agora se provam ter sido, no mínimo, exageradas.  O interessante é que este tipo de exagero continua sendo repetido e trombeteado a todo pulmão em quaisquer fatos relacionados ao megaempreedimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista.

Investidores cobram mais rapidez nas reformas da Anglo American

Mark Cutifani, diretor-presidente da Anglo American, tem vendido ativos e reduzido custos, mas alguns investidores dizem que o processo não está sendo rápido o suficiente.
Mark Cutifani, diretor-presidente da Anglo American, tem vendido ativos e reduzido custos, mas alguns investidores dizem que o processo não está sendo rápido o suficiente. PHOTO: BLOOMBERG NEWS

O diretor-presidente da gigante da mineração Anglo American PLC, Mark Cutifani, está se preparando para o dia do acerto de contas.

O executivo deve enfrentar, amanhã, a divulgação do que analistas estão antevendo como resultados decepcionantes para o ano de 2015, num momento em que a queda nos preços das commodities abate cada vez mais o setor de mineração.

Enquanto isso, os investidores estão aumentando a pressão sobre a Anglo American para que ela acelere o programa de reestruturação lançado quando Cutifani assumiu o comando da empresa britânica, em 2013. O plano agora envolve elementos mais radicais, inclusive a venda de um grande número de minas e o corte de mais da metade da força de trabalho.

Embora Cutifani tenha dito que a companhia já fez avanços importantes no programa, alguns investidores continuam frustrados.

“A PIC está preocupada com o progresso lento da reestruturação”, diz Daniel Matjila, diretor-presidente da firma de investimentos Public Investment Corp., estatal sul-africana que é a maior acionista da Anglo American. O processo, diz ele, “devia ter sido muito mais rápido”.

“O mercado está perdendo a paciência”, diz Patrice Rassou, chefe da área de ações da gestora sul-africana Sanlam Investment Management, que, segundo a FactSet, detém US$ 26 milhões em ações da Anglo.

Essas opiniões refletem a insatisfação dos investidores com essa mineradora de 99 anos que ajudou a impulsionar o crescimento da indústria de metais da África do Sul. Desde que Cutifani assumiu o cargo, as ações da Anglo caíram 78%.

A Anglo American, uma das maiores mineradoras do mundo, deve divulgar uma queda de 57% no lucro básico antes de juros e impostos no ano passado em relação a 2014, para US$ 2,1 bilhões, segundo pesquisa da FactSet com 20 analistas. O lucro líquido deve ser muito menor que isso se, como esperado, o recuo nas commodities forçar a empresa a fazer uma nova baixa contábil no valor de seus ativos, diz Alon Olsha, analista do banco de investimento Macquarie Group.

Uma porta-voz da Anglo American não quis comentar as opiniões dos acionistas sobre o desempenho da empresa e disse que um plano de venda de ativos será detalhado amanhã.

 

Cutifani tem se mostrado otimista sobre o progresso da reestruturação da Anglo, dizendo que em três anos ela já alcançou melhorias em custo e produtividade estimadas em US$ 1,6 bilhão, com planos de economizar outros US$ 2,1 bilhões neste ano e no próximo. A empresa também vendeu US$ 2 bilhões em ativos nos primeiros três anos e planeja vender mais de US$ 2 bilhões neste ano e em 2017.

As ações da Anglo American estão mais resistentes neste ano. Na sexta-feira, o papel subiu 18%, para 323,75 centavos de libra (cerca de US$ 4,69), praticamente em linha com as altas de outras mineradoras. O papel já acumula um ganho de 25% em 2016.

Mas a Anglo está enfrentando mais dificuldades que outras mineradoras para lidar com a queda prolongada nos preços das matérias-primas que exploram e vendem em todo o mundo. Os preços do cobre e do minério de ferro — duas das commodities mais lucrativas da Anglo — caíram 25% e 40%, respectivamente, nos últimos 12 meses. Poucos preveem uma recuperação significativa em 2016.

Há uma semana, Cutifani disse para os participantes de uma conferência de mineração na Cidade do Cabo, na África do Sul, para não esperar que os preços das commodities voltem a subir no curto prazo e que 2016 pode ser pior que o ano passado. O colapso duradouro das commodities, sem alívio em vista, está forçando Cutifani a tomar medidas drásticas, que poucos anos atrás seriam inaceitáveis para os acionistas.

A queda contínua forçou o líder a ir além do que o previsto na reestruturação original de três anos, divulgada em dezembro. Ele elaborou um plano mais radical para obter economias de custos e ganhos de produtividade de US$ 3,7 bilhões e mais US$ 4 bilhões com a venda de ativos entre 2013 e 2017.

A empresa agora planeja vender mais da metade de suas minas e demitir 85 mil funcionários, reduzindo a força de trabalho para cerca de 50 mil até uma data ainda não informada.

A empresa também suspendeu o pagamento de dividendos e reduziu gastos de capital na expansão de projetos.

As medidas foram umas das muitas tomadas por mineradoras em resposta ao colapso no setor. A rival suíça Glencore PLC eliminou seus dividendos e está tentando cortar sua dívida líquida em mais de US$ 10 bilhões. A Rio Tinto PLC reduziu seus dividendos na semana passada, medida que também deve ser tomada pela maior mineradora do mundo, a BHP Billiton Ltd.

A Anglo, pelo menos, recebeu um voto de confiança da Schroders Investment Management Ltd., seu quinta maior acionista, segundo a FactSet. Numa carta de dezembro de 2015, a gestora londrina afirmou ao diretor-presidente da Anglo que continuaria apoiando a empresa no longo prazo e que acredita que ela tomou a decisão certa ao cortar dividendos e investimentos.

Amanhã, a Anglo terá que mostrar que seu programa de venda de ativos está fazendo progresso e demonstrar uma pressa maior para cortar custos e melhorar seu desempenho operacional, diz Rassou, da Sanlam Investment Management.

“Acho que este é o maior problema”, diz ele. “A velocidade da execução, em vez de simplesmente a intenção […] O setor está numa corrida.”

Em dezembro, Cutifani disse aos investidores que a empresa especificaria neste mês quais ativos pretende vender. A Anglo agora afirma que seu projeto de minério de ferro no Brasil, o Minas Rio — que custou US$ 8,8 bilhões e foi assolado por atrasos e estouros de orçamentos —, não é mais um ativo prioritário, indicando que poderia ser vendido.

Se a empresa não conseguir encontrar compradores, Cutifani diz que a Anglo prefere fechar minas a perder dinheiro.

Andrew Lapping, vice-diretor de investimento do fundo sul-africano Allan Gray, um acionista da Anglo, diz que a empresa fez progresso, mas talvez esteja muito concentrada em vender ativos em vez de cortar custos, num momento em que as minas não estão despertando muito interesse de compradores.

“Para mim, o principal foco deveria ser melhorar as minas a partir de dentro, em vez de vender ativos problemáticos”, diz ele. “Se o foco do plano de reestruturação for a venda de ativos, eles vão ter problemas.”

(Colaborou Scott Patterson, de Londres.)

Correções e ampliações

A Schroders Investment Management é a quinta maior acionista da Anglo American. Matéria publicada ontem nesta página disse, erroneamente, que a Schroders era a 11a maior acionista da mineradora britânica.

FONTE: http://br.wsj.com/articles/SB11137296301495613967604581541243810550036

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