Governador Witzel é alvo de protestos em evento cervejeiro no Rio de Janeiro

witzel vaiado

O governador Wilson Witzel foi alvo de vaias e gritos durante rápida passagem por um festival de cervejas no Piér Mauá, região portuária da cidade do Rio de Janeiro.

A atual cena política brasileira muitas vezes é apresentada como um momento de hegemonia completa dos governantes ultraconservadores que foram eleitos no Brasil nas eleições de 2018.  A avaliação feita até por intelectuais sérios é de que vivemos uma espécie de inferno de Dante neste momento, onde a maioria das pessoas está paralisada e inerte frente aos ataques inclementes que estão sendo realizados contra direitos sociais e trabalhistas desde o nível federal até o municipal.

Particularmente considero que apesar dos ataques não estarem sendo respondidos com a devida força pela maioria da população que vê seus direitos tolhidos por uma fórmula bastante específica que mistura reformas neoliberais com extrema violência por parte do aparato estatal, há sim um processo de resistência em curso, e que este processo fica explícito sempre que algum governante sai de área de conforto (normalmente gabinetes fechados ou eventos públicos para convertidos).

O vídeo mostra a rápida visita que o governador Wilson Witzel realizou (ou tentou realizar) ao  festival de cervejas Mondial de La Bière que está ocorrendo no Pier Mauá, região portuária da cidade do Rio de Janeiro. A visita foi rápida pela comoção causada pela presença do governador Witzel em função da profunda rejeição que sua figura desperta em amplos segmentos da população fluminense em função de sua política de (in) segurança pública.

Este tipo de reação ao governador Witzel demonstra que nem tudo é tão passivo e inerte quanto se faz parecer, especialmente se as fontes de informação são provenientes da mídia corporativa que parece viver em uma dimensão temporal e espacial muito distinta da que vive a maioria dos brasileiros neste momento.

Em outras palavras, a conjuntura é dura, mas não é tão impossível de ser superada como querem fazer parecer. E o governador Witzel acabou aprendendo isso na prática e, pasmem, em um festival de cervejas onde o público não é necessariamente composto por habitantes das regiões da cidade onde as forças policiais estão agindo com especial violência desde que seu governo começou.

Crônica de uma crise anunciada, breve resenha e reflexões

Finalmente estou tendo o tempo livre necessário para ler o livro “Crônica de uma crise anunciada: Crítica à economia política de Lula e Dilma” de autoria do economista  e professor livre-docente do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/UNICAMP), Plínio Arruda de Sampaio Junior, e que foi lançada pela SG-Amarante Editorial [1].  A obra reúne uma coletânea de artigos escritos por Sampaio Jr a partir dos anos de 1990, e representa um esforço analítico não apenas sobre ao alinhamento da economia brasileira ao complexo econômico financeiro que domina a economia globalizada, mas também sobre o papel específico ocupado pelos governos dos presidentes Lula e Dilma à adesão do Brasil aos ditames das reformas neoliberais.

Ainda que se possa encontrar tensões e contradições na narrativa oferecida pelo Sampaio Jr, é possível reconhecer que ele consegue atacar os principais cânones do sistema de idolatria que cerca a figura do ex-presidente Lula. O fato é que Sampaio Jr logra estabelecer uma série de argumentos que são bastante convincentes acerca da existência de uma linha de continuidade no ritmo das ditas reformas neoliberais que começam com Fernando Collor e chegam até o presidente “de facto” Michel Temer. Nessa construção, os governos de Lula e Dilma, mas principalmente o de Lula, apenas se diferenciam pelo estabelecimento de uma retórica distracionista que é muito útil para cooptar o PT, a CUT e movimentos sociais para uma visão apenas “melhorista” da realidade brasileira que é pautada pelo oferecimento de políticas sociais engendradas pelo Banco Mundial.

Afora esse viés teórico importante, é importante reconhecer que a coletânea de Sampaio Jr nos oferece, ainda que de forma subliminar, é um conjunto tarefas a serem cumpridas para que se abandone a linha de acomodação ao receituário Neoliberal em nome de uma ação estratégica que recoloque a classe trabalhadora brasileira como a principal protagonista da luta de classes no Brasil.  Entretanto, fica evidente que isso só será possível com a superação do tratamento quase messiânico que é dispensado à figura do ex-presidente Lula até por setores da esquerda que não está ligados ao PT. 

Uma pista de que as análise de Sampaio Jr. não estão tão longe o alvo foi dada recentemente pela classe trabalhadora argentina que, rompendo com a apatia da CGT e de segmentos expressivos do peronismo, foi capaz de realizar uma mobilização contra a reforma da previdência proposta pelo governo de Maurício Macri que criou ondas de choque no continente inteiro, as quais certamente terão fortes reverberações no Brasil logo no início de 2018 quando o governo Temer tentar impor aqui a sua versão do confisco previdenciário.

Finalmente, deixo a minha sugestão de leitura e estudo do que esta posto no livro de Sampaio Jr.  É que não venceremos a nuvem ideológica que nos cobre neste momento se não entendermos como a mesma tem sido usada para paralisar e imobilizar a classe trabalhadora brasileira. 


[1] http://www.sg-amarante.com.br/cronica/index.html

 

Pela irritação dos “jornalistas” da Rede Globo, há uma Greve Geral!

teemr aroeira

Acordei cedo para assistir ao que diriam os “jornalistas” da Globo. É que dependendo do grau de irritação eu poderia verificar se temos ou não um dia de greve geral. E rapidamente ficou evidente que sim, temos uma greve geral! É que dos quadros mais inexpressivos do “jornalismo” da Globo até veteranos como Alexandre Garcia, a irritação misturava pasmo com óbvia irritação com a dimensão que o movimento tomou em todo o território nacional.

Mas como a Rede Globo não tem como chegar perto de manifestações que não sejam as manipuladas por grupos de extrema-direita, quem quiser ver o que efetivamente está acontecendo nas maiores cidades do Brasil vai ter que recorrer às redes sociais para ter uma dimensão real do movimento.

Pelo que já vi existem estradas principais fechadas e a suspensão dos sistemas de transporte urbano até em Brasília, incluindo os aeroportos.

Certamente haverá quem reclame do incômodo, mas para os (des) governantes como Michel Temer e Luiz Fernando Pezão vai ficar claro que estamos entrando num outro momento da luta de classes no Brasil, e eles que se cuidem. É que também está ficando evidente que apesar dos entraves colocados pela burocracia sindical para que o movimento fosse geral, os trabalhadores e a juventude estão firmes na luta por dias melhores.

E que os (des) governantes não se surpreendam se brevemente tivermos outros dias de greve geral no Brasil. E a razão é simples: há limite para tudo, inclusive para a paciência da classe trabalhadora!

Este slideshow necessita de JavaScript.

A agenda de Temer mais a repressão da polícia é combustível para a revolta

Já apresentei antes a opinião de que a onda de atos do “Fora Temer” tenderiam a se multiplicar e fortalecer a partir da divulgação da plataforma anti-nacional e anti-popular que o novo grupo que hegomoniza a presidência irá tentar implementar nos próxios meses.

Também pudera, além de aumentar a idade de aposentadoria para 75 anos, acabar com o décimo-terceiro salário e aumentar o número de horas diárias para 12, há ainda outras coisas que estão sendo ventiladas que equivalem uma espécie de retorno ao capitalism selvagem dos séculos iniciais da Revolução Industrial.

Mas além da agenda que vem sendo transpirada pela mídia corporativa (que, aliás, funciona como propagandista das reformas ultraneoliberais de Michel Temer e Henrique Meirelles), há ainda outro elemento que pode colocar ainda mais combustível na onda de manifestações que já abala a maioria das capitais brasileiras desde a posse de Michel Temer após o golpe parlamentar de 31 de março.

Falo aqui da incrível violência policial que se mistura ao uso dos serviços de inteligência para se infiltrar ente as massas de manistestantes. As ações de repressão e de inteligência visam claramente coagir e amedrontar quem quer se opor ao pacote de maldades da dupla Temer/Meirelles.  Entretanto, essa receita pode ter o efeito de um tiro pela culatra, pois quanto mais repressiva as polícias têm sido, mais gente tem aparecido nas ruas para protestar. 

Uma coisa para mim está ficando clara. As reformas ultraneoliberais com as quais se pretende cassar direitos trabalhistas e privatizar ainda mais o Estado brasileiro não vão ser o passeio que os seus idealizadores pensaram que seriam.