(Des) governo Pezão contra a parede: liminar para antecipar empréstimo está na chuva

Diferentes veículos da mídia corporativa estão informando que um dos principais instrumentos do dito acordo feito entre o (des) governo Pezão e o governo “de facto” de Michel Temer está na iminência de dar com os burros n´água.´Falo aqui da antecipação de um empréstimo bancário para pagar as dívidas existentes com os servidores públicos, dando como contrapartida a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE).

O íncrivel é que todas as expectativas geradas para o (des) governador Pezão e dele para seus aliados acabam de ser fulminadas por representantes de instituições e órgãos do governo federal que certamente participaram das tratativas travadas em Brasília com o ministro/banqueiro Henrique Meirelles. É que em vez da prometida liminar no STF para adiantar o empréstimo que pagaria salários atrasados e distrairia os servidores do tamanho do confisco que estão para sofrer, o (dses) governo Pezão está novamente defrontado com a perspectiva de ter que privatizar a CEDAE para ver se depois consegue um empréstimo que agora parece inviável.

Diante desse cenário, não resta ao (des) governador vazar que se sente “decepecionado” e “traído” por seus interlocutores em Brasília. Mas, convenhamos, o que parece estar acontecendo diante do aparecimento de tantas evidências de malfeitos que ocorreram nos últimos anos nos gabinetes do Palácio Guanabara, há muita gente que não quer colocar suas assinaturas em documentos que depois poderão ser imensas fontes de dor de cabeça.

De toda maneira, ao não obter a tão sonhada liminar, o (des) governo Pezão e seus aliados na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a começar pelo seu eterno presidente, deputado Jorge Picciani (PMDB), devem já saber que a privatização da CEDAE que já era um pílula amarga, tornou-se mais difícil ainda de ser engolida.

Enquanto isso, o Espírito Santo está logo ali, como um longo espectro ameaçador, a nos lembrar a todos do que pode acontecer quando medidas neoliberais levam o funcionalismo estadual, especialmente os servidores da segurança, ao extremo de sua capacidade de tolerar o pisoteio de direitos trabalhistas.

E é bom que alguém ensine ao (des) governador Pezão aquela fundamental Lei de Murphy que diz “Nada estão ruim que não possa piorar”. A ver!

“Muy amigo”: em troca de salários em dia, (des) governo Pezão promove confisco salarial histórico

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Após quebrar o estado do Rio de Janeiro com uma versão “sui generis” de ultraneoliberalismo, o (des) governo Pezão está tentando coagir o funcionalismo estadual a aceitar calado um confisco salarial histórico. A mordida nos salários para supostamente equilibrar as contas estaduais está sendo apresentada como a única saída para servidores, aposentados e pensionistas terem de volta um mínimo de capacidade de organizar suas vidas. É o tal do “sacrifício” em nome do bem coletivo.

Mas qual é o tamanho da mordida, afinal? Isso o (des) governador Pezão convenientemente não informa e a maioria absoluta da mídia corporativa faz cara de paisagem para não perguntar.

Agora observem a figura abaixo com atenção, pois ela nos dá a resposta à pergunta que o jornalismo chapa branca não quer fazer.

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È isso mesmo, o preço da volta do dalário em dia será equivalente a entregar o décimo terceiro mais o adicional de férias para o (des) governo Pezão continuar sua farra fiscal e o processo de endividamente público via securitização dos royalties do petróleo.

E que ninguém se engane. Como essa medida é um paliativa que não resolverá absolutamente nada das questões estruturais que causam o colapso financeiro do Rio de Janeiro, esse confisco é apenas o primeiro de vários.

Desta forma, a hora de reagir agora, deixando de lado qualquer ilusão que entegando os anéis (décimo terceiro e adicional de férias) ficaremos com os dedos. Na próxima vez levarão os dedos das mãos como antecipação da tomada dos dedos dos pés.

Às ruas, servidor!

A rede de Sérgio Cabral: quem ainda está faltando nela?

A imagem abaixo é de uma matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo sobre a rede de captação e lavagem de dinheiro via a captação de propinas supostamente montada pelo (des) governador Sérgio Cabral e materializada por alguns dos mais importantes dos seus secretários.

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Olhando com atenção o infográfico da “Folha” e vendo  lá apenas os nomes de Wilson Carlos e Hudson Braga (o Braguinha) não posso deixar de ficar com a sensação de que ainda estão faltando alguns peixes graúdos para serem incluídos na rede de Sérgio Cabral.

Mas o preenchimento das lacunas não deverá demorar muito tempo, já que estão anunciadas negociações de delações premiadas de Sérgio Cabral e Hudson Braga. Aliás, conhecendo minimamente o comportamento de Cabral, essa delação provavelmente não aconteceu ainda porque o juiz responsável pelo caso resolveu deixar o ex (des) governador suar um pouco, antes de lhe estender a vantagem de entregar seus parceiros de malandragem.

Porém, a questão fundamental aqui é a seguinte: como pode no meio dessa situação toda estar o (des) governo do Rio de Janeiro comandado por Luiz Fernando Pezão negociando a privatização da CEDAE e um duro confisco salarial dos servidores estaduais como se a lavanderia de Sérgio Cabral não tivesse nada a ver com essa situação calamitosa?

E, mais, por que a imprensa corporativa continua se recusando a ligar os pontos dessa rede, tratando a privatização e o confisco salarial como saídas legítimas para o caos que a lavanderia de Cabral criou?

Finalmente, num intervalo de 0 a 10, qual deve ser o grau de nervosismo do (des) governador Luiz Fernando Pezão com a eventual delação do seu amigo de longa data, Hudson Braga?

 

Reinações de Pezão e Picciani: a privatização da CEDAE e o aumento da contribuição previdenciária são parte do ataque final contra o bem público

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Se um ser extraterrestre aterrissasse  no Rio de Janeiro neste momento certamente ficaria se perguntando como que um (des) governo tão marcado por pesadas acusações de improbidade, desvios de recursos públicos, e ações administrativas desastrosas poderia estar ainda no poder. E mais do que ainda estar no poder, este (des) governo poderia estar pretendendo privatizar a CEDAE, uma empresa estatal que produz lucros para o estado, e ainda aplicar uma tunga descarada nos salários dos servidores públicos.

Qualquer análise para explicar tal paradoxo tem que levar em conta o lugar estratégico que o Rio de Janeiro enquanto segunda economia da federação brasileira ocupa nos planos de recolonização da economia brasileira pelas potências centrais, a começar pelos EUA. É que se o receituário ultraneoliberal passar no Rio de Janeiro, outros estados com menor peso econômico e político não terão outro caminho a não ser aceitar o mesmo destino que o (des) governador Pezão e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, querem impor de forma tão célere quanto autoritária.

Mas não este tipo de receita amarga não se aplica sem o apoio de atores de apoio que aqui incluem a mídia corporativa, os sindicatos patronais, e a justiça. Esses atores, cada um a seu modo, contribuíram e continuam contribuindo para que Pezão e Picciani possam ainda estar nos lugares de poder dos quais já deveriam ter sido arrancados, tantas são as evidências de que suas práticas politicas têm misturado interesses públicos e privados, sempre em benefício do privado.

Não há maior prova do que Pezão e Picciani já deveriam ter se juntado ao hoje desgraçado ex (des) governador Sérgio Cabral do que as visitas que já realizaram a ele nas instalações prisionais onde o mesmo se encontra.   Aliás, a visita de Jorge Picciani que a imprensa noticiou ter durado 3 horas levanta interessantes indagações  sobre o que teria sido tratado entre o presidente da Alerj e um ex (des) governador preso sob acusações de ter acumulado um “oceano” de patrimônio a partir de suas estratégias de aquisição de propinas (Aqui! e  Aqui!).

Entretanto, o papel da mídia corporativa não é menos importante, na medida em que a imensa maioria das matérias passa ao largo dos crimes cometidos por Sérgio Cabral para se concentrar na crise (seletiva) que os mesmos criaram. Aliás, quem pode esquecer toda a cobertura e proteção que Sérgio Cabral recebeu da mídia corporativa enquanto sangrava os cofres públicos? Como os donos dos veículos de mídia são acima de tudo capitalistas, qualquer ação que tomem para apoiar as medidas acordadas entre Pezão e Henrique Meirelles deveria ser vista com profunda desconfiança, especialmente a privatização da CEDAE e de outras autarquias. 

Já no caso da justiça, há que se apontar que na maioria das decisões relacionadas ao (des) governo Pezão a balança sempre tem pendido para o lado que possibilita a sua continuidade. Basta lembrar o arquivamento inicial da ação de improbidade  contra o (des) governador Pezão por não aplicar o montante estabelecido pela legislação na área da Saúde. Ainda que o Conselho Superior do Ministério Público tenha “desarquivado” recentemente esta ação, não há qualquer garantia que a mesma irá à frente  (Aqui!) .

Sob pena de parecer repetitivo, a única possibilidade de barrar os planos de privatização da coisa pública no Rio de Janeiro será a mobilização dos sindicatos de servidores e dos setores da sociedade civil que não querem que o Rio de Janeiro se torne uma vitrine da recolonização do Brasil.  E certamente o embate será duro e desigual, pois as forças que conspiram contra os bens públicos são poderosas e não terão o menor problema de abusar da violência contra quem resistir. Mas por isso mesmo é que não há espaço para recuar, pois as perdas pessoais e coletivas serão avassaladoras se esse plano de ataque ao público vier a prevalecer.

E acreditem quando eu digo que, no caso do (des) governador Pezão, se empurrar só um pouco, ele cai. Então vamos embora lá empurrar. O primeiro encontro é nesta terça- feira (01/02) na frente da Alerj.

Questão de múltipla escolha sobre o papel do (des) governador Pezão nas tratativas entre Sérgio Cabral e Eike Batista

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Não estivesse já afundado até o pescoço na monumental crise que ele e seu mentor político criaram no estado do Rio de Janeiro, o (des) governador Pezão poderia até dar de braços para as revelações que estão emergindo sobre as relações para lá de pouco repubicanas entre Sérgio Cabral e ele, sempre ele, Eike Batista.

Mas o fato é que na ausência de qualquer notícia positiva, o calvário de Sérgio Cabral e Eike Batista também se revela o de Pezão. 

Entretanto, uma questão que deve estar aparecendo na cabeça de todo cidadão fluminense que vive o cotidiano da crise gerada pelos (des) governos de Cabral e Pezão  se refere ao papel que o atual (des) governador cumpria enquanto Eike Batista nadava de braçadas no mar das benesses estatais.

Para isso, resolvi recorrer a uma questão de múltipla escolha para ajudar aos leitores a definirem qual foi papel Pezão teria cumprido no imbróglio Cabral/Batista. Lá vai:

Nas relações e tratativas realizadas por Sérgio Cabral e Eike Batista, o papel do (des) governador Pezão teria sido de:

  1. (   ) Inocente útil
  2. (   ) Omisso
  3. (   ) Cúmplice
  4. (    ) Marido traído
  5. (    ) Distraído
  6. (    ) Todas as respostas acima estão corretas

Façam suas escolhas e enviem como comentário para o blog. As mais criativas serão publicadas numa postagem especial que conterá os comentários mais criativos.

Reitoria posterga reinício de aulas e convoca reuniões para discutir situação da Uenf

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Colocada sob condições de extrema precariedade pelo (des) governo do Rio de Janeiro, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) terá o reinício de suas aulas postergado, em princípio pelo menos, para o dia 06 de Fevereiro de 2016, conforme carta assinada pelo reitor Luís Passoni e publicada no final da tarde desta 3a. feira (2r/01) na página oficial da instituição

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Além disso, haverá uma reunião extraordinária do Colegiado Acadêmico (Colac) no dia 30 de Janeiro e uma sessão do Conselho Universitário (Consuni), aberto à comunidade universitária, no dia 31 de Janeiro para discutir a situação em que a Uenf foi colocada pelo (des) governo Pezão.

Pessoalmente considero a decisão de postergar o reinício das aulas acertado, visto a total falta de serviços essenciais no interior do campus Leonel Brizola neste momento, fruto da sabotagem financeira imposta pelo (des) governo Pezão.

Mas espero que as reuniões que serão realizadas, especialmente a do Consuni, sirvam para ampliar o processo de resistência que já está ocorrendo nas redes sociais. A Uenf é importante demais para ser relegada à precária condição em que foi colocada pelo (des) governo Pezão sob a batuta concordada do secretário Gustavo Tutuca.

Superaumentos para barcas e trens e falência programada das universidades estaduais: entenda o modus operandi do (des) governo Pezão

Os jornais “EXTRA” e “O GLOBO” fizeram nesta terça-feira (24/01) uma dobradinha que ajuda até o mais ingênuo dos habitantes do Rio de Janeiro a entenderem o modus operandi do (des) governo Pezão: enquanto uma mão coloca tudo nos cofres das corporações, a outra tira tudo do serviço público que é deixado à mingua para eventual privatização.

Primeiro, comecemos com a capa do jornal “EXTRA” que nos informa que o (des) governo Pezão vai conceder parrudos aumentos de 21% e 13% de aumento nas tarifas de barcas e trens, respectivamente, sob a alegação de que as empresas concessionárias “estão mal das pernas”.

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Não custar lembrar que tanta a “Barcas S/A” e a “SuperVia” não apenas são duas das beneficiárias da farra fiscal promovida pelos (des) governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, mas também possuem outros mimos que são bancados com o dinheiro do contribuinte. Agora, sob a alegação de baixas margens de lucro, o (des) governo Pezão dá esses superaumentos.  Melhor faria se examinasse com lupa os livros contábeis e as práticas operacionais destas duas empresas que possuem a fama de serem péssimas prestados de serviços. Mas não, em vez de fiscalizar, o (des) governo Pezão continua tratando as duas empresas de forma generosa, muy generosa.

Agora, vamos à matéria do “O GLOBO”, assinada pelo jornalista Rafael Galdo, para vermos que no caso das universidades estaduais tudo o que não há por parte do (des) governo Pezão é generosidade. Aliás, o que a matéria mostra claramente é que está ocorrendo uma espécie de falência programada das universidades, já que o (des) governo Pezão deve hoje em torno de R$ 402 milhões à Uenf, Uerj e Uezo (Aqui!). 

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As consequências desta falência programada são abordadas com clareza na matéria do ‘O GLOBO” , entre elas a ameaça de que as universidades não possam sequer iniciar seus semestres letivos por absoluta falta de recursos.

Na verdade, o que é revelado com clareza nesta diferença de tratamento dispensada pelo (des) governo Pezão a concessionárias e universidades estaduais é o modus operandi do (des) governo Pezão. E esse modus operandi é claramente de uma receita ultraneoliberal que coloca todas as energias em fortalecer as corporações privadas em detrimento de investimentos em áreas estratégicas como é o caso do ensino superior público e, por consequência, no desenvolvimento científico e tecnológico de médio e longo prazo do Rio de Janeiro.

É essa forma de distribuir recursos públicos que precisa ser denunciada de maneira firme e sem rodeios. É que, como mostra um artigo do jornalista Herton Escobar que acaba de ser publicado pela revista Science  (Aqui!), o risco que corremos no Rio de Janeiro é de perder grupos de pesquisas inteiros em função da evasão de cérebros cansados das incertezas geradas pela receita ultraneoliberal do (des) governo Pezão.

Assim, não basta resistir, há que se partir para a ofensiva contra a falência programada das nossas universidades estaduais, patrimônio da população do Rio de Janeiro.

Não se enganem, o (des) governo Pezão quer continuar a farra fiscal

Há quem pense que diante do verdadeiro caos que está instalado no Rio de Janeiro, o (des) governador Luiz Fernando Pezão e seus (des) comandados já tivessem caído em si e resolvido dar uma parada (ainda que momentânea) na sangria fiscal que já custou em torno de R$ 200 bilhões de reais aos cofres do estado.

Mas a verdade é que nem a situação crítica de setores estratégicos como segurança, saúde e educação demoveu o (des) governo Pezão da insistência em jogar dinheiro pela janela em uma farra fiscal que está na base de todos os problemas que enfrentamos neste momento. Como sei disso? Ora, lendo uma matéria publicada pelo “Diário do Vale” sobre a participação do agora secretário estadual da Casa Civil, Christino Áureo, num obscuro Fórum de Desenvolvimento Econômico do Sul Fluminense, que foi realizado no dia 13 de janeiro em Piraí, terra do (des) governador Pezão (Aqui!).

Neste fórum, que mais me parece um encontro para organizar a continuidade da farra fiscal, o Sr. Christino Áureo instou os prefeitos presentes a se engajarem na defesa da farra de generosidades fiscais, usando números que deveriam merecer uma análise cuidadosa da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Segundo o que Christino Áureo teria declarado em Piraí,  atualmente existiriam  mais 149 processos de pedido de isenção fiscal para implantação de novas empresas para se instalarem no Rio de Janeiro, sendo que desses 47 seriam instalados na região metropolitana do Rio de Janeiro,  e outras 102 empresas em municípios do interior fluminense. Se verdadeiros estes números indicam uma tendência persistente a conceder uma parte considerável das isenções em uma região já consolidada e deixando de fora regiões como o Norte e o Noroeste Fluminense que contraditoriamente seriam aquelas que mais precisariam de incentivos para atrair indústrias.

Uma pérola proferida por Christino Áureo se refere ao cálculo do valor efetivamente renunciado, o qual ele insiste ser de “apenas”  R$ 48 bilhões. O restante (R$ 137 bilhões), segundo Áureo, seria referente à operações não tributadas, como transportes e equipamentos ou o deslocamento de vasilhames vazios.  Ora, alguém presente deveria ter avisado a Christino Áureo que o relatório produzido por técnicos TCE não computou nas isenções valores que fossem porventura relacionados à operações que não são tributáveis, mas apenas que foram efetivamente renunciados pelo (des) governo do Rio de Janeiro. Elementar,  não? Não, pelo menos para Christino Áureo e seus companheiros de (des) governo que ficam insistindo nessa falácia.

Mostrando grande criatividade, Christino Áureo deu uma explicação inovadora para a crise em que estamos envolvidos. É que Christino teria declarado que o “vilão” da crise fiscal do Estado do Rio não seria a farra fiscal., mas sim a “herança” de funcionários públicos que eram federais e foram transferidos para o Estado da Guanabara quando a capital federal se mudou para Brasília. É que segundo a matéria do Diário do Vale, Christino teria declarado  que esses servidores, bem como suas aposentadorias e pensões, passaram para o Rio de Janeiro depois da fusão, e causaram toda esse caos em que estamos metidos. A explicação seria genial se a agora infame operação financeira com recursos do RioPrevidência não tivesse ocorrido em Delaware nesse meio tempo, resultando na falência do fundo próprio de previdência dos servidores fluminenses.

Mas por debaixo dos argumentos falaciosos feitos em um fórum que está percorrendo o interior fluminense, se sobressai o fato de que o (des) governo Pezão está tentando arregimentar apoios para manter a farra fiscal intacta, enquanto os serviços públicos são deixados à míngua.  Esse é o fato mais relevante e que precisa ser considerado cuidadosamente por quem se opõe à esta farra que para o (des) governo Pezão não deve ter limites.

E que ninguém se engane, tanto compromisso com a continuidade da farra fiscal faz parte de uma estratégia mais ampla de privatização do estado e do aumento da concentração da riqueza. Como se já não tivéssemos uma descomunal desigualdade social no Rio de Janeiro!

Por que Pezão ainda não sofreu impeachment? Porque ainda é útil!

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O Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (MUSPE) está convocando mais um ato público para o dia 02 de Fevereiro cujo mote aparente ser a demanda de que o (des) governador Luiz Fernando Pezão passe por um processo de impeachment (ver cartaz abaixo).

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Mas alto lá, a pergunta que realmente importa é a seguinte: por que Pezão ainda está ocupando o cargo de (des) governador do Rio de Janeiro em primeiro lugar?  Antes de que qualquer coisa, esqueçamos das suspeitas de que ele também se beneficiava do complexo esquema de corrupção criado e executado pelo seu mentor politico, o hoje aprisionado ex-(des) governador Sérgio Cabral, e seu amigo do peito, Hudson Braga (o Braguinha). É que até hoje, verdade seja dita, essas suspeitas não passaram disso. A bem da verdade, Pezão continua incólume no furacão que se abateu sobre Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo.

Digo isso porque razões materiais para “impeachar” dispensam até o uso dessas suspeitas. Bastaria analisar um conjunto de decisões completamente desastradas do ponto de vista técnico e político que ele sancionou para que seu pedido de impeachment fosse formalizado e rapidamente aprovado. Aliás, como  o MUSPE protocolou novo e bem fundamentado pedido de impeachment, bastaria a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALerj) cumprir o seu papel de constitucional para que Pezão fosse mandado de volta para Piraí.

Entretanto, Pezão não só continua (des) governador como está encabeçando um acordo draconiano que tem tudo para afundar o Rio de Janeiro de vez!

Uma mente minimamente inquieta se perguntaria como é possível que um político tão claramente inepto e tão profundamente relacionado com outros políticos envolvidos em graves problemas com a justiça pode continuar num cargo tão importante.

A resposta é tão simples e chocante para mim. É que Pezão continua útil e efetivo no esforço de transformar o estado do Rio de Janeiro num modelo de reformas ultraneoliberais que misturam privatização de serviços essenciais, benesses fiscais para grandes empresas e, por que não, pitadas fortes de apropriação de recursos públicos via esquemas ilegais.  São sua utilidade e efetividade que explicam a manutenção de Pezão no cargo de (des) governador.  

Algo que me preocupa é a passividade com que os setores que cumprem o papel de ser oposição a Pezão na Alerj esboçam ao não tocar na questão do impeachment e virtualmente se contentam em causar desconfortos pontuais na aplicação de sua agenda ultraneoliberal. Como se viu recentemente com os cinco vetos que Pezão assinou em artigos da LDO de 2017,  a estratégia de internalizar e limitar o confronto com essa agenda no interior da Alerj é claramente ineficiente.

Assim, avançar o processo de mobilização em torno do impeachment é a coisa mais razoável numa condição em que se Pezão não for removido, os custos políticos e econômicos para os mais pobres serão incalculáveis.

Fake news: O DIA dá exemplo insuperável com capa mentirosa

O conceito de “fake news” ganhou grande espaço recente nas eleições estadunidenses quando o agora presidente eleito Donald Trump abusou de seu uso para tentar negar várias noticias altamente negativas contra sua campanha. Em português literal, “fake news” pode ser traduzido como “notícia falsa”, e existe até um debate sobre o papel que a internet está jogando em propagá-las. Uma coisa é certa, as “fake news” é um fenômeno que está sendo exponencializado pela internet, mas não foram criadas agora.

Querem ver um ótimo exemplo disso? Olhemos a capa do jornal O DIA desta 5a. feira (19/01) já que ela nos dá um exemplo primoroso de “fake news“com sua manchete garrafal de que o (des) governo Pezão ” fecha hoje o acordo que vai salvar os servidores”.

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Vamos lá, quem é que se sente salvo por um ajuste fiscal com medidas draconianas que incluem a privatização de uma empresa estatal lucrativa como a CEDAE e a tunga salarial que pode chegar a 11% no caso dos servidores da ativa? 

Até o mais ingênuo dos leitores do “O DIA” deve imaginar que há algo muito estranho nesse suposto salvamento dos servidores que terão seus salários sangrados, enquanto as isenções fiscais continuam intocadas e as Organizações Sociais (OSs) continuarão abocanhando muitas centenas de milhões de reais pela prestação com baixíssima qualidade de vários tipos de serviços públicos essenciais.

A verdade é que os únicos sendo “salvos” pelo arrocho que está vindo de Brasília são o próprio (des) governo Pezão, as corporações privadas, incluindo os proprietários do jornal O DIA.

Já os servidores e a população que depende de seus serviços vão continuar mergulhados na imensa crise (seletiva) que os (des) governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão impuseram na segunda economia da federação brasileira.

Ah, sim, antes que eu me esqueça. Essa capa também o dom de produzir  uma “fake news” premonitiva que é anunciar o encerramento da  greve dos policiais civis. Combinadas as duas fake news refletem apenas o desejo dos proprietários do “O DIA” de bem servir ao (des) governo Pezão em vez de informar corretamente os seus leitores.

E depois ainda tem gente na mídia corporativa que não consegue entender a notável e profunda queda de leitores que seus veículos vêm exprimentando nas últimas décadas. É que em tempos de internet, até as “fake news” têm vida curta e junto com elas os seus propagadores.