Mais uma barragem rompe no Brasil. Não será a última

bahia rompimento

A mídia corporativa está informando que mais uma barragem rompeu no Brasil, agora em  Pedro Alexandre (BA), tendo já inundado o povoado de Quati, que integra o município.  Segundo informações do site UOL, as águas que escaparam desta barragem também atingiram parte da cidade de Coronel João Sá, a 40 km do ponto de rompimento (ver vídeo abaixo).

O impacto em termos de perdas materiais e de vidas humanas certamente será medido nos próximos dias, mas é provável que mais uma vez não fiquemos sabendo da real extensão dos danos.

O problema da segurança das centenas de barragens espalhadas dentro do território nacional já tinha ficado explícito com os rompimentos que ocorreram em Mariana e Brumadinho, e seria de se esperar que medidas urgentes tivessem sido tomadas para a realização de uma auditoria nacional independente para que se estabelecesse o nível de risco a que essas estruturas se encontram.

Entretanto, a agenda de desmantelamento das estruturas de monitoramento e fiscalização que está sendo aplicada pelo governo Bolsonaro indica que continuaremos vivendo em uma espécie de voo cego em meio a centenas de barragens que possuem estruturas pouco inseguras ou em vias de rompimento, especialmente aquelas construídas por grandes mineradoras.

Por essas e outras é que não hesito em afirmar que o caso do rompimento dessa barragem não deverá ser o último. E salve-se quem puder.

Vale tem mais 10 barragens colocadas em nível de alerta em Minas Gerais

 

barragens itabira

Em Itabira, Minas Gerais, a mineradora Vale tem 15 barragens Foto: DEA / PUBBLI AER FOTO / De Agostini/Getty Images

Em matéria assinada pela jornalista Lara Alves, o jornal “O TEMPO” informou na manhã desta 2a. feira, 10 barragens da mineradora Vale em Minas Gerais tiveram sua estabilidade colocada em questão, e foram assim declaradas como interditadas (ver quadro abaixo).

BARRAGENS INTERDITADAS

Lista de barragens interditadas da mineradora Vale em Brumadinho, Congonhas, Itabira, Nova Lima e Ouro Preto. Fonte: O TEMPO

Curiosamente problemas de estabilidade (bem como os potenciais fatores causais dessa situação) já tinham sido identificadas pelo arquiteto e urbanista Frederico Lopes Freire e publicadas por este blog, incluindo as das minas de Mar Azul e do Pontal [Aqui! e Aqui!].

O problema é agravado pelo fato de que pelas análises realizadas por Frederico Lopes, a condição das barragens requerer que sejam adotadas medidas urgentes de estabilização e não apenas de interdição.

Por outro lado, é interessante notar que no dia de hoje, o jornalista Eduardo Militão publicou uma matéria no site UOL dando conta que a mineradora Vale teria sonegado pelo menos R$ 23 bilhões em impostos devidos pelas exportações de minério de ferro entre 2009 e 2015 a partir de um processo de triangulação com uma subsidiária sediada na Suiça (ver figura abaixo).

triangulação

Fonte: UOL

Em outras palavras, além de obter lucros bilionários como os mais de R$ 25 bilhões obtidos em 2018, a Vale ainda se dá ao direito de sonegar impostos enquanto deixa seu sistema de barragens sem a devida manutenção, colocando em risco bacias hidrográficas inteiras sob o espectro da destruição.

Resta saber agora como se portarão as autoridades estaduais de Minas Gerais que têm diante de si um cenário potencialmente catastrófico. É que todas as barragens (i.e., 14) com problemas detectados de estabilidade romperem, haverá grave ameaça ao fornecimento de água, sem  falar nas potenciais perdas humanas e destruição de ecossistemas inteiros.