Os servidores públicos não são vilões

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Por Victor Poubel

Um país que almeja crescer e se desenvolver tem que ter seus serviços públicos funcionando a pleno vapor e com imponente qualidade – principalmente nas áreas essenciais da segurança, saúde e educação. É isso que o povo espera quando paga seus tributos, sem mais nem menos. Os serviços públicos devem atender a necessidade geral da coletividade, cabendo ao Estado sua regular prestação através dos órgãos e seus servidores públicos.

Sem jogo de empurras, a definição do que cabe à União, Estados, Distrito Federal e Municípios realizar se encontra na própria competência constitucional de cada ente federativo. Exemplo disso é o policiamento marítimo, aeroportuário e de fronteiras, exercido pelo Departamento de Polícia Federal, que difere do policiamento ostensivo do espaço aéreo, pela Aeronáutica, ambos órgãos da União.

Nas áreas da segurança, saúde e educação sobressai uma importante divisão de tarefas imposta pela lei. Todos os entes federativos possuem o seu mister para facilitar a boa prestação dos serviços. Estes deveriam traduzir os anseios da população, que também atua como fiscal, cobrando e denunciando eventuais irregularidades. Mesmo nos casos das terceirizações e parcerias público-privadas, por se tratarem de funções delegadas pelo Poder Público, a alta qualidade deveria ser sempre um objetivo.

Segundo um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a cada 100 trabalhadores, 12 são servidores públicos, uma média verificada nos demais países da América Latina, e muito menor que dos países desenvolvidos de 21 a cada 100 empregados. Os pesquisadores salientaram que o Brasil não tem servidores em demasia, em comparação com o tamanho de sua população e a gama de serviços atrelados à sua competência.

Depreciar o serviço e o servidor público atenta contra a sensatez por ferir de morte os interesses gerais da coletividade, propiciando danos irreparáveis. É óbvio que existem fragilidades, porém o que deve aguçar o sentimento de todos é a busca pela máxima excelência. A gestão é um dos calos, teimando em falhar pelo despreparo de vários executores, que afeta até a continuidade de certos serviços, como no caso de escolas e hospitais públicos, em alguns lugares bastante deteriorados.

Investir em serviço público não é jogar dinheiro fora, que engloba seus servidores, ainda mais num país pouco liberal e de intensa regulação, mas sim apostar numa visão de futuro e de modernidade. Decerto que a crise econômica atrapalha as ainda utópicas iniciativas de melhoria e aperfeiçoamento, que mesmo nos tempos de cofres cheios não eram satisfatórias. Logo, nunca é tarde para começar a irrigar um solo seco.

Há um ponto de incerteza, beirando a sobrevivência da Administração Pública, que se encontra na corrida pela aposentadoria dos servidores com tempo que não querem ser atingidos pela reforma previdenciária. Se com os quadros atuais há uma carência volumosa de pessoal, com as iminentes aposentadorias piorarão, até porque, qualquer preenchimento por concurso demanda um tempo. Assim, urge não olvidar de tão sensível e preocupante questão.

Contudo, todo esse raciocínio se torna inglório, se os servidores públicos, de qual esfera governamental for, não receberem digna e pontualmente sua remuneração pelo labor de cada mês. Por detrás de cada profissional, há um indivíduo que tem responsabilidades familiares e despesas pessoais a cumprir, compromissos inadiáveis, sem os quais tudo que se disser será vazio e fora de propósito.

FONTE: https://extra.globo.com/casos-de-policia/papo-federal/

Sintuperj/UENF convida para bazar da resistência

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Estive hoje no Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) para dar apoio aos colegas servidores que estão ali para vender produtos no que é efetivamente um exercício de resistência ao desmanche da universidade pelo (des) governo Pezão.

Abaixo posto um vídeo com o dirigente sindical do SINTUPERJ/UENF,  no qual ele explica as razões para a realização deste bazar.

A mão dupla do (des) governo Pezão: congelamento de direitos para os servidores, farra fiscal para as corporações

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Na tarde desta 3a. feira (06/06) está sendo anunciado mais um arresto de R$ 108 milhões das contas do tesouro fluminense por conta do pagamento de dívidas garantidas pelo governo federal (Aqui!). Este fato está servindo para a procrastinação da liberação do calendário do pagamento dos salários de Abril de mais de 200 mil servidores.  Note-se que no dia de ontem publiquei dados da Secretaria Estadual de Fazenda que mostram existirem recursos em caixa para o pagamento de salários e até do valor que agora será arrestado pelo governo “de facto” de Michel Temer (Aqui!).  Também no dia de ontem mostrei que a volta com toda força da farra fiscal com a inclusão de 3 empresas atacadistas num programa de benefícios fiscais por parte do (des) governo Pezão (Aqui!).

Eis que hoje tive acesso à determinação emanada da Secretaria Estadual de Fazenda e Planejamento (SEFAZP), sob o comando do Sr. Gustavo Barbosa, e devidamente chancelada pelo secretário de Estado da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico, Christino Áureo, que congelam os benefícios previstos nos planos de cargos e salários de todas as categorias do funcionalismo público fluminense (ver imagens dos dois documentos logo abaixo).

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Apesar do documento da SEFAZP falar em “bloqueio” que seria seguido de uma análise pela própria secretaria das progressões e enquadramentos, a medida é efetivamente voltada para congelar os direitos dos servidores que estão consagrados em Planos de Cargos e Salários que já estão consagrados em leis vigentes. Assim, para não expor claramente a violação de leis vigentes, a SEFAZP adotou o termo “bloqueio”, provavelmente para dificultar a impetração de ações judiciais por parte de sindicatos e associações que representam os interesses dos servidores.

Mais interessante ainda é observar que na correspondência assinada pelo Sr. Christino Áureo, o congelamento dos Planos de Cargos e Salários dos servidores estaduais a alegação dada é o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Este é outro mecanismo de procrastinação velada de direitos, visto que efetivamente o gasto real com pessoal (excluídos os desembolsos com pensionistas e aposentados do RioPrevidência como ditado pela própria LRF) está abaixo do que a legislação coloca como “limite prudencial”. 

Mas o (des) governo Pezão não chega nem perto de pensar em aplicar os ditames da LRF quando se trata de continuar a farra fiscal que já custou mais de R$ 210 bilhões desde 2007. É que usar a LRF só vem ao caso quando se trata de negar os direitos legalmente constituídos dos servidores estaduais.

O fato é que enquanto nesta semana se decide na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a adesão do Rio de Janeiro ao famigerado Plano de Recuperação Fiscal imposto por Michel Temer e Henrique Meirelles, o (des) governo Pezão já está agindo para impedir que direitos angariados previamente pelos servidores possam ser implementados, de modo a impedir que haja um mínimo de recuperação salarial antes que tudo fique congelado pelo menos por 3 anos.  

É importante notar que esse congelamento salarial se dá em meio não apenas a um vergonhoso calote salarial ao que se soma o confisco salarial disfarçado que se deu por meio do aumento da contribuição previdenciária dos servidores que foi passada de 11% para 14%!

Finalmente, caberá aos servidores e suas representações sindicais agirem de forma enérgica para impedirem a consumação desse ataque sem precedentes contra direitos que foram duramente conquistados ao longo do tempo.  Mas para isso há que se abandonar o atual padrão de oposição basicamente alegórica, a qual combina ações limitadas nas paliçadas fortificadas da Alerj com negociações pontuais por categorias. Enquanto esse modelo de oposição alegórica perdurar, o moribundo (des) governo Pezão vai continuar nadando de braçadas e, sim, fazendo a sua farra fiscal, enquanto destrói os serviços públicos e os direitos dos servidores.

Anaferj desmascara novamente (des) governo Pezão: servidores passam fome, mas não é por falta de dinheiro em caixa

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O blog da Associação dos Analistas da Fazenda Estadual do Rio de Janeiro (Anaferj) acaba de publicar mais daquelas postagens que misturam alto grau de didatismo com números produzidos pelo próprio (des) governo Pezão para demonstrar que há efetivamente ação perversa para deixar mais de 200 mil servidores de joelhos, enquanto se avança o projeto de destruição do serviço público estadual  (Aqui!).

É que baseados nos relatórios das contas públicas referente ao 1o. quadrimestre de 2017, o pessoal da Anaferj demonstra que neste período houve um saldo de caixa de mais de R$ 4 bilhões! Em outras palavras, a inexistência sequer de um calendário de pagamentos para o mês de Abril reflete apenas uma decisão de manter essa parte do funcionalismo público em completo caos financeiro, de modo a facilitar o avanço do pacote de Maldades do (des) governo Pezão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Esse tipo de ação é típica de um (des) governo comprometido com a privatização do Estado e  a manutenção de privilégios fiscais e econômicos para as corporações econômicas, especialmente os bancos e as empresas multinacionais.

Por isso é tão importante entender esse processo que pune os servidores e aposentados de um lado, enquanto de outro se mantem intocado o fluxo de benesses para empresas que, surpresa das surpresas,  não raramente são grandes financiadoras das campanhas eleitorais do PMDB e dos seus aliados no (des) governo do Rio de Janeiro.

Finalmente, é fundamental circular amplamente as informações sintetizadas pela Anaferj, pois é urgente desmistificar a narrativa de que não se paga aos servidores porque não existe dinheiro em caixa. Dinheiro existe, o que falta é a necessária pressão sobre o (des) governo Pezão para que pare de humilhar os servidores e beneficiários do RioPrevidência. Simples assim!

 

Governo acumula 4 bi em caixa, enquanto servidores passam necessidade

Saiu no DOERJ de 26/05/2017 os relatórios das contas públicas referentes ao primeiro quadrimestre de 2017.

Em números macro, o governo arrecadou 19 bi. no primeiro quadrimestre. Empenhou 23 bi de despesas e liquidou 19 bi. Até aí estamos falando de um déficit contábil de 4 bilhões.

Mas os valores das despesas efetivamente pagas somaram 15 bi.

Ou seja, o governo fechou o primeiro quadrimestre com um déficit contábil, mas com superávit em caixa de 4 bi caixa. 4,2 bi pra sermos exatos. Duas folhas inteiras.

Esses números são demostrados claramente nas páginas 3 e 4 no relatório de Balanço orçamentário:

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O governo estadual poderia, se quisesse, dar aos servidores a mesma prioridade que dá ao grupo Prol nos pagamentos. mas prefere deixar o servidor em desespero para aceitar qualquer coisa pra voltar a ter o salário em dia, até mesmo perder 3% dele.

Glossário:

Empenho:

Ato emanado de autoridade competente, que cria para o estado a obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição; a garantia de que existe o crédito necessário para a liquidação de um compromisso assumido; é o primeiro estágio da despesa pública.

Liquidação:

Verificação do direito adquirido pelo credor, tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito.

Pagamento:

Último estágio da despesa pública. Caracteriza-se pela emissão do cheque ou ordem bancária em favor do credor.

Fonte: Tesouro Nacional.

FONTE: http://anaferj.blogspot.com.br/2017/06/enquanto-servidores-passam-necessidades.html

A crise seletiva do Rio de Janeiro mostra novamente a sua cara

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Faz tempo que venho insistindo na tese de que o Rio de Janeiro vive essencialmente uma crise financeira de caráter altamente seletivo. É que de um lado ficam os servidores e beneficiários do RioPrevidência jogados à mercê da própria sorte (e junto com eles a parcela da população que depende dos serviços públicos), enquanto de outro ficam empresas e corporações que possuem como traço comum indícios de relações pouquíssimo republicanas com o (des) governo comandado pela dupla Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão (afinal esse é o mesmo grupo que controla o executivo fluminense desde 2007!).

Hoje (04/06)  o G! publicou uma matéria assinada pelo jornalista pelo jornalista Marco Antonio Martins que, mais uma vez, explicita a seletividade da crise que atravessa o Rio de Janeiro ao reportar que apenas em 2017, o (des) governo Pezão pago em torno de R$ 91 milhões a empresas na chamada Operação Lava Jato (Aqui!).

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A matéria mostra ainda que quem mais recebeu em 2017 do (des) governo Pezão foi o Grupo Prol, do empresário Arthur Cezar Menezes, que é mais conhecido como Rei Arthur.  Antes conhecido como Grupo Facility, o Prol é composto por empresas de limpeza, portaria e alimentação.  Além disso, as empresas do Grupo Prol possuem os maiores contratos de terceirização de mão de obra no RJ. 

Diante de mais essa evidência da seletividade da “crise” financeira do Rio de Janeiro, cresce a obrigação das representações sindicais de usarem todas as armas possíveis para colocarem em xeque o (des) governo Pezão. É que não se pode mais tolerar que os direitos básicos de centenas de milhares de servidores sejam pisados em prol do fluxo de caixa para empresas terceirizadas que, acima de tudo, prestam serviços de péssima qualidade para a população fluminense.

Em meio a uma onda de ataques aos servidores, o (des) governo Pezão se vê próximo do tsunami de operações policiais

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Apesar de estar marchando quase que “livre, leve e solto” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro na aplicação do pacote de maldades acordado com o governo “de facto” de Michel Temer, os dias não devem estar tão amenos lá pelas bandas do Palácio Guanabara.  Para saber disso não é nem preciso escutar as fontes internas que passam informações como se a sede do executivo fluminense fosse um queijo suíço. 

Digo isso porque basta abrir as páginas dos veículos corporativos para verificar que as operações policias estão cada vez mais próximas da gestão com contas reprovadas no Tribunal de Contas do Estado das contas do (des) governo Pezão para o ano de 2016.

Um exemplo disso foi a prisão no dia de hoje em mais uma fase da interminável Operação Lava Jato do empresário da área de refeições, o Sr. Marco Antonio de Luca, que apenas em 2017 possui contratos que somam  cerca de R$ 2 bilhões com o (des) governo Pezão (Aqui!).

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A reportagem assinada por Hanrrikson de Andrade informa ainda que “O MPF informou que estão sendo investigados “dezenas de contratos” que continuam em vigor na gestão de Luiz Fernando Pezão (PMDB), ex-vice do hoje presidiário Sérgio Cabral.

Mas o interessante é que também no dia de hoje o site UOL publicou outra matéria relacionada a crimes cometidos por Sérgio Cabral e vários de seus (des) secretários no caso referente à construção da Linha 4 do Metrô, e que resultou no bloqueio de R$ 3,1 bilhões de patrimônios pertencentes, entre outros personagens, do ex-(des) governador  e Cabral, do ex-secretário de Transportes e deputado federal, Julio Lopes (PP),  e do ex-subsecretário de Turismo, Luiz Carlos Velloso (Aqui!).

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Há ainda que se notar que o (des) governador Pezão só não teve os bens também bloqueados pela juíza responsável pelo caso em questão porque ela considerou  que a ação civil pública apresentada pelo Ministério Público (MP) não inclui o período em que os três estavam no governo.   Como esse pode ser um entendimento que poderá ser rebatido pelo MP, já que Pezão não foi só foi o vice (des) governador de Sérgio Cabral, mas chefiou por vários anos a poderosa secretaria estadual de obras.

Em suma, o tsunami das operações policiais e dos pedidos de prisão por parte do MP que já tem andado bem próximos do Palácio Guanabara tem tudo para ficar ainda mais perto.

Por isso mesmo é que não é compreensível que os sindicatos e associações que representam os servidores públicos estaduais continuem tendo a posição de compasso de espera em relação aos múltiplos ataques que estão sendo desferidos pelo (des) governo Pezão contra os direitos do funcionalismo público estadual.

A matemática financeira falaciosa do (des) governo Pezão visa enganar a população e punir os servidores

O jornal “EXTRA” publica hoje uma daquelas matérias/press releases cujo objetivo não é informar, mas muito pelo contrário. Falo aqui do artigoque aborda o suposto estouro da Lei de Responsabilidade Fiscal no tocante aos gastos com o funcionalismo a partir de um relatório bimestral da execução orçamentária do estado (Aqui!). Continuar lendo

O massacre dos servidores não resolverá a crise do Rio de Janeiro, e ainda poderá aprofundá-la

 

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recente aprovação do aumento da contribuição previdenciária dos servidores estaduais está sendo justificada, de forma cínica é claro, por parte dos deputados que votaram a favor como um esforço para colocar os salários atrasados em dia.  A estas alturas do campeonato, esses deputados não merecem nem o direito da dúvida, pois eles sabem muito bem que seu voto não teve nada a ver com a condição trágica em que se encontram mais de 200 mil servidores neste exato momento.

Enquanto os deputados tentam se justificar com argumentos insustentáveis, o (des) governador Pezão continua enviando novos projetos que irão aprofundar o massacre financeiro ao qual o conjunto dos servidores já está sendo submetido. E, com certeza, estes projetos serão aprovados pela base (des) governista com o uso das mesmas justificativas cínicas que já usaram para aprovar outros projetos enviados pelo ainda (des) governador Pezão.

Deixando de lado os deputados que votam favoravelmente a tudo que interessa ao (des) governador Pezão, que tal olharmos para as reais causas da hecatombe financeira que se abateu sobre o Rio de Janeiro.  Além dos bilhões perdidos nos múltiplos casos de corrupção cometidos pelo ex (des) governador Sérgio Cabral e seus (des) secretários, vivemos hoje a herança maldita dos megaeventos esportivos que somaram várias centenas de bilhões de dólares à dívida pública. E, pior, o cenário social e econômico criado pela sucessiva ocorrência destes eventos bilionários (Jogos Panamericanos, Copa do Mundo, Jogos Olímpicos) é de um aumento exponencial na incapacidade do Estado em atender a serviços básicos, sem que haja alternativas que possam dinamizar os pilares da economia real. Em outras palavras, ficaram apenas as dívidas.

Mas não foram apenas os casos de corrupção e os megaeventos esportivos que nos colocaram nesta situação.  Ainda que tenham saído momentaneamente de cena, temos ainda uma crescente sangria com a guerra fiscal que no Rio de Janeiro resultou numa fábrica de isenções fiscais que já causaram perdas superiores a R$ 200 bilhões, e que continuam crescendo. Como nas medidas aprovadas sob o codinome de “Recuperação Fiscal dos estados” não houve um travamento significativo dessa sangria, o mais provável é que continuaremos a ter o oferecimento de benesses fiscais às grandes corporações, literalmente de mãos beijadas.

O último ingrediente da poção maligna que o (des) governo Pezão representa temos a grosseira incompetência que caracteriza Luiz Fernando Pezão e a imensa maioria dos seus (des) secretários. Ouvir ou ler as declarações de Pezão chega a ser doloroso, de tão evidente que fica a sua completa inépcia enquanto chefe do executivo da segunda economia da federação.  Ao ouvi-lo falar parece que estamos vivendo em algum daqueles países mais atrasados do planeta, e não no Rio de Janeiro.  Pezão é claramente o homem errado para uma hora decisiva na história do nosso estado.  E a única explicação para ainda termos que aturar a sua incompetência é que ele ainda permanece sendo útil para quem está ficando mais rico com a nossa desgraça coletiva.

Como não espero que a situação mude positivamente a partir dos canais institucionais que me parecem gravemente enfermos neste momento, o único caminho que nos resta no Rio de Janeiro é unificar a demanda de “Fora Temer” com a de “Fora Pezão”.  É que Pezão é o principal sustentáculo das políticas de destruição do Estado que estão sendo executadas por Temer, e um não vive sem o outro.

O problema aqui será vencer a dinâmica eleitoral que vem guiando a ação dos principais partidos de oposição que dizem lutar contra Michel Temer, mas se unem a Pezão para aprovar as suas medidas de arrocho. É a velha história de ruge como leão com um e mia como um gatinho com outro.

De toda forma, a história já mostrou que sob a pressão das ruas até direções vacilantes adotam as bandeiras corretas, ainda que por puro oportunismo. Por isso, é importante apoiar todas as medidas que coloquem a demanda de que Temer e Pezão sejam removidos o mais rapidamente possível dos cargos que ocupam.

A outra opção, que é a inércia frente ao caos que estamos vivendo, será a erupção de uma gravíssima convulsão social, e os sinais já estão todos presentes e se manifestando.

Finalmente, não sei se existe alguém no (des) governo Pezão que ainda se preocupe com o futuro do Rio de Janeiro. Se existir, e acreditos que seriam poucos indivíduos que conseguem elaborar para além das próximas 24 horas, há que se pesar o impacto que todo este arrocho terá sobre a disposição da maioria dos servidores. É que a apatia e a letargia óbvias frente aos ataques que estão sendo realizados contr servidores que estão sem salários poderão ter como resposta a perigosa opção de simplesmente abandonar quaisquer compromissos com a qualidade dos serviços prestados.  Esse movimento poderá aprofundar ainda mais  a crise que estamos vivendo.  A ver!

Vitória do (des) governo Pezão e o necessário balanço do papel dos sindicatos na derrota dos servidores

O moribundo (des) governo Pezão obteve uma apertada vitória no dia de ontem (24/05) impondo um confisco salarial na forma de aumento da contribuição previdenciária. O placar de 39 a 26 representa uma clara regressão do controle que o PMDB já teve na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) onde Sérgio Cabral costumava dar de goleada na oposição.

Mas apesar desse placar magro, o fato é que um (des) governo completamente agonizante conseguiu jogar sobre as costas dos servidores parte do custo de suas próprias peripécias pouco republicanas com o dinheiro público, e que já colocou na cadeia o  ex (des) governador Sérgio Cabral e vários dos seus (des) secretários, e ainda ameaça levar para lá membros da atual administração comandada pelo (des) governador Pezão.

Ainda que se possa querer culpar (com justeza é preciso frisar) parte considerável dos deputados governistas, os quais também estão ameaçados por diversas operações de investigação policial em curso no Rio de Janeiro, por seu voto anti-servidor e a Polícia Militar pelo uso excessivo da violência contra uma manifestação pacífica dos servidores, o fato é que não pode se deixar de observar que a imensa maioria dos sindicatos e associações que dizem representar os servidores não estiveram à altura da tarefa de defender seus representados.

Quero aqui pontuar o caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) onde em menos de 12 horas se decidiu e realizou uma paralisação de 24 horas contra o aumento previdenciário, e também se foi capaz de organizar um ato político na Rodoviária Jorge Roberto da Silveira. Uma das coisas que mais mostrou que é possível mobilizar até os que normalmente não participem de atividades de rua é o oferecimento de uma linha política clara e que eleva os servidores para além da reclamação letárgica contra males genéricos de um (des) governo que já nem deveria existir, mas que continua castigando os servidores.

A verdade é que sem método claros de ação ninguém é mobilizado ou, muito menos, se dispõe a participar de enfrentamentos com as forças de repressão. Tampouco adiante se isolar nas redes sociais existentes na internet, desconhecendo o fato objetivo que muitos servidores já perderam a capacidade até de colocar comida em suas mesas.  A noção de que apenas com propaganda no Facebook e outras redes sociais se mobiliza milhares de servidores que hoje se encontram em completo desespero financeiro não só é pífia, como se reveste de um elemento pernicioso que é o de efetivamente não estabelecer o necessário diálogo com a população.

Para completar há que se notar que muitos dirigentes sindicais tratam seus sindicatos como extensões de suas organizações políticas ou, pior, de suas famílias. O aparelhamento de sindicatos e seu alinhamento com usos e costumes que nada têm a ver com o cotidiano dos servidores soma outra camada de desmobilização que serve apenas para que o (des) governo Pezão continua em pé e, pior, realizando novos ataques .

Mudar esse cenário não será fácil, mas não há outra saída se não quisermos ver mais corrosão em direitos que foram obtidos de forma sempre dura e demorada.  Para começo de conversa, as direções sindicais vão ter que sair da posição cômoda de tratar de forma particularizada a concessão de pequenos farelos para suas categorias. Depois disso há que se vencer a apatia e a acomodação que reina na maioria dos servidores.  Mas isso só será possível, se a apatia e a acomodação for vencida primeiramente dentro dos sindicatos.  

Finalmente, uma coisa positiva a se ressaltar. Nas ruas o repúdio a Pezão e seu (des) governo está muito alto. Derrubar esse (des) governo não é tão difícil quanto parece. Basta querer mobilizar a sua derrubada como uma tarefa cotidiana.

A dívida do (des) governo Pezão com os servidores desmascara a privatização da CEDAE

O jornal “EXTRA” publicou hoje uma matéria que desmascara de vez a falácia de que a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgostos (CEDAE) serviria para acabar com as dívidas já acumuladas com os servidores públicos estaduais. Sob o título “De 2015 até hoje, dívida do Estado do Rio com os servidores supera R$ 2 bilhões”,  a matéria assinada pelo jornalista Nelson Lima Neto mostra que a dívida acumulada com o funcionalismo já compromete mais de 55% do valor que deverá arrecadado com a venda da CEDAE (Aqui!) (ver gráfico descritivo abaixo)

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Como o empréstimo para o qual a privatização da CEDAE serve como garantia deverá demorar ainda algum tempo para ser obtido, a expectativa é que a dívida acumulada com os servidores aumenta ainda mais, o que terminará por comprometer uma proporção maior do valor supostamente a ser arrecadado nessa venda.

Em outras palavras, forjou-se um falso compromisso com a situação dos servidores apenas para acelerar um processo de privatização a preços que não resolverão nem a dívida já acumulada, quiçá a estabilização do calendário de pagamentos.

Por essas e outras é que os nomes deputados estaduais que aprovaram essa privatização vergonhosa de uma empresa pública lucrativa não podem ser esquecidos. É que em 2018 eles recebam o troco devido nas urnas. Simples assim!