Vitória do (des) governo Pezão e o necessário balanço do papel dos sindicatos na derrota dos servidores

O moribundo (des) governo Pezão obteve uma apertada vitória no dia de ontem (24/05) impondo um confisco salarial na forma de aumento da contribuição previdenciária. O placar de 39 a 26 representa uma clara regressão do controle que o PMDB já teve na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) onde Sérgio Cabral costumava dar de goleada na oposição.

Mas apesar desse placar magro, o fato é que um (des) governo completamente agonizante conseguiu jogar sobre as costas dos servidores parte do custo de suas próprias peripécias pouco republicanas com o dinheiro público, e que já colocou na cadeia o  ex (des) governador Sérgio Cabral e vários dos seus (des) secretários, e ainda ameaça levar para lá membros da atual administração comandada pelo (des) governador Pezão.

Ainda que se possa querer culpar (com justeza é preciso frisar) parte considerável dos deputados governistas, os quais também estão ameaçados por diversas operações de investigação policial em curso no Rio de Janeiro, por seu voto anti-servidor e a Polícia Militar pelo uso excessivo da violência contra uma manifestação pacífica dos servidores, o fato é que não pode se deixar de observar que a imensa maioria dos sindicatos e associações que dizem representar os servidores não estiveram à altura da tarefa de defender seus representados.

Quero aqui pontuar o caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) onde em menos de 12 horas se decidiu e realizou uma paralisação de 24 horas contra o aumento previdenciário, e também se foi capaz de organizar um ato político na Rodoviária Jorge Roberto da Silveira. Uma das coisas que mais mostrou que é possível mobilizar até os que normalmente não participem de atividades de rua é o oferecimento de uma linha política clara e que eleva os servidores para além da reclamação letárgica contra males genéricos de um (des) governo que já nem deveria existir, mas que continua castigando os servidores.

A verdade é que sem método claros de ação ninguém é mobilizado ou, muito menos, se dispõe a participar de enfrentamentos com as forças de repressão. Tampouco adiante se isolar nas redes sociais existentes na internet, desconhecendo o fato objetivo que muitos servidores já perderam a capacidade até de colocar comida em suas mesas.  A noção de que apenas com propaganda no Facebook e outras redes sociais se mobiliza milhares de servidores que hoje se encontram em completo desespero financeiro não só é pífia, como se reveste de um elemento pernicioso que é o de efetivamente não estabelecer o necessário diálogo com a população.

Para completar há que se notar que muitos dirigentes sindicais tratam seus sindicatos como extensões de suas organizações políticas ou, pior, de suas famílias. O aparelhamento de sindicatos e seu alinhamento com usos e costumes que nada têm a ver com o cotidiano dos servidores soma outra camada de desmobilização que serve apenas para que o (des) governo Pezão continua em pé e, pior, realizando novos ataques .

Mudar esse cenário não será fácil, mas não há outra saída se não quisermos ver mais corrosão em direitos que foram obtidos de forma sempre dura e demorada.  Para começo de conversa, as direções sindicais vão ter que sair da posição cômoda de tratar de forma particularizada a concessão de pequenos farelos para suas categorias. Depois disso há que se vencer a apatia e a acomodação que reina na maioria dos servidores.  Mas isso só será possível, se a apatia e a acomodação for vencida primeiramente dentro dos sindicatos.  

Finalmente, uma coisa positiva a se ressaltar. Nas ruas o repúdio a Pezão e seu (des) governo está muito alto. Derrubar esse (des) governo não é tão difícil quanto parece. Basta querer mobilizar a sua derrubada como uma tarefa cotidiana.

7 pensamentos sobre “Vitória do (des) governo Pezão e o necessário balanço do papel dos sindicatos na derrota dos servidores

  1. sandra disse:

    Não há sindicatos defendendo ninguém.O SINDSERJ apareceu vindo ninguém sabe de onde com aval da justiça para abocanhar um imposto sindical que nunca houve nos últimos trinta anos do servidor estadual. Não temos representantes , se alguém duvida como uma categoria como a da SAÚDE ficaria sem reajuste ha dezessete anos? É óbvio que está sem representatividade…A SAUDE é a única que conta com a anomalia da FUNDAÇÃO SAÚDE. Aliás de 9 processos contra Sergio Cabral é para desconfiar da criação dessa FUNDAÇÃO SAÚDE.Fato inédito é uma categoria não receber reajuste ainda ter diminuído seus vencimentos isso só poderia acontecer na REPÚBLICA DE BANANAS!

    • Sandra, me desculpe, como dirigente sindical que estou, não posso concordar que não haja sindicatos que estejam tentando defender seus associados. O meu está, ainda que dentro de suas modestas condições.

  2. Marco Antônio disse:

    Professor Marcos hoje conversei com colegas do TJRJ (inicialmente um grupo de cinco servidores que trabalham na Região Metropolitana do Rio, todos formados em Direito), sobre a aprovação do desconto para o Rio Previdência, e em dado momento perguntei para eles se sabiam o motivo do aumento, como todos falaram que achavam que era para ajudar a pagar os aposentados, perguntei-lhes se sabiam sobre o Rio Oil Finance Trust… pasme o senhor que ninguém sabia do que estava falando… passei em outro cartório e o resultado foi o mesmo… aqui no meu trabalho também ninguém ouviu falar disso. Pedi a todos que pesquisem (ao todo falei com 20 pessoas). Como é que pode tantas pessoas, que considero esclarecidas, podem ficar no “breu” em relação a um assunto tão importante? Será que o SINDJUSTIÇA e o MUSPE estão no “breu” também? O senhor lembra de que comentei em outro post do blog que estava estranhando este silêncio dos sindicatos? Assim fica difícil… p.s. tomei a liberdade de indicar o blog do senhor para todos.

    • Marco Antônio, há de tudo um pouco nessa situação. Creio que existe desinformação em uma parcela significativa dos sevidores, mas há também uma atitude deliberada de não se tocar no assunto, pois existem muitos interesses transversos envolvidos. Por isso, a minha estranheza em ver tão pouca repercussão ao que eu venho tratando sobre o caso da operação Delaware desde o início do ano passado. E obrigado por divulgar o blog.

  3. Abilio Maiworm-Weiand disse:

    Também não posso concordar que todos os sindicatos atuem da mesma forma, voltados única e exclusivamente para a perpetuação das suas respectivas diretorias à frente de tais organizações. Aliás, há sindicatos, mais ainda correntes no interior da luta sindical, que têm projetos de transformação societária, muito além da mera luta econômica das categorias que representam.

  4. Marco Antônio disse:

    Abilio venho lhe agradecer pela indicação de pesquisa (post sobre Rogério cerqueira Leite em abril do corrente ano) sobre o Bautista Vidal, apesar de ler muito, confesso que não sabia da história de Bautista. Outra confissão que faço é sobre o meu desconhecimento em relação ao “batizado no Jordão – JaJa Bobo”. Aquilo tem explicação? Mais uma vez obrigado pela dica de pesquisa.

  5. Abilio Maiworm-Weiand disse:

    Caro Marco Antônio.
    Peço licença ao companheiro Pedlowski para dizer-lhe que sou eu que fico grato por sua atenção. Não compreendi bem a sua indagação. Eu me referia ao batismo do ex-capitão e atual deputado federal, que já foi do partido do honradíssimo e democrata Paulo Maluf, Jair Bolsonaro. Explicação para tão profundo ato de fé e defesa das pautas mais atrasadas que grassam e desgraçam a sociedade brasileira? É um assunto complexo, muito além da mera hipocrisia. Poder e religião têm relações profundas. Além disso, o mencionado deputado já teceu loas à burguesia que controla o Estado de Israel e tem muitos interesses bélicos. Talvez esta seja uma boa pista para se buscar os motivos para o mergulho em um rio tão longínquo. Mas quem sabe não é um pedido de perdão para continuar defendendo o que defende, inclusive as contrarreformas do Senhor Temer, que, segundo um vídeo do tal deputado, excluiu os militares das desgraças que se abaterão ao resto dos pobres mortais dos assalariadas condenados a conhecer o inferno ou viver em sua sucursal por aqui mesmo.

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